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HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR NO PROCESSO DE CURA

ARQUITETURA E CURA EVLYN DALMASO DE OLIVEIRA


UNIVERSIDADE VILA VELHA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

EVLYN DALMASO DE OLIVEIRA

ARQUITETURA & CURA HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR NO PROCESSO DE CURA

VILA VELHA 2014


EVLYN DALMASO DE OLIVEIRA

ARQUITETURA & CURA HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR NO PROCESSO DE CURA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Graduação

em

Arquitetura

e

Urbanismo

da

Universidade de Vila Velha, como requisito parcial para obtenção de Grau em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Profª. Edna Mara Pires Gumz.

VILA VELHA 2014


EVLYN DALMASO DE OLIVEIRA

ARQUITETURA & CURA HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR NO PROCESSO DE CURA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção de Grau em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovado em _____ de _______________ de 2014.

COMISSÃO EXAMINADORA

_________________________________________ Profª Edna Mara Pires Gumz Universidade Vila Velha – Orientadora

_________________________________________ Profª Ana Dieuzeide Santos Souza Universidade Vila Velha – Examinador interno

_________________________________________ Joszilene Teodoro de Jesus Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves – Examinador externo


Aos meus grandes amores, meus pais, Creuza e S茅rgio. Ao meu av么, Jandi, que transformou meu sonho em realidade.


AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, minha base, que sempre me encorajaram e ajudaram durante esta trajetória. Vivenciando cada etapa alcançada ao meu lado. À toda minha família e amigos, pelo apoio, incentivo e carinho. Principalmente aos meus avós, Olga e Jandi, que acreditaram no meu sonho e contribuíram para a minha evolução pessoal e profissional. À minha orientadora, Edna Mara Pires Gumz, pela dedicação e por compartilhar seus conhecimentos. Aos professores e colegas de curso, que colaboraram com o amadurecimento dos meus conhecimentos.

Agradeço a Deus, por ter me iluminado no momento da escolha da minha profissão e por ter me guiado ao longo do curso.


ARQUITETURA & CURA HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR NO PROCESSO DE CURA

RESUMO

Visto que o Brasil enfrenta uma crise no setor da saúde, devido aos avanços tecnológicos juntamente à carência de recursos e o descaso com as condições dos ambientes hospitalares que influenciam diretamente no processo de cura dos

usuários,

o

presente

trabalho

tem

como

objetivo

analisar

o

desenvolvimento da arquitetura hospitalar e entender como promover a humanização nessas edificações, colaborando com o desenvolvimento de uma estrutura adequada e com o processo terapêutico dos pacientes. Para o melhor entendimento e aproximação com o tema abordado, a pesquisa foi divida em etapas que consistem: na contextualização histórica e nos estudos de casos com a análise de ambientes e decisões arquitetônicas adotadas em projeto no que diz respeito à humanização. O resultado obtido foi um projeto de humanização em um Estabelecimento Assistencial de Saúde existente Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves, com o foco na aplicação dos conceitos de humanização e limitando-se às áreas externas e acessos do hospital em função da impossibilidade ao acesso do projeto e dependências internas para o levantamento da situação existente.

Palavras-chave: Arquitetura hospitalar; Humanização; Infantil; Áreas externas.


ARCHITECTURE & CURE HUMANIZATION OF HOSPITAL ARCHITECTURE IN THE HEALING PROCESS

ABSTRACT

As Brazil faces a crisis in the health sector, avid to technological advances coupled with the lack of resources and the neglect with the conditions of hospital environments that directly influence the healing process of the users, the present work aims to analyze the development hospital architecture and understand how to promote humanization in these buildings, collaborating with the development of a suitable structure and the therapeutic process of patients. For better understanding and approach to the issue addressed, the research was divided into stages which consist of: the historical context and case studies analyzing environments and architectural decisions made in the design with respect to humanization. The result was a project of humanization in a health care establishment existing - Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves, with a focus on applying the concepts of humanization and limited to external areas and accesses the hospital due to the impossibility of the project and internal dependencies to survey of the existing situation.

Keywords: Hospital architecture; Humanization; Child; External areas.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1: O descaso com a importância do ambiente hospitalar. ..................... 18 Figura 2: Templo de Asclepios na Grécia, séc. IV a.C. (a) planta; (b) corte; (c) croqui. .............................................................................................................. 23 Figura 3: Reconstrução de um modelo de Valetudinária Militar Romana. ........ 23 Figura 4: Planta baixa do Mosteiro de Maulbronn com partido em Nave, Alemanha, 1147. .............................................................................................. 24 Figura 5: (a) Planta baixa cruciforme, do Ospedale Maggiore, Itália, 1456. (b) Uma vista da edificação. .................................................................................. 25 Figura 6: Projetos para reforma e reconstrução do Hôtel Dieu de Paris: à esquerda, projeto de Poyet (1786) e à direita, projeto de Leroy (1777-1786). . 26 Figura 7: Hospital Royal Naval, um modelo pavilhonar de hospital, Inglaterra. 27 Figura 8: Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, com tipologia vertical. . 27 Figura 9: Espaço de interação para os pacientes, utilizado para prática de exercícios físicos e promove o contato com elementos da natureza, no Hospital da Rede Sarah de Fortaleza. ........................................................................... 28 Figura 10: Evolução das formas hospitalares................................................... 29 Figura 11: Os corredores de um hospital transformados em enfermaria. ........ 30 Figura 12: Recepção do Instituto de Próstata, Hospital Oswaldo Cruz. ........... 31 Figura 13: Bistrô localizado em um dos edifícios do complexo hospitalar HCor. ......................................................................................................................... 32 Figura 14: Croqui de ventilação e iluminação, através de sheds, utilizados nos hospitais da Rede SARAH. .............................................................................. 33 Figura 15: Solário do hospital da Rede SARAH de Belo Horizonte. ................. 33 Figura 16: Play-ground, hospital da Rede SARAH de Brasília - Lago Norte. ... 34 Figura 17: O jardim do Chicago Children's Hospital. ........................................ 37 Figura 18: Inovações de relacionamento em hospitais considerados centros de referência. ........................................................................................................ 38 Figura 19: Implantação do hospital SARAH no Rio de Janeiro. ....................... 42 Figura 20: Dimensionamento de uma sala de atendimento individualizado. .... 43 Figura 21: Perspectiva do estudo de dimensionamento. .................................. 43 Figura 22: Sala de tomografia do Hospital Municipal Jesus, Rio de Janeiro. ... 45


Figura 23: A combinação da luz natural e artificial foi um recurso utilizado para destacar os objetos na sala de estar do Kettering Medical Center, Estados Unidos. ............................................................................................................. 46 Figura 24: Saguão do Hospital HCor, São Paulo. ............................................ 47 Figura 25: Sala da suíte vip do Hospital Oswaldo Cruz, São Paulo. ................ 47 Figura 26: Área de espera com fonte de água no Greenville Memorial Hospital. ......................................................................................................................... 48 Figura 27: Sala de espera do Hospital Albert Eistein, São Paulo. .................... 49 Figura 28: Características dos jardins terapêuticos. ......................................... 50 Figura 29: Jardins externos do Nemours Children’s Hospital, Orlando, Estados Unidos. ............................................................................................................. 51 Figura 30: Terraços jardins do Nemours Children’s Hospital, Orlando, Estados Unidos. ............................................................................................................. 51 Figura 31: Fachada principal do Phoenix Children’s Hospital. ......................... 55 Figura 32: O complexo de Phoenix, sendo a edificação denominada como main building na imagem é o hospital pediátrico....................................................... 55 Figura 33: As luzes da fachada são acessas durante a noite para representar a flor do deserto que refloresce. .......................................................................... 56 Figura 34: Formas que compõe a volumetria da edificação hospitalar. ........... 56 Figura 35: Cada pavimento da torre apresenta esculturas e cores diferentes, para entreter as crianças. O terceiro pavimento apresenta a escultura de um cão. .................................................................................................................. 57 Figura 36: Diagrama da organização funcional do hospital. ............................. 58 Figura 37: (a) A planta baixa do pavimento térreo evidenciando a cafeteria. (b) O espaço da cafeteria, localizado no pavimento térreo, é composto pela utilização de cores vivas e iluminação artificial, além da diversidade de mobiliários. ....................................................................................................... 59 Figura 38:Vista geral do hall de entrada. .......................................................... 60 Figura 39:As salas de espera são compostas por vários ambientes diferentes entre si. ............................................................................................................ 60 Figura 40: (a) A planta baixa do terceiro pavimento evidenciando a área de estar ao ar livre. (b) O ambiente ao ar livre que possui vasos com vegetação e mobiliário para contemplação do visual e descanso. ....................................... 61


Figura 41: Acima, planta baixa com layout dos quartos de internação. Abaixo, uma vista do quarto de internação decorado. .................................................. 62 Figura 42: Vista do jardim de entrada através das janelas da edificação. ........ 63 Figura 43: Complexo do Hospital Sarah Kubitschek Brasília. .......................... 64 Figura 44: Unidade principal do complexo hospitalar, edifício de internação. .. 65 Figura 45: Croqui do sistema estrutural e viga Vierrendeel. ............................. 66 Figura 46: Jogo de volume da edificação hospitalar. ....................................... 66 Figura 47: Princípios relacionados à funcionalidade e estrutura: modulação do sistema construtivo. .......................................................................................... 67 Figura 48: Princípios relacionados à humanização e conforto: (a) portas pivotantes pintadas dando acesso à área externa, do artista plástico Athos Bulcão, 1989. (b) Recepção do ambulatório integrado ao extenso jardim. ...... 68 Figura 49: Distribuição dos setores em função das atividades. ....................... 69 Figura 50: (a) Planta baixa do pavimento subsolo 1 evidenciando a área de espera. (b) Área de espera humanizada, com painéis decorativos, jardim com iluminação natural e mobiliários coloridos. ....................................................... 70 Figura 51: (a) Planta baixa do pavimento térreo evidenciando a área de espera. (b) O croqui da área de espera humanizada com jardim com iluminação natural e mobiliários coloridos. ..................................................................................... 71 Figura 52: (a) Planta baixa do pavimento térreo evidenciando o ambulatório. (b) Os boxes de atendimento que compõe o ambulatório. .................................... 72 Figura 53: À esquerda, a maquete da enfermaria evidenciando a integração com a varanda e o jardim. À direita, a varanda das enfermarias com pacientes ao ar livre.......................................................................................................... 73 Figura 54: Obras de arte e mobiliários, do artista plástico Athos Bulcão, humanizado as áreas de espera nos pavimentos das enfermarias. ................. 73 Figura 55: Áreas verdes do hospital Sarah Kubitschek Brasília. ...................... 74 Figura 56: Croqui do sistema do ar condicionado embutido na laje. ................ 75 Figura 57: Elementos que permitem a iluminação e ventilação natural nos ambientes. (a) Aberturas provenientes da viga Vierrendeel nas enfermarias. (b) Os sheds utilizados em outros ambientes. ....................................................... 76 Figura 58: Mudanças na proposta dos sheds: (a) proposta inicial; (b) sobreposição das propostas, nova proposta em vermelho; (c) situação atual dos sheds. ........................................................................................................ 76


