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Revista do IBGE nยบ Zero | out /nov /dez 2011

75anos

contando o

Brasil

Coral, nossa voz em cada canto Conheรงa nosso papel na INDE Entrevista exclusiva com a presidenta do IBGE


Depois do nascimento, é hora de escolher o nome. Participe da escolha do nome da nossa revista, a revista do IBGE. Todos os servidores ativos podem participar desta escolha.

O concurso tem duas etapas: Na primeira etapa, os servidores podem enviar sua sugestão de nome. A comissão julgadora do concurso escolherá 5 opções. Na segunda etapa, será feita uma votação com esses cinco nomes finalistas. Todos os servidores poderão votar em uma dessas opções para a escolha final do nome da revista.

Acesse o regulamento no endereço

http://w3.ibge.gov.br/infoke/concursorevista/ e participe.


Carta da Presidenta

Revista do IBGE nº Zero | out/nov/dez 2011

Publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, governo federal. Centro de Documentação e Disseminação de Informações - CDDI Coordenação de Marketing Rua General Canabarro, 706 - 3º andar Maracanã - Rio de Janeiro - RJ - 20271-205 Tel.: (21) 2142-0123 ramais 3597 / 3547 www.ibge.gov.br mande comentários e sugestões para: revistadoibge@ibge.gov.br Coordenação de Marketing Danielle Macedo Editora-executiva Agláia Tavares (MTB. Nº 18 033) Reportagem e Edição Camila Ermida Pinto, Marcelo Benedicto Ferreira, Marília Loschi de Melo e Mario Grabois Edição de imagens Licia Rubinstein Projeto Gráfico Alexandre Facuri NESTA EDIÇÃO:

Editoração Eletrônica Alexandre Facuri e Helga Szpiz Capa Alexandre Facuri Imagens da capa Acervo IBGE Fotografias Acervo IBGE, Álvaro Vasconcellos, Diogo Francisco de Oliveira, Drayan Dornelles, Everaldo Vilela (Flickr), Izabelle de Oliveira, Licia Rubinstein e Tomás Rangel Ilustrações Eduardo Sidney Araújo e Helga Szpiz Infográficos Marcos Balster Criação publicitária Marcos Balster e Renata Corrêa Colaboradores Adelina Bracco, Equipe de Memória Institucional do IBGE, Helena Kiyoe Ito, Marco Santos, Rose Barros e Unidades Estaduais do IBGE (AC, AM, BA, ES, GO, MS, MT, PA, PB, PE, PR, RN e RO) Revisão de Textos Gerência de Editoração: Kátia Vaz Cavalcanti Copidesque e Revisão: Anna Maria dos Santos, Cristina R. C. de Carvalho e Kátia Domingos Vieira Produção Gráfica: Evilmerodac Domingos Silva Impressão Editora Gráfica Formato 3 Ltda. – ME Circulação IBGE Tiragem 20.000 exemplares Permitida a reprodução das matérias e das ilustrações desta edição, desde que citada a fonte.

Este é o número zero da nova revista do IBGE. Dirigida aos servidores da casa, a revista certamente vai cumprir um importante papel na divulgação, na circulação e disseminação de informações, na prestação de serviços e também no debate dos assuntos e temas de interesse de todos nós. O ser humano é o maior patrimônio do IBGE. Nas pesquisas que realizamos todos os dias e nas inovações tecnológicas, metodológicas e de gestão que caracterizam o nosso trabalho estão presentes a capacidade técnica e a dedicação do nosso pessoal. São os valores que nasceram com a instituição há 75 anos e que temos o dever e o compromisso de preservar. Tenho a convicção de que os próximos anos serão de muitas realizações e conquistas para o IBGE, sempre em sintonia com a sociedade brasileira. Mas, para isso, vamos investir na integração e no desenvolvimento dos recursos humanos e, nesse sentido, como sabemos, a comunicação é um fator fundamental. No passado, tivemos a revista “Nova Imagem”, que deixou boas recordações. O desafio da nossa nova revista, portanto, é grande, mas sabemos que, com a colaboração de cada um, estaremos à altura da tarefa de produzir um bom canal de comunicação. A revista é de todos os ibgeanos e esse processo já começa na escolha do nome da publicação, através de um concurso interno. Vamos participar, a hora é essa! Saudações,

Wasmália Bivar Presidenta do IBGE


Sumário

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Notas

07

Aqui tem IBGE

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As novas agências que vão facilitar o trabalho de coleta.

Coral do IBGE A trajetória do grupo que leva alegria por onde passa.

Entrevista Uma conversa com a nova presidenta do IBGE.

Foto: Licia Rubinstein

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Capa Uma instituição que completa 75 anos retratando o Brasil.

Fórum de Geociências IBGE recebe prêmio no Fórum Latinoamericano.

Na Internet

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Uma visão geral do portal que não para de crescer.

Internacional IBGE marcou presença em congresso de estatística na Irlanda.

INDE O papel da instituição na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais.

Foto: Álvaro Vasconcellos

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Foto: Licia Rubinstein

Revista do IBGE • out/nov/dez 2011

Nossa História O dia em que Getúlio Vargas anunciou a instalação do Instituto Nacional de Estatística.

Fotolegenda

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Carta da Redação

De ibgeano para ibgeano. Assim será o tom da conversa que vamos promover a cada três meses na nova revista do IBGE. Vamos falar sobre o que a instituição está fazendo e como vão os servidores. Também vamos escrever sobre os novos projetos da instituição e lembrar momentos dos nossos 75 anos de história. Assuntos sugeridos pelos nossos leitores também terão espaço garantido. Assim, aos poucos, vamos construir um canal de comunicação e de troca de informação. A proposta editorial da revista é ser plural o suficiente para cobrir o mais variado leque de assuntos de interesse do ibgeano, sempre em busca de ouvir várias vozes para mostrar os diversos ângulos de cada reportagem. Para dar conta desse desafio, também procuramos dar um colorido especial em cada página, a partir de um projeto gráfico que busca integrar os diversos elementos presentes em cada reportagem. Nessa primeira edição, resolvemos começar destacando alguns momentos importantes dos 75 anos do instituto. Nesse mesmo espírito, contamos a história do Coral do IBGE, que foi criado na década de 1970. As 38 novas agências do IBGE, a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), o nosso portal na Internet (com 21 milhões de acessos por ano) e uma entrevista com a presidenta são alguns dos assuntos abordados. Enquanto esta revista chega às mãos de nossos leitores, já estamos preparando a próxima edição. Aguarde notícias sobre a PNAD Contínua e as missões do IBGE no exterior, entre outras. Também queremos a sua participação. Precisamos de ideias para escrever novas matérias. Não deixe de entrar em contato com a nossa redação. Contamos com vocês. Boa leitura! Equipe de redação

Caro leitor, Em nossa revista haverá o "Espaço do Leitor", uma seção que contará com sua participação. Publicaremos sugestões, elogios e críticas dos leitores. Você também pode colaborar enviando histórias, fotos, curiosidades e informações interessantes que possam ser compartilhadas entre ibgeanos. Ajude-nos a construir uma nova revista! Para começar, convidamos todos os servidores ativos a participar do concurso que vai escolher o nome de nossa revista. Conheça os detalhes do concurso no endereço:

http://w3.ibge.gov.br/infoke/concursorevista/

Participe! O espaço é seu. Entre em contato através do e-mail revistadoibge@ibge.gov.br ou nosso endereço: Coordenação de Marketing/CDDI/IBGE Rua General Canabarro, 706 - Sala 320 Cep: 20271-205 Rio de Janeiro Telefone: (21) 2142-0123 . Ramais 4789/3597/3547 Todo material enviado será analisado e selecionado pela equipe da revista, obedecendo a critérios editoriais que excluem todo tipo de material impróprio.


Notas Fotos: Álvaro Vasconcellos

Novos diretores: diretor-executivo, Nuno Bittencourt (à esquerda); diretora de Pesquisas, Márcia Quintslr; diretor de Geociências, Wadih Scandar; e a coordenadora-geral da ENCE, Denise Britz (à direita).

IBGE tem nova diretoria O Conselho Diretor do IBGE, constituído pela presidenta Wasmália Bivar, é formado por pessoas que já ocuparam cargo de direção na casa e outros que assumem essa função pela primeira vez. Os novatos são Márcia Maria Melo Quintslr (diretora de Pesquisas), Wadih João Scandar Neto (diretor de Geociências) e Denise Britz do Nascimento Silva (coordenadora-geral da ENCE). Já os veteranos são Nuno Duarte da Costa Bittencourt (diretor-executivo), Paulo César Moraes Simões (diretor de Informática) e David Wu Tai (coordenador-geral do CDDI).

