3. Organização discursiva Pode-se deduzir que no plano discursivo, os textos explicativos-expositivos constituemseá de segmentos expositivos que alternam discursivamente com segmentos explicativos. Expositivos correspondem à sucessão de informações que têm por finalidade “fazer saber” e “fazer conhecer”; enquanto que os explicativos, visam “fazer compreender” o “porque?” e o “como” de um processo ou de uma relação. Devido ao seu carácter didáctico-informativo, o texto expositivo-explicativo é também suportado por segmentos metadiscursivos. Estes segmentos são assim designados pelo facto de o sujeito servir-se deles para marcar explicitamente uma articulação no discurso, sempre que pretender, dentre outras intenções: • Anunciar o que vai ser dito (em seguida, iremos analisar…); • Resumir o que se disse (como acabámos de referir…); • Antecipar o que vai ser dito (enunciação de títulos, subtítulos, numeração, etc.) ; • Focar o que é dito (mudanças tipográficas, sublinhados, negrito, etc.).
CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS Qualquer tipologia textual reger-se-á por princípios linguísticos que a caracteriza e distingue das demais tipologias. No caso vertente, o texto expositivo-explicativo apresenta geralmente uma linguagem objectiva, clara e simples. Este tipo de texto articula os factos constitutivos do acontecimento ou do problema, ligando-os a outros factores de causa, finalidade, consequência; introduz nexos lógicos entre factos e elementos justapostos; mostra relações entre factos, acções, intenções; numa abordagem lógica, cronológica, sequencial, funcional. É tendo em vista a harmonização destes aspectos todos que o texto se compõe essencialmente de três categorias de enunciados: 1. Enunciados expositivos – que se caracterizam pela ausência de marcas gramaticais da primeira e segunda pessoas, cuja intenção é não fazer transparecer a presença do sujeito; pelo uso do presente e do pretérito perfeito do indicativo e pelo recurso à forma passiva; Por vezes, também ocorrem enunciados descritivos que, por se situarem numa perspectiva histórica, se apresentam no pretérito perfeito simples ou composto, ou no pretérito imperfeito do indicativo; 2. Enunciados explicativos – que são caracterizados pela construção de detalhe, visando facilitar a compreensão do fenómeno ou do contexto recorrendo, por isso, a comparações e reformulações parafrásticas como (à semelhança de...; tal como...; isto é…; quer dizer…; ou seja…). São igualmente caracterizados pelo uso de asserções afirmativas ou negativas; Quando o sujeito antecipa as hipóteses que poderiam ser formuladas pelo receptor, ou quando relembra certas explicações anteriores, mas segundo ele inaceitáveis, é frequente a ocorrência do condicional; 3. Enunciados “balizas” – permitem que o enunciador comente o desenrolar dos acontecimentos. São caracterizados pelo uso dos pronomes (nós…se…); por fórmulas de imperativo (observemos…!; analisemos…!); por verbos no futuro (começaremos por…); pelo uso de deíticos temporais (primeiro…, segundo…, agora…, finalmente…). Também é frequente, na passagem de uma etapa para outra, assinalar-se de forma redundante: por um recordar do que foi dito (depois de termos…); ou por um anunciar do que vai ser desenvolvido (propomo-nos agora …). 23