Figura 59: Localização do hospital: (a) mapa do Espírito Santo situando o município de Vila Velha, (b) mapa do município de Vila Velha destacando o bairro Soteco, (c) mapa do trecho da Avenida Ministro Salgado Filho evidenciando o hospital. ................................................................................... 79 Figura 60: Mapa do zoneamento urbano do bairro Soteco, destacando o local do hospital. ....................................................................................................... 79 Figura 61: Infraestrutura do local: à esquerda, fluxo da Avenida Ministro Salgado Filho e à direita, ponto de ônibus localizado ao lado do hospital. ...... 80 Figura 62: Elemento atrativo do bairro, o Centro Esportivo Garoto. ................. 81 Figura 63: Equipamentos educacionais instalados na Avenida, o IFES e a Escola Cândido Marinho. ................................................................................. 81 Figura 64: Figura síntese da área de intervenção. ........................................... 82 Figura 65: Implantação e setorização da edificação hospitalar: (1) recepção social, (2) administração, (3) diagnóstico e imagem, (4) ambulatório, (5) centro cardiológico, (6) laboratório, (7) UTI neonatal e UTIP, (8) emergência, (9) pronto socorro, (10) banco de leite humano, (11) centro cirúrgico, (12) pediatria, (13) maternidade e (14) manutenção e serviço. ............................................... 83 Figura 66: Elementos variados que compõe o revestimento da edificação hospitalar. ......................................................................................................... 85 Figura 67: Entrada do hospital: A - atual situação; B - a proposta de revitalização para o espaço. ............................................................................. 86 Figura 68: Acesso à emergência: A - atual situação; B - a proposta para o espaço. ............................................................................................................. 87 Figura 69: Acesso ao pronto socorro: A - atual situação; B - a proposta para o espaço. ............................................................................................................. 88 Figura 70: Acesso ao pronto socorro: A - atual situação; B - a proposta para o espaço. ............................................................................................................. 89 Figura 71: Acesso ao banco de leite humano: A - atual situação; B - a proposta para o espaço................................................................................................... 90 Figura 72: Acesso à recepção principal: A - atual situação; B - a proposta para o espaço; C - a proposta de iluminação. .......................................................... 91 Figura 73: Acesso ao setor de diagnóstico e imagem: A - atual situação; B - a proposta para o espaço. ................................................................................... 92


Figura 74: Acesso ao ambulatório: A - atual situação; B - a proposta para o espaço. ............................................................................................................. 93 Figura 75: Acesso aos setores de centro cardiológico e laboratório: A - atual situação; B - a proposta para o espaço. ........................................................... 94 Figura 76: Acesso ao setor da UTI neonatal: A - atual situação; B - a proposta para o espaço................................................................................................... 95 Figura 77: Áreas verdes do terreno do hospital................................................ 96 Figura 78: Planta baixa do paisagismo do hospital: (1) jardim terapêutico – ala Pronto Socorro, (2) jardim terapêutico, (3) jardins, (4) espaço kids, (5) Centro de vivência, (6) Praça Vitória; (7) Praça Glória; (8) módulo de serviço; (9) horta. ......................................................................................................................... 97 Figura 79: Jardim terapêutico – ala pronto socorro: A - atual situação; B - a proposta do jardim com diversidade de vegetação e acesso para as pessoas.98 Figura 80: Jardim terapêutico: A - atual situação; B - a proposta do jardim com diversidade de materiais e vegetação. ............................................................. 99 Figura 81: Jardins: A - atual situação; B - a proposta do jardim como área de espera ao ar livre. ........................................................................................... 100 Figura 82: Espaço kids: A - atual situação; B - o ambiente proposto com diversidade de cores e formatos. ................................................................... 101 Figura 83: Espaço kids: A - atual situação; B - a área livre proposta para o espaço. ........................................................................................................... 102 Figura 84: Espaço kids: A - atual situação; B - o ambiente proposto com diversidade de cores e formatos. ................................................................... 103 Figura 85: Espaço kids: A - atual situação; B - o ambiente proposto com diversidade de cores e formatos. ................................................................... 104 Figura 86: Espaço kids: A - atual situação; B - a proposta para o espaço com jogo de caminhos compostos pela extensão do gramado e as ilhas de jardins. ....................................................................................................................... 105 Figura 87: Centro de vivência: A - atual situação; B - a proposta para o espaço de convívio dos usuários do local................................................................... 106 Figura 88: Centro de vivência: A - atual situação; B - o ambiente composto por jardins com vegetação diversas, mobiliários e o módulo da lanchonete. ....... 107 Figura 89: Centro de vivência: A - atual situação; B - o espaço não utilizado deu lugar a um jardim linear. ................................................................................. 108


Figura 90: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta para o espaço com caminhos moldados pelos jardins. ................................................................. 109 Figura 91: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta com áreas de estar. ....................................................................................................................... 110 Figura 92: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta com ambientes destinados à recreação das crianças. ............................................................ 111 Figura 93: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta com ambientes destinados à interação com os usuários. ....................................................... 112 Figura 94: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta para o espaço infantil. ............................................................................................................ 113 Figura 95: Praça Glória: A - atual situação; B - caminho proposto para ligação das praças. ..................................................................................................... 114 Figura 96: Praça Glória: A - atual situação; B - vista geral da Praça com os mobiliários e jardins. ....................................................................................... 115 Figura 97: Praça Glória: A - atual situação; B - o espaço de estar proposto para o local. ............................................................................................................ 116 Figura 98: Área de serviço: A - atual situação; B - o módulo destinado para os motoristas. ...................................................................................................... 117 Figura 99: A - proposta de uma horta para hospital com amplo espaço para o cultivo de diversos alimentos; B - proposta de área para o descanso dos funcionários. ................................................................................................... 118


LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

EAS – Estabelecimento Assistencial de Saúde EUA – Estados Unidos da América ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas RDC – Resolução Da Diretoria Colegiada NBR – Normas Brasileiras


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 16 1.1. JUSTIFICATIVA .................................................................................. 17 1.2. OBJETIVOS ........................................................................................ 19 1.2.1.

Objetivos gerais ............................................................................ 19

1.2.2.

Objetivos específicos .................................................................... 19

1.3. METODOLOGIA ................................................................................. 19 1.4. ORGANIZAÇÃO DO DOCUMENTO ................................................... 20 2. O HOSPITAL: HISTÓRICO E CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO ......... 21 2.1. ARQUITETURA HOSPITALAR ............................................................. 22 2.2. HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR ............................................................ 29 2.3. RELAÇÃO DO ARQUITETO COM O HOSPITAL ................................. 35 2.4. RELAÇÃO DO USUÁRIO E O ESPAÇO HOSPITALAR ....................... 36 3. O PROCESSO PROJETUAL PARA OS EAS ............................................. 39 3.1. IMPLANTAÇÃO .................................................................................. 40 3.2. DIMENSIONAMENTO DOS AMBIENTES E ACESSOS ..................... 42 3.3. OS ESPAÇOS INTERNOS E A HUMANIZAÇÃO DOS EAS .............. 44 3.4. RELAÇÃO INTERNO E EXTERNO .................................................... 50 3.5. CONDICIONANTES PROJETUAIS .................................................... 52 4. ESTUDOS DE CASOS ............................................................................... 53 4.1. PHOENIX CHILDREN’S HOSPITAL, EUA .......................................... 54 4.1.1.

O Partido ...................................................................................... 55

4.1.2.

Setorização ................................................................................... 57

4.1.3.

Paisagismo ................................................................................... 63

4.1.4.

Conforto Ambiental ....................................................................... 63

4.2. HOSPITAL SARAH KUBITSCHEK BRASÍLIA, BRASIL...................... 64 4.2.1.

O Partido ...................................................................................... 65

4.2.2.

Setorização ................................................................................... 68


4.2.3.

Paisagismo ................................................................................... 74

4.2.4.

Conforto Ambiental ....................................................................... 74

5. HOSPITAL ESTADUAL INFANTIL E MATERNIDADE DR ALZIR BERNADINO ALVES .................................................................................. 77 5.1. ÁREA DE INTERVENÇÃO.................................................................... 78 5.1.1.

Implantação .................................................................................. 83

5.2. PROJETO DE HUMANIZAÇÃO DA ENVOLTÓRIA E ACESSOS ...... 84 5.3. PROJETO PAISAGÍSTICO ................................................................. 95 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................... 119 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 122


INTRODUÇÃO

16


Cap. 1 – Introdução

17

A arquitetura pode ser capaz de mudar a vida das pessoas, pois promove sensações diferenciadas entre os elementos que compõe um espaço e as pessoas que os utilizam, isso devido à capacidade humana de se envolver com os ambientes e das experiências oferecidas pelo local. Tendo em vista este desenvolvimento humano com o espaço arquitetônico tem-se absorvido o termo “humanização” entendida "como valor, na medida em que resgata o respeito à vida humana. Abrange circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo relacionamento humano” (MEZZOMO apud HOREVICZ; CUNTO, 2007, p.17). A arquitetura tem passado por transformações ao longo do tempo e o mesmo acontece com a arquitetura hospitalar, que se tem destacando por aplicar o conceito de humanização, priorizando o bem-estar dos pacientes. Esta pesquisa aborda como os aspectos da arquitetura de uma edificação hospitalar devem ser aplicados para auxiliar na melhoria das condições físicas e psicológicas dos usuários, ou seja, como a arquitetura pode promover a humanização dos EAS?

1.1.

JUSTIFICATIVA

Observa-se que vários fatores contribuem para a crise da saúde no Brasil, como a deficiência de infraestrutura, escassez de materiais e medicamentos e a carência dos recursos humanos e outros. Nesse sentido, Madeiro (2013) ressalta:

As condições das estruturas físicas das Unidades Básicas de Saúde e dos hospitais são lastimáveis, pois as mesmas se encontram sem manutenção preventiva e/ou corretiva, funcionando muitas vezes em prédios improvisados e inadequados, com instalações elétricas, sanitárias e hidráulicas precárias, pondo inclusive em risco de morte, aqueles que lá frequentam.


Cap. 1 – Introdução

18

A condição dos hospitais brasileiros foi descrita, em 1995, na capa da revista VEJA (Figura 1), que apresentou um paciente flutuando na UTI, tipificando a linha tênue entre a vida e a morte em função do descaso com as condições do ambiente hospitalar para o processo de cura. Figura 1: O descaso com a importância do ambiente hospitalar.

Fonte: Acervo digital da revista Veja, 1995.

Por conta da precariedade da saúde pública, a população recorre aos convênios para um melhor atendimento, mas não é o que acontece segundo estatísticas, comprovando que “nos últimos 11 anos, o número de pessoas com acesso a um plano de saúde cresceu quase 65%, mas os muitos hospitais particulares não investem na infraestrutura para atender essa demanda [...].” (CARRIÃO, 2012). Tendo em vista que a arquitetura pode influenciar na vida das pessoas, buscou-se aliar esta ferramenta às condições de melhorias nos Estabelecimentos Assistenciais de

Saúde,

visando

mitigar os efeitos


Cap. 1 – Introdução

19

psicológicos que a precariedade em tais espaços acarreta nos tratamentos terapêuticos. 1.2.

OBJETIVOS

1.2.1. Objetivos gerais Propor um espaço com função de promover, não só, a cura física com a ajuda do tratamento psicológico dos pacientes, bem como as condições de trabalho dos demais usuários, com ambientes de qualidade e com foco no ser humano.

1.2.2. Objetivos específicos Fizeram-se necessárias pesquisas específicas, reunindo ações determinantes para a efetivação da proposta, tais como:

1. Analisar a origem e o desenvolvimento da arquitetura até aqui desenvolvida para EAS; 2. Definir os aspectos necessários para a humanização nos hospitais; 3. Caracterizar os usuários; 4. Analisar casos semelhantes para definição das diretrizes projetuais; 5. Analisar o efeito das decisões arquitetônicas no dia a dia das pessoas.

1.3.

METODOLOGIA

Para alcançar os objetivos mencionados buscou-se primeiramente maior aproximação com o tema através de: 1. Levantamento bibliográfico - Abrangendo o histórico da arquitetura hospitalar, conceitos da arquitetura hospitalar humanizada, as diretrizes a serem seguidas e as condicionantes encontradas para a realização do programa de necessidades. Através de livros, publicações em periódicos, dissertações, artigos publicados e outros.


Cap. 1 – Introdução

20

2. Estudo de Caso - Em busca de conceitos e ideias já aplicadas para o aproveitamento das lições aprendidas e mesmo que de forma indireta os resultados de pós-ocupação. 3. Caracterização do processo projetual para os EAS - Apresentando a compilação de leis e Normas que auxiliam e condicionam a elaboração de projetos para EAS.