Parceria de sucesso As Comissões Municipais de Geografia e Estatística – CMGE vêm contribuindo para estreitar os laços entre o IBGE e a sociedade local. Em junho de 2011, a CMGE foi o canal para tratar dos aglomerados subnormais em mais de 300 municípios. Foram apresentadas a localização e a caracterização das áreas de favelas, palafitas e similares para que os membros confirmassem a classificação dessas áreas em seu município. Em outubro, o assunto tratado em 140 municípios com mais de 190 mil habitantes foram as áreas de ponderação para divulgação dos resultados da amostra do Censo, áreas que devem conter, pelo menos, 400 domicílios que responderam ao questionário da amostra e serem formadas por setores censitários vizinhos geograficamente. A partir desses critérios, os municípios puderam sugerir as áreas dentro de seu município para as quais seria importante ter os dados da amostra, como habitação, religião, deficiência, nível de instrução, entre outros. Os resultados do Censo 2010 sobre aglomerados subnormais serão divulgados em dezembro de 2011 e os dados por área de ponderação estão previstos para o primeiro trimestre de 2012.

Codificadores De março a novembro desse ano, 120 pessoas trabalharam na codificação dos dados da amostra do Censo 2010. Divididos em dois turnos, manhã e tarde, os codificadores receberam treinamentos teórico e prático para conhecer os quesitos com preenchimento feito pelo recenseador no PDA e funcionalidades do sistema de codificação. Sua função era codificar os quesitos etnia e língua falada (para os indígenas), religião, curso concluído (superior, mestrado ou doutorado), ocupação exercida no trabalho principal, atividade principal do empreendimento e migração/deslocamento. Tais quesitos não são pré codificados, ou seja, o recenseador precisa complementá-lo com informações, como, por exemplo, “religião – católica romana” ou “curso – engenharia civil”. E eles fazem parte das tabelas que constam nos volumes definitivos da Amostra, a serem divulgados a partir de 2012.

Ilustração: Eduardo Sidney Araújo

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out/nov/dez 2011 • Revista do IBGE

Aqui tem IBGE

RORAIMA

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AMAPÁ

Tabatinga

AMAZONAS

RIO GRANDE DO NORTE

Tucuruí

PARÁ

MARANHÃO

CEARÁ

Parnamirim PARAÍBA

Humaitá

PIAUÍ

Sumé PERNAMBUCO

ACRE

Ariquemes

RONDÔNIA

Alta Floresta

Juína

Sorriso

TOCANTINS

Alto Araguaia

MATO GROSSO DO SUL Paranaíba Nova Andradina

Porto Seguro MINAS GERAIS

O crescimento econômico do país nos últimos anos, aliado à influência que certos municípios exercem em suas regiões, isto é, a abrangência de sua área territorial e o conjunto de relações que mantêm com os municípios jurisdicionados, são fatores que orientaram a criação das novas unidades. Outros aspectos que devem ser considerados, e tornam-se fundamentais para se concretizar a instalação das agências, são a disponibilidade de pessoal nos respectivos estados e a possibilidade de se dispor de funções gratificadas, necessárias aos cargos de chefia.

ESPÍRITO SANTO Vitória Serra

SÃO PAULO

Campo Largo Rolândia Colombo PARANÁ Faxinal Pinhais Pitanga Guaraniaçu São José dos Pinhais Laranjeiras do Sul Curitiba Palmas São Mateus do Sul SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL

Texto Mario Grabois

esconcentrar a carga de trabalho, racionalizar custos, aproximar o IBGE da sociedade, esses são alguns dos objetivos para a criação das 38 novas agências. Além de atender às necessidades das Unidades Estaduais (UEs), as agências chegam em um importante momento e vão contribuir para potencializar a coleta e o trabalho de campo.

SERGIPE

DF GOIÁS

Quirinópolis

Jardim

Santa Rita de Cássia BAHIA

MATO GROSSO Água Boa Pontes e Lacerda Várzea Grande

D

ALAGOAS

Confresa São Félix do Araguaia

Crescimento econômico Paraná e Mato Grosso concentram o maior número de novas agências. O estado do Sul foi contemplado com 12 agências, das quais cinco se localizam na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o chefe da Unidade Estadual do Paraná, Sinval Dias dos Santos, as novas agências, além de encurtar distâncias e desafogar o trabalho, “são uma forma também de ter o IBGE mais próximo da sociedade”. Já em Mato Grosso havia sete agências, mas a expansão da economia, a ampliação da fronteira agrícola no estado, o crescimento populacional e as grandes extensões territoriais determinaram as condições para a instalação de mais nove agências. O chefe da UE de Mato Grosso, Delvaldo Benedito de Souza, esclarece que uma das vantagens das novas agências é a racionalização dos

RIO DE JANEIRO

Mapa: Helena Kiyoe Ito

Novas agências para reforçar o trabalho Brasiléia

Carpina Escada


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Aqui tem IBGE

custos somada à melhoria que se pode obter na qualidade da coleta. “Nos preocupavam muito os deslocamentos diários, que implicavam disponibilidade de veículos e pagamentos de diárias. Nos preocupavam, também, a qualidade da coleta e a presença do servidor para a realização da coleta e o próprio conhecimento da realidade local”, completou o chefe da UE/MT. Maria Vilma Salles Garcia, coordenadora operacional dos Censos, participou do grupo que discutiu o redimensionamento da rede de agências do IBGE. Ela também identifica no crescimento econômico do país e em suas repercussões em estados como Mato Grosso um dos motivos para a criação das novas agências. “Mato Grosso teve uma expansão de suas atividades econômicas muito grande, o estado cresceu muito com o boom das empresas agrícolas”, esclareceu.

O IBGE mais próximo da sociedade No Espiríto Santo, as duas novas agências, uma na própria capital, Vitória, e a outra no município de Serra, na Região Metropolitana, visam, entre

outros fatores, atender à futura demanda com a implantação da PNAD Contínua. Na Bahia também são duas agências, uma em Porto Seguro e outra em Santa Rita de Cássia. A expectativa é aumentar a aproximação do IBGE com os informantes e usuários, a precisão e rapidez nos trabalhos de pesquisas estatísticas e de atualizações da base cartográfica, além da melhoria no relacionamento com as instituições regionais de todos os níveis e poderes. Em Mato Grosso do Sul, as três novas agências vão permitir o acompanhamento mais próximo das atividades de coleta das pesquisas. A agência de Sumé, a nova unidade criada na Paraíba, de acordo com Aniberto Mendonça, chefe da UE/PB, vai propiciar a “descompressão das atividades técnico-gerenciais da agência de Campina Grande, canalizando para si parte de suas ações institucionais”. A nova agência do Acre, em Brasiléia, leva em conta a ampliação das pesquisas do IBGE, entre elas a PNAD Contínua, e contribuirá para a execução e a agilidade dos trabalhos.

Acervo IBGE

No início, eram as Agências

Agência Estadual de Estatística, Bom Jesus da Lapa, Bahia.

Quando surgiu, na década de 1930, o IBGE não coletava diretamente os dados estatísticos: ele nasceu como o coordenador e gestor de um sistema que só funcionaria em estreita colaboração com os municípios. Ao órgão, caberiam a padronização, o processamento e a divulgação das informações produzidas. A coleta dos dados, no entanto, seria atribuição das agências municipais de estatística, subordinadas administrativamente às prefeituras, e tecnicamente ao IBGE, que deveriam prover seus servidores e instalações físicas. Os recursos para a montagem dessa ampla rede de coleta foram obtidos, na década de 1940, com a criação de um imposto


Licia Rubinstein

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O crescimento da agroindústria e da economia em todo o interior do país é um dos fatores para a criação das novas agências.

Já em Pernambuco, as duas novas Agências, Carpina e Escada, foram criadas mas ainda não estão instaladas e em operação. Elas vão melhorar a distribuição da carga de trabalho nas agências de Palmares, Limoeiro, Timbaúba e Vitória de Santo Antão. O Relatório sobre a Revisão da Rede de Agências, preparado pela Coordenação Operacional dos Censos (COC), em 2009,

analisou a situação dos 26 estados e do Distrito Federal, com base em informações apresentadas pelas UEs. O documento foi desenvolvido a partir da definição dos parâmetros de população, área territorial e condições de acesso. O redimensionamento sugerido pelo estudo concluiu haver necessidade de 92 novas agências para a ampliação qualitativa do trabalho de campo da instituição.

