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CIDADE


Índice 36

Capa: Ausência sentida

Páginas Verdes Cícero Alves

16

Procedimentos em xeque

30

O troca-troca da política

08. Páginas Verdes Cícero Alves concede entrevista à jornalista Cláudia Brandão

58. Óleo de Coco: é saudável, mas nem tanto!

13. Cidadeverde.com Yala Sena

64. Muito além de uma dor de barriga

20. Ponto de Vista Elivaldo Barbosa

22. Professo nota 10!

68. Industria

28. Economia e Negócios Jordana Cury

43. A bendita promessa do menino Pelé

72. Um sorriso bonito começa na primeira infância

45. História das Copas

78. Comércio Piauí

49. Rostov é sede do primeiro jogo do Brasil

54. Tecnologia Marcos Sávio 82. Passeio Cultural Eneas Barros 86. Perfil Péricles Mendel

Articulistas 52

Cecília Mendes

80

COLUNAS

05. Editorial

08

Zózimo Tavares


foto Manuel Soares

Quando a mente já não está mais aqui A Doença de Alzheimer está cada vez mais presente na vida moderna e já é considerada como um dos maiores problemas de saúde do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS . Com as pessoas vivendo mais, a doença passou a se manifestar com mais frequência, apresentando às famílias atingidas uma situação com a qual ainda não se sabe ao certo como lidar. A medicina ainda não encontrou a cura, tampouco a prevenção para a doença, apenas paliativos para que o paciente possa enfrentá-la de forma mais suave. Um dos grandes desafios é saber como conviver com a pessoa que ainda está de corpo presente, mas com a mente dispersa, completamente ausente. Nem todos estão preparados para lidar com uma situação tão delicada. De repente, aquela pessoa que esteve ao seu lado por toda vida, já não é mais capaz sequer de reconhecê-lo. Um drama vivido hoje por cerca de 1,2 milhão de pessoas no Brasil. Nesta edição, a Revista Cidade Verde aborda o assunto na reportagem de capa, com informações preciosas sobre a doença, esclarecimentos médicos e a experiência de quem vive ou já viveu de perto essa experiência. A

leitura serve também para conhecer os hábitos que podem ajudar a, pelo menos, postergar o surgimento do Alzheimer. Ainda falando sobre saúde, nas páginas verdes, uma entrevista com o médico Cícero Alves sobre o sono, ou a falta dele. Você sabia que a insônia está associada ao surgimento de várias doenças cardíacas, câncer e até obesidade? Além disso, compromete a memória, a concentração e o aprendizado, prejudicando o desempenho escolar e profissional de quem não consegue usufruir do privilégio de uma boa noite de sono. E como este ano tem Copa do Mundo, uma paixão que mobiliza milhões de torcedores, a Revista Cidade Verde entra em campo com oito fascículos especiais, a partir desta edição, contando todos os bastidores, informações importantes, tabelas de jogos e curiosidades sobre o mundial que será realizado na Rússia. É ler, acompanhar e torcer pela conquista do hexa! Cláudia Brandão Editora-chefe

REVISTA CIDADE VERDE | 01 DE ABRIL, 2018 | 5


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SE D1 CIDADE


Entrevista POR CLÁUDIA BRANDÃO

Cícero Alves

claudiabrandao@cidadeverde.com

Insônia pode levar à obesidade A falta de sono causa muito mais transtornos do que se possa imaginar. Além do cansaço natural no dia seguinte, as noites mal dormidas estão relacionadas ao surgimento de várias doenças e até mesmo da obesidade.

foto Wilson Filho

Se você dorme pouco, ou mal, é bom se preocupar com a qualidade do seu sono. Pessoas que sofrem de insônia podem ter a saúde seriamente comprometida, já que é no sono que o organismo repõe as proteínas perdidas durante o dia. A insônia, um mal que afeta dez por cento da população em todo o mundo, prejudica a concentração, a memória, o aprendizado e até mesmo o desempenho sexual. Além disso, a falta de sono está associada ao surgimento de doenças cardíacas, câncer e obesidade. E é responsável pela maioria dos acidentes, especialmente no horário das 4h da madrugada, período de maior sonolência enfrentado pelo ser humano. Alguns comportamentos e hábitos modernos atrapalham mais ainda a vida de quem já tem dificuldade para dormir e devem ser evitados durante à noite. Quem explica é o médico Cícero Alves, especialista em medicina do sono, que esclarece as principais dúvidas sobre o tema e ajuda a derrubar alguns mitos.

