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A VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES UM NOVO EIXO PAISAGÍSTICO PARA BENTO FERREIRA

ELAINE CRISTINE SANTOS SANTANA 2015


Figura 1 (Capa) - PĂłrticos Iluminados propostos para o projeto do Eixo PaisagĂ­stico. Fonte: o autor (2015). Figura 2 - Pintura de ĂĄrvores. Fonte: tosello.deviantart.com (2015).


UNIVERSIDADE VILA VELHA ARQUITETURA E URBANISMO

ELAINE CRISTINE SANTOS SANTANA

A VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES: UM NOVO EIXO PAISAGÍSTICO PARA O BAIRRO BENTO FERREIRA.

VILA VELHA 2015


ELAINE CRISTINE SANTOS SANTANA

A VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES: UM NOVO EIXO PAISAGÍSTICO PARA O BAIRRO BENTO FERREIRA. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, com requisito parcial para obtenção do grau de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo. Orientador:

VILA VELHA 2015

Prof.ª

Dra

Ana

Paula

Rabello

Lyra


ELAINE CRISTINE SANTOS SANTANA

A VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES: UM NOVO EIXO PAISAGÍSTICO PARA O BAIRRO BENTO FERREIRA. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, com requisito parcial para obtenção do grau de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo. COMISSÃO EXAMINADORA _________________________________ Prof. ª Dra Ana Paula Rabello Lyra Universidade Vila Velha Orientador _________________________________ Prof. Me Alexandre Ricardo Nicolau Universidade Vila Velha Avaliador Interno _________________________________ Maria Inês Viviana de la Quintana Bruggemann Bandeira Avaliador Externo Parecer da comissão examinadora em 27 de novembro de 2015.

VILA VELHA 2015


Figura 3 - CafĂŠ Parisiense. Fonte: decoudun.com (2015).


AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pela força e direção na realização deste trabalho e por sempre me conceder a alegria de realizar meus sonhos. Aos pais, Hélio e Marlúcia Santana, que me acompanharam nessa jornada me dando todo o apoio e se esforçando tanto para que eu alcance o sucesso. Sou muito grata pelos pais que tenho, que me ensinaram a importância da força de vontade, e dedicação. Espero um dia recompensá-los. As minhas irmãs, Sara e Isabelle Santana, pela paciência e pelos momentos de alegria que me davam ânimo nos momentos em que mais precisei. Aos meus avôs, tios e primos pelo incentivo e pelos maravilhosos momentos em família. Aos meus amigos pela força e apoio sempre que precisei, pelos momentos de alegria, pela compreensão e pelo carinho que sempre tem demonstrado. Aos professores que confiaram em meu potencial e me incentivaram a correr atrás da realização dos meus sonhos. A minha orientadora, a Dr.ª Ana Paula Lyra, que tanto me inspira e que tem contribuído grandemente em minha formação, compartilhando todo seu conhecimento e sempre me incentivando a dar o melhor de mim. A todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização desta pesquisa o meu muito obrigada!

Elaine Cristine Santana


RESUMO

Muitas cidades brasileiras tiveram como seu processo inicial de formação a ocupação desordenada e informal, e quase sempre percebe-se que nesse contexto os espaços livres foram os mais prejudicados. A falta de espaços livres, ou o mal planejamento desses, na cidade afetam as relações humanas e a valorização das pessoas, agravando ainda mais problemas sociais e a falta de segurança pública. Nesse sentido a valorização das grandes vias para circulação de veículos, implantada pelo urbanismo moderno, vem se mostrando cada vez mais problemática para a qualidade de vida nos espaços urbanos. Muitas dessas cidades ainda têm sofrido transformações em sua morfologia urbana, principalmente devido ao interesse na verticalização e adensamento de grandes empresas do ramo da construção civil, e infelizmente em grande parte esse crescimento e expansão não se tem considerado os estudos urbanos que vem mostrando como a vitalidade a segurança pública podem ser alcançadas como resultado da valorização do homem e dos espaços livres. O presente estudo faz uma seleção dos principais conceitos teóricos e exemplos práticos do urbanismo que apresentam soluções capazes de promover a vitalidade e segurança nos espaços livres, gerando uma melhor qualidade espacial para a cidade e de vida para a população. No contexto da cidade de Vitória, Espírito Santo, o bairro Bento Ferreira se destacou, pois além de estar sofrendo um crescente processo de verticalização também apresenta um contexto social vulnerável, conforme apresentado nos estudos sobre o contexto histórico e socioeconômico do bairro, o que torna ideal a criação de diretrizes de desenho urbano que valorizem os espaços livres, garantindo assim a vitalidade e a segurança pública. A Avenida César Hilal foi delimitada para que, com base nas análises e mapas gerados pelo diagnóstico da dinâmica do contexto urbano local, como resultado desse estudo fossem elaboradas propostas e ideias preliminares de intervenções capazes de promover a vitalidade e segurança através de um eixo paisagístico, alicerçados nos fundamentos teóricos.


ABSTRACT

Many Brazilian cities had as its initial process of formation disorderly and informal occupation, and often it is noticed that in this context the open spaces were the most affected. The lack of open spaces, or bad planning of these in the city affect human relationships and valuing people, further aggravating social problems and lack of public safety. In this sense the appreciation of the major routes for vehicle traffic, implemented by modern urbanism, is proving increasingly problematic for the quality of life in urban areas. Many of these cities still have undergone transformations in its urban morphology, mainly due to interest in vertical integration and consolidation of large companies in the construction industry, and unfortunately largely this growth and expansion has not considered urban studies has shown how public safety vitality can be achieved as a result of the appreciation of the man and open spaces. This study is a selection of the main theoretical concepts and practical examples of urbanism presenting solutions that promote vitality and safety in open spaces, giving a better quality space to the city and life for the population. In the context of the city of VitĂłria, EspĂ­rito Santo, Bento Ferreira district stood out because in addition to be suffering an increasing verticalization process also presents a vulnerable social context, as shown in studies of the historical and socioeconomic context of the neighborhood, which makes ideal to create urban design guidelines that enhance the free spaces, thus ensuring the vitality and public safety. Avenida CĂŠsar Hilal was delimited so that, based on the analyzes and maps generated by the diagnosis of the local urban context dynamic as a result of this study proposals and preliminary ideas interventions were developed that promote the vitality and security through a landscape axis, grounded in theoretical underpinnings.


LISTA DE FIGURAS

Figura 28: Praça no Bairro Jardim Três Irmãos – Vinhedo/São Paulo...........................................38 Figura 29: Playground Zorlu Centre, Istanbul..........................................................................39 Figura 30: Cruzamento da AV. Darly Santos com a AV. Lindenberg, Vila Velha (ES)........................40 Figura 31: Horta comunitária em Vila Maria, SP........................................................................40

Figura 1 - Pórticos Iluminados propostos para o projeto do Eixo Paisagístico.......................................1

Figura 32: The Physic Garden, Switzerland............................................................................41

Figura 2 - Pintura de árvores................................................................................................................2

Figura 33: Riverside Square, La Mailleraye-sur-Seine.............................................................43

Figura 3 - Café Parisiense...................................................................................................................4

Figura 34: Exemplo de vida no espaço da cidade nos anos 60 em Paris........................................44

Figura 4: Statens Museum for Kunst, Copenhagen...................................................................19

Figura 35: Modelo de cidade moderna, plano piloto, Brasília.....................................................44

Figura 5:

Millennium Park, Chicago.......................................................................................23

Figura 36: Exemplo de cidade viva em Copenhague.................................................................45

Figura 6: Exemplo de praça medieval - Piazza del Campo, Siena..................................................24

Figura 37: Apropriação da Orla em Copenhague..................................................................46

Figura 7: Adro da Igreja de São Francisco, Salvador................................................................24

Figura 38: Diferentes densidades urbanas..............................................................................48

Figura 8: Praça ajardinada Frei Caetano Brandão - Belém..........................................................25

Figura

Figura

Goiás.................................................................................26

Figura 40: Diferentes usos da orla Copenhague.......................................................................49

Figura 10: Cidade de São Paulo................................................................................................26

Figura 41: Desenho da via Georgia Street..............................................................................49

Figura 11: Praça da Bondade, bairro Limão, Aracruz (ES)...........................................................29

Figura 42: Estação de transpote coletivo................................................................................49

Figura

9:

Cidade-Jardim

12:

Goiânia,

39:

Shopping

Street,

Copenhaguen.............................................................................49

Mansfield

Market...................................................................................................29

Figura

Figura 13: New Road,

Brighton, UK........................................................................................30

ta.......................................................................................................................................50

Figura 14: Frew Park, Milton, Brisbane, Australia.....................................................................30

Figura 44: Elementos da imagem da cidade........................................................................50

Figura 15: The Physic Garden, Novartis Campus......................................................................31

Figura

Figura 16: Espaços cotidianos em Bento Ferreira.....................................................................31

Figura 46: Central Plaza Chiang Rai.......................................................................................53

Figura 17: Representação de uma via com função de trânsito, Rodovia do Sol, Barra do Jucú (E

Figura 47: Demolição dos morros em Bento Ferreira...............................................................58

S)............................................................................................................................................32

Figura 48: Região de Bento Ferreira, enrocamento e aterro......................................................58

Figura 18: Representação de festas nas ruas: Carnaval de rua em Olinda, Pernambu-

Figura 49: Região de Bento Ferreira: inicio da urbanização e ocupação......................................59

co......................................................................................................................................33

Figura 50: Vista aérea de Bento Ferreira...................................................................................60

Figura 19: Representação da singularidade histórica e arquitetônica da rua: Largo do Pelourinho

Figura

51:

Avenida

César

Hilal.............................................................................................61

Figura

52:

Avenida

César

Hilal............................................................................................61

Salvador,

Bahia...................................................................................................................33

43:

45:

Parklet

na

Bookfield

Rua

Place,

Padre

João

Manoel,

na

região

da

avenida

paulis-

Australia......................................................................................51

Figura 20: Exemplificação da divisão da calçada......................................................................34

Figura 53: Local de vulnerabilidade no bairro......................................................................64

Figura 21: Calçada na Rua Oscar Freire, SP...............................................................................34

Figura

Figura 22: Vista da Rua Oscar Freira, SP.................................................................................35

Figura 55: Eixo da Avenida César Hilal.................................................................................68

Figura

Elysées......................................................................................35

Figura 56: Crescimento imobiliário da Avenida César Hilal..................................................69

Figura 24: Plano Madrid RIO, Barcelona.................................................................................36

Figura 57: Alterações na configuração da Avenida Hilal entre 2005 e 2015..........................69

Figura 25: Vista do Passeio de Sant Joan...............................................................................36

Figura 58: Avenida César Hilal antes da reforma.....................................................................70

Figura 26: Espaços de estar do Passeio de Sant Joan, Barcelona..................................................37

Figura 59: Projeto de renovação elaborado para Avenida César Hilal......................................70

Figura 27: Espaços de lazer infantil no Passeio de Sant Joan.....................................................37

Figura 60: Fotos dos problemas na praça antes da reforma...................................................71

23:

Avenida

Champs

54:

OCT

Bay,

China...................................................................................................69


Figura 61: Fotos da praça antes da reforma em 2011..........................................................71

Figura 91: Edificações de 1 a 2 pavimentos..............................................................................90

Figura 62: Projeto de Reforma da praça Pref. Oswaldo Guimarães....................................72

Figura 92: Exemplo de edificação entre 3 e 6 pavimentos..........................................................92

Figura 63: Lado Norte da praça depois da reforma..............................................................72

Figura 93: Alguns dos edifícios residenciais multifamiliares identificados no eixo.......................91

Figura 64: Lado Sul da praça depois da reforma...................................................................72

Figura 94: Edifício em fase de finalização da construção.......................................................91

Figura 65: Projeto de Revitalização para a praça Oswaldo Guimarães..................................73

Figura 95: Perfil da Avenida César Hilal...................................................................................94

Figura 66: Exemplo de ocupação informal, Beco Guaraná....................................................75

Figura 96: Diagrama da análise da circulação de pedestres na praça.......................................98

Figura 67: Acesso pela Avenida César Hilal.........................................................................76

Figura 97: Calçadas sem acessibilidade na Av. César Hilal.....................................................99

Figura

Figura 98: Calçadas acessíveis na Av. César Hilal...................................................................99

68:

Residência

Unifamiliar........................................................................................78 multifamiliares....................................................................78

Figura 99: Diferença entre rampa acessível e não acessível.....................................................99

Figura 70: Edificação com uso de serviço..............................................................................78

Figura 100: Playground da Praça Oswaldo Guimarães.............................................................100

Figura 71: Uso Misto de Comercio com Residencial..............................................................78

Figura 101: Quadra de esportes da Praça Oswaldo Guimarães..............................................101

Figura 72: Implantação do Hospital da Policia Militar............................................................79

Figura 102: Academia popular da Praça Oswaldo Guimarães..............................................101

Figura 73: Diferentes tipos de serviço..................................................................................79

Figura 103: Telefone público no eixo.................................................................................102

Figura 74: Centro comercial, Ed. Hawai e Caribe..................................................................80

Figura

Figura 75: Vista da Praça Prefeito Oswaldo Guimarães..........................................................80

Figura 105: Lixeira (pilhas e lâmpadas)...............................................................................102

Figura 76: Exemplo de terreno vazio....................................................................................81

Figura

Figura 77: Pontos de pichação e lixo acumulado identificados no eixo.....................................81

Figura

107:

Banco

de

madeira...........................................................................................102

Figura 78: Ponto com concentração de sinais comportamentais................................................82

Figura

108:

Banco

de

concreto...........................................................................................102

Figura 79: Apropriação de atividades informais (ambulantes).................................................82

Figura

109:

Caixa

de

Figura 80: Apropriação indevida do espaço público pela oficina...............................................83

Figura

110:

Figura 81: Intervenção do estacionamento na paisagem, Av. César Hilal.....................................83

Figura

111:

Placas.............................................................................................................102

Figura 82: Bicicleta presa no poste, no entono da praça..............................................................84

Figura

112:

Hidrante.........................................................................................................102

Figura 83: Diagrama da análise de uso da praça........................................................................85

Figura 113: Ponto ônibus de concreto................................................................................102

Figura

Domin-

Figura 114: Ponto de ônibus de estrutura metálica.............................................................102

go......................................................................................................................................86

Figura 115: Vegetação na Avenida César Hilal.....................................................................103

Figura 85: Imagens representando as atividades desenvolvidas no espaço da praça durante o do-

Figura

mingo................................................................................................................................86

rães................................................................................................................................103

Figura

Figura

Figura

69:

84:

86:

Edifícios

Diagrama

Diagrama

residenciais

de

de

análise

análise

dos

dos

usuários

usuários

da

da

praça

praça

Pref.

Oswaldo

Pref.

Oswaldo,

Terça-fei-

104:

Lixeira

106:

116: 117:

(lixo

comum)........................................................................................102

Hidrante.........................................................................................................102

Estação

Memorial Ambiente

Telefone............................................................................................102 elevatória............................................................................................102

botânico

do

proporcionado

projeto pela

paisagístico vegetação

da na

Praça Praça

Oswaldo Oswaldo

GuimaGuima-

ra......................................................................................................................................86

rães.................................................................................................................................104

Figura

Figura 118: Condição da pavimentação da Praça Oswaldo Guimarães...............................104

87:

Imagens

representando

as

atividades

desenvolvidas

no

espaço

da

pra-

ça......................................................................................................................................86

Figura

Figura 88: Apropriação de pessoas na calçada........................................................................88

rães.................................................................................................................................104

119:

Rica

vegetação

e

canteiros

desenhados

da

Praça

Oswaldo

Guima-

Figura 89: Apropriação de pessoas na praça............................................................................88

Figura 120: Esquema da divisão de setores..................................................................................106

Figura 90: Apropriação de pessoas no ponto.........................................................................88

Figura 121: Áreas detacadas na análise de morfologia.................................................................106


Figura 122: Esquema dos lotes sem uso........................................................................................107 Figura 123: Edificações com usos que atraem usuários...................................................................108 Figura 124: Implantação do Hospital da Polícia Militar................................................................108 Figura 125: Arborização no entorno do HPM................................................................................108 Figura 126: Implantação das edificações atrativas de uso no seror 2...............................................109 Figura 127: Fachadas dos edifícios da APAE voltadas para Av. César Hilal.......................................109 Figura 128: Fachadas dos edifícios da APAE voltadas para Aluysio Simões......................................109 Figura 129: Imagens do Bar e Restaurante Arroba..........................................................................110 Figura 130: Fachada da Academia Fisicor........................................................................................110 Figura 131: Edifícios da UNIMED e CREA-ES....................................................................................110 Figura 132: Edifícios com mais de sete pavimentos......................................................................111 Figura 133: Vista dos edifícios com mais de sete pavimentos no eixo.........................................111 Figura 134: Visuais atrativos identificads no eixo........................................................................112 Figura 135: Pontos nodais identificados no eixo da Av. César Hilal.........................................113 Figura 136: Arborização na Av. César Hilal...............................................................................113 Figura 137: Pontos de arborização no setor 1.........................................................................114 Figura 138: Pontos de arborização no setor 2.........................................................................114 Figura 139: Pontos de arborização no setor 3.......................................................................114 Figura 140: Pontos sem arborização no setor 2...................................................................115 Figura 141: Pontos sem arborização no setor 2..................................................................115 Figura 142: Pontos sem arborização no setor 3...................................................................115 Figura 143: Ruas que se relacionam com a praça.............................................................116 Figura 144: Análise das Potencialidades e Vulnerabilidades da Praça Oswaldo Guima.117 Figura 145 - Eixo Paisagístico - Setor 3.......................................................................................123 Figura 146 - Eixos e relações com o entorno...................................................................................126 Figura 147 - Eixos verdes................................................................................................................127 Figura 148 - Elementos de ligação no eixo......................................................................................127 Figura 149 - Definição das atividade e usos do projeto...................................................................128 Figura 150 - Diagrama das atividades e usos da praça....................................................................128 Figura 151 - Implantação geral do projeto......................................................................................133 Figura 152 - Vista 1 da ciclovia elevada...........................................................................................134 Figura 153 - Vista 2 da ciclovia elevada..........................................................................................134 Figura 154 - Paginação de piso do beco Guaraná............................................................................135 Figura 155 - Vista da travessa Aloisio Simões..................................................................................135 Figura 156 - Implantação do setor 1...............................................................................................136

Figura 157 - Jogos de mesa no setor 1 - Xadrez...............................................................................137 Figura 158 - Jogos de mesa no setor 1 - Ping Pong.........................................................................137 Figura 159 - Sala externa no setor 1...............................................................................................137 Figura 160 - Espaço para tomar sol no setor 1................................................................................138 Figura 161 - Playground no setor 1.................................................................................................138 Figura 162 - Implantação do setor 2...............................................................................................139 Figura 163 - Vista da academia no setor 2......................................................................................140 Figura 164 - Vista da área de estar do setor 2.................................................................................140 Figura 165 -Parque de skate do setor 2...........................................................................................140 Figura 166 -Implantação do setor 3.................................................................................................141 Figura 167 - Vista do espaço de estar 3 no setor 3............................................................................142 Figura 168 - Porticos iluminados no setor 3......................................................................................142 Figura 169 - Open bar no setor 3....................................................................................................142 Figura 170 - Implantação do setor 4................................................................................................143 Figura 171 - Espaço para feiras e exposições no setor 4..................................................................144 Figura 172 - Tablado de madeira no setor 4.....................................................................................145 Figura 173 - Área de jogos no setor 4..............................................................................................145 Figura 174 - Playground no setor 4..................................................................................................145 Figura 175 - Pergolado com balanços no setor 4.............................................................................146 Figura 176 - Entorno da quadra no setor 4......................................................................................146 Figura 177 - Vista do Parklet no setor 5...........................................................................................146 Figura 178 - Implantação setor 5.....................................................................................................147 Figura 179 - Vista do Centro Cultural da Avenida Vitória.................................................................148 Figura 180 - Vista do Centro Cultural da Avenida César Hilal...........................................................148 Figura 181 - Árvore Oitti...................................................................................................................149 Figura 182 - Esquema com a arborização de floração colorida para o eixo.......................................149 Figura 183 - Tipos de bancos definidos para o eixo.........................................................................150 Figura 184 - Lixeira para coleta seletiva...........................................................................................150 Figura 185 - Bicicletário em serpentina............................................................................................150 Figura 186 - Bebedouro metálico.....................................................................................................150 Figura 187 - Granilite cinza................................................................................................................151 Figura 188 - Piso permeável, Drenaggio lina Solarium......................................................................151 Figura 189 - Malha de granito.........................................................................................................151


LISTA DE TABELAS

LISTA DE GRÁFICOS

Tabela 1: Principais tipologias de espaços livres urbanos....................................................29 Tabela 2: Classificação de uso do solo segundo o PDU de Vitria.........................................78 Tabela 3: Resumo das apropriações de pessoas no eixo da Avenida César Hilal..................88 Tabela 4: Levantamento de equipamentos e mobiliário urbano na Avenida César Hilal....102 Tabela 5: Síntese das diretrizes e características para elaboração de projetos para espaços urbanos..................................................................................................................................................129

Gráfico 1: Domicílios particulares permanentes, segundo classes de rendimento nominal mensal domiciliar no bairro Bento Ferreira - Vitória (ES)............................................................62


LISTA DE MAPAS

Mapa 1: Situação da área de estudo - Bento Ferreira, Vitória (ES).......................................55 Mapa 2: Caracterização da área de estudo - Bento Ferreira, Vitória (ES)..............................56 Mapa 3: Zoneamento da área de estudo - Bento Ferreira, Vitória (ES).................................57 Mapa 4: Ocorrências criminais na área de estudo - Bento Ferreira, Vitória (ES)...................65 Mapa 5: Ocorrências criminais na área de estudo - Bento Ferreira, Vitória (ES)...................74 Mapa 6: Morfologia do eixo de intervenção - Avenida César Hilal, Bento Ferreira..............77 Mapa 7: Levantamento do uso e ocupação do solo no eixo de intervenção - Avenida César Hilal, Bento Ferreira............................................................................................................89 Mapa 8: Levantamento dos gabaritos do eixo de intervenção - Avenida César Hilal, Bento Ferreira...............................................................................................................................93 Mapa 9: Mobilidade Urbana - Hierarquia Viária de Bento Ferreira, Vitória (ES)...................95 Mapa 10: Mobilidade Urbana - Análise do trânsito e meios de transporte de Bento Ferreira, Vitória (ES).........................................................................................................................97 Mapa 11: Levantamento da infraestrutura e equipamentos do eixo de intervenção - Avenida César Hilal, Bento Ferreira.................................................................................................105 Mapa 12: Potencialidades e Vulnerabilidades do eixo de intervenção - Setor 1, Avenida César Hilal, Bento Ferreira..........................................................................................................119 Mapa 13: Potencialidades e Vulnerabilidades do eixo de intervenção - Setor 2, Avenida César Hilal, Bento Ferreira..........................................................................................................120 Mapa 14: Potencialidades e Vulnerabilidades do eixo de intervenção - Setor 3, Avenida César Hilal, Bento Ferreira..........................................................................................................121


“Tudo posso naquele que me fortalece”. (BIBLÍA, Filipenses 4:13)


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO...................................18

2 ESPAÇOS LIVRES DE USO PÚBLICO

2. ESPAÇOS LIVRES DE USO PUBLICO...................................................22 2.1. BREVE HISTÓRICO......................24 2.2. TIPOLOGIAS E FUNÇÕES............28 2.2.1. RUAS.....................................32 2.2.2. PRAÇAS DE BAIRRO................38 2.2.3. PARQUES INFANTIS (PLAYGROUND)...............................39 2.2.4. JARDINS URBANOS E COMUNITÁRIOS.............................................40

3 VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES

3. VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES...................................42 3.1. EMBASAMENTO TEÓRICO.........44 3.2. CARACTERÍSTICAS E DIRETRIZES..................................................47

4 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

4. CONTEXTUALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ...........................................52 4.1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO.................................................54 4.2. HISTÓRICO DO BAIRRO BENTO FERREIRA...............................................58 4.2. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA...............................................62 4.3. LEVANTAMENTO DA VULNERABILIDADE SOCIAL................................63


5 DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

5. DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO..........................................66 5.1. DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO...........................................68 5.2. MORFOLOGIA URBANA.............75 5.3. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO......78 5.4. MOBILIDADE URBANA...............94 5.5. NFRAESTRUTURA URBANA.......100 5.6. POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES............................................106

6 PROPOSTA DE PROJETO PRELIMINAR DO EIXO PAISAGÍSTICO

6. PROPOSTA DE PROJETO PRELIMINAR DO EIXO PAISAGÍSTICO.................................................122 6.1. CONCEITO E PARTIDO..............124 6.1.1. VITALIDADE..........................126 6.1.2. SEGURANÇA.........................129 6.1.3. CIRCULAÇÃO........................131 6.2. PROJETO..................................132 6.3. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........152

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........153

17


1 INTRODUÇÃO


Figura 4: Statens Museum for Kunst, Copenhagen. Fonte: landezine.com (2015).


1. INTRODUÇÃO

1. Introdução

A carência por espaços humanizados na cidade têm sido foco de muitos estudos e análises atualmente por profissionais da área de Arquitetura e Urbanismo que recebem a formação para o desenho desses espaços livres de uso público, como os passeios públicos, praças e parques, e também por antropólogos, sociólogos, psicólogos, engenheiros, políticos e criminólogos que identificaram no cenário adensado, árido e cheio de contrastes do cotidiano urbano uma fragilidade caracterizada pela evasão das pessoas desses espaços. Estudos relacionados aos aspectos sociais do ambiente construído têm alertado sobre a privatização do espaço de lazer, atualmente concentrado nos condomínios residenciais que adquirem dimensões e formas que reproduzem fortificações e criam espaços fragmentados na cidade. Reconhecer e aceitar a importância que esses espaços têm e exercem na dinâmica da cidade faz-se necessário para que essas áreas recebam a atenção apropriada no planejamento urbano. São espaços que estão diretamente ligados ao desenho e infraestrutura urbana, pois no processo de planejamento ambos interferem na forma de apropriação do mesmo por parte da população. Também tem sido frequente identificar no planejamento atual das cidades potenciais espaços residuais sendo negligenciados e entregues aos problemas sociais, assim como espaços livres, mesmo que planejados, incapazes de atender as necessidades do contexto urbano inserido por não serem compatíveis com a cultura, clima e dinâmica da realidade local. Outro problema que tem limitado o uso e apropriação dos espaços públicos é a sensação de insegurança que muitos deles proporcionam devido à falta de planejamento e desenho urbano adequado para os espaços. Os estudos de segurança pública mostram que existem características da arquitetura e urbanismo que podem influenciar negativa e positivamente na sensação de segurança, principalmente nos espaços livres públicos. Segundo Wekerle e Whitzman (1994), em Safe Cities, o medo do crime e a sensação de insegurança mantem as pessoas fora das ruas, parques, praças e transporte público, especialmente durante a noite, gerando uma barreira substancial para a participação na vida pública da cidade. O espaço livre urbano da cidade, tanto o público como o privado, deve ser resultado de um desenho cuidadosamente planejado, conseguinte de uma profunda investigação das características físicas, sociais e econômicas do contexto urbano em que serão inseridos, com o objetivo de se integrar à realidade atual intensificando a apropriação já existente ou alterar os usos adequando às necessidades e incrementando seu valor. Alguns exemplos e estudos tem demonstrado que é possível garantir qualidade ambiental para a cidade através da implantação de espaços livres, por propor20

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

cionarem conforto climático através de melhores condições do ar e insolação, assim como a qualidade de vida das pessoas, quando incentivada a apropriação e o uso do mesmo. Essa apropriação dos espaços livres e o interesse no contato ao ar livre têm sido desfavorecidos pela privatização do lazer, entretenimento e comércio, como os shoppings centers e condomínios fechados. O presente estudo foi elaborado considerando essas reflexões acerca dos espaços livres da cidade, e a contribuição desses para a vitalidade e segurança de nossos bairros. O trabalho foi desenvolvido com o objetivo geral de aplicar os conceitos de vitalidade e segurança na elaboração de propostas de ideias para a elaboração de um projeto preliminar de intervenção que compreende a criação de um eixo paisagístico para o bairro Bento Ferreira, Vitória (ES). O bairro Bento Ferreira está localizado em uma área de ocupação formal do município de Vitória que apresenta uma densidade habitacional crescente, sendo o bairro ideal para as construtoras promoverem a verticalização e consequente adensamento. O bairro também tem registrado um índice crescente de ocorrências criminais, principalmente de furtos e roubos, tema que tem sido objeto de pesquisa de iniciação científica na Universidade Vila Velha, coordenado pela Dr. Ana Paula Rabello Lyra. A área de intervenção foi definida a partir da identificação de espaços livres existentes no contexto do bairro com potencial para apropriação pública, como o eixo do bairro compreendido pela a Avenida Cesar Hilal e a praça Oswaldo Guimarães. O estudo foi estruturado visando investigar em fundamentos teóricos e exemplos práticos soluções capazes de proporcionar a vitalidade e segurança para os espaços livres e uma melhor qualidade espacial para o bairro. Para a estruturação do estudo as informações foram organizadas em cinco capítulos: dois capítulos de fundamentação teórica sobre os temas “espaços livres de uso público” e “vitalidade e segurança”, dois capítulos para a caracterização da área de estudo, que compreende a “contextualização da área de estudo” e o “diagnóstico da área de intervenção”, e um capítulo com a descrição da proposta de intervenção do eixo paisagístico. Os capítulos dois e três discorrem sobre a fundamentação teórica levantada quanto aos temas vitalidade e segurança através dos espaços livres urbanos. O capítulo dois traz os espaços livres como objeto de estudo, apresentando um breve histórico no contexto da cidade, principalmente as brasileiras, realizando um paralelo entre os momentos mais significativos do urbanismo para o tema. Também é realizada a classificação das tipologias, destacando as que mais se relacionam com o produto a ser gerado pelo estudo, conceituando e estabelecendo as funções dos principais espaços livres existentes no contexto atual das cidades. O capítulo três discorre sobre como os espaços livres podem contribuir para a vitalidade e segurança urbana,


onde são analisados os conceitos de cidade viva e segura, escala humana, análise da vulnerabilidade e desordem, imagem e forma da cidade sobre o ponto de vista de vários teóricos do urbanismo moderno. Com base nos conceitos são levantadas as características e diretrizes a serem aplicadas no planejamento da cidade, e principalmente dos espaços livres para a melhoria da qualidade espacial urbana.