Municipais de Estatística Acervo IBGE

municipal, chamado Selo de Estatística. A partir daí, o sistema encabeçado pelo IBGE alcançou a capilaridade necessária à produção de estatísticas de qualidade, num país de dimensões continentais. Nas décadas seguintes, o sistema estatístico nacional mudou muito, e em 1970 teve início o processo de incorporação das agências municipais e dos seus servidores à estrutura organizacional do IBGE. Ainda sobrevive, contudo, o espírito de parceria entre o órgão federal e os governos locais que viabiliza a coleta de dados confiáveis em todos os cantos do Brasil. (Colaborou a Equipe de Memória Institucional do IBGE)

Agência Municipal de Estatística de Caucaia, Ceará.


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Coral do IBGE

Música para

todos os gostos e públicos Sinônimo de democracia, no coral do IBGE todo o trabalho é feito em conjunto e não existem destaques individuais

A

Texto Camila Ermida | Fotos Licia Rubinstein

história do coral do IBGE se divide em três momentos: o primeiro data da década de 70; o segundo período abrange os anos de 1985 a 1991, quando o coral esteve sob a regência do maestro Adeílton Bairral; e o terceiro momento, que vai do ano de 1996 até os dias atuais, sob a batuta do maestro Márcio Carvalho, lotado na Coordenação de Marketing (COMAR/CDDI). Resultado de muito esforço, horas de ensaios, preparação com exercícios e estudo do repertório, o coral do IBGE oferece cultura e lazer aos ibgeanos, além de representar a instituição em eventos, atividades culturais e encontros de corais. Márcio divide o trabalho em dois. Há o trabalho global, que envolve todos os coristas, e há também o trabalho individualizado, como nos ensaios de naipes e na “construção” da voz de cada integrante. Segundo ele, até a posição de cada corista é pensada. “Quem vê o resultado final não imagina que seja tão cheio de detalhes”, ressalta o maestro.


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A recompensa de todo o trabalho é um presente ao público. São espetáculos cada vez mais carregados de emoção e muita animação, que podem ser conferidos com frequência nas diversas apresentações do grupo. Outro ponto destacado pelo maestro é a formação de grupos corais nas Unidades Estaduais: “Existem coros de funcionários em outras unidades. No Rio Grande do Sul, o coro tem mais de dez anos de atividade. E os mais recentes são os do Paraná e de Goiás. No passado, também tivemos coros em Belém e em Pernambuco”. Os coristas da UE/RS, inclusive, já juntaram suas vozes às do Coral do IBGE em diversos eventos realizados na instituição.

Muitas histórias para contar Entre os coristas não faltam boas recordações, histórias de superação e de transformação pessoal. Daniel da Silva Neto, da agência de Jacarepaguá, valoriza o apoio que recebeu quando ficou doente: “Tive problemas de saúde recentemente e confesso que se não fosse pelo coral talvez eu não tivesse permanecido no IBGE”. A aposentada Clélia de Sant’ Anna Guimarães, que faz parte do grupo desde 1985, lembra com emoção da primeira vez que ouviu o coral cantar. “Certo dia estava na porta da minha sala, que ficava em frente ao auditório,

Não faltam momentos de descontração nas apresentações e ensaios do grupo. Acima, coristas interpretam “Homem com H”.

e ouvi o coral cantando a música Vira Virou. Me lembro até hoje... Quando terminou o ensaio comecei a bater palmas e fui até lá saber como fazia para participar”. Paulo Sérgio Soares Grey, da Gerência de Saúde e Segurança do Trabalhador (GESAT/DE) expõe as dificuldades que encontrou no início. O tenor, que faz parte do coro desde 2010, fez seu primeiro ensaio e quando teve coragem de se juntar ao grupo novamente já haviam se passado oito meses. “Já no primeiro ensaio achei que não daria pra mim. Via todos articulados, capazes e eu com dificuldades inclusive para decorar as letras das músicas. Nesse intervalo de oito meses fui me preparar fazendo aulas de canto. Não queria fazer feio. Hoje ainda estou aprendendo e conquistando a minha segurança”, confessa. Mas a maior transformação que o coral trouxe na vida de Paulo se resume no comentário de


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Coral do IBGE

sua esposa. Ele conta que ao vê-lo mais calmo, tranquilo e entusiasmado com as apresentações, ela disse: “Tenho observado que o coral está trazendo um benefício muito grande a você. Continue no coral”. Paulo conclui: “Deixei de ser tão ranzinza e radical. Quem ama quer sempre ver o outro muito feliz. Tenho certeza de que me tornei uma pessoa melhor ao fazer parte do coral”. Mais recompensador, impossível.

Destaque para a união do grupo O grande diferencial da formação atual do coro parece ser o grupo. A convivência é um dos maiores benefícios ressaltados pelos que fazem parte do coral. Não importa ser soprano, tenor, baixo ou contralto. A regra é se divertir. “Um lazer responsável”, lembra Maria Auxiliadora Lima Teixeira, da Diretoria de Informática. O coral reúne pessoas mais jovens, mais antigas, aposentadas e pessoas que ingressaram recentemente no IBGE. Isso torna o grupo bastante heterogêneo. Aglaé de Andrade Pereira Celestino, da Coordenação de Índice de Preços (COINP/DPE), destaca: “É muito enriquecedor fazer parte do coral, ter a possibilidade de conviver com pessoas que estão ali por conta da música”. É fácil perceber o prazer que sentem em estarem juntos e não faltam depoimentos destacando o bom relacionamento do grupo. “Somos muito amigos. Nos consideramos uma família e sempre procuramos nos ajudar“, conta Elias Alves de Oliveira, da Gerência de Atendimento (GAT-4/DE). Daniel faz coro: “O grupo se ama muito e isso transborda para o público. Queremos que todos sintam o bem estar que sentimos ao cantar”. Outra que destaca o aspecto relacional é Clélia: “A turma é maravilhosa! O coral faz parte do meu sangue”.

Momento de renovação Com um repertório que abrange músicas nacionais, internacionais, populares, eruditas

e sacras, o coral do IBGE na maioria das vezes canta a capella. Em outras ocasiões, se apresenta acompanhado da Orquesta Livre do Rio de Janeiro, formada por jovens músicos. Dependendo do tipo de apresentação, o coro pode contar ainda com a companhia dos músicos Reinaldo de Souza Ramos, da Diretoria de Pesquisas, e Luiz Sampaio Vianna Neto – conhecido como Macarra – da Diretoria de Informática. Nascido na Bahia, Macarra faz aniversário junto com o IBGE, em 29 de maio. Neste ano, pôde comemorar de um modo diferente. “Minha primeira apresentação com o coral foi na cerimônia em comemoração aos 75 anos do IBGE, tocando percussão. Fiquei apaixonado, foi um presente pra mim”, afirma. Ao longo da trajetória do coro diversas peças já fizeram parte do repertório. “Carinhoso”, do Pixinguinha; “A rã”, de João Donato e Caetano Veloso; e “Ave Verum”, do Mozart são alguns exemplos. Atualmente, porém, o grupo vem mesclando a teatralidade com músicas como “Homem com H”, de Antonio Barros e “Trem das onze”, de Adoniran Barbosa. A responsável por conduzir o trabalho cênico é Renata Corrêa, publicitária da COMAR. Formada em teatro, ela vem apostando na versatilidade com o intuito de preparar o grupo para apresentações de vários tipos: “Às vezes a própria música sugere que você trabalhe alguma questão cênica, que insira um movimento diferente. Queremos


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pensar formas de cantar que sejam ajustadas a cada repertório”. Renata deseja um futuro no qual será difícil pensar o IBGE sem o coral: “Espero que a instituição continue apoiando e perceba este trabalho como parte do trabalho do IBGE. Acho que o IBGE só tem a ganhar com o coral.” Já os coristas encaram a fase atual como uma importante fase de renovação. “Estamos no nosso auge!”, comemora Maria Auxiliadora. Elias concorda: “Acho que esse é um dos melhores momentos do coral porque juntamos a parte musical com a parte teatral. Com isso, ficamos completos”. Por outro lado, a maior visibilidade faz a responsabilidade aumentar. “Temos mais gente nos observando e por isso precisamos nos apurar mais, aprimorar a técnica, a forma de se apresentar, a nossa postura”, lembra Aglaé.

