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:ESTÚDIO 4

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114 Araújo, Viviane Gil (2011) “Corpo e curadoria: duas propostas brasileiras.”

corpo, entendido em sua dimensão físico-psíquica’ (Chiarelli, 1997: 14). Faz-se necessário completar o registro da mostra citada, já que essa compunha um projeto maior, organizado bienalmente pelo MAM/SP, que além de oferecer um prêmio aquisição, apresentava um catálogo um parecer do curador, imagens das obras e textos sobre os artistas. Mas a Panorama 97 também trazia no próprio título, uma missão difícil de cumprir: Proporcionar em uma única exposição, o cenário artístico de um país de tão diferentes expressões. Consciente também da impossibilidade de dar conta de uma produção que já não poderia ser identificada apenas pelas questões formais, Chiarelli optou por selecionar artistas cujas obras discorressem sobre os dilemas do sujeito contemporâneo em um período mudanças de paradigmas. Assim, questões que até então eram consideradas ‘extra-artísticas’ (as relações do artista com seu corpo, sua memória afetiva e cultural, seus gestos) foram identificadas pela curadoria em diversos trabalhos que apresentavam não apenas o próprio artista como parâmetro absoluto para a efetivação da obra, como a revelação de um contexto histórico muito próprio: O que ocorre nesses últimos anos do século XX é que as linguagens estéticas grupais romperam-se como um tecido há muito esgarçado, fazendo com que se tornassem mais visíveis as poéticas individuais. Quase nenhum artista hoje em dia, manifesta-se a partir de linguagens comuns a grupos. Cada um deles tende a criar maneiras de manifestar suas questões por meio do emaranhado de fios condutores de linguagens passadas que, agora totalmente rompidos, têm que ser rearticulados apenas para servirem de base para a explanação de um conceito que tende a se manifestar na própria constituição do trabalho, deixando revelar – mais que alinhamentos a determinadas linguagens instituídas – experiências vivenciais (Chiarelli, 1997: 12). Percebe-se dessa forma que, houve por parte do curador uma constatação que norteou o desígnio dos artistas que integrariam a Panorama 97, situação que apontou a possibilidade de agrupá-los a partir de analogias entre experiências individuais, onde o corpo e a memória passaram a ser elementos aglutinadores. Perguntamo-nos que fatores seriam aqueles que terminaram por deflagrar um novo conceito de projeto de exposição, às vésperas de uma triagem curatorial de tamanha relevância no cenário nacional. Pode-se conjeturar que desde o início da década de 90, os responsáveis pelo projeto Panoramas, estavam cientes da falência que rondava o projeto inicial, que se mantinha ocupado em produzir exposições reunindo trabalhos por técnicas, quando a questão das linguagens estéticas estava a cada dia, perceptivelmente, sendo substituída por poéticas artísticas singulares. Dois anos antes, sob a curadoria de Ivo Mesquita, a Panorama 95, já inaugurava um certo rompimento com as características iniciais da mostra, apontando


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