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34284 – CONEXÃO 03/2016

Jul-Set 2016 – Ano x no 39

Exemplar:8,05 – Assinatura: 25,60

ENTENDA. EXPERIMENTE. MUDE

A VITÓRIA DOS QUE PERDERAM

________ Designer ________ Editor

Conheça histórias olímpicas que valem ouro

________ Ger. Didáticos

APRENDA COMO SER MAIS PRODUTIVO

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AO PONTO: O SEGREDO DO CAMPEÃO DE BASQUETE OSCAR SCHMIDT

IMAGINE SE NÃO TIVESSE OCORRIDO 2016 | 1 O GOLPE MILITAR jul set

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Da redação

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Editor Wendel Lima

5 CONECTADO

O TESTE DO AUTOCONTROLE

A OPINIÃO DE QUEM SEGUE E CURTE A REVISTA

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GLOBOSFERA

MUSEUS, MELHORES UNIVERSIDADES, MAGIC JOHNSON, COLESTEROL E ARCA DE NOÉ

10 ENTENDA

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MARTÍRIO DOS APÓSTOLOS, ESPORTE, POLÍTICA E MONTE OLIMPO

30 APRENDA

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A AT DEN

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COMO SER MAIS PRODUTIVO

18 REPORTAGEM

OS CAMINHOS ALTERNATIVOS DA PARTICIPAÇÃO DA JUVENTUDE NA POLÍTICA

DESPEDIDA Quem está deixando a equipe da Conexão 2.0, depois de três anos de contribuições, é o pastor Eduardo Rueda. Os leitores sentirão falta de seus textos criativos e bem-humorados na seção Perguntas, especialmente no espaço Tudo ligado. Rueda precisa se dedicar full time à nova função que assumiu na editora. Sucesso, amigo!

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22 PERGUNTAS

IRONICAMENTE, A GERAÇÃO atual, que tanto reivindica liberdade para si e para os outros, não se preocupa com o autocontrole. Como uma marca da natureza humana e também do nosso tempo, hoje, parece que temos mais problemas para lidar com as tentações internas e externas. Desde a dificuldade com as dietas até o consumismo desenfreado; da dependência das drogas ao sexo livre e inconsequente. Porém, pouca gente diz ou pensa que o autocontrole é parte do propósito original para a humanidade. Quando Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança (Gn 1:27), isso incluiu o domínio próprio. O fato é que após a reprovação do primeiro casal no teste da obediência (Gn 3:1-8), tomar as rédeas da própria existência se tornou impossível, sem a intervenção de Deus (Rm 7:15-20). A única saída é a experiência oferecida por Cristo, que nos desafia a nos rebelar contra nossos impulsos maus, para nos submeter a Ele (Gl 2:20). Ao “nascer de novo” (Jo 3:3-8), o ser humano escolhe livremente viver sob o senhorio de Jesus, numa relação de dependência que, ironicamente, amadurece e liberta. A partir daí, com a ajuda de Deus, o cristão luta contra seus impulsos para que eles não voltem a escravizá-lo. Uma das melhores metáforas bíblicas para o autocontrole foi usada por Paulo, ao ele fazer um pararelo entre a experiência cristã e as competições esportivas do primeiro século (1Co 9:24-27). Depois de mencionar vários exemplos pessoais de renúncia para poder compartilhar o evangelho, Paulo diz que é necessário ter a mesma disciplina encontrada nos esportes para poder abrir mão dos próprios direitos em favor da salvação do outro. Ou seja, se o espírito do nosso tempo propõe não restringir os impulsos, a revolução proposta pelo cristianismo é a busca pelo autocontrole para benefício próprio e do próximo. É por isso que Paulo defendeu que os cristãos devem treinar mais para ser aprovados no teste do autocontrole do que os atletas do passado se esforçavam por uma coroa de louros. Essa é uma das muitas lições que o esporte como metáfora da vida pode nos ensinar. Outras tão importantes quanto essa, você poderá aprender com as matérias que tratam sobre os Jogos Olímpicos, a começar pela surpreendente reportagem de capa. Boa leitura!

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Fotos: William de Moraes

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A IMPORTÂNCIA DE INTERPRETAR CORRETAMENTE A BÍBLIA

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24 IMAGINE

... SE O GOLPE MILITAR NÃO HOUVESSE OCORRIDO

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A ATITUDE DE OSCAR SCHMIDT DENTRO E FORA DE QUADRA

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CAPA

NA GALERIA DA FAMA DAS OLIMPÍADAS ESTÃO TAMBÉM OS QUE NUNCA SUBIRAM AO PÓDIO

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Jul-Set 2016 Ano 9, no 39 Ilustração da capa: Thiago Lobo

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

UTIVO

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo,das 8h30 às 14h

ATIVOS

CA

Editor: Wendel Lima Editores Associados: Eduardo Rueda e Fernando Dias Projeto Gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designer Gráfico: Renan Martin Diretor-Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Uilson Garcia Redator-Chefe: Marcos De Benedicto Redator-Chefe Associado: Vanderlei Dorneles

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8 AO PONTO

Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Edgard Leonel Luz, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Antônio Marcos Alves, Eder Leal, Marco Antonio Leal Góes, Pedro Renato Frozza, Raquel Xavier Ricarte, Rubens Silva, Alexander dos Santos Dutra e Rérison Alfer Vasques.