1. Introdução

O capítulo quatro apresenta a contextualização da área de estudo, que abrange o bairro Bento Ferreira. Neste capítulo é realizada a caracterização quanto à localização e as principais características urbanas do entorno, discorre também sobre o histórico de formação e ocupação, as características socioeconômicas e criminais do bairro Bento Ferreira. No capítulo cinco a área de intervenção para a aplicação do eixo paisagístico é apresentada com a justificativa de sua delimitação e com base nas características observadas na contextualização e caracterização do bairro Bento Ferreira. A partir desta definição desenvolve-se um diagnóstico com o objetivo de identificar potencialidades e vulnerabilidades locais a partir da caracterização da área urbana, analisando as características da situação existente referentes à morfologia urbana, uso e ocupação do solo, apropriações, gabaritos, mobilidade, infraestrutura e equipamentos. As análises foram baseadas nos principais conceitos teóricos identificados na fase de embasamento teórico que são: a análise física espacial e visual, baseada nos pontos de Lynch, análise comportamental e da vulnerabilidade social, que compreende o método da prevenção do crime através do desenho urbano (CPTED), da teoria das janelas quebradas e da dinâmica urbana, avaliando a imagem da cidade. As diretrizes identificadas no embasamento teórico e as características identificadas quanto às potencialidades e vulnerabilidades da área geraram conceitos e propostas que foram utilizadas na proposta de intervenção do novo eixo paisagístico da Avenida César Hilal visando atender os objetivos expostos para esse estudo de gerar qualidade espacial, vitalidade e segurança dos espaços livres como apresentados no capítulo seis.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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2 ESPAÇOS LIVRES DE USO PÚBLICO

Para compreender as atuais concepções de espaços livres de uso público e as funções que estes exercem no contexto da cidade faz-se necessário o conhecimento do contexto histórico em que eles surgiram e como se relacionaram com o desenvolvimento urbano. Para isso este capítulo apresentará um breve histórico dos espaços livres no contexto das mais importantes cidades ao redor do mundo durante a história do urbanismo, contextualizando com os espaços livres no Brasil. Também veremos como os espaços livres são definidos e classificados, considerando a visão de diferentes autores, avaliando assim a função que esses espaços desempenham no contexto da cidade, ressaltados por exemplos práticos.


Figura 5 - Millennium Park, Chicago. Fonte: tophdgallery.com (2015).


2. Espaços livres de uso público

2. 1. BREVE HISTÓRICO Os espaços livres existem desde o início das cidades, inicialmente identificados como a rua, referente às vias que conectam as diferentes ocupações da cidade, os passeios públicos, locais de circulação e acesso aos lotes e às edificações, e as praças, áreas vazias entre as edificações. Na antiguidade foi a Polis aristocrática grega que estabeleceu o conceito de zonas de áreas públicas da cidade destinadas ao exercício da cidadania e vivência urbana, como os locais destinados às reuniões políticas, comércio, teatro e jogos desportivos. Nesse contexto destaca-se a ágora; assembleia, praça ou local ao ar livre onde os cidadãos se reuniam para ouvir as decisões dos chefes ou opinar, e onde eram implantados vários edifícios dedicados ao bem público. Os espaços livres ganham destaque significativo novamente apenas no final do século X, com o começo do renascimento econômico na Europa e o desenvolvimento das cidades medievais (Figura 6). Começa-se a estabelecer um espaço público comum, complexo e unitário com Estatutos Comunais que regulam a relação entre a lei pública e os interesses privados com relação ao espaço livre, caracterizados por se desenvolverem no entorno de igrejas ou palácios papais e dar suporte ao comércio (BENEVÓLO, 1999). Figura 6 - Exemplo de praça medieval - Piazza del Campo, Siena. Fonte: viajesemprecia.blogspot.com.br (2014).

Figura 7- Adro da Igreja de São Francisco, Salvador. Fonte: commons.wikimedia.org (2011).

Cidades mais compactas como a do planalto espanhol, com praças centrais grandiosas e uma malha urbana de padrão geométrico de ruas amplas, foram de vultosa influência para o planejamento de cidades como Nova Iorque e México (BENEVÓLO, 1999). As colônias portuguesas, no entanto, como no caso do Brasil possuíam um traçado desordenado e orgânico que se desenvolvia sem planejamento, em grande parte, no entorno de uma igreja ou capela, lembrando as tradições urbanísticas da Europa medieval. Os primeiros espaços livres coloniais brasileiros foram os deixados em frente aos templos, os adros, dos quais eram formadas as praças (Figura 7). Com o desenvolvimento da população local esses espaços se consolidavam como um elo entre a comunidade e a paróquia, se tornando a área mais valorizada atraindo ricas residências, prédios públicos e comércio para seu entorno (ROBBA; MACEDO, 2010).

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


A Revolução Industrial, no século XIX, acarretou alterações econômicas, sociais e físicas na dinâmica das cidades. No Brasil, esse processo foi mais tardio, acontecendo só na segunda década do século XX, mas o desenvolvimento da indústria e das atividades de comércio ocasionou um crescimento urbano, muitas vezes desordenado, que modificou a cidade e a ocupação dos espaços livres. Nesse processo, em detrimento do crescimento das cidades os espaços livres foram sendo subtraídos do contexto urbano (ROBBA; MACEDO, 2010). Influenciados pelo modelo de cidades-jardim de Ebenezer Howard, que segundo Françoise Choay (2003) é uma vertente de planejamento que une as vantagens da vida na cidade e a beleza do campo, são planejadas cidades com amplos espaços livres, como Goiânia e Brasília (Figura 9). Nessas cidades planejadas os amplos espaços livres adquiriram uma formatação de influência modernista, que foram posteriormente criticados por estudiosos da vida urbana, como a Jane Jacobs, por existirem sem uma infraestrutura urbana de usos e ocupações que atraíssem as pessoas e estimulasse a socialização das mesmas. O crescimento desordenado e do surgimento de ocupações informais em áreas periféricas e de potenciais de preservação acabaram comprometendo esta vertente de planejamento (ROBBA; MACEDO, 2010).

Figura 8 - Praça ajardinada Frei Caetano Brandão - Belém. Fonte: joaodorio.com (2012).

Neste contexto, surge o pós-guerra trazendo a necessidade de reconstrução da cidade, rápida e em larga escala, e de modernização; com a inserção de novas possibilidades como o uso do aço e o elevador que deu início ao processo de verticalização das cidades, o sistema de gás, eletricidade, telefonia e de transporte público; originando o modelo de cidade moderna. Modelo este fundamentado na divisão de funções sobrepostas da vida na cidade: habitar, trabalhar, cuidar do corpo e espírito, e circular (BENEVÓLO, 1999). Essa vertente de estilo arquitetônico e urbanístico, o modernismo, se inicia com o debate da habitação e avança para a cidade como um todo (PINHEIRO, 2006). Esses debates sucederam-se nos C.I.A.M.1, que em 1933 fomentou um documento com diretrizes de planejamento urbano conhecido como Carta de Atenas, compilado por Le Corbusier (CHOAY, 2003). Segundo IRAZÁBAL (2001) a setorização física da cidade, baseado nas funções previstas na Carta de Atenas de 1933, demostrou na prática, como identificado em Brasília, não serem eficientes gerando insegurança e abandono dos espaços livres.

2. Espaços livres de uso público

No final do século XVIII, como resultado dos investimentos nas redes de percursos das cidades, surgem na Europa os primeiros espaços ajardinados de uso público, os Passeios públicos e as alamedas, que funcionavam como um local de contemplação, passeio e vivência ao ar livre. No Brasil surge o primeiro jardim público no fim de 1700, o Passeio Público do Rio de Janeiro, concebido pelo importante arquiteto e artista colonial Mestre Valentim da Fonseca e Silva, que passou por reformas em 1862, tornando-o ainda mais atrativo e frequentado. Na metade do século XIX, as campanhas de modernização, salubridade e embelezamento das cidades, influenciados pelos conceitos de Haussmann aplicados em Paris, geraram grandes reformas com a implantação de bairros jardim e boulevards. Surge a praça ajardinada, considerada um marco na história dos espaços livres urbanos por gerarem alterações na função da praça, que deixa de ser apenas um espaço livre e se torna um cenário ajardinado destinado a atividades de recreação, lazer contemplativo, convivência e passeio (Figura 8). A praça começa a ser projetada e o uso da vegetação se torna um padrão de qualidade de espaço livre, representando o estilo arquitetônico e paisagístico conhecido como ecletismo (ROBBA; MACEDO, 2010).

1 Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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Como resultado dos C.I.A.M. e da Nova Carta de Atenas o lazer se torna um requisito importantíssimo para o contexto da cidade e o programa dos espaços livres passa a se basear no lazer ativo, que compreende atividades esportivas e de recreação infantil, com quadras esportivas, playgrounds, espaço para caminhada, lazer contemplativo e cultural, como pavilhões de exposição e museus (ROBBA; MACEDO, 2010).

2. Espaços livres de uso público

Diante deste cenário destaca-se o desenvolvimento do urbanismo e o crescimento e a ocupação das cidades que gerou o fenômeno conhecido como metropolização. Em 1970, surgem às primeiras metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, e com elas a necessidade de reconstrução e ampliação da infraestrutura urbana para atender as novas demandas de transporte, habitação, com destaque para a verticalização, e lazer (Figura 10). Esse cenário promove uma nova tendência ao fortalecimento dos espaços livres públicos, onde as praças passariam a assumir variadas funções dependendo da sua localização: as centrais teriam a função de garantir a qualidade ambiental articulando e centralizando a circulação de pedestres, Figura 10 - Cidade de São Paulo. Fonte: veja.abril.com.br (2015).

Figura 9 - Cidade-Jardim Goiânia, Goiás. Fonte: goiania.go.gov.br, elaboração do autor (2015).

As reflexões advindas do modernismo, que propôs novos modos de ocupação das cidades contemporâneas que esgotaram e comprometeram a vivência e a socialização das pessoas pela ausência de espaços livres de qualidade destinados ao uso publico, geraram conteúdo para a Nova Carta de Atenas (KANASHIRO, 2004) na qual são estabelecidas novas recomendações e diretrizes para o planejamento urbano em busca da construção de uma cidade sustentável onde a qualidade de vida das pessoas passa a ser considerada. A carta define recomendações importantes para a garantia da vitalidade e qualidade espacial do ambiente urbano como a igualdade social de “uma cidade para todos”, o “contato humano”2 promovido pela apropriação dos espaços públicos, a “variedade e diversidade” com o incentivo do uso misto do solo, e “movimento e acesso” que trata da garantia da acessibilidade e incentivo do transporte coletivo. Termo descrever 2

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a

também função

usado por de socialização

Jane que

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Jacobs a rua

(2007) pode

para exercer.


as de bairro atenderiam o lazer passivo e ativo proporcionando a convivência, e as modernas contribuiriam para a valorização do espaço.

2. Espaços livres de uso público

Entretanto, os adensamentos e a carência por espaços de expansão característicos das regiões metropolitanas que se multiplicaram no Brasil com o surgimento do urbanismo contemporâneo, no começo de 1990, fez surgir a busca por novas linguagens formais de projeto. Ocasião em que os conceitos quanto ao programa de atividades de usos dos espaços livres urbanos foram repensados, gerando uma maior liberdade na concepção de acordo com o local implantado, atraindo novamente atividades como comércio e serviços, instituições públicas, feiras, e apropriações informais que passam a configurar uma nova demanda para os espaços livres de uso público que estimulem o convívio urbano. (ROBBA; MACEDO, 2010). Conhecer o histórico dos espaços livres é importante para entender qual a relação que eles já estabeleceram com a cidade e como isso influenciou no modo como esses espaços são projetados e apropriados atualmente. Essa contextualização faz-se necessária para que esses espaços sejam classificados e conceituados apropriadamente, no contexto das cidades atuais, como será apresentado a seguir.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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2. Espaços livres de uso público

2.2. TIPOLOGIAS E FUNÇÕES Os espaços urbanos atuais são resultados das diferentes transformações históricas, físicas, sociais e econômicas que tem influenciado o uso e ocupação do solo nas cidades. Segundo Cavalheiro & Del Picchia (1992) o espaço urbano atual, quando considerado os elementos que compõe o seu meio físico, podem ser classificados em: espaços com construções, espaços de integração e os espaços livres. Esta parcela urbana apresentada como espaços livres são as áreas urbanas definidas e classificadas como objeto deste estudo para a melhor compreensão de sua influência na promoção da vitalidade e segurança das cidades.

individuais, permeando os edifícios e as estruturas e interligando toda a cidade.

Tais definições aparecem essencialmente vinculadas aos aspectos de apropriação e ocupação destes espaços, muitas vezes definidos pela forma singular de cada pesquisador de estudar a cidade. Para compreensão dos tipos e funções destes espaços livres faz-se necessário entender as definições de alguns estudiosos da paisagem urbana para identificar os pontos relevantes destacados pelos mesmos como fundamentais para a constituição desses lugares comuns.

Esses espaços adquirem funções específicas no contexto urbano e que geralmente permitem sua classificação, que segundo Magnoli (2006) se apresenta como uma tarefa bem complexa. Assim como na definição dos espaços livres, a sua classificação também é realizada por diferentes teóricos e pensadores. Segundo Marion Clawson (apud MAGNOLI, 2006), esses espaços podem ser classificados como: áreas com a função de propiciar visuais do ambiente urbano, recreação com variadas atividades específicas, proteção ecológica e ambiental, proporcionar identidade influenciando a morfologia urbana e preservar áreas para futuras ocupações. Tunnard-Pushkarev (apud MAGNOLI, 2006) classifica em quatro funções: produtiva, protetora, ornamental e recreativa. E Stanley Tankel (apud MAGNOLI, 2006) classifica de acordo com a percepção do espaço pelo indivíduo, ou pelas pessoas que segundo ele se dá de três formas: usando, vendo e sentindo.

Alguns arquitetos e urbanistas como Stephen Carr e Kevin Lynch (apud FRANCIS, 2003) definem os espaços livres como todo espaço de acesso público como os parques, praças, ruas, jardins comunitários e corredores verdes. Tal visão é compartilhada por Jan Gehl (2013) ao denominar esses espaços como “the life between buildings”, ou a vida entre edifícios. Aparece, entretanto, curiosamente e hierarquicamente nomeado de “third place”, ou terceiro lugar, pelo sociólogo Ray Oldenburg (apud FRANCIS, 2003), que os reconhece como espaços que promovem o convívio e encontros regulares e informais entre os indivíduos além do ambiente familiar e do trabalho. Uma abordagem aparentemente desprovida da essência humana é apresentada por Gold (apud WOLLEY, 2003) que sintetiza esse espaço como as porções de terra e água no ambiente urbano que não estão ocupadas por carros ou edifícios, ou qualquer espaço desocupado em área urbana. Em contrapartida a essa definição Tankel (apud WOLLEY, 2003) sugere que os espaços livres, vão além da porção de terra, ou de água, mas que compreende também o espaço, referente ao volume, e a luz acima dessa área. Essa amplitude é reafirmada por Cranz (apud WOLLEY, 2003) com um espaço que não se limita a uma área específica, mas que se relaciona com a cidade e no qual ambas fluem uma para dentro da outra, ressaltando a importância de todo espaço aberto na cidade ser considerado como um “parque”, no sentido de que deve ser planejado e interligado à dinâmica da cidade proporcionando qualidade ambiental. Seguindo esse mesmo pensamento o manual de diretrizes desenvolvido para o projeto “UrbSpace”, implementado pelo “Central Europe Programme” em 2013 na Europa, também descreve os espaços livres como toda área ao ar livre que influencia na dinâmica urbana agindo como um elemento de ligação entre os espaços

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Os espaços livres são definidos por Magnoli (2006), de forma bem sintética, como “todo espaço não ocupado por um volume edificado” ou “áreas urbanas e em seu entorno, não cobertas por edifícios”, sendo esse um espaço que compreende todo o espaço-solo, espaço-água e espaço-luz que compõe o entorno das edificações e que permitem o acesso de pessoas, e que pode ser concluído com os conceitos de Oldenburg, promovendo o convívio e encontro entre os indivíduos.

No contexto urbano brasileiro, principalmente na visão popular, qualquer espaço livre da cidade é classificado como praça, mesmo que não possua nenhuma função social, ou recreativa atribuída a ele, desde pequenas praças de bairro até grandes complexos verdes. Áreas de canteiros ou jardins urbanos, que geralmente são resultantes do traçado do sistema viário, como os “canteiros centrais das avenidas, jardins junto às alças de acesso a pontes e viadutos, rotatórias, taludes e encostas ajardinadas” (ROBBA; MACEDO, 2010). A correta definição e classificação das áreas que podem ser consideradas espaços livres na cidade é essencial para o planejamento do desenho urbano e para o desenvolvimento de projetos adequados para o uso exigido por cada um desses locais. A classificação de espaços livres que pode ser considerada mais completa para atender os objetivos desse estudo foi elaborada por Carr, Francis, Rivlin e Stone (1993) no livro “Public Space”, e é apresentada por Mark Francis (2003), em “Urban Open Space”. A tabela 1 apresenta algumas dessas tipologias de espaços livres urbanos, geralmente encontradas em bairros predominantemente residenciais, separadas por tipo e subtipo, e suas principais características.


2. Espaços livres de uso público

Tabela 1 - Principais tipologias de espaços livres urbanos.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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2. Espaços livres de uso público 30

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


2. Espaços livres de uso público Fonte: Mark Francis (2003) adaptado pelo autor.

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2. Espaços livres de uso público

2.2.1. RUAS Das diferentes tipologias descritas as que se apresentam relevantes para o desenvolvimento deste estudo são as ruas, os mercados, os jardins comunitários, os parques ou praças de bairro e os playgrounds. Além dessas categorias citadas na tabela, ao se avaliar as cidades brasileiras são identificadas áreas que podem compor uma nova tipologia de espaços, são os já citados jardins urbanos, que se apresentam como um grande potencial para a garantia de qualidade ambiental e social da cidade e que também é importante para o estudo. Esses espaços serão avaliados mais detalhadamente, identificando suas principais características, as contribuições que podem proporcionar para a dinâmica da cidade e as diretrizes de projetos ideais para o seu desenho através de estudos de caso. O sistema de vias urbanas é composto de duas partes diferenciadas pelas suas funções: o leito carroçável, local onde acontece a circulação dos veículos e o escoamento de águas pluviais, e os passeios, com a circulação de pedestres, conhecidos popularmente como rua e calçada. Os passeios devem garantir a passagem e cruzamento mínimo para um pedestre, a dimensão mínima ideal é de 1,50 m de largura, com um traçado retilíneo, livre de obstáculos e elevada garantindo o escoamento da água da chuva. Compreende também parte do sistema de vias urbanas as vias cicláveis, destinada ao trânsito de bicicletas. As dimensões mínimas da via são determinadas pelo volume de tráfego, sentido do fluxo, e velocidade da circulação. A hierarquização dessas é uma medida importante para o funcionamento da mobilidade da cidade, pois tem a função de organizar o tráfego de acordo com os usos a serem atendidos (MASCARÓ, 2008). Em Vitória, ES, as vias são classificadas pelo PDM (2006), Lei nº 6.705 no artigo 122, em vias arteriais metropolitanas, vias arteriais municipais, vias coletoras, vias locais principais, vias locais e vias de pedestre. Essas são definições e diretrizes técnicas do sistema viário das cidades, mas a função e a influência da rua no contexto urbano vão além, assumindo também uma dimensão social e ambiental. A escritora Jane Jacobs (2007) ao analisar a cidade com um olhar crítico, e na posição de usuária do espaço livre público, faz a seguinte afirmação: “As ruas da cidade servem a vários fins além de comportar veículos; e as calçadas – a parte das ruas que cabe aos pedestres – servem a muitos fins além de abrigar pedestres”, que segundo ela podem ser considerados os “principais locais públicos”, capazes de caracterizar uma cidade seja de forma positiva, tornando-a atraente, ou negativamente, principalmente quanto à falta de segurança. A ES-060, mais conhecida como Rodovia do Sol, que liga Vitória ao sul do Espírito Santo em grande parte de seu trecho exerce apenas sua função de mobilidade, sem o incentivo da apropriação social e da presença de pessoas, com características desfavoráveis a segurança (Figura 17).

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Figura 17 - Representação de uma via com função de trânsito, Rodovia do Sol, Barra do Jucú (ES). Fonte: panoramio.com (2015).

Da mesma forma, NYGAARD (2010) retrata a rua como sendo um dos elementos que intervém diretamente na forma, “orientação espacial” e “sentido” de uma cidade influenciando na sua segurança devido à dimensão e função que desempenha. Ele também reafirma a ideia de que a função da rua vai além do que apenas um espaço de circulação, mas que também se caracteriza como um espaço de passeio, lazer, contatos e encontros, que permite o acesso aos espaços e atividades que ocorrem no contexto urbano, possibilitam a realização de atividades populares, feiras livres e festas, preservando a história de uma localidade, lhe proporcionando “acessibilidade, visibilidade social e singularidade histórica e arquitetônica” (Figuras 18 e 19). Como apresentado anteriormente, as vias podem assumir variadas classificações que dependem da função que lhes cabe no contexto de cada cidade para garantir a mobilidade e acessibilidade. As classificações descritas são as adotadas pelo Plano Diretor Municipal de Vitória (2006), mas cada município ou cidade pode elaborar um padrão próprio. Independente da especificação ou nomenclatura adotada existe alguns tipos peculiares de vias que promovem mais qualidade para as cidades; destas


Por ser o espaço com a função de permitir a circulação de transeuntes, a calçada é o elemento chave para ruas planejadas com o objetivo de valorizar o pedestre. Segundo o PDM3 de Vitória (2006), no artigo 34, um dos planos de mobilidade é priorizar calçadas e ciclovias através de manutenção adequada, promovendo “melhorias nas condições de circulação e de segurança dos pedestres e ciclistas, garantindo um percurso seguro, livre de obstáculos e acessível a todos os cidadãos”. XAVIER (2015) define a calçada como sendo o elemento que estabelece contato entre as pessoas e o espaço público estabelecendo ligação entre o espaço público e privado. Para ZATTAR (2009) as calçadas tem perdido seu caráter de espaço público o que ele relaciona às apropriações indevidas denominando como “invasionismo”, e que XAVIER (2015) considera como o uso do espaço público como uma extensão do privado. Figura 18 - Representação de festas nas ruas: Carnaval de rua em Olinda, Pernambuco. Fonte: thesummerhunter.com (2015).

Figura 19 - Representação da singularidade histórica e arquitetônica da rua: Largo do Pelourinho – Salvador, Bahia. Fonte: flickr.com (2015).

Para JACOBS (2007) a calçada só adquire significado quando estão junto ás edificações ou a outros espaços e usos da cidade, pois a mesma atribui a esta relação a garantia do olhar espontâneo do pedestre além de estar diretamente relacionada à segurança e ás relações sociais que acontecem na cidade. Ela considera que uma cidade segura está relacionada à sensação de segurança que as pessoas podem atribuir ao usar as calçadas, proporcionada em grande parte pelos contatos públicos que nela se estabelecem. Considerando esses aspectos XAVIER (2015) defende a ideia de que as calçadas deviam ser o espaço livre mais democrático, pois precisam atender a todos garantindo mobilidade e acessibilidade.

2. Espaços livres de uso público

pode-se destacar as ruas de pedestres, os boulevards ou vias de amplas calçadas; e promovem a valorização do pedestre, para o estudo de bons exemplos de planejamento.

Quanto à garantia da mobilidade e acessibilidade a NBR 9050 (1994), que “visa proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, [...] a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos”, estabelece a largura mínima de 1,20m para a faixa livre da rota acessível dos passeios públicos respeitando a intensidade de fluxo local. A norma também estabelece outros requisitos para o tratamento das calçadas a fim de garantir a acessibilidade, como o rebaixamento das calçadas junto às faixas de travessia de pedestres, inclinações máximas de até 6,25% para rampas sem áreas de descanso localizadas nas rotas acessíveis e as dimensões mínimas de 1,20 para a largura dos deslocamentos verticais, o tratamento de esquinas, acesso ás edificações e elementos urbanos. 3

Plano Diretor Municipal de Vitória. A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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2. Espaços livres de uso público

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia elaborou um Guia prático para a construção de calçadas, que apresenta um modelo padrão, considerando as dimensões mínimas e os usos que uma calçada deve atender estabelecendo uma divisão em faixas (Figura 20), que são descritas por XAVIER (2015) como:

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• Faixa de serviço: reservada para a implantação do mobiliário urbano, rampas e vegetação, com dimensão mínima de 0,75 metros; • Faixa livre: reservada para a circulação de pedestres, e deve possuir superfície regular e ser livre de obstáculos, dimensão mínima de 1,20 metros; • Faixa de acesso: área de apoio à propriedade reservada para garantir o acesso ao imóvel, não possui dimensões mínimas.

Figura 20 - Exemplificação da divisão das faixas da calçada. Fonte: streetmix.net, modificações do autor (2015).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

A aplicação dos conceitos considerados sobre a importância das calçadas podem gerar transformações físicas, sociais, econômicas e ambientais no contexto urbano, como é possível observar no exemplo da requalificação da rua Oscar Freire em São Paulo. Segundo descrito por FYSKATORIS e BRAGA (2014) a rua está localizada em uma região considerada nobre, nos Jardins, conta com uma extensão de 2,6 Km e com usos residenciais e comerciais. Em 2006 foi finalizada a intervenção urbana que transformou a rua em um polo de varejo de luxo. A intervenção contou com o alargamento, nivelamento e padronização das calçadas, o aterramento da fiação elétrica aérea, implantação de vegetação e mobiliário urbano (Figuras 21 e 22). As grandes avenidas, ou as vias arteriais, são geralmente consideradas uma das formas mais eficientes de garantir a mobilidade e a articulação nos espaços urbanos das cidades contemporâneas, principalmente por sua capacidade Figura 21 - Calçada na Rua Oscar Freire, SP Fonte: skyscrapercity.com (2015).


Mesmo com suas desvantagens, existem modelos de grandes avenidas, como os bulevares que buscam promover a qualidade ao espaço público por meio de vias que além de atender a função de transporte e locomoção valorize as pessoas, através de largas calçadas, lojas e mobiliários que proporcione o conforto. Segundo BERMAN (apud MASS, 2011) essa foi uma das grandes inovações para o urbanismo e para a modernização urbana, com o objetivo de embelezar a cidade e melhorar a circulação. Os bulevares de Napoleão e Haussmann criaram novas bases – econômicas, sociais, Figura 22 - Vista da Rua Oscar Freira, SP. Fonte: archdaily.com.br (2015).

estéticas – para reunir um enorme contingente de pessoas. No nível da rua, elas se enfileiravam em frente a pequenos negócios e lojas de todos os tipos e, em cada esquina, restaurantes com terraços e cafés nas calçadas (BERMAN apud SILVA, 2007). É possível identificar a valorização do pedestre e a da busca pela vitalidade da cidade em alguns projetos de bulevares, em detrimento da forte presença do automóvel. Um dos bulevares mais conhecidos é a Champs Elysées (ou Campos Elíseos) a mais famosa Avenida de Paris, fruto da intervenção de Haussmann (Figura 23). A avenida faz parte do eixo histórico de Paris passa pelo Louvre, o Arco do La Défense, Jardins des Tuileries, Place de la Concorde, a Avenida Champs Elysées e termina no Arco do Triunfo. A avenida conta com amplas calçadas com espaços de estar além de concentrar comércio em toda sua extensão, principalmente de luxo sendo considerada uma das mais caras do mundo (LAVALLE, 2013). Figura 23 - Avenida Champs Elysées. Fonte: terra.com.br (2015).

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2. Espaços livres de uso público

de suportar um alto fluxo de veículos. Segundo o PDM de Vitória (2006), no artigo 122, as vias arteriais metropolitanas são as que proporcionam ligação intermunicipal promovendo a “coleta e distribuição dos fluxos de veículos que circulam pelos centros”. Esse modelo de circulação tende a incentivar o trânsito intenso de automóveis, o que tem ocasionado em grande parte a degradação dessas, principalmente ao se tratar do bem estar do pedestre (PESCARINI, 2004).

