Conclusão
Cais, Nino (2010) Poemas e Canções. Agnaldo Farias, Carlos Eduardo Ricciopo, Juliana Monachesi e Thais Rivitti (textos). Mariana Trevas (Prefacio e org.). São Paulo: Edições 397.
___
Calvino, Ítalo (1990) As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras. Contactar a autora: donck@gmail.com alinelangendonck@gmail.com
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (4): 99-105.
Referencias
105
Esta seleção de trabalhos pretende dar contorno à maneira como o artista organiza um pensamento artístico e como, por meio dele, coloca questões tão pertinentes ao desenho, objeto, fotografia e escultura, compondo e ordenando o que esta ao seu redor. Os trabalhos tem uma organização visual limpa e clara. Entretanto o que o artista comunica, por vezes de boca, olhos fechados e tampados, tem reconhecimento e identificação indiretas, estão nas entrelinhas e nos indícios, emaranhados em subjetividade e simbolismos. Dessa maneira, ele se coloca no espaço por meio das relações afetivas e especulativas com a matéria e o lugar. A propósito, é nestas diferentes situações em que reside a obra em constante processo e de onde parece surgir o alinhavo dos desdobramentos processuais subsequentes. A realização de cada trabalho dá visibilidade a uma situação que parece antever as próximas, ou ao menos dar indicações dos caminhos que pretende seguir: as obras são cheias de reminiscências e reverberações. Como em uma teia-de-aranha o artista tece os fios que agregam os objetos ao corpo e espaço, cerca-se daquilo que o alimenta e ampara, é onde o espaço encontra seus alicerces, pontos de tensão, apoio, segurança e conjecturas a respeito do que o rodeia. Por vezes frágeis, as composições sustentam-se e vencem vãos ao menos por alguns instantes fotográficos. Gostaria de continuar discutindo as questões mencionadas nestes breves comentários afim de buscar interlocutores que possam lançar novos olhares sobre a produção. Isso posto, pergunto: seria pertinente a tentativa de dar forma no sentido de aprofundar entendimentos sobre articulações tão singulares? O trabalho do artista lida com o ordinário e ao mesmo tempo é tão particular e por isso fico curiosa como Marco Pólo descreveria em suas Cidades Invisíveis esse ambiente, onde elementos corriqueiros são recontextualizados em situações tão inesperadas, em um mundo projetado com precisão, cheio de carga simbólica, complexidade visual e formal.