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:ESTÚDIO 4

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Ten Years Looking Forward to See You explora esta capacidade de ‘frequentar’ além do que é dado a examinar, propondo a experiência da ‘amigável coincidência’ dos corpos que adquirem aqui rostos visíveis e em todos eles o do artista. Ao enquadramento do olhar corresponde um campo expressivo selectivo revelador da errância misteriosa do corpo por território aparentemente alheio. A luz revela o que a sombra, ambígua, configura: a superfície sensível da tensão entre o voluntário e o involuntário do corpo, que sustém, segundo Dufrene, a própria maneira esquiva do ser. Looking forward to see you adquire o sentido de procura desta memória suspensa no corpo. Há coisas que só se podem ver com o branco dos olhos. — Jorge Sousa Braga Entendemos estes dez anos de olhares reunidos por Rui Calçada Bastos como sendo especialmente representativos da reconciliação entre Estética e empatia. Não se trata de humanizar o objecto mas a experiência estética, abrindo-a, a um nível imediato da percepção, à experiência de outros corpos, transgredindo as fronteiras do eu artista e espectador. A esta comunhão num corpo-obra acrescido chamamos terceiro-corpo.

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (4): 68-74.

Looking forward to see you

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Neste sentido - acrescenta - entende-se que seja a experiência estética a que exemplifica com maior proximidade o mistério da experiência do mundo já que é a linguagem da arte a que melhor expressa o inexpressável e o impensável: “a arte é a expressão do desejo do corpo sobre a subjectividade, do involuntário sobre o voluntário” (apud Pita, 1999: 66). A percepção da obra herda esta livre e misteriosa comunhão do corpo e prolonga voluntária e subjectivamente o diálogo profundo de consciências que a arte expressa. A arte expressa, a filosofia enuncia e a ciência comprova. No início dos anos 1990, Giacomo Rizzolatti e a sua equipa de investigação (Universidade de Parma), identificam os mirror neurons, cujas incríveis propriedades reflectem o pensamento de Dufrenne. Sobre estes ‘empathic neurons’, o neuroscientista Ramachandran diz-nos o seguinte: “All that separates you from the other is your skin. Remove the skin and you dissolve the barrier between you and other human beings. There’s no real independent self. You’re connected by your neurons” (2009).


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