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2. Espaços livres de uso público

Outro exemplo de vias de grande fluxo que integram bem o pedestre são as praças lineares criadas na Espanha. O governo de Alberto Ruiz-Gallardón, Madrid passou por intervenções no seu sistema de infraestrutura, ao longo de 43 quilômetros, e um grupo de arquitetos elaborou o masterplan para Madrid RIO (Figura 24). Esse plano contou com 47 subprojetos, as mais importantes avenidas projetadas são: o Salón de Pinos, a Avenida de Portugal, Huerta de la Partida, o Jardines de Puente de Segovia, Jardines de Puente de Toledo, Jardines de la Virgen del Puerto e o Parque de la Arganzuela. O plano também contava com uma variedade de Praças, e parques, pontes para a melhoria das zonas urbanas ao longo do rio (LANDEZINE, 2011). O Passeio de Sant Joan (Figura 25), por exemplo, é uma importante Avenida em Barcelona, com distância de 50 metros entre fachadas, largas calçadas com árvores e pista central, que passou por um projeto de remodelação (LANDEZINE, 2012).

Figura 24 - Plano Madrid RIO, Barcelona. Fonte: landezine.com (2015).

Figura 25 - Vista do Passeio de Sant Joan. Fonte: landezine.com (2015).

O objetivo da proposta de intervenção era priorizar o uso de pedestres na avenida transformando-a em uma zona verde urbana (Figura 26). Para isso foram adotados como critérios promover uma seção contínua no comprimento da avenida, reduzir as faixas de tráfego de veículos, promover usos e atividades variadas, criar zonas de lazer protegidas por árvores, separar a ciclovia e promover uma nova zona verde urbana ligada a um parque. A intervenção na avenida promoveu vitalidade urbana para esse trecho da cidade, com diferentes usos, espaços recreativos (Figura 27), e comerciais além de recuperar também o valor histórico (LANDEZINI, 2012).

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2. Espaços livres de uso público

Figura 26 - Espaços de estar do Passeio de Sant Joan, Barcelona. Fonte: landezine.com (2015).

Figura 27 - Espaços de lazer infantil no Passeio de Sant Joan. Fonte: landezine.com (2015).

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2. Espaços livres de uso público

2.2.2. PRAÇAS DE BAIRRO

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As praças de bairro são conceituadas por Marcus e Francis (1998) como espaços localizados em ambientes residenciais com campos gramados, árvores e vegetação com usos variados, ativos e passivos (sentar, descansar, esportes, jogos e caminhadas) determinados segundo as necessidades da comunidade local. Esse conceito está bem próximo do proposto por Mark Francis (2003), de um espaço livre desenvolvido em ambientes residenciais, como parte do sistema de áreas livres da cidade, com playgrounds, instalações esportivas, e outras atividades (Figura 28). Alex (2008) apresenta o conceito estabelecido por Laurie (apud ALEX, 2008) de praças de bairro como “espaço indiferenciado com uma variedade de superfícies com uma borda rica de símbolos e atividades, sombra e sol – incompleto, flexível e dinâmico”. Analisando o contexto das cidade, Alex (2008) descreve o conceito de neighbrhood park como muito parecido com as praças tradicionais brasileiras. As praças de bairro podem ser consideradas importantes, pois assumem a função de promover o sentimento de comunidade. Essas praças são as que, geralmente, as pessoas têm mais contato, por estar próximo das residências. A praça de bairro deve ser um espaço democrático com diferentes atividades que atenda as idades. Deve ser onde os pais ou os avós podem levar as crianças para brincarem, onde todas as idades podem se encontrar e se sentir a vontade para compartilhar o mesmo espaço.

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Figura 28 - Praça no Bairro Jardim Três Irmãos – Vinhedo/São Paulo. Fonte: tairis.com.br (2015).


Esse espaço, anexo ao playground, preparado para receber os responsáveis pelas crianças é um requisito importante para que a segurança seja garantida. Essas áreas podem ser planejadas com atividades, ou estarem associadas a uma área de atividades para adultos e idosos. Ao se garantir áreas infantis associadas à área de idosos gera-se a oportunidade para que os avós possam usufruir junto a seus netos do espaço público. Esse é um bom exemplo da importância de se promover espaços democráticos abertos as diferentes idades e faixas de renda da população, espaços que promovam a socialização, principalmente durante o universo inocente da infância, as cidades precisam cumprir esta função social de promoção deste encontro saudável da inocência. A criação de espaços democráticos também é ressaltada por Jacobs (2007) como importantes para a garantia da vitalidade urbana.

2. Espaços livres de uso público

2.2.3. PARQUES INFANTIS (PLAYGROUND)

Figura 29 - Playground Zorlu Centre, Istanbul. Fonte: landezine.com (2015).

Segundo Mark Francis (2003) o playground é uma “área de jogos localizada no bairro; frequentemente inclui equipamento de jogo tradicional, como escorregadores e balanços; às vezes inclui instalações para adultos [...] e projetos inovadores”. Nas cidades brasileiras os playgrounds estão normalmente inseridos nas praças de bairro, e se resumem a simples equipamentos como escorregadores, balanços e gangorras tradicionais. Mas exemplos de parques infantis e playgrounds em outros países mostram o potencial recreativo que esse tipo de espaço pode proporcionar, não apenas para crianças como também para adultos. Um desses exemplos é o Playground Zorlu Centre, localizado em Istanbul, que foi criado para levar as crianças a mergulharem no mundo da imaginação através das diferentes formas, cores e jogos variados (Figura 29). O playground conta com um amplo espaço de estar em seu entorno, proporcionando conforto para os responsáveis vigiarem as crianças (LANDEZINE, 2014).

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2. Espaços livres de uso público

2.2.4. JARDINS URBANOS E COMUNTÁRIOS Segundo Robba e Macedo (2010) os jardins urbanos são os canteiros e áreas “remanescentes do traçado do sistema viário. Canteiros centrais de avenidas, jardins junto a alças de acesso a pontes e viadutos, rotatórias, taludes e encostas ajardinadas são exemplos de jardins urbanos”. Por não possuírem programa social nem equipamentos de lazer não são considerados praça. Isso acontece porque mesmo sendo áreas de grande potencial no contexto urbano, principalmente em cidades muito adensadas, seu aproveitamento como um espaço livre com atividades é prejudicado por serem áreas próximas a vias de fluxo intenso de veículos que podem dificultar o acesso para os pedestres. A falta de atenção a essas áreas da cidade traz aos usuários do local a impressão de falta de manutenção pública do local o que acaba gerando a sensação de insegurança. Um exemplo desses espaços é visto no cruzamento da Avenida Darly Santos com a Avenida Lindenberg em Vila Velha (Figura 30). Surgem nestas áreas a oportunidade de apropriação de hortas e jardins comunitárias, são espaços que podem funcionar como ambientes favoráveis à socialização e integração dos moradores gerando um senso de comunidade capaz de promover a sensação de segurança. Também podem ser usados como locais para a realização de terapia ocupacional (Figura 31).

Figura 30 - Cruzamento da AV. Darly Santos com a AV. Lindenberg, Vila Velha (ES). Fonte: gazetaonline.globo.com (2015).

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Figura 31 - Horta comunitária em Vila Maria, SP. Fonte: globo.com (2015).


2. Espaços livres de uso público Figura 32 - The Physic Garden, Switzerland. Fonte: landezine.com (2015).

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3 VITALIDADE E SEGURANÇA DOS ESPAÇOS LIVRES Os espaços livres de uso público têm sido citados por autores como Jacobs (2007), Lynch (2006), Cullen (2008), Gehl (2014) e Nygaard (2010), como essenciais para a promoção da qualidade espacial urbana. Tais autores atribuem ao grau de atratividade e percepção do lugar a resposta da população no uso e apropriação do mesmo. Esses espaços estão diretamente relacionados à forma, infraestrutura e imagem da cidade, e principalmente em como estes elementos se relacionam e devem ser inseridos nas cidades a fim de se gerar vitalidade, segurança e sustentabilidade. Este capítulo pretende apresentar os conceitos chaves referente à contribuição do espaço público para a vitalidade e segurança da cidade e os exemplos práticos de métodos e estudos onde a inserção do espaço público é apresentada como estratégia e alternativa favorável ao pedestre e a criação de espaços que estimulem o convívio e a socialização das pessoas.


Figura 33 - Riverside Square, La Mailleraye-sur-Seine. Fonte: landezine.com (2015).


3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

3. 1. EMBASAMENTO TEÓRICO Segundo GEHL (2013), até os anos 60, as cidades se desenvolviam baseadas nas tradições mantidas preferencialmente pela vida no espaço da cidade (Figura 34) “[...] e acreditava-se, naturalmente, que as cidades eram construídas para as pessoas”. Mas, como apresentado no histórico, a expansão do urbanismo gerou a transformação dos centros das cidades e das suas dinâmicas, que se tornaram cada vez mais densos e ocupados por automóveis perdendo espaços livres públicos e de lazer, e principalmente das relações sociais no contexto urbano, pois o bem-estar dos cidadãos e até mesmo a saúde física e psíquica foram menosprezados no planejamento da expansão urbana (GOITIA, 2010). Figura 34 - Exemplo de vida no espaço da cidade nos anos 60 em Paris. Fonte: surfari.me (2015).

Nesse contexto se destaca o modelo de cidade modernista que aplicava a setorização por funções e a valorização do tráfego de veículos, no qual a cidade de Brasília é um dos principais exemplos da aplicação desses conceitos (Figura 35). Esse tipo de planejamento foi reproduzido por certo tempo sem se considerar que influência exercia no comportamento humano, o reconhecimento e o estudo desses aspectos são criticados por Jacobs em seu livro “Morte e Vida nas Grandes Cidades”.

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Figura 35 - Modelo de cidade moderna, plano piloto, Brasília. Fonte: mdc.arq.br (2015).

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Ao se considerar o comportamento humano no planejamento urbano são empreendidos “sérios esforços para concretizar o sonho de melhores cidades para as pessoas”, promovendo a vida na cidade (GEHL, 2013). Nesse contexto os conceitos de cidade viva e segura no planejamento urbano, estão relacionados com a busca da garantia da qualidade espacial para atender os requisitos de bem-estar, conforto e segurança necessários para gerar ambientes urbanos atrativos à apropriação (Figura 36).


A afirmação de Jan Gehl (p.64, 2013): “A vida na cidade é um processo de autoalimentação, de autorreforço. [...] As pessoas vão onde o povo está.”, resume bem os pontos chaves a serem desenvolvidos em um planejamento a fim de promover a apropriação dos espaços da cidade, fundamentais para gerar uma cidade viva. O autorreforço e a autoalimentação são promovidos por espaços que são projetados para atender ou potencializar uma vida urbana já existente, ou proposta para a área, através da implantação de atividades, que variam de acordo com a dinâmica e cultura local. São os programas de atividades dos locais e a presença de pessoas que atraem o uso, mas para isso faz-se necessário incentivar bons hábitos e rotinas diárias na população aliados a bons espaços públicos (Figura 37). Esse processo de estimular a vida urbana envolve um ponto importante nas cidades atuais, que em muitos dos casos tem sido o motivo dos problemas urbanos, mas que quando bem trabalhado no planejamento pode ser enriquecedor para a cidade, que é o adensamento, ou o acúmulo de pessoas morando na mesma área. As ruas e os espaços públicos, geralmente, são os mais sacrificados pelo adensamento mal planejado. Para evitar esses problemas GEHL (2013) destaca a necessidade de espaços de qualidade e convidativos ao uso, e estabelece o conceito de espaços de transição “onde a cidade e as edificações se encontram”.

Figura 36 - Exemplo de cidade viva em Copenhague. Fonte: transhumanisten.com (2015).

3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

Uma cidade viva é aquela que promove a vida urbana variada e complexa na dinâmica da cidade envolvendo desde atividades diversas, econômicas, industriais, de serviço, sociais e de lazer, à circulação, onde o homem é priorizado e a sua participação é requerida. Os conceitos de cidade viva estão ligados prioritariamente à apropriação do homem com a circulação, os espaços livres, e a ocupação urbana (GEHL, 2013).

Esses espaços de transição são locais ou zonas “onde as atividades realizadas dentro das edificações podem ser levadas [...] para o espaço comum da cidade”, podem ser considerados como os afastamentos das edificações e as calçadas. Locais onde as pessoas permanecem batendo papo, entram e saem das edificações, caminham, descansam, ficam a porta das edificações, fazem compras, se sentam, interagem, olham vitrines ou simplesmente permanecem em pé ou dão um tempo. É também o térreo das edificações, local do edifício que estabelece contato direto com a cidade e onde as pessoas estão mais próximas e atentas aos detalhes de ritmo, materiais, cores e acessos. Seguindo esse raciocínio nota-se que esse conceito está relacionado tanto à circulação quanto à segurança da cidade (GEHL, 2013). Mais do que qualidade e atratividade são requeridos dos espaços da cidade proporcionar condições de segurança para a apropriação e uso. Como destacado na afirmação de Wekerle e Whitzman (apud MARCUS; FRANCIS, p.7, 1998,

Figura 37 - Apropriação da Orla em Copenhague. Fonte: lonelyplanet.fr (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

tradução nossa) “O medo do crime mantêm as pessoas fora das ruas, especialmente após o anoitecer, e de parques, praças e do transporte público. É uma barreira substancial para a participação na vida pública da cidade.” A insegurança tem sido um dos principais fatores que minam a vida dos espaços urbanos, impedindo o desenvolvimento de uma cidade viva. As consequências dessa mazela urbana são percebidas principalmente no ambiente das ruas e espaços livres públicos. A sensação de insegurança tem influenciado o padrão de desenho arquitetônico, principalmente nas grandes cidades, e como consequência interferindo na atratividade do térreo das edificações. Esse novo padrão é denominado como arquitetura do medo, que é quando são incorporados na arquitetura elementos de proteção como muros altos, gradio, guaritas, cercas elétricas, torres, alarmes e vídeo-monitoramento. A presença desses elementos no contexto urbano pode auxiliar a avaliar a sensação de segurança percebida pela população, por isso eles são mais comuns em espaços residenciais. Esse estilo de arquitetura, que lança mão de dispositivos e técnicas em favor da proteção, mesmo deixando de lado os valores estéticos é um reflexo da vulnerabilidade apresentada pela comunidade, principalmente à violência, e apresenta um apelo por medidas que intervenham de forma eficaz e eficiente nesse contexto. (LIRA, 2014). Considerar a segurança pública no planejamento urbano, em especial das ruas e dos espaços livres, é essencial porque “ser capaz de caminhar com segurança no espaço da cidade é um pré-requisito para criar cidades funcionais e convidativas para as pessoas. Real ou percebida, a segurança é crucial para a vida na cidade” (GEHL, p.97, 2013). “Para que os espaços públicos tenham condições de contribuir com as políticas de segurança, é necessário que possuam, pelo menos, condições físicas e ambientais mínimas, [...] muito conhecidas e bastante divulgadas, especialmente quando se refere às ruas” (NYGAARD, 2010).

A referida citação de NYGAARD (2010) aponta condições de infraestrutura que devem existir na cidade para gerar atividades sociais e culturais que atraiam o uso de variadas pessoas. Condições adequadas de infraestrutura geram um ambiente urbano mais atrativo e de qualidade, e reforçam a identidade e o valor de um espaço, demonstrado através da manutenção, transmitindo assim a sensação de cuidado e segurança para os usuários.

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

A sociedade atual tem investido em meios de gerar um grau de segurança cada vez maior. Busca-se segurança contra forças da natureza, debilidades do próprio corpo, agressão causada por outras pessoas ou qualquer coisa que gere um risco contra a própria vida ou aos bens. A insegurança está impregnada ao estilo de vida atual, as pessoas sentem-se ameaçadas e amedrontadas buscando cada vez mais meios que lhe proporcionem segurança. O medo e a insegurança estão presentes em todos os âmbitos da sociedade atual, e tem influenciado de várias formas na cidade e na forma como os usuários se relacionam com ela. Grande parte dos dicionários definem medo como uma espécie de perturbação quanto ao perigo. Mas o medo também é uma sensação que coloca o organismo em um estado de alerta diante de situações de potencial ameaça. O medo é uma sensação importante para a sobrevivência porque ao colocar o organismo em estado de alerta diante das ameaças permite que este se afaste dos perigos preservando assim a sua vida (SPINELLI, 2014). Segundo Bauman, no livro o Medo Líquido, o medo é mais assustador com a incerteza, ou quando não há conhecimento da ameaça do que quando se tem noção do real perigo. Em seu fundamental estudo do medo Hughes Lagrange estabelece o conceito de “Medo derivado”, que Bauman define melhor como “[...] o sentimento de ser suscetível ao perigo; uma sensação de insegurança [...]” (BAUMAN, 2006). O medo tem se refletido na arquitetura, Batista (2003) estabelece o termo “arquitetura do medo” para definir as consequências estéticas que o discurso do medo tem relacionado à arquitetura e urbanismo. Nesse estudo o termo “arquitetura do medo” pode ser aplicado no contexto da criminalidade violenta contemporânea. A palavra ‘Violência‘ define o uso de agressividade intencionalmente de forma excessiva para cometer qualquer ação que resulte em danos físicos ou psicológicos. Derivada do latim “Violentia”, que significa “veemência, impetuosidade”, a palavra violência na sua origem está relacionada ao termo “violação” (violare). A violência realmente viola todos os direitos humanos, tanto os civis, os sociais, econômicos, culturais e políticos (GUIMARÃES; CABRAL, 2013). A criminalidade violenta tem gerado o sentimento de vulnerabilidade e insegurança, proporcionado pelo medo, nas cidades brasileiras.


3.2. CARACTERÍSTICAS E DIRETRIZES

A teoria das janelas quebradas foi citada pela primeira vez por James Q. Wilson e George L. Kelling em uma publicação para o jornal The Atlantic Monthly em 1982. Através da análise do programa “Safe and clean neighborhoods”4 , desenvolvido em meados de 1970 para reduzir as taxas de criminalidade em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Em virtude de uma proposta de policiamento a pé que não apresentou resultados nas taxas de criminalidade da época, foi questionado se haveria possibilidade de uma comunidade estar segura mesmo quando as taxas de criminalidade não tenham apresentado redução. Foi neste contexto que destacaram um importante ponto de vista na análise da segurança pública, em que as pessoas se sentem inseguras de utilizarem os espaços mais pelo medo das pessoas desordeiras do que pelo medo do crime em si. Surge então o princípio da teoria: desordem e crime geralmente estão relacionados em um tipo de sequência, uma janela quebrada cria um ambiente propício à prática de outras atividades de vandalismo e consequentemente de crimes mais graves. Mas evitar pequenos delitos cria uma atmosfera de ordem que pode impedir crimes mais graves. (WILSON; KELLING, 1982). O outro conceito citado anteriormente é o método CPTED (Crime Prevention Through Environmental Design) se baseia na Prevenção do Crime Através do Desenho Ambiental. Este método tem como objetivo planejar um desenho adequado para o ambiente construído, promovendo soluções visualmente agradáveis e eficazes na inibição de ações antissociais, para que a incidência e o medo do crime sejam reduzidos, melhorando a qualidade de vida, através de estratégias de projeto capazes de produzirem um cenário preventivo à ocorrência de atividades criminais. O método se resume em três princípios: vigilância natural, controle de acesso natural e territorialidade.

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Programa de bairros seguros e limpos.

Vigilância natural Promover a observação das edificações e espaços livres usando técnicas que possibilitam a visão, tanto do interior de ambientes quanto do exterior, atraindo observadores para a dinâmica urbana.

Controle de acesso natural Uso de elementos que permitam controlar o acesso de determinado espaço ou edificação, podem ser físicos ou naturais.

Territorialidade promover o desenvolvimento de vínculos entre os usuários e o lugar em que estão inseridos, desenvolvendo assim a necessidade de manutenção dos espaços (CPTED Guidebook, 2003).

A ideia do uso e apropriação da cidade e da criação de ambientes mais favoráveis para esse tipo de apropriação, e para a vivacidade dos espaços proposto pela teoria das janelas quebradas seguem os conceitos de Jane Jacobs, em sua publicação de 1961, “Morte e Vida nas Grandes Cidades”, assim também como o método de análise CPTED que apresenta a territorialidade como um importante fator para a garantia da segurança pública da cidade. Esses fatores são muito importantes, pois surgiram da análise dos espaços públicos não como um local inabitado, mas como um elemento da cidade que só existe por causa do homem e para o homem. A manutenção do espaço e das edificações são fatores importantes para a dinâmica de uma cidade viva. É importante que essa segurança não seja apenas vista em dados, mas também na percepção de segurança sentida pela comunidade e em como isso reflete no uso e ocupação apropriada dos espaços urbanos.

3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

O estudo quanto à segurança pública tem sido muito considerado no campo do urbanismo recentemente. O objetivo tem sido buscar diretrizes ou teorias que aplicadas ao planejamento podem reforçar a vida na cidade e a sensação de segura. A teoria das janelas quebradas e o método de análise da Prevenção do Crime através do Desenho Ambiental e Urbano (CPTED) são conceitos relevantes de serem compreendidos para o planejamento dos espaços livres que apesar de terem sua origem na Escola de Chicago nos anos 50 do século passado, tem tido seus conceitos e aplicações multiplicados em virtude do cenário crescente de violência que tem sido registrado nas cidades.

O conceito de espaços de transição apresentado por GEHL (2013) está relacionado à circulação, pois térreos ativos e atraentes proporcionam espaços favoráveis à caminhada, atraindo o olhar e diminuindo o passo, e à experiência de vivenciar a cidade e se apropriar dos espaços públicos. O térreo das edificações pode ser projetado, segundo o nível de atratividade, com os seguintes quesitos: escala e A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

ritmo, de 5km/h para pedestres e de 60 km/h para veículos; transparência, aberto ou fechado; sentidos, interativo ou passivo; textura e detalhes, interessante ou monótono; diversidade de funções, variado ou uniforme; e ritmo de fachadas, vertical ou horizontal. As fachadas pensadas para o pedestres apresentam escala de 5km/h, são abertas, interativas, interessantes, de funções variadas e com ritmo vertical, proporcionando um caminhar mais interessante. Quando as ruas da cidade apresentam características atrativas ao olhar o rápido tráfego de veículos não se justifica, pois há elementos que devem ser observados, então são adotadas medidas que incentivem o tráfego lento de carros priorizando assim o pedestre, transeunte ou ciclista, e valorizando mais do que a atividade de ir e vir da circulação (GEHL, 2013). Como apresentado no histórico, as cidades coloniais brasileiras se desenvolviam espontaneamente no entorno de uma igreja ou algum monumento religioso, com ruas orgânicas e formas urbanas no modelo das cidades medievais europeias. O planejamento de espaços urbanos passou a acontecer com mais frequência por volta do século XVIII e XIX, quando as formas urbanas passaram a ser mais ordenadas e retilíneas buscando uma melhor qualidade espacial (ROBBA; MACEDO, 2010). Segundo AMANCIO (2005), o crescimento desordenado das cidades tem resultado na “degradação da qualidade ambiental urbana”. Isso porque o modelo de cidade moderna, com bairros residenciais afastados dos centros urbanos, fez com que a circulação se tornasse cada vez mais dependente do transporte motorizado. Para mudar esse cenário e gerar cidades com mais qualidade tem se buscado alternativas de planejamento urbano e de transportes menos agressivos e mais sustentáveis, como os modos de transporte não motorizado que geram menos impactos e são menos poluentes. O ato de caminhar pelas ruas das cidades, tem se tornado uma disputa entre pedestres e ciclistas, vendedores ambulantes e veículos. Como já citado anteriormente, JACOBS (2007) descreve as ruas e calçadas como sendo um dos principais locais públicos de uma cidade, aliados aos espaços públicos em geral, na maioria dos casos, representam os elementos mais significativos e de maior identidade de uma cidade, e por isso estão intimamente relacionados à segurança pública. Em seu livro, Morte e Vida das Grandes Cidades, Jacobs (2007) destaca como as relações estabelecidas nas calçadas e ruas com seus usos e usuários interferem na sensação de segurança transmitida pelo espaço. Esses elementos são classificados em três importantes características que devem ser garantidas para a criação de espaços públicos de sucesso:

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Clareza nos limites entre espaço público e privado; “Olhos na rua”, implantação de edifícios voltados para rua e com elementos que proporcionem a vigilância natural da rua; A presença de usuários nas ruas e calçadas.

Ao se analisar esses elementos retoma-se o conceito de transição suave estabelecido por GEHL (2013), os limites devem ser claros, mas de forma harmoniosa e de preferência com elementos que estabeleçam uma relação com os usuários, tornando essa ligação entre o público e o privado mais humanizado e atraente, incentivando o uso e em consequência a segurança. As ruas e vias, assim como os espaços livres, podem ser consideradas os elementos de maior influência na forma das cidades, pois são eles que caracterizam e definem a malha urbana, as quadras, e atribuem identidade a determinada localidade ou cidade. Ao analisar as variáveis que caracterizam a forma urbana, com foco na valorização de pessoas, AMANCIO (2005) as agrupa em cinco categorias:

DENSIDADE URBANA Adensamento construtivo, atividades diversas, concentração de habitantes;

Figura 38 - Diferentes densidades urbanas. Fonte: vitruvius.com.br (2015). 48

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


Valorização do caminhar e do transporte não motorizado, calçadas adequadas, atrativas, seguras e confortáveis; Figura 39 - Shopping Street, Copenhaguen. Fonte: landezine.com (2015).

DIVERSIDADE DE USOS DO SOLO A diversidade de usos em áreas urbanas ordena à dinâmica e as rotas necessárias para atender a população;

Figura 40 - Diferentes usos da orla Copenhague. Fonte: lonelyplanet.fr (2015).

DESENHO DAS VIAS Hierarquização viária e modelos de vias pensadas para a priorização do pedestre criam espaços urbanos de mais qualidade; Figura 41 - Desenho da via Georgia Street. Fonte: landezine.com (2015).

TRANSPORTE COLETIVO O sistema de transporte coletivo pode ser considerado um dos grandes condicionantes da apropriação sustentável e igualitária das cidades. Figura 42 - Estação de transpote coletivo. Fonte: cntdespoluir.org.br (2015).

Muitas cidades pelo mundo têm investido nessas variáveis com o objetivo de gerar ambientes urbanos mais agradáveis e voltados para o bem estar das pessoas. Essas ações têm sido mais perceptíveis nas mudanças na infraestrutura de vias, na redução de estacionamentos, e na criação e reforma de espaços públicos. Algumas medidas práticas se apresentam como forma de aplicar os conceitos apresentados que visam promover mais qualidade às ruas e vias, como o parklet e o traffic calming. Algumas cidades brasileiras também têm caminhado em busca dessas transformações, adotando pequenas alternativas como no caso de São Paulo com a implantação dos parklets (figura 43). “Trata-se de uma ampliação do passeio público, realizada por meio da implantação de plataforma sobre a área antes ocupada pelo leito carroçável da via pública, equipada com bancos, floreiras, mesas e cadeiras, guarda-sóis, aparelhos de exercícios físicos, paraciclos ou outros elementos de mobiliário, com função de recreação ou de manifestações artísticas.” (Art. 2º do decreto n° 55.045/14)

Segundo o Manual Operacional para implantar um parklet em São Paulo (2014), elaborado pela prefeitura, os objetivos a serem alcançados com a implantação do parklet são: promover mais espaços públicos e a convivência na rua, incentivar o transporte não motorizado e estimular processos participativos. A implantação desse projeto na cidade tem como justificativa “humanizar e democratizar o uso da rua” através da criação de mais espaços públicos que promovam infraestrutura para a permanência na cidade, melhorando assim a qualidade de vida.

3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

QUALIDADE DOS ESPAÇOS PARA PEDESTRES

O ‘traffic calming’ também tem sido adotado como uma alternativa que visa promover mais qualidade e segurança para as ruas e vias. Segundo o Manual de medidas moderadoras de tráfego, elaborado pela Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte, consiste em um conjunto de estratégias de transporte, medidas físicas e regulamentações que tem como objetivo reduzir o número de acidentes, ruídos e poluição, promovendo mais qualidade espacial nas vias através da redução da predominância de veículos. As medidas adotadas pelo ‘traffic calming’ podem ser classificadas em dois grupos, segundo seus objetivos: redução da velocidade de veículos e ambiente indutor de maneiras mais prudentes de dirigir. É uma alternativa mais adequada para áreas residenciais. De acordo com Kevin Lynch (2006) a cidade é uma construção em grande escala, sendo assim todos os elementos da forma urbana contribuem para essa construção da mesma forma como são responsáveis por gerar a sua imagem. Essa imagem é influenciada por vários fatores e cada pessoa pode ter um olhar A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

Esses conceitos são importantes para a também apontados por Lynch (2006) como da cidade, que são formas físicas notórias na certa forma reforçam o significado da cidade.

leitura das características os elementos da imagem imagem urbana e que de Eles são classificados em:

Figura 43 - Parklet na Rua Padre João Manoel, na região da avenida paulista. Fonte: oestadoce.com.br (2015).

diferenciado sobre a paisagem de uma cidade. Analisando a imagem da cidade, como ela é formada, como ela pode ser lida e quais os elementos que a constitui Lynch (2006) apontou alguns conceitos e elementos que são importantes considerar. Podem ser destacados três conceitos quanto à imagem da cidade: 1. Legibilidade: qualidade clareza da paisagem. Que cidade através do olhar e clareza no sentido de

visual de uma cidade capaz de transmitir destaca a importância de se planejar a escala das pessoas, e a influencia dessa orientação na locomoção pela cidade;

2. Estrutura e Identidade: a imagem três componentes, são eles a identidade, 3. Imaginabilidade: São compõe um objeto ou

50

ambiental compreende estrutura e significado;

as características imagem capazes

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

essenciais que de representá-lo.

