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New York… New York… 10 anos depois.
F
oi assim que, há 10 anos, desabafei. Fi-lo, incontidamente, num impulso de dor e de revolta, colada ao ecrã de uma televisão que eu queria, por força que mais não fosse do que ficção.
“O olhar vago meio perdido, meio suspenso, espera que me confirmem que a monstruosidade a que acabei de assistir é ficção. A minha Nova Iorque fora desfigurada…?! A MINHA Nova Iorque. Uma espessa esfera de fogo, brutal, aterradora, sugava impiedosamente as torres World Trade! E durante minutos intermináveis assim permaneci, gelada, incapaz de perturbar o pavor que se apoderara do mundo…
C’est Noël, c’est Noël
Recuo no tempo… e como se de um filme se tratasse, passam por mim imagens de então, com uma Nova Iorque inteira, senhora de todas as raças, dona de todos os credos, acolhendo, imponente e orgulhosa, um qualquer imigrante que nela queira viver e prosperar… (foi, afinal, um destes teus filhos que te traiu! Foi, afinal, um destes teus filhos: aprendeu contigo, recolheu o saber da tua cultura, absorveu o progresso a que nos habituaste e – num segundo diabólico – destruiu parte do teu coração!). Por duas vezes subi aquelas torres. Por duas vezes bebi, extasiada, a vista indizível que se colhia delas… Era um pairar no espaço – um sonho voado para além do finito; a vida, as gentes, os movimentos da cidade que pulsava, chegavam lá acima, a centenas e centenas de metros de altura, como que diluídos, envoltos numa serenidade mágica…
C’EST NOËL Mets tes bottes Père Noël
Lágrimas, lágrimas que vão traçando o rio da minha dor; nele, vogam imagens tecidas de fogo e de esperança: o fogo da paixão por esta cidade única e da raiva de quem ousou desfigurá-la; a esperança de que este povo, tão pátria, tão si próprio, vá sacudir de vez o seu terror, erguer de novo o seu sorriso e – orgulhoso – de novo elevará umas quaisquer “twin towers”, sejam elas de betão-eaço ou de sentido-de-pátria que esta gente possui como ninguém. E neste turbilhão de incredulidade pásmica em que me encontro, relembro todos aqueles que, numa manhã doirada de Setembro, serenos e em sossego, foram colhidos cobardemente por um qualquer ente demoníaco em nome de um Deus que, seguramente, lhes não deu esse direito.” Manuela Almeida
de couleurs et de lumières…
Entre chez moi,
mets ton manteau,
de jouets pour le matin!
Viens prier!
et ton col de laine!
Ainsi tous vont savoir
J’ai un Petit Jésus sur ses pailles couché: Il sourit et nous attend étirant ses potelés bras pour nous embrasser! C’est Noël, c’est Noël!
Va sur toutes les plaines! Sur les toits des plus petits remplir de joie et de lumière surtout les plus démunis. Vas-y allumer le sapin d’un espoir qui étincelle
qu’Il est déjà né, cet Enfant spécial … et qu’un doux matin la fête de Sa naissance vient juste pour remplir. le Monde d’Espérance. (Anonyme)
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