Amor pela música A música já fazia parte da vida de vários integrantes do coral. Elias vem de uma família de músicos e toca alguns instrumentos. “Acho que gosto de música desde quando estava no ventre da minha mãe”, brinca. Maria Auxiliadora contabiliza muitos anos de participação em corais: “Comecei no coral da faculdade, em 1975, e lá permaneci até 1983. Em 1985 vim para o coral do IBGE. Atualmente canto também no Coral Arquidiocesano de Niterói”. A soprano explica a diferença entre os dois corais do qual faz parte. “No coral da Arquidiocese as músicas são todas sacras, estamos rezando para Deus e levando a

música ao povo, favorecendo a introspecção das pessoas. Já cantar no coral do IBGE é a minha catarse, onde solto minha adrenalina e até esqueço das minhas dores no joelho”. Com uma gargalhada vibrante, Clélia vai mais além: “Desde criança gosto de cantar. Nasci e fui criada em Duque de Caxias e quando criança cantava nos calouros infantis do serviço de autofalante da cidade, acredita? Isso com apenas quatro ou cinco anos de idade”. Já Daniel, que é pianista e regente de um coral, destaca o valor técnico do grupo. “Muitos dos que estão no coral conhecem de música, leem partituras. Isso ajuda. Com isso, temos cantado peças mais complexas”. E finaliza com algo curioso: “Já quiseram nos contratar, pedem o telefone do coral, perguntam quanto cobramos por uma apresentação. Respondo dizendo que a gente canta porque gosta”. Alguém duvida?

Pensou em fazer parte deste grupo animado? Não é preciso experiência nem aprendizado musical. Basta uma boa dose de entusiasmo e disposição para soltar a voz. Envie uma mensagem ao regente Márcio Carvalho através do e-mail marcio.carvalho@ibge.gov.br e boa cantoria! O coral conta com uma página exclusiva na intranet do IBGE. Lá é possível conhecer um pouco mais da história do grupo e de seus integrantes e também acompanhar as apresentações através de fotos, vídeos e até arquivos de som em mp3. Acompanhe em http://w3.cddi.ibge.gov.br/coral/index.htm.


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Entrevista

“As pessoas

fazem a diferença” Entrevista e edição Mario Grabois e Marcelo Benedicto | Foto Licia Rubinstein

Uma sexta-feira, início da tarde, a presidenta Wasmália Bivar recebeu em seu gabinete a revista do IBGE para uma entrevista sobre os 75 anos da instituição. Mas o que seria uma entrevista sobre essa matéria se transformou em uma conversa mais ampla, na qual a presidenta apresentou sua visão e seu pensamento sobre muitas questões. A seguir, os pontos mais significativos dessa conversa.


15 Uma instituição de Estado “Nós tínhamos um consultor canadense que dizia que quando o Canadá se formou como nação tinha duas figuras que eram muito importantes: uma era o engenheiro-chefe da nação, que construía as pontes, e a que fazia o recenseamento. A gente se sente assim. O IBGE é uma instituição de Estado, uma das mais importantes da nação porque produz informações sobre o país em termos econômicos, sociais e demográficos para avaliar os impactos das políticas, as necessidades e para construir relações que permitam traçar caminhos para o futuro”.

“Não se constrói um navio do dia para a noite e sim ao longo de meses e meses” “A produção de informação também é assim. Temos que estar sempre mapeando as demandas de hoje e as futuras. Não um futuro longínquo, mas um futuro que a gente ainda pode perceber. Também é preciso estar sempre prevendo como vão evoluir as questões metodológicas, as de gestão e como incorporar no nosso processo de trabalho as tecnologias que estão nascendo”. “Hoje existem grandes projetos em todas as áreas do IBGE. Na área de geociências, tem a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) [ver matéria na pág. 26]. Na de estatística, tem a reformulação das pesquisas domiciliares [ver matéria na próxima edição]. São projetos que já vêm sendo desenvolvidos há muito tempo e que pretendo fortalecer na minha gestão. O que a gente quer é ficar o mais aderente possível à demanda”. “Mas também temos planos de como vamos nos organizar internamente. Nossa estrutura organizacional já está antiga e precisa ser revisada. Por isso, vamos rever os procedimentos e definir políticas de recursos humanos que sejam mais ativas porque se tem um projeto de trabalho que cresce continuamente e um número de ibgeanos que não cresce na mesma proporção”.

Dois patrimônios do IBGE: os funcionários e a credibilidade “O que a gente faz é único, só é feito aqui. Ninguém aprendeu lá fora, é preciso aprender aqui. Um dos grandes patrimônios que nós temos é uma equipe sempre dinâmica e capacitada. Outro é a credibilidade. O IBGE é uma instituição essencialmente técnica e é assim que a sociedade a vê, e é assim que ela tem que continuar sendo vista”.

“Na área de recursos humanos temos um programa de formação e um de capacitação que agora precisam ser integrados. Acho que na medida em que se estabelecem processos de recursos humanos que facilitam a integração das pessoas nos ambientes de trabalho, com cada um sabendo qual é a sua contribuição e sabendo expressar de que forma poderia fazer melhor, a motivação e o engajamento crescem”. “Daqui pra frente vai ser exigido cada vez mais desses recursos humanos. No IBGE tem um grupo de pessoas originárias de processos de trabalho diferentes e que foram se adequando ao longo do tempo a novos processos. Para uma instituição pública em que não se tem a rotatividade que se tem no setor privado, é necessário ir se reinventando ao longo do tempo. E acho que o IBGE foi capaz de fazer isso”. “Os funcionários se sentem envolvidos com nossa missão. Eles se sentem realmente como servidores públicos. Essa expressão tem uma conotação cívica forte e não pejorativa como é muitas vezes usada na sociedade. Acho que isso faz a diferença. Nós temos as nossas bases de dados para proteger, mas se tivesse que salvar do fogo, eu salvaria as pessoas e a credibilidade. Com isso, a gente se refaz”.

Mensagem da presidenta “Nos próximos três anos, vamos trabalhar para manter nossos dois patrimônios no mais alto nível. Para se ter credibilidade é preciso que se tenha relevância, se mantenham os padrões técnicos, manter-se permanentemente atualizado em termos de tecnologia, metodologia e estudos. Tem que manter os recursos humanos estimulados, capacitados e motivados”. ”No IBGE, temos muitas pessoas saindo e levando o conhecimento de como fazer determinadas coisas, e muitas pessoas entrando que rapidamente precisam entender nosso trabalho e, de repente, transformá-lo. Mas, primeiro têm que entender para depois poder transformar. Essa transformação, porém, vem depois do entendimento pleno do que o IBGE representa. Os patrimônios de credibilidade e de recursos humanos se consubstanciaram em um privilégio de poucos: uma história de 75 anos de trabalho, que precisa ser preservada. A presença do IBGE na sociedade brasileira nesses últimos três quartos de século é um legado de que os servidores, antigos ou novos, podem e devem orgulhar-se. Continuaremos a trabalhar para que esse legado seja sempre transmitido de servidor a servidor, sempre a serviço do cidadão brasileiro”.


Revista do IBGE • out/nov/dez 2011

Capa

Aos 75 anos,

preparado para Aos 75 anos a instituição consolida os seus princípios e sua vocação.

o futuro

Foto: Licia Rubinstein

U

Texto Mario Grabois e Marcelo Benedicto

ma instituição histórica, nascida na Era Vargas, que atravessou diversos momentos Wasmália Bivar econômicos, políticos e sociais da vida do país, mas que faz da renovação a marca de sua permanência: assim o IBGE chega aos 75 anos. Até os dias de hoje, foram muitas as mudanças e transformações desde 29 de maio de 1936, data em que se comemora a sua fundação. Expresso na sua missão, “Retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania”, o compromisso da instituição se fundamenta na importância do conhecimento para as sociedades democráticas contemporâneas e no princípio de promoção permanente da cidadania. Compromisso que se manifesta também na ideia da construção e manutenção de um diálogo contínuo com a sociedade, com os demais órgãos públicos e com os servidores da casa, como o caminho desejável para o IBGE realizar o seu trabalho de retratar fielmente a realidade do país. Os vínculos com a sociedade sempre caracterizaram a prática e a vida do IBGE. A iniciativa de procurar manter em atividade as Comissões Municipais de Geografia e Estatística, importantes espaços de acompanhamento do Censo 2010, exemplifica bem essa ideia.

A Exposição Nacional dos Mapas Municipais mostrou o resultado do trabalho de atualização dos limites territoriais nacionais, coordenado pelo IBGE.

Tradição e desenvolvimento

Acervo IBGE

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A presidenta do IBGE, Wasmália Bivar, reafirma a importância e o sentido da instituição para o país. Ela mostra como é possível perceber as mudanças,

Fatos marcantes (Colaborou a Equipe de Memória Institucional do IBGE)

Instalação do Instituto Nacional de Estatística em 29 de maio de 1936, data em que se comemora a criação do IBGE.