Figura 44 - Elementos da imagem da cidade. Fonte: o autor (2015)


Esses elementos devem se inter-relacionar no planejamento da cidade para proporcionar uma imagem satisfatória da forma urbana. É notável destacar que a imagem formada por esses elementos em uma cidade é mutável podendo se diferenciar dependendo da escala ou do ponto de vista, hora ou estação do ano em que o observador se encontrar (LYNCH, 2006).

3. Vitalidade e segurança dos espaços livres

Para guiar o planejamento dos espaços da cidade, principalmente dos espaços públicos livres são apresentados alguns elementos que devem ser aplicados para garantir a qualidade da forma urbana. Resumidamente esses elementos são: singularidade, simplicidade da forma, continuidade, predomínio, clareza de junção, diferenciação direcional, alcance visual e consciência do movimento (LYNCH, 2006). Através da análise teórica realizada é notória a complexidade dos elementos e relações que compõe o ambiente urbano das cidades. Mesmo com toda a complexidade, está bem clara a forma como os espaços livres podem contribuir para a vitalidade e para a segurança da cidade. Mas essa contribuição só se torna valida quando ocorre a apropriação dos espaços livres criados. Como defendido por LYNCH (2007), a qualidade espacial de uma cidade é resultado de uma ação conjunta entre a relação da sociedade com os espaços. Essa apropriação e a vitalidade dos espaços urbanos muitas vezes podem estar associadas à quantidade de pessoas presentes em um local, mas não se limita a esse fator. O que mais importa é a capacidade do espaço de proporcionar a sensação de apropriação. A quantidade de pessoas presentes em um espaço só significa apropriação quando o tempo gasto apresenta qualidade, que depende do quanto de atividades existe no local para ser explorada e experimentada (GEHL, 2013). Investir em espaços livres na cidade, principalmente os públicos, significa gerar vida e segurança para o ambiente urbano.

Figura 45 - Bookfield Place, Australia. Fonte: landezine.com (2015) A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

51


4 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO Esse capítulo tem como objetivo apresentar aspectos dos conceitos teóricos levantados nesse estudo sobre espaços livres, vitalidade e segurança no contexto do bairro Bento Ferreira em Vitória (ES). Através desse capítulo será possível entender um pouco mais da localização do bairro, no contexto de Vitória, entendendo como aconteceu a formação e urbanização do bairro, seus aspectos ambientais, sociais e econômicos, e principalmente quanto à vulnerabilidade social e os dados criminais apresentados pelo bairro.


Figura 46 - Central Plaza Chiang Rai. Fonte: landezine.com (2015).


4. 1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO

4. Contextualização da área de estudo

O bairro Bento Ferreira está localizado ao sul do município de Vitória, no estado do Espírito Santo (Mapa 1). Segundo a divisão das regiões administrativas da prefeitura de Vitória, o bairro pertence à Região III, que também é conhecida como região de Bento Ferreira/ Jucutuquara. O bairro Bento Ferreira é delimitado pela baía de Vitória, e pelas avenidas Marechal Mascarenhas de Moraes, Leitão da Silva, Vitória, Jair de Etienne Dessaune e pelas ruas Afonso Sarlo e Carlos Alves, fazendo limite com os bairros Jesus de Nazareth, Praia do Suá, Gurigica, Horto, Consolação e Monte Belo (PMV, 2015). O bairro é circundado por vias arteriais de fluxo intenso que conecta o bairro as demais áreas da cidade, caracterizadas por uma ocupação densa, que são a Avenida Mascarenhas de Morais, a Avenida Vitória, a Avenida Leitão da Silva e a Avenida César Hilal (Mapa 2). O bairro possui uma setorização, observada a partir do reconhecimento da área de estudos, que pode ser identificada em quatro áreas distintas por sua morfologia de ocupação. Tradicionalmente residencial, principalmente unifamiliar, esse uso ainda predomina no bairro, como é possível notar no mapa 2, ocupando a porção central. O bairro tem sofrido uma transformação acelerada fruto da pressão de adensamento e verticalização advinda do setor da construção civil, essa transformação é percebida no setor destacado como “em verticalização”, que apresenta características residenciais multifamiliares. O bairro conta ainda com um setor de concentração de usos institucionais ao longo da Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes. Um pequeno trecho junto à Avenida César Hilal se destaca por possuir características de ocupação bem distintas e destoantes das predominantes no bairro apresentando características de ocupação irregular (Mapa 2). Segundo o plano diretor municipal de Vitória (PDM, Lei Nº 6705, 2006) uma grande porção do bairro é classificada como ZOC45 , mas também possui uma pequena parcela classificada como ZOP2/036 , além de ser cortado pelas vias arteriais, ZAR37e ZAR48 . Esse zoneamento é um plano de ordenamento da ocupação e crescimento da cidade, e cada uma dessas zonas possui uma função diferenciada para que a cidade funcione como um todo (Mapa 3). A ZOC compreende áreas onde a ocupação de usos mistos é priorizada e depende de infraestrutura urbana. O objetivo dessa zona é controlar a ocupação proporcionando infraestrutura e mobilidade. A ZOP2/03 conta com áreas com potencial de crescimento, e tem como objetivo promover a coordenação desses setores em desenvolvimento pelo poder público e incentivar o uso misto. As zonas arteriais compreendem duas importantes Avenidas que cortam e delimitam o bairro, a Avenida Vitória é classificada como ZAR3 e a Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes é a ZAR4. Observando esse contexto urbano nota-se que a Avenida César Hilal possui características, como o seu porte e estrutura, que a possibilitam de também ser classificada como uma via arterial, mas a sua dinâmica de apropriação é desvalorizada na quebra que existe no encontro com a Avenida Jair Etienne Dessaune que limita a viabilidade de continuação e ligação requeridos para uma via arterial.

5

Zona de Ocupação Controlada 4. Zona de Ocupação Prioritária 2. 7 Via Arterial 3. 8 Via Arterial 4. 6

54

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


MAPA 1: SITUAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO - BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES)

-4460000

VITÓRIA NO ESPÍRITO SANTO

-4485000

-4480000

±

Serra

SITUAÇÃO DE VITÓRIA NO ESPÍRITO SANTO ESPÍRITO SANTO VITÓRIA -2300000

-2120000

-2120000

Santa Leopoldina

-2300000

LEGENDA

LOCALIZAÇÃO DE BENTO FERREIRA EM VITÓRIA (ES)

0 20 40

80 Km

-2240000

-2305000

-2305000

-2360000

±

BENTO FERREIRA

-2360000

-2240000

VITÓRIA

Sources: Esri, USGS, NOAA -4580000

-4460000

4. Contextualização da área de estudo

-4580000

-4490000

-2000000

-2000000

-4495000

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

Vitória

Cariacica

-2310000

-2310000

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S

Vila Velha

0

1

2

4 Km

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S -4495000

-4490000

-4485000

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

-4480000

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

55


MAPA 2: CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO - BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES) 363000

363500

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

364000

364500

±

DE LOURDES GURIGICA

HORTO

SANTA LÚCIA

BENTO FERREIRA ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS INTERESSE SOCIAL PROTEÇÃO AMBIENTAL

NAZARETH

MORFOLOGIA DA PREDOMINÂNCIA DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO 7753500

ASSENTAMENTO INFORMAL 7753500

EM VERTICALIZAÇÃO INSTITUCIONAL RESIDENCIAL VIAS PRINCIPAIS

PRAIA DO SUÁ

AV. VITÓRIA RUA CARLOS ALVES AV. LEITÃO DA SILVA AV. MARECHAL MASCARENHAS RUA AFONSO SARLO RUA JAIR ETIENNE DESSAUNE

7753000

MONTE BELO

BENTO FERREIRA

ENSEADA DO SUÁ

7753000

4. Contextualização da área de estudo

CONSOLAÇÃO

LEGENDA

AV. CESAR HILAL

7752500

0 50 100

200

300 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363000

56

363500

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

364000

364500

7752500

JESUS DE NAZARETH

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)


MAPA 3 : ZONEAMENTO DA ÁREA DE ESTUDO - BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES) 363500

DE LOURDES CONSOLAÇÃO

364000

GURIGICA

SANTA LÚCIA

HORTO

LEGENDA

±

BENTO FERREIRA Zona Arterial 1 Zona Arterial 3 Zona Arterial 4

NAZARETH

Zona Especial de Interesse Social Zona de Ocupação Controlada

7753500

7753500

Zona de Ocupação Limitada Zona de Ocupação Preferencial Zona de Proteção Ambiental ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS

PRAIA DO SUÁ

ENSEADA DO SUÁ

7753000

BENTO FERREIRA

7753000

MONTE BELO

4. Contextualização da área de estudo

363000

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

7752500

0 50 100

200

300 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363000

363500

7752500

JESUS DE NAZARETH

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

364000

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

57


4.2. HISTÓRICO DO BAIRRO BENTO FERREIRA

4. Contextualização da área de estudo

O bairro Bento Ferreira aparece a partir de uma das áreas de mangue aterradas, como resultado do projeto “Novo Arrabalde” desenvolvido por Saturnino de Brito para a expansão da cidade de Vitória. A formação e ocupação do bairro se deram em consequência do processo de urbanização na cidade de Vitória.

A figura 48 mostra como era a região antes dos aterros, uma região muito alagadiça de mangue sem a mínima possibilidade de ocupação, e como ela se tornou depois dos aterros. Nas imagens referentes à década de 50, podese perceber o enrocamento realizado na orla. Através da comparação da região como era antes do aterro e de como ela ficou depois (FREITAS, 2003).

Bento Ferreira é a área mais próxima da região prevista para a implantação do plano Novo Arrabalde de 1896. Entretanto, somente em 1945 essa região recebe o plano de urbanização supervisionado por Alfred Agache, urbanista que produz o último plano desenhado para a cidade. Até então as obras de urbanização que estavam mais relacionadas com essa localidade haviam sido as obras de aterro às margens da Avenida Vitória, realizadas entre 1932 e 1942. Mesmo com o plano de urbanização desenvolvido para esse bairro, só a partir de 1951 o estado passou a desenvolvê-lo e a promover a ocupação da região (FREITAS, 2003). Durante o seu segundo mandato como governador (1952-1955), Jones dos Santos Neves criou o Plano de Valorização Econômica, que consistiu em um planejamento administrativo, com políticas de desenvolvimento urbano que gerou grandes obras urbanização como “o enrocamento de mais de quatro quilômetros de extensão, compreendendo o fim do cais do porto até Bento Ferreira, isolando e aterrando manguezais com o desmonte de morros e material proveniente da dragagem antes mencionada – o que proporcionou soma de área valiosíssima para a expansão da cidade”(OLIVEIRA, p. 476, 2008). Como resultado a região entre o Forte de São João e Bento Ferreira passou a receber aterros nas áreas de mangues, possibilitado pelo enrocamento, o desmonte dos morros da região (figura 47) e os resíduos de dragagem (FREITAS, 2003). Figura 48 - Região de Bento Ferreira, enrocamento e aterro. Fonte: José Francisco Freitas (2014).

De acordo com a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), essa região passou a ser denominada como Bento Ferreira por causa de um ferreiro, conhecido como “Bento, o ferreiro”, que na década de 50 trabalhava no local concertando e dando manutenção nos vagões da companhia Leopoldina, responsável pelas linhas férreas (DEVOS; LEITE; PINHEIRO; SILVA, 2014). Figura 47 - Demolição dos morros em Bento Ferreira. Fonte: IJSN (2014). 58

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Com a finalização dos aterros a região de Bento Ferreira passou a receber obras de infraestrutura, principalmente calçamento, proporcionando condições de ocupação. A instalação de equipamentos institucionais ao longo da Avenida Mascarenhas de Morais, mais conhecida como Beira Mar, foi um dos principais


Conforme representado na figura 50 percebe-se que há no bairro o predomínio de edificações de baixo porte. Com a recente especulação imobiliária, o crescimento da demanda e a valorização das torres de edifícios multifamiliares e comerciais o bairro tem sido alvo de muitas construtoras. Essas mudanças mostram que o local ainda está passando por um processo de adensamento, o que torna ainda mais urgente e necessária à análise de fenômenos sociais e a proposta de intervenções no processo de estruturação urbana do bairro, gerando condições que minimizem a violência.

4. Contextualização da área de estudo

motivadores para a ocupação da região. Instituições como o SENAI9 , e mais tarde a própria prefeitura de Vitória proporcionou que a região se tornasse uma continuação territorial dos bairros Praia do Suá e Praia do Canto, que já possuíam uma ocupação mais avançada. O bairro Bento Ferreira passou então a ser ocupado por residências de classe média, sofrendo uma rápida transformação. A figura 49 mostra o início da ocupação do bairro, ainda com poucas residências e uma infraestrutura bem precária (DEVOS; LEITE; PINHEIRO; SILVA, 2014).

Figura 49 - Região de Bento Ferreira: inicio da urbanização e ocupação. Fonte: IJSN (2014).

Segundo levantamentos realizados em 2013 pelos docentes da disciplina de Cidade, Segurança e Saúde da Universidade Vila Velha o bairro Bento Ferreira possui uma ocupação preferencialmente residencial e institucional. O comércio predomina na ruas arteriais que limitam o bairro, e na grande maioria estão em edificações de uso misto. Os moradores apresentam muitas queixas com relação à falta de segurança no bairro, traduzidas nas modificações ocorridas na configuração da tipologia das edificações que passaram a incorporar elementos da arquitetura do medo.

9

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

59


4. Contextualização da área de estudo Figura 50 - Vista aérea de Bento Ferreira. Fonte: Sarlo Imovéis (2014).

60

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


Figura 51 - Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2014).

Gradativamente com esse intenso processo de urbanização os problemas sociais tomam maiores proporções. No estado do Espírito Santo esse processo se intensifica ainda mais na Região Metropolitana da Grande Vitória – RMGV com um significativo aumento no registro de ocorrências de crimes que acompanhava o crescimento dos aglomerados subnormais. Segundo Pablo Lira e Mirta Bugarin (p.11, 2011) “essa tendência de concentração de violência está relacionada às transformações estruturais desencadeadas pelos processos de industrialização e urbanização capixaba”. Quanto a essas transformações é interessante ressaltar que assim como a concentração de violência pode ser ocasionada por mudanças no ambiente urbano, ela também pode ser a impulsionadora de alterações nesse ambiente, na arquitetura, no comportamento das pessoas e na forma como elas vivenciam a cidade. Esta citação de Pablo Lira (p.53, 2009), em sua análise dialética entre as instâncias urbanas e a violência, confirma essa relação entre a cidade e a violência, “A violência influencia a construção, composição e organização espacial da cidade contemporânea na mesma medida que o urbano influencia a consumação ou não de determinados crimes”.

4. Contextualização da área de estudo

A industrialização e urbanização tardias ocorridos no Brasil são apontadas como as causas de muitos problemas urbanos, principalmente no âmbito socioeconômico. Como apresentado anteriormente, a partir da década de 1970 houve um intenso processo de industrialização, que acarretou em uma rápida urbanização das áreas de influência dessas indústrias. Vitória sofreu intensamente esse processo, já que a maior parte das grandes indústrias do Espírito Santo concentrouse na região metropolitana compreendida pela capital e municípios vizinhos. Esses processos acarretaram mudanças na estrutura econômica e demográfica da cidade, por impulsionarem fluxos migratórios, que demandavam políticas urbanas e sociais adequadas ao novo cenário populacional. Muitas pessoas vieram para a região da Grande Vitória na década de 1970 para trabalhar nos grandes projetos (CST, Vale, terceira ponte), mas como a oferta de moradias e infraestrutura era incompatível com a ocupação, e grande parte da população passou a ocupar áreas marginais e das encostas dos morros, além das áreas alagáveis e remanescentes de mangues, sem infraestrutura consolidada, em geral áreas de risco ou de preservação ambiental. Essa ocupação desordenada gerou muitos problemas sociais agravados pela segregação sócio espacial que se consolidava a medida que a população e a cidade se expandia (BUGARIN; LIRA, 2009).

Como resultado dessa relação pode-se observar o aumento de um “estilo” arquitetônico muito comum em nosso país, à arquitetura do medo. Esse termo na verdade define as consequências estéticas que a violência implicou à arquitetura como muros altos, grades, cerca elétrica, arrame farpado, guaritas, sistema de vigilância e outros elementos utilizados como inibidores do crime (LIRA, 2009). Figura 52 - Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2014).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

61


4.2. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA

4. Contextualização da área de estudo

A caracterização socioeconômica se baseia na análise de dados referenciados do Censo 2010 do IBGE10 pela SEGES11 da Prefeitura Municipal de Vitória. A finalidade deste é o levantamento de informações e análise das mesmas para auxiliar na melhor compreensão da situação socioeconômica atual do bairro e em como pode estar relacionada com os casos de ações antissociais locais. Em 1970 o Espírito Santo, mais especificamente a região de Vitória, passou por um intenso processo de urbanização e industrialização. Esse processo desencadeou uma série de mudanças, tanto nas bases econômicas quanto na estrutura sócioespacial do estado. A estrutura demográfica apresentada atualmente no município de Vitória é em grande parte resultado das alterações geradas por esse processo. Segundo o censo de 2010 do IBGE, o bairro Bento Ferreira possuía 5.569 pessoas residentes. Comparando os dados coletados em 2000 e 2010 o bairro apresentou um baixíssimo crescimento populacional, é relevante nessa variação o fato de que a população do bairro cresceu apenas 3,61%, cerca de 194 habitantes, em um período de 10 anos (PELA; RONCHI; SÁ, 2013).

Gráfico 1 - Domicílios particulares permanentes, segundo classes de rendimento nominal mensal domiciliar no bairro Bento Ferreira - Vitória (ES). Fonte: Vitória bairro a bairro, (2013).

Quanto às informações necessárias para realizar o perfil predominante da população pode-se destacar que existe um equilíbrio entre os indivíduos do sexo masculino e feminino que habitam no bairro e a maioria, cerca de 60%, são jovens adultos entre 25 e 64 anos. Segundo cor e raça 72,85% se consideram brancos e 23,88% pardos (PELA; RONCHI; SÁ, 2013). O bairro apresenta os serviços básicos de infraestrutura urbana (transportes, água, esgoto) com sua população distribuída em 1.970 domicílios particulares permanentes, que contam principalmente com unidades domésticas nucleares e estendidas com média de 3 a 4 moradores. Dessas residências 99,94% contam com abastecimento de água, 89,89% tem o esgoto coletado pela rede geral e 99,8% do lixo coletado pelo serviço de limpeza (PELA; RONCHI; SÁ, 2013). Os dados tabulados no censo apontam que o rendimento nominal médio dos domicílios particulares permanentes do bairro era de R$ 6.795,76. Considerando os domicílios particulares permanentes segundo a classe de rendimento nominal mensal domiciliar do bairro, considerando um salário mínimo de R$ 510,00, nota-se que grande parte da população possuía uma renda entre mais de 2 até mais de 20 salários mínimos. A maior porcentagem dos domicílios, cerca de 31%, possuía um rendimento de mais de 10 salários a 20 salários mínimos (Gráfico 1). Mesmo assim, 153 domicílios são classificados com rendimentos de apenas até 2 salários mínimos, demostrando que o bairro preserva ainda moradores cm rendas variadas (PELA; RONCHI; SÁ, 2013). 10 11

62

Se comparado com os bairros do entorno os dados apontam como Bento Ferreiro se diferencia. Os bairros da região que apresentam os menores rendimentos são Jesus de Nazareth e Gurigica, bairros considerados assentamentos subnormais, que possuem rendimento nominal médio mensal dos domicílios de apenas R$ 1.533,19 e 1.559,50, respectivamente, que equivale apenas a aproximadamente 23% da renda média de Bento Ferreira. Fica claro como essas áreas apresentam realidades socioeconômicas distintas e conflitantes com a de Bento Ferreira. Quanto à economia o bairro apresenta uma forte vocação para atividades de serviço, que representa 74,51% da economia local, e de comércio, que equivale a 23,61% (PELA; RONCHI; SÁ, 2013).

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Secretaria de Gerência de Informações

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

A caraterização socioeconômica do bairro Bento Ferreira se faz necessária para a identificação do perfil da população residente no bairro. Através das informações levantadas é possível definir o que provavelmente esses moradores esperam do desenho urbano, e dos espaços livres para que os planos urbanísticos propostos para o bairro realmente atendam suas necessidades.


4.3. LEVANTAMENTO DA VULNERABILIDADE SOCIAL

O bairro Bento Ferreira, que representa 1,7% dos habitantes da capital, se destaca por apresentar ocorrências de ações antissociais e por estar localizado entre bairros com características de assentamentos subnormais. A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SESP/ES) divulgou em 2008 que do total de 4.065 crimes de furtos e roubos registrados em Vitória, aproximadamente, 5% ocorreu em Bento Ferreira. O mapa de ocorrências criminais (Mapa 4) apresenta um panorama da concentração e localização das ocorrências registradas no bairro Bento Ferreira, e em seu entorno imediato, destacando as áreas de interesse social que apresentam características de assentamento informal. É importante destacar que as informações presentes no mapa não representam fielmente as condições da realidade criminal do bairro, pois os dados processados são apenas de ocorrências criminais informadas aos órgãos responsáveis pela segurança pública. Os dados apresentados no mapa são os registrados na SESP12 , entre 2010 e 2012, e georreferenciados pelo GEAC13 , classificados como roubo e furto. Segundo os artigos 155 e 157 do Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940, é considerado furto a subtração de um bem alheio e roubo é quando essa subtração é realizada sobre “grave ameaça ou violência à pessoa [...], por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”. A análise do mapa mostra que há uma maior concentração de ocorrências nas vias principais e limítrofes do bairro, principalmente nos trechos próximos ás áreas de interesse social identificadas no entorno. Já no interior do bairro, onde se predomina uma ocupação de característica residencial, há uma concentração maior no eixo da Avenida César Hilal, com destaque para o encontro com a Rua Amélia da Cunha Ornelas e com a Avenida Leitão da Silva. É possível notar uma concentração significante das ocorrências de furto no limite entre Bento Ferreira e Praia do Suá. E de roubo, no trecho da Avenida César Hilal que encontra os bairros Santa Lúcia e Praia do Suá, e no encontro de Bento Ferreira com os bairros Horto e Consolação e nos principais acessos dos bairros Jesus de Nazareth e Gurigica, nos acessos que fazem limite come Bento Ferreira. Há uma distribuição dessas ocorrências por todo o bairro, mas como descrito existe uma maior concentração nas vias arteriais (Figura 50).

A pesquisa de vitimização realizada pelo NEI14 na Região da Grande Vitória faz uma relação de aspectos importantes a serem considerados sobre o efeito desses crimes na população. Os crimes apontados pela pesquisa, que mais se relacionam com este estudo, são denominados de furto e assalto. A pesquisa foi realizada em toda a RGV, mas a cidade de Vitória se destacou exatamente por apresentar maiores índices nesses crimes (NEI/UFES, 2008). A pesquisa apontou que, em Vitória, os crimes de furto e assalto que ocorriam preferencialmente em locais públicos, como ruas e praças, e no período da tarde e da noite, tinham como alvo vitimas15 solteiras de 14 a 44 anos. Nos crimes de assalto, na maioria dos casos, o agressor, apontado com do sexo masculino de 15 a 30 anos, se utilizava de arma de fogo ou de ameaças para impossibilitar a resistência das vítimas (NEI/UFES, 2008). Um fato curioso levantado pela pesquisa é quanto a denuncia dos crimes. Em casos de furtos aproximadamente 74% das vitimas entrevistadas não denunciaram o ocorrido, justificando considerar a denuncia uma perda de tempo ou por ter sofrido apenas pequenos danos ou perdas. Esse número é menor nos casos de assalto, cerca de 57% não denunciam (NEI/UFES, 2008). Essa pesquisa mostra, não através de conceitos, mas por meio de dados reais, como a violência tem afetado o comportamento das pessoas, quando destaca que até mesmo aqueles que ainda não foram vítimas de crimes modificaram seu comportamento através de uma nova configuração espacial de suas residências. Como resultado o crime tem limitado a vida social das pessoas, pois elas afirmam que evitam sair sozinhas ou a noite, assim como os encontros e o convívio público ao evitarem conversar com estranhos, “desconhecidos”. JACOBS (2007) ressalta que a segurança do espaço público, principalmente da rua se dá pela capacidade do espaço e da comunidade residente de receber os desconhecidos. Quando as pessoas evitam conversar com estranhos ou evitam algumas pessoas elas estão limitando o contato entre as pessoas, que é proporcionado e potencializa os espaços públicos, e não criam infraestrutura para receber desconhecidos sem que isso signifique a perda da segurança. (NEI/UFES, 2008).

4. Contextualização da área de estudo

O crescimento da violência tem sido registrado pelos mapas da criminalidade em todo o país. Na cidade de Vitória, Espírito Santo, assim como na maioria das grandes cidades brasileiras, observa-se que o crescimento da violência esteve relacionado ao processo de urbanização e industrialização tardio.

12

Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo Gerência de Estatística e Análise Criminal 14 Núcleo de Estudos e Pesquisas Indiciárias 15 Participantes da pesquisa que já foram vítimas dos crimes de furto ou roubo. 13

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

63


4. Contextualização da área de estudo

Nesse contexto, o mapeamento de ocorrências criminais se torna importante para a análise da vulnerabilidade espacial e social dos espaços da cidade, principalmente os públicos, identificando os locais que necessitam de intervenções mais significativas para que a cidade passe a oferecer espaços convidativos e seguros para o convívio social, assim como para a qualidade da apropriação dos espaços livres e da vida pública.

Figura 53 - Local de vulnerabilidade no bairro. Fonte: o autor (2015). 64

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


MAPA 4: OCORRÊNCIAS CRIMINAIS NA ÁREA DE ESTUDO - BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES) 363500

364000

DE LOURDES GURIGICA

HORTO

CONSOLAÇÃO

SANTA LÚCIA

±

364500

LEGENDA

BENTO FERREIRA ENTORNO

NAZARETH

INTERESSE SOCIAL

7753500

7753500

OCORRÊNCIAS CRIMINAIS 2010-2012

FURTO ROUBO

PRAIA DO SUÁ

BENTO FERREIRA

ENSEADA DO SUÁ

7753000

OBSERVAÇÃO

7753000

MONTE BELO

4. Contextualização da área de estudo

363000

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

FURTO: SUBTRAÇÃO DE UM BEM ALHEIO; ROUBO: SUBTRAÇÃO DE UM BEM ALHEIO REALIZADO SOBRE AMEAÇA OU VIOLÊNCIA À PESSOA.

7752500

7752500

JESUS DE NAZARETH

0 50 100

200

300 M

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363000

363500

364000

364500

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

65


5 DIAGNÓSTICO INTERVENÇÃO

DA

ÁREA

DE

A caracterização urbana da área de intervenção tem como objetivo levantar as características urbanas locais existentes gerando um panorama do contexto real da área, identificando as potencialidades e desafios do espaço para o desenvolvimento adequado de um projeto. Para gerar essa caracterização serão avaliados a morfologia da ocupação urbana, o uso e a ocupação do solo, a relação de altura das edificações através do gabarito, a dinâmica da mobilidade urbana existente, os equipamentos urbanos que compõe o espaço público e as potencialidades e vulnerabilidades e como cada um das características apresentadas no bairro poderão interferir ou contribuir para a elaboração do projeto paisagístico para o eixo.


Figura 54 - OCT Bay, China. Fonte: landezine.com (2015).


5. Diagnóstico da área de intervenção

5. 1. DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO A escolha do Bairro Bento Ferreira se deu em virtude dele ser o último bairro de ocupação formal situado na ilha de Vitória que ainda possui potencial de verticalização e adensamento, sendo foco das imobiliárias, e que vem apresentando um número crescente de ocorrências criminais. Tal realidade torna possível o ensaio proposto pelas teorias apresentadas nos capítulos precedentes sobre como gerar vitalidade e segurança para os espaços livres, melhorando a qualidade espacial do bairro. Para tanto foram analisados os seguintes critérios: os espaços livres existentes, a concentração de ocorrências criminais, as características morfológicas de ocupação e as áreas informais de alta vulnerabilidade social. Quanto aos espaços livres foi realizada uma análise do bairro destacando os elementos mais significativos que podem ser considerados como espaços livres em potencial. Considerando todas as ruas e vias como espaços potenciais, os elementos destacados no mapa (Mapa 5) foram a praça, os canteiros centrais e as rotatórias verdes, que se concentram no eixo da Avenida César Hilal (Figura 55). Notou-se também a relação existente entre esse eixo e as áreas de encostas existentes no encontro de maciços com a área plana do bairro, que se concentraram no final da Chafic Murad.

