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:ESTÚDIO 4

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171 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 2, (4): 169-173.

Figura 1 Corpo Mandala, Mogno, 167 × 100 × 100 cm, 1995. Fonte: Colecção Privada, Cascais. Instalação no Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela, 2001.

outras, que partem da sugestão do canavial e da arquetípica floresta. Obra paradigmática do que temos vindo a expor, Corpo Mandala (Figura 1), apresenta um espaço deliberadamente deixado vazio no centro de uma mandala, correspondente este ao próprio corpo do autor. Se a mandala, enquanto arquétipo, remete para o centramento do indivíduo, o espaço ocupado por este (o autor) encontra-se vazio. É um vazio que extravasa as ideias de cheio e vazio centrais à escultura, mas nos remete para o Vazio como elemento gerador de dinamismo criador no pensamento taoista. A escultura delimita um negativo. Os quatro elementos direccionam-se para o interior, dialogam entre si e, no entanto, continuamos a sentir que, o vazio provocado pela colocação destes troncos é tão importante como os próprios elementos. Um vazio que não advém do acto de esculpir as árvores, mas da determinação de um centro, o próprio artista nas suas diversas dimensões. O vazio provocado pela ausência do artista na obra é também a ideia do vazio médio, o vazio que impõe o movimento ao conjunto, tal como nos sopros vitais da cosmologia taoista. Este é o verdadeiro reino do intervalo. Como nos diz Cheng é no côncavo dos interstícios que o Tao aflora (Cheng, 2004: 16). O entre revela-se nesta visão como uma entidade.


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