Gamito, Maria João (2011) "Pedro Saraiva: o corpo em pessoa: Cinco desenhos à procura de um artista."
Referências Arasse, Daniel (2005). “La chair, la grâce, le sublime”, in Vigarello, Georges (dir.) (2005-2006). Histoire du corps (3 vols), Vol. I – De la Renaissance aux lumières, avec Daniel Arasse … [et al.]. Paris : Seuil, p. 411-477 e 533-540. Bourriaud, Nicolas; Restany, Pierre (2000). “Nicolas Bourriaud & PierreRestany”, in Le corps mutant. Paris: Galerie Enrico Navarra, p. 20-23. Pirandello, Luigi (2009). Henrique IV e Seis Personagens em Busca de Autor. Lisboa: Relógio d’Água. Contatar a autora: mjgamito@fba.ul.pt
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real necessita para se tornar realidade: cenário, cena ou drama, com maior ou menor consciência do papel a representar, é à ficção que ele tem que ir buscar a sua autoridade. É dessa ficção que nos falam os desenhos de Pedro Saraiva como é para ela que eles nos encaminham. Suspensas em páginas brancas, as suas figuras, escritas e a escrever, representam a precária totalidade que o branco da página ajuda a construir e o seu corpo, como propõe Restany “ torna-se [ele próprio] uma página branca, um grau zero da expressividade, a partir da qual todas as intervenções, todas as encenações são possíveis” (Restany, 2000: 21). É sempre sobre essa página branca, perante a qual o ponto aguarda a velocidade das palavras e o desenhador fixa a precariedade da espera, é sempre sobre essa folha e todos os seus autores que cai o pano.