70 Pereira, Maria Leonor de Almeida (2011) “Looking Forward to See You: Rui Calçada Bastos, Arte e Empatia.”
As any idealist (and Calçada Bastos lives passionately for ideals), he is dealing with the notion of an ideal spectator, an entity that feeds itself on the artist’s emotion. This always refers back to the condition of the spectator – of himself, of an ideal figure, of memory or of strolling (Sardo, 2009). Esta ‘figura ideal’ que o anima é delineada pela experiência, funda-se no conhecimento sensível da ‘amigável coincidência’ dos corpos; é, neste sentido, tão real quanto o corpo. “The idea of the self and the other, the inner and the outer, the here and there,” são questões que interessam ao artista (Bastos, 2006). Estas questões, com as quais constrói o corpo da sua obra, constroem igualmente a ideia de corpo; um corpo que integra a arte desde logo porque – como nos diz Sally O’Reilly – “it seems improbable that there is any art that does not involve the body, since making art and relating to it are rooted in the material world of encounter.” O corpo constitui, segundo a mesma autora, “a site of common physiological experience [that] makes it an excellent tool for inspiring empathy” (2009: 7, 189). Looking forward
Johann Gottfried Herder (1744-1803) utiliza o verbo einfühlen (algo como empatizar) para descrever o modo humano de sentir para dentro das coisas (feeling into), capacidade que permitiria reconhecer a natureza de uma forma espiritual análoga ao sentimento de si. É esta ideia que o filósofo Friedrich Theodor Vischer (1807-87) procura associar à tendência formalista da estética alemã de meados do século XIX, contrapondo a perspectiva de que as formas contêm as emoções que projectamos nelas sendo impossível separar o conteúdo da forma. Dando seguimento ao trabalho do seu pai, Robert Vischer (1847-1933) usa, em 1873, o substantivo Einfühlung (empatia) para designar aquele fenómeno de projecção emocional, elevando o verbo à categoria de objecto de reflexão e análise filosófica. A empatia entra no centro da discussão estética como uma das suas principais categorias (Stueber, 2008). Em 1909, o psicólogo Edward Titchener (1867-1927) introduz na língua inglesa, a partir do alemão Einfühlung, a palavra empathy para designar o que entende por ‘processo de humanização dos objectos.’ A tradução assenta na ligação, também estabelecida por Theodor Lipps (1851-1914), à palavra de origem grega empatheia que designa um estado emocional intenso contrário ao de apatheia (apatia). Lipps recorre à palavra para designar o fenómeno de ‘ressonância psicológica’ que se dá na imediaticidade perceptiva de objectos externos, entendendo-o, antes de mais, como uma forma de conhecimento humano (‘instinct of empathy’) associada à imitação: a imitação da expressão observada evoca o sentimento associado a que corresponde a sensação de acesso à experiência do outro, projectada a partir da própria experiência (Zahavi, 2010: 288). É na analogia estabele-