Considerando a análise apresentada anteriormente quanto à concentração de ocorrências criminais no interior do bairro, a área identificada com maior concentração de ocorrências, e a presença de áreas com potencial de uso público, foi o eixo ao longo da Avenida César Hilal (Mapa 4). Quanto às características morfológicas do bairro e seu entorno, constatouse in loco uma diversidade de ocupações que variam entre áreas de ocupação formal, resultante do traçado de malha xadrez que predomina no bairro, e áreas de características de ocupação informal de alta vulnerabilidade social, com uma infraestrutura urbana e social mais precária e frágil. No interior do bairro uma região na extremidade da Avenida César Hilal, no limite com o bairro Monte Belo, apresenta características que indicam uma ocupação informal com vielas sinuosas, edificações sem afastamentos e irregularidade no tamanho dos lotes. Essa área está delimitada pelas avenidas Vitória e César Hilal e pela rua Jair Etienne Dessaune, e deixa claro o contraste existente entre a cidade informal e a cidade formal pois se difere de todo o bairro, se considerado o perfil socioeconômico deste em relação aos bairros do entorno. Analisando o PDM foi identificada uma área no entorno do bairro destina a ocupação preferencial de obras de intervenção urbana, a área 2 - Ilha de Santa Maria, que exerce interface com a Avenida César Hilal por estar localizada ao final da rua, no limite com o bairro Bento Ferreira. Estendendo o olhar para o entorno do bairro também identificou-se áreas classificadas como de interesse social e de proteção ambiental que cercam o bairro. Considerando os elementos apontados, foi selecionado o eixo da Avenida Cesar Hilal que corta transversalmente todo o bairro de Bento Ferreira, como área para a aplicação do projeto. Esse trecho foi um dos que apresentou maior concentração de atividades antissociais e de insegurança, está ligado às áreas de caráter informal e de alta vulnerabilidade social, corta um trecho onde a ocupação é predominantemente residencial e onde o processo de verticalização e especulação imobiliária ainda está no inicio possibilitando uma intervenção mais significativa e norteadora (Figura 56). A proposta de um eixo paisagístico para o bairro Bento Ferreira, localizado na Avenida César Hilal, tem como objetivo a valorização e o incentivo a apropriação do espaço livre visando a promoção de mais condições de segurança, a redução das diferenças sociais, integrando as pessoas através do espaço livre público, e principalmente a melhoria da qualidade de vida das pessoas que estão relacionadas com esses espaços. Figura 55 - Eixo da Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015).

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção Figura 56 - Crescimento imobiliário da Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015).

O eixo da Avenida César Hilal foi escolhido para a implantação do projeto paisagístico devido a sua estrutura viária, de três vias em cada sentido da via separadas por um largo canteiro central que é intercalado por rotatórias verdes, e pela grande oferta de área de uso público que permite maiores possibilidades de intervenção. Os espaços livres principais que serão trabalhados no projeto são os canteiros centrais, as rotatórias e a praça. Até o ano de 2005, como mostram as imagens (Figura 57), o eixo da Avenida César Hilal possuía uma caracterização bem diferente da que se observa atualmente, destacando o entorno da praça Pref. Oswaldo Guimarães. Com uma ocupação menos adensada, com pouquíssimos edifícios residenciais multifamiliares de grande porte, e principalmente com uma configuração viária bem diferente.

Figura 57 - Alterações na configuração da Avenida Hilal entre 2005 e 2015. Fonte: google.com.br, edição do autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

A imagem do acervo da PMV (Figura 58) apresenta a Avenida sem canteiro central e rotatórias verdes, que hoje se tornaram a identidade da via. Antes das reformas realizadas no eixo a Avenida César Hilal possuía a galeria coberta de placas de concreto, sem calçadas padronizadas. Apesar de já possuir a mesma configuração apresentada atualmente, pistas de sentidos diferentes separadas por “canteiro central”. O projeto das mudanças apresentadas no eixo elaborado pela PMV é datado de 2007 e apresenta a divisão da via em seis faixas de rolamento, com três em cada sentido de fluxo, e a implantação do canteiro central, em cima da galeria, com as rotatórias verdes, responsáveis por ordenar melhor o trânsito nos encontros das vias (Figura 59).

70

Figura 58 - Avenida César Hilal antes da reforma (a esquerda). Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória (2005). Figura 59 - Projeto de renovação elaborado para Avenida César Hilal (a baixo) Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória (2007).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção

A única área de lazer pública do bairro Bento Ferreira é a praça Prefeito Oswaldo Guimarães, a área é divida em duas partes, localizada no encontro das ruas Aluísio Guimarães e Francisco Rubim e cortada pela Avenida César Hilal. Dentre as alterações no eixo a melhoria da infraestrutura da praça também é notória. O último projeto de reforma da praça data de 2011, as obras só tiveram início no final de 2011 e foram finalizadas no final de 2012 (PMV, 2015). A reforma da praça foi solicitada devido às precárias condições que apresentava, com o acumulo de lixo e pavimentação degradada (Figura 60). Por ser a única praça do bairro Bento Ferreira fazia-se necessário a realização de melhorias para que os moradores voltassem a usar o local (Figura 61). As alterações propostas visavam promover mais conforto, acessibilidade e um novo paisagismo e os serviços solicitados foram “a reforma da quadra, troca da areia, poda da grama, reforma dos bancos, pintura dos equipamentos, melhoria do piso e iluminação”, além da instalação de academia popular para idosos (Serjão, 2011) Figura 60 - Fotos dos problemas na praça antes da reforma. Fonte: vereadorserjao.com.br (2011).

Figura 61 - Fotos da praça antes da reforma em 2011. Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória (2011).

O projeto elaborado pela prefeitura para a praça (Figura 62) propõe a auteração dos canteiros existentes, a troca do local de instalação do playground, mesas de tabuleiro em concreto, pergolados, banca de revista, e equipamento de ginática (PMV, 2011). Mas o levantamento realizado no local no ano de 2015 mostra que muitas dessas alterações não foram aplicadas na praça, pois a praça permanece com o mesmo desenho de canteiros que apresentava antes da reforma, e não foram implantados os pergolados, mesas de tabuleiro ou bancas de revista. Das mudanças foi renovado o paisagísmo, trocados os bancos e o revestimento e a paginação de piso.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção Figura 62 - Projeto de Reforma da praça Pref. Oswaldo Guimarães. Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória (2011).

Apesar do projeto com as propostas de reforma desenvolvido e aplicado na praça pela prefeitura, o objetivo da população do bairro de Bento Ferreira era de que fosse realizada uma revitalização da praça (Figura 65). No período de elaboração do projeto de reforma os moradores reivindicaram a realização do projeto de revitalização apresentado pela prefeitura de Vitória em 2008, proposta essa aprovada pelos moradores. Os requerimentos realizados pelos moradores para a praça foram de quadra de esportes e espaço para academia popular, implantados na reforma, quadra de bocha, feira de artesanato e alimentação, melhor iluminação e policiamento. 72

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Figura 63 - Lado Norte da praça depois da reforma (direita, acima). Fonte: o autor (2015). Figura 64 - Lado Sul da praça depois da reforma (direita, abaixo) Fonte: o autor (2015). Figura 65 - Projeto de Revitalização para a praça Oswaldo Guimarães (direita, ao lado) Fonte: Guia de Bento Ferreira (2012).


5. Diagnóstico da área de intervenção A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

MAPA 5: DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO - BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES) 363000

363500

364000

±

DE LOURDES GURIGICA

SANTA LÚCIA

HORTO

BENTO FERREIRA ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS INTERESSE SOCIAL PROTEÇÃO AMBIENTAL

NAZARETH

VIAS PRINCIPAIS AV. VITÓRIA AV. LEITÃO DA SILVA

7753500

7753500

5. Diagnóstico da área de intervenção

CONSOLAÇÃO

LEGENDA

RUA JAIR ETIENNE DESSAUNE MORFOLOGIA DE OCUPAÇÃO DO BAIRRO ASSENTAMENTO SUBNORMAL RESIDENCIAL

PRAIA DO SUÁ

ÁREA DE INTERVENÇÃO URBANA (PDM) CONSOLAÇÃO

MONTE BELO

HORTO

BENTO FERREIRA

MONTE BELO

ENSEADA DO SUÁ

PRAÇA

7753000

7753000

ESPAÇOS LIVRES ROTATÓRIAS VERDES CANTEIRO CENTRAL ò

JESUS DE NAZARETH

ÁRVORES

ÁREA DE INTERVENÇÃO PROJETUAL

7752500

0 50 100

300 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363000

74

200

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

363500

364000

7752500

EIXO AVENIDA CESAR HILAL

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)


5.2. MORFOLOGIA URBANA

No mapa de parcelamento do solo (Mapa 6) o objetivo principal é caracterizar o traçado dos lotes da área de estudo. Segundo a Lei federal de Nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, o parcelamento do solo urbano pode ser feito através do loteamento, que consiste na subdivisão de glebas em lotes com a abertura de novas vias, ou desmembramento, subdivisão com o aproveitamento da malha viária existente. O PDM de Vitória16 (2006) acrescenta outra forma de promover o parcelamento do solo, o desdobro, subdivisão de um lote em dois ou mais, e ou remembramento, que consiste na união de lotes gerando áreas maiores, geralmente adotada pelas incorporações imobiliárias. O terreno servido de infraestrutura básica é o lote, cujas dimensões mínimas são de 125 m² com frente de 5 metros. As análises realizadas nesse mapa levou em consideração a metragem quadrada de cada lote, observando assim as características mais predominantes em cada setor. A classificação usada adotou como tamanho mínimo aceitável o recomendado pela legislação, 125 m² e foi aumentando gradativamente. Outro valor levado em consideração foi o mínimo estabelecido pelo PDM para o parcelamento das zonas de ocupação prioritária – ZOP2/03, que é de 360 m² e testada de 12 metros. Outro fator de análise foi a forma dos lotes classificados em regulares e irregulares. Nesse mapa notou-se que no trecho analisado, no entorno da Avenida César Hilal, apresenta uma ocupação de traçado orgânico, com lotes de tamanhos irregulares e sem arruamento indicando uma ocupação espontânea, sem planejamento e que não atende os requisitos do PDM. Destes trechos irregulares, as duas quadras que estão localizadas no final da avenida, no limite com o bairro Monte Belo, além da irregularidade apresentam também a concentração de lotes de dimensões menores do recomendado para a zona, e até mesmo menores do que o mínimo recomendado para um lote, segunda a legislação federal (Figura 66). Uma das quadras do entorno da praça também apresenta lotes de formas irregulares, mas são lotes de maiores dimensões. Como destacado no mapa, duas das quadras do eixo apresentam como diferencial lotes de formas mais regulares e de maiores dimensões. 16

5. Diagnóstico da área de intervenção

A morfologia urbana é o estudo da forma das cidades, cada bairro ou cidade possui uma diversidade de fatores que direta ou indiretamente contribuíram para que ela adquirisse as feições e características que sua complexidade demanda. A estrutura urbana é composta pelos seguintes elementos: o traçado viário, a quadra, o lote (ou parcela fundiária) e o edifício (PEREIRA, 2012). Nessa seção os elementos da morfologia urbana serão agrupados para análise nos seguintes tópicos: parcelamento do solo, malha urbana e acessos, e adensamento construtivo.

Figura 66 - Exemplo de ocupação informal, Beco Guaraná. Fonte: o autor (2015).

No mapa de malha urbana e acessos foram analisados os tamanhos e formas das quadras e suas características. Também foi avaliado como acontece o acesso ao bairro, e de que forma o traçado urbano se relaciona com os acessos à área. O bairro Bento Ferreira possui um desenho peculiar pelo fato de parte do seu traçado convergir para o trecho da Avenida César Hilal que faz limite com o bairro Praia do Suá. O bairro apresenta grandes quadras onde se concentram os usos institucionais. No trecho que apresenta uma ocupação com características orgânicas, se destacam uma concentração de ruas de traçados irregulares que se adentram e cortam as quadras. O acesso para o bairro acontece principalmente através das Avenidas Vitória, César Hilal e Marechal Mascarenhas (Figura 67).

Plano Diretor Municipal de Vitória. A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção Figura 67 - Acesso pela Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015).

No mapa de adensamento construtivo foi avaliado a qualidade da ocupação, identificando como as edificações estão implantadas nos lotes os afastamentos, e os locais de alto e baixo adensamento construtivo passiveis de ocupação. O bairro demonstra um adensamento equilibrado no qual grande parte das edificações possuem afastamento, e não ocupam todo o lote. Ele também possui fortes características residenciais com muitas edificações de pequeno porte, mas com um crescimento evidente da ocupação de edifícios de grande porte. Uma grande área vazia se destaca no decorrer da Avenida, é a área da praça Prefeito Oswaldo Guimarães.

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


MAPA 6: MORFOLOGIA DO EIXO DE INTERVENÇÃO - AVENIDA CÉSAR HILAL, BENTO FERREIRA. 364000

±

LEGENDA ADENSAMENTO CONSTRUTIVO

BENTO FERREIRA 7753500

7753500

ADENSAMENTO CONSTRUTIVO

LOTES EDIFICAÇÕES MALHA URBANA E ACESSOS

BENTO FERREIRA ÁREA DE OCUPAÇÃO URBANA ACESSO AO BAIRRO RUAS IRREGULARES PARCELAMENTO DO SOLO 0 25 50

100

150 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363500

MALHA URBANA E ACESSOS

125,00 - 200,00 M² 200,00 - 360,00 M²

364000

±

PARCELAMENTO DO SOLO

ATÉ 125,00 M²

360,00 - 500,00 M² 500,00 - 700,00 M² 700,00 - 1500,00 M²

5. Diagnóstico da área de intervenção

363500

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

15000,00 - 5000,00 M² ACIMA DE 5000,00 M² CONCENTRAÇÃO DE FORMA DOS LOTES

REGULARES IRREGULARES

0 50 100

±

200 M

0 50 100

200 M

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5.3. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

5. Diagnóstico da área de intervenção

A análise de uso e ocupação do solo da área de projeto faz-se necessária para conhecer a dinâmica do local para que seja possível propor intervenções adequadas. De acordo com o Plano Diretor Urbano (PDU) do município de Vitória, segundo o Capítulo I - Do Uso do Solo Urbano Art. 129, ficam instituídas as seguintes categorias primaciais de uso (Tabela 2): Tabela 2 - Classificação de uso do solo segundo o PDU de Vitória.

Residencial Unifamiliar

Residencial Multifamiliar

Uso Não Residencial

Uso Misto

Figura 68 - Residência Unifamiliar. Pesquisa Científica UVV (2014).

Figura 69 - Edifícios residenciais multifamiliares. Fonte: o autor (2015).

Figura 70 - Edificação com uso de serviço. Fonte: o autor (2015).

Figura 71 - Uso Misto de Comércio com Residencial. Fonte: o autor (2015).

I - uso residencial unifamiliar: residências compreende as edificações destinadas à habitação permanente com uma unidade residencial autônoma;

II - uso residencial multifamiliar: compreende as edificações destinadas à habitação permanente com 2 (duas) ou mais unidades residenciais autônomas;

III - uso não residencial: compreendem as atividades de comércio, prestação de serviços e industriais;

IV - uso misto: compreende o empreendimento que apresenta a associação do uso residencial, unifamiliar ou multifamiliar, com o uso não residencial.

Fonte: PDU de Vitória, elaboração do autor (2015). 78

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O mapa indica que a Avenida César Hilal apresenta uma grande variedade de usos em seu decorrer, apresentando em grande parte um equilíbrio entre as variadas atividades. É possível notar que algumas que se destacam por sua dimensão na ocupação do solo, ou pela concentração.

O mapa apresenta o predomínio do uso de serviço no decorrer de toda a Avenida, mas a quadra, entre a Rua Amélia da Cunha e a Pref. Oswald Guimarães que antecede o grande espaço livre da praça, se destaca pela concentração desse uso (Figura 73). Entre os tipos de serviços oferecidos no eixo encontram-se os serviços de clínicas médicas, jurídico, Casa de festas infantis, academia, buffet, escola infantil particular, APAE e oficina de carros. Apenas algumas edificações de comércio e institucionais intercalam entre os serviços nessa quadra.

5. Diagnóstico da área de intervenção

As categorias adotadas para a avaliação do uso e ocupação do solo foram adotadas seguindo o padrão estabelecido pelo PDM de Vitória: residencial unifamiliar, residencial multifamiliar, comercial, institucional, serviço, misto, sem uso e lazer. Também foram levantados e descritos os principais espaços livres e apropriações identificadas no eixo.

O grande destaque está em uma quadra, encontro da Avenida César Hilal com a Joubert de Barros, praticamente toda ocupada pelo uso institucional. Nesse local está inserido o Hospital da Policia Militar, um dos principais hospitais da grande Vitória . O hospital ocupa, quase que completamente, duas grandes quadras e tem a área de estacionamento voltada para a Avenida César Hilal. Mesmo o fechamento do terreno sendo de gradio, que permite a vigilância natural, a falta de atividades no térreo que atraiam ou interaja com o pedestre dessa área, por predominar a presença de automóveis, promovem um ambiente favorável à sensação de insegurança dos usuários (Figura 72).

Figura 73 - Diferentes tipos de serviço. Fonte: Pesquisa Científica UVV (2014).

Figura 72 - Implantação do Hospital da Policia Militar. Fonte: google.com.br (2013).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção 80

O eixo apresenta poucos usos do tipo de comércio dos poucos comércios que se observam na área estão: revendedora de produtos, bar informal, farmácia, restaurantes, lanchonetes, revendedora de carros, posto de gasolina, lojas de roupas, papelarias e outros. Grande parte desse comércio está localizado no térreo de edifícios residenciais e se caracterizando como misto. Um bom exemplo é o edifício Hawai e Caribe, que fica na esquina com a Avenida Leitão da Silva, que possui um centro comercial no térreo (Figura 74). É um dos trechos do eixo que se apresenta com mais vitalidade, pois possui variados tipos de comércio, atraindo variados públicos de consumo, e sempre está ocupado por grupos de pessoas reunidas, por isso que se apresenta como um ponto de apropriação de pessoas. A presença de um ponto de parada de ônibus se torna um atrativo à permanência de mais pessoas. Por estar em uma rua de fluxo intenso de veículo o estacionamento nesse local desvaloriza o espaço de calçada que poderia ser melhor apropriado pelos usuários. Figura 74 - Centro comercial, Ed. Hawai e Caribe. Fonte: o autor (2015).

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Quanto as áreas usadas no eixo da Avenida César Hilal como espaços livres públicos, pode-se destacar a praça como espaço de lazer e os canteiros centrais e as rotátórias como áreas verdes. A praça se destaca no bairro, por se apresentar como o coração do bairro, pois as ruas convergem em sua direção e apresentar infraestrutura para atender de crianças à idosos (Figura 75).

Figura 75 - Vista da Praça Prefeito Oswaldo Guimarães. Fonte: o autor (2015).


A cena do carro abandonado faz considerar um aspecto importante no contexto urbano, que aponta principalmente para as vulnerabilidades locais, são os sinais comportamentais. Além de carro abandonado, outros sinais identificados no eixo foram lixo acumulado, pichação, depredação e a presença de mendicantes. A concentração desses sinais, como observado no mapa, estão relacionados com os usos da ocupação urbana e tem em comum as características das fachadas das edificações, em especial na forma de fechamento dos lotes. A concentração de lixo acumulado em locais com muitos carros estacionados, próximo a área de ocupação informal com becos e ruelas, lotes vazios e edificações com pouca manutenção, como muros depredados. Assim como as pinchações que são observadas em muros depredados de lotes vazios e locais com muros altos, que não permitem a vigilância natural (Figura 77). Ainda considerando os elementos identificados quanto aos sinais comportamentais dois pontos se destacam no mapa, um pela concentração de diferentes elementos e outro pela quantidade do mesmo elemento no mesmo local. Pelas características apresentadas por essas áreas pode ser transmitida aos usuários a sensação de insegurança reduzindo a circulação de pessoas por esses pontos, são espaços com aspecto abandonado. Apesar da vulnerabilidade apresentada eles estão localizados em caminhos estratégicos de circulação, no encontro da Avenida Vitória com a César Hilal, sendo muitas vezes a única alternativa para os transeuntes na região.

5. Diagnóstico da área de intervenção

O mapa apresenta os lotes sem uso, que são os terrenos vazios ou que apresentam uso não identificado, que se apresentam como um espaço vulnerável no eixo, sendo áreas propicias para o incentivo à prática de atividades antissociais (Figura 76). São locais onde por falta de um responsável pela manutenção se acumula lixo, como o carro abandonado da imagem.

Figura 76 - Exemplo de terreno vazio (acima) Fonte: Pesquisa Científica, UVV (2014). Figura 77 - Pontos de pichação e lixo acumulado identificados no eixo (abaixo) Fonte: Pesquisa Científica, UVV (2014).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

Um dos casos de apropriações identificados no eixo foram os de atividade informal de ambulantes. Em um das ruas laterais da praça existe um ponto usado como lava jato de automóveis. Outro ponto de comércio informal está localizado em frente ao ponto de ônibus, próximo à esquina com a Avenida Leitão da Silva, vendendo água de coco (Figura 78).

82

Figura78 - Apropriação de atividades informais - ambulantes (a direita). Fonte: o autor (2015). Figura 79 - Ponto com concentração de sinais comportamentais (abaixo) Fonte: Pesquisa Científica, UVV (2014).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


A presença de automóveis estacionados no decorrer da via roubam a cena e se destacam no contexto urbano da Avenida César Hilal. A grande quantidade de carros estacionados transmite aos pedestres não motorizados a sensação de que a prioridade da ocupação dos espaços livres dessa via é do automóvel. A redução do estacionamento na via possivelmente proporcionaria uma limpeza visual dos espaços públicos, como da calçada e do eixo verde, tornando mais agradável o caminhar e incentivando assim mais circulação de pessoas e mais apropriações no decorrer da Avenida, como já foi possível notar no final de semana quando um trecho da via não estava ocupado como estacionamento (Figura 81).

Figura 80 - Apropriação indevida do espaço público pela oficina (a esquerda) Fonte: Pesquisa Iniciação Científica, UVV (2014).

5. Diagnóstico da área de intervenção

Um dois pontos do eixo foram identificadas a apropriação indevida da Avenida como estacionamento para oficinas automobilísticas (Figura 80. Por falta de espaço no ponto onde acontecem os concertos, e sem um local apropriado para o estacionamento dos carros que aguardam o concerto, ou que estão a venda, a via passa a ser utilizada de forma indevida, fazendo com que o espaço público seja invadido pelo uso privado.

Figura 81 - Intervenção do estacionamento na paisagem, Av. César Hilal (abaixo) Fonte: o autor (2015).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

Mesmo com tanto destaque para os carros foram identificadas na área bicicletas presas aos postes, o que indica a apropriação de ciclistas e a necessidade de infraestrutura de apoio para esse público (Figura 82). Em nenhum ponto do eixo, nem mesmo na praça foi constatado existir alguma infraestrutura para atender esse público, talvez esse seja um dos motivos pelo qual poucas pessoas transitam de bicicleta por essa região. Além de ser uma alternativa sustentável a proposta infraestrutura de suporte a bicicletas é um incentivo à circulação não motorizada priorizando o espaço para as pessoas, o que seria muito importante para a vitalidade do eixo e para a apropriação do espaço da praça.

A praça se apresenta no contexto urbano como um espaço livre público com maior complexidade de dinâmica urbana, referente ao uso e apropriação. Para que se entenda essa complexidade, para se elaborar um projeto para a área que valorize as potencialidades e promova soluções para as vulnerabilidades, será realizada uma Análise Pós Ocupação especificamente das atividades desenvolvidas na praça. O principal objetivo desse levantamento é entender como os usuários experienciam a praça. A metodologia de APO adotada é apresentada por MARCUS e COOPER (1998), que aponta que três pontos que devem ser considerados para entender a dinâmica e a apropriação dos espaços livres, respondendo as seguintes questões:

Quem está usando o lugar? Figura 82 - Bicicleta presa no poste, no entono da praça. Fonte: o autor (2015).

Ao se levantar o perfil das pessoas que utilizam o espaço; definindo se são homens, mulheres, crianças, adolescentes ou idosos; é possível descobrir as características e tendências do público alvo.

Qual o local onde os usuários tendem a permanecer no espaço? Ao se descobrir os lugares ondem os usuários do espaço tendem a permanecer, é possível entender o que as pessoas mais gostam no ambiente urbano e avaliar as características que mais atraem o uso e a apropriação.

Quais atividades são realizadas pelos usuários? Descobrir o que as pessoas costumam fazer em um espaço permite entender quais as atividades atraem os usuários e assim planejar uma infraestrutura que lhes atendam melhor.

Para a análise de apropriação da praça foi realizado um levantamento visual em diferentes dias e horário para que os três pontos principais de uma APO fossem identificados: quem está usando definidos por faixa etária, onde estão concentrados os usuários, e quais as atividades realizadas. 84

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção

No levantamento realizado na quartafeira, dia 22/07/2015, durante uma tarde ensolarada, entre as 15 e 16 horas, não foi identificada a apropriação de muitas pessoas neste horário durante a semana (Figura 83). Como mostra o mapa, foram observadas crianças usando o playground com os responsáveis, e crianças sem responsáveis utilizando a academia popular. As crianças utilizando a praça neste dia, moradores de um bairro vizinho, afirmaram que costumam utilizar o espaço para brincar quando não estão no horário de aula.

Figura 83 - Diagrama da análise de uso da praça. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

No levantamento realizado no domingo, dia 30/08/2015, com o clima bem quente durante a tarde, entre as 14 e 15 horas, já foi observada a presença de mais pessoas usando o espaço da praça (Figura 84). Neste dia muitos adolescentes estavam jogando futebol na quadra, enquanto alguns assistiam e aguardavam para jogar no canto da quadra e outros sentados na sombra do lado de fora. Também havia crianças brincando no playground e na academia, e pais com seus filhos andando de patins, ou sentados à sombra (Figura 85).

Figura 85- Imagens representando as atividades desenvolvidas no espaço da praça durante o domingo.

Figura 84 - Diagrama de análise dos usuários da praça Pref. Oswaldo – Domingo. Fonte: o autor (2015). 86

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção

O levantamento realizado em uma terça-feira ensolarada, dia 01/09/2015, do final da manhã ao início da tarde, de 11 às 14 horas, mostrou uma maior apropriação da praça (Figura 86). Além da quantidade de pessoas observadas, pode-se destacar também o perfil dos usuários predominantes, que é de adultos. Foi observado pessoas deitadas em bancos, e até mesmo no chão descansando (Figura 87). Segundo os usuários entrevistados a praça é utilizada para descanso por trabalhadores do entorno durante o horário de almoço.

Figura 87 - Imagens representando as atividades desenvolvidas no espaço da praça. Fonte: o autor (2015).

Figura 86 - Diagrama de análise dos usuários da praça Pref. Oswaldo, Terça-feira. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

87


APROPRIAÇÕES DE PESSOAS NO EIXO DA AVENIDA CÉSAR HILAL Pessoas reunidas na rua

Pessoas no ponto de ônibus

Figura 89 - Apropriação de pessoas na praça. Fonte: o autor (2015).

Figura 90 - Apropriação de pessoas no ponto. Fonte: o autor (2015).

5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 88 - Apropriação de pessoas na calçada. Fonte: o autor (2015).

Pessoas na praça Pref. Oswaldo Guimarães

HORÁRIO

Domingo à tarde (14 horas).

Domingo à tarde (14 horas).

Terça à tarde (13 horas).

CLIMA

Dia ensolarado.

Dia ensolarado.

Dia ensolarado.

ATIVIDADES

Grupo de pessoas reunidas em frente a um comércio informal, um bar, sentadas em circulo em cadeiras de plástico.

• Famílias com crianças, pais sentados e crianças andando de patins; • Crianças jogando futebol na quadra; • Pais com crianças no playground.

Pessoas em pé ou sentadas aguardando pelo transporte.

Durante a semana muitos dos trabalhadores de empresas do entorno usam a praça como local de descanso do almoço (entre as 11 e 14 horas). Elas deitam, leem livros, se reúnem em grupos e etc.

OBS: Sempre com movimento intenso de pessoas.

Tabela 3 - Resumo das apropriações de pessoas no eixo da Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015). 88

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


MAPA 7: LEVANTAMENTO DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NO EIXO DE INTERVENÇÃO - AVENIDA CÉSAR HILAL, BENTO FERREIRA. 363500

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

364000

±

LEGENDA

BENTO FERREIRA ENTORNO DO BAIRRO

7753500

7753500

A ¢ ¥

RESIDENCIAL UNIFAMILIAR RESIDENCIAL MULTIFAMILIAR COMERCIAL INSTITUCIONAL SERVIÇO MISTO (SERVIÇO/COMÉRCIO/RESIDÊNCIA) SEM USO ESPAÇOS LIVRES CANTEIRO CENTRAL ROTATÓRIAS VERDES EDUCACIONAL SAÚDE

5. Diagnóstico da área de intervenção

LOTES USO DO SOLO

APROPRIAÇÕES URBANAS

ù

PESSOAS COMÉRCIO INFORMAL

7753000

7753000

+ CARRO ABANDONADO c E DEPREDAÇÃO c LIXO ACUMULADO Y PEDINTE/ MENDICANTE c 7 PICHAÇÃO c ESTACIONAMENTO PÚBLICO

0 25 50

100

150 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363500

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

364000

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

89


5. Diagnóstico da área de intervenção

Quanto à análise do gabarito das edificações de uma cidade, ela se faz importante para que se entenda a relação de escala entre o ambiente construído e a escala humana, e consequentemente na forma como a cidade é percebida pelas pessoas, o que influencia diretamente na apropriação de espaços livres. A relação das escalas é bem destacada por Jan Gehl (2014) ele fala sobre o “campo social da visão” que se trata das distâncias em que os sentidos humanos são completamente utizados como até que distância a visão alcança, ou em quais as emoções podem ser acionadas. Segundo Gehl a visão acontece no plano horizontal influenciando na percepção humana das escalas, sentidos e dimensões do espaço urbano, ou no que está a “nível dos olhos”. Nesse contexto podemos analisar o gabarito das edificações considerando a relação entre os sentidos e a altura das edificações.

