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Mês Julho nº 25

Uma história sobre as características importantes da vida Um história sobre o quanto a esperança é importante na vida

Um poema cheio de ritmo e energia

Uma reflexão sobre o amor e a vida Uma história sobre a compreensão da felicidade


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Índice e destaques

Índice

Destaques

Editorial………………………….……...3

Histórias Narrativas

As Nossas Sugestões………….…..5

 Procuro a Água das Montanhas – uma história que reflecte sobre o que pode nos fazer sentir vivos.  Perdi-me algures - uma reflexão sobre o tempo e a vida.

Pequenas Histórias Esperança, Luz de vida………….10  Tudo é Doce………………..........11  Procuro a água das montanhas …….…………….…………12 Perdi-me algures………………….13 O Génio………………………………..15 Lirismos Gym Bom Bom.........…………….20  Ó Mar….…………………………......22  Quimera………………..…………….24 Críticas e Maldizeres  Criança……………………..……….26

Regras para Trabalhos Enviados………………………………….28

Histórias Poéticas  Quimera – Um poema profundo e envolvente.

Críticas e Maldizeres  Criança – relembra as características que não devemos perder ao crescermos.

Ficha Técnica: Mês de Julho 2012 n.º25 via internet – ebook Editora: Marta Sousa Revisora: Patrícia Lopes Redacção: Marta Sousa, Sónia Aguiar, Pedro Menezes, Ana Paula Cordeiro, Manuel Rodas, Teresa da Silva, Ana Maria Teixeira. Grafismo: Paula Salgado (logótipo), Marta Sousa, imagens de “Perdi-me algures” e “Génio” foram enviadas por Pedro Menezes e Ana Cordeiro. Interdita a reprodução para fins lucrativos ou comerciais dos textos e interdita a outros Escrita Criativa que não o autor e a reprodução sem a indicação do respectivo nome do autor.


Editorial

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Este mês temos uma capa que relembra o prazer da leitura nas férias. Esperemos que gostem! Este mês de Julho estamos cheios de histórias interessantes e contamos, mais uma vez, com dois livros lusófonos na rubrica As Nossas Sugestões, com a parceria de Isabel Fontes com livros da editora LP-Books. Na rubrica Pequenas Histórias temos textos que nos fazem reflectir sobre o que é importante ter e sentir na vida. Na rubrica Lirismos temos poemas diversos, “Gym Bom Bom” um poema cheio de ritmo, “Ó mar” que reflecte sentimentos de uma vida. E, por fim, um poema profundo de Teresa da Silva que vai fazer uma exposição no Palácio da Independência. Colocamos a informação da exposição junto com o seu poema, não deixem de ver! Nas Críticas e Maldizeres temos uma reflexão das qualidades que o Homem nunca deve perder. Não deixem de ver também a entrevista na TVL sobre a Revista

Escrita

Criativa

que

está

no

nosso

blog

http://revistaescritacriativa.blogspot.pt/ e na nossa página

Escrita Criativa


4 do

Facebook

http://www.facebook.com/pages/Revista-

Escrita-Criativa/131795916850849 Agradecemos o apoio e divulgação e aguardamos as vossas opiniões no Facebook e no nosso blog. Podem também enviar

as

vossas

opiniões

e

participações

asnossahistorias@hotmail.com.

Marta Sousa

Escrita Criativa

para


As Nossas Sugestões

5

Causas Perdidas de Carlos Monteiro Ferreira “...A sua poesia está indelevelmente marcada

pela

revolução

que

perpassou as nossas vidas, que nos fez alimentar um sonho, que nos ensinou que vale a pena sonhar e lutar. Uma revolução que nos alertou para a inevitabilidade de um mundo novo, nos convocou para participar na criação de um futuro mais promissor. A isso ele não virou as costas e, no seu jeito,

o

temos

insistindo,

persistente e resistente... ‘...Ao ler os trabalhos que constituem esta antologia de Carlos Ferreira senti-me transportado para uma realidade que nos surge metaforicamente construída mas que, mesmo assim, denuncia a luta e a coragem necessárias para viver o amor, construir o futuro,