A partir do referencial teórico, construído pelo cruzamento das informações obtidas nas etapas anteriores, buscou-se definir as diretrizes para o projeto de humanização dos acessos e área externa do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves. O desenvolvimento do projeto deu-se de forma investigativa, a partir de imagens externas, análise do comportamento dos usuários, fluxos e acessos utilizados, tratamento do paisagismo e atividades já efetivadas, por meio de visitas ao local, levantamento fotográfico e tomada de medidas conhecidas para subsídio do desenho no software REVIT – AUTODESK. Esta metodologia foi adotada em função da limitação a visita técnica no interior do estabelecimento e prazos determinados para o desenvolvimento e finalização do trabalho acadêmico.

1.4.

ORGANIZAÇÃO DO DOCUMENTO

Os capítulos do trabalho foram organizados conforme as etapas do desenvolvimento: a introdução contém a justificativa, os objetivos e a metodologia da pesquisa; o Capítulo 2 compreende a pesquisa bibliográfica e conceitual; a listagem das condicionantes e das diretrizes de projeto compõe o Capítulo 3; o Capítulo 4 apresenta estudos de hospitais humanizados. O Capítulo 5 apresenta as intervenções e decisões arquitetônicas conforme a metodologia proposta. Em seguida, o Capítulo 6 com as considerações finais.


O HOSPITAL: HISTÓRICO E CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

22

“A palavra hospital vem do latim hospitalis, adjetivo derivado de hospes (hóspede, estrangeiro, viajante, conviva). Por extensão, o que dá agasalho, o que hospeda” (GÓES, 2011, p.25). De acordo com o Ministério da Saúde, hospital é:

Parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas em saúde, bem como de encaminhamento de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente (BRASÍLIA, 1977, p.11).

2.1. ARQUITETURA HOSPITALAR Segundo Toledo (2004, p.93), “no período que se estende da Antiguidade à Idade Média, a assistência aos enfermos era prestada em caráter oficial por sacerdotes das ordens religiosas ou por leigos que praticavam uma medicina popular [...]”. Conforme Boing (2003), no Império Grego havia construções específicas para o tratamento dos enfermos, onde os templos eram a tipologia arquitetônica predominante (Figura 2). Eram localizados em espaços com ambientes externos, pois a finalidade era o contato com a natureza para maior conforto dos pacientes e a base da cura estava ligada ao misticismo.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

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Figura 2: Templo de Asclepios na Grécia, séc. IV a.C. (a) planta; (b) corte; (c) croqui.

Fonte: LE MANDAT apud BOING, 2003, p.30.

Em Roma, durante o período de expansão do Império, foram criadas as Valetudinárias (Figura 3), enfermarias militares com a finalidade de tratar os soldados doentes. Essas edificações possuíam iluminação e ventilação natural, devido à ligação dos quartos com a área externa, o pátio central (HELDWEIN, 2004). Figura 3: Reconstrução de um modelo de Valetudinária Militar Romana.

Fonte: <www.lanbob.com/lanbob/H-Authors/HA-GreekRomanHp.htm>. Acessado em 25/05/2014.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

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No período da Idade Média, aconteceram aperfeiçoamentos e avanços na arquitetura das edificações em relação à organização dos ambientes, tais como a inserção da água como elemento de melhoria e higiene dos pacientes. Com partido em Nave (Figura 4), as construções possuíam vãos maiores que possibilitou melhores condições de ventilação e iluminação (LIMA, 2010). Figura 4: Planta baixa do Mosteiro de Maulbronn com partido em Nave, Alemanha, 1147.

Fonte: REGO, 2012, p.18.

As construções Renascentistas eram compostas por elemento cruciforme (Figura 5) com um pátio interno rodeado por corredores que permitiam melhor iluminação e ventilação nos ambientes hospitalares. Visconti citada por Boing (2003, p.29), afirma que “o hospital-pátio, e suas variações em cruz, “T”, “L” ou “U”, são assim formas hospitalares características da Renascença”.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

25

Figura 5: (a) Planta baixa cruciforme, do Ospedale Maggiore, Itália, 1456. (b) Uma vista da edificação.

(a)

(b) Fonte (a): <www.ub.edu/geocrit/aracne/aracne-123.htm>. Acessado em 25/05/2014. Fonte (b): < http://www.storiadimilano.it/repertori/pres_dalre/dalre0005.html>. Acessado em 25/05/2014.

É a partir do século XVIII que o hospital (Figura 6) se torna um instrumento de cura, devido à ampliação dos conhecimentos e ao reconhecimento da doença como um fator anormal. (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). Nesse sentido Foucault, ressalta que:

O hospital como instrumento terapêutico é uma invenção relativamente nova, que data do final do século XVIII. A consciência de que o hospital pode e deve ser um instrumento destinado a curar aparece claramente em torno de 1780 e é assinalada por uma nova prática: a visita e a observação sistemática e comparada dos hospitais (FOUCAULT, 1984, p. 99).


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

26

Figura 6: Projetos para reforma e reconstrução do Hôtel Dieu de Paris: à esquerda, projeto de Poyet (1786) e à direita, projeto de Leroy (1777-1786).

Fonte: TOLEDO, 2008, p.76.

O autor ainda destaca que “antes do século XVlII, o hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de separação e exclusão” (FOUCAULT, 1984, p.101). No século XIX, foi implantado o conceito da arquitetura hospitalar pavilionar (Figura 7) que priorizou o conforto ambiental e a salubridade das edificações, proporcionando relação com os ambientes externos e facilitando nas circulações internas (LIMA, 2010).

A partir do século XIX, a arquitetura hospitalar, assim como a prisional, é caracterizada pelo surgimento de layouts de viés racionalistas que transpõem para o espaço os detalhados programas funcionais produzidos no final do século anterior (TOLEDO, 2002, p. 13).


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

27

Figura 7: Hospital Royal Naval, um modelo pavilhonar de hospital, Inglaterra.

Fonte: LIMA, 2010, p.33.

O modelo de arquitetura pavilionar continuou sendo desenvolvido até o inicio do século XX. Devido às exigências, principalmente do crescimento das cidades e alto custo de implantação desta tipologia, houve a necessidade de compactação e verticalização das edificações (Figura 8). Nesse período, “devido à maior confiança da população nos estabelecimentos de saúde e à evolução dos processos de tratamento, cresce significativamente o número de hospitais em todo o mundo” (CAVALCANTI, 2002, p.37). Figura 8: Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, com tipologia vertical.

Fonte: BOING, 2003, p.73.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

28

Sobre a evolução hospitalar, Boing (2003, p.76) ressalta que “no final do século XX e início do século XXI, um grande e intenso debate sobre a humanização dos hospitais foi iniciado”. O modelo de assistência humanizada e a atenção voltada para o paciente se tornaram pontos centrais nos hospitais. Desenvolvese assim, maior valorização dos espaços criados (Figura 9), dos detalhes arquitetônicos e destaque para a relação das áreas internas com as externas, tendo a finalidade de melhorar o ambiente, tornando-o aconchegante e familiar. Figura 9: Espaço de interação para os pacientes, utilizado para prática de exercícios físicos e promove o contato com elementos da natureza, no Hospital da Rede Sarah de Fortaleza.

Fonte: <www.sarah.br/Cvisual/Sarah/>. Acessado em 25/05/2014.

A Figura 10, apresenta a evolução das formas das edificações hospitalares de acordo com os períodos e estilos arquitetônicos, resultantes do progresso da sociedade, mudanças políticas, novas descobertas na área da saúde e dos avanços tecnológicos.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

29

Figura 10: Evolução das formas hospitalares.

Fonte: MIQUELIN apud VASCONCELOS, 2004, p.177.

2.2. HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR

Segundo Ciaco (2010, p.65) a Humanização é “um conceito tão utilizado e veiculado na área arquitetônica, consciente ou inconscientemente, porém de difícil definição”. Sobre a definição de humanização hospitalar e a importância da relação entre os profissionais da saúde e os arquitetos, Toledo (2008, p.116) defende que:

A humanização da atenção à saúde poderá reverter esse processo, desde que a medicina e a arquitetura hospitalar se unam em torno de um novo paradigma, voltado para a promoção da saúde e para o conforto físico e psicológico do paciente, elevado à condição de sujeito do processo terapêutico [...].


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

30

Uma das primeiras iniciativas de humanização hospitalar pode ser considerada consequência da evolução do hospital em instrumento terapêutico, fato ocorrido no século XVIII, e a partir de medidas onde se buscava conforto e segurança aos pacientes (TOLEDO, 2008). Ao descrever a evolução funcional do hospital, no final do século XVIII, Foucault afirma: “A arquitetura do hospital deve ser fator e instrumento de cura. O hospital exclusão, onde se rejeitam os doentes para a morte, não deve mais existir” (FOUCAULT, 1979, p. 108-109). Contudo, os EAS são relacionados à locais de doenças e sentimentos negativos, devido à crise que tomou conta dos hospitais brasileiros por muitos anos, sendo possível ver o descaso com a população, conforme a Figura 11. Figura 11: Os corredores de um hospital transformados em enfermaria.

Fonte: TOLEDO, 2008, p. 51.

Cabe ressaltar que esse quadro está se modificando através da promoção da humanização nesses espaços, proporcionando ambientes de acolhimento e de aproximação dos pacientes e usuários com o hospital, minimizando os sentimentos de angústia, minimizando o stress por conta da permanência no hospital e facilitando a recuperação de pessoas debilitadas fisicamente ou emocionalmente (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010).


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

31

O conceito de humanização do atendimento tem sido largamente aplicado nos mais recentes projetos em arquitetura da saúde, representando o desdobramento de um novo enfoque, centrado no usuário, que passa a ser entendido de forma holística, como parte de um contexto, e não mais como um conjunto de sintomas e patologias a serem estudadas pelas especialidades médicas (FONTES, 2004, p.59).

A humanização hospitalar abrange, não só a qualificação dos espaços internos, mas também, a inserção arquitetônica no ambiente urbano, levando em consideração edificação,

aspectos

importantes,

dimensionamentos,

como

fluxos,

localização,

conforto

orientação

ambiental,

da

tecnologia,

acessibilidade, entre outros. Além do conhecimento das características dos usuários e suas atividades exercidas no hospital. Por isso, deve haver harmonia entre esses aspectos, para interação das pessoas com o edifício e os ambientes projetados. Sobre os ambientes projetados (Figura 12 e 13), Costeira (2004, p.88) afirma que devem-se “promover ambientes que remetam a sentimentos de paz, esperança, reflexão, conexão espiritual, relaxamento, humor e conforto, livres de fatores ambientais estressantes, como ruído e falta de privacidade”. Figura 12: Recepção do Instituto de Próstata, Hospital Oswaldo Cruz.

Fonte: <www.hospitalalemao.org.br/hospital/tour_virtual_ portugues/htmls/complexo_hosp.html>. Acessado em 01/04/2014.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

32

Figura 13: Bistrô localizado em um dos edifícios do complexo hospitalar HCor.

Fonte: <www.hcor.com.br/tour_virtual_hcor/index.html>. Acessado em 01/04/2014.

O objetivo da humanização em ambientes hospitalares é a promoção da cura e do cuidado, colaborando com o processo terapêutico dos pacientes e contribuição de melhorias na qualidade dos serviços prestados pelos profissionais. Com propósitos de estimulação dos sentidos, promover o contato com áreas externas à edificação hospitalar e com elementos artísticos e decorativos, disponibilizados de modo que interaja com os usuários. Na aplicação do processo de humanização destaca-se a Rede Sarah Kubitschek, idealizada pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, e o médico Aloyzio Campos da Paz. A relação entre Lelé e o programa hospitalar se fortificou devido a um acidente de automóvel com sua esposa, levando-o também a conhecer o médico, e a partir de então, compartilharam conhecimentos e passaram a trabalhar juntos. Considerados referências nacionais no contexto de humanização hospitalar, os hospitais da Rede Sarah Kubitschek, projetados por Lelé, são dedicados à reabilitação e tratamentos de casos de neurorreabilitação e neuropsicologia, apresentando aspectos arquitetônicos individuais que promovem melhorias no processo de cura dos pacientes, tornando os ambientes mais humanos. É possível identificar, na concepção das edificações da Rede Sarah, a preocupação com o programa composto por princípios de flexibilidade da


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

33

construção e das instalações, espaços verdes, modulação dos elementos de construção, acessibilidade e iluminação e conforto térmico dos ambientes. Dentre as características destas edificações, podem-se destacar o uso de sheds (Figura 14), para promover a iluminação e ventilação natural, e a criação de solários (Figura 15) e jardins. Figura 14: Croqui de ventilação e iluminação, através de sheds, utilizados nos hospitais da Rede SARAH.