26 MUDE SEU MUNDO

O PROJETO QUE TEM DEVOLVIDO A AUTOESTIMA DE ALUNAS DE UM COLÉGIO PÚBLICO

Assinatura: R$ 25,60 Avulso: R$ 8,05 www.conexao20.com.br

28 LIÇÃO DE VIDA

A LÍDER DOS JOVENS ADVENTISTAS QUE FOI ESCOLHIDA PARA LEVAR A TOCHA OLÍMPICA

Tiragem: 28.500

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Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da editora.

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MKT CPB | Foto: William de Moraes

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Informação Conectado & Opinião Globosfera Ao ponto Entenda

Gostei muito da revista de abril-junho, especialmente da matéria de capa sobre namoro. Como professor e pastor, há 14 anos trabalhando com jovens, tenho certeza de que esse assunto, da forma séria, profunda e bíblica como foi apresentado, contribuiu com a elevação do conceito de namoro para um patamar mais perto do ideal de Deus.

conexao20@cpb.com.br

MKT CPB | Foto: William de Moraes

Desabafos, sugestões, interação e dúvidas para a seção Perguntas? É por aqui mesmo!

Felippe Amorim Araquari (SC)

facebook.com/conexao20

Saiba o que vai ser publicado, opine sobre os conteúdos que já saíram e compartilhe com os amigos que não têm a revista.

Perdeu alguma edição ou deseja reler uma matéria que gostou muito?

Acesse nosso arquivo e folheie todas as edições da Conexão 2.0

Elber Rizziolli: Meus alunos aqui do IASP, em Hortolândia (SP), selecionaram duas reportagens da Conexão para fazer um resumo crítico, e a mais escolhida foi a reportagem de capa sobre namoro. Percebi que os alunos gostaram dessa edição. Giovanna Eugênia: Gostei muito das matérias relacionadas à natureza: “O Deus da diversidade” e “Como interpretar os sinais da natureza”. Mas não poderia deixar de elogiar a excelente e oportuna reportagem de capa sobre namoro e o lindo testemunho da Amanda e do Edino. Jussara Simonetti: Li a entrevista com o Rodrigo Mendes na Conexão 2.0 (jan-mar). É bom que os alunos da nossa rede escolar saibam que pelas mesmas salas em que eles estudam, já passaram estudantes que hoje fazem a diferença na sociedade. Leonardo Cantuária: Aqui no Colégio Adventista de Vila Alpina, em São Paulo, a matéria de capa sobre nomofobia (jan-mar) foi explorada com sucesso total. Odeli Nicole Encinas Sejas: Foi a primeira vez que peguei uma Conexão 2.0. A revista é interessante, criativa e capta a atenção suficientemente pa-

ra incentivar a continuidade da leitura. Visualmente ela é chamativa, o que é fundamental em tempos em que tudo no mundo virtual está em movimento e apresenta várias dimensões. Victor Cypriano: Gostei bastante de várias seções da revista. Achei coisas legais na seção Aprenda sobre os sinais da natureza. Destaco também o trabalho dos médicos missionários na África com os portadores de HIV. Outra matéria boa foi sobre Tiradentes, mesclando política, cultura e valores. Sobre a seção Perguntas, gostei da proposta do Ponto de vista e do Tudo ligado. E quanto ao artigo “Deus da diversidade”, achei um pouco vago e confuso. Rodrigo Udo Zeviani: A Conexão 2.0, como sempre, está muito boa. Acerca da reportagem de capa sobre namoro, quero registrar que hoje o padrão para os relacionamentos está sendo relativizado de diversas maneiras. Porém, aqueles que conseguem tomar decisões mais firmes, normalmente se sentem mais seguros de si mesmos. Essa postura faz bem para o corpo, para a autoestima e para o espírito.

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@Pahim: Terminei a leitura da minha @conexao_20. Como sempre, assuntos interessantes e relevantes, da página 2 a 31. Até julho! #ValeaLeitura © Michael Brown | Fotolia

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M Q

Texto Wendel Lima

GAROTA DE FÉ

PASSEIO VIRTUAL

Para quem gosta de visitar museus e quer conhecer melhor a história e a cultura do nosso continente, basta acessar o recurso lançado pelo Google Street View (http://bit.ly/1TxZSX7). A ferramenta permite que você visite as 137 maiores instituições latino-americanas, como o MAM e o Museu do Futebol, em São Paulo, o Museu do Cinema, em Niterói (RJ), e o Museu Nacional de Antropologia, no México.

U P d p S s O E p e

A fidelidade da aluna adventista Jullia Ellen da Silva Parreira, de 16 anos, mudou a data da viagem de formatura da sua turma do terceirão, numa escola particular em Barra de São Francisco (ES). Por ela não topar viajar na sexta-feira à noite, a turma se solidarizou com a decisão de Jullia e transferiu a viagem para o sábado à noite. “Exercitar minha fé vale muito mais a pena do que escondê-la. Isso mostra às pessoas aquilo no que acredito de verdade. É muito melhor servir a Deus”, garante a estudante.

