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das formas no espaço. A intimidade com as formas e materiais, a vontade de experimentar o espaço de maneira pouco obvia, articulando objetos, o estudo antropométrico e a vontade de se transmutar, experimentar situações espaciais de deslocamentos a partir do próprio corpo, buscando pontos de contato também parecem ser o assunto que motiva o artista em Sem titulo (figura 2). Já em Sem titulo (figuras 7 e 8), trabalha a relação de um conjunto de objetos e a ausência do corpo. As cadeiras pousadas sobre recipientes de vidro são deslocadas de suas condições de uso iniciais, os procedimentos reorganizam dimensões, formas e sentidos. O artista realiza operações interligadas, como em uma orquestra, todos os elementos da composição têm fundamental importância para estruturar a peça e o resultado é a precisa articulação de um conjunto de variáveis. Na serie de desenhos a nanquim de 2006/7 (figuras 4, 5 e 6), ao mesmo tempo que realiza estudos para as suas ações, também sintetiza a relação do corpo no espaço. Os desenhos e os projetos são exercícios de expressão em que as linhas delicadas e decisivas pousam com firmeza sobre o branco vazio do papel, valorizando por contraposição tonal todo e qualquer elemento constituinte do suporte (embora isso seja muito sutil e quase imperceptível na digitalização das imagens) e parecem se agarrar nos comprimentos das fibras do papel, como nos fios de cânhamo onde os visitantes se seguram ao visitar a cidade-teia-de-aranha de Marco Polo. Aqui o espaço está novamente em jogo, tanto na função de amparar as linhas soltas e registrar a ação, quanto para localizar e mapear as figuras no campo do desenho. Nino alterna momentos em que seu corpo serve de suporte e outros nos quais constrói personagens. Esse jogo de sentidos é algo bem sutil, delicado, seus contornos são incertos e esse talvez seja um ponto que ainda possa ser aprofundado.
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (4): 99-105.
Figura 4, 5 e 6 Nino Cais, Sem título, nanquim s/ papel, 2007.