Fonte: LATORRACA, 2000. Figura 15: Solário do hospital da Rede SARAH de Belo Horizonte.

Fonte:<www.sarah.br/Cvisual/Sarah/>. Acessado em 01/04/2014.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

34

Os hospitais apresentam elementos com finalidade de garantir o bem estar, principalmente, dos pacientes, tais como a utilização de terraços jardins como complementação

terapêutica,

elementos

de

decoração,

ambientes

humanizados para atividades dos pacientes com play-grounds (Figura 16), piscinas

e

a

interdisciplinaridade

no

processo

terapêutico.

Essa

interdisciplinaridade acontece por intemédio da EquiPhos, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Equipamentos Hospitalares, que visa a criação e o aprimoramento de equipamentos e aparelhos locomotores (LATORRACA, 2000).

Figura 16: Play-ground, hospital da Rede SARAH de Brasília - Lago Norte.

Fonte:<www.sarah.br/Cvisual/Sarah/>. Acessado em 01/04/2014.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

35

Lelé, em sua modéstia, credita o mérito das propostas inovadoras que adotou nos seus projetos hospitalares não só à oportunidade que teve de acompanhar o funcionamento das unidades que projetou ao longo de mais de trinta anos na Rede SARAH, mas também ao próprio modelo de atuação interdisciplinar adotado pela Rede em seus procedimentos (TOLEDO, 2005, p.8).

2.3. RELAÇÃO DO ARQUITETO COM O HOSPITAL

Sobre a relação do arquiteto com o projeto arquitetônico de um EAS a ser concebido, Costeira (2004, p.79) afirma que:

Cabe ao arquiteto empreender esforços, com os demais profissionais da área, para encontrar respostas aos desafios que se apresentam especialmente no que se diz respeito ao planejamento e à aplicação de novas tecnologias que atendam à implantação e construção de ambientes para o exercício de atividades de assistência à saúde, incorporando conceitos de prevenção e promoção da saúde, flexibilizando projetos e sistemas construtivos e, especialmente, tendo como princípios a humanização desses espaços e a sua inserção no ambiente geográfico, cultural e de desenvolvimento tecnológico de sua implantação.

Todo

espaço

ocupado

pelo

ser

humano,

independente

das

ações

desenvolvidas, é analisado subjetivamente de acordo com as sensações transmitidas pelo ambiente, através da tipologia construtiva e o conjunto da composição decorativa. Para projetar um ambiente humanizado, além de promover espaços familiares e confortáveis, é preciso ter o conhecimento técnico dos elementos de composição do espaço, entender as diferentes sensações transmitidas para os usuários fragilizados e motivar a recuperação positiva dos pacientes (VASCONCELOS, 2004). Desta forma, o arquiteto deve levar em consideração, ao projetar um EAS, as análises subjetivas dos pacientes, a funcionalidade dos ambientes, os procedimentos e práticas desenvolvidas pelo corpo médico e


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

36

demais funcionários, as necessidades da infraestrutura, o perfil da edificação e promover a relação dessas exigências com o conhecimento técnico, absorvido durante a formação do profissional, criatividade e aplicação das leis e normas que regem esses estabelecimentos, resultando em um projeto bem sucedido que seja humanizado e funcional. Esse resultado será otimizado se houver a integração dos profissionais da saúde e o arquiteto.

2.4. RELAÇÃO DO USUÁRIO E O ESPAÇO HOSPITALAR

A humanização focada no paciente tem o objetivo de transmitir sentimento de aconchego e ternura, além de compreender a história, os valores e as crenças de cada um, sendo assim, o cuidado e a atenção deve estar voltada para o paciente fragilizado e em seguida, a doença. A respeito da importância do utente1, a pessoa que usufrui desse ambiente, na criação de espaços humanizados nos ambientes hospitalares, Ciaco (2010, p.43) afirma que: [...] É de fundamental importância entender-se que um dos elementos mais importantes de todo o conjunto é o utente e que tudo que se objetiva fazer em relação à qualidade do atendimento, da arquitetura, de recursos de segurança etc., é voltado para utente. Ele tem que ser o foco principal da análise: qualquer argumento analítico que o deixe de lado, será inócuo e em nada contribuirá para uma discussão consequente sobre a qualidade aos ambientes.

No que se refere à relação do paciente com os ambientes hospitalares, Góes (2011, p.192) descreve que “o próprio paciente tem consciência da necessidade de que, além da cura e do tratamento da sua saúde, a instituição deve oferecer também a segurança, o conforto e o bem-estar para ele, sua família e seus visitantes”.

1

Utente significa aquele que usa ou desfruta alguma coisa.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

37

O significado de humanização para os pacientes, também, se traduz com gestos de educação, respeito e solidariedade, havendo uma relação mais próxima entre o profissional da saúde e o paciente (BACKES; FILHO; LUNARDI, 2005). A reportagem Uma arquitetura que salva criança (ISTOÉ, 2013), apresenta um estudo feito nos Estados Unidos onde o resultado revelou que os espaços projetados possuem grande influência na recuperação dos pacientes e ameniza o stress da família. Por isso, várias instituições de saúde voltadas à pediatria têm investido na inovação e humanização desses espaços (Figura 17), além de contar com inovações que aproximam o relacionamento de todos os profissionais da equipe hospitalar e o ambiente hospitalar com o paciente e sua família, conforme a Figura 18 (OLIVEIRA, 2013).

Figura 17: O jardim do Chicago Children's Hospital.

Fonte: Revista ISTOÉ, 2013.


Cap. 2 – O Hospital: Histórico e Contextualização do espaço

38

Figura 18: Inovações de relacionamento em hospitais considerados centros de referência.

Fonte: Revista ISTOÉ, 2013.


O PROCESSO PROJETUAL PARA OS EAS


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

40

Mediante ao complexo programa de necessidade de um EAS, é necessário analisar, durante o processo projetual, os aspectos que interferem

na

qualidade e na funcionalidade dos espaços criados e fundamentais na viabilização do projeto, por isso a importância de estabecer as diretrizes e avaliar as condicionantes projetuais (CARVALHO, 2002). A compreensão do significado do hospital ao longo dos anos e a importância da promoção da humanização em EAS foram fundamentais para o estabelecimento das diretrizes projetuais, podendo ser entendidas como instruções e critérios traçados para atender às necessidades de uma edificação que será construída, norteando aspectos de dimensionamento, espacialidade e conforto. Já as condicionantes projetuais, são fatores que influenciam na concepção de um projeto arquitetônico, podendo ser fatores climáticos, sociais, legislação, entre outros.

3.1.

IMPLANTAÇÃO

A respeito das fases de um projeto hospitalar, Maciel (2003) ressalta que “a realização de um projeto de arquitetura, como qualquer outro trabalho, tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser atendido, há um lugar em que se implantará o edifício, e há um modo de construir a ser determinado”. Durante o processo projetual, na escolha do sítio, é necessário analisar alguns dados pré-existentes do local, como os fatores climáticos, a topografia e geografia do terreno, as visuais, os acessos, as ocupações das áreas vizinhas, os parâmetros da legislação e a infraestrutura urbana. Esses dados são necessários, primeiramente, para o início dos procedimentos do projeto e depois, para os estudos necessários para a implantação da edificação, influenciando diretamente na setorização dos ambientes e compatibilidade entre a construção e o terreno (MACIEL, 2003). Segundo Ciaco (2010), para a implantação de edificações hospitalares, devem ser considerados aspectos importantes para o desenvolvimento do projeto


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

41

arquitetônico, visando um bom planejamento e o sucesso do estabelecimento, tais como: 

Análise dos dados do terreno, dados pré-existentes adquiridos por meio de visitas no local e na prefeitura da Cidade;

Setorização, que se diz respeito a distribuição espacial dos ambientes por meio de fluxogramas;

Acessos planejados de forma a atender planejamento cuidadoso da quantidade e localização, para maior controle da entrada e saída dos usuários e funcionários;

Fluxos compostos por diferentes tipos e exigências, devem estar previstos no programa de necessidades de acordo com as leis que regem a organização do espaço;

Possibilidade de futuras ampliações;

Volumetria consolidando a funcionalidade, estética e tecnologia para atender as necessidades dos usuários e se harmonizar com o entorno;

Estrutura que permita a flexibilidade dos espaços projetados, devido à evolução tecnológica e dos procedimentos médicos.

Em relação às considerações destes aspectos na implantação de edifícios destinados ao funcionamento de hospitais pode-se mencionar os Hospitais da Rede Sarah (Figura 19) projetados pelo arquiteto Lelé, que conseguem unir as necessidades funcionais com as questões de conforto e estética (MEDEIROS; SEREJO; CARMO FILHO, 2010).


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

42

Figura 19: Implantação do hospital SARAH no Rio de Janeiro.

Fonte:<www.sarah.br/Cvisual/Sarah/>. Acessado em 01/05/2014.

3.2.

DIMENSIONAMENTO DOS AMBIENTES E ACESSOS

Com a definição da setorização das atividades propostas, dos acessos e fluxos de acordo com o programa de necessidades e as leis que regem os EAS, é possível dimensionar os ambientes que irão compor o edifício. Sobre a importância do dimensionamento, Maciel (2003) afirma:

A definição da ambiência de um espaço de permanência ou de um percurso e a demarcação de seu caráter público ou privado são diretamente determinados pelas suas dimensões. Portanto o dimensionamento é fundamental, em primeira instância, para um domínio das demandas de espaço a que correspondem às diversas atividades e, em segunda instância, para a definição de hierarquias e demarcação de diferenciações claras entre os espaços de naturezas distintas.

Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 1995, p.43), “ambiente é entendido como espaço fisicamente determinado e especializado para o desenvolvimento


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

43

de determinada(s) atividade(s), caracterizado por dimensões e instalações diferenciadas”. Para o dimensionamento dos ambientes de cada setor hospitalar é necessário, primeiramente, entender a função, quantidade de pessoas que utilizarão o espaço e os mobiliários básicos, para então considerar a intensidade dos fluxos, a proximidade entre os ambientes complementares e diferenciar os acessos restritos, com objetivo de promover um bom funcionamento das atividades no edifício (TOLEDO, 2002), conforme as Figuras 20 e 21. Figura 20: Dimensionamento de uma sala de atendimento individualizado.

Fonte: BRASIL, 2011.

Figura 21: Perspectiva do estudo de dimensionamento.

Fonte: Revista Ambiente Hospitalar, 2012.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

44

Além do dimensionamento dos ambientes, é necessário o dimensionamento dos acessos, circulações verticais e horizontas e estacionamento. O dimensionamento dos acessos está diretamente relacionado com o tipo de circulação, podendo ser de pessoas e/ou materiais, as circulações horizontais e verticais dependem da quantidade de usuários e das normas que regem os estabelecimentos, e os estacionamentos estão associados ao número de usuários e serviços prestados (BRASIL, 1995). Ao final dessa etapa é possível acompanhar o estudo de massa da edificação hospitalar e o desenvolvimento da volumetria final, surgindo então o partido arquitetônico do EAS, resultado da funcionalidade com as intenções estéticas do arquiteto (TOLEDO, 2002).

3.3.

