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Para refletir o homem é necessário observar o seu reflexo e espelhar uma possível projeção de “realidade” em que o seu corpo é substância para o corpo do outro, dos personagens de Samsara, com todas suas cargas de paixões, medos, desejos e aspectos de transcendência presentes no ciclo da vida e morte. Ao construir as imagens Sinval Garcia as insere no lugar do intermediário daquele que olha: estar morto ou vivo é uma prerrogativa que intercepta os dois lados do ciclo de Samsara. As imagens aludem ao permanecer em contínua transição sobre diversos aspectos da existência (Figura 3). Conclusão O corpo é aquilo que o torna visível, no sentido de estar no mundo, para ser visto, e o pintor oferece seu corpo para transformar o mundo em pintura, porque o corpo é vidente e visível, ele se olha, se vê é visível e sensível para si mesmo. Fotografia e Pintura constituem os interstícios presentes nesta série, e Samsara é visualizada a partir da constituição de retratos com os quais Sinval Garcia procurava investigar a alma humana. Discutir sobre as diferenças entre pintura e fotografia não é o que interessa aqui: cabe falar a respeito das interseções existentes entre as duas técnicas na obra do artista, que experimenta na exposição Samsara (1997) um caminho em suas experimentações para uma relação maior com a imagem do que com o índice da técnica fotográfica. Observar as relações em Samsara permite analisar o contexto em que faz uso da linguagem como forma de expressão, e perceber a discussão dos limites
Revista :Estúdio, Artistas sobre Outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 5 (10): 90-96.
Figura 3 ∙ Sinval Garcia, Samsara, Brasil (1997). Fotografia.