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6 erguer a utopia, manter a dignidade, resistir à adversidade e acreditar nos homens... ... Carlos Monteiro Ferreira é, sem dúvida, um artífice da pena, manejando com mestria as palavras, com as quais constrói imagens, metáforas e sentidos da vida. De uma vida vivida, sentida, sofrida, mas também realizada. Surpreende pela energia que emana da escrita, pela ligeireza com que conjuga as ideias, o que nos toca e faz vibrar, nos incomoda quais labaredas consumindo o capim. Mesmo quando se torna difícil entender cada palavra, a mensagem é captável pois o autor consegue transmitir diferentes estados de alma levando o leitor a colocar-se na sua pele.” Eugenio Alves da Silva Autor: Carlos Sérgio Monteiro Ferreira, natural de Luanda, onde nasceu a 28 de Fevereiro de 1960. Realizador de Programas de rádio. Compositor. Cronista. Vencedor dos Prémios Alda Lara de 1987, 1988, 1989, 1995, e dos prémios para as melhores letras de canções do Festival da Canção de Luanda de 1998, 1999, 2000, 2004, 2006 e 2008. De 1977 a 1995, foi sucessivamente, na Rádio Nacional de Angola, Chefe das Redacções Desportiva, Recreativa e Cultura e de Intercâmbio e Opinião Pública, Chefe do Departamento de

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7 Intercâmbio, Chefe do Departamento de Realização, Assistente do Diretor de Programas e Diretor dos Serviços de Programas. Jornalista da Assessoria de Imprensa do Presidente da República, a partir de 1991, retornando à R.N.A até 1995. Correspondente do jornal português “Diário de Notícias”, entre 1990 e 1992 e da revista “Seara Nova” de 1989 a 1992. Co-fundador da Brigada Jovem de Literatura, onde exerceu as funções de secretário das atividades culturais, o mesmo lugar que ocupou na União dos Escritores Angolanos, da qual é o membro nº 39. É membro da União dos Jornalistas Angolanos. É membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil. Exerce actualmente a actividade da escrita em tempo inteiro.

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A Vida Nossa de Cada Dia de Maria Alice Cerqueira Sinopse: Vida nossa de cada dia, é coberta de desafios a desvendar para vivê-la com serenidade e paz! Mas nem sempre é fácil saber o que dizer e o que fazer, e por donde ir, para encontrar a paz que tanto desejamos. A nossa vida nos ensina a encontrar a alegria, ao centro da dor do sofrimento que, não ela, mas nós provocamos em nós mesmos, pois o amanha é o fruto do hoje, sendo ele bom ou não! Então precisamos estar muito atentos como levamos a vida no dia de hoje! A nossa vida tem regras a serem compridas, e se queremos ter vida eterna, precisamos cumprir a risca estas mesmas leis na vida terrena! A nossa vida nos leva ao encontro de nossa felicidade, mas esta não está num algum lugar especifico, mas sim, dentro de nossa vida, ou seja, dentro do nosso próprio coração.

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9 Autora: Maria Alice Cerqueira nasceu em 1965, em Vila Nova de Cerveira, Norte de Portugal! Órfã de pai, Maria Alice cresceu e viveu neste país, até aos 16 anos de idade, aonde o destino a obriga a deixar seus estudos, deixando de a 8ª serie incompleta! Seu destino a força a ir mais além, e com a fé em Deus Maria Alice vem para o Brasil, acompanhada pelo seu noivo, onde casa e tem dois filhos. A prioridade de sua vida é o amor que ela doa á sua família. Com tudo, como esposa, mãe e amiga, ela descobriu no dom de escrever uma forma de demostrar seus sentimentos. Sempre que Maria Alice vive uma situação que mexe com om os sentimentos de seu coração, ela logo pega uma caneta e papel, e transforma sua vivencia numa linda historia de Amor! Por conta de sua trajetória de vida, Maria Alice em 2010 escreveu e publicou o seu primeiro livro, intitulado “Dois Jovens em busca da felicidade”! Seu lema é “Quem escreve com a voz do coração, escuta a Voz de Deus”!