OS ESPAÇOS INTERNOS E A HUMANIZAÇÃO DOS EAS

A humanização hospitalar em ambientes internos visa à criação de espaços que transmitam o bem estar físico e emocional para os usuários, focando no conforto e na otimização dos processos de produção de saúde. Porém, é necessário avaliar a combinação de três fatores importantes para alcançar a melhor solução para esses ambientes: a função do ambiente, os materiais que podem ser utilizados e o conforto visual proporcionado para os usuários através

da

composição

dos

materiais

e

mobiliários

dos

ambientes

(BJORNGAARD, 2010). Alguns elementos podem promover a interação dos usuários com os ambientes, sendo os principais: cor, luz, textura, som e aroma. 

Cor

Quanto à relação entre a cor e a luz, Martins (2004, p.65) ressalta que “a luz determina a cor, isto é, qualquer luz natural ou artificial que cai sobre uma superfície colorida afeta sua aparência, já que esta cor não existe por si própria, mas como resultado da excitação do olho.” A cor é utilizada em ambientes com a finalidade de promover os sentimentos de alegria e aconchego e apresentam grande influência nos aspectos


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

45

psicológicos dos seres humanos. Portanto, antes da aplicação é necessário analisar estudos científicos para saber quais são os efeitos das cores nos usuários dos ambientes (BJORNGAARD, 2010). A respeito de influência das cores nos usuários, pode-se destacar que as cores quentes, como o vermelho, aceleram os batimentos cardíacos e a respiração, e as

cores

frias,

como

o

azul,

promove

o

relaxamento

do

corpo

(VASCONCELOS, 2004). A sala de tomografia do Hospital Municipal Jesus (Figura 22) utiliza cores e formas, que remetem ao fundo do mar, para interação do paciente com o espaço e diminuição da ansiedade das crianças.

Figura 22: Sala de tomografia do Hospital Municipal Jesus, Rio de Janeiro.

Fonte:<www.coolruja.nu/?p=8381>. Acessado em 01/05/2014.

Luz

A luz é um dos fatores mais importantes para a promoção do conforto e qualidade nos ambientes hospitalares, as fontes de luz podem ser natural,


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

46

proveniente do sol, e artificial, proveniente das luminárias (Figura 23). Proporcionar o bem estar físico e psicológico dos usuários, garantir conforto térmico e percepção do tempo, são alguns dos benefícios provenientes da iluminação natural. Sendo assim, durante o processo projetual é necessário analisar os tipos e a intensidade da luz que será utilizada, considerando a função e as atividades realizadas nos ambientes (WEBER, 2013). Figura 23: A combinação da luz natural e artificial foi um recurso utilizado para destacar os objetos na sala de estar do Kettering Medical Center, Estados Unidos.

Fonte: <www.jainmalkin.com/flash_site/portfolio_ambulatorycare.html>. Acessado em 01/05/2014.

Textura

As diferentes texturas, utilizadas nos revestimentos e nos mobiliários, proporcionam o conforto aos usuários através da composição de cada elemento disposto no ambiente e esta sensação é descoberta pelo usuário por meio do contato com a pele.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

47

No saguão do Hospital HCor (Figura 24), houve a integração do uso da madeira – utilizada nos bancos, jardineiras e painéis,

com vegetações

diferenciados e a composição de materiais do piso, teto e parede, com a finalidade de um espaço relaxante, mitigando a monotomia e frieza das circulações convencionais dos edificios hospitalares. Figura 24: Saguão do Hospital HCor, São Paulo.

Fonte:<www.hcor.com.br/tour_virtual_hcor/index.html>. Acessado em 01/05/2014.

A sala da suíte vip, Figura 25, do Hospital Oswaldo Cruz, apresenta uma composição de texturas – madeira, couro, tecidos e tapete, criando um ambiente aconchegante remetendo a um espaço familiar. Figura 25: Sala da suíte vip do Hospital Oswaldo Cruz, São Paulo.

Fonte:<www.hospitalalemao.org.br/hospital/tour_virtual_ portugues/htmls/complexo_hosp.html>. Acessado em 01/05/2014.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

48

Som

Ambientes hospitalares que apresentam sons, quando agradáveis, promovem o relaxamento e diminuição da ansiedade dos pacientes, diferente dos ambientes com ruídos, que causam perigo à saúde de qualquer pessoa, causando irritação, nervosismo e provocando o mau humor. Para a minimização dos ruídos é necessário escolher materiais de revestimentos e mobiliários que não reflitam as ondas sonoras, como madeira e tecidos (BRASIL, 2010) Com a utilização de sons é possível criar ambientes que visam acalmar, estimular os sentidos dos usuários e até a redução da dor, através de músicas, tocando em ambientes de espera, e até mesmo com sons naturais, como o uso de fontes de água. Um dos hospitais que adotou esse método foi o Greenville Memorial Hospital, localizado nos Estados Unidos, implantando a fonte de água na área de espera (Figura 30).

Figura 26: Área de espera com fonte de água no Greenville Memorial Hospital.

Fonte:<www.l2designsinc.com/wordpress/healthcare/greenville-memorial-hospital/>. Acessado em 01/05/2014.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

49

Aroma

Os aromas presentes nos ambientes hospitalares podem agir de forma positiva ou negativa, influenciando e interferindo no bem estar das pessoas, portanto a utilização desse elemento deve ser trabalhada com cautela. Quando agradáveis, os aromas podem resgatar boas lembranças e reduzir o stress, mas, quando desagradáveis, podem estimular a ansiedade e provocar a aceleração da respiração (VASCONCELOS, 2004). Uma solução positiva pode ser o uso de arranjos de vegetações que proporcionam bons aromas, em salas de esperas, como no Hospital Albert Eistein em São Paulo (Figura 27).

Figura 27: Sala de espera do Hospital Albert Eistein, São Paulo.

Fonte: Fonte:<www.leviskyarquitetos.com.br/levisky/projetos.asp>. Acessado em 20/04/2014.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

3.4.

50

RELAÇÃO INTERNO E EXTERNO

A humanização hospitalar possibilita, não só a criação de espaços internos confortáveis e que melhor atendam aos usuários, mas também, o maior contato com o ar livre e vegetações através da relação entre os espaços internos e externos. Esses espaços promovem a interação dos sentidos humanos com a natureza, maior relaxamento, diminuição do stress e estimulam na recuperação dos pacientes, se tornando atraentes por ser em um cenário com diversidade de texturas e cores, ambientes propícios à socialização entre os pacientes e demais usuários e a prática de atividades físicas (DOBBERT, 2010). Alguns ambientes podem ser criados para fomentar a integração do espaço interno com externo tais como, jardins, terraços jardins, átrios e jardins terapêuticos. Neste sentido, Rodrigues (2009) apresenta na reportagem Os jardins terapêuticos, da Revista ISTOÉ, que instituições dos Estados Unidos voltadas para promoção da saúde estão utilizando cada vez mais esse recurso com função de acalmar e diminuir o tempo de internação dos pacientes (Figura 28).

Figura 28: Características dos jardins terapêuticos.

Fonte: Revista ISTOÉ, 2009.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

51

O Nemours Children’s Hospital, localizado em Orlando, apresenta ambientes que promovem a integração entre os ambientes internos e externos e o maior contato dos usuários com a vegetação, como jardins ao ar livre (Figura 29) e terraços jardins (Figura 30), ambos projetados como continuidade dos ambientes internos com função de recreação e diversão. Figura 29: Jardins externos do Nemours Children’s Hospital, Orlando, Estados Unidos.

Fonte:<www.stanleybeamansears.com/project/nemours_childrens_hospital/>. Acessado em 20/04/2014.

Figura 30: Terraços jardins do Nemours Children’s Hospital, Orlando, Estados Unidos.

Fonte:<www.stanleybeamansears.com/project/nemours_childrens_hospital/>. Acessado em 20/04/2014.


Cap. 3 – O Processo Projetual para os EAS

3.5.

52

CONDICIONANTES PROJETUAIS

As condicionantes projetuais apresentadas na pesquisa estão relacionadas à Legislação, que influenciam diretamente nas decisões a serem tomadas durante todo o processo de desenvolvimento do projeto. Portanto, além de conhecimento de normas e leis municipais – como Plano Diretor, Código de Obra, o zoneamento urbano e seus parâmetros, é necessário compreender as legislações que regem os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, para melhor funcionalidade das atividades a serem praticadas e a aprovação do projeto (CARVALHO, 2002; CIACO, 2010). O Quadro a seguir apresenta as principais legislações a serem cumpridas para a adequação das condições dos ambientes que compõe um EAS.

Quadro: Principais Legislações que regem os EAS.

LEGISLAÇÃO

NBR 9050

RDC 50

TÍTULO

Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.

RDC 307

RDC 63

RDC 306

Requisitos de Boas Práticas de Funcionamento para os Serviços de Saúde. Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.

ÓRGÃO RESP.

ANO DE PUBLICAÇÃO

ABNT

Criada na Dec. 80 2004 - última atualização

ANVISA

21/02/2002

ANVISA

14/11/2002

ANVISA

25/11/2011

ANVISA

07/12/2004

Fonte: Autor, 2014.

OBJETIVO

Estabelecer condições de acessibilidade universal em estabelecimentos e mobiliários, e maior autonomia para todas as pessoas. Prevenção dos riscos aos usuários e melhor organização e dimensionamento dos ambientes. Alterações necessárias para melhorias dos ambientes da Resolução RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002. Estabelecer boas práticas para melhor atendimento, segurança e conforto dos usuários. Preservação do meio ambiente e saúde dos usuários.


ESTUDOS DE CASOS


Cap. 4 – Estudos de Casos

54

Estudar casos de edificações hospitalares tem como finalidade analisar referências arquitetônicas para melhor entender os setores que o compõe, realizar análise crítica dos projetos - quanto aos aspectos de implantação, ambientes e acessos, interiores e relação das áreas internas e externas - e ainda, compreender os itens que promovem a humanização nesses espaços. Os

projetos

estudados

e

investigados

foram

escolhidos

por

serem

considerados estabelecimentos humanizados e referenciais na área da saúde, sendo o Phoenix Children’s Hospital, nos Estados Unidos, e o Hospital Sarah Kubitschek de Brasília, no Brasil.

4.1.

PHOENIX CHILDREN’S HOSPITAL, EUA

O Phoenix Children’s Hospital (Figura 31), é um hospital pediátrico, está localizado em Phoenix, no Arizona, Estados Unidos. Foi construído em 1983, desde então tem proporcionado cura e cuidados para as crianças e suas famílias, e a partir de 2010 houve a expansão do hospital, projetado por HKS Architects, para melhor atender a comunidade onde o complexo está inserido, sendo um dos maiores campus pediátricos no país. A expansão é composta por uma torre de onze andares, constituída por estrutura metálica, que proporcionou uma nova estética arquitetônica no local (Figura 32), além disso, a equipe melhorou o planejamento do campus (VINNITSKAYA, 2012).


Cap. 4 – Estudos de Casos

55

Figura 31: Fachada principal do Phoenix Children’s Hospital.

Fonte: Archdaily. Acessado em 20/04/2014. Figura 32: O complexo de Phoenix, sendo a edificação denominada como main building na imagem é o hospital pediátrico.

Fonte:<www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/our-campus/campusmap>. Acessado em 20/04/2014.

4.1.1. O Partido

O partido arquitetônico consistiu em criar um edifício com uma volumetria diferenciada das demais edificações que compõe o complexo, remetendo a “uma flor que desabrocha no deserto à noite”, a partir da utilização da iluminação que surge ao anoitecer (Figura 33) e de formas curvas e blocos geométricos, Figura 34 (IMAGES PUBLISHING, 2010).


Cap. 4 – Estudos de Casos

56

Figura 33: As luzes da fachada são acessas durante a noite para representar a flor do deserto que refloresce.

Fonte:<www.illumni.co/phoenix-childrens-hospital-expansion-by-hks-scott-oldner-lightingdesign/>. Acessado em 20/04/2014.

Figura 34: Formas que compõe a volumetria da edificação hospitalar.