Figura 91 - Exemplo de edificação entre 3 e 6 pavimentos. Fonte: Pesquisa Científica, UVV (2014). Figura 92 - Edificações de 1 a 2 pavimentos. Fonte: o autor (2015).

O PDM de Vitória (2006) não estabelece gabarito máximo para a ZOP2/03, que compreende o bairro Bento Ferreira e a área de projeto, mas aponta para no artigo 157 que a “altura máxima das edificações permitida, em qualquer zona de uso, fica sujeita às normas estabelecidas na Lei Federal n° 7.565/86 (Código Brasileiro de Aeronáutica)”. Esse condicionante torna o gabarito de projetos para a zona sujeitos à análise das autoridades responsáveis pela aprovação de projetos. Considerando a taxa de ocupação máxima e o coeficiente de aproveitamento máximo estabelecidos para a zona que predomina no bairro, a ZOC4, o gabarito varia de 2 a 5 pavimentos. O levantamento de gabaritos da área de intervenção demonstra que a predominância do local é de edificações de 1 a 2 pavimentos (Figura 91). A área apresenta algumas poucas edificações de 3 a 6 pavimentos em seu decorrer (Figura 92). As edificações são tanto de residências unifamiliares quanto institucionais, de serviço e comércio. 90

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


Acima de 7 pavimentos a área apresenta apenas 6 edificações que se destacam por se apresentarem bem distintas à predominância da área e à percepção da escala dos pedestres. Todas essas edificações acima de 7 pavimento são de edifícios residenciais multifamiliares, e alguns possuem uso comercial ou de serviço no térreo (Figura 93).

Figura 94 - Edifício em fase de finalização da construção. Fonte: o autor (2015).

5. Diagnóstico da área de intervenção

O bairro Bento Ferreira tem sofrido uma transformação acelerada, fruto da pressão de adensamento e verticalização advinda do setor da construção civil, o que tem gerado o aumento da implantação de novos empreendimentos. Grande parte dos edifícios identificados na área são bem recentes. No entorno da praça existe um desses edifícios, que ainda está com a construção em andamento, em fase de finalização para a entrega (Figura 94).

Figura 93 - Alguns dos edifícios residenciais multifamiliares identificados no eixo. Fonte: o autor (2015).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

91


5. Diagnóstico da área de intervenção 92

O constraste existente entre as alterações que são visualmente observadas na morfologia do bairro Bento Ferreira e os dados apresentados pelo IBGE quanto as alterações no número de moradores entre 2000 e 2010 deixam claro como os condomínios residenciais são bem recentes. Em uma década foi registrado um acréscimo de apenas aproximadamente 200 habitantes, mesmo com a implantação de novos edifícios residenciais multifamiliares. Essas informações levam a conclusão de que os novos edifícios só foram realmente implantados e inaugurados após o último levantamento demográfico, realizado em 2010 (PELA; RONCHI; SÁ, 2013). Além da interferência visual causada por essas edificações, que desconsideram os visuais do entorno, a presença desses edifícios tendem a afetar também a dinâmica urbana, quanto à mobilidade e apropriação dos espaços públicos. Isso se dá pela demanda de habitantes concentrados em um mesmo local, o que pode sobrecarregar a infraestrutura urbana local se não bem planejado, principalmente com relação à mobilidade. A presença de edificações verticais que comportam tantos moradores aparenta ser uma boa alternativa para os espaços públicos urbanos, pois faz-se imaginar que mais pessoas se apropriaram dos espaços disponíveis no bairro, mas isso nem sempre é o que acontece. Muitos dos novos edifícios multifamiliares implantados possuem áreas de lazer privativo com variadas alternativas de lazer para seus moradores, e por segurança seus moradores deixam de aproveitar os ambientes públicos e se restringem ao universo do condomínio.

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


MAPA 8: LEVANTAMENTO DOS GABARITOS DO EIXO DE INTERVENÇÃO - AVENIDA CÉSAR HILAL, BENTO FERREIRA. 363500

364000

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

±

LEGENDA BENTO FERREIRA ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS EDIFICAÇÕES GABARITOS

7753500

7753500

1 - 2 PAVIMENTOS 3 - 6 PAVIMENTOS 7 - 15 PAVIMENTOS 15 - 20 PAVIMENTOS MAIS DE 20 PAVIMENTOS LOTES VAZIOS

7753000

7753000

ESPAÇOS LIVRES

5. Diagnóstico da área de intervenção

LOTES

0 25 50

100

150 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363500

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

364000

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

93


5. Diagnóstico da área de intervenção

5.4. MOBILIDADE URBANA O planejamento do espaço público deve levar em consideração os requerimentos da população que se encaixa nesse perfil, que está em crescimento no bairro, promovendo através de ambientes atrativos e seguros o interesse na apropriação da cidade.

As vias locais principais “são vias de acesso ao bairro que distribuem os fluxos de veículos pelas vias locais do próprio bairro” (PDM, 2006). As vias do bairro com essas características são as Avenidas César Hilal, Carlos Moreira Lima e Joubert de Barros e as ruas Francisco Rubim e Chafic Murad.

Assim como o gabarito das edificações, a mobilidade urbana também está relacionada com a apropriação e uso do solo urbano. A mobilidade urbana se tornou um dos grandes problemas das cidades modernas e a busca por novas alternativas da melhoria da acessibilidade assim como de novos meios de transporte. Como já citado anteriormente a formação de uma cidade se dá principalmente por seus caminhos.

As vias locais são aquelas “que servem, predominantemente, às necessidades de circulação dos moradores no acesso aos seus imóveis” (PDM, 2006). Exceto às vias identificadas anteriormente todas outras vias do bairro são classificadas como locais.

“Os caminhos da cidade, sejam calçada, sejam trilhos, sejam as ruas, devem ser vistos como espaços estruturadores da vida urbana e como o lugar que nos posiciona no tecido urbano, permitindo identificar-nos com a cidade” (DUARTE; LIBARDI; SÁNCHEZ, 2011).

Em Vitória, ES, as vias são classificadas pelo PDM, Plano Diretor Municipal, Lei nº 6.705 (VITÓRIA, 2006, art. 122), em vias arteriais metropolitanas, vias arteriais municipais, vias coletoras, vias locais principais, vias locais e vias de pedestre. O mapa de hierarquia viária apresenta a classificação das vias do bairro Bento Ferreira segundo o PDM (Mapa 9). O bairro conta com importantes vias para o contexto metropolitano. As vias classificadas como metropolitana são “vias de ligação intermunicipal que funcionam na coleta e distribuição dos fluxos de veículos que circulam pelos centros metropolitanos com maior concentração de atividades” (PDM, 2006). As vias do bairro classificadas como vias arteriais metropolitanas são as Avenidas Vitória, um pequeno trecho da César Hilal, a Mascarenhas de Morais e a Leitão da Silva. As vias classificadas pelo PDM (2006) como vias coletoras são “vias complementares às vias arteriais com função coletora e distribuidora dos fluxos de veículos”. O bairro possui apenas uma de suas vias classificadas como coletora, que é a Avenida Jair Etienne Dessaune.

94

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Figura 95 - Perfil da Avenida César Hilal. Fonte: streetmix.net, modificações do autor (2015).


363500

364000

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7753500

CLASSIFICAÇÃO DAS VIAS ARTERIAL METROPOLITANA COLETORA LOCAL PRINCIPAL LOCAL

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ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS

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363000

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

5. Diagnóstico da área de intervenção

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MAPA 9: MOBILIDADE URBANA - HIERARQUIA VIÁRIA DE BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES)

SA R LO

160

240 M

SIRGAS_2000_UTM_Zone_24S 363000

363500

7752500

7752500

0 40 80

ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

364000

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

95


5. Diagnóstico da área de intervenção

Uma das razões pela qual a Avenida César Hilal foi delimitada para intervenção é a sua tipologia duas pistas de mão única, cada pista um sentido com duas faixas de circulação e estacionamento, separadas por canteiro central, como demonstrado no perfil da Avenida (Figura 95). O mapa de análise do trânsito e transporte apresenta a classificação das vias do bairro Bento Ferreira de acordo com a intensidade de fluxo do trafego de veículos, adotando os quesitos de circulação muito intensa, intensa e moderada (Mapa 10). Através da análise do mapa notou-se que a intensidade do trafego está diretamente relacionada com a função exercida pela via, pois se comparado com o levantamento da hierarquia viária as vias que apresentam circulação muito intensa são as classificadas como arteriais metropolitanas, as de circulação intensa são as coletoras e as locais principais e as de circulação moderadas são as locais. Apesar de não possuir ciclovia no eixo a Avenida Leitão da Silva possui ciclovia planejada a ser implantada, o que abre uma possibilidade para justificar a implantação de uma no eixo. Foram identificados no bairro três pontos que podem ser considerados como nodais. São considerados como pontos nodais os locais de convergência de pessoas ou transporte (LYNCH, 2006). Os principais locais de convergência estão localizados no encontro entre duas grandes avenidas como entre a César Hilal e a Vitória, entre a César Hilal e a Leitão da Silva e entre a Mascarenhas de Moraes e a Leitão da Silva. Quanto aos meios de transportes existentes a política nacional de mobilidade urbana propõe como uma de suas diretrizes priorizar os modos de transporte não motorizados e os serviços de transporte público coletivo (Ministério das Cidades, 2013). O bairro conta com o transporte público metropolitano e municipal, no mapa foram identificados pontos de parada para os ônibus que atendem a área.

96

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


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MAPA 10: MOBILIDADE URBANA - ANÁLISE DO TRÂNSITO E MEIOS DE TRANSPORTE DE BENTO FERREIRA, VITÓRIA (ES) 363500

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364000

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±

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LEGENDA BENTO FERREIRA ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS

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7753500

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VIA DE CIRCULAÇÃO INTENSA VIA DE CIRCULAÇÃO MODERADA ! ! ! ! ! !

CICLOVIA PLANEJADA

MEIOS DE TRANSPORTE ! ! ! ! ! !

CICLOVIA PLANEJADA

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PARADA DE ÔNIBUS PARADA DE TÁXI

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7753000

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7753000

INTENSIDADE DA CIRCULAÇÃO VIA DE CIRCULAÇÃO MUITO INTENSA

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EDIFICAÇÕES

5. Diagnóstico da área de intervenção

363000

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

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7752500

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160

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ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

97


5. Diagnóstico da área de intervenção

O bairro não promove incentivos para o transporte alternativo como ciclovias ou ciclofaixas. Como demonstrado no mapa, de acordo com o PDM (2006) o trecho da Avenida Leitão da Silva e Marechal Mascarenhas que delimita o bairro Bento Ferreira possui o projeto de infraestrutura de cicloviária. A circulação de pedestres e ciclistas deve ser considerada cuidadosamente para a que a vitalidade e a segurança da cidade sejam garantidas. Para entender como acontece a circulação foi observado o fluxo de pedestres no decorrer do trecho, destacando onde ocorre mais circulação, os caminhos traçados e as condições dos passeios públicos. No percurso do eixo quase não foi identificada a circulação de pedestres. O trecho que se apresentou mais movimento foi entre a rua Amélia da Cunha e a avenida Vitória. Nesse trecho a praça se destaca, tanto por ser um espaço de permanência, mas também porque está na intercessão entre quatro diferentes ruas, Aluísio Simões, Bolívar de Abreu, Francisco Rubim e Henrique Rosetti, e é cortada por uma das principais avenidas do bairro, a Avenida César Hilal. A análise de circulação de pedestres na praça mostra os caminhos mais comuns que as pessoas tendem a percorrer. A análise foi feita com base no dia em que foi Figura 96 - Diagrama da análise da circulação de pedestres na praça. Fonte: o autor (2015).

98

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


Quanto a acessibilidade apresentada nos passeios, ao percorrer o eixo observando o tratamento das calçadas nota-se que em alguns trechos existem calçadas degradadas, com o revestimento quebrado, cheio de buracos e até com raízes de árvores aparente (Figura 97). Os trechos de calçadas nessas condições geralmente estão em frente a lotes vazios, ou com edificações com seus muros com aspecto de abandonado e com a presença de sinais comportamentais. Todos esses elementos reunidos acabam transmitindo a sensação de desconforto e até mesmo de insegurança para aqueles que estão circulando pela calçada.

Figura 98 - Calçadas acessíveis na Av. César Hilal. Fonte: Pesquisa Científica, UVV (2014).

proporcionando mais segurança, a presença de vegetação e iluminação adequada.

Estabelecendo um contraste, muitos trechos da Avenida César Hilal apresentam calçadas em ótimas condições (Figura 98). São calçadas que seguem o padrão de acessibilidade estabelecido pela PMV, com revestimento adequado e marcação do piso podotátil. Ao se observar o contexto dessas passeios percebese que além das condições físicas dessas calçadas existem outros elementos que junto a elas transitem aos transeuntes a sensação de conforto, como o tipo de fechamento da edificação, gradio permitem a vigilância natural

Um elemento importante a se destacar nas calçadas acessíveis são as rampas. São elas que permitem aqueles que estão com a locomoção limitada, os cadeirantes e até mesmo uma mãe com um carrinho de bebê a acessarem a calçada de forma confortável. Existe um modelo de rampa estabelecido pelas legislações locais para que se garanta a acessibilidade, mas nem todas as rampas observadas no eixo seguem o padrão recomendado (Figura 99).

Figura 97 - Calçadas sem acessibilidade na Av. César Hilal. Fonte: o autor (2015).

Figura 99 - Diferença entre rampa acessível e não acessível. Fonte: o autor (2015).

5. Diagnóstico da área de intervenção

observado o maior uso da praça. Maior parte dos usuários observados nesse dia foi de trabalhadores em horário de almoço, então a circulação está relacionada com os usos do entono. Os caminhos percorridos, principalmente no horário entre 11 e 14 horas, são entre as empresas e instituições próximos à praça, como a UNIMED, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia e o Conselho o Regional de Administração, e os restaurantes nas proximidades da praça. Não foram observados caminhos alternativos sobre canteiros pisoteados, o que mostra que os caminhos traçados na praça e as ligações estabelecidas por eles estão bem planejados (Figura 96).

Essa análise da mobilidade urbana da área de intervenção e do bairro fornece

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

99


5. Diagnóstico da área de intervenção

5.5. INFRAESTRUTURA URBANA informações necessárias para organizar a mobilidade e promover ao eixo toda a vitalidade que ele pode fornecer para os espaços livres do ambiente urbano, através do fortalecimento das relações sociais e da segurança. O levantamento da infraestrutura urbana tem o objetivo de analisar os elementos do ambiente urbano que contribuem para a qualidade espacial e segurança, incentivando assim a apropriação dos espaços livres. Os elementos que compõem o recinto urbano e fornecem o suporte que os usuários precisam para se apropriarem de forma confortável e segura do espaço público. Para entender a realidade desses itens no eixo da Avenida César Hilal foi-se elaborado um mapeamento da infraestrutura identificando também elementos que compõe o mobiliário urbano da área de intervenção (Mapa 11). A Avenida conta com lixeiras, apesar de poucas, hidrante, pontos de ônibus e táxi, telefone público e outros, o eixo também é bem sinalizado. Quanto à iluminação, elemento que muito importante para a segurança noturna, nota-se que a Avenida

César Hilal possui muitos postes de iluminação em todo o seu decorrer. A tabela de equipamentos urbanos traz a relação dos elementos levantados no eixo. Quanto os elementos de suporte ao lazer urbano, a praça Oswaldo Guimarães se destaca no bairro Bento Ferreira, como um dos únicos espaços públicos que promove estrutura para atender a população. Os elementos que compõe a praça são o playground, espaço destinado às crianças, a quadra de esporte, destinada aos adolescentes e a academia popular, que é mais voltado para os adultos e idosos. A praça possui um playground, que consiste em uma área cercada de gradio com areia de praia e brinquedos comuns como balanço e escorregador (Figura 97). O espaço possui uma área bem generosa, mas não possui brinquedos que atraem o interesse das crianças. Mesmo assim foram observadas algumas crianças se apropriando desse espaço, apesar de não permanecer muito tempo entretidas com os equipamentos. A quadra de esportes possui estrutura para a prática de diferentes esportes como o futebol, vôlei, basquete e handball (Figura 98). Durante a semana não é comum não foi observado à utilização desse espaço, mas nos finais de semana é um local muito usado por crianças e adolescentes, principalmente meninos jogando futebol. Notou-se a falta de estrutura para atender aqueles que assistem aos jogos na quadra. Alguns estavam sentados no chão da lateral da quadra e outros estavam em um banco da praça. Outro aspecto importante é a posição da implantação da quadra. A forma ideal de implantação de uma quadra de esportes aberta, como é o caso da que está na praça, é que seus lados menores, o local onde fica o gol e a tabela, estejam voltados para norte e sul. Mas a quadra da praça está implantada com as suas laterais maiores para o norte e sul, o que faz com que o sol de leste e oeste incida diretamente no gol e na tabela, afetando a realização dos esportes. A academia popular foi instalada recentemente na praça, em 2014, possui aparelhos variados para que a população possa realizar atividades físicas (Figura 99). Apesar de ser um espaço novo é pouco utilizado pelos moradores, principalmente

Figura 100 - Playground da Praça Oswaldo Guimarães. Fonte: o autor (2015). 100

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 101 - Quadra de esportes da Praça Oswaldo Guimarães. Fonte: o autor (2015).

Figura 102 - Academia popular da Praça Oswaldo Guimarães. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

101


5. Diagnóstico da área de intervenção

Tabela 4 - Levantamento de equipamentos e mobiliário urbano na Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015).

ORELHÃO

LIXEIRA

LIXEIRA

Figura 103 - Telefone público no eixo. Fonte: o autor (2015).

Figura 104 - Lixeira (lixo comum). Fonte: o autor (2015).

Figura 105 - Lixeira (pilhas e lâmpadas). Fonte: o autor (2015).

CAIXA DE TELEFONE

Figura 109 - Caixa de Telefone. Fonte: o autor (2015).

102

ESTAÇÃO ELEVATÓRIA

Figura 110 - Estação elevatória. Fonte: o autor (2015).

HIDRANTE

Figura 106 - Hidrante. Fonte: o autor (2015).

PLACAS

POSTE DE ILUMINAÇÃO

Figura 111 - Placas Fonte: fiscalizavitoria.com.br (2014).

Figura 112 - Poste. Fonte: fiscalizavitoria.com. br (2014).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

BANCO DE MADEIRA

Figura 107 - Banco de madeira. Fonte: o autor (2015).

PONTO DE ÔNIBUS

Figura 113 - Ponto ônibus de concreto. Fonte: o autor (2015).

BANCO DE CONCRETO

Figura 108 - Banco de concreto. Fonte: o autor (2015).

PONTO DE ÔNIBUS

Figura 114 - Ponto de ônibus de estrutura metálica. Fonte: o autor (2015).


5. Diagnóstico da área de intervenção

pelo público alvo a ser atendido, foram observados apenas criança utilizando-o. Segundo usuários entrevistados na praça alguns dos equipamentos da academia já foram até roubados. Quanto às áreas verdes e a vegetação existente, o eixo se apresenta bem rico quanto a esses elementos, com canteiros verdes e árvores distribuídas nas calçadas. Muitas das árvores presentes no eixo são de grande porte e antigas no bairro. Os canteiros centrais não possuem árvores, são apenas gramado com alguns arbustos que se apresentam com boa manutenção (Figura 115. A praça é o local onde está concentrada a maior quantidade de vegetação de variados tipos de espécies. Na reforma realizada na praça foi-se realizado um projeto paisagístico. As vegetações implantadas na praça estão relacionadas no

Figura 115 - Vegetação na Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015). Figura 116 - Memorial botânico do projeto paisagístico da Praça Oswaldo Guimarães. Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória (2011).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

103


5. Diagnóstico da área de intervenção

memorial botânico apresentado abaixo (Figura 116). A presença de vegetação traz ao espaço livre público vitalidade que atrai os usuários e proporciona a sensação de conforto e bem estar (Figura 117 e 118). Quanto às condições físicas do espaço e equipamentos da praça pode-se notar que existe uma manutenção constante. O último registro de fiscalização da praça foi de maio de 2014. No relatório elaborado foi constatado que a praça passa por manutenção sempre que necessário e as limpezas são realizadas segunda, quarta e sexta-feira. O relatório traz a relação dos bancos que estavam depredados, mas nos levantamentos realizados para a elaboração desse diagnóstico não foram identificados bancos quebrados, o que demostra que houve uma manutenção na praça após a realização da fiscalização. Através da observação do espaço foi identificado algumas necessidades de manutenção. Parte do revestimento do piso

Figura 117 - Ambiente proporcionado pela vegetação na Praça Oswaldo Guimarães (a direita, acima) Fonte: o autor (2015). Figura 118 - Condição da pavimentação da Praça Oswaldo Guimarães. (a direita, abaixo) Fonte: o autor (2015).. Figura 119 - Rica vegetação e canteiros desenhados da Praça Oswaldo Guimarães (abaixo) Fonte: o autor (2015).

104

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


MAPA 11: LEVANTAMENTO DA INFRAESTRUTURA E EQUIPAMENTOS DO EIXO DE INTERVENÇÃO AVENIDA CÉSAR HILAL,BENTO FERREIRA.

A VITALIDADE DOS ESPAÇOS LIVRES

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BENTO FERREIRA

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ENTORNO DA ÁREA DE ESTUDOS

7753500

7753500

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LEGENDA

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BANCO PARADA DE TÁXI

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364000

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±

ÁRVORES ESTACIONAMENTO CANTEIRO CENTRAL PRAÇA ROTATÓRIAS VERDES

B B B B B B

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7753500

7753500

B B

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PLAYGROUND

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SINALIZAÇÃO EM GERAL

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LIXEIRA

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APOIO DA ILUMINAÇÃO PÚBLICA

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POSTE DE ILUMINAÇÃO

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INFRAESTRUTURA E EQUIPAMENTOS

5. Diagnóstico da área de intervenção

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ARQUITETURA E URBANISMO Elaboração: Elaine Cristine Santana Fonte (Adaptado pelo autor): GEOBASES, IJSN (2014)

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A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

5.6. POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES Para uma análise mais detalhada das potencialidades e vulnerabilidades da área de intervenção o eixo da Avenida César Hilal foi dividido em três setores (Figura 120). A divisão dos setores considerou as principais quadras do eixo, com o objetivo de gerar um mapa com escala mais apropriada para a leitura dos dados. O primeiro setor abrange as quadras da Avenida que se encontram entre a Avenida Jair Etienne Dessaune e a Rua Amélia da Cunha Ornelas. O segundo setor abrange as quadras entre esta última até a rotatória da Av. Vitória, com destaque para a praça que receberá uma análise síntese mais detalhada. E o terceiro abrange o encontro entre esta rotatória e a Avenida Leitão da Silva. A síntese foi realizada com base nos elementos analisados no diagnóstico com enfoque na morfologia, uso e ocupação do solo, mobilidade, infraestrutura urbana, e apropriações urbanas. Figura 120 - Esquema da divisão de setores. Fonte: o autor (2015).

Quanto à morfologia o que mais se destaca é o contraste entre a concentração de ocupação com características informais, com becos e edificações sem afastamentos identificados no setor um e nas demais áreas elevadas do bairro, e a ocupação de malha xadrez formal predominando no restante do bairro (Figura 121). Essas ocupações merecem atenção em relação às edificações privadas com as áreas residuais públicas que as limitam bem como o acesso dessas aos serviços de infraestrutura básicos. Nestas áreas, os becos não permitem uma boa vigilância natural tornando o espaço vulnerável a luz da teoria do CPTED. Essas áreas demandam propostas de projeto que promovam vitalidade e segurança, tornandoos mais atrativos e seguros para os usuários. Figura 121 - Áreas detacadas na análise de morfologia. Fonte: o autor (2015).

Quanto ao uso e ocupação do solo o que se destaca na análise são o uso residencial, comercial, serviço, misto e os lotes sem usos. O uso do solo pode ser tanto uma potencialidade quanto uma vulnerabilidade dependendo de como se insere no contexto urbano. A ocupação residencial ainda predominantemente unifamiliar está sendo substituída por novas residências multifamiliares demonstrando uma tendência de verticalização e adensamento que se consolidou em outros bairros da capital. Esta se destaca por causa dos possíveis impactos que promovem no contexto urbano pela concentração de moradores em um único edifício, podendo afetar tanto a 106

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


A concentração de comércio no térreo do edifício Hawai e Caribe, que fica na extremidade do eixo da Av. Cesar Hilal na esquina com a Avenida Leitão da Silva, é uma potencialidade, pois pode ser apropriado pelo projeto para promover mais vitalidade para o setor três.

O uso comercial e de serviços existente e ainda pontual tem a vantagem de promover a vitalidade na rua, atraindo pessoas a caminharem pelas calçadas e observar as vitrines. Merecem, entretanto uma atenção quando a sua distribuição e formas de acesso de maneira a permitir que estas promovam de fato um movimento de pedestres favoráveis a sensação de segurança, pois geralmente possibilita a vigilância natural.

Algumas edificações se evidenciam pelo potencial atrativo de fluxo, ou a capacidade que possuem de atrair usuários, tanto os pedestres quanto os motorizados. São eles o Hospital da Policia Militar (HPM), a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vitória (APAE), o restaurante e Bar Arroba, a academia Fisicor, o setor administrativo da Unimed e as sedes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo, CREA-ES (Figura 123). Observando a localização dessas edificações percebe-se que grande parte delas se encontam próximas da praça Oswaldo Guimarães, apenas o HPM se localiza no início do setor 1, na estremidade do eixo. Nota-se também que em maior parte do eixo não existem atividades que possuem grande significância quanto a atração de usuários, mostrando a necessidade de serem implantadas atividades variadas no decorrer de todo o eixo, que levem as pessas à circularem pela Avenida, principalmente pedestres e ciclistas.

O uso misto; que envolve comércio, serviço e habitação; traz vantagens na promoção de atrativos para circulação de pessoas pelos passeios adjacentes a estas. Assim os térreos das edificações se tornam mais vívidos possibilitando o contato com a cidade, como apresentado por GEHL (2013) e descrito no capítulo 3 (três). Os lotes sem uso, encontrados em quatro pontos do eixo, se apresenta inicialmente como uma vulnerabilidade, pois são suscetíveis às apropriações indesejadas, sujeitas ao acumulo de lixo, à depredações e até mesmo à invasão (Figura 122). Pode, entretanto se tornar uma potencialidade se estabelecidos usos que atraiam pessoas e que promova a vitalidade do espaço urbano, quanto pode se tornar uma vulnerabilidade se implantados usos que atraiam muitos veículos que não estabeleçam contato do público com o bairro. Percebe-se que dos quatro lotes identificados como sem uso, três deles estão localizados no trecho do setor 1.

Para entender melhor a relação desses edifícios com o entorno em que estão inseridos, e sua importância para as apropriações no decorrer do eixo, foi realizado uma breve análise das atividades oferecidas por cada um deles, horários de funcionamento e acessos.

5. Diagnóstico da área de intervenção

mobilidade por causa do fluxo de veículos que atrai, quanto o espaço público, que devia ser beneficiado com uma maior quantidade de pessoas se apropriando das áreas livres, que acaba sendo desvalorizado pelos espaços de lazer privativo disponibilizados pelas novas unidades habitacionais coletivas.

Figura 122 - Esquema dos lotes sem uso. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 124 - Implantação do Hospital da Polícia Militar. Fonte: maps.google.com.br, modificações do autor (2015).

Figura 123 - Edificações com usos que atraem usuários. Fonte: o autor (2015).

O Hospital da Polícia Militar é a edificação de implantação mais significante, devido ao tamanho e das atividades que recebe, em todo o eixo da Avenida César Hilal, e a única localizada no setor 1. O hospital disponibiliza o serviço de mais de 20 especialidades médicas para militares estaduais e dependentes. O horário de funcionamento varia de acordo com o serviço requisitado. A marcação de consultas e o ambulatório funcionam de segunda a sexta-feira de 7 às 17 horas, já o pronto atendimento funciona 24 horas. A análise da implantação do edifício e seu entorno realizado na figura 124, mostra o local de acesso, de veículos e pessoas, ao hospital que acontece pela Av. Joubert de Barros. A fachada voltada para a Av. César Hilal possui o fechamento de gradil com vegetação que permite a visualização das atividades dentro do pátio do edifício, que seria uma potencialidade se não fosse voltado para o estacionamento, que não possui muito movimento. As calçadas do entorno apesar de estarem em condições precárias são bem arborizadas, com bastante sombra (Figura 125). Os usos do entorno se destacam, pois é no entorno do hospital que se concentram a maior quantidade de lotes sem uso tornando a área vulnerável. 108

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Figura 125 - Arborização no entorno do HPM. Fonte: o autor (2015).