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Fonte: veja.com.br

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ALERTA NA SAÚDE

Mais de 38 mil pessoas de 12 a 17 anos, de todas as capitais do Brasil, coletaram amostras de sangue para um estudo inédito intitulado de Erica. Os dados indicaram um claro quadro de obesidade e sedentarismo entre os adolescentes. Um dos índices preocupantes é o do colesterol: apenas 46,8% estão com o colesterol bom (HDL) no nível indicado. 20,1% têm colesterol total alto 7,8% estão com o índice de triglicérides alto 3,5% têm o colesterol ruim (LDL) alto Fonte: folha.com.br

Criado em 2011 e com 700 milhões de usuários, o Snapchat está se consolidando como a ferramenta digital de comunicação preferida dos chamados millenials, a geração que nasceu a partir de 1980. O diferencial do Snapchat é a possibilidade de enviar textos, fotos e vídeos que podem ser vistos apenas uma vez e que são “autodestruídos” do app. Três razões são apontadas para o sucesso da ferramenta entre os mais jovens, principalmente dos Estados Unidos: privacidade, efemeridade e por não ter a dinâmica de uma rede social. Fonte: folha.com.br

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Imagens: Adventist Review, ASN, Bianca Oliveira, Fotolia, Wikipedia, Brayan D.D., NT

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O PREFERIDO DOS MILLENIALS

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MAIS DIFÍCIL DO QUE VESTIBULAR

TOP 100

Um estudo inédito realizado pelo Instituto Data Popular estima que apenas 41% dos 40,9 milhões de brasileiros que já concluíram o Ensino Médio pretendem ingressar em curto prazo no Ensino Superior. A pesquisa foi feita com 2,8 mil universitários e 800 potenciais estudantes da classe C. O ponto é que sobra vontade, mas falta grana. Em tempos de crise econômica, apenas 44% se planejaram financeiramente para estudar e 54% esperam contar com a ajuda do FIES. Fonte: folha.com.br

E

O ranking de 2016 da Times Higher Education, principal publicação britânica sobre Ensino Superior, tem boa notícia para os asiáticos e má notícia para os brasileiros. A USP, única instituição latino-americana a aparecer entre as cem melhores do mundo em termos de reputação, caiu 40 posições no último relatório (98ª). Enquanto 18 universidades asiáticas aparecem entre as cem primeiras. O ranking ainda é dominado pelas instituições dos Estados Unidos e Reino Unido. Fonte: folha.com.br

MAIS UMA OPÇÃO

Desde fevereiro, o Instituto Adventista Paranaense (IAP), em Ivatuba (PR), está oferecendo o curso de Pedagogia, uma das graduações mais tradicionais do Ensino Superior adventista. Dos 75 alunos matriculados, 40 são bolsistas que assumiram o compromisso de trabalhar na rede adventista por pelo menos cinco anos.

PAPO SOBRE CONVERSÃO

Em entrevista exclusiva para o programa Conexão Jovem, da TV Novo Tempo, o ex-vocalista da banda Raimundos, Rodolfo Abrantes, falou sobre conversão, música gospel, tatuagem e seu ministério com os jovens. Para conferir, acesse novotempo. com/conexaojovem.

NOTA MÁXIMA

O curso de Teologia do Unasp, que completou cem anos em 2015, recebeu nota máxima na avaliação do MEC. Foram considerados itens como a titulação dos professores, grade curricular, produção acadêmica e o programa de estágios.

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Imagens: Adventist Review, ASN, Bianca Oliveira, Fotolia, Wikipedia, Brayan D.D., NT

MÃOS SOLIDÁRIAS

Criado em uma família adventista, o norte-americano Earvin “Magic” Johnson, que fez história no basquete, decidiu retribuir a influência positiva que a igreja exerceu na vida dele doando 550 mil dólares para a congregação e a Universidade de Oakwood, em Huntsville (EUA). A quantia será revertida em bolsas de estudo e ajudará a financiar a construção do Centro de Vida em Família na comunidade local.

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Fonte: adventistreview.org Colaboradores: Andrew McChesney, Anne Seixas, Ayanne Karoline, Carolina Perez, Kimberly Luste Maran, Márcio Tonetti e Patrícia Sabará jul-set

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Ao ponto

Texto Wagner Cantori Colaboração Cauê Martinelli e Robson Fonseca Ilustração Kaleb de Carvalho

ATITUDE DE CAMPEÃO

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ELE É O jogador de basquete com mais participações em Jogos Olímpicos e também o maior cestinha da história desse esporte. Com vários recordes nacionais e mundiais, Oscar Schmidt entrou para o Hall da Fama do basquete em 2013. Nesta entrevista, veiculada no programa Identidade Geral, da TV Novo Tempo, ele fala sobre a decisão de não ter jogado na NBA, suas maiores conquistas, o apoio da esposa e a luta que trava contra um câncer no cérebro.