RCV – Como diferenciar uma dificuldade isolada para dormir da insônia propriamente dita? 8 | 01 DE ABRIL, 2018 | REVISTA CIDADE VERDE


CA – Insônia é a dificuldade para

iniciar o sono ou para mantê-lo, ou ainda, uma sensação de sono não restaurador, independente da quantidade de horas dormidas. Ou seja, é aquele paciente que deita, tem dificuldade para começar a dormir, ou fica acordando durante a noite e tem dificuldade para reiniciar o sono ou, na terceira situação, ele tem uma insatisfação com a qualidade do sono dele e isso independe da quantidade de tempo que ele dormiu. Ele já acorda com uma sensação de fadiga.

RCV – E quais são as causas da insônia? CA – Em torno de 35%, são causas

psiquiátricas, principalmente transtornos de ansiedade, depressão, bipolaridade e TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). A segunda causa mais comum, em torno de 30%, é a síndrome das pernas inquietas ou movimento periódico de membros, que é aquela situação em que a pessoa passa a noite batendo as pernas, mesmo dormindo, e isso não deixa ela aprofundar o sono. A síndrome das pernas inquietas é como se fosse um formigamento, uma sensação parecida com cãibra, de tal forma que ela sente um desconforto nas pernas e tem que movimentá-las para aliviar o incômodo. Outras causas da insônia são efeitos colaterais de determinados medicamentos - vários medicamentos são usados erroneamente no horário de dormir e isso faz com que os pacientes tenham dificuldade para iniciar ou para manter o

Quando a gente se expõe à tecnologia, essa luz emitida bloqueia a liberação da melatonina, retardando a deflagração do sono.

sono. Ex: hipertensivos, corticóides, remédios para asma, para Parkinson, a maioria dos antidepressivos, etc. A apneia do sono, que é aquela parada de respiração, também provoca insônia.

RCV – O uso de tablets e de outros equipamentos eletrônicos, antes de dormir, também pode interferir no sono? CA – Muito. A gente possui a me-

latonina, que é o hormônio que faz com que haja a deflagração do sono. Ela sinaliza o horário de dormir. Quando a gente se expõe à tecnologia, essa luz emitida, que é uma luz azul ultracurta, ao bater diretamente no olho, bloqueia a liberação de melatonina. Então, quando eu uso o celular, o tablet ou o computador próximo do olho, a luz informa ao meu cérebro que não está na hora de dormir e, aí, o meu cérebro segura a melatonina e não a libera, retardando a deflagração do sono. Duas horas de tablet seguidas são capazes de bloquear praticamente toda a mela-

tonina. Aí, ela tem de começar a ser liberada do zero, novamente.

RCV – É recomendável que a pessoa tenha uma rotina para dormir, incluindo horário, espaço, luminosidade? CA – Sim. Existem algumas medi-

das que a gente chama de higiene do sono e uma delas é manter horários regulares de dormir. É óbvio que, no domingo, você pode até dar uma esticadinha, mas não deve sair muito da rotina. Se você dorme todo dia às 23h e acorda às 7h, e, quando chega o final de semana, você dorme às 04h e acorda às 14h, isso dá uma certa dificuldade para dormir à noite porque desregula o seu ciclo biológico, por isso é importante manter horários regulares.

RCV – Diagnosticada a insônia, qual é o tratamento? CA – A definição de insônia crô-

nica é quando você tem aquelas dificuldades que eu falei no início da entrevista por, no mínimo, três vezes na semana, com uma duração mínima de três meses. Dez por cento da população tem isso. Ou seja, se nós temos hoje quase sete bilhões de habitantes no mundo, são 700 milhões de pessoas com insônia. O principal tratamento é a terapia cognitiva comportamental, é como se fosse uma psicologia do sono. Vamos ver o que está acontecendo de errado, tirar alguns mitos em relação à insônia, porque tem muita gente que já botou na cabeça que não dorme e isso atrapalha. É uma terapia feita com sessões semanais REVISTA CIDADE VERDE | 01 DE ABRIL, 2018 | 9


com um psicólogo que tenha formação em sono, não é qualquer psicólogo. O tratamento dura de três a seis meses e a vantagem é que ele aborda a causa do problema.