A APAE é uma instituição sem fins lucrativos que atende pessoas com deficiência intelectual, múltipla ou autismo, atuando na prevenção, diagnóstico, reabilitação, aprendizagem com o objetivo de promover a inclusão social. A APAE de Vitória possuía a sede localizada no eixo da Av. César Hilal, e conta com um conjunto de edifícios que fornecem diferentes serviços (APAE, 2015, online).

acordo com a necessidade do participante. O Centro de Atendimento Educacional Especializado “Zezé Gabeira”, única escola de Vitória especializada no atendimento exclusivo às pessoas com deficiência intelectual. Além dos programas pedagógicos específicos o centro oferece treinamentos desportivos de natação, dança, futsal, ginástica rítmica e oficina de congo. O Centro de Diagnóstico Dr. Américo Buaiz (CEDAB) oferece o serviço de triagem neonatal, com estrutura própria de laboratório e ambulatório (APAE, 2015, online). Os centros possuem acessos tanto pela Avenida César Hilal, quanto pela Rua Aloysio Simões. O horário de funcionamento e atendimento segue o padrão comercial, exceto em dias excepcionais em que acontecem festas e eventos (Figuras 127 e 128).

A instituição possui o Centro Clínico Dr. Anselmo Frizera (CECAF) com serviços mensais envolvendo áreas de Medicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Serviço Social, Psicologia, Musicoterapia, Odontologia e outras. O Centro de Convivência, implantado em 2010, atende pacientes acima de 14 anos com o foco em ampliar a rede de relações sociais da família e dos aprendizes através de oficinas diversas ou programas como o profissionalizante, o ocupacional e o específico, de Figura 126 - Implantação das edificações atrativas de uso no seror 2 .Fonte: maps.google.com.br, modificações do autor (2015).

Figura 127 - Fachadas dos edifícios da APAE voltadas para Av. César Hilal. Fonte: o autor (2015).

Figura 128 - Fachadas dos edifícios da APAE voltadas para Aluysio Simões. Fonte: o autor (2015).

5. Diagnóstico da área de intervenção

Dos sete edifícios destacados no eixo, seis se localizam no setor dois: Os centros da APAE, o restaurante e bar Arroba, a academia Fisicor e as sedes do CREA-ES, e a unidade administrativa da UNIMED (Figura 126).

O restaurante e bar Arroba é um dos poucos edifícios no eixo que oferecem serviços de lazer. Localizado ao lado da APAE, o espaço é bem frequentado tanto durante dia, pois é o local onde muito dos trabalhadores do entorno almoçam, quanto no horário noturno quando o bar oferece atividades para chamar a atenção do público como rodas de sambas, locação para eventos e bebidas gratuitas para as mulheres. A fachada da edificação é em vidro com madeira, o que promove condições para a vigilância natural e o controle de acesso, aumentando a sensação de segurança para os usuários. Com calçada cidadã e bem arborizada o restaurante proporciona também a sensação de conforto. As vulnerabilidades do entorno são causadas pela oficina e o lote vazio que estão ao lado do restaurante e bar (Figura 129).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 129 - Imagens do Bar e Restaurante Arroba. Fonte: o autor (2015).

Figura 131 - Edifícios da UNIMED e CREA-ES. Fonte: o autor (2015).

A Fisicor é uma clínica de terapia funcional que funciona junto com a academia Helenus, que oferece um serviço diferenciado de atividade física programada. A clínica oferece atendimento individualizado de fisioterapia há mais de 20 anos. As especialidades que a clínica oferece são de Cardio Pneumologia, Desportiva, Neurologia, Traumato Ortopedia e Saúde da Mulher, de segunda à sexta-sexta-feira de 07:30 às 11 e das 14 às 18 horas. Na academia os serviços são de musculação, ginástica, zumba, pilates, salão de beleza, limpeza facial entre outros. O local funciona de segunda a sexta-feira de 06 às 21:30 e nos sábados de 08 às 12 horas. O edifício onde funcionam a academia e a clínica possuem parte da a fachada cega com um grande recuo, onde funciona o estacionamento, sem arborização, o que torna o local desconfortável e inseguro (Figura 130). Mas outra parte da fachada possui fechamento de gradil, o que permite a vigilância (Fisicor, 2015, online).

No edifício que se encontra na esquina da praça são oferecidos serviços da Central de Atendimento da Unimed, onde funciona os serviços administrativo dessa cooperativa de serviços de saúde. Nesse edifício também são fornecidos serviços do Crea-ES. Apesar de estar em um nível acima do nível da rua, essa edificação é a que mais ser relaciona com os pedestres e usuários. Isso se dá pelo fato de não possuir muro ou gradil, permitindo o acesso direto, e por possuir uma faixa verde, com paisagismo, junto à calçada, e mesmo não possuindo arborização torna a calçada mais atrativa. A outra edificação que fornece serviços do CREA-ES também ser encontra no entorno da praça (Figura 131).

Figura 130 - Fachada da Academia Fisicor. Fonte: o autor (2015). 110

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Quanto ao gabarito foram destacadas as edificações que apresentavam números acima de sete pavimentos (132 e 133). Edificações elevadas geram maiores interferências na paisagem e estão também relacionadas com a escala humana do lugar. Altas edificações podem bloquear visuais atrativos (Figura 134) do entorno, situação observada no eixo, que sempre deve ser valorizada. A altura das edificações afeta a percepção de escala do homem quando o espaço livre de contato com as pessoas, a rua e a calçada, não são trabalhados para promover conforto ao pedestre, neste caso essas edificações geram a sensação de desconforto, se tornando uma vulnerabilidade. O térreo dessas edificações deve ser cuidadosamente considerado, assim como os passeios do seu entorno.


Figura 133 - Vista dos edifícios com mais de sete pavimentos no eixo. Fonte: o autor (2015).

Ao se considerar os visuais atrativos presentes no entorno surgem alguns questionamentos quanto à relação social e o preconceito impregnado na sociedade quanto às ocupações informais, consideradas popularmente como favela. Os morros presentes no entorno do bairro, apresentam uma mistura de vegetação com residências atraindo o olhar. Mas existe uma barreira social quanto à população residente nessas comunidades, que também utilizam os espaços livres do bairro. Os moradores de Bento Ferreira consideram essas comunidades como sendo uma vulnerabilidade. Deve-se considerar a importância de quebrar essas barreiras mudando o olhar da população do bairro Bento Ferreira e gerando integração social.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 132 - Edifícios com mais de sete pavimentos. Fonte: o autor (2015).

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5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 134 - Visuais atrativos identificads no eixo. Fonte: o autor (2015).

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


O setor três localizado na extremidade do eixo a partir da rotatória da Av. Vitória com a Av. Cézar Hilal pode ser considerado como um dos trechos de maior vulnerabilidade, pois o alto fluxo de veículos ao longo deste trecho causa uma ruptura na continuidade do tecido urbano inviabilizando a circulação de pedestre, e transmitindo aos transeuntes a sensação de insegurança e desconforto.

público, merecendo uma reavaliação das condições dos mesmos em relação aos equipamentos ideais para o abrigo de pedestres enquanto aguardam o transporte público. Apesar de não existir hoje uma ciclovia ao longo do eixo da Cezar Hilal, existe uma previsão planejada para ser implantada ao longo da Av. Leitão da Silva podendo servir de diretriz para uma integração a ser proposta no eixo que é objeto deste estudo. Quanto à infraestrutura e equipamentos existentes ao longo do eixo da Cezar Hilal, estes, apesar de estarem presentes, necessitam de reavaliação em relação ao local em que estão implantados, sua quantidade e qualidade. Em todo o eixo percebe-se a presença de vegetação urbana, com canteiros centrais verdes, arbustos bem cuidados, e calçadas com algumas árvores, porém fragmentadas, principalmente diante das edificações mais recentes. A vegetação pode ser considerada uma potencialidade do eixo, pois além de proporcionar conforto ambiental e visual para a via, as áreas verdes, como o canteiro, é o que permitirá a implantação do produto desse estudo, o projeto de um eixo paisagístico.

Apesar de poucas, as paradas de ônibus são uma potencialidade do eixo, pois são capazes de induzir a presença de pedestres, e a apropriação do espaço

O esquema da figura 136 mostra a relação da arborização levantada na Av. César Hilal coma as áreas sem árvores, que também são as áreas sem sombra. A arborização é um fator importante para a circulação de pedestres, pois proporciona sombra e o conforto necessário para tornar o caminhar pelas calçadas uma atividade atrativa.

Figura 135 - Pontos nodais identificados no eixo da Av. César Hilal. Fonte: o autor (2015).

Figura 136 - Arborização na Av. César Hilal. Fonte: o autor (2015).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

5. Diagnóstico da área de intervenção

Quanto à mobilidade foi identificado ao longo do eixo da Avenida César Hilal a possibilidade de promoção da integração a partir de espaços livres destinados a apropriação pública dos moradores, trabalhadores e visitantes do bairro, essencial na definição do objeto de estudos deste trabalho. As vias de importância metropolitana que limitam o bairro e se mostram como as principais formas de acesso ao mesmo, influenciam a mobilidade das principais vias com potencialidades e vulnerabilidades merecedoras de atenção. Isso porque ao mesmo tempo em que pode atrair pessoas e facilitar o acesso em um contexto metropolitano podem gerar um fluxo intenso de veículos, podendo se caracterizar como um limite na integração do tecido urbano vizinho. Vale destacar ainda ao longo deste eixo os conflitos nodais existentes no cruzamento com as Avenidas Vitória e Leitão da Silva e a possível integração ao um novo eixo em potencial ao longo da Av. Jair Etiene Dessaune (Figura 135).

113


5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 137 - Pontos arborização no setor 1 Fonte: o autor (2015).

de

Figura 138 - Pontos arborização no setor 2 Fonte: o autor (2015).

de

Figura 139 - Pontos arborização no setor 3. Fonte: o autor (2015).

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As figuras 137 a 139 apresentam a vista dos pontos identificados no mapa que apresenta boa arborização. Essas imagens mostram na realidade do eixo a diferença que a arborização pode trazer para os espaços livres. 114

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


sem

Figura 141 - Pontos arborização no setor 2. Fonte: o autor (2015).

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Figura 142 - Pontos arborização no setor 3. Fonte: o autor (2015).

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5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 140 - Pontos arborização no setor 2. Fonte: o autor (2015).

As figuras 140 a 142 mostram os locais destacados no mapa como áreas sem sombra, demostrando o aspecto árido e desconfortável que proporciona para o pedestre. A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

A síntese das apropriações urbanas se destaca porque é principalmente através dos elementos estabelecido por esse item que se torna possível entender como os espaços livres de uso público estão favorecendo ou não a apropriação das pessoas que moram e frequentam o bairro, e são esses sinais que apontam as potencialidades e vulnerabilidade do eixo demostrado nesta análise. Considerando as apropriações as principais vulnerabilidades são a apropriação indevida por parte de poucos do estacionamento público, as concentrações de sinais comportamentais como lixos e pichações e as atividades informais, como o lava jato na praça e o vendedor de água de coco em frente ao ponto de ônibus. As atividades informais apesar de ser uma vulnerabilidade, no contexto em que acontecem atualmente, mostram a necessidade da criação de suporte para trabalhadores ambulantes, como um espaço para feiras, se transformando em uma potencialidade.

Figura 143 - Ruas que se relacionam com a praça. Fonte: o autor (2015).

Quanto aos sinais comportamentais as áreas que se destacam são no início do setor um, no encontro do eixo com a Avenida Jair Dessaune, e no entorno das rotatórias do encontro da Avenida Vitória com o eixo, que apresentam falta de manutenção através de muros degradados, acumulo de lixo e pichações. A predominância do estacionamento é o que mais se destaca no eixo, a quantidade de carros estacionado na Avenida chama a atenção e além de torna o ambiente menos seguro e desvaloriza o pedestre promovendo a sensação de desconforto. Mas para este estudo a existência do estacionamento é o que cria a possibilidade da expansão do canteiro e das calçadas do eixo para o projeto de intervenção. A síntese da praça foi destacada devida sua função de permanência de pessoas, diferente do restante do eixo no qual predomina a circulação, para que fossem considerados mais minuciosamente os detalhes nas relações de apropriação que ela apresenta. Serão sintetizados os mesmos aspectos levantados no eixo: o uso e ocupação do entorno, a mobilidade, a infraestrutura e as apropriações (Figura 144). As potencialidades da praça identificadas no diagnóstico quanto ao uso e ocupação são: as empresas e instituições do entorno que atraem pessoas e incentivam a apropriação do espaço da praça; os edifícios residências que concentram uma grande quantidade de moradores, potenciais usuários do espaço da praça e do eixo paisagístico. As vulnerabilidades estão também nos edifícios residências que geralmente apresentam áreas de lazer privativo, nas empresas e instituições que atraem e demandam estacionamento, e as edificações abandonadas do entorno.

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Analisando a mobilidade na praça o destaque está para os caminhos percorridos pelas pessoas que utilizam o espaço, que está relacionado com as ligações estabelecidas entre os usos do entorno. O acesso da praça é muito privilegiado e abre grandes possibilidades de projeto, por estabelecer relação com quatro ruas diferentes, Aloísio Simões, Bolívar de Abreu, Francisco Rubim e Henrique Rosetti, e a Avenida César Hilal (Figura 143).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

A praça reformada de 2011 a 2012 apresenta uma boa infraestrutura com uma vegetação aparentemente bem mantida, equipamentos de suporte a população de todas as idades, como o playground, a quadra de esportes e a academia popular. As potencialidades da infraestrutura da praça são: a vegetação dos canteiros e árvores de grandes copas que proporcionam sombra e conforto para os usuários que podem contar com os bancos que estão localizados nessas sombras; os equipamentos de lazer como o playground, a quadra e a academia que podem atrair usuários de todas as idades. Mesmo com alguns dos bancos posicionados em locais de sombra foi identificado que existem outros bancos que se encontram em áreas sem sombra que não são utilizados, formando vazios na ocupação da praça. E as vulnerabilidades estão nas barreiras visuais identificadas na praça, a estação elevatória e a caixa de telefone, que apesar de serem importantes para o


5. Diagnóstico da área de intervenção

Figura 144 - Análise das Potencialidades e Vulnerabilidades da Praça Oswaldo Guimarães..

Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção

funcionamento de elementos da infraestrutura estão mal localizados desvalorizando espaços privilegiados da praça, as esquinas, e atuando como barreiras visuais.

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Quanto à apropriação do espaço da praça as potencialidades apresentadas no diagnóstico foi a maior concentração de pessoas que se apropriam do espaço para descanso e contemplação no intervalo de almoço, que se concentram nos locais com sombras e bancos; e na quadra de esporte que atrai o uso de muitas criança e adolescentes. As vulnerabilidades estão nos equipamentos pouco utilizados como na academia e no playground, na incorreta implantação da quadra, em bancos localizados em locais sem sombra, no ponto de serviço informal e na falta de segurança sentida pelos usuários. Através das potencialidades e vulnerabilidades que foram sintetizadas no decorrer do eixo, Mapas 12 a 14, foi possível identificar os pontos fortes, que podem ser apropriads na elaboração de propostas de projeto, e os ponto fracos, que devem ser melhorados, e assim desenvolver as diretrizes do projeto de intervenção e o conceito para a criação das propostas para o produto desse estudo, o eixo paisagístico na Avenida César Hilal..

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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5. Diagnóstico da área de intervenção 120

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


5. Diagnóstico da área de intervenção A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6

PROSPOSTA DE PROJETO PRELIMINAR DO EIXO PAISAGÍSTICO Esse capítulo apresentará as etapas de elaboração do projeto que tem como objetivo aplicar os conceitos e diretrizes apresentadas nos capítulos dois e três deste estudo, quanto à vitalidade e segurança dos espaços livres, no contexto da Avenida César Hilal, Bento Ferreira, através de uma proposta projetual de um eixo paisagístico. Para gerar as propostas projetuais foram revisadas as diretrizes gerais identificadas no embasamento teórico, para a elaboração de projetos urbanos que promovam a vitalidade e segurança, e as potencialidades e vulnerabilidades da área de intervenção para a criação de diretrizes gerais, a partir das diretrizes foram definidos os conceito do projeto. Ao final foram apresentados os resultados obtidos com projeto do eixo paisagístico.


Figura 145 - Eixo PaisagĂ­stico - Setor 3 Fonte: o autor (2015).


6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

6. 1. CONCEITO E PARTIDO Com base na revisão do capítulo dois que conceitua e classifica os tipos de espaços livres e o três que discorre sobre o embasamento teórico e as diretrizes e características a serem adotados no planejamento dos espaços livres a fim de garantir a vitalidade e a segurança para o ambiente urbano foi-se estabelecido às diretrizes gerais do projeto, o conceito e o partido.

Por meio dessas diretrizes foi desenvolvido o conceito e partido do projeto, que tem como objetivo principal demostrar através de um ensaio prático como o planejamento urbano, com enfoque nos espaços livres da cidade e na qualidade urbana e de vida dos seus moradores, pode transformar as cidades e a sua relação com as pessoas.

A proposta projetual tem como objetivo aplicar os conceitos levantados sobre como garantir a cidade a vitalidade e segurança através do planejamento do espaço público. A tabela síntese das diretrizes e características para elaboração de projetos para espaços urbanos traz a relação dos principais conceitos estudados no capítulo três, quanto à vitalidade e segurança. A tabela foi organizada com o objetivo de relacionar os conceitos, dos principais autores levantados, com foco na área de atuação: garantia da vitalidade ou da segurança (Tabela 5).

O projeto busca resgatar os conceitos e funções dos espaços livres destacados no capítulo 2.2, as diretrizes e características sintetizadas anteriormente e as potencialidades e vulnerabilidades identificadas na área de intervenção a fim de promover a vitalidade e segurança para os espaços livres e uma melhor qualidade espacial para o bairro. A partir dessas premissas foram estabelecidos três eixos de atuação: vitalidade, segurança e circulação; e dentro desses eixos foram desenvolvidos os conceitos trabalhados no projeto.

Resumidamente, quanto às teorias com foco na garantia da vitalidade urbana foram destacadas as variáveis que influenciam as formas urbanas de AMANCIO (2005); os conceitos quanto à imagem da cidade, significado da cidade e qualidade da forma urbana, explanados por (LYNCH, 2006); e as características apresentadas por GEHL (2013) que promovem uma cidade viva, espaços livres, apropriação do homem, circulação, ocupação urbana, atividades diversas, térreos atraentes e tráfego lento. Considerando a segurança pública se destacam os conceitos da autora Jane JACOBS (2007): que aborda quanto à importância da sensação de segurança transmitida pelo espaço, principalmente das ruas e calçadas, e as características que favorecem essa condição como a clareza nos limites, e a presença da apropriação e manutenção dos espaços; e o método CPTED (2003), que discorre sobre o ambiente preventivo de atividades antissociais através da vigilância natural, o controle de acesso natural e a territorialidade. Além da vitalidade e da segurança os conceitos abordados na síntese de diretrizes projetuais apontou para mais um aspecto do contexto urbano que dever ser considerando na elaboração da proposta do eixo de intervenção, a circulação. Esse item se mostrou de forte influencia na dinâmica urbana da área de intervenção, e é a base para a proposta desse projeto.

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico Tabela 5 - Síntese das diretrizes e características para elaboração de projetos para espaços urbanos. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. 1. 1. VITALIDADE

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Neste item serão apresentados os conceitos que justificaram as escolhas e decisões tomadas na elaboração da proposta de projeto. Os conceitos descritos nessa sessão tem o objetivo de possibilitar ao projeto possuir as características que podem promover a vitalidade necessária para a área de intervenção. O projeto deve se apropriar das características socioeconômicas, ambientais e urbanas da área de intervenção e do seu contexto, segundo levantado no diagnóstico, reforçando assim a identidade local, para os moradores do bairro e do entorno, a fim de que a comunidade possa se identificar com o espaço livre que será implantado, valorizando-o e se apropriando dele. Com a intenção de valorizar e evidenciar o potencial da Avenida César Hilal como um espaço livre público para o bairro de Bento Ferreira e seu entorno, as características de seu perfil viário; pistas e estacionamento, separados por canteiro central e rotatórias verdes; foi proposta para a área a implantação de um eixo paisagístico no decorrer de toda a Avenida e integrando a Praça Oswaldo Guimarães. O projeto propõe um novo perfil viário para o eixo, integrando ao canteiro central os estacionamentos e criando uma praça linear. O bairro Bento Ferreira está cercado por outros seis bairros: Jesus de Nazareth, Praia do Suá, Santa Lúcia, Gurigica, Horto e Monte Belo. Destes bairros Jesus de Nazareth, Praia do Suá e Gurigica são morros que apresentam áreas de proteção ambiental com ocupação de interesse social. Esses morros são vistos de alguns pontos da Avenida e o projeto busca valorizar os visuais atrativos ainda existentes no decorrer do trecho através da criação de cones visuais, a partir do eixo paisagístico, estabelecendo o gabarito máximo por meio da revisão dos índices urbanísticos nas áreas que abrangerem o cone.

Figura 146 - Eixos e relações com o entorno. Fonte: o autor (2015).

O projeto deve manter a massa verde atualmente existente para que se preserve a qualidade espacial identificada em algumas áreas, devido a proteção contra a insolação solar proporcionada em alguns trechos de calçadas e principalmente na praça. Apesar de manter as árvores, os canteiros que compõe a praça devem ser desconsiderados no projeto, sendo proposto um novo layout para a praça. A elaboração da proposta de projeto para o eixo paisagístico para a Avenida César Hilal tem como fundamento a definição de espaços livres de Cranz (apud WOLLEY, 2003) de que todo espaço aberto deve ser considerado como um parque e se relacionar com a cidade no qual ambos fluem um para dentro do outro. Assim como no projeto “UrbSpace”, implementado pelo “Central Europe Programme” em 2013 na Europa, o eixo paisagístico deve influenciar na dinâmica urbana agindo como um elemento de ligação entre os espaços individuais, permeando os edifícios e as estruturas e interligando toda a cidade.

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


Figura 147 - Eixos verdes. Fonte: o autor (2015).

A Avenida César Hilal é uma via que corta todo o bairro Bento Ferreira, e que está diretamente ligada a duas importantes avenidas para o contexto da região metropolitano da grande Vitória: Vitória e Leitão da Silva. A ligação do eixo com essas Avenidas proporciona ao projeto não apenas significância para os bairros locais, mas também para o contexto metropolitano.

Criar medidas de incentivo a diversificação do uso e ocupação do solo, valorizando o uso misto, no decorrer do eixo a fim de gerar um contexto urbano de incentivo à apropriação/ atração de usuários. Promover medidas de incentivo a renovação dos térreos das edificações, através da renovação ou potencialização do uso, das fachadas, e principalmente, através da criação dos espaços de transição, que é o local de ligação entre o edifício e o espaço comum da cidade. O desenho da forma do eixo deve criar um ambiente favorável à diversificação do uso e ocupação do solo. Desenvolver um programa de atividades diversas; como atividades de descanso, lazer passivo ou lazer ativo; que proporcionem alternativas de uso para diferentes públicos e de variadas idades, aumentando as possibilidades de ocupação do espaço e promovendo a diversidade dos usuários. Priorizar a valorização do homem nas atividades propostas para a área de projeto (caminhar, ficar em pé, sentar, ver, ouvir e conversar, brincar e realizar atividades físicas).

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

O eixo além de integrar os espaços livres da avenida busca criar uma conexão entre o bairro Bento Ferreira, que apresenta bons índices socioeconômicos, e os bairros do entorno, que possuem um contexto social mais frágil. Essa conexão visa promover uma integração social através do espaço público a fim de que a população do entorno, socialmente carente tenha oportunidade de se apropriar da cidade de forma igualitária, criando assim um senso comunitário, diminuindo as diferenças, gerando mais oportunidades e um ambiente menos favorável à ocorrência de atividades antissociais.

Figura 148 - Elementos de ligação no eixo Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Figura 149 - Definição das atividade e usos do projeto Fonte: o autor (2015).

Criar espaços, que através do desenho e atividades, que exerçam o convite a longas permanências, pois mais importante que a quantidade de pessoas em um espaço é a qualidade de tempo que elas permanecem em um ambiente. Propor para a área atividades que requeiram a interação social humana gerando assim o senso de comunidade na população. Desenvolver um programa de atividades que promovam a apropriação da área e que gerem a permanência e o senso de comunidade na população. Trabalhar os sentidos e as experiências sensoriais positivas através do uso da vegetação, diferentes materiais e mobiliários, criando visuais agradáveis e promovendo elementos que permitam a interação com o espaço. Promover o conforto dos usuários do ambiente urbano através da implantação de vegetação, elementos que proporcionem sombras, locais de suporte para as necessidades básicas do homem, como banheiros e vestiários.

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Figura 150 - Diagrama das atividades e usos da praça Fonte: o autor (2015).


6. 1. 2. SEGURANÇA

Aplicar os conceitos apresentados pelo método CPTED, que tem como foco promover a segurança pública através do desenho urbano, classificados em vigilância natural, controle de acesso e territorialidade. Para se promover a vigilância natural é necessário atrair observadores e permitir através do desenho urbano a visão dos espaços, exteriores e interiores. Também está relacionada com os conceitos de JACOBS (2007) sobre os “olhos na rua” e a presença de usuários capazes de proporcionar a constante vigilância do espaço livre, onde todos estão zelando pelo bem comum da segurança pública. Para garantir a vigilância natural no projeto foi evitado usar elementos que atuam como barreira visual, como as paredes cegas ou vegetação alta, e foram trabalhados caminhos que permitem eixos visuais. Também foram retirados da praça a estação elevatória de esgoto e a caixa de telefone, que atuavam como barreiras visuais, e foram implantadas em um lote vazio próximo à praça. O controle de acesso está relacionado com o controle de quem acessa determinado espaço, mas no caso de espaços livres públicos o espaço deve ser aberto a todos de forma igualitária. No caso do espaço livre o que deve ficar claro são os limites entre espaços públicos e privados. Esses limites são estabelecidos no projeto principalmente através das calçadas, segundo o padrão mínimo de calçada estabelecido. A territorialidade de um local está relacionada à relação existente entre os usuários e o espaço. Ao se propor para o projeto a integração social e a interação humana o objetivo, além de proporcionar a vitalidade, é que ao se desenvolver nos moradores o senso de comunidade e valor pelo espaço público como parte importante da dinâmica da cidade e da qualidade de vida de seus usuários a manutenção desse espaço seja requerida e cobrada por todos. Quando a comunidade local se apropria do espaço dessa forma cria-se um senso comum da necessidade de que a segurança de todos depende do envolvimento de cada um, e a medida de que cada um faz a sua parte é possível que o ambiente urbano proporcione a sensação de segurança tão fundamental para a qualidade dos espaços livres.

A fim de reforçar a sensação de segurança urbana deve-se aplicar ao projeto elementos e características que promovam mais segurança para os espaços livres públicos. As medidas a serem adotadas são quanto os fechamentos, caminhos, linhas de visão, vegetação e iluminação implantados no projeto e a manutenção dessa infraestrutura. Na elaboração do paisagismo no projeto devem-se planejar os caminhos, canteiros e a vegetações de forma a manter as linhas de visão abertas e claras, promovendo uma paisagem que não gere esconderijos para criminosos, desencorajando o crime. Os arbustos e árvores implantados no projeto devem receber manutenção através da poda, mantendo a vegetação na altura ideal para manter a visão. Definir para o projeto, apenas materiais para os fechamentos que trabalhem tanto esteticamente quanto funcionalmente e que acima de tudo permitam a visão dos ambientes, interna e externamente. A iluminação pode ser usada nos espaços públicos tanto para segurança quanto por estética, promovendo um ambiente urbano mais confortável através de caminhos claros. Ele deve fornecer caminhos claros para o movimento e destaque entradas sem criar efeitos agressivos ou esconderijos sombrios. Essas medidas deveram atuar reforçando a capacidade de vigilância e observação. A sensação de segurança transmitida por um espaço público, além dos aspectos já tratados para proporcionar a segurança contra o crime e a violência, está também relacionada ao conforto e a proteção, como quanto ao transito e as intempéries naturais.

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Os conceitos abordados quanto a segurança urbana tem o objetivo de criar um ambiente que visa promover a sensação de segurança em seus usuários, não apenas contra o crime e a violência, mas também contra aspectos urbanos que provocam o medo ou tornam o homem vulnerável, como o tráfego e as intempéries naturais.

As vias que apresentam um tráfego intenso de veículos transmitem nos pedestres e ciclistas a sensação de insegurança e desconforto, devido ao risco de acidentes. Para diminuir a sensação de insegurança e proporcionar mais conforto as atividades do homem nos trechos do eixo que apresentarem um fluxo mais intenso de automóveis foi desenvolvido no projeto um perfil de calçada que conta com uma faixa de barreira verde, de no mínimo 60 cm de largura, antecedendo ou integrada à faixa de serviço, com arbustos, de 1 metro de altura, e árvores. As faixas de pedestres também devem ser priorizadas, sendo elevadas quando possível, garantindo a acessibilidade e a valorização do homem à do automóvel.