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Pequenas Histórias

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Esperança, luz da vida Esperança força que arrebata o meu coração e salta por ele à procura de uma luz que aqueça a minha alma. Como uma corrente de águas furiosas, numa tempestade de Inverno, esta força procura a calma, a bonança de um momento que ilumine a minha vida. Acreditar que tudo pode mudar, basta esperar e confiar. Mas o tempo passa... voa por entre as nossas mãos. E quando nos apercebemos estamos fracos, desanimados, porque muita coisa se perdeu. Mas a esperança fica...como uma vela que irradia luz e que se vai consumindo lentamente...mas está lá, presente. E mesmo quando está prestes a findar, ela volta a acender. E eu agradeço-te querida Esperança. Por aqueceres o meu coração. Por me dares força e me lembrares que existem muitas mais vidas sofridas, vidas interrompidas, vidas que estão muito abaixo de mim e que à beira deles eu sou uma gota no oceano. E só peço Esperança, não me deixes e ilumina todos os corações aflitos. Se eu for a última a ser atendida pela tua graça, não importa pois salvaste muitas. Mas deixa-te ficar a meu lado, à tua espera. Sónia Aguiar

Esperança, luz da vida

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TUDO É DOCE Sentada naquela praia, ela olhava o mar. Via as ondas que iam e vinham. Tinha sido sempre assim a vida dela. Ondas que vinham e iam, iam e vinham. Ondas de infelicidade que alisavam todos os castelos que ela tinha construído na areia e se instalavam como um invasor bárbaro. E a felicidade não entrava porque a infelicidade se tinha instalado; e a infelicidade não saía porque a felicidade estava à porta, esperando pela oportunidade de se instalar. E ela não saía daquilo. Foi por isso que ela veio até à praia, aquela praia de areia branca e fina. O mar cada vez mais revolto, parecia que representava a felicidade ao travar uma batalha para expulsar a infelicidade da vida dela. E no meio daquele reboliço de espuma e algas, uma estrela do mar veio, empurrada pelas ondas. Ela levantou-se para a ajudar, pegoulhe com muita delicadeza e entrou na água. Queria deixar a estrela do mar em segurança, não teria importância o facto de se molhar. Assim fez e largou suavemente a estrela do mar. Sentiu que com a estrela, ela também libertava o seu coração. Finalmente livre. Sorriu. A felicidade já se tinha instalado na sua vida, já estava na cozinha a preparar um delicioso bolo de laranja. Porque quando a felicidade se instala em nós, tudo é doce. Pedro Menezes Tudo é Doce

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Procuro a água das montanhas Procuro uma luz, um som, uma chama, que me aqueça, que me ilumine, que torne os meus passos visíveis, que ilumine a minha sombra. E desta forma, eu me faça ouvir, eu possa gritar bem alto, os meus desejos, as minhas mágoas, os meus medos, as minhas amarguras, os meus terrores, os meus fantasmas… Quando poderei libertar a minha voz? Quando soltarei estes sons que se apoderam de mim? Quando vou expulsar os meus gritos? E estará alguém do outro lado para os ouvir, para lhes responder, para lhes dar valor e atenção? Estará uma mão estendida para os meus desalentos, um coração aberto para os meus pensamentos? Procuro um olhar faminto, que me devore e que se satisfaça comigo. Procuro um corpo, que sossegue a minha alma, um corpo que me faça sentir presente, viva. Um corpo que me liberte, que me transfigure numa outra pessoa. Como o rio que corre para o mar e se transforma num mistério azul, quero ser a água das montanhas, pura e fresca que nasce e corre para saciar a sede. E desta forma eu seja sentida, saboreada, e que humedeça todos os corpos, num banho de prazer e alegria. Sónia Aguiar

Procuro a Água das Montanhas

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13

PERDI-ME ALGURES 13 de Maio de 2047. Maria, uma bela senhora de 70 anos, recém chegada àquela cidade, reflectia sobre o que tinha sido a sua vida até então. Revivia-a como se fosse um filme, como se estivesse sentada no cinema. A infância e o sentimento de abandono; a adolescência e o sentimento de rejeição; a juventude e o sentimento de redescoberta pelo prazer de viver. E depois chegou aquele período da sua vida onde tudo se tinha decidido. Trinta e cinco anos depois ainda se lembrava daquele tempo. Tanto tempo passou, como era possível? E no entanto, ela caminhava por aquele miradouro, alvo de um recente restauro, para que recuperasse o seu aspecto antigo. A magia de outrora. Aquele preciso miradouro, onde tudo tinha acontecido trinta e cinco anos antes. Onde tinha estado com ele, naquela torre. Ele. Ele e o seu calor quando se encostavam. Por onde ele teria estado nestes anos todos? Ainda estaria vivo? Viveria também ela na sua memória? Tantas perguntas que ficaram sem resposta, desde aquele momento, há 35 anos.

