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:ESTÚDIO 4

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9 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (4): 07-10.

suporte para interfaces que parecem querer substituir sentidos e construir outro corpo distanciado do seu original, ou melhor, um corpo amplificado, estendido. Montse Carreño (por Eugènia Agustí Camí) expõe a doação do órgão e a criação de tecidos como um simulacro de retorno ao paraíso, paraíso de carne sintetizada: o meu corpo já não me pertence. A imagem do corpo é sintetizada, melhorada, transformada nos trabalhos de Azis e Cucher, de Inez van Lamsweerde e Keith Cottingham (por Marta Negre Busó). Juan Carlos Oliver Torelló apresenta o fotógrafo Juan José Gomez de Molina desde os seus primeiros trabalhos fotoconceptuais de 1932 até às suas derradeiras obras debruça-se sobre as marcas que diferenciam o território: o corpo é o espaço, a fotografia é o seu mapa. Juan Carlos Meana apresenta Juan Loeck, que visita a paisagem vazia do seu próprio corpo, uma vez obtidos os seus tasselos, o seu vazio. A obra é onde o artista não está, e o seu lugar pode-se visitar com minúcia. Os escultores Juan Bordes e Javier Marín (por Enrique Caetano Henríquez) procuram as almas entre os corpos, com desespero: fragmentos, valas comuns, desamparos, cirurgias. Alberto Carneiro (por Rogério Taveira) trata de espaços entre corpos, espaços mais intensos que os próprios corpos: o espaço nunca está vazio. O caso de Fina Miralles, trazido por Àngels Viladomiu Canela, é um caso singular de silêncio do corpo, logo na própria artista (que se silencia após uma trajetória muito assertiva nos anos 70). A imagem forte do seu corpo que parece regressar à terra ou erguer-se dela foi escolhida para a nossa capa: um silêncio que parece saber que o corpo, pelo pensamento, contraria o tempo e a carne. Na secção editorial apresenta-se o texto de Mònica Febrer que se debruça sobre a morte do corpo e a sua carga de atração: das flores à morfina, do herói morto ao peso do amante em chocolates. Ainda nesta secção editorial apresenta-se uma nova zona de recensões, onde se resumem alguns dos livros trazidos à :Estúdio por ocasião do II Congresso Internacional CSO’2011. O tema corpo já foi abordado em anteriores números da :Estúdio, por exemplo, em Carvalho (2010), Fregoneis (2010), Rodríguez Caldas (2010), Pereira (2011), Miguens Ferro (2011), Martinez Salazar & Hurtado Rodriguez (2011), Barachini (2011), Crespo Fajardo (2011), Cabrera Gómez (2011), Sola Márquez (2011), para referir apenas alguns dos dois últimos números. O tema do corpo não se esgotará por certo neste número temático da :Estúdio. Tal como alguns artigos já o abordaram espontaneamente antes, é bastante possível que o tema venha a surgir de novo, para suscitar sempre renovados novos pontos de vista.


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