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico 130

Quanto às intempéries apresentadas pelo ambiente urbano, que são: vento, insolação, chuva, frio e calor, poluição, poeiras, barulho e ofuscamento, deve-se desenvolver no projeto medidas que visam proporcionar a proteção do usuário contra essas situações. Deve-se lançar mão de vegetações variadas e principalmente das árvores no projeto para que seja garantida ao usuário a proteção contra grande parte dessas intempéries, principalmente a insolação, o calor e o vento. O projeto também deve aplicar elementos que atuem como cobertura, mas que não obstruam a visão, um bom exemplo são os materiais ou estruturas vazados tanto para coberturas quanto para painéis.desenvolver no projeto medidas que visam proporcionar a proteção do usuário contra essas situações. Deve-se lançar mão de vegetações variadas e principalmente das árvores no projeto para que seja garantida ao usuário a proteção contra grande parte dessas intempéries, principalmente a insolação, o calor e o vento. O projeto também deve aplicar elementos que atuem como cobertura, mas que não obstruam a visão, um bom exemplo são os materiais ou estruturas vazados tanto para coberturas quanto para painéis.

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


Para que seja garantida a vitalidade e a segurança dos espaços livres como vimos no estudo teórico está ligado à circulação no ambiente urbano. O foco dado à circulação, se aos veículos ou ao homem, irá influenciar na apropriação da cidade. As cidades vivas e saudáveis, onde os espaços livres são ocupados pelos moradores e visitantes visando aproveitar os espaços ao ar livre, incentivam o trafego lento de veículos e prioriza os transportes coletivos e os não motorizados como o a pé, que são alternativas mais sustentáveis para a cidade.

a se apropriar desse espaço. No projeto esse incentivo foi estabelecido através da implantação de ciclovia e pista de cooper, incentivando o pedestre e o ciclista, além de infraestruturas de suporte, como bicicletário e vestiário.

O planejamento da mobilidade urbana é o que define a circulação, por isso está relacionada com a hierarquia viária e a intensidade do fluxo que é requerido de uma via. A Avenida César Hilal é classificada como arterial, e possui características diferentes quanto à intensidade do tráfego de acordo com as características do entorno. Seguindo a divisão estabelecida na síntese do diagnóstico, os setores um e dois possuem a intensidade moderada do fluxo de veículos, mas o setor três apresenta um fluxo intenso, e de alta velocidade. O fluxo mais intenso se concentra no trecho da avenida que se encontra com as avenidas Vitória e Leitão da Silva, de importância metropolitana.

A pista de cooper, como apresentado nos conceitos quanto a vitalidade, é uma das atividades estabelecidas para o eixo com o objetivo de incentivar a apropriação do eixo pelos moradores, locais e do entorno, e a realização de atividades físicas desenvolvendo na população bons hábitos.

A proposta de implantação de uma ciclovia estabelecida no projeto é reforçada pela ciclovia planejada, definida pelo PDM de Vitória, a ser inserida na Avenida Leitão da Silva.

O projeto busca manter as características de fluxo moderado de veículos nos setores um e dois, será mantida a velocidade máxima desse trecho de 40 km/h. Para priorizar a circulação do pedestre na praça o trecho da avenida que corta a praça deve ser elevado ao mesmo nível da praça e com a mesma pavimentação. As características quanto ao fluxo também serão mantidas no trecho entre a Avenida Vitória e a Leitão da Silva, mesmo sendo de fluxo intenso, devido à relação metropolitana apresentada no trafego, mas o projeto propõe medidas a serem trabalhadas nas calçadas, faixa com barreira verde, no canteiro central, e nas travessias, com faixas elevadas, para garantir o bem estar e a valorização do pedestre.

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

6. 1. 3. CIRCULAÇÃO

Quando o ambiente urbano não valoriza o uso do automóvel e proporciona alternativas de transporte público de qualidade e modais mais sustentáveis para atender a população tende a mudar as preferencias e desenvolver hábitos mais saudáveis, para a cidade e o homem, quanto aos meios de locomoção. Para a valorização do homem na circulação pelo eixo o projeto propõe a retirada da faixa de estacionamento junto ao canteiro central e nas laterais, junto às calçadas, proporcionando área para aumentar as calçadas e o canteiro central, onde será implantada uma praça linear. Incentivar a circulação não motorizada fazendo com que os possíveis usuários do eixo abandonem o uso do carro como meio de circulação indispensável e adotem alternativas de modais que aproximem o homem do eixo paisagístico e que o levem A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. 2. PROJETO

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Como já apresentado anteriormente, o produto final desse estudo é a elaboração de um projeto em nível de estudo preliminar do eixo paisagístico proposto para a Avenida César Hilal, que tem como objetivo representar através do desenho as soluções apresentadas na conceituação teórica que visam gerar a vitalidade e a segurança nos espaços livres. O desenvolvimento do projeto teve como ponto de partida a síntese do eixo que mostrou as potencialidades que poderiam ser aproveitadas pelo projeto e a avaliação das modificações que deviam ser realizadas na infraestrutura existente para que fosse possível gerar um eixo paisagístico. Com base no diagnóstico realizado identificou-se que a Avenida César Hilal apresenta uma estrutura de duas faixas de rolamento, uma em cada sentido, separadas por canteiro central com rotatórias verdes, estacionamentos junto à calçada e junto ao canteiro, demonstrando um predomínio de áreas destinadas a veículos. A proposta de intervenção identificou nesta configuração um potencial que a exemplo dos “paklets” citados no capítulo 03 (três) podem transformar um espaço árido e desprovido de atrativos para apropriação das pessoas, em novas áreas de socialização e por isso propôs o acréscimo e incorporação das duas faixas de estacionamento adjacentes ao canteiro central para aumentar a área livre deste eixo transformando-o em uma praça linear a partir da qual foram idealizadas estruturas coerentes com as atividades e usos identificados ao longo de seu eixo. O projeto propõe assim a criação de uma praça linear, onde atualmente existe o canteiro central proporcionando uma extensão da própria praça Oswaldo Guimarães existente em um ponto da extremidade deste eixo. A intervenção proposta neste projeto visa manter as calçadas que possuem dimensões confortáveis, mas melhorar as condições de acessibilidade das mesmas através da organização dos equipamentos e estruturas presentes na mesma em três faixas distintas: faixa livre para o deslocamento livre e sem barreiras com uma largura mínima de 1,50, outra faixa de acesso para comportar algum apoio as edificações e a faixa de serviço onde devem ser limitados os equipamentos urbanos como iluminação, postes, placas e vegetações. A integração proposta possibilitou a criação de espaços para a implantação da ciclovia de um dos lados da praça linear e área para a implantação de atividades diversas ao longo do eixo que passou a ser integrado a praça Oswaldo Guimarães que era inicialmente cortada pela Avenida César Hilal, mas que nesta proposta foi unificada com o intuito de reforçar a valorização do espaço livre destinado a comunidade e com isso propôs então a limitação do deslocamento dos veículos 132

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

para o entorno da mesma onde já existiam as vias para o trânsito de veículos automotores. Para gerar a integração da praça e das suas atividades, o projeto propôs então a integração de ambos os lados da praça através da elevação do piso e desvio da circulação de automóveis para as laterais da praça. A elaboração do projeto se baseou em alguns eixos estruturantes gerados para que os objetivos propostos pelo conceito fossem atendidos no projeto. Os eixos estruturantes adotados pelo projeto foram os seguintes: usos e atividades, caminhos e acessibilidade, vegetação, equipamentos e iluminação. Esses eixos auxiliaram também na apresentação do projeto, que descreverá e justificará as propostas definidas no projeto para serem implantadas no eixo. A implantação geral do projeto foi dividida em cinco setores, facilitando sua apresentação em relação à escala de visualização com o intuito de facilitara leitura da proposta (Figura 151).


6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico Figura 151 - Implantação geral do projeto Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Os caminhos e a acessibilidade foram um dos pontos de partida para a elaboração da intervenção proposta visando a inclusão das pessoas ao longo de todo o eixo. Nesse aspecto se destacam as calçadas, que mesmo mantendo as dimensões existentes sofreu algumas intervenções no sentido de melhorar as condições de acessibilidade, através da implantação do piso podotátil e da padronização de rampas de pedestre. Em alguns pontos do eixo foram propostas faixas de pedestre elevadas para priorizar a circulação do pedestre. Foi proposta ainda a organização das faixas que estruturam a calçada; faixa livre, de acesso e de serviço, através da implantação da faixa de serviço, local onde foram implantadas árvores, postes e lixeiras no decorrer de todo o eixo. O verde foi inserido para complementar os vazios identificados ao longo do eixo e garantir um conforto constante em toda extensão da praça linear. A ciclovia foi adotada como um elemento de conexão do projeto, pois percorre todo o eixo, gera ligação com os bairros vizinhos e integração das principais atividades definidas para o projeto, além de se conectar ao percurso cicloviário já previsto pelo município ao longo da Av. Leitão da Silva, que reforça a importância dessa alternativa de circulação sustentável. A ciclovia tem início na Avenida Leitão da Silva, passa pela rua Carlos Alves e se eleva, junto ao edifício proposto como centro cultural e estacionamento e dando acesso a um terraço verde, passando por cima da Avenida Vitória até se encontrar com o eixo na Avenida César Hilal (Figuras 152 e 153).

Figura 152 - Vista 1 da ciclovia elevada1 Fonte: o autor (2015).

Figura 153 - Vista 2 da ciclovia elevada Fonte: o autor (2015). 134

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A implantação geral do paisagismo foi definida baseada em uma malha xadrez que intercala canteiros e espaços de vegetação, com espaços vazios de circulação intercalados pelos espaços destinados as diferentes atividades desenhadas para o público infantil, jovem, adulto e idoso da praça linear, seguindo os princípios que atribuem vitalidade a um lugar, estabelecidos por Jane Jacobs (2007). Figura 154 - Vista da travessa Aloisio Simões Fonte: o autor (2015).

Figura 155 - Paginação de piso do beco Guaraná Fonte: o autor (2015).

A implantação geral mostra os principais usos e atividades propostos para o eixo paisagístico da Avenida. Essas atividades foram idealizadas com base no levantamento de vulnerabilidades e potencialidades que apresentou uma síntese das necessidades demostradas pela população do bairro Bento Ferreira. A implantação de cada atividade foi definida segundo as características predominantes de uso e ocupação do entorno e segundo os pontos de apropriação, apontados na tabela 3 desse estudo (página 88).

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Um caminho que foi considerado cuidadosamente pelo projeto foram as ruelas e becos que se encontram com o eixo da Avenida César Hilal no setor 1. Esses locais tendem a ser vulneráveis por sua configuração espacial sinuosa e por estarem próximos da área de projeto precisavam ser integrados a fim de garantir mais segurança ao conjunto. Para o Beco Guaraná foi definida uma paginação de piso de bolhas coloridas que proporcionam uma identidade visual que se extende a partir destas ruelas até o eixo da praça linear. A Travessa Aloísio Simões existente foi fechada para o acesso de veículos e transformada em uma via pedonal com acesso restrito aos carros dos moradores. A paginação de bolhas coloridas foi levada para o parque central, integrando o beco ao parque e atraindo os moradores desse local a utilizarem o espaço público (Figura 154 e 155).

No setor 1, a prioridade de criação de uma área de estar com bancos e mesas foi inspirada na realidade vivenciada nas visitas de campo que identificou uma apropriação espontânea de alguns moradores que colocavam cadeiras e mesas na calçada para conversar com os amigos, o novo desenho que incorpora um pergolado com áreas de mesas, bancos, jogos e playground, tem o propósito de ampliar a oportunidade de socialização deste espaço possibilitando uma permanência maior desses moradores na área pública do bairro (Figura 156).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Figura 156 - Implantação do setor 1 Fonte: o autor (2015).

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Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres


No decorrer do eixo foram implantadas diversas áreas de estar, com características que visam ir de encontro as necessidades e a realidade identifica no local. O espaço de estar proposto para o setor 1 visa atender os residentes, que como demonstrado no levantamento, se apropriam do espaço público para sentar com os amigos e conversar. Para isso foi implantado cadeiras, dispostas com layout variado, e mesas centrais para apoio passando a sensação de uma sala externa (Figura 159). Também foi proposta uma área com cadeiras do tipo esteira como área de estar e descanso, onde os usuários podem tomar sol (Figura 160).

Figura 157 - Jogos de mesa no setor 1 - Xadrez Fonte: o autor (2015).

Figura 158 - Jogos de mesa no setor 1 - Ping Pong Fonte: o autor (2015).

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

O residencial multifamiliar também foi um importante influenciador na proposta de atividades para esse trecho. Para atrair e incentivar a permanência nesse local foi implantado o espaço de jogos com mesas de xadrez e dama protegidas por pergolados de madeira, e mesas de ping pong (Figuras 157 e 158).

Figura 159 - Sala externa no setor 1. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico 138

Figura 160 - Espaço para tomar sol no setor 1. Fonte: o autor (2015).

Para atrair o público infantil ao espaço público foi proposto um playground com equipamentos variados do tipo mais tradicional localizado diante do edifício multifamiliar. Próximo aos equipamentos do playground foram implantados bancos para que os responsáveis pelas crianças possam ficar próximos e aos mesmo tempo aproveitar o espaço urbano (Figura 161).

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Figura 161 - Playground no setor 1. Fonte: o autor (2015).


6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico Figura 162 - Implantação do setor 2. Fonte: o autor (2015).

No diagnóstico realizado, foi identificado que a área do setor 2 apresentava menos apropriação, permanecendo vazia em grande parte do dia com apenas poucas pessoas que chegavam em sua maioria de carro para algum estabelecimento específico localizado ao longo deste trecho. Para neutralizar essa vulnerabilidade o projeto buscou implantar atividades de permanência e equipamentos que proporcionassem mais conforto e atratividade para as pessoas (Figura 162). Foi definido um espaço de academia com equipamentos para atividades físicas variadas e intensificada a arborização do local que se apresentava mais árida. A

academia tem sua implantação justificada nesse trecho devido à proximidade com o edifício multifamiliar e a concentração de residências nessa quadra do eixo (Figura 163). Também foi implantado um espaço de estar com pergolados, nova vegetação e bancos (Figura 164). Para atrair um público mais jovem foi implantado um parque de skate, com equipamentos compatíveis com a dimensão do eixo linear (Figura 165).

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Figura 163 - Vista da academia no setor 2. Fonte: o autor (2015). Figura 165 -Parque de skate do setor 2. Fonte: o autor (2015).

O setor 3 é um dos trechos da Avenida César Hilal que apresenta maior variedade de uso e ocupação do solo, com atividades de serviço, residência, instituições e comércio. Nesse setor foram exploradas as atividades de permanência através da criação de diferentes cenários com elementos, como pórticos, pergolados e mesas (Figura 166). Por estar próximo da praça existente que já apresenta atividades de lazer diversas, neste trecho foram priorizados os equipamentos que valorizassem a estética da paisagem, valorizando o estar e a permanência. Neste setor foram criadas estruturas que atuam tanto como um monumento estético, que faz lembrar uma sombrinha ou um cogumelo, criando uma paisagem atraente e proporcionando também o conforto por proporcionar sombra (Figura 167). Essa área está em frente à creche e a clínica e funciona como apoio para pais que aguardam a saída dos filhos na creche ou por pessoas que estejam esperando o atendimento na clínica. Figura 164 - Vista da área de estar do setor 2. Fonte: o autor (2015).

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico Figura 166 -Implantação do setor 3 Fonte: o autor (2015).

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Figura 169 - Open bar no setor 3. Fonte: o autor (2015).

Figura 167 -Vista do espaço de estar 3 no setor 3. Fonte: o autor (2015).

No espaço dos Pórticos Iluminados no setor 3 foram inseridos alguns elementos iluminados que emolduram a paisagem e o visual do eixo. Por estar mais próximo da praça existente e no entorno de casas de festas e um restaurante/bar nesse setor foi implantado elementos que incentivassem a apropriação noturna, por isso a implantação desse pórtico iluminado (Figura 168). Mais próximo ao restaurante foi criado um espaço denominado ao ‘open bar’ que extende a área do restaurante para além dos limites do mesmo, possibilitando o uso e apropriação das pessoas na área ao ar livre proporcionada pela nova praça linear (Figura 169). O bar Arroba, que também fornece serviços de restaurante, proporciona encontros de sambas e outras atividades noturnas, esse elemento foi definido para o projeto com o objetivo de atrair as atividades do bar também para o parque, para que ele se torne com uma extensão de suporte a essas atividades ao ar livre. Figura 168 -Porticos iluminados no setor 3. Fonte: o autor (2015).

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico Figura 170 - Implantação do setor 4. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Figura 171 - Espaço para feiras e exposições no setor 4. Fonte: o autor (2015).

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O setor 4 compreende a praça e a quadra do entorno e é o setor mais rico em variedade de atividades e usos. O espaço da praça compreende área de jogos, playground seco e molhado, áreas de esporte e áreas de descanso e estar (Figura 170). No centro da praça foi implantado um espaço com estrutura de suporte a feiras e exposições, uma atividade destacada no capítulo 02 (dois) como atrativa e saudável para os bairros com predomínio residenciais da cidade (Figura 171). A estrutura compreende um pergolado metálico que cobre um deque de madeira, onde estão localizados conjunto de mesas e cadeiras, com canteiros no centro. Na lateral existe o espaço para a montagem de estruturas como barracas de feiras ou carrinhos. Esse espaço tem como objetivo incentivar a cultura de feiras alimentícias, principalmente noturnas, na praça para atrair a população a se apropriar do espaço público. No levantamento foi identificado que alguns trabalhadores do entorno utilizam o espaço da praça para descansar depois do almoço, tendo em vista a

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Figura 172 - Tablado de madeira no setor 4. Fonte: o autor (2015).

Figura 173 - Área de jogos no setor 4. Fonte: o autor (2015).

Figura 174 - Playground no setor 4. Fonte: o autor (2015).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

existência de restaurantes ‘self services’ no entorno, mas que sofrem com a ausência de bancos e mesas protegidos do calor. Entre esse espaço de feira e o playground foram implantados tablados de madeira que funcionam como bancos (Figura 172). Um dos lados da praça passariam a concentrar atividades de lazer como áreas de jogos com mesas de xadrez, dama e mesas de ping pong (Figura 173). O playground foi deslocado para o centro da área norte da praça, com outras atividades no entorno para garantir a proteção das crianças (Figura 174). Junto ao playground foi implantado uma área molhada que conta com jatos de água que se projetam a partir do piso e passariam a funcionar como nova opção de lazer para as crianças e adolescentes da comunidade. Nessa porção da praça também foi implantado um pergolado acoplado com bancos, que funcionam como balanços (Figura 175). Na porção sul da praça foram instaladas as atividades voltadas para o esporte, com a quadra poliesportiva, a academia popular e parque de skate. Foram instalados muitos bancos, próximo às árvores, principalmente no entorno da quadra (Figura

Figura 175 - Pergolado com balanços no setor 4. Fonte: o autor (2015).

Figura 176 - Entorno da quadra no setor 4. Fonte: o autor (2015). 146

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Figura 177 - Vista do Parklet no setor 5. Fonte: o autor (2015).


6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico Figura 178 - Implantação setor 5. Fonte: o autor (2015). A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico 148

O setor 5 é caracterizado por uma ruptura na continuidade do tecido urbano, por conta da conexão entre a Av. Vitória e a Cézar Hilal. A intervenção se concentrou em proporcionar uma integração inspirada nos modelos de operações urbanas consorciadas onde existe uma integração entre poder público e privados na requalificação de áreas urbanas. Neste caso, o objetivo era o de promover esta integração, humanizar a área, facilitar o cruzamento das pessoas que atualmente se arriscam ao atravessar a rua nesta curva onde existe um intenso fluxo de veículos ao longo do dia e promover uma valorização desta parcela que hoje é repleta por imóveis abandonados. Nesse trecho existe o encontro entre três importantes vias de caráter arterial da cidade: a Avenida César Hilal, a Avenida Vitória e a Leitão da Silva. Para promover a conexão sem comprometer o fluxo de veículos foi então idealizado um edifício cultural com serviços comunitários e alguns andares de estacionamento integrado a uma passarela para ciclovia e pedestres atravessarem a avenida de forma mais atrativa e segura, também foi promovida uma proposta de intervenção para padronização das calçadas, criação da faixa verde e nova arborização.

Junto ao centro comercial do térreo do edifício Hawai e Caribe foi implantado o Parklet; estrutura já abordada nesse estudo como um elemento de valorização do pedestre, pois transforma espaços de estacionamento em áreas para apropriação pública, neste caso ampliando o passeio público existente no térreo onde estão situados os estabelecimentos comerciais. (Figura 177).

Figura 179 - Vista do Centro Cultural da Avenida Vitória. Fonte: o autor (2015).

Figura 180 - Vista do Centro Cultural da Avenida César Hilal. Fonte: o autor (2015).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

O elemento de destaque desse setor está nos edifícios propostos, em um lote vazio da rua Carlos Alves, que possibilita a continuidade da ciclovia projetada para a Av. Leitão da Silva por meio de um terraço verde. Uma grande vulnerabilidade identificada no eixo da Avenida César Hilal é a relação dos moradores do bairro Bento Ferreira com as comunidades do entorno. Para promover suporte a essas comunidades e gerar uma ponte entre os bairros do entorno e o eixo paisagístico proposto para a Avenida César Hilal atraindo esses moradores foi proposto um edifício novo com atividades variadas de apoio à comunidade para emissão de documentos pessoais. O edifício funcionaria como um centro cultural e de


Uma das potencialidades identificadas no eixo foi a vegetação, por isso um dos requisitos adotados no projeto foi manter a vegetação existente, que se concentra mais na praça e no setor 1. A arborização inserida para o eixo foi pensada de forma a garantir o conforto; com sombra, proteção contra o vento e poeira; melhor qualidade ambiental e um efeito estético mais agradável da paisagem. A arborização proposta para as calçadas e na porção norte no eixo e na praça foi escolhida com o objetivo de gerar uma continuidade visual, por isso foi definida uma única espécie arbórea o Oiti, Licania tomentosa, que possui de 6 a 9 metros de altura (Figura 181). Para a porção sul do parque central, no canteiro junto à ciclovia, foram implantadas arborização de floração, para cada setor do eixo foi definido uma cor. Para o setor 1 foi definida a cor rosa e a espécie escolhida foi o Ipê Rosa, Handroanthus chrysotrichus, que possui de 4 a 8 metros de altura e para o setor 2 foi o Ipê amarelo. Para o setor 3 e 5 a espécie escolhida foi o Flamboyant, Delonix regia, no setor 3 na cor laranja e no setor 5 a cor escolhida foi o vermelho. A tonalidade vermelha foi definida para o setor 5 devido a circulação de alta velocidade nas avenidas, sua implantação no decorrer do canteiro central deve atrair o olhar e atenção dos transeuntes para o eixo paisagístico (Figura 182).

Figura 181 - Árvore Oitti. Fonte: google imagens (2015).

Figura 182 - Esquema com a arborização de floração colorida para o eixo Fonte: google imagens (2015).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

capacitação, com oficinas culturais e artísticas diversas, teatro e auditório. Nesse edifício também deve funcionar um Faça Fácil, centro de suporte ao cidadão que reúne em um único lugar diferente órgãos públicos. Uma das torres desse conjunto funcionaria como um edifício garagem, para justificar a retirada dos estacionamentos da Avenida César Hilal para a criação do parque (Figura 179 e 180).

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Para gerar mais conforto para a permanência no eixo paisagístico da Avenida César Hilal foram inseridos no projeto equipamentos públicos como bancos, mesas, postes, lixeiras, bicicletário, e equipamentos específicos de algumas atividades como do playground, do parque de skate, da área de jogos, e da academia. Foi definido materiais padrões para o mobiliário do eixo, como madeira, aço, alumínio. Os equipamentos definidos como padrões para todo o eixo foram os bancos de madeira com detalhes metálicos. Foram utilizados três tipologias de bancos, de madeira sem encosto, de madeira com encosto e de madeira com encosto metálico (Figura 183). Para as lixeiras foram definidas lixeiras para coleta seletiva de madeira plástica (Figura 184). Para o bicicletário foi adotado o modelo em serpentina metálico (Figura 185). E para o bebedouro foi utilizado também um modelo metálico (Figura 186). Para cada setor foi definido o mobiliário segundo as atividades a serem desenvolvidas nele.

Figura 185 - Bicicletário em serpentina . Fonte: google imagens (2015).

Figura 183 - Tipos de bancos definidos para o eixo Fonte: google imagens (2015). 150

Figura 184 - Lixeira para coleta seletiva. Fonte: google imagens (2015).

Elaine Cristine Santana - A vitalidade e segurança dos espaços livres

Figura 186 - Bebedouro metálico. Fonte: google imagens (2015).


Para a paginação em bolhas da travessa Aloísio Simões, beco Guaraná e setor 1 foi utilizado cimento colorido moldado in loco. Nas áreas de academia e playground foi utilizado revestimento de borracha da linha playground placas de 100x100x2,5 cm. Na academia foram definidas as cores azul médio e azul escuro e no playground foi realizado uma malha colorida em tons pastel. Na área de jogos da praça Oswaldo Guimarães no setor 4 o revestimento adotado foi o granito, em tons variando do preto ao cinza que foram paginados alternadamente, criando uma malha que faz alusão ao tabuleiro de xadrez (Figura 189).

Figura 188 - Granilite cinza. Fonte: google imagens (2015).

Figura 187 - Piso permeável, Drenaggio lina Solarium. Fonte: solariumrevestimentos (2015).

6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

Para as calçadas o material escolhido para a paginação foi o granilite lavado tipo fulget da cor bege, placas de 100x100 cm moldado em loco na cor bege. Para a praça linear e praça foi adotado um revestimento permeável o drenaggio, da linha Solarium, com placas de 50x50x5 cm na cor cinza (Figura 187).

Figura 189 - Malha de granito. Fonte: google imagens, modificações do autor (2015).

A vitalidade e segurança dos espaços livres - Elaine Cristine Santana

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6. Proposta de projeto preliminar do eixo paisagístico

6. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Mesmo sendo foco de muitos estudos nota-se que no contexto do planejamento urbano brasileiro uma grande necessidade da conscientização não apenas dos profissionais responsáveis pelo planejamento e pelo desenho urbano, mas de toda a população da importância de se investir nos espaços livres tanto na sua infraestrutura quando na sua apropriação.

público e privado. Essa temática se mostrou tão importante e necessária para o contexto urbano que na área de estudo e projeto foram identificadas possibilidades de extensão do eixo paisagístico proposto para a Avenida César Hilal, também para as Avenidas Jair Etienne Dessaune e Joubert de Barros que possuem potenciais de conexão com o eixo clicloviário da Av. Beira Mar.

Através desse estudo foi possível se aprofundar um pouco mais e entender como a relação do homem com o espaço urbano e principalmente com os espaços livres de uso público mudou no decorrer da história. Viu-se que a modernização, a industrialização e o adensamento urbano trouxeram conflitos na apropriação do solo urbano e é no espaço público que as consequências desses problemas de ocupação urbana podem ser mais percebidas.

De maneira geral este trabalho buscou realizar um ensaio para materializar algumas das teorias de vitalidade e segurança da cidade na idealização de um novo espaço livre de uso público através de um desenho urbano sensível às necessidades locais. Realidade que só foi possível a partir da realização do diagnóstico da área de intervenção antes da idealização da proposta projetual, por entender que toda intervenção pode afetar a vida das pessoas em contato com o espaço urbano transformado. Acima de tudo mostrou a importância de se planejar espaços públicos que sejam atrativos ao uso e permanência gerando assim a vitalidade e segurança dos espaços livres.

Percebemos como é amplo o conceito de espaços livres, mas acima de tudo como a relação com esses espaços, independente da sua definição, está presente no cotidiano da maioria da população. A relação diária e constante do homem com o espaço livre através da rua, praças e parques deixa ainda mais clara à urgência de reavaliar as formas de ocupação e uso do solo, de adensamento e de planejamento urbano, buscando alternativas mais sustentáveis e funcionais. Nota-se que mais importante que entender os conceitos teóricos de como garantir a vitalidade e a segurança é o estudo e o diagnóstico das necessidades do contexto local de cada realidade urbana para que sejam planejados espaços capazes de atrair a apropriação e a presença com qualidade da população. Através dos diagnósticos e levantamentos do contexto urbano do bairro Bento Ferreira e da aplicação dos conceitos teóricos apresentados presume-se que o planejamento do espaço livre nessa realidade poderia gerar além de qualidade ambiental e urbana mais qualidade de vida à população e até mesmo a integração social com propostas como a do eixo paisagístico idealizado neste trabalho de conclusão de curso que integra espaço livre de uso público a um centro cultural público situado no limite entre o bairro formal de ocupação planejada que é o caso de Bento Ferreira e o bairro informal caracterizado pelo aglomerado subnormal adjacente do bairro Gurigica. Proposta esta que visa trazer serviços, cultura e lazer como proposta de integração e resgate de inclusão para esta parcela da cidade. Vale destacar que as ações de intervenção deste porte devem sempre vir acompanhadas por ações que integrem os serviços sociais e outros agentes do setor

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TCC arqurbuvv A Vitalidade e Segurança dos Espaços Livres  

2015-02 Elaine Santana

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