Ela compreendia agora que, basta um segundo, um impulso para mudarmos toda a nossa vida durante décadas. Compreendia que a

Perdi-me algures

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14 vida era como uma semente. Depois de semeada teremos de colher o que plantámos. Como um céu coberto de nuvens, a sombra dele seguiu-a, enquanto os seus mundos seguiam em frente e giraram. Hora após hora, dia após dia, ano após ano, o tempo passou e ela sempre pensou nele. Durante estes anos todos, ao lado de Maria caminhou o orgulho. Que pena, pensava ela agora, o orgulho não a fez feliz. Pensou ela: Permaneceu comigo o sentimento que nunca descansa, que nunca tem sossego. Sangrei uma gota por ti, todos estes 12.796 dias. Hoje estou aqui, neste nosso lugar, lançando uma mensagem na esperança que tu a sintas. Desejo que tu ainda vivas, que eu ainda viva em ti. Porque hoje, os nossos corações já só são como duas folhas amarelas que, em pleno Outono, se desprendem da árvore e baloiçam na sua descida à terra. Perdi-me algures... Pedro Menezes

Perdi-me algures

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15

O Génio As ondas vinham bater de mansinho contra o barco que navegava desprotegido e sem rumo, afastando-se cada vez mais da costa e o silêncio, soberano naquelas paragens, era apenas cortado pelo sussurrar da brisa marítima. Sentado com as pernas e os braços cruzados, ele contemplava pela última vez o céu azul e aquele mar de um verde escuro e profundo como que a procurar uma derradeira explicação para o seu destino. Como um moribundo que revê em segundos toda a sua vida antes de morrer, a sua memória levou-o até à longínqua idade média e à aldeia onde nascera, num dia que já não conseguia precisar, tantos mil anos haviam passado. Lembrava-se sim, daquela rua escura e bafienta onde encontrara a feiticeira que lhe concedera a vida eterna como se isso fosse a coisa mais trivial do mundo. Com um estalar de dedos e uma prece em latim, transformara-o, sem mais nem menos, num génio eterno cuja principal missão seria a de conceder três desejos a quem se cruzasse no seu caminho, ou melhor dizendo, a quem tropeçasse no cesto de verga que se tornaria o seu lar. Na altura, o espaço confinado onde iria viver pouco lhe importara. O que mais o tinha fascinado fora a possibilidade de se tornar imortal. A partir daí e durante séculos, a sua vida transformara-se num eterno encontro com milhares de pessoas, as quais, lhe tinham feito os mais O Génio

Escrita Criativa


16 diversos e extraordinários pedidos; pedidos esses que ele concedera de bom grado, pois isso também o fazia feliz. O dinheiro e os bens materiais eram, sem dúvida, os desejos mais solicitados e ele concedia-os de forma comedida, tentando sempre incutir um pouco de bom senso na cabeça dos mais gananciosos, ensinando-os a pensar. Mas no fundo, o que mais lhe agradara tinha sido a vida em comum com algumas almas singelas e solitárias como ele, que apenas lhe tinham pedido companhia, amor e cumplicidade. Nessas alturas a sua vida tornava-se mais leve, rica e harmoniosa e os momentos em perfeita comunhão de sentimentos com os filhos, netos, bisnetos... tinham-no ajudado a suportar o fardo da eternidade... Com o passar dos séculos começara, no entanto, a entristecer tornando-se num génio taciturno e enfadonho. Já não suportava mais ver morrer os que lhe eram tão queridos e já o aborreciam os pedidos sempre iguais, cada vez mais materialistas, inúteis e despidos de significado. Pobres mortais... Mas um dia alguém extraordinariamente diferente tropeçara no seu cesto de verga velhinho e desfiado e, como era hábito, ele aparecera repentinamente, envolvido num manto de fumo, proferindo a pergunta que fazia sempre transparecer no rosto dos eleitos o mais alegre do sorrisos: - "Concedo-te três desejos. O que pretendes?"