1936

1940


Miriam Leitão

a complexidade e a diversidade presentes na sociedade brasileira, quando se acompanha e analisa, ao longo do tempo, a ampla produção do IBGE. Wasmália comenta ainda que a instituição mantém os seus princípios e a sua vocação, e vai ficando cada vez mais apta em suas capacidades técnicas e de gestão. “O IBGE consegue se manter moderno, e consegue continuar cumprindo com excelência a sua missão”. O economista Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV), que utiliza sistematicamente dados estatísticos, também destaca o significado do trabalho do IBGE para retratar o Brasil, além de ser um instrumento para o desenvolvimento e o funcionamento da democracia: “O IBGE concilia competência e independência para retratar as principais mudanças da sociedade e economia brasileiras”. O economista destaca ainda as mudanças ocorridas e a capacidade crescente de difusão e disseminação. “A instituição tem sido capaz de evoluir com

o tempo, difundindo suas análises e informações a um grupo crescente de pessoas pelas suas publicações impressas, notícias veiculadas e pela sua página na Internet, que é uma verdadeira janela para “os Brasis”, analisa. Especializada em economia, a jornalista Miriam Leitão acompanha regularmente os lançamentos e publicações do IBGE. Ela assinala o reconhecimento conquistado pelo IBGE a partir da qualidade, solidez dos dados, transparência e confiança das informações. Ela igualmente reconhece o aperfeiçoamento constante nas formas de comunicação com os jornalistas e a sociedade. “A cada novo número divulgado, o setor de imprensa e os técnicos responsáveis estão sempre prontos a tirar as dúvidas que eventualmente tenhamos”, diz Miriam Leitão, realçando a preocupação do IBGE em orientar e esclarecer os profissionais do setor.

Meus Parabéns ao IBGE pelo aniversário de 75 anos! Marcelo Neri

Capa da fotonovela produzida pelo IBGE para divulgar a coleta de dados do Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF), pesquisa domiciliar realizada de 1974 até 1975.

Acervo IBGE

1956/1957

Acervo IBGE

Computador UNIVAC - 1105 foi adquirido pelo IBGE para o processamento dos dados dos censos realizados em 1960.

A época de ouro das pesquisas geográficas de campo aconteceu entre as décadas 1940 e 1950. Período em que já se manifestava o pioneirismo feminino na instituição.

1960

Acervo IBGE

Sou uma fã entusiástica do trabalho do IBGE.

Foto: Drayan Dornelles

Foto: Tomás Rangel

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1974


Revista do IBGE • out/nov/dez 2011

Capa Credibilidade Desde os anos 70, o IBGE se transformou também na principal fonte de dados sobre a economia brasileira.

Foto: Licia Rubinstein

Simon Schwartzman

O IBGE é hoje uma instituição reconhecida nacional e internacionalmente. Eduardo Pereira Nunes

Presença internacional A evolução do IBGE foi muito significativa também em nível mundial. Nos últimos anos, o instituto conquistou a posição de um dos órgãos de estatística e de geociências mais prestigiados internacionalmente e participa ativamente de uma série de fóruns internacionais. Cabe destacar as reuniões anuais da Comissão de Estatística das Nações Unidas e do Comitê de Estatística da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além da Conferência dos Estatísticos Europeus e Conferência de Estatística das Américas. Deve-se ressaltar também que o Brasil participa das reuniões dos órgãos de estatística do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), grupo de países que se destacam como grandes mercados emergentes. O país também irá sediar o 60º Congresso Mundial de Estatística, em 2015. Na área de Geociências, o IBGE participou do Fórum de Alto Nível da ONU para Gerenciamento Global da Informação Geoespacial, realizado em Seul, na Coreia do Sul, em outubro deste ano. Atualmente, o IBGE exerce a presidência do Comité Permanente para la Infraesctructura de Datos Geoespaciales de las Américas (CP-Idea), iniciativa que congrega 24 países das Américas.

O IBGE passou por significativas mudanças em sua trajetória. A orientação e o enfoque de seu trabalho, como não poderia deixar de ser, refletem essas transformações. O ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman (1994-1998), observa que no passado se costumava dizer que a principal função da instituição era apoiar as políticas de planejamento do governo. Nas últimas décadas, governos, em todos os níveis, continuam sendo usuários importantes do trabalho do Instituto, mas, de acordo com o ex-presidente, cada vez mais o IBGE se transforma em “patrimônio de toda a sociedade”. Essa forma de se posicionar e se apresentar à sociedade tem por base, acima de tudo, a legitimidade, a confiança e a credibilidade que, desde o início de suas atividades, acompanham o IBGE. A raiz desses atributos repousa na competência técnica e no compromisso de seus servidores com a instituição, com a permanente busca do aperfeiçoamento profissional e com o serviço público. No evento em comemoração aos 75 anos, realizado em maio, o então presidente Eduardo Pereira Nunes falou sobre estes vínculos do IBGE com a sociedade. “Se somos grandes é porque produzimos muitas informações, e se temos o reconhecimento nacional e internacional é porque cada um, dos que estão aqui, tem a sua contribuição. Cada um sabe que, como servidor público, estamos à disposição da sociedade para atender naquilo que for possível”.

Os próximos anos Aos 75 anos, o IBGE se apresenta preparado para o futuro. A avaliação é que o processo de transmissão e assimilação do conhecimento e da cultura interna pelas novas gerações de servidores, aspectos decisivos para o

Foto: Álvaro Vasconcellos

Foto: Licia Rubinstein

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Parabéns, IBGE. Obrigado, IBGE. Vamos em frente, IBGE. Sérgio Besserman Vianna


Uma das inovações do Censo 2010 foi a criação da Base Territorial Digital, que integrou as malhas urbana e rural e o Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos.

Em 2007, o IBGE adota o PDA para realizar a coleta eletrônica de dados. A nova tecnologia foi implementada no Censo Agropecuário e na Contagem da População.

seu avanço, em grande medida já constitui uma realidade interna. As inovações tecnológicas, metodológicas, gerenciais e os novos projetos, sejam eles na pesquisa estatística, domiciliar, econômica ou na área geocientífica, comprovam o preparo já atingido. Sérgio Besserman Vianna, que presidiu a instituição de 1999 a 2003, levanta um outro aspecto de cenários futuros. Para ele, a questão do desenvolvimento sustentável já surge como um dos principais eixos das grandes transformações da economia, da política e da sociabilidade global nos próximos anos. “Cabe ao IBGE cumprir sua missão também nesse campo tão novo e complexo”, explica Sérgio. Os novos desafios do IBGE alimentam também a expectativa de muitos servidores. Um deles é Jefferson Mariano, tecnologista, que trabalha na UE/SP, e também é professor universitário.

Ele ressalta o profundo respeito que existe em relação aos trabalhos elaborados pelo IBGE no meio acadêmico. Para ele, o futuro está associado ao espírito de seriedade e participação que acompanha a fundação. “Espero que as pessoas responsáveis pela direção dos trabalhos continuem encarando com a mesma seriedade o papel que essa Instituição representa para a sociedade. Por outro lado, anseio que ocorra uma desconcentração regional do IBGE, com maior participação dos trabalhadores das Unidades Estaduais”, argumenta.

Sinto grande orgulho em trabalhar na

instituição.

Foto: Diogo Francisco de Oliveira

Em tempos de redemocratização do país, o IBGE lança uma revista voltada aos seus servidores. A Nova Imagem circulou de 1985 a 1986.

2010

Licia Rubinstein

2007

Acervo IBGE

Acervo IBGE

1985

Jefferson Mariano

Nossa missão também é comemorar Como já é tradição na casa, o mês de maio sempre termina em festa. Em 2011, não poderia ser diferente, pois além de completar 75 anos, o IBGE também comemorou o sucesso da operação censitária e das inovações tecnológicas trazidas pelo Censo 2010, além da incorporação de mais 350 servidores concursados ao quadro. Também foi o momento de homenagear os ibgeanos que completavam 20 e 30 anos de trabalho

na instituição e aqueles que acabaram de se aposentar. Mas, além do aniversário do instituto, ao longo do ano o que não faltou foi motivo para reunir os colegas de trabalho e celebrar. “O IBGE tem comemorado o sucesso de feitos extraordinários, como o Censo 2010, e o elevado nível de credibilidade do instituto e de eficiência de seu quadro de pessoal”, lembra Alexandre

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Revista do IBGE • out/nov/dez 2011

Capa

Magno Camargo, chefe da agência de Brusque, em Santa Catarina. Ainda segundo ele, “o ibgeano gosta de celebrar porque a integração, o relacionamento humano e a interação fazem parte do nosso modus operandi”. As celebrações de 75 anos aconteceram no Rio de Janeiro e em diversas Unidades Estaduais (UEs). Foram momentos marcados pela emoção dos homenageados e de seus familiares e amigos. Também foi a oportunidade de o conselho diretor e os chefes de UEs falarem dos avanços e desafios da instituição. Não faltou bolo e parabéns para o aniversariante, em um momento de confraternização para todos os presentes. A cerimônia do Rio de Janeiro contou com a apresentação do Coral do IBGE e a do Rio Grande do Sul com o coral Conta e Canta o Brasil, formado por servidores da própria UE, que completou 12 anos em agosto.

“O ibgeano além de ser humano é brasileiro. Eita povo para gostar de festa!” A fala acima, do Marcílio Souza, do SDI/ Pernambuco, mostra bem porque o calendário de comemorações do ibgeano não se limita ao aniversário da instituição. Segundo ele, é natural os seres humanos estabelecerem vínculos e gostarem de celebrar, ainda mais

Álvaro Vasconcellos

quando passam oito horas por dia convivendo com as mesmas pessoas, tempo maior do que muitos passam com a família. Por isso, conforme aponta Lúcia Loterio da Silva, da UE/Rio Grande do Norte, as confraternizações são importantes para a construção de laços de amizade. E, ainda, para Leide Carvalho Freitas, supervisora do SDI/Maranhão: “As comemorações reforçam o espírito de equipe, de organização e de interação, tão importantes para o desenvolvimento das atividades do IBGE”. Max Athayde Fraga, chefe da UE/Espírito Santo, também ressalta o espírito festeiro do ibgeano. “A vida sem celebração é muito sem graça. Nossa história é linda e cheia de realizações. De norte a sul, somos acostumados a vencer dificuldades porque sempre trabalhamos em equipe”. José Renato Braga de Almeida, chefe da UE/ Rio Grande do Sul, vê as celebrações ibgeanas como uma questão de qualidade de vida por serem momentos que proporcionam troca de informações, descontração, alívio de estresse, integração e descobertas de afinidades. Para Dulce Colombo de Moura, do SDI/ Rondônia, os funcionários têm prazer em estarem juntos justamente por sentirem que são uma família que gosta de compartilhar alegrias e tristezas.

Vera Lucia Cruz Ferreira

À esquerda, Luís Carlos Miele comanda a cerimônia dos 75 anos no Rio de Janeiro e José Renato Braga de Almeida recepciona os homenageados na festa do IBGE no Rio Grande do Sul. Abaixo, funcionários da UE/PE festejam o aniversário do instituto.

Marcílio Souza

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out/nov/dez 2011 • Revista do IBGE

Fórum de Geociências

IBGE recebe prêmio

no Fórum Geoespacial Latinoamericano

D

Texto Marília Loschi | Foto Licia Rubinstein

e 17 a 19 de agosto, aconteceu o Fórum Geoespacial Latinoamericano (Latin American Geospatial Forum – LAGF), no Rio de Janeiro, com o tema: “Trazendo perspectivas globais para a ação local”, onde o IBGE recebeu o Prêmio de Excelência Geoespacial pelo projeto Base Territorial 2010 – Evolução e Potencial. A Base, desenvolvida para atender às demandas do Censo 2010, utilizando modernos recursos de tecnologia da informação, foi considerada a melhor aplicação geoespacial para demografia da América Latina em 2011. Na abertura do evento, o então presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, falou sobre a importância do uso de informações geoespaciais no Brasil e de como o IBGE vem integrando dados geocientíficos e estatísticos, de forma a aperfeiçoar o conhecimento da realidade do país. Também participaram o então diretor de Geociências do IBGE, Luiz Paulo Souto Fortes, e outros técnicos e pesquisadores do instituto, abordando os temas Infraestrutura de dados espaciais; Sistema de navegação global por satélite; Fotogrametria digital (método

de levantamento topográfico que utiliza a fotografia) e navegação 3D; e Mapeamento do estado do Rio de Janeiro. O objetivo do encontro foi colocar o conhecimento geoespacial no centro da agenda econômica e de desenvolvimento dos países latinoamericanos, contribuindo para a troca de informações entre os profissionais da indústria geoespacial. Foram três dias de sessões plenárias, simpósios, seminários, workshops, sessões técnicas, mostra de tecnologia e exposições, reunindo pessoas de 32 países, entre representantes governamentais, acadêmicos, pesquisadores, estudantes e profissionais da área. O Fórum foi a primeira conferência anual latinoamericana para exposição da informação geoespacial, tecnologia e aplicações. Organizado pela GIS Development – The Global Geospatial Media Company, em colaboração com o IBGE e o Instituto Pereira Passos (IPP), também teve o apoio da Comissão Permanente para a Infraestrutura de Dados Geoespaciais das Américas (CP-IDEA).

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Revista do IBGE • out/nov/dez 2011

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Na Internet

Informação

de portas abertas

C

Texto Marília Loschi | Infográfico Marcos Balster

riar um canal de disponibilização de informações e de comunicação com os usuários – que instituição existiria, hoje, sem isto? Agora, imagine esta visão de comunicação numa época em que a Internet dava seus primeiros passos no Brasil, mais precisamente em 1995. Pois foi quando o IBGE colocou no ar, pela primeira vez, sua página na grande rede. No ano seguinte, a página foi acessada por 69 mil usuários; em 1997, esse número pulou para 306 mil. Com o Censo, passou para mais de 2,6 milhões em 2000 e ultrapassou os quatro milhões em 2001. Hoje, o site do IBGE é um grande portal, que consiste no principal canal de atendimento aos seus usuários e maior meio de acesso dos internautas às informações estatísticas e geocientíficas sobre o Brasil, com mais de 2,3 milhões de acessos por mês, quase 21 milhões de acessos ao ano. Todo dia, mais de 76 mil pessoas acessam a homepage do IBGE. Entre elas, pesquisadores, estudantes, professores, analistas de negócios, jornalistas, estrangeiros, enfim, usuários os mais variados que procuram informações para, de alguma forma, conhecer melhor o Brasil. Desde sua criação, o portal tem conquistado diversos prêmios, muitos deles pelo júri popular (veja o quadro na página seguinte), e vem passando por diversas transformações, tanto no visual quanto na navegabilidade, acompanhando o passo das inovações da atualidade.

A Gerência de Serviços Online (Geon), no CDDI, é a responsável pelo portal, com uma equipe multidisciplinar que cuida da publicação dos conteúdos, identidade visual das páginas, navegabilidade, aplicativos internos, ferramentas e tradução do conteúdo do portal para outros idiomas. O programador visual Roberto Stoeterau trabalhou na Geon logo quando ingressou no IBGE, em 2000: “A estrutura do site como a gente conhece hoje já existia, mas não tinha a profusão de canais que tem atualmente”. Segundo ele, na época da divulgação dos resultados do Censo 2000 o portal já era referência para todos os países latinos e até na Europa. “O pessoal do Mercosul dizia que primeiro viam como o IBGE fazia para depois fazerem”, diz Roberto. Depois de cinco anos em outra gerência, Roberto está de volta à Geon e avalia as diferenças no portal: “Hoje, a informação para o público leigo é melhor e com mais facilidade de acesso; no lançamento das pesquisas, a atualização na Internet é quase imediata. Não tem uma cara tão técnica”, diz Roberto.

Fonte das Informações: IBGE - Gerência de Serviços Online (GEON) e www.ibge.gov.br

69.000 1996

306.000

1997


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À frente da Geon desde abril de 2011, Ian Monteiro Nunes considera que a página do IBGE na Internet atende bem aos especialistas, mas precisa expandir ainda mais seu alcance e chegar à maior diversidade de usuários possível. Para ele, uma estratégia positiva é integrar visualmente os dados estatísticos e geocientíficos, ou seja, apresentar a informação georreferenciada. “Nosso desafio é a complexidade de atender a diferentes públicos”, diz ele, “e oferecer a informação fácil e rápida de achar, com o site respondendo rapidamente. Senão, as pessoas perdem a paciência”. Jornalistas costumam ser do time dos que rapidamente “perdem a paciência” quando buscam informação. Mas Antônio Gois, da Folha de São Paulo, acessa o portal pelo menos uma vez por semana e reconhece que o site do IBGE vem melhorando muito nesse aspecto. “É visível que o instituto, cada vez mais, procura colocar mais informações disponíveis no site em um formato que seja viável para quem não tem formação estatística gerar o dado que precisa. Antes, para qualquer reportagem mais específica, precisava pedir para um especialista rodar os microdados ou para a assessoria de comunicação do IBGE. Hoje, faço 90% sozinho”, diz Antônio, que resume, em seu depoimento, a importância social do portal: “Transparência, em minha opinião, não é apenas controlar gastos de governo pela Internet. É também ter acesso rápido e disponível a bancos de dados com informações sobre as condições de vida da população. Com base nelas, é possível dimensionar melhor nossos problemas e cobrar dos governantes”, analisa Antônio.

e sit o d 10 n ig a 20 s de 96 do 19 o e çã E d olu IBG v E do

5.249.653 2004

4.050.000 2001

2.640.000 2000

468.000 1998

921.000 1999

3.672.759 2002

3.989.434 2003

24.390.156 2010

19.084.472 2007

17.557.413 2008

17.979.122 2009

12.203.054 2006

8.225.472 2005

Crescimento do número de usuários do site do IBGE de 1996 a 2010


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Internacional

IBGE se prepara

para sediar congresso internacional 60° World Statistics Congress of the International Statistical Institute será realizado no Rio de Janeiro em 2015

Números do congresso 2011 • 6 dias de evento • Mais de 2500 participantes • 13 participantes do IBGE • Cerca de 120 países representados • 1291 papers apresentados, sendo 37 do Brasil • 124 sessões de artigos convidados • 68 sessões de tópicos especiais • 13 mini cursos • 10 encontros satélites

Curiosidade: Esta não é a primeira vez que o Rio de Janeiro é escolhido para sediar o congresso. A 29ª edição do evento foi realizada aqui no ano de 1955. Exatos 60 anos depois, em sua 60ª edição, o congresso voltará à Cidade Maravilhosa.

E

Texto Camila Ermida | Fotos Izabelle de Oliveira

m agosto o IBGE participou do 58º World Statistics Congress of the International Statistical Institute, realizado em Dublin, na Irlanda. O evento bienal contou com a presença de mais de 2500 participantes de diferentes países, reunindo pesquisadores e técnicos de diversas instituições governamentais produtoras de estatísticas, da área acadêmica e de órgãos internacionais. Foram realizados fóruns e sessões que abordaram uma variedade de temas dedicados à produção, análise e disseminação da informação estatística. No congresso, Eduardo Pereira Nunes, então presidente do IBGE, apresentou aos membros do International Statistical Institute (ISI) um projeto que declarava a intenção do Rio de Janeiro em sediar a 60ª edição do evento. O projeto foi aprovado em Assembleia Geral e, desde então, o IBGE – que é membro institucional do ISI – se compromete a desempenhar um importante papel na organização, gestão e realização da conferência, que acontecerá no Rio de Janeiro, no período de 26 a 31 de julho de 2015. Na edição de 2011, o IBGE já se fez presente no congresso através de um stand que contou com a presença de Izabelle de Oliveira, da Coordenação de Marketing (COMAR/CDDI). Segundo ela, o fato de o Brasil ter se apresentado com quatro anos de antecedência e o apelo turístico do Rio de Janeiro podem contribuir positivamente. “Eu ficava na área de


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exposição recepcionando os participantes do congresso e mostrando um pouco da cidade. Muitos dos que se aproximaram do stand do IBGE demonstraram satisfação em saber que em 2015 o evento será realizado no Rio de Janeiro. Ficamos com a sensação de que todos estarão aqui, se puderem”, conta. Antes de vir ao Brasil, o congresso passará por Hong Kong, na China, onde se realizará a 59ª edição do evento, no período de 25 a 30 de agosto de 2013.

Sobre o ISI Atualmente com sede na Holanda, o ISI é uma associação internacional da comunidade estatística com foco no desenvolvimento da atividade no mundo inteiro. Oficialmente, a associação foi criada em 1885 e teve seu primeiro congresso realizado em Roma, no ano de 1887. Porém, datam de 1853 os primeiros encontros internacionais de estatística, que até hoje se constituem na principal atividade do ISI. O congresso é o encontro bienal do ISI. Para Zélia Magalhães Bianchini, diretora substituta da DPE, esse é o maior encontro da área estatística em termos de abrangência temática. “Ele cobre todos os temas em todas as áreas do campo da estatística. É uma forma de nos atualizarmos em muitos sentidos: didaticamente, em termos de conteúdo, de rumos a serem seguidos e de atualização metodológica. É uma ótima oportunidade para conhecer pessoas, fazer contatos e trocar experiências. Isso se perpetua após o evento”, aponta. A importância do evento é compartilhada por Denise Britz do Nascimento Silva, coordenadora-geral da ENCE: “Este é o evento internacional de estatística mais importante para o IBGE participar enquanto instituição. Na última edição do evento, o instituto esteve representado de diversas formas e teve participação ativa. O congresso é uma grande atividade científica”.

No alto: Plenária principal do evento. Acima: Stand do IBGE divulga a realização do ISI 2015 no Brasil.

Premiação O congresso do ISI 2011 teve um sentido ainda mais especial para Solange Correa Onel, da Coordenação de Métodos e Qualidade (COMEQ/DPE). Ela foi a ganhadora do prêmio Cochran-Hansen Prize 2011, oferecido pela International Association of Survey Statisticians (IASS). “Na categoria em que participei foi entregue apenas um prêmio, que foi o meu. O mundo todo submete artigos e somente um é escolhido. Esse prêmio é uma forma de estimular países em desenvolvimento a participarem de congressos, já que a maioria dos participantes é de países desenvolvidos, que têm mais dinheiro e investem mais em pesquisa. Foi bom ter o trabalho reconhecido”, comemora Solange.


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INDE

Papel de

destaque

na INDE

IBGE é responsável pelo Portal SIG Brasil

e gestor do Diretório Brasileiro de Dados Geoespaciais

Texto Mario Grabois | Foto Álvaro Vasconcellos | Ilustração Helga Szpiz

Nos últimos anos, governos e sociedade colocaram na ordem do dia a relevância dos dados e da informação geoespacial como um dos parâmetros determinantes para a tomada de decisões em diferentes níveis de governo e da iniciativa privada. A “informação geo” ganhou importância e passou a ser elemento fundamental para a elaboração de políticas públicas e o planejamento econômico, social e territorial do país. Por outro lado, as novas tecnologias têm contribuído muito para popularizar o acesso a esse tipo de informação. O sucesso de ferramentas como o Google Earth e outros aplicativos de georreferenciamento são exemplos desse novo tempo. A criação de infraestruturas de dados espaciais (IDEs) é uma solução que se observa em vários países diante do desafio para se coordenar, integrar e padronizar essas múltiplas informações e dados geoespaciais, produzidos por diferentes órgãos e instituições públicas. Ao mesmo tempo, verifica-se a solicitação para que sejam compartilhadas e disponibilizadas

Da esquerda para a direita Luiz Paulo Souto Fortes, Hesley da Silva Py, Moema José de Carvalho Augusto e Valéria Oliveira Henrique de Araújo na reunião de implantação do CINDE, realizada no CDDI.


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informações e dados para as diversas necessidades e interesses de pesquisadores, especialistas, empresas, governos e cidadãos. No Brasil, a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) foi instituída oficialmente em 2008, com a edição do Decreto 6.666. Sua coordenação é realizada pela CONCAR – Comissão Nacional de Cartografia, órgão colegiado do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Flavia Dantas Moreira, assessora da Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI) do Ministério do Planejamento, explica que a INDE vai permitir a integração das diversas bases de dados existentes na administração pública, potencializando seus usos, e reduzindo os custos com a geração e aquisição de dados. Ela destaca ainda que “um dos usos previstos para a INDE é o de ser o portal de monitoramento e avaliação do Plano Plurianual (PPA 2012-2015) do governo federal”. De acordo com o Plano de Ação para a Implementação da INDE, publicado em janeiro de 2010, “a valorização da informação geográfica é decorrente da ampliação, em nível global, de uma mentalidade mais responsável com o meio ambiente e das demandas sociais e econômicas por uma melhor compreensão da realidade territorial”. Para o coordenador do Comitê para a Implantação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Cinde), Hesley da Silva Py, que é também coordenador da área de desenvolvimento de

software da Diretoria de Informática-DI, cada vez mais o “dado geo” é incorporado ao nosso dia a dia e, por isso, é importante divulgar e tornar fácil a sua utilização para os usuários. “Hoje, a maioria de nós viaja de um lugar para outro e a primeira coisa que faz, se não tem um mapa online, é baixar os arquivos para algum lugar de modo que possa se localizar”, explica Hesley. Atualmente vários órgãos federais já participam da INDE. Instituições estaduais e municipais também devem aderir à medida que o processo se desenvolva. O IBGE possui um papel decisivo na construção da INDE, seja como produtor de dados e informações, seja como gestor do Diretório Brasileiro de Dados Geoespaciais (DBDG) - que é o conjunto de servidores de dados no qual cada instituição participante disponibiliza seus dados, no portal SIG Brasil. O IBGE foi o responsável pela construção do portal e é o seu gestor, além de outras atribuições de apoio técnico à INDE.

Instâncias do IBGE na INDE Para melhor desempenhar suas atividades na INDE, o IBGE criou em 2010 a Comissão DGC-INDE e, em 2011, o Comitê INDE-IBGE. De acordo com Moema José de Carvalho Augusto, que integra a Comissão DGC-INDE e coordena o Grupo de Trabalho de Difusão e Divulgação da INDE, a comissão tem por objetivos assessorar a Diretoria de Geociências com as informações sobre o trabalho no sentido de desenvolver as atividades necessárias para disponibilizar os dados do IBGE na INDE. Já o Comitê INDE-IBGE tem por finalidade coordenar os procedimentos do IBGE na INDE, além das questões relacionadas à gestão do DBDG e manutenção do portal SIG Brasil. Ao longo de 2011, o comitê se reuniu cinco vezes para analisar as atividades de construção de um novo geoportal e de um novo visualizador de informações. “Esses desenvolvimentos visam melhorar a interação com os usuários da INDE de uma forma geral”, sintetiza Moema.


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Nossa História

À Sombra

das Águias Imortais E

Texto Marco Santos

ra perto de 13h30min, quando o movimento de carros aumentou diante da cancela do Palácio do Catete. A tarde estava abafada, com prenúncios de chuva. A cada veículo que chegava, o porteiro deixava de lado o jornal e se dirigia aos choferes, liberando a entrada logo em seguida. O movimento não era inusitado. Às sextas-feiras, como aquela, a agenda do presidente costumava receber deputados, senadores e eventuais ministros para despachar. Feita a liberação do carro, o porteiro voltava para a leitura do jornal, verificando o que os cinemas e teatros estavam levando naquela noite. No Palácio, “Uma noite na ópera”, com os Irmãos Marx; no Plaza, ainda ali na Cinelândia, “Capitão Blood”, com Errol Flynn. Nos teatros, talvez a boa pedida fosse a comédia “Aleluia”, de Joracy Camargo, com Aracy Cortes, Oscarito, Margot Louro e grande elenco, encenada no Recreio. E mais um automóvel com alguma figura ilustre aparecia pedindo passagem, sob o olhar atento das águias de ferro que encimavam a sede do governo brasileiro. Ao descer dos carros, os visitantes se dirigiam à recepção, sendo encaminhados para o segundo andar, onde aconteceria a cerimônia. Velhos amigos se abraçavam, alegres trocas de apertos de mão entre os presentes. Às 14h, a secretária convidou todos a entrarem no salão e aguardarem o presidente. Eis que Getúlio Vargas adentrou o ambiente, entre palmas dos presentes, ladeado por José Carlos de Macedo Soares, seu ministro das Relações Exteriores. Um funcionário do Palácio leu o termo de posse, jornalistas empunharam suas canetas, fotógrafos tomaram posição. O presidente assinou o documento, sendo seguido pelo empossado, Macedo Soares. Estava definitivamente instalado o Instituto Nacional de Estatística, criado por lei em 6 de julho de 1934 e só naquele momento, naquele 29 de maio de 1936, legitimamente autorizado a começar os seus trabalhos.

ela (Flickr)

Everaldo Vil


Reprodução de foto da Revista Fon-Fon (6/6/1936)

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Diante de Getúlio Vargas, Macedo Soares faz discurso de posse como presidente do INE, no dia 29 de maio de 1936.

Macedo Soares, com voz grave e pausada, discursou para a seleta audiência, onde pontificavam os demais ministros de Estado, o presidente do Senado, os governadores do Estado do Rio de Janeiro e de Pernambuco, o prefeito do Rio, o presidente da Sociedade Nacional de Geografia, deputados, senadores, diversos diretores de departamentos ministeriais, entre tantos outros. Ao findar seu discurso e ser demoradamente aplaudido, Macedo passou a palavra ao secretário da Junta Executiva do Instituto, ali também tomando posse. E falou Mário Augusto Teixeira de Freitas, com voz rouca, mas perfeitamente clara. Iniciou seu discurso, mencionando sua “insignificante” atuação na criação do INE. Ora, até as penas de ferro das asas das águias do Palácio sabiam que ele era o grande artífice da criação daquele órgão, dali em diante coordenador e sistematizador de todos os serviços estatísticos oficiais do Brasil. Era Teixeira o mentor daquela repartição federativa que se articularia com as três esferas administrativas do país e também com a iniciativa privada. Depois, ele falou como representante dos estatísticos, assegurando que o novo órgão era “a etapa final de formação e unificação da estatística brasileira”. Lembrou os pioneiros, os “precursores iluminados” que lançaram as bases da construção da estatística pátria. Agradeceu ao presidente Vargas pela missão histórica

daquele empreendimento, deixou fluir sua sabedoria que a todos encantava quando se pronunciava. Ao encerrar, as paredes daquele salão ouviram os ruidosos aplausos da plateia, o justo reconhecimento pelas belas páginas ali proferidas. Fechando a cerimônia, falou Getúlio, de improviso, afirmando ser o INE obra dos estatísticos brasileiros, “no seu esforço constante e trabalho infatigável para dotar a estatística brasileira de um órgão central, que desse unidade às suas conclusões”. E por ter ele tanto apreço pelo novo Instituto, que, em suas palavras, asseverou: “dei-lhes a minha Casa e o meu ministro”. Aquele salão do segundo andar do Palácio das Águias seria a primeira sede da repartição central das estatísticas brasileiras. Naquele dia, naquele momento, nascia o futuro IBGE. Quem fez o anúncio ao país foi o próprio presidente Vargas, que se incumbiu pessoalmente dos convites para a posse e, depois da cerimônia, passou telegrama a todos os governadores, iniciando com “tenho a satisfação de levar ao conhecimento de todos que acabo de presidir a instalação do INE”. No alto do Palácio, as águias mantinham sua guarda atenta. Mas nem era preciso ter olhos de águia para ver, ali, o nascimento de um gigante.


Revista do IBGE • out/nov/dez 2011

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Fotolegenda

Flor do cerrado Texto Marília Loschi | Foto Licia Rubinstein

Quinze dias depois de um incêndio perto da reserva ecológica do IBGE (Recor/DF), este exemplar de canela-de-ema – ou candombá, como também é conhecida – já está em flor. Durante a época mais seca, nos meses que vão de junho a agosto, as queimadas são comuns e se espalham rapidamente. A canela-de-ema é uma das espécies adaptadas para suportar esta época difícil, trazendo vida nova à paisagem cinzenta deixada pelo fogo.


Infográfico

O empreendedorismo no Brasil Estudo focado nas empresas de alto crescimento apresenta informações sobre a atividade empreendedora no Brasil em 2008

30.954

Empresas de Alto Crescimento

4,1 milhões milhão dedeempresas empresasativas ativas

Empresas que apresentam crescimento médio do pessoal ocupado assalariado de 20,0% ao ano ou mais, por um período de três anos, e tem pelo menos 10 pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação.

1,9 milhão de empresas empregadoras

Correspondem a 1,7% das empresas empregadoras Empregam 16,7% do pessoal ocupado assalariado Pagam 16,0% dos salários e outras remunerações

Entre estas, computaram-se:

12.359

Empresas Gazelas Empresas de alto crescimento com até cinco anos de idade no ano inicial de observação. Correspondem a 0,7% das empresas empregadoras Empregam 4,7% do pessoal ocupado assalariado

Embora relativamente poucas, as empresas de alto crescimento foram responsáveis pela geração de:

2,9 milhões novos empregos com

Infográfico: Marcos Balster

carteira assinada

Pagam 3,6% dos salários e outras remunerações

57,4%

do total de 4,9 milhões de postos de trabalho assalariados formais surgidos entre 2005 e 2008

Para saber mais, acesse: www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/empreendedorismo/default.shtm Fonte: Estatísticas de empreendedorismo 2008. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. (Estudos e pesquisas. Informação econômica, n. 15).


Revista do IBGE nº zero (TESTE)  

Publicação trimestral contendo temas de interesse dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE

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