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Reflexão incompleta e precária sobre meu tempo na Residência Artística CASA B, B e a exposição "Experiência Experiência B", no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea

Fábio Carvalho maio – agosto / 2018


Reflexão incompleta e precária sobre meu tempo na Residência Artística CASA B, e a exposição "Experiência B", no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea Fábio Carvalho | maio/2018 Texto escrito após a residência CASA B, que antecedeu a exposição Almofadinhas | Experiência B, no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (RJ), do grupo "Almofadinhas", do qual Fábio Carvalho, junto com Rick Rodrigues e Rodrigo Mogiz, é fundador.

Para mim, a experiência da residência começou bem antes do dia em que pela primeira vez passamos pela porta do Polo Experimental do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea. Eu já vinha há coisa de pouco mais de um mês mergulhado no universo de Arthur Bispo do Rosário, na sua vida e obra, lendo textos críticos, vendo fotos, vídeos, mas nada disso me preparou o bastante para o CHOQUE emocional que foi estar ali frente a frente, ou melhor, frente, trás, acima, por todos os lados, imerso, navegando, mergulhando quase em apneia, na vastidão de seus trabalhos, sem os recortes e direcionamentos museológicos das exposições. Vou precisar de toda uma vida para entender o que foi isso, que dias únicos foram aqueles! Houve momentos em que queria correr como uma criança na loja de brinquedos; em outros queria me encolher e chorar. Quase sempre queria abraçar as pessoas à minha volta. Imaginem o estado de um colecionador/acumulador como eu, imerso no universo de um gênio que colecionou e recriou “apenas” o mundo inteiro? Devo ter falado mais alto e gesticulado mais que o de sempre. Se isso já parecia TANTO naquele momento, quando estávamos já na reta final da montagem da exposição, quando "caiu a ficha" que em pouco tempo entregaríamos ao mundo uma exposição onde além da imensa felicidade de pela segunda vez expor com meus queridos amigos e parceiros Almofadinhas, eu estaria lado a lado, ombro a ombro, com Arthur Bispo do Rosário... Bateu excitação, bateu pânico, bateu euforia, uma sensação de responsabilidade gigante, de ter que estar a altura do que esse homem genial criou, receio de não corresponder ao desafio; por outro lado, uma felicidade imensa, uma sensação de que fui respeitado, ouvido, acolhido, de que eu mereci estar ali. Enquanto escrevo minha cabeça fica em loop, revivendo estes momentos/sensações, e é difícil conseguir manter este relato coeso e coerente. Vai ser mesmo caótico! Eu avisei que seria uma reflexão precária e incompleta.


No lado artístico e intelectual, que privilégio o convívio e conversas por três semanas ininterruptas com meus parceiros Almofadinhas Rick Rodrigues e Rodrigo Mogiz; poder trocar com a tão amorosa curadora Diana Kolker, doce, aberta, delicada, irmã; que aprendizado observar nosso curador Almofadinha Ricardo Resende, com sua capacidade ímpar de liderar, decidir, apontar, cortar, inserir, mudar, provocar, sem jamais impor, ignorar, pelo contrário, sempre acolhedor e com um respeito pelo artista e pela obra, como deve ser. Raquel Fernandes, diretora do mBrac, pelo carinhoso convite para a residência/exposição, e por tudo o que fez para que nossa estada fosse a melhor possível. São tantas pessoas a agradecer, que prefiro dizer o mais sincero OBRIGADO a TODOS da equipe do Museu e do Polo que direta ou indiretamente me propiciaram esta vivência. Porém, a minha maior e mais profunda gratidão vai para as pessoas que me tocaram mais fundo, e que talvez nem desconfiem que me viraram do avesso e me tornaram outro, um ser humano (espero) melhor: Ana, Arlindo, Clóvis, Luizinho, Patrícia, e tantos outros artistas e usuários do Polo Experimental. Eles me fizeram rever valores e certezas, me confrontaram com uma dor, e ainda assim, uma resiliência que eu não sei se eu conseguiria no lugar deles. É preciso JÁ sair da bolha, parar com o teatro dos grandes salões que vivemos no circuito de arte em particular, e na vida de uma forma mais ampla, e nos embrenharmos na vida real, nas causas reais, nas dores reais, se queremos conhecer o afeto real, profundo, livre, isento. É preciso parar de “atuar” nos papéis de artista, curador, crítico, galerista, etc., e sermos REAIS, honestos, sinceros, diretos, se queremos produzir um debate em arte que não seja apenas para dar conta de nossas vaidades, uma arte mais potente, que seja mais relevante para a vida, e não apenas para os catálogos e livros e o curriculum Lattes. Urge voltarmos ou aprendermos a enxergar e RECONHECER o outro. Por mais que sempre falemos que o mundo é maior que nossos umbigos e iphones (iphone, ipad, i-tudo, eu, eu, acima de todos, eu, apenas eu, o Deus EU), é preciso REALMENTE praticar, todos os dias, nossa capacidade de ouvir, ver, sentir, absorver, apreender, chorar, rir; ou seja, de verdade nos deixarmos permear pelo outro, nos deixarmos afetar (afetos! afetos!). Há muita dor, mas há também muito amor onde normalmente passamos ao largo e escolhemos ignorar. Não termina aqui este relato (incompleto e precário). Segue pelo resto de minha vida e obra.