O Génio

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17 Incrédulo e em vez de fazer o pedido imediatamente como sempre acontecera, convidara-o antes para tomar um café e, na atmosfera agradável de uma pastelaria citadina, sentado a seu lado, incitara-o a contar a longa história da sua vida. _"E, dizes tu, já estás cansado de ser imortal?" Olhara-o com pesar. - "Sim, estou cansado de assistir à morte dos que me são queridos. Estou cansado...!" No olhar daquele meu companheiro ocasional, surgira um estranho brilho e com um sorriso nos lábios exclamara: - "Já sei qual vai ser o meu primeiro desejo! Quero a paz para o mundo inteiro." -"Desejo concedido." -"O quê? Assim tão rápido?" - perguntara, novamente incrédulo. "Como é que eu sei que já não existem guerras, campos minados, ódios, lamentações...?" -"Basta observares à tua volta. Regressarei daqui a uma semana para te conceder o segundo desejo" - respondera, impressionado com o pedido altruísta daquele mortal. Partira, deixando o seu companheiro boquiaberto e ainda um pouco confuso e, conforme o prometido, regressara à sua companhia uma semana depois, onde o fora encontrar prostrado no sofá da sua sala de estar, com um ar bastante aborrecido. -"Então como tens passado?" - indagara. -"Pareces contrariado."

O Génio

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18 -"Estou deveras desalentado, mas penso ter percebido a tua intenção. Talvez se tivesse sido mais específico...O problema é que não consigo aguentar isto por mais tempo. Todas as pessoas com quem me cruzei esta semana manifestavam a mesma opinião sobre tudo e todos; ninguém contrariou ninguém nem houve contestação de espécie alguma sobre o que quer que fosse. O pior foi mesmo aquela espécie de farda que todos teimam em usar! Perdeu-se o gosto pela diversidade e peca-se pela falta de originalidade e saber." Parara de falar, já cansado. Em geito de conclusão acrescentara: -"É a diferença que faz mover o mundo! E, olhando para ele firmemente, pedira o seu segundo desejo: -"Quero que regresse tudo à primeira forma". -"Desejo concedido." De imediato o silêncio que se fizera notar na última semana fora substituído pelo barulho da multidão em movimento e, novamente com aquele estranho brilho no olhar, o seu amigo fizera o último pedido: -"Quero que tu sejas de novo mortal!" e com uma pancadinha nas costas saíra de casa, deixando-o boquiaberto e estupefacto perante tamanha generosidade... -"Desejo concedido." O sol já quase desaparecera na linha do horizonte e o mar parecia mais agitado, como que impaciente de tanto esperar. Com os braços

O Génio

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19 abertos para o infinito, levantou-se e mergulhou ... na eternidade do mar.

Ana Paula Cordeiro

O GĂŠnio

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Lirismos

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GYM* BOM BOM Colegas este ano foi sempre a mudar Do Inatel ao multiusos nós fomos parar Com uma nova professora para nos treinar, Contudo por aí não iríamos ficar E a Francisco de Holanda fomos experimentar Para depois ao Inatel voltar.

Á terça feira Suar, queimar calorias à maneira Descansar quarta Que disto a gente não se farta, não, não, não! Porque isto é mesmo bom, bom, bom!

Á quinta feira Voltamos para esta brincadeira. Gostamos mesmo muito de nos cansar Por isso é que estamos sempre a voltar! Seja inverno ou verão, ão, ão! Parece que isto é mesmo bom, bom, bom!

Gym Bom Bom

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21 Colegas este ano em que a “Troika” E o governo o cinto nos mandou apertar Nós voltamos todos pois gostamos é de malhar. Diz o ditado que quando malha um português Malham sempre mais dois ou três Por isso vieram novas companhias Só um Manel e algumas Marias.

Á terça feira Ainda treinamos o corpo à maneira Com a professora bem disposta a comandar Até às férias sempre sem parar Certinhos e sem sair do tom, tom, tom! Fazer desporto é mesmo bom, bom, bom!

À quinta feira Lá voltamos nós para a brincadeira Sonhando com as férias para ir descansar Sabendo que aqui vamos sempre voltar Seja Inverno ou Verão, ão, ão! Educar o corpo é mesmo bom, bom, bom! Ana Maria Teixeira *Ginásio Gym Bom Bom

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Ó Mar Ó mar azul, salgado, profundo e distante, espelho do céu em mim! Há mar Quando sonho. Há mar quando o filho chora e a mãe reza. Há mar Na concha da minha mão, Quando fecho os olhos e fico a escutar. Há mar Quando te ouço Te beijo e te cheiro minha alga secreta! Quando a tua maré me sobe os rochedos E desliza na minha praia E eu preencho os teus silêncios com gritos de gaivota molhada: - Para que fosses minha, Quanto suor ficou por limpar

Ó Mar

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23 Quantos dos teus ais São lágrimas do meu mar! Quero passar além da dor, No mar o perigo e o abismo meu, espelhar o paraíso do teu!

