Pereira, Maria Leonor de Almeida (2011) “Looking Forward to See You: Rui Calçada Bastos, Arte e Empatia.” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 2, (4): 68-74.
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Looking Forward to See You: Rui Calçada Bastos, Arte e Empatia Maria Leonor de Almeida Pereira Portugal, artista visual. DEA, Universidade de Vigo; Licenciatura em Artes Plásticas, Universidade de Évora. Estudante de doutoramento, Universidade de Vigo, bolseira da FCT. Artigo completo submetido em 2 de setembro e aprovado em 19 de setembro de 2011.
Resumo Este artigo incide sobre a obra de Rui Calçada Bastos Ten Years Looking Forward to See You (1989-1999) apontando a reconciliação entre Estética e empatia como aspecto dominante e reincidente no seu trabalho. Propõe-se um terceirocorpo representativo de um modo próprio de frequentar o objecto, emprestando, no seguimento do artista, um outro sentido à expressão looking forward to see you. Palavras-chave arte, artista, espectador, empatia, terceiro-corpo.
Looking Forward to See You. Rui Calçada Bastos, Art and Empathy Abstract This meta-paper focuses on Rui Calçada Bastos’ Ten Years Looking Forward to See You (1989-1999) highlighting the reconciliation between Aesthetics and empathy as a dominant and recurrent aspect of his work. A third-body representative of a transpersonal experience of the object is presented, redefining, alongside the artist, the meaning of looking forward to see you. Title
Keywords art, artist, spectator, empathy, third-body.
Átrio
Lookin Forward to See You empresta o seu nome do vídeo Ten Years Looking Forward to See You (Figura 1) do artista português Rui Calçada Bastos (n. 1971), obra que reúne dez anos de olhares, alguns desconhecidos, captados nas suas viagens pela Ásia, e outros familiares, recolhidos num círculo de pessoas mais próximo do artista. Para o espectador, estes olhares, separados em duas projecções opostas, são igualmente anónimos, mas ainda assim o que expressam distingue-os. Na sensação de acesso ao outro, cuja intensidade parece oscilar numa espécie de obediência mímica ao olhar encontrado, oscila algo mais complexo que a confirmação mútua do visível: a um nível imediato oscila a sensação de acesso ao invisível que diz da vitalidade do outro e da nossa própria vitalidade, permitindo ‘frequentar’ o inacessível cuja expressão sensível não é senão