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Você é conhecido como “mão santa”. Tem alguma coisa de sobrenatural nas suas mãos? Não existe “mão santa”, o que existe é uma mão calejada de tanto treinar. Meu sucesso não foi um milagre, quanto mais treinava, mais acertava. E isso pode ocorrer em qualquer área: é possível ser o melhor desde que haja empenho. Você treinava mil arremessos por dia. É isso mesmo? Sim, e fora os dois treinos regulares. Costumava tentar três séries seguidas de 20 cestas de três pontos. Ficava em média uma hora a mais nos treinos. Cheguei a fazer 90 séries de 20 arremessos sem errar. É por isso que sou o maior cestinha da história do basquete, com 49.737 cestas. Qual foi a vitória mais importante para você? Certamente os Jogos PanAmericanos de Indianápolis (EUA), em 1987. Uma vitória contra os Estados Unidos pa8 |

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recia absurda, mas ela ocorreu porque estávamos no melhor do nosso preparo físico. Foi talvez a maior conquista do basquete brasileiro. Não troco por nada também ter entrado para o Hall da Fama, em 2013. Esse é o prêmio “Nobel” do basquete. Você recebeu um convite para jogar na NBA. Por que não aceitou? Se jogasse uma partida pela NBA, não poderia atuar na seleção brasileira. Era essa a regra e acabei recusando um contrato muito bom. Fez isso por amor à seleção brasileira? Sim. Você está surpreso? Não faria a mesma coisa? É porque acho que muitos atletas não fariam o mesmo. Muito poucos, porque o jogador brasileiro gosta de atuar na seleção. Até porque ninguém vira ídolo no Brasil sem ganhar pela seleção.

Além das conquistas profissionais, o basquete também lhe deu uma esposa. Essa é a maior conquista da minha vida. A primeira vez que vi aquela menina linda passando, estava com o pé arrebentado e fazendo exercício na porta da república de atletas. Costumava sair de muletas, com meus livros e pegar o mesmo ônibus dela. Começamos a namorar na sequência. Depois que tirei o gesso, com o pé inchado, tive que treinar sozinho e pedi que a Cris me acompanhasse para ter com quem conversar. Naquele dia, ela ficou com o braço doendo de tanto passar a bola para mim. Mas voltou no dia seguinte. Fez isso por uma semana, um mês, e aí pensei comigo: “preciso casar com essa mulher” (risos). Foi assim que começou nossa história de 41 anos juntos. Algo raro hoje em dia. Sim, porque casamento não

é sempre flores. Tivemos momentos difíceis, principalmente porque era muito difícil conviver comigo quando perdia. É por isso que dedico a ela tudo o que consegui. Você já passou por duas cirurgias e várias sessões de rádio e quimioterapia. Como lida com o tumor no cérebro? Todo mundo vai morrer, seja de acidente ou por doença. Agora, se você ficar em casa se lamentando pelas coisas, vai morrer antes. Hoje me preocupo com meu trabalho como palestrante, em dar mais conforto para minha família e viajar com eles. Minha vida ganhou outro significado e melhorou muito depois da doença. Qual é o grande legado que você quer deixar? Quero ser lembrado como o cara que não deixou nada por fazer. Se tem algo que não consegui fazer, pode ter certeza que tentei muito.

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Parece que nada pode ficar pior do que já está. Mas isso é apenas o começo. O destino da humanidade está sendo traçado, até que venha o fim. É quando o mundo mostra que não tem solução. A questão que resta é: como sobreviver a tudo isso?

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173 p. | Cód. 11491

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172 p. | Cód. 12311

Um homem chamado Guilherme Miller disse que Jesus voltaria em 1844. Muitas pessoas acreditaram, inclusive um jovem chamado Jerryl McNolan. O livro amargo conta justamente a história de Jerryl. Experimente o suspense e a emoção deste livro. Você também vai descobrir que sempre há muito mais pelo que viver.

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189 p. | Cód. 5255

Uma história inesquecível. Projeto Sunlight mostra que Deus nos ama e espera que nos volvamos a Ele. É um livro que você jamais esquecerá. Uma história que poderá mudar sua vida.

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0800-9790606 | cpb.com.br | CPB livraria Se preferir, envie CPBLIGA para o número 28908, e entraremos em contato com você.

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Entenda

Texto Ágatha Lemos Infográfico Flávio Carvalho

Éden original

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1 Criação em seis dias literais

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A importância de interpretar corretamente a Bíblia

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O PRINCÍPIO DETERMINA o fim. Como uma grande sequência de peças de dominó derrubada, não encarar como literal o relato da criação na Bíblia, joga por terra inúmeras crenças fundamentais do cristianismo, que encontram seu respaldo também na história. Mais do que questionar uma fé milenar, abraçada por milhões de pessoas, interpretar a Bíblia como um registro metafórico da origem e trajetória humana não oferece muita esperança, porque troca propósito por acaso, restauração final por competição sem fim. No centro desse dilema entre duas visões de mundo diametralmente opostas está a adoração: a tensão entre a autossuficiência humana e a submissão à vontade divina. Entenda as implicações.