Manuel Rodas

Ó Mar

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Quimera Noite de murmúrios vagos, sem afagos, de adornos frágeis, invisíveis pela pele, desses que queimam por dentro... Das lacunas preenchidas, por vazios e silêncios, aos soluços trémulos... Quando se rompe a madrugada, nos gritos semi azulados, e quando surgem os orvalhos, das penumbras perladas e húmidas... E nesses olhares baços de momentos, ancorados nas memórias, em rumores mudos e brilhos foscos, vai, turvando-se o toque magoado, pelas algibeiras nuas das mãos... Os lábios secaram as palavras, e brisas beijadas em sopros de ar, no fôlego profundo dos sentidos, que se extingue, em ténues silhuetas de luz.. Quimera

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25 (...e adormecem-se os ritmos urbanos...) Teresa Da Silva

Quimera

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Críticas e Maldizeres

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Criança Olhando para o lado penso como é tão lindo ser criança. Como esse ser tão pequeno, frágil e puro é tão importante, sem o saber. A criança brinca com as coisas, sabe esperar um carinho sem reclamar embora por vezes esteja carente, disfarça tão humildemente essa dor que esquece facilmente e perdoa no primeiro momento, na primeira oportunidade. A criança vive intensamente os momentos como se fosse o seu último fôlego. Vive o dia-a-dia, no agora, no presente e esquece o passado sem olhar para o futuro, como olha o Homem cruel. Se soubéssemos ser crianças não existia tamanha intriga, tamanha inveja, tamanha insensatez, porque o Homem procura estar sempre acima de outro, ser o melhor, ter o melhor, esquecendo de ser criança, sorrir e amar. Olhando para o lado penso e vejo como as crianças saem a correr da escola com sorrisos abertos e sinceros numa cumplicidade que nós, os Homens há muito tempo perdemos. E porquê? Só pensamos em nós próprios, no nosso ego e calcámos o outro como uma pedra banal na estrada que incomoda ao passar e magoa o calo, a rugosidade que a vida nos trás. Quero que a criança não morra dentro de mim, quero poder brincar e sorrir livremente e Criança

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27 aproveitar o que de belo a vida me trás e me oferece. Quero dançar com os braços abertos ao sol e poder brilhar, quero dizer asneiras e rir delas, quero chorar e pedir ajuda, quero um abraço e oferecer a mão, quero dizer o que penso sem ter medo das palavras, quero pensar que vou ser feliz sem ter medo do amanhã e dos olhares dos outros. Quero amar a vida como a criança ama. Quero ser criança e tu Homem sê Criança. Sónia Aguiar

Criança

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Regras para Trabalhos Enviados

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- A Escrita Criativa não se responsabiliza pelo conteúdo que é publicado a responsabilidade é única e exclusivamente dos seus autores. - A Escrita Criativa publica os trabalhos dos autores tendo como o limite a capacidade da revista, caso haja demasiados trabalhos enviados alguns poderão não ser publicados ou poderão ser publicados no número seguinte. - O limite de tamanho dos trabalhos recebidos é de vinte páginas A5 com letra a tamanho 11, se os trabalhos não respeitarem estas indicações poderão não ser aceites. - A Escrita Criativa não aceita trabalhos com conteúdo sexual explícito. - Por norma só será publicado um trabalho por pessoa em cada número, podendo haver excepções por falta de trabalhos. - A Escrita Criativa não corrige erros ortográficos nem faz alterações às obras enviadas, se for enviado algum trabalho com erros ortográficos poderá ser enviado de volta para correcção ou não ser aceite. - A Escrita Criativa só aceita trabalhos escritos em português.

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- Trabalhos com expressões noutras línguas deverão ter uma nota no fim a dizer o seu significado, caso isto não aconteça poderão não ser aceites. - Trabalhos com direitos de autor registados na Sociedade Portuguesa de Autores deverão informar a SPA antes de enviar os seus textos para a Revista Escrita Criativa. A Revista Escrita Criativa publica somente textos autorizados pelos autores.

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Escrita Criativa nº 25