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diante de uma platéia imóvel. A ação provocou uma série de protestos na imprensa, protestos que também que se estenderam aos plenários políticos do país. O Nervo Óptico (figura 6) foi um grupo de artistas voltados à discussão e produção de arte contemporânea, atuando em Porto Alegre (RS) entre os anos de 1976 e 1978. Entre um manifesto e a edição mensal de um cartaz durante 13 meses, o grupo teve um impacto não apenas local, mas também no centro do país, sendo que seus integrantes realizaram diversas exposições, explorando a linguagem fotográfica e materiais alternativos. Suas temáticas eram reconhecidamente críticas e irônicas. Em sua configuração inicial atacava, principalmente, o mercado de arte. Porém, o objetivo do grupo não era contestar o comércio ou enfraquecer um sistema das artes recém definido, ele recusava que mercado ditasse as regras do que deveria ser feito em matéria de arte. À guisa de conclusão, os dois projetos curatoriais, as obras apresentadas e as exposições resultantes mostraram em seus recortes específicos do tema Corpo, delineados, em um primeiro momento, como foi o da Panorama 97, pelo enfraquecimento que atingia as linguagens tradicionais. Por outro lado um outro sintoma se anunciava, através da produção de um sujeito-artista fragmentado, à procura de novos paradigmas e que encontrava em seu estar no mundo elementos para sua produção. A curadoria de Tadeu Chiarelli encontrou a expressão de um momento pontual, que rompia os limites da carne (de maneira simbólica ou factual) apresentando o zeitgeist que rondava, desde os anos 60, a arte brasileira.
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (4): 113-120.
Figuras 5 e 6 À esquerda: Cildo Meireles, Tiradentes: Totem-Monumento ao Preso Político, 1970, coleção do artista. Foto: Luiz Alphonsus. À direita: Nervo Óptico nº 4, julho de 1977, cartaz em off-set 31,3 × 21,5 cm Acervo Fundação Vera Chaves Barcellos. Fontes: Itaú Cultural (2005).