2. Tomada de notas no próprio texto Por vezes eventos dependem de informações que só podemos ter acesso por via da leitura. De que maneira preparamos nossas intervenções e participação? De que materiais nos socorremos nesses casos? A partir da leitura de um jornal, de uma revista, de um livro, etc., podem-se tomar notas que para preparar uma intervenção num debate, conferência, estudo, quer para organizar fichas, etc.
Passos de uma estratégia para a tomada de notas no próprio texto Leia o seguinte texto: Aprendizagem e Memória Desde o seu nível mais elementar que a memória está implicada em qualquer fenómeno de aprendizagem. Aliás, a simples definição da aprendizagem como uma modificação sistemática da conduta, isto é, uma mudança que se traduz num hábito, numa reacção habitual, pressupõe já necessariamente a memória como condição de conservação da resposta aprendida. A memória é uma função biológica e psicológica absolutamente indispensável. Todo o ser vivo, em maior ou menor escala, faz uma experiência, que é o percurso de toda uma vida. O que é ter experiência senão estar apetrechado com aquisições anteriormente feitas, não estar em branco em face das situações que se deparam, ser capaz de tirar proveito do já feito, do já vivido? É pela memória que a pessoa adquire o sentimento da própria identidade. Com o efeito, a memória não é a simples conservação de algo que ocorreu no passado. A simples conservação do passado não é ainda memória, esta tem também uma função psicológica de integração pela qual o que aconteceu no passado é referido ao sujeito: a memória é antes de mais o reconhecimento das experiências passadas como elemento, como parte da vida do sujeito. Se eu não tivesse a capacidade de sentir e viver como minhas, como fazendo parte do meu património pessoal tudo o que já vivi, a ideia de mim mesmo seria extraordinariamente pobre e fragmentária. Quer seria cada um de nós se fosse amputado de toda a experiência passada, do já sido, já vivido? É por isso que a memória é uma função essencial para a continuidade da vida individual ou colectiva. E isso implica que o hábito enquanto conduta aprendida e que se realiza sem esforço e quase sem darmos por isso não tenha o simples sentido negativo de rotina, de algo caduco ou de um automatismo psíquico, mas que ele tenha também um sentido positivo de potencial, de riqueza do passado cujo efeito se mantém no presente. O importante não é lutar contra os hábitos, mas impedir a sua cristalização, utilizá-los para aquilo que mais podem contribuir: libertar energias que podem ser utilizadas criadoramente. Assistimos na actualidade a uma desclassificação da memória. Esta é entendida como o contrário da inovação, da criatividade, da imaginação criadora. Esta reacção contra a memória é, em grande medida, justa, pois visa ultrapassar a identidade momorizar-aprender. Aprendizagem pressupõe a memória, mas é mais que isso: produção do novo, construção de algo nunca visto ou feito antes. Aprender não é simplesmente memorizar. Mas isso não significa que a memória se oponha à inovação, à criação nos seus diferentes domínios e aspectos. Muito pelo contrário, a memória é um instrumento muito importante do progresso. Também aqui é válido o provérbio de que o saber não ocupa lugar, isto é, de que o saber anterior não dificulta a aquisição de novos saberes. Quantas vezes não sentimos a falta de bases de noções ou de experiências prévias que facilitariam a aprendizagem presente? Quantas vezes o fracasso, o insucesso escolar e na vida não é o resultado de falhas na aprendizagem e na experiência em certas fases da vida! Cardoso, A., Fróis, A.: Fachada A - Rumos da Psicologia(10°/11°-2v.) Lisboa, 1989(adaptado) 7