Reprovados no teste

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Adão e Eva falham na prova da obediência (Gn 3:1-8)

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7 (o sábado foi separado e abençoado como memorial da criação – Gn 2:1-3)

Evolução em milhões de anos

O homem surge após milhões de anos de processos macroevolutivos e adaptações

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Ninguém tropeçou

Não houve árvore, fruto, nem queda moral. A morte faz parte do processo natural de seleção

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Éden restaurado

O clímax da história

Cristo cumpre a promessa (Jo 14:1-3) e volta para restaurar tudo e todos conforme o plano original (Mt 24:30, 31; Ap 21:1-4)

A.C e D.C

Deus Se faz homem em Cristo (Jo 1:14) e morre para libertar a humanidade rebelde (Jo 3:16)

Tumba vazia

Jesus ressuscita (Lc 24:1-12) e promete voltar (At 1:11)

Recado final

Por meio do Seu povo, Deus convida e adverte o mundo (Ap 14:6-12)

A história sem Ele

Se a humanidade não pecou, não precisa ser resgatada

Visão limitada

Tumba fechada

Jesus existiu, foi carismático, quem sabe até Se casou, mas foi vencido pela morte como qualquer ser humano

A criação bíblica como relato metafórico

Se a humanidade é o centro de tudo e um fim em si mesma, não há por que temer um juízo final. A esperança é conquistar e transformar o mundo

Ajuda espacial

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O ser humano continua em evolução até se tornar uma raça mais desenvolvida ou até ser resgatado por seres mais evoluídos (ETs)

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A criação bíblica como relato literal

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Mariana Venturi Ilustração Thiago Lobo

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Perguntas Imagine

LIÇÕES DO

ESPORTE

O que você pode aprender com quem não chegou ao ponto mais alto do pódio

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O CORAÇÃO DISPARAVA junto com ele. Passo após passo, reunir forças de cada fibra, puxar fôlego na respiração ofegante. Rápidas e cadenciadas eram suas passadas, no ritmo do corpo, movido pelo comando da mente, passo após passo. Sentindo a pressão a cada pisada sendo amortecida pelo chão, passo após passo. A disposição impulsionada para o passo seguinte. Veloz, decidido, calculado. Passo após passo, a multidão que o acompanhava nas ruas, formando uma ala humana, torcia e aplaudia, encorajando-o a seguir correndo, passo após passo. Faltavam apenas 2 km, passo após passo. O suor escorria de seus ombros, pelo rosto e por todo o corpo. Na infância, aqueles pés correram velozes e despretensiosamente desafiando a poeira vermelha da estrada de terra, contornada pelo verdor da lavoura de canade-açúcar, onde o pequeno garoto e seus pais lavradores trabalhavam como boiasfrias. Algum tempo depois, aqueles pés de 12 |

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menino calçaram um tênis pela primeira vez aos 11 anos, um presente do diretor da escola para que o piá do interior do Paraná, que corria como ninguém, pudesse competir representando o colégio. E o filho de retirantes nordestinos cresceu correndo. Muitas estradas e décadas mais tarde, aqueles pés que haviam percorrido singelos terrenos também correram em terras francesas, pelos asfaltos japoneses de Tóquio, nas pistas australianas em Sydney, as avenidas de Nova York e subiram no lugar mais alto do pódio dos Jogos Pan-Americanos do Canadá. Eles pisavam, a partir da própria cidade de Maratona, na Grécia, o histórico solo em que um lendário soldado grego teria corrido mais de 40 quilômetros para informar os atenienses a respeito da vitória sobre os persas, inspirando a origem da modalidade. Nos passos do caminho que então mesclava antiguidade e contemporaneidade, ele seguia incansável na determinação e foco rumo a um

sonho: consagrar com a medalha de ouro a carreira de maratonista no berço das Olimpíadas: os jogos de Atenas. Passo após passo, a respiração agora era mais pesada. Passo após passo, ele estava quase lá. Passo após passo, bastava permanecer firme na liderança. Passo após passo, o ouro olímpico estava cada vez mais perto. Passo a passo, mantendo com vantagem a liderança da prova. Passo após passo, só faltavam 6 km para a linha de chegada. Passo a p---... De repente, o inesperado aconteceu. As passadas sincronizadas foram interrompidas. Alguém o deteve e, segurando-o firmemente, foi empurrando-o, empurrando os passos do atleta para fora da pista. Passos, então cambaleantes, misturaram-se à multidão, até serem derrubados e, ambos, agredido e agressor, caíram na calçada. Sem conseguir compreender, Vanderlei Cordeiro de Lima viu-se, naquele instante, fora da corrida e com os sonhos descompassados no chão.

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pesadelo? E se fosse você no lugar de Vanderlei, que reação teria ali? Bem-vindo à corrida! Vamos passar de Atenas 2004 para Rio 2016. Em cada etapa dessa prova, queremos conduzir você a uma jornada de como fazer das quedas um trampolim para a realização. Percorreremos a galeria dos atletas que não subiram ao ponto mais alto do pódio, mas foram reconhecidos como verdadeiros vencedores. Afinal, entre as metáforas sobre a vida, talvez nenhuma seja tão pulsante para a mente, o corpo e o espírito que o paralelo com os esportes.

