LASCÍVIA PROJECT
Bruna Pegurier texto da artista editado por Filipe Chagas
A 100
s pessoas olham meu Instagram e ali tem uma mulher branca, supostamente de classe média, um sobrenome francês... mas pouca gente desconfia que eu nasci no sertão do Ceará, que minha mãe veio para o Rio de Janeiro para ser faxineira, que eu estudei em escola pública a vida inteira e que eu não me formei em moda apesar de ser conhecida pelos meus acessórios e ter trabalhado em marcas conceituadas de moda no Rio. São várias camadas. Ter atravessado todas essas barreiras sociais, pra mim é um presente incrível. Sou muito agradecida. Quando me perguntam de onde veio essa queda por arte, não sei explicar. Sinto que nasci com um olhar inquieto, questionador, curioso, sempre pesando e considerando buscar alguma expressão de beleza, algum alinhamento, uma harmonia mesmo no caos! Tento pensar para além do que consigo ver de imediato, independente da forma como eu vou querer me expressar. Mas isso nunca me fez afirmar que sou uma artista. Sempre que ouço alguém se autodenominando artista, me soa estranho, e, muitas vezes, pedante. Me vejo apenas como um meio que, às vezes, possibilita a arte se manifestar através. E geralmente é quando tento colocar minhas angústias pra fora e, às vezes, dá bom e, às vezes, dá ruim.
Arte, pra mim, não é um ofício: ela é maior do que o artista; o artista é um meio para a Arte acontecer. Há uns 15 anos, fui fazer um curso de fotografia de forma quase casual como ouvinte e acabei absurdamente encantada com a magia da revelação. Entendo a necessidade de conhecer a história da fotografia e os grandes nomes da área, mas pra mim o importante era saber como é que a imagem aparecia no papel, sendo aquilo, talvez a grande magia. Fiquei viajando no processo fotográfico e isso certamente foi uma das formas de treinar meu olhar, já que tenho mania de olhar para as coisas como se tudo fosse foto, buscando composição, enquadramento, como se registrasse em um papel imaginário. Em um determinado momento da minha vida, decidi que precisava visitar meus amigos em Berlim.Vivi a cidade alemã por 15 dias e fiquei enlouquecida! Como todo turista, a gente chega em um lugar novo e tem uma tendência a olhar para o que queremos. E como a liberdade pra mim é algo muito importante, eu fiquei muito impressionada como é um lugar livre mesmo com uma atmosfera underground. De um modo geral, as pessoas vivem suas vidas muito livremente… principalmente se a gente for comparar com a hipocrisia no Brasil. Segundo,