11 Reis, Vítor dos (2011) “O Rasto de um Corpo no Espaço, ou o Observador como Sujeito Vidente em Francisco Afonso Chaves (1857-1926).” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol. 2, (4): 12- 18.
Vítor dos Reis Portugal, artista visual. Licenciado em Artes Plásticas-Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). Doutorado em Belas-Artes / Teoria da Imagem (FBAUL). Artigo completo submetido em 5 de setembro e aprovado em 19 de setembro de 2011.
Resumo Em 1920, Francisco Afonso Chaves realizou um peculiar retrato fotográfico constituído por três imagens estereoscópicas sucessivas. Além da sua inegável qualidade cinemática, esta série tem uma qualidade que se poderá designar por videncial: a de mostrar a transformação de um corpo, desde a sua presença até à sua ausência, num dinâmico rasto luminoso no espaço. O sujeito visual é, assim, também transformado em sujeito vidente: aquele que vê o que de outro modo seria invisível. Palavras-chave fotografia, estereoscopia, visão, vidência.
The observer as a viewing subject in Francisco Afonso de Chaves (1857-1926) Abstract In 1920, Francisco Afonso Chaves made a peculiar photographic portrait composed of three successive stereoscopic images. Besides its undeniable cinematic quality, this series possesses a quality that we can call visionary: the displaying of the transformation of a body from its presence into its absence, by means of a dynamic luminous trail through space. The visual subject is therefore also transformed into a visionary subject: the one who sees what would otherwise be invisible. Title
Keywords photography, stereoscopy, vision, visionary.
Introdução
A 12 de Junho de 1920, na cidade de Laon, em França, o naturalista e fotógrafo açoriano Francisco Afonso Chaves (1857-1926) registou em três imagens estereoscópicas sucessivas o seu colega e amigo Berthrant. As fotografias foram feitas na casa deste, no seu gabinete de trabalho. As três imagens formam uma
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O Rasto de um Corpo no Espaço, ou o Observador como Sujeito Vidente em Francisco Afonso Chaves (1857–1926)