HALL E PARQUE OLÍMPICO Se você chegou aqui, é por que a luta o estimula. Lutar contra os próprios bloqueios e as dificuldades é até saudável. Mas, se para você vale tudo na competição, cuidado! Lutar contra um oponente pode ser modalidade olímpica, mas a agressão e a violência não são toleradas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) nem pelas federações esportivas nacionais. Esse código de conduta é levado tão a sério que, em janeiro, o campeão de levantamento de peso da Coreia do Sul, Sa Jae-hyouk, foi afastado por dez anos das competições pela Federação Sul-Coreana por ter agredido outro atleta num bar. Ele foi suspenso mesmo tendo ganhado o ouro em Pequim e ser uma esperança sul-coreana para este ano. “Para quem comete uma agressão física, a punição é severa. Todos são alertados para isso, podendo comprometer seu país”, adverte Miguel Ângelo da Luz, ex-técnico da seleção brasileira de basquete. “O Vanderlei teve muita maturidade naquele dia. Respondeu de modo exemplar, não saiu gesticulando nem esbravejando. Em competições esportivas, quando os nervos ficam à flor da pele, é preciso saber reagir a uma agressão, seja física ou verbal.” E finaliza enfaticamente: “Na vida, não importa quanto você bate, mas

sim quanto aguenta apanhar, quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se vence”. Há 2 mil anos, essa também foi a tática do apóstolo Paulo: ter firmeza para aguentar pancadas e não transgredir princípios. Inspirando-se nos jogos esportivos gregos, ele escreveu: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Eu obrigo o meu corpo a ser completamente controlado para que, depois de ter chamado outros para entrarem na luta, eu mesmo não venha a ser eliminado dela” (1Co 9:25, ARA e LH). Domínio próprio é a chave para responder pacificamente à violência. O ex-jogador profissional de futebol Jair Miranda conhece a importância de aplicar o autocontrole em campo e fora dele. “Revidar a agressão é um gesto antiesportivo que poderá prejudicar o time e o próprio atleta. Então, os jogadores precisam se submeter às regras e confiar no árbitro da competição”, explica. Hoje pastor adventista e mentor do projeto “Gol de Esperança”, uma escolinha de futebol comunitária, Jair ensina algumas importantes lições na prática: (1) deixar que Deus julgue e puna a injustiça contra nós praticada (Hb 10:30); (2) não revidar (1Pe 2:21-23); e (3) seguir as regras (2Tm 2:5, NVI).

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O incidente naquele km 36 da maratona de Atenas ficou marcado como um dos mais inusitados da história do esporte. Infelizmente, o excêntrico ex-padre irlandês Cornelius Horan, ao atacar Vanderlei, fez o velocista brasileiro perder uma vantagem de cerca de 30 segundos sobre o concorrente mais próximo. Tirou seu ritmo e sua concentração, interrompeu sua prova. Aquela que seria a primeira medalha de ouro olímpica para Vanderlei e para o Brasil naquela modalidade, e que parecia tão perto do alcance, então se distanciava dos passos do atleta. Sonho ou

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Mais do que controlar os impulsos de agressividade, vencer de verdade pode significar sacrifício de si mesmo e de seu sucesso pelo bem de outra pessoa. Quer um exemplo? Siga para a Marina da Glória, em Copacabana, e vamos aprender uma bela lição de cooperação na prova de vela.

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MARINA DA GLÓRIA Vela é uma das modalidades em que o Brasil mais se destacou nas Olimpíadas: nosso país contabiliza 17 medalhas. Fora das raias, um dos mais célebres velejadores no cenário internacional, o brasileiro Amyr Klink, declarou: “Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão”. Esse é um dos segredos para se sair bem tanto no esporte quanto na vida. Com a razão, é possível dominar a força dos ventos internos e externos. Nas Olimpíadas de Seul (1988), o velejador canadense Lawrence Lemieux era o segundo colocado geral quando viu que o barco de dois outros atletas havia capotado e eles estavam se debatendo feridos no mar. Lemieux não hesitou em abandonar sua posição para socorrê-los, mesmo enfrentando o mar bravio para chegar até lá. Alterou sua rota, socorreu os náufragos (um deles que já estava à deriva), e ficou esperando até o barco de auxílio encostar. Concluído o resgate, voltou para a prova, mas só conseguiu o 22o lugar... Havia trocado o sonho olímpico para salvar. Uma escolha da qual nunca se arrependeu. “Poderia ter ganhado o ouro. Porém, nas mesmas circunstâncias, faria de novo o que fiz”, declarou anos depois. Lemieux nunca subiu ao pódio, mas naquela ocasião recebeu algo ainda mais precioso: a gratidão de quem lhe deve a vida e a medalha Pierre de Coubertin, condecoração especial conferida pelo COI pelo fato de ele ter personificado um ideal olímpico: o espírito de cooperação.

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Você está precisando de coragem para se sacrificar e nadar contra a correnteza? Vá para o Estádio da Lagoa, em Copacabana, e aprenda com o remo a encarar esse desafio.