Fonte:<www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/our-campus/virtualtour>. Acessado em 20/04/2014.

A principal característica do projeto é a humanização dos espaços, permitindo o conforto e descontração dos usuários, para melhor e mais rápido tornar o processo de cura dos pacientes. Para isso ser possível, foram trabalhados aspectos projetuais estratégicos, tais como o contato com o paisagismo do campus, a utilização da iluminação natural estratégica, ligação dos espaços internos e externos, áreas de relaxamento nas esperas e lobbies públicos e, principalmente, quartos com espaço para acomodar o paciente e sua família (IMAGES PUBLISHING, 2010).


Cap. 4 – Estudos de Casos

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Um dos aspectos projetuais trabalhados, foi a utilização de conjunto de ambientação singular em cada pavimento (Figura 35), composto por revestimentos com cores diversificadas, a iluminação e os objetos de decoração e artísticos utilizados se relacionam para a criação de espaços lúdicos, com a finalidade de entreter e instigar a curiosidade dos principais usuários, as crianças. Figura 35: Cada pavimento da torre apresenta esculturas e cores diferentes, para entreter as crianças. O terceiro pavimento apresenta a escultura de um cão.

Fonte: http://www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/ourcampus/virtualtour. Acessado em 20/04/2014.

4.1.2. Setorização

O programa hospitalar foi inserido na edificação de modo a favorecer a organização funcional e utilizar a melhor orientação dos ambientes, com o propósito de potencializar a luz do dia e minimizar o calor, pois devido à volumetria do partido arquitetônico os pavimentos mudam de formas (Figura 36).


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Figura 36: Diagrama da organização funcional do hospital.

Fonte: Site Archdaily. Acesso em 20/04/2014.

No pavimento subsolo estão inseridas as funções de cozinha, segurança, farmácia, registros médicos, entre outras funções onde o acesso é restrito. O pavimento térreo é composto por áreas públicas, como lobby, farmácia, cafeteria (Figura 37), e áreas privadas, como administrativo, consultórios e espaço de exames. As áreas públicas sempre apresentando revestimentos e mobiliários diversos que transmitem conforto e comodidade para os usuários.


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Figura 37: (a) A planta baixa do pavimento térreo evidenciando a cafeteria. (b) O espaço da cafeteria, localizado no pavimento térreo, é composto pela utilização de cores vivas e iluminação artificial, além da diversidade de mobiliários.

(a)

(b) Fonte (a): Site Archdaily. Acesso em 20/04/2014. Fonte (b): <www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/ourcampus/virtualtour>. Acessado em 20/04/2014.

O hall de entrada da edificação (Figura 38) apresenta um átrio composto por três andares com uma escultura suspensa com efeito da água caindo. A pele de vidro, presente no hall, permite a propagação da luz natural e visibilidade para o campus, criando uma relação entre os ambientes internos e externos (IMAGES PUBLISHING, 2010).


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Figura 38:Vista geral do hall de entrada.

Fonte: Site Archdaily. Acesso em 20/04/2014.

Os ambulatórios, que compreendem os consultórios médicos, salas de reabilitação, clínica de cardiologia, salas de espera (Figura 39) compõe o segundo pavimento. As salas de espera apresentam mobiliários infantis para descontrair as crianças e evitar a apreensão pelos procedimentos médicos.

Figura 39:As salas de espera são compostas por vários ambientes diferentes entre si.

Fonte:<www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/our-campus/virtualtour>. Acessado em 20/04/2014.


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No terceiro pavimento estão localizadas funções como área mecânica, neuro diagnóstico, farmácias, e também áreas de contemplação, espera e relaxamento como uma grande área de estar ao ar livre (Figura 40) para os pacientes, familiares e funcionários, composto por diferentes mobiliários.

Figura 40: (a) A planta baixa do terceiro pavimento evidenciando a área de estar ao ar livre. (b) O ambiente ao ar livre que possui vasos com vegetação e mobiliário para contemplação do visual e descanso.

(a)

(b) Fonte (a): Site Archdaily. Acesso em 20/04/2014. Fonte (b): <www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/ourcampus/virtualtour>. Acessado em 20/04/2014.

No quarto pavimento encontram-se o centro cirúrgico e as salas de espera para família. Do quinto ao décimo primeiro pavimento são compostos pelas áreas de suporte e os quartos de internação (Figura 41), apresentando uma área para a


Cap. 4 – Estudos de Casos

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família, evidenciando sua importância para o processo de cura dos pacientes, e a criação de um ambiente remetendo a um espaço familiar. Sendo que a partir do nono pavimento são reservados para futura ampliação. O hospital ainda conta com heliporto, localizado na cobertura da estrutura.

Figura 41: Acima, planta baixa com layout dos quartos de internação. Abaixo, uma vista do quarto de internação decorado.

Fonte:<www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/our-campus/virtualtour>. Acessado em 20/04/2014.


Cap. 4 – Estudos de Casos

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4.1.3. Paisagismo

Segundo os arquitetos da HKS (2012), o conceito principal do projeto é a integração da edificação com a paisagem local, formada por montanhas e deserto, permitindo visuais dos quartos dos pacientes e das áreas de espera e corredores através de janelas e pele de vidro (Figura 42). Figura 42: Vista do jardim de entrada através das janelas da edificação.

Fonte: <www.phoenixchildrens.org/media/our-campus#overlay=media/our-campus/virtualtour>. Acessado em 20/04/2014.

4.1.4. Conforto Ambiental

A edificação foi projetada conforme a insolação da região para o melhor aproveitamento da luz do dia e criação de espaços ao ar livre, como a área de estar ao ar livre, que permitisse maior conforto para os pacientes e funcionários que irão utilizar. Em relação à sustentabilidade, o edifício hospitalar apresenta soluções para recuperação do calor para economia de energia, reutilização de água e utilização de produtos reciclados (HKS INC, 2012).


Cap. 4 – Estudos de Casos

4.2.

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HOSPITAL SARAH KUBITSCHEK BRASÍLIA, BRASIL

O hospital Sarah Kubitschek Brasília é um centro gratuito de reabilitação e tratamentos de doenças do aparelho locomotor, gerido por uma entidade privada e sem fins lucrativos, a Associação das Pioneiras Sociais, e mantida pelo Governo Federal. A construção da unidade hospitalar, finalizada em 1980, marcou a história da medicina e da arquitetura brasileira por originar a Rede Sarah e promover o início dos projetos hospitalares idealizados pelo arquiteto Lelé junto à rede. O complexo hospitalar (Figura 43) está localizado na área central de Brasília e além a unidade principal (Figura 44), é composto por um auditório, unidade de Serviço de Apoio e uma passarela de ligação entre as unidades (ALVES, 2011). Figura 43: Complexo do Hospital Sarah Kubitschek Brasília.

Fonte:<www.sarah.br/Cvisual/Sarah/>. Acessado em 15/07/2014.


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Figura 44: Unidade principal do complexo hospitalar, edifício de internação.

Fonte: LATORRACA, 2000, p. 125.

4.2.1. O Partido

Em razão da localização e das dimensões do terreno, considerado relativamente pequeno em relação aos demais terrenos dos hospitais da Rede Sarah, a edificação hospitalar apresenta anatomia vertical, embora seja uma volumetria visualmente horizontal (VASCONCELOS, 2004). Uma das características do hospital é estimular o contato dos pacientes com as áreas externas, e a solução para tornar essa proximidade possível em consequência da verticalização foi a adoção do sistema estrutural viga tipo Vierrendeel (Figura 45). A disposição desse sistema possibilitou a criação de ambientes espaçosos, jardins para as enfermarias e jogo de volume para a edificação, Figura 46 (LATORRACA, 2000).


Cap. 4 – Estudos de Casos

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Figura 45: Croqui do sistema estrutural e viga Vierrendeel.

Fonte: LATORRACA, 2000, p. 128.

Figura 46: Jogo de volume da edificação hospitalar.

Fonte:<www.arquitetablog.blogspot.com.br/2011/06/joao-filgueiras-lima-lele.html>. Acessado em 15/07/2014.

A principal característica do projeto hospitalar, elaborado por Lelé, é a reunião e harmonia dos princípios relacionados, tanto à funcionalidade e estrutura (Figura 47), quanto à humanização e conforto (Figura 48). Tais como (LATORRACA, 2000):


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Flexibilidade: utilização de um sistema construtivo que permita futuras ampliações sem comprometer as circulações internas;

Padronização: havendo padronização dos elementos construtivos, como elementos de vedação e acabamento, a fim de facilitar a manutenção e alteração dos ambientes e modulação do sistema construtivo com modulação de 1,15m;

Sheds: um dos sistemas utilizados para garantir iluminação e ventilação natural;

Áreas verdes: criação de área verdes, com função de contribuir para os tratamentos dos pacientes, integrado aos ambientes;

Coletividade: opção pelas enfermarias coletivas garantindo atendimento igual para todos os pacientes;

Obras de arte: início da parceria com o artista plástico brasileiro Athos Bulcão, utilização de um conjunto de elementos composto por mobiliários e painéis decorativos com áreas vazadas e enfatizando as cores. Figura 47: Princípios relacionados à funcionalidade e estrutura: modulação do sistema construtivo.

Fonte: LATORRACA, 2000, p.128.


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Figura 48: Princípios relacionados à humanização e conforto: (a) portas pivotantes pintadas dando acesso à área externa, do artista plástico Athos Bulcão, 1989. (b) Recepção do ambulatório integrado ao extenso jardim.

(a)

(b) Fonte (a): <www.fundathos.org.br/abreGaleria.php?idgal=76>. Acessado em 15/07/2014. Fonte (b): LATORRACA, 2000, p.130.

4.2.2. Setorização

A concepção do edifício é resultante dos princípios associados à funcionalidade e humanização e, principalmente, da organização espacial, composta pelo conjunto de funções e seus diferentes fluxos. A edificação hospitalar apresenta a circulação diferenciando os fluxos, médicos e pacientes, e o agrupamento das atividades estabelecidas em cada setor, possuindo atividades constantes como consultas, cirurgias, internação, fisioterapia e pesquisa (MACHRY,2010).


Cap. 4 – Estudos de Casos

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Conforme o diagrama de organização espacial, Figura 49, é possível compreender a distribuição dos setores. As funções de serviços técnico, cor amarelo, e serviços gerais, cor azul, estão localizadas respectivamente nos pavimentos de subsolo 1 e subsolo 2. No pavimento térreo, cor vermelho, encontra-se o ambulatório. Nos pavimentos escalonados, representados pelas cores roxo e verde, está localizada a atividade de internação (ROCHA, 2011). Figura 49: Distribuição dos setores em função das atividades.

Fonte:< www.usp.br/fau/disciplinas/tfg/tfg_online/tr/072/a004.html>. Acessado em 15/07/2014.

No pavimento subsolo 1 estão inseridas as atividades administrativas, serviços, internação e diagnóstico. Contando ainda, com centro cirúrgico, raio X e centro de estudos e pesquisa. Na sala de espera da radiologia (Figura 50), Lelé reuniu elementos como iluminação natural por meio de sheds, jardins, painéis de azulejos coloridos de Athos Bulcão e mobiliários, em busca de um ambiente de qualidade e humanizado que transmita conforto e sentimentos positivos aos usuários.


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Figura 50: (a) Planta baixa do pavimento subsolo 1 evidenciando a área de espera. (b) Área de espera humanizada, com painéis decorativos, jardim com iluminação natural e mobiliários coloridos.

(a)

(b) Fonte (a): LATORRACA, 2000, p.127. Fonte (b): <www.fundathos.org.br/abreGaleria.php?idgal=76>. Acessado em 15/07/2014.

As atividades ambulatoriais, técnicas e administrativas e espaços verdes se localizam no pavimento térreo. Além da incidência da iluminação natural, da inserção de cores e arte do Athos Bulcão e da promoção do contato com o verde por meio de extensos jardins, o ambiente destinado à espera do ambulatório (Figura 51) é composto por mobiliários coloridos, onde cada cor é associada a um setor de atendimento, facilitando a organização do espaço e definição dos fluxos.