RCV – A atividade física feita durante o período noturno retarda o sono? CA – Atrapalha. A atividade física é

ótima para o sono porque libera substâncias que aprofundam o sono, mas deve ser feita, no máximo, até três horas antes do horário de ir para a cama. As medidas gerais que a gente orienta são: evitar luminosidade próximo à hora de dormir, evitar alimentação pouco antes de ir para a cama (quando tiver que comer alguma coisa, optar por alimentos leves); evitar comer carboidrato à noite, porque piora muito o sono. Depois das 18h, evitar alimentos estimulantes, como café, coca-cola, chocolate e chás escuros; e evitar bebida alcoólica.

RCV – Não se deve levar em conta, então, a máxima de que uma taça de vinho, antes de dormir, faz bem? CA – Na realidade, é o seguinte: o

álcool tem uma dose, que chamo de homeopática, que é a dose que o francês toma todo dia antes de dormir. Esta não faz mal, mas, a partir de um certo limite, e esse limite é individual, o álcool passa do “benefício social” para um malefício, porque ele bloqueia as fases profundas do sono.

RCV – Já que o senhor falou nisso, quais são as fases do sono? CA – O sono acontece em fases que 10 | 01 DE ABRIL, 2018 | REVISTA CIDADE VERDE

A atividade física é ótima para o sono porque libera substâncias que aprofundam o sono, mas deve ser feita, no máximo, até três horas antes do horário de ir para a cama.

se sucedem. Ao percorrer as quatro fases do sono, completa-se um ciclo. Durante a noite, a gente faz de quatro a seis ciclos. Ou seja, eu estou na vigília, acordado, depois eu durmo o sono N1, que é o sono mais superficial, como se fosse uma transição entre o estar acordado e o dormir; quando ele aprofunda um pouquinho, chega ao N2, é aquele sono em que você efetivamente está dormindo, mas que qualquer coisinha te acorda; daí você vai para o N3, que é um sono profundo. Essas três fases, principalmente a N3, que é mais profunda delas, são importantes para a reposição de proteínas que são perdidas durante o dia. Todas as proteínas do nosso corpo são produzidas no sono N3. A nossa função imunológica, por exemplo, é feita principalmente por proteínas. Quem dorme mal não produz essas proteínas. A maioria dos nossos hormônios também é proteína. A última é a fase REM (Rapid Eye Moviment)

porque durante essa fase a gente pisca o olho várias vezes e ela é importante, especialmente, para o sistema nervoso central, para a cognição, a memória, o aprendizado. É por isso que esse sono é chamado de paradoxal, porque, durante essa fase, exames de ressonância funcional mostraram que o cérebro funciona igual como se estivesse assistindo à aula na faculdade. Ou seja, você está dormindo, o corpo está desligado, mas o cérebro está processando todas as informações que você teve contato durante o dia. E é aí que ele armazena essas informações.

RCV – É nessa fase do sono que acontecem os sonhos? CA – Exatamente. E nessa fase, o cor-

po está todo paralisado, os únicos músculos que funcionam são os olhos e os músculos cardiorrespiratórios. Enquanto isso, o cérebro está trabalhando na velocidade máxima para processar as informações adquiridas durante o dia. Depois que o indivíduo acorda e passa pelo N1, N2, N3, REM, ele recomeça o segundo ciclo.

RCV – Quais são as consequências de uma noite mal dormida na vida da pessoa? CA – Vamos falar de uma noite e de

várias noites mal dormidas. No caso de uma noite apenas, você tem uma descarga maior de cortisol, que é o hormônio do estresse. Então, você tende a ficar irritado e agressivo no dia seguinte. Há ainda uma hiperglicemia, que é um aumento da glicose no sangue, além de taquicardia (aceleração do coração) e uma que-

Revista Cidade Verde 186  

ALZHEIMER: A ausência presente.

Revista Cidade Verde 186  

ALZHEIMER: A ausência presente.

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