ESTÁDIO DA LAGOA “Abrace os desafios. É neles que você aprende, desenvolve-se e cresce”, é o conselho de Michelle Bridges, famosa personal trainer australiana e autora de nove livros relacionados à saúde e bem-estar. O jardineiro Hamadou Djibo Issaka foi escolhido para representar a Nigéria na prova de remo às vésperas das Olimpíadas de Londres, em 2012. Detalhe: segundo o jornal inglês Daily Mail, quatro meses antes dos Jogos Olímpicos aquele homem sequer havia estado num barco. Porém, diante do pedido, o nigeriano não recuou. Começou treinando num velho barco de pesca, e em três meses cumpriu um cronograma de preparação no Egito, na Tunísia e na Bélgica. Apesar da dedicação, em sua primeira participação olímpica, Hamadou ficou em último lugar em todas as provas. Afinal, era um aprendiz competindo com os mais exímios remadores profissionais. Mas por seu esforço e humilde intrepidez, foi o atleta mais aplaudido pelo público e aclamado pela imprensa. Remar até o fim foi doloroso e exaustivo, mas o sorridente Hamadou se tornou uma inspiração para muitos. E a experiência dele foi tão compensadora, que Hamadou deve competir nas Olimpíadas do Rio neste ano. “Eu remo com a coragem”, declarou sorrindo.

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E para somar determinação à coragem, vamos trocar a lagoa pelo Sambódromo, no Maracanã. Prepare para conhecer um arqueiro que é quase cego.

SAMBÓDROMO Dizem que o problema não é o problema, e sim a atitude com relação a ele. Por exemplo, quer obstáculo mais desafiador para um arqueiro do que não ter boa visão? Pois um dos melhores atletas de arco e flecha do mundo é tecnicamente cego. O jovem sul-coreano Dong Hyun Im consegue competir enxergando com apenas 10% da sua visão. Ainda assim, surpreendentemente quebrou o recorde mundial nas Olimpíadas de Londres (2012). Dong Hyun Im não passou das quartas-de-final, mas marcou os jogos olímpicos por seu espírito resoluto e atitude positiva em meio à limitação que o faz enxergar turvas as linhas do alvo: “Se não pudesse ver nem as cores, aí sim isso seria um problema”. Dong admitiu que é desagradável quando as pessoas se referem a ele como deficiente. E na fraqueza ele revela sua maior força: a determinação, capaz de superar, com habilidade, qualquer deficiência.

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ESTÁDIO OLÍMPICO DE DESPORTOS AQUÁTICOS “Persistência é a capacidade de continuar com os esforços mesmo frente aos mais desanimadores obstáculos”, define o treinador Miguel Ângelo da Luz. E assim se define também a história de Eric Moussambani. “Em meu país não tinha uma piscina, não tinha nada”. Moussambani não sabia nadar nem tinha ouvido falar da Austrália. Mas três meses antes das Olimpíadas de Sydney, seu país pediu voluntários, e ele foi o único a se dispor naquela pequena e árida Guiné Equatorial, incrustada na África subsaariana. Sem técnico, treinou por conta própria. Sua raia: uma piscina de 13 metros de um hotel que só lhe autorizava o acesso das 5 às 6h. Persistiu, e chegou o dia em que rumou com delegações de todo o mundo para o parque olímpico. Mostraram-lhe o local em que disputaria a prova. Foi a primeira vez que Moussambani viu uma piscina de 50 metros. “Senti tanto medo... Era grande demais para mim!”, recordou. Naquele instante percebeu: completar a prova seria muito difícil. Mas Moussambani não desistiu. Checou seu cronograma de treinos: era junto com os atletas dos Estados Unidos. Então, passou a observar os movimentos deles. Arriscou fazer perguntas. “Não sabia nem como mergulhar.” Foi ignorado por uns. Outros perguntaram se ele era mesmo um nadador. Mal sabiam eles que a única instrução que havia recebido na vida eram dicas de alguns pescadores de como mover as pernas e não afundar. Um técnico sul-africano compadeceu-se. “Você vai mesmo competir?” “Sim, vou competir”, respondeu Moussambani. E ouviu em resposta as palavras: “Não vejo em você um nadador”. Ainda assim, o técnico ensinou a Moussambani o que pôde. O curto tempo não foi suficiente: o momento da prova chegou e Moussambani ainda não conseguia coordenar a respiração.

E para acertar com coragem no alvo, siga com persistência para o Estádio Olímpico de Desportos Aquáticos, na Barra da Tijuca, e se inspire na história de Eric Moussambani, o nadador que nunca havia visto uma piscina olímpica até cair na água em Sydney (2000).

