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Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 2, (4): 55-60.
Figura 1 Kiki Smith. Sainte Genevieve, Desenho nanquim sobre Papel nepalês, 1999, 45 × 63cm. Fonte: Art Nerd London (2011)
mento corporal das montanhas, da água, das árvores e das flores [...] Por todo o lado se recordam movimentos semelhantes no corpo humano.” (Fischer, 2007: 180). Egon Schiele não escolheu conscientemente como motivo a grande cidade, o símbolo moderno; mas velhas vilas com muros corroídos pelo tempo. O tempo que passa transforma o corpo e deixa essas marcas como vestígios de sua passagem. A respeito do corpo que é marcado, corroído, arruinado, Michel Foucault escreve “O corpo: superfície de inscrição dos acontecimentos [...] de dissociação do Eu [...], volume em perpétua pulverização. A genealogia [...] deve mostrar o corpo inteiramente marcado de história e a história arruinando o corpo.” (Foucault, 2008: 22). No que diz respeito à representação e padronização do corpo feminino na atualidade, relaciono minhas reflexões com os trabalhos e escritos de Kiki Smith. A artista nasceu em Nuremberg, Alemanha em 1954, e naturalizou-se americana. Ela utiliza diversas linguagens, como pinturas mistas, gravuras detalhadas, desenhos, mas as esculturas são suas obras mais conhecidas. Em seu trabalho, os temas avançam desde anatomia e autorretratos até a natureza e iconografias femininas (Figura 1); incluindo também temas como nascimento, regeneração, sustentação, expondo frequentemente os sistemas biológicos internos