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No que diz respeito ao princípio de flexibilidade dos espaços, o ambulatório é composto por vários boxes (Figura 52), favorecendo possíveis mudanças de layout. Figura 51: (a) Planta baixa do pavimento térreo evidenciando a área de espera. (b) O croqui da área de espera humanizada com jardim com iluminação natural e mobiliários coloridos. (c) Os painéis decorativos que compõe os elementos de decoração.

(a)

(b)

(c) Fonte (a),(b): LATORRACA, 2000, p.127. Fonte (c): <www.fundathos.org.br/abreGaleria.php?idgal=76>. Acessado em 15/07/2014.


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Figura 52: (a) Planta baixa do pavimento térreo evidenciando o ambulatório. (b) Os boxes de atendimento que compõe o ambulatório.

(a)

(b) Fonte: LATORRACA, 2000, p.127-131.

Na torre, o primeiro ao quinto pavimento são destinados às atividades de internação e complementares, já no sexto pavimento encontra-se a residência médica. As enfermarias (Figura 53) são coletivas, buscando promover o contato com os outros pacientes e atendimento igual a todos, recebem iluminação e ventilação natural proporcionando conforto e um ambiente acolhedor e são integradas a varandas com jardins, onde é possível o contato com o exterior, banho de sol e realização de atividades.


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As obras de arte (Figura 54), do Athos, também estão dispostas pelos pavimentos de enfermaria, criando espaços coloridos e de descontração dos usuários. Figura 53: À esquerda, a maquete da enfermaria evidenciando a integração com a varanda e o jardim. À direita, a varanda das enfermarias com pacientes ao ar livre.

Fonte: LATORRACA, 2000, p.129.

Figura 54: Obras de arte e mobiliários, do artista plástico Athos Bulcão, humanizado as áreas de espera nos pavimentos das enfermarias.

Fonte: <www.fundathos.org.br/abreGaleria.php?idgal=76>. Acessado em 15/07/2014.


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4.2.3. Paisagismo

A criação de espaços verdes é um dos elementos marcantes que compõe o projeto na busca por uma arquitetura humanizada. Atuando como tratamento terapêutico, sua finalidade é promover o contato dos usuários com a vegetação, propiciar exercícios ao ar livre e estimular positivamente no processo de recuperação dos pacientes (VASCONCELOS, 2004). Além da integração dos ambientes com jardins, como nas áreas de espera e o jardim das enfermarias, a edificação é envolvida por uma massa de vegetação (Figura 55) também utilizada para reabilitação dos pacientes. Figura 55: Áreas verdes do hospital Sarah Kubitschek Brasília.

Fonte: <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.064/423>. Acessado em 15/07/2014.

4.2.4. Conforto Ambiental

O edifício foi projetado conforme o clima de Brasília e segundo Lelé não seria justificável o uso de ventilação artificial em todos os setores, sistema de ar condicionado (Figura 56), pois acarretaria um aumento no custo da obra e nas futuras manutenções. Portanto a adoção deste sistema restringiu-se para os ambientes do centro cirúrgico, salas de raio X e auditório (ALVES, 2011).


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Figura 56: Croqui do sistema do ar condicionado embutido na laje.

Fonte: LATORRACA, 2000, p. 128.

Os demais ambientes recebem iluminação e ventilação natural, criando ambientes mais acolhedores, através de elementos (Figura 57) como as aberturas das fachadas compostas pela viga Vierrendeel e de sheds, empregados a partir do escalonamento da edificação. Houve mudanças nos desenhos e nos materiais dos sheds (Figura 58), os sheds propostos seriam curvos e produzidos de ferro-cimento – argamassa armada, porém não era um material muito utilizado na época, por isso foram executados sheds de faces retas de concreto leve. Entretanto, houve falhas na execução que gerou problemas de infiltração e para não gerar mais gastos, a solução foi encapar as estruturas com uma capa metálica (ROCHA, 2011).


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Figura 57: Elementos que permitem a iluminação e ventilação natural nos ambientes. (a) Aberturas provenientes da viga Vierrendeel nas enfermarias. (b) Os sheds utilizados em outros ambientes.

(a)

(b) Fonte (a):< www.usp.br/fau/disciplinas/tfg/tfg_online/tr/072/a004.html>. Acessado em 15/07/2014. Fonte (b): <www.sarah.br/Cvisual/Sarah/>. Acessado em 15/07/2014. Figura 58: Mudanças na proposta dos sheds: (a) proposta inicial; (b) sobreposição das propostas, nova proposta em vermelho; (c) situação atual dos sheds.

Fonte: ROCHA, 2011, p.113-114.


HOSPITAL ESTADUAL INFANTIL E MATERNIDADE DR ALZIR BERNADINO ALVES


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Para a aplicação dos conceitos de humanização optou-se por uma intervenção de reforma em um estabelecimento já existente, para que houvesse a possibilidade mais imediata de comparação dos espaços no método “antes e depois”. Visando a criação de ambientes acolhedores e que interaja com as crianças, foi selecionado o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves como o objeto desta pesquisa. A escolha deste hospital se deu por ser uma referência no atendimento infantil na cidade, pela implantação do Método Canguru – assistência voltada para o recém-nascido com peso inferior a 2,5 quilos e sua família, devido à potencialidade do espaço existente para a implantação dos conceitos de humanização, e por estar localizado em uma região constituída pela população das classes baixa e média. O projeto foi desenvolvido de forma investigativa uma vez se tratando de trabalho acadêmico, com prazos a serem cumpridos, e o surgimento dos entraves no acesso de dados e autorização para visitas in loco. Portanto, a intervenção limitou-se nos projetos de humanização da envoltória do volume arquitetônico, acessos e áreas externas.

5.1. ÁREA DE INTERVENÇÃO

O Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves é uma unidade pública com atendimento 24 horas destinado ao atendimento de variadas especialidades médicas e limitada ao público materno e infantil, prestando assistência de urgência e emergência, ambulatorial e hospitalar, sendo assim, classificado como um hospital geral (CNES, 2014). O estabelecimento está inserido no bairro Soteco, em Vila Velha, uma região que apresenta caráter residencial, comercial e institucional, na Avenida Ministro Salgado Filho, uma das principais vias do bairro, com fluxo intenso e que comporta elementos importantes para o bairro e cidade, como comércios, escolas, indústria e espaço para lazer (Figura 59).


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Figura 59: Localização do hospital: (a) mapa do Espírito Santo situando o município de Vila Velha, (b) mapa do município de Vila Velha destacando o bairro Soteco, (c) mapa do trecho da Avenida Ministro Salgado Filho evidenciando o hospital.

Fonte: Adaptado Google Earth, 2014.

Com base na situação da área de intervenção, foram coletadas informações relacionadas ao contexto urbano, social e econômico e ambiental afim de melhor entender funcionamento e peculiaridades do local. 

Contexto urbano

O hospital, em relação ao zoneamento urbano, faz parte da Zona ZEIU – Zona Especial de Interesse Urbanístico de Estruturação e Integração I (Figura 60). Figura 60: Mapa do zoneamento urbano do bairro Soteco, destacando o local do hospital.

Fonte: Adaptado PDM Vila Velha, 2007.


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O acesso para a edificação hospitalar é feito através da Avenida Ministro Salgado Filho, classificada como via coletora, apresenta fluxo intenso durante o horário comercial e infraestrutura de transporte público que permite fácil acesso ao estabelecimento (Figura 61). Figura 61: Infraestrutura do local: à esquerda, fluxo da Avenida Ministro Salgado Filho e à direita, ponto de ônibus localizado ao lado do hospital.

Fonte: Autor, 2014.

Contexto social e econômico

Composto por edificações com gabarito baixo – até 4 pavimentos, e diversidade quanto ao uso do solo, predominantemente residenciais. Conta como elemento atrativo de lazer particular, o Centro Esportivo Garoto (Figura 62) e como equipamentos educacionais, o IFES – Instituto Federal do Espírito Santo, e a Escola de Ensino Fundamental “Desembargador Cândido Marinho” (Figura 63). Apresenta vulnerabilidade social em consequência aos horários de fluxo de pessoas e veículos por conta dos usos das edificações, sendo o horário comercial o de maior fluxo.


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Figura 62: Elemento atrativo do bairro, o Centro Esportivo Garoto.

Fonte: Autor, 2014.

Figura 63: Equipamentos educacionais instalados na Avenida, o IFES e a Escola Cândido Marinho.

Fonte: Autor, 2014.

Contexto ambiental

As características locais como o vento predominante – nordeste, e os ruídos provenientes do intenso tráfego na avenida, interferem nas decisões quanto à localização dos ambientes da edificação hospitalar e suas aberturas.

Deste modo, a partir das análises obtidas gerou-se uma figura síntese (Figura 64) reunindo características relevantes às decisões projetuais de intervenção no hospital.


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Figura 64: Figura síntese da área de intervenção.

Fonte: Adaptado Google Earth, 2014.


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5.1.1. Implantação

O edifício apresenta anatomia horizontal sendo composto por blocos e, em razão de sua extensão, os ambientes hospitalares possuem entradas especificas e se conectam a partir de uma circulação interna principal, gerando grandes percursos. Sua implantação possibilita o contato com a área externa e potencialidade para futuras ampliações, contando com áreas verdes e estacionamento. O hospital comporta setores com atividades voltadas para administração, banco de leite, manutenção, pronto socorro e emergência, ambulatório, centro cirúrgico, laboratório, UTI neonatal, pediatria, maternidade, centro cardiológico e diagnóstico e imagem (Figura 65).

Figura 65: Implantação e setorização da edificação hospitalar: (1) recepção social, (2) administração, (3) diagnóstico e imagem, (4) ambulatório, (5) centro cardiológico, (6) laboratório, (7) UTI neonatal e UTIP, (8) emergência, (9) pronto socorro, (10) banco de leite humano, (11) centro cirúrgico, (12) pediatria, (13) maternidade e (14) manutenção e serviço.

Fonte: Adaptado Google Earth, 2014.


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5.2.

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PROJETO DE HUMANIZAÇÃO DA ENVOLTÓRIA E ACESSOS

Devido aos entraves para o acesso ao projeto arquitetônico da edificação, o volume externo foi trabalhado a partir da associação de imagens, obtidas a partir de visitas in loco, com o software REVIT – AUTODESK, onde as medidas conhecidas foram utilizadas como base para que os recursos do programa resultassem num volume final. A fim de desenvolver um projeto viável para uma instituição de saúde pública, as diretrizes do projeto da reforma de humanização da envoltória e acessos compreendem no uso de materiais com alta durabilidade e baixo custo de manutenção, aumentando a vida útil do equipamento. Visando, ainda, a criação de uma identidade para o hospital com finalidade de maior aproximação do paciente com a edificação para a redução de sentimentos negativos devido à espera e os procedimentos realizados. Assim, o conceito do projeto é promover a interação dos acessos com o paisagismo com intuito de transmitir um sentimento positivo para as crianças, sendo um local para melhora e cura e não para doença. Para tal, foram trabalhadas cenas que remetessem crianças brincando e uso de elementos coloridos. Visto que o edifício apresenta variados revestimentos e analisadas as situações (Figura 66), o projeto contempla a padronização de elementos de revestimento e de vedação. Em relação aos elementos de revestimento, adotou-se como material de revestimento das fachadas a pintura sobre o reboco na cor amarelo claro para transmitir a sensação de aconchego, granito Verde Ubatuba e pastilhas da cor amarela nos pilares e placas de ACM da cor branca para a platibanda. Um dos elementos de vedação utilizados foi a pele de vidro, com estrutura de alumínio e vidros na cor bronze. As principais entradas foram destacadas com a implantação de um painel constituído por placas de acrílico de cores primárias, sendo iluminadas à noite,


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e comunicação visual através do uso de elementos que remetem as atividades dos setores. Dessa forma, a identidade do hospital infantil foi utilizado painéis decorativos de acrílico colorido, imagens de crianças saudáveis e alegres, e de elementos decorativos lúdicos em acrílico dispostos ao longo da platibanda do hospital – fixados em base de PVC expandido e sobreposto sobre o ACM da platibanda.