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“Estava tão nervoso, que nem conseguia falar. Quando me chamaram, saí do vestiário, vi todas aquelas pessoas e pensei: ‘Meu Deus, vou nadar na frente de toda essa gente?’ Estava com tanto medo de fazer algo que fizesse com que eles rissem de mim”. Hoje, ao olharmos o vídeo da prova, vemos que foi com uma expressão tímida que Moussambani se levantou e começou a tirar a camiseta, exibindo sua singela sunga de praia azulclara ao lado dos maiôs pretos de natação profissional de seus concorrentes. Ainda que assustado por dentro, Moussambani deu o passo em frente e subiu no bloco de partida. Levou um susto quando seus dois únicos rivais foram desclassificados por “queimar” a largada e ele foi então avisado que seria o único a competir. Sentiu-se completamente exposto em sua penúria: “Aquilo me deixou mais nervoso, porque aí soube que todos estariam com os olhos em mim.” Quando o guineense se posicionou sozinho diante daquela vastidão azul da piscina, o brasileiro Rodney Finizola, que era o árbitro da raia 5, onde estava Moussambani, sentiu a tensão do atleta e começou a orar, preocupado. Pediu a Deus que o atleta amador conseguisse completar a prova ou que ao menos não tivesse problemas na piscina. Dentro da água, Moussambani dava tudo de si. “Concentrei toda a minha energia em dizer a mim mesmo para seguir em frente e chegar ao final. Sabia que o mundo inteiro estava me assistindo: minha família e meu país. Por isso dizia a mim mesmo que precisava continuar e concluir, mesmo se estivesse sozinho na piscina. Não estava preocupado com o tempo. Tudo o que queria era completar a prova”. Ao passar da metade, já não sentia as pernas pela exaustão. “As pessoas estavam gritando e dizendo ‘Vai, vai’, e aquilo me deu mais força para terminar. Quando toquei a linha de chegada, só pensei ‘Consegui!’”. O ginásio, por sua vez, explodiu em vibrante alívio, euforia, comoção e respeito. O tempo que Moussambani levou para concluir o percurso foi de 1’52”, o que não abalou o sabor da conquista. “Estava tão feliz por ter conseguido, mesmo que o tempo não fosse bom. O espírito olímpico não é só a competição, é de participação, e de força, e o que você transmite às pessoas”. “Como é inspirador ver os atletas fazerem de tudo para representar bem seu país e defender seus clubes. Não devíamos fazer melhor do que eles, se estamos em uma partida em que o que está em jogo é nossa salvação e a de muitas pessoas?”, reflete o ex-atleta e pastor Jair Miranda. “Milhares de pessoas estarão em agosto nas arquibancadas e bilhões acompanharão pela mídia para torcer pelos atletas e observar a performance deles. De igual modo, o apóstolo Paulo escreveu que a luta da humanidade contra o mal é observada pelo Universo (1Co 4:9).

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Mas, e se você vier a fracassar? O que fazer? Antes de pendurar a chuteira por ter falhado, siga para a Arena Carioca. Lá você encontrará um ex-técnico e um ex-jogador de futebol que vão dar uma mão para você: vão explicar o que é resiliência.

ARENA CARIOCA Estrela do basquete, Michael Jordan no auge da fama afirmou: “Perdi mais de 9 mil lances em minha carreira. Fui derrotado em quase 300 partidas. Em 26 ocasiões foi confiado a mim o lance da vitória e errei. Tenho falhado vez após vez e foi assim que sucedi”. Com mais de 30 anos de carreira e atualmente coordenando um projeto na Escola Adventista de Botafogo, no Rio de Janeiro, o ex-técnico e campeão mundial Miguel Ângelo da Luz sabe que o segredo para a vitória é, sobretudo, aprender a lidar com as derrotas e superá-las: a chamada resiliência “Sempre digo que o basquetebol é um esporte de erros. Através de muito treinamento, atletas de elite como Michael Jordan, Oscar, Hortência, Paula e outros se superaram. Eles treinaram até a exaustão, com muita persistência, concentração e foco no alvo”. O coach esportivo Bill Colle atesta que o primeiro passo para superar o fracasso é assumir os erros, ou seja, ter maturidade para reconhecer a própria responsabilidade em vez de culpar os outros. E então, corrigir o curso. “Em muitas ocasiões a derrota virá, por falta de atenção, treinamento insuficiente, lesão, ou até mesmo um erro. E todo atleta precisa aprender a lidar com ela buscando verificar onde errou e trabalhar em cima da deficiência. Isso não é diferente na vida cristã”, relaciona o ex-atleta profissional e agora pastor Jair Miranda. Segundo ele, levantar-se após cada queda é fundamental tanto no campo esportivo como

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Pronto para retomar a corrida de onde caiu? Então se levante e corra para o forte de Copacabana, porque o fim da prova está perto e você não pode perder o foco. Estamos quase lá!

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FORTE DE COPACABANA “Concentração é uma ferramenta essencial, é o que diferencia o especialista do amador. Foco no alvo é a capacidade de centralizar a força para continuar lutando”, define Miguel Ângelo da Luz. Foi ao custo de muito treino em longo prazo, que Vanderlei desenvolveu concentração e foco. Essas habilidades foram determinantes no momento mais crucial da sua carreira.

“Todos os dias, imaginava um filminho: eu chegando no estádio Panathinaiko em Atenas, lutando por uma medalha.” Segundo Vanderlei, foi esse treino que o impulsionou a terminar a maratona, mesmo sendo desestabilizado pelo maluco irlandês. Moral da história: obstáculos na forma de imprevistos sempre aparecerão, mas o que determinará sua reação é o preparo que construiu ao longo do caminho. “Em momento algum pensei em desistir. Só queria sair daquela situação e nada me tirou a condição de voltar para a prova”. Por isso, Vanderlei levantou, sacudiu a poeira, e continuou a correr em busca de sua meta, concluir sua corrida, chegar onde havia sonhado. