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:ESTÚDIO 4

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116 Araújo, Viviane Gil (2011) “Corpo e curadoria: duas propostas brasileiras.”

Pacheco de um arquivo autobiográfico para a produção de objetos e instalações que faziam referência a remodelação do seu corpo, desde sua infância até a idade adulta. Deste modo, a artista apresentou uma obra que se tornou icônica daquele período veio a constituir o acervo do MAM/SP, através do prêmio aquisição oferecido pela instituição. Referimo-nos ao vestido (figuras 1 e 2) realizado em contas de cristal e lâminas de barbear, obra que depõe sobre a vivência da artista e a experiência da busca pela beleza que também pode ferir. A artista Rosana Paulino (figuras 3 e 4) apresentou na Panorama 97, trabalhos referentes a sua condição de mulher negra apropriando-se de objetos do cotidiano pouco valorizados, mas de domínio exclusivo das mulheres: bastidores de bordados e linhas de costura que são usados para emoldurar e costurar bocas que não gritam, olhos que não vêem, pensamentos que não se concretizam. Em seu texto Paulino desabafou: ‘esse tem sido meu fazer, meu desafio e minha busca’ (Paulino, 1997: 114). Exposição O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira.

A exposição o Corpo na Arte contemporânea Brasileira fez parte de um evento multidisciplinar de nome Corpo, realizado pelo Itaú Cultural São Paulo, entre os meses de maio e março de 2005. Alheia ao caráter estanque que pode vir a ter uma exposição, a mostra de arte foram ligadas outras atividades das áreas de artes visuais, teatro, dança, cinema, vídeo, jornalismo e educação. Descartando o propósito de fazer um levantamento da novíssima geração que tinha sua produção voltada para a questão do corpo, os curadores Fernando Cocchiarale e Viviane Matesco buscaram reunir artistas promissores aos mais emblemáticos, formando um compêndio da arte do século XX e do século que se iniciava. Nessa direção, eles identificaram quatro modalidades principais e indicativas da presença do corpo na arte produzida no período tratado pela exposição: Marcas, Rastros, Projeções do Corpo; Corpo em Ação; Corpo em Imagem e Corpos Subterrâneos. O espaço expositivo recebeu as obras de acordo com as modalidades referidas, sem abordar o tema do ponto de vista histórico-cronológico. Porém, os curadores igualmente organizaram através de obras simbólicas, uma breve cronologia do século XIX ao fim do século XX, buscando destacar as diferenças essenciais entre o corpo representado da arte clássica, o corpo inventado do modernismo e o corpo agente (direto, tecnológico ou indicial) e desejante (fragmentado) da produção contemporânea. Uma publicação reuniu desde textos, imagens das obras, papers dos palestrantes que participaram do seminário Corpo Representado (encontro que reuniu filósofos, psicanalistas, teóricos da linguagem e da cultura, sociólogos e antropólogos do Brasil e exterior que deram sua contribuição ao tema “O corpo como expressão da sociedade contemporânea”). No mesmo seminário quatro eixos


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