Figura 66: Elementos variados que compõe o revestimento da edificação hospitalar.

Fonte: Autor, 2014.

Em seguida, o projeto de humanização da envoltória e acessos (Figura 67 a 76) apresentados por meio de comparação das imagens da situação atual e das propostas de reforma, de acordo com o método utilizado “antes e depois”.


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Figura 67: Entrada do hospital: A - atual situação; B - a proposta de revitalização para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 68: Acesso à emergência: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.

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Figura 69: Acesso ao pronto socorro: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.

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Figura 70: Acesso ao pronto socorro: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 71: Acesso ao banco de leite humano: A - atual situação; B - a proposta para o

espaço.

Fonte: Autor, 2014.

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Figura 72: Acesso à recepção principal: A - atual situação; B - a proposta para o espaço; C - a proposta de iluminação.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 73: Acesso ao setor de diagnóstico e imagem: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 74: Acesso ao ambulatório: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.

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Figura 75: Acesso aos setores de centro cardiológico e laboratório: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 76: Acesso ao setor da UTI neonatal: A - atual situação; B - a proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.

5.3.

PROJETO PAISAGÍSTICO

O terreno do hospital apresenta áreas verdes com potencialidade para jardins terapêuticos, espaços para descanso e contemplação da paisagem, mas que hoje não apresentam uso especifico e nenhum elementos que atraiam as


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pessoas a utilizá-los (Figura 77). Portanto, o projeto visa à organização espacial conforme o comportamento dos usuários analisado, transformação dessas áreas externas em espaços interativos, lúdicos para as crianças e ambientes de distração positiva e ligação com a natureza. Figura 77: Áreas verdes do terreno do hospital.

Fonte: Autor, 2014.

A planta baixa de paisagismo (Figura 78), a seguir, apresenta a setorização dos ambientes criados e suas composições, conforme as analises feitas in loco das atividades já estabelecidas.


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Figura 78: Planta baixa do paisagismo do hospital: (1) jardim terapêutico – ala Pronto Socorro, (2) jardim terapêutico, (3) jardins, (4) espaço kids, (5) Centro de vivência, (6) Praça Vitória; (7) Praça Glória; (8) módulo de serviço; (9) horta.

Fonte: Autor, 2014.


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(1) Jardim terapêutico – ala Pronto Socorro: ambiente localizado entre os setores do Pronto Socorro e Banco de leite humano, próximo à entrada, este espaço era destinado a jardim sem visitação. O projeto, através de composição da padronização dos revestimentos do edifício hospitalar, paginação de pisos e vegetação – forração, arbustos coloridos, palmeiras e árvores, cria um ambiente para relaxamento, espera e contato com o meio externo composto por um jardim central com banco circular de madeira plástica e bancos de concreto rodeados por vegetação (Figura 79). Figura 79: Jardim terapêutico – ala pronto socorro: A - atual situação; B - a proposta do jardim com diversidade de vegetação e acesso para as pessoas.

Fonte: Autor, 2014.


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(2) Jardim terapêutico: uma grande área gramada e sem destinação especifica, localizada ao lado da recepção principal. Agora, composto por diversidade de aromas, texturas e cores, apresenta a função de jardim terapêutico, com finalidade de promover a interação dos sentidos com a natureza e destinado para relaxamento contando com pergolado e bancos de madeira envolvidos por vegetação, ambientes de estar cobertos, bancos ao logo dos caminhos e vegetação de variados tipos e tamanhos (Figura 80). Figura 80: Jardim terapêutico: A - atual situação; B - a proposta do jardim com diversidade de materiais e vegetação.

Fonte: Autor, 2014.


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(3) Jardins: localizados entre os setores de Diagnóstico e Imagem e UTI neonatal estavam isolados por meio de grades, e para a humanização destes espaços foi projetado ambiente para espera destes setores, ao ar livre, com mobiliários de madeira plástica e uso de diversos tipos de vegetação (Figura 81). Figura 81: Jardins: A - atual situação; B - a proposta do jardim como área de espera ao ar livre.

Fonte: Autor, 2014.


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(4) Espaço kids: área localizada por toda a extensão dos setores de Diagnóstico e Imagem e UTI neonatal, e utilizada como caminho e espaço para as crianças brincarem enquanto esperam o atendimento, porém sem atrativos. Este espaço tornou-se uma área lúdica para as crianças, com mobiliários coloridos com diferente formatos e alturas, labirintos formados por vegetação e pisos coloridos que levam à um banco com uma grande árvore no meio, área livre com vegetação e caminhos com espaços para os pais e para as crianças A forma orgânica desta área verde se estende para a calçada formando um jogo de caminhos, juntamente com as ilhas de jardins, que permite a interação da criança com o ambiente e diminui os sentimentos negativos quanto ao espaço – o hospital (Figura 82 a Figura 86). Figura 82: Espaço kids: A - atual situação; B - o ambiente proposto com diversidade de cores e formatos.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 83: Espaço kids: A - atual situação; B - a área livre proposta para o espaço.

Fonte: Autor, 2014.

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Figura 84: Espaço kids: A - atual situação; B - o ambiente proposto com diversidade de cores e formatos.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 85: Espaço kids: A - atual situação; B - o ambiente proposto com diversidade de cores e formatos.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 86: Espaço kids: A - atual situação; B - a proposta para o espaço com jogo de caminhos compostos pela extensão do gramado e as ilhas de jardins.

Fonte: Autor, 2014.


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(5) Centro de vivência: como o hospital recebe pessoas de várias localidades do Estado e de várias classes sociais - principalmente as de baixa renda, a área vazia próxima à rotatória foi destinada a um Centro de vivência, composto por um módulo designado à distribuição de lanches provenientes de ações sociais para as famílias que se encontram no hospital, mobiliários e contato direto com vegetação diversa, tendo como finalidade, também, promover a interação com as pessoas e o meio externo (Figura 87 a 89).

Figura 87: Centro de vivência: A - atual situação; B - a proposta para o espaço de convívio dos usuários do local.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 88: Centro de vivência: A - atual situação; B - o ambiente composto por jardins com vegetação diversas, mobiliários e o módulo da lanchonete.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 89: Centro de vivência: A - atual situação; B - o espaço não utilizado deu lugar a um jardim linear.

Fonte: Autor, 2014.


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(6) Praça Vitória: extensa área localizada entre os estacionamentos e o acesso ao

Pronto

socorro,

utilizado

para

caminho

e

principalmente

para

estacionamento de ônibus provenientes de outras cidades. A praça lúdica apresenta diversidade quanto às espécies de vegetação e dimensões dos jardins que moldam os caminhos juntamente com os espaços destinados a descanso, contemplação e diversão, como os ambientes com pergolados, mobiliários e dispositivos destinados para as crianças (Figuras 90 e 91).

Figura 90: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta para o espaço com caminhos moldados pelos jardins.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 91: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta com áreas de estar.

Fonte: Autor, 2014.

Os ambientes lúdicos voltados para as crianças estão localizados ao longo da extensa praça e constituído pelo o parque de areia com espaço coberto com bancos para os pais juntamente com o padrão de mobiliários e vegetação utilizados no espaço kids, como o labirinto de vegetação e pisos emborrachados coloridos, área livre com vegetação dando alusão a uma floresta e o uso dos bancos coloridos em formato de sol (Figuras 92 a 94).


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Figura 92: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta com ambientes destinados à recreação das crianças.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 93: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta com ambientes destinados à interação com os usuários.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 94: Praça Vitória: A - atual situação; B - a proposta para o espaço infantil.

Fonte: Autor, 2014.

(7) Praça Glória: está próxima à Praça Vitória e ao lado do estacionamento dos ônibus, destinada para contemplação e aos pacientes de outras cidades que esperam a chegada ou partida dos ônibus de suas cidades, com espaços


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sombreados com jardim central e pergolados e mobiliários de madeira (Figuras 95 a 97).

Figura 95: Praça Glória: A - atual situação; B - caminho proposto para ligação das praças.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 96: Praça Glória: A - atual situação; B - vista geral da Praça com os mobiliários e jardins.

Fonte: Autor, 2014.


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Figura 97: Praça Glória: A - atual situação; B - o espaço de estar proposto para o local.

Fonte: Autor, 2014.


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(8) Módulo de serviço: localizado ao lado do estacionamento de ônibus está destinado a atender as necessidades dos motoristas das outras cidades, com banheiros femininos e masculinos, área de estar fechada e área de estar ao ar livre (Figura 98).

Figura 98: Área de serviço: A - atual situação; B - o módulo destinado para os motoristas.

Fonte: Autor, 2014.


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(9) Horta: o projeto de horta e espaço para descanso dos funcionários está voltado para uma área não utilizada pelo hospital, localizado nos fundos do terreno e com acesso somente pelos funcionários, beneficiando tanto a parte gastronômica do hospital quanto a produtividade dos funcionários (Figura 99).

Figura 99: A - proposta de uma horta para hospital com amplo espaço para o cultivo de diversos alimentos; B - proposta de área para o descanso dos funcionários.

Fonte: Autor, 2014.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Cap. 6 – Considerações finais

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Diante dos problemas enfrentados pela população nos hospitais brasileiros em relação ao descaso com a saúde e o processo de cura, houve um despertar, com o propósito de entender como a humanização dos ambientes hospitalares pode colaborar de forma positiva para este quadro e influenciar de maneira positiva na recuperação dos pacientes. Através da evolução da tecnologia, principalmente as novas descobertas na área da saúde houve o desenvolvimento da arquitetura hospitalar, e foi a partir do século XVIII que o hospital passou a ser considerado como um instrumento terapêutico, buscando a cura. A humanização hospitalar surge a partir do hospital terapêutico e apresenta como finalidade a promoção da cura dos pacientes através da qualificação dos ambientes hospitalares e a mitigação de sentimentos inerentes à fragilidade do ser humano. A humanização da arquitetura de EAS se torna possível através do planejamento adequado, deve estar presente desde a escolha do terreno e implantação da edificação até a escolha dos materiais que irão compor os ambientes internos. Durante a elaboração de um projeto de EAS humanizado é muito importante a colaboração dos profissionais da área da saúde, com o intuito de alcançar soluções que melhor atenda o programa de necessidades destes estabelecimentos, além da observação do comportamento tendenciais dos usuários. A partir de estudos sobre hospitais humanizados percebeu-se que as decisões arquitetônicas influenciam no processo terapêutico e que o foco principal é a interação e aproximação do paciente e sua família com o espaço projetado. As diretrizes projetuais adotadas e abordadas nas decisões arquitetônicas limitaram-se `intervenções na envoltória e espaços externos da edificação Hospital Estadual Infantil e Maternidade Doutor Alzir Bernardino Alves, em função da dificuldade de acesso e burocracia de informações que não compatibilizou com o cronograma do trabalho proposto pela disciplina.


Cap. 6 – Considerações finais

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Destaca-se no processo projetual a efetivação de atividades de acordo com a análise das tendências dos espaços e comportamento dos usuários, resultando na organização espacial – setorização dos ambientes e definição dos acessos. Apresentando o conceito de transformar o espaço externo do hospital interativo com os principais usuários - as crianças, as diretrizes do projeto compreendem na utilização de materiais com baixo custo de manutenção e na criação de uma identidade para o hospital com propósito de torná-lo mais lúdico, eliminando o aspecto de frieza da maioria destes estabelecimentos e influenciando no processo de cura e recuperação dos pacientes. Com a metodologia proposta conseguiu-se chegar a um resultado satisfatório que propiciou um produto final seguindo os conceitos de humanização.


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TCC arqurbuvv Arquitetura e Cura  

2014-02 - Evlyn Dalmaso

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