segundo capítulo >>> O importante é o mergulho. O artista plástico é geralmente um solitário, introspectivo, no que diz respeito à sua criação. E essa introspecção é fácil de compreender, uma vez que seu trabalho depende de uma investigação profunda de questões e valores pessoais. Mas ao mesmo tempo, um artista depende de constante estímulo para produzir sua obra. E como qualquer outra pessoa, o criador também constantemente se vê afundado em meio a rotinas e repetições da vida mais prática, o que pode ser um veneno para a criação. Então, como equilibrar a necessidade de reserva e silêncio, fugir da monotonia massacrante do dia a dia, e buscar novos estímulos para seu trabalho? Naturalmente cada artista tem a sua fórmula para este problema. Como artista plástico acho que uma das maneiras mais ricas de conciliar espaço e tranquilidade para a criação, quebra da rotina e estímulo constante são as residências artísticas. Uma residência artística pode transformar e reorientar seu trabalho. Estar em outro local, outra realidade, onde tudo é novidade, tudo é informação fresquinha, a cada esquina, a cada minuto, pois nada daquilo faz parte do seu território ou da sua zona de conforto, te tira do óbvio, te leva a refletir muito além do habitual. Você precisa se adaptar, criar novas interfaces. Você apreende em pouco tempo muito mais do que apreenderia na sua rotina já bem conhecida de casa. E além disso, há o contato e as trocas com os outros artistas que estão lá ao mesmo tempo que você. Em uma residência artística, o ideal é nunca tentar prever onde se vai chegar. O mais importante é caminhar livre, não ter medo das sombras e dúvidas do caminho, se arriscar, se lançar do penhasco, adentrar os túneis escuros, pois só assim você poderá ser novo, deixar que o desconhecido te atravesse, e partes fiquem para sempre reverberando em você por muito tempo, senão pela vida toda. Assim você acaba com um monte de novas estratégias e aparatos para atravessar o dia, e que irá abrir sua mente para novos pensamentos e idéias, o que é vital para uma pessoa que trabalha com a criatividade, e tudo isso, certamente, irá refletir sobre sua produção artística. Se já não faz sentido para a criação artística ficar preso às suas verdades e hábitos seguros, menos ainda em uma experiência como esta.


terceiro capítulo >>> E agora?

Passados quatro meses da residência artística CASA B, e dois meses do encerramento da exposição Almofadinhas | Experiência B, resolvi que já era hora de organizar em uma pequena publicação o que esta aventura me rendeu. Naturalmente ainda é cedo para saber o que isso representará no longo prazo para mim, mas ao menos já é possível apresentar como foi a experiência de criar um diálogo entre a minha produção pessoal com a de Arthur Bispo do Rosário. Desejava unir em um único lugar os trabalhos criados em função do período de residência artística, bem como os já existentes que integraram a mostra em função de suas relações com os trabalhos de Bispo. Vou dispensar aqui apresentar Arthur Bispo do Rosário, uma vez que há muita boa bibliografia sobre este artista gigante. Vários pensadores muito mais competentes do que eu já se debruçaram sobre sua produção e vida, e jamais poderia fazer algo minimamente competente frente ao que já se escreveu sobre Bispo. Me limitarei a comentar aspectos de sua produção quando for necessário para fazer compreender os alinhamentos que fizemos, eu, Almofadinhas e os curadores Diana Kolker e Ricardo Resende, da minha obra com a de Bispo do Rosário.


Almofadinhas | Experiência B Diana Kolker e Ricardo Resende | abril/2018 texto curatorial para a exposição Almofadinhas | Experiência B, do grupo Almofadinhas.

Risca, perfura, atravessa, transpassa, vai, volta, rompre, enlaça, une, repara, adorna. Estamos a bordo. Já desmanchamos as linhas imaginárias que costuram os polos. Com as mesmas linhas bordamos outros mundos, outros corpos-casa. Estamos na borda. No entretecido da pele-mundo, a brutalidade da agulha não se separa da poesia do fio. Tecido que sangra como pele perfurada. Bordado como sutura. Bordado como soltura. A violência pode ser frágil e a delicadeza pode ser força irrepresável. Transbordemos. Fábio Carvalho, Rick Rodrigues e Rodrigo Mogiz. Três homens que bordam. Das bordas desfazem linhas-limites que normatizam o gênero, a moral, o real. O nome Almofadinhas faz referência a um grupo de homens que, no início do século XX, ousou desafiar os modelos de masculinidade ao propor um concurso de bordado e pintura em almofadas, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Acusados de "feminização do social", "desvirilização da sociedade" e apontados como um risco aos valores patriarcais, tais rapazes foram alvo de deboche na imprensa da época, recebendo tal apelido como uma forma de escárnio. Arthur Bispo do Rosário, que viveu internado na Colônia Juliano Moreira entre 1939 e 1989, desfez as vestes que uniformizam os corpos no manicômio e com suas linhas cobriu objetos, costurou e bordou mantos, estandartes e fardões para apresentar a Deus no dia do Juízo Final. Bispo desfiou o uniforme, transbordou a cela e se costurou na pele do mundo. Na exposição Almofadinhas | Experiência B, apresentamos um encontro entre as obras dos Almofadinhas e a produção de Arthur Bispo do Rosário, incluindo obras nunca antes exibidas ao público, através de um processo experimental e colaborativo, desenvolvido na intercessão entre arte e cuidado, curadoria e educação. O grupo Almofadinhas apresentará ainda trabalhos concebidos no período de residência na Casa B, um deles criado em parceria com a Oficina de Costura e Bordado e a Oficina de Mosaico da Escola Livre de Artes (ELA) do mBrac.


[página anterior] [alto] Bai feliz buando, no bico dum passarinho n° 9 | Fábio Carvalho | 2014; n° 6 | 2012; n° 5 | 2012, e n° 10 |2016 [centro, baixo] Vitrine Fichário | Bispo do Rosário | sem data


Vitrine Fichário (Bispo do Rosário, sem data) apresenta uma relação de nomes de marujos e oficiais com os quais Bispo teria convivido durante seu tempo na marinha brasileira (1925/1933). Há algumas outras “Vitrines Fichário”como esta, sempre acompanhadas de textos e/ou ilustrações relativas ao dia a dia na marinha, e um pendente vermelho, que lembra um coração. Em função da Marinha, Bispo partiu para longe de sua Sergipe natal, em direção ao Rio de Janeiro, de onde nunca voltou. As fotos usadas na série Bai feliz buando, no bico dum passarinho (Fábio Carvalho, 2012/2016) são de soldados que estavam prestes a partir para a I Guerra Mundial, muito provavelmente deixadas com as famílias, como uma lembrança. Para muitos destes rapazes, provavelmente esta foi a primeira e última foto que fizeram em todas as suas vidas. Para a exposição, foram selecionados apenas os trabalhos com fotos de marinheiros. Por cima das fotos, bordei à mão elementos tirados dos “lenços de namorados” portugueses, que desde 2012, a partir da residência artística no Maus Hábitos (Porto, Portugal), incorporei em meu trabalho. Os lenços de namorados são uma tradição da cultura popular portuguesa do norte do país, que teve origem pelo século XVIII. Eram lenços bordados pelas mulheres solteiras, com imagens e quadrinhas românticas ingênuas, usados originalmente para declarar interesse por um determinado rapaz. Elas entregavam o lenço para o pretendente, que se o usasse em público no dia seguinte, indicaria que ele correspondia ao sentimento da moça. Mais tarde, os lenços passaram também a ser presenteados ao amado que partia para uma terra distante em busca de melhores condições de vida, muitas das vezes, para o Brasil, como podemos ver na quadrinha: “Meu Manel bai pró Brasil / Eu também bou no bapor / Guardada no coração / Daquele qu’é meu amor”. Temos aqui novamente o navio, e o homem que parte para longe, pelo mar. A união dos meus trabalhos à Vitrine de Bispo foi realizada não apenas pelos nomes dos marinheiros brasileiros e as fotos dos marinheiros europeus, mas principalmente pela questão das relações afetivas que mantém unidas pessoas afastadas no tempo e/ou espaço. Bispo buscou longe em sua memória nomes de pessoas com quem havia convivido há 5 décadas, para organizar e dar sentido a um período de sua vida. Temos o que talvez tenha sido a primeira e última foto de vários jovens que iam para longe de casa, para enfrentar o perigo e o desconhecido, deixadas para trás com seus familiares. Isto faz lembrar o mito da origem da pintura segundo Plínio, o Velho – Dibutate de Corinto, ceramista, em consideração à sua filha, que havia traçado o retrato de seu amado, que partia para o estrangeiro, a partir de sua sombra na parede, fez um relevo de argila, modelado dentro deste contorno. Depois de seco, o retrato em argila foi colocado no Santuário das Ninfas, para pedir proteção ao jovem. A fotografia também é uma sombra, um fantasma. Muitos destes jovens não retornaram vivos da guerra. O lenço de namorados servia como um “app de encontros” para as moças, em busca de “dar match” com algum rapaz, ou mais recentemente, na vã tentativa de amarrar com mais força o laço de uma união que teria de enfrentar a distância e a ausência.


[página seguinte] [esq.] Bai feliz buando, no bico dum passarinho n° 7 | Fábio Carvalho | 2012, n° 3 | 2012/2013...2018 , n° 2 | 2012, e n° 8 | 2013 [dir.] Estandarte Os Pracinhas que Tombaram | Bispo do Rosário | s.d., Quepe | B.R. | s.d., Breves Desgenerificações n° 2 | F.C. | 2017, tríptico Em sendo patente... n° 10 | F.C. | 2018, e Luctas, Condecorações | F.C. | 2018. [nas mesas] Inventário Taxonômico A, B, C e D | F.C. | 2018


Vitrine | Bispo do Rosรกrio | sem data


[páginas anteriores] Inventário Taxonômico [A - capacetes] | 47 x 32 x 3 cm Inventário Taxonômico [C - chapéus] | 42 x 28 x 2,5 cm Fábio Carvalho (2018)

Inventário Taxonômico [B - boinas e bonés] | 65 x 34 x 3 cm Inventário Taxonômico [D - armas] | 69 x 41 x 3 cm

Este conjunto de quatro trabalhos foi criado durante a residência artística CASA B, e parte da grande coleção de soldados e armas de brinquedo do meu acervo pessoal. Foi pensando a partir das "Vitrines" de Arthur Bispo do Rosário. A obra de Bispo do Rosário consiste, em termos gerais, de uma grande coleção de objetos que ele reuniu, teceu, organizou, classificou, como um grande arquivista que coletava pedaços da vida cotidiana para levá-los à luz, no reino dos céus, para atender uma missão divina que ele teria recebido no Natal de 1938 – organizar os elementos do mundo, recriá-lo, para apresentá-lo a Deus no dia do Juízo Final. Nas palavras de Bispo, “Quando eu subir, os céus se abrirão e vai recomeçar a contagem do mundo. Vou nessa nave, com esse manto e essas miniaturas que representam a existência. Vou me apresentar.” Muitos dos objetos que ele colecionava e organizava criam grupos tipológicos da vida cotidiana - que Bispo do Rosário chamava de "vitrines"1. Aqui, as armas e soldados são organizados em "pranchas taxonômicas", como nas coleções de história natural e biologia. A base para as "pranchas" são antigos naperons, também do meu acervo pessoal. A taxonomia é o campo da biologia que define os nomes e grupos de todos os organismos biológicos, com base em características comuns, criando-se uma classificação hierárquica.

1 - Dossiê Arthur Bispo do Rosário. Arquivo 30ª Bienal de São Paulo, 26/9/2012. http://bienal.org.br/post.php?i=351


Estandarte Os Pracinhas que Tombaram | Bispo do Rosรกrio | sem data


série Bai feliz buando, no bico dum passarinho (série Portugal - lenços de namorados) | Fábio Carvalho | 2018 tecido estampado, bico de crochê, renda e passamanaria industrial, bordado à mão, pérolas e cristais falsos, miçangas, brinquedos de plástico, apliques metálicos.

A série Bai feliz buando, no bico dum passarinho foi iniciada no Porto, Portugal (2012), na residência artística Maus Hábitos, na qual fiz especificamente a pesquisa sobre um tipo específico de bordado tradicional lusitano. No ano anterior, 2011, comecei a me interessar pelo bordado como possibilidade de caminho para minha produção artística, durante outra residência artística em Portugal, do projeto “Bordallianos do Brasil”, na Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, da qual participaram 19 outros artistas brasileiros, como Tunga, Vik Muniz, Regina Silveira, Barrão, Marcos Chaves, entre outros. Foi quando tomei contato pela primeira vez com os Lenços de Namorados, já mencionados anteriormente. Eu já vinha fazendo trabalhos com tecidos, nos quais usava apliques de bordado industrial, mas me ocorreu que seria ainda mais interessante se eu mesmo bordasse, pois além de agregar ao meu trabalho este elemento que se tende a considerar feminino, haveria um dado a mais, que seria submeter minha mente e meu corpo masculinos a esta prática considerada “inferior” por ser “feminina” e “artesanal”, e isto seria muito interessante dentro da minha pesquisa. Os trabalhos na série Bai feliz buando, no bico dum passarinho seguem duas linhas: os primeiros foram feitos com bordado sobre versões industrializadas dos lenços de namorados tornados souvenirs /utilitários: toalhas, panos de pratos, etc. Sobre os panos impressos em em serigrafia eu bordei elementos militares: fuzis, pistolas, granadas. Em um dos panos, ao invés de bordar, eu costurei soldadinhos e armas de brinquedo, acrescidos de contas, miçangas, cristais e pérolas falsas de plástico. Na segunda linha de trabalhos eu usei um tecido camuflado militar, sobre o qual eu bordei réplicas dos desenhos românticos ingênuos de lenços de namorados autênticos. Nestes bordados foram ainda aplicadas várias miniaturas de armas de plástico, entremeadas nas ramagens das flores, como se fossem parte daquelas plantas. Como finalização dos trabalhos, apliquei à mão uma borda em renda e passamanaria vermelha, como muitas vezes vemos nos lenços de namorados autênticos. No caso dos lenços feitos com tecido camuflado, a borda em renda acentua ainda mais o conflito de elementos aceitos como masculinos e viris, contra os mais femininos, delicados.


Os trabalhos da série Bai feliz buando, no bico dum passarinho se aproximam dos “Estandartes” de Bispo do Rosário, verdadeiros livros que contem histórias, mas de uma narrativa muitas vezes criptográfica. Um dos trabalhos desta série (n° 3) foi retrabalhado em função da residência CASA B. Foram aplicados ainda mais soldadinhos e armas de brinquedo ao tecido, para aproximá-lo mais dos “Estandartes”, e mesmo das “Vitrines” de Bispo, bem como aumentei a quantidade e comprimento das ornamentações com as contas, miçangas, cristais e pérolas falsas de plástico. Vários dos soldadinhos foram envoltos em linha de bordado de uma cor próxima ao do brinquedo, numa referência direta às ORFAs de Bispo do Rosário. ORFA, ou “Objeto Recoberto por Fio Azul”, foi um termo criado pelo crítico de arte Frederico Morais, para descrever os objetos que Bispo envolveu com fios de algodão azul, extraidos pacientemente do tecido dos uniformes de interno da colônia.


Estandarte | Bispo do Rosรกrio | sem data


Estandarte | Bispo do Rosário | s.d., de temática militar e com um grande “catálogo” de insígnias /patentes (centro direita da obra).


Em sendo patente... n° 10 (série Portugal) | Fábio Carvalho, 2018 | 27 x 50 cm lencinhos rendados antigos, insígnias e patentes militares, bordado feito à mão, flores de plástico, cristais falsos.


O trabalho "Em sendo patente... n° 10" foi criado também durante a residência artística CASA B. A série Em sendo patente... , igualmente à série Bai feliz buando, no bico dum passarinho, foi concebida na residência artística Maus Hábitos (Porto, Portugal, 2012). Nestes trabalhos, insígnias e patentes militares reais, compradas em feiras de usados, foram incorporadas a “paninhos” (naperons) ou lenços e guardanapos antigos, que geralmente já apresentam algum bordado e/ou bordas rendadas. Por cima das insígnias foram bordados à mão por mim elementos típicos dos lenços de namorados portugueses. No caso específico de "Em sendo patente... n° 10" há uma maior liberdade em relação aos motivos originais dos lenços de namorados, e foram incorporadas folhas e flores de plástico ao bordado, além de uma pequena "chuva" de cristais falsos de acrílico. As três peças que compõem o tríptico foram também unidas pelo bordado das hastes das flores, que são uma referência à grande quantidade da planta "onze horas" existente na área do Polo Experimental, onde ficam as instalações da CASA B.


[página anterior] Breves Desgenerificações n° 2 | Fábio Carvalho | 2017 | 36,5 x 36,5 cm tecido estampado, rendas, bordado à mão, pérolas falsas de plástico

Este trabalho foi selecionado para a exposição por conta da obra Quepe (Bispo do Rosário, sem data). Juntos, Estandarte Os Pracinhas Que Tomabram, Breves Desgenerificações n° 2, Quepe e Em sendo patente... n° 10 formam uma pequena instalação, como se fosse um canto de memória ou homenagem à vida e os feitos de um sujeito ficional, à maneira do que se costumava fazer antigamente para parentes já falecidos, juntando-se retratos, às vezes colorizados à mão, e pertences da pessoa. O Quepe possui uma etiqueta anexada, feita por Bispo, onde há o nome “Jorge Martins”, e a descrição “Casa-Forte Salão”, talvez um antigo oficial superior de Bispo, e seu destacamento. De onde veio este quepe? Pertenceu a Jorge Martins? Uma coisa parece certa: por alguma razão, Bispo resolveu homenagear este homem, que ao ser por ele “catalogado” no seu imenso inventário, recebeu permissão para entrar no Reino dos Céus no dia do Juízo Final.


[página anterior] Luctas, Condecorações | Fábio Carvalho | 2018 | 95 (h) x 80 (l) x 27 (p) cm Casaco de algodão, bordado à mão, insígnias militares, cartão paraná, cola epoxi, tinta acrílica metálica dourada, tinta spray prateada metálica, purpurina, fitas de poliéster, fita metalizada, acetato, linha de costura, pendentes de metal, corrente de aço, pérolas e cristais falsos, flores e borboleta de plástico.

Aqui temos outro trabalho concebido no âmbito da residência artística CASA B. Este trabalho se iniciou a partir de um casaco comprado por mim em 2011, para ser usado na residência artística Bordallo Pinheiro, em Portugal. Já nesta ocasião eu costurei ao casaco duas insígnias militares. Desde então, a cada viagem para uma nova residência artística, outras insígnias foram sendo acrescentadas, o que durou até novembro de 2015. O casaco se tornou uma espécie de "manto protetor" para mim. Em função da residência CASA B, decidi transformá-lo numa homenagem ao Bispo, em referências aos vários jaquetões que ele criou durante os anos de produção na Colônia Juliano Moreira. Em 2017 eu participei do grupo que criou e organizou o bloco de carnaval “Sereias da Guanabara”, e para os desfiles e festas do bloco, fiz para mim, à mão, uma fantasia de marujo. Partes desta fantasia foram incorporadas como dragonas aos ombros do casaco, como franja nas costas e ornamentos próximos à gola (timão, estrela do mar e âncora). Como sabemos, Arthur Bispo do Rosário serviu como marujo entre 1925 e 1933, e em sua produção artística as referências aos anos na Marinha são uma constante. Enquanto ainda trabalhava neste trabalho, eu descobri o jaquetão verde "Lutas – 1938/1982" de Bispo do Rosário, que ainda não conhecia. Bispo aplicou 41 flâmulas com medalhas feitas de bordado, moedas, medalhas religiosas e fitas, entre outros materiais ao seu jaquetão verde. Daí me veio o desejo de ornamentar de forma propositalmente exagerada o casaco, e eu criei várias condecorações semelhantes àquelas das monarquias, junto a diversas medalhas também feitas com moedas, advindas da minha coleção pessoal.


Durante o desenho da expografia, nossa curadora Diana Koeler desenvolveu o conceito de um corpo-casa / casa-corpo, o que nos levou a pensar o espaço expositivo como uma grande casa, com distintos ambientes ou cômodos. Um destes ambientes, na área próxima às janelas da galeria, através das quais pode-se ver exuberantes copas de fiqueiras, acabou configurando-se como um “jardim”, e ali entraram vários trabalhos com pássaros, balanços, plantas, flores, borboletas e outros insetos. Neste “jardim”, ficaram meus trabalhos Breves Desgenerificações n° 1 e n° 2, Retábulo da 11ª Hora e (Re)pouso das Sibilas.


Breves Desgenerificações n° 1 Fábio Carvalho | 2017 34,5 x 35,5 cm tecido estampado, rendas e passamanaria, bordado à mão, aplique em renda, miçangas, fuzil de brinquedo e flores de plástico


Breves Desgenerificações n° 2 Fábio Carvalho | 2017 36 x 38 cm tecido estampado, rendas e passamanaria, bordado à mão, miçangas, folhas de plástico


[página anterior] Retábulo da 11ª Hora | Fábio Carvalho | 2018 | tecido estampado bordado à mão, rendas, cristais falsos, flores e brinquedos de plástico | 91 (h) x 102 (l) x 4 (p) cm

Aqui temos mais um trabalho criado durante a residência artística CASA B. Este tríptico, em forma de retábulo, foi minha resposta à várias questões que tive que lidar durante a residência: as razões místicas de Bispo do Rosário, a urgência, devida ao curto espaço de tempo que tínhamos para a residência, a precariedade de recursos e materiais, o certo isolamento à noite, mesmo estando acompanhado dos meus companheiros Almofadinhas, entre outras. Por isso mesmo, o jogo de palavras no título – “11ª hora” é uma expressão usada quando se está próximo ao fim de algo, no final de um prazo, e mais recentemente, para denunciar que estamos no limite das possibilidades do planeta, e que temos pouco tempo para reverter os danos já causados à Terra, para que a humanidade e toda a biosfera possa seguir. É também uma referência à grande quantidade da planta "onze horas" existente na área do Polo Experimental, onde ficam as instalações da CASA B, que serviram de modelo para as flores bordadas neste trabalho. O trabalho foi criado a partir de retalhos/sobras de um tecido que já utilizei em trabalhos anteriores, pedaços relativamente pequenos, irregulares, com rasgos e desfiados, costuras de emendas, manchas, que poderiam parecer inúteis face às exigências de norma, regularidade e perfeição, como tudo hoje em dia. No Polo Experimental fica também o CAPS Arthur Bispo do Rosário, um centro de atendimento municipal de saúde mental, onde são usuárias várias pessoas que pelos padrões de produtividade e normatividade de nossa sociedade também podem parecer equivocadamente e preconceituosamente “inúteis” para muitos.


[página anterior] (Re)pouso das Sibilas (detalhe) | Fábio Carvalho | 2018 | Mariposas encontradas mortas, alfinetes, brinquedos de plástico, almofadas feitas pelo artista a partir de pedaços de uma fronha velha sua, linha de costura, bico de renda e acrilon, cola. 60 (c) x 40 (l) x 10 (h) cm

Novamente vemos um trabalho criado durante a residência artística CASA B, que também ficou localizado no “jardim” da exposição. As mariposas usadas neste trabalho foram encontradas mortas nos quartos que ocupamos como alojamento e atelier na residência artística CASA B. As pequeninas almofadas foram feitas por mim à mão, a partir de pedaços de uma fronha velha minha que levei entre o material de trabalho para a residência. As mariposas, depois de montadas segundo os procedimentos de usadosa nas coleções entomológicas científicas, e passados vários dias para que secassem na posição, foram espetadas sobre as almofadas com alfinetes. Os insetos levam às costas pequenos brinquedos de plástico que representam armas. Em várias culturas americanas, se uma borboleta entra em casa, é um sinal de boa sorte. Entretanto, se entra uma mariposa, também por muitos chamada de "bruxa", o mau agouro estará naquele lugar. A "bruxa" seria a portadora de más notícias. As Sibilas são um grupo de personagens da mitologia greco-romana, descritas como mulheres que possuem poderes proféticos, sob inspiração de Apolo. Por outro lado, borboletas e mariposas são normalmente associadas ao universo feminino, "frágil e delicado", que em oposição aos símbolos usualmente aceitos como masculinos, de força e virilidade, como os militares e seus armamentos, formam a principal dialética da minha produção artistística, que procura levantar uma discussão sobre estereótipos de gênero, e questionar o senso comum de que força e fragilidade, virilidade e poesia, masculinidade e vulnerabilidade não podem coexistir.

[páginas seguintes] [esq.] (Re)pouso das Sibilas em processo | foto: Rodrigo Mogiz [dir.] (Re)pouso das Sibilas (detalhe) | Fábio Carvalho | 2018


[página anterior] Macumba | Bispo do Rosário | s.d.; Voilá Trois Coeurs | Fábio Carvalho | 2018; O Resgate de Sabra | Fábio Carvalho | 2013

Na exposição havia uma sala menor, à qual se tinha acesso por uma passagem a partir da galeria maior, que na ideia de “casa”, tornou-se um local de respiro, de mais calma, transcendência, quase um santuário. A obra Macumba, de Bispo do Rosário, era o centro conceitual deste espaço, e a que dava o tom da sala. Logo a seu lado, estava o meu trabalho Voilá Trois Coeurs, também concebido emfunção da residência CASA B. A ideia para Voilá Trois Coeurs surgiu quando eu estava retrabalhando o Bai feliz buando, no bico dum passarinho n° 3, enquanto eu aumentava a quantidade e comprimento dos ornamentos feitos com fios de contas e miçandas neste trabalho. Senti a vontade de explorar a possibilidade de criar um trabalho apenas com tais ornamentos, só que muito ampliados e exagerados. Os fios de ornamentos seriam bem longos, e as contas e cristais falsos maiores. Neste momento, me lembrei da obra "Voilá Mon Coeur", de Leonilson, um artista em vários aspectos próximo a Bispo, como por exemplo na necessidade de reconstruir e reorganizar o mundo à sua volta, e que conheceu a obra de Bispo, e certamente em alguma medida foi por esta obra influenciado. O título do meu trabalho é uma referência/homenagem ao trabalho de Leonilson, no qual apresentava seu coração ao expectador), em um pequeno bordado com cristais sobre feltro. Aqui temos três corações. Neste tríptico, podemos conjecturar sobre três estados de espírito, ou mesmo, três personalidades distintas: um mais puro e cristalino (transparente), outro de dor, sofrimento; ou talvez, intensidade, agressividade (vermelho), e por fim um terceiro e último, de sublimação, transcendência (dourado). Poderíamos ainda pensar nas tradicionais alegorias das 3 idades (fases) do ser humano, geralmente representadas através de figuras femininas: a menina, pura; a mulher adulta, fértil; a idosa, que neste caso ao invés de seca, não mais produtora de frutos, se tornaria ouro. Porém, quando vemos “Voilá Trois Coeurs” ao lado de “Macumba”, todo um novo sentido surge para o trabalho. Os ornamentos pendurados parecem dialogar com a grande quantidade de guias no trabalho de Bispo. O desenho em preto e cinza da camuflagem que parece dançar como a cigana.


[página anterior] O Resgate de Sabra [mito de corpo ausente] | Fábio Carvalho | 2013 | 72x72 cm bordado à mão sobre tecido impresso, rendas e passamanaria, miçangas, cistais e pérolas falsas

Chegamos ao último trabalho, o único em toda a minha produção artística de cunho religioso, executado especialmente para um exposição de 2013 chamada “Salve Jorge!”. Nele tentei reduzir ao mínimo o aspecto devocional ao santo soldado, me fixando mais na vítima, o dragão, do que no “herói” viril, na besta que ousou “desrespeitar” as leis impostas pelos homens. O bordado, que tem como referência a pintura “San Giorgio e il drago” (1455-1460), de Paolo Uccello, é quase uma narrativa de quadrinhos HQ, com partes da sequência da história acontecendo em vários planos do quadrado camuflado. Este trabalho, após a exposição de 2013, nunca mais foi mostrado, até que nesta exposição, junto à “Macumba” de Bispo, pareceu fazer sentido novamente.


SOBRE FÁBIO CARVALHO O artista carioca Fábio Carvalho, que já fez 16 exposições individuais e mais de 150 exposições coletivas, fez exposições por quase todo o território nacional, e já integrou mostras na Alemanha, Argentina, Chile, Cuba, Espanha, Equador, EUA, Hungria, Inglaterra, Itália, País de Gales, Peru, Portugal, República Checa e Rússia. Tem mais de 140 obras em coleções públicas e particulares. Participou das Residências Artísticas “Bordallianos Brasileiros”, na Faianças Bordallo Pinheiro (Caldas da Rainha, 2011), “Projecto Artistas Contemporâneos” na Porcelana Vista Alegre (Ílhavo, 2011), “Maus Hábitos” (Porto, 2012), “ID POOL” novamente na Porcelana Vista Alegre (Ílhavo, 2013), “Cerâmica Oficina da Formiga” (Ílhavo, 2013), “Cerâmica São Bernardo” (Alcobaça, 2014) e "HS13rc" (Lisboa, 2015), todas em Portugal; “Pensão Artística” (Rio de Janeiro, 2016) e “Horizontes Transitórios" (Sobral, CE, 2002). Integrou as Bienais: XXII Bienal de Cerâmica (Aveiro – Portugal, 2015), TRIO Bienal (Rio de Janeiro, Brasil , 2015), Bienal de Cerveira (Portugal, 2005) e Bienal de Cuenca (Equador, 1998). A produção artística recente do artista carioca Fábio Carvalho surgiu a partir de uma reflexão sobre os elementos que constituem as expectativas e as representações de gênero e sexualidade. Sua poética artística opera na superposição e no conflito entre os signos aceitos como masculinos e viris para grande parte da sociedade, e elementos tradicionalmente aceitos como do universo feminino, do delicado e sensível, em particular os padrões decorativos florais, as borboletas, a louça de porcelana, o bordado, as rendas, entre outras práticas normalmente consideradas femininas. As imagens usadas em seus trabalhos, via de regra, são apropriadas de publicações/objetos pré-existentes, uma vez que são estas as usadas para a construção do discurso hegemônico de gênero, e que já estão no imaginário da sociedade, e por isto, são incorporadas aos trabalhos, para serem questionadas e problematizadas. Inicialmente os trabalhos do artista giravam em torno de como desde a infância, mesmo que não intencionalmente, os padrões de comportamento tidos como “corretos” para cada gênero são ensinados através dos brinquedos dados às crianças, e pelas brincadeiras encorajadas ou permitidas para cada sexo, que desde muito cedo moldam uma divisão em dois blocos bem nítidos do que é


aceito como “masculino” e “feminino”. Depois de explorar o território da infância, Fábio Carvalho seguiu para o mundo adulto, onde os estereótipos de virilidade estão já bem consolidados: o militar/policial, o halterofilista, o operário braçal, o cowboy e o super-herói viril. Estamos vivendo tempos conturbados e retrógrados, onde a perseguição e censura aos comportamentos tidos como desviantes de um certo padrão conservador – aquele que cumpre com os estereótipos impostos por uma parcela antiquada de nossa sociedade, da “moral e bons costumes” – avança em marcha assustadora. Portanto, o artista entende como de grande importância, com sua produção artística, levantar um debate sobre questões de gênero, afetividade e sexualidade, e assim provocar a tradição ocidental patriarcal, e sua arraigada ideia de que há limites para o que constitui o gênero masculino. Em seus trabalhos, Fábio Carvalho procura apontar as fragilidades ocultas por trás da máscara de homem viril bruto, e fazer pensar sobre como ao homem não é permitido um espaço onde ele possa dar vazão às suas vulnerabilidades, sendo obrigado a ser sempre forte, viril, imbatível, vitorioso. Visa ainda questionar estereótipos de gênero e a noção geral de que força e delicadeza, virilidade e poesia, vulnerabilidade e masculinidade são qualidades humanas impossíveis de existir lado a lado. Com sua produção, quer lembrar que não existe uma forma “correta” de ser homem, que na diversidade e variedade de comportamento, gosto, atitude, há muito mais força e riqueza do que na monotonia de um único padrão.

Fábio Carvalho fabiocarvalho2105@gmail.com www.fabiocarvalho.art.br


CURRICULUM Exposições Individuais Recentes 2016 2015 2014 2013 2011

Invasão Monarca – Centro Cultural Paschoal Carlos Magno – Niterói – RJ Rejunte – IPN Museu Memorial – curadoria Marco Antonio Teobaldo – RJ – RJ Situação Delicada – Eixo Arte Contemporânea – curadoria Fábio Carvalho e Eixo Arte Contemporânea – RJ Portfólio de Ações – galeria Baroni – Bolsa do Rio – RJ – RJ Exército Monarca – Ocupação Temporária – Artur Fidalgo galeria – RJ Frequently Secretly – Artur Fidalgo galeria – RJ Bai Feliz Buando, no Bico dum Passarinho – galeria Dumaresq – Recife – PE Macho Toys – galeria Anna Maria Niemeyer – RJ

Bienais 2015

XXII Bienal de Cerâmica – curadoria Xohan Viqueira (Espanha) – Aveiro – Portugal (artista convidado) TRIO Bienal - Bienal Intl. Tridimensional do Rio – curadoria Marcus Lontra – Rio de Janeiro – RJ (artista convidado)

Exposições Coletivas Selecionadas Recentes 2018 2017 2016

2015

2014

Experiência B – Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea – curadoria Ricardo Resende – RJ – RJ Almofadinhas – curadoria Ricardo Resende – SESC Paladium – BH – MG Palavra Líquida – curadoria equipe da Gerência de Cultura do Sesc – SESC Tijuca – RJ – RJ Bordallianos do Brasil – curadoria Elsa Rebello – Museu da Misericórdia do Porto – galeria dos Benfeitores – Porto – Portugal Pensão Artística – IPN Museu Memorial – curadoria Marco Antonio Teobaldo – RJ – RJ Recortes – Furnarte BH – curadoria João Paulo Tiago – BH – MG Caleidoscópio – curadoria Maykson Cardoso – XXX Fuori Festival – org. Tommaso Pedone – Palazzo Mazzolari Mosca – Pesaro – Itália Interculturalidades 2015 | Trans Bordar Mentes – curadoria Raimundo Rodriguez e Pierre Crapez – galeria de arte UFF – Niterói – RJ O Padrão Irregular – curadoria Daniela Zurita, Isabel Gómez e Rui Luís – galeria FBAUL – Lisboa – Portugal Acaso / Descaso – curadoria Cristiane Herres e Maria Manuel Dominguez – galeria FBAUL – Lisboa – Portugal Prometheus Fecit – curadoria Maria de Fátima Lambert – galeria NovaOgiva – Óbidos – Portugal Diálogos – curadoria Ana Calçada e Maria de Fátima Lambert – Museu Municipal de Óbidos – Óbidos – Portugal Diálogo entre dos épocas – curadoria Rossna Orlandi – Museu Nacional de Artes Decorativas – Madrid – Espanha Cerâmica! – Galeria de Arte Solar – curadoria Osvaldo Carvalho – RJ – RJ Papel de Seda – curadoria Marco Antonio Teobaldo – IPN Museu Memorial – RJ – RJ Prometheus Fecit – curadoria Fátima Lambert – Museu Nacional de Soares dos Reis – Porto – Portugal Bordallianos do Brasil – curadoria Elsa Rebelo – Casa Roque Gameiro – Amadora – Portugal


2013

2012

2011

O Processo Criativo – Fábio Carvalho, Fernando de La Rocque e Rosana Palazyan – Artur Fidalgo galeria – RJ – RJ Como Refazer o Mundo – curadoria Divino Sobral – Luiz Fernando Landeiro Arte Contemporânea – Salvador – BA III FIVA Festival Internacional de Videoarte – curadoria Clara Garavelli (Argentina), Laura Baigorri (España) e Carlos Trilnick (Argentina) – Biblioteca Nacional – Buenos Aires – Argentina. Bordallianos do Brasil – curadoria Elsa Rebello – Fundação Caloute Gulbenkian – Lisboa – Portugal ArtZond Festival 2013 – Secret and Evident – curadoria Svetlana Nezabudkina – São Petersburgo – Rússia Bordallianos do Brasil – curadoria Elsa Rebello – Consulado de Portugal em São Paulo – SP Camp! – Arte e Diferença – curadoria Marcelo Campos – galeria Candido Portinari – UERJ – RJ – RJ Bordallianos do Brasil – curadoria Elsa Rebello – Oi Futuro Flamengo – RJ – RJ Diversos – curadoria Gabriela Rangel – Galeria do Centro de Artes e Convenções da UFOP – Ouro Preto – MG Futebol Arte – curadoria Marcus Lontra – Galeria Parque das Ruínas – RJ – RJ Bordallianos do Brasil – curadoria Elsa Rebello – Museu de Artes e Ofícios – BH – MG 21st Century QPU! n° 4 – For Your Art gallery – curadoria Darin Klein e Suzanne Wright – Los Angeles – CA – EUA Anna Maria Niemeyer – Um Caminho – Paço Imperial – curadoria – Lauro Cavalcanti – RJ – RJ Panorama.Terra – curadoria Alexandre Murucci – galeria Antonio Berni, Consulado da Argentina – Rio de Janeiro – RJ Até o Diabo Esfrega o Olho – curadoria Israel Guarda – Corrente d' Arte – Lisboa – Portugal Afinidades (a escolha do artista) – curadoria Fábio Carvalho – CAZA Arte Contemporânea – RJ – RJ DROP–D – curadoria David Rosado – Re–searcher – Lisboa – Portugal Jogos de Guerra (com Rosana Palazyan) – curadoria Daniela Name – Caixa Cultural – RJ

Residências Artísticas 2018 2016 2015 2014 2013

- Residência Artística CASA B – Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea – Rio de Janeiro – RJ - Residência Pensão Artística – Rio de Janeiro – RJ - Residência Artística HS13rc – Lisboa – Portugal - Cerâmica Contemporânea – PP&A São Bernardo Ceramics – Alcobaça – Portugal - Oficina da Formiga – Ílhavo – Portugal

2012 2011

- ID Pool – Porcelana Vista Alegre – Ílhavo – Portugal - Maus Hábitos – Centro de Intervenção Cultural Maus Hábitos, Porto – Portugal - Bordallianos Brasileiros – Fábrica de Faiança Bordallo Pinheiro – Caldas da Rainha – Portugal - Projecto Artistas Contemporâneos –Porcelana Vista Alegre – Ílhavo – Portugal

Intervenções Urbanas 2016 2015

Ocupação Monarca II – Lisboa – Portugal Ocupação Olympia – Gamboa – Rio de Janeiro – Brasil Ocupação Monarca – Lisboa – Portugal Ocupação Monarca – Rio de Janeiro – Brasil

2014

Aposto – Lisboa – Portugal Migração Monarca – Lisboa – Portugal


MUSEU BISPO DO ROSÁRIO ARTE CONTEMPORÂNEA – mBrac Diretora Geral Raquel Fernandes Curador Ricardo Resende Assistente de Curadoria Diana Kolker

Fábio Carvalho fabiocarvalho2105@gmail.com www.fabiocarvalho.art.br


Profile for Fábio Carvalho

Reflexão incompleta e precária sobre meu tempo na Residência Artística CASA B  

Reflexão incompleta e precária sobre meu tempo na Residência Artística CASA B, e a exposição "Experiência B", no Museu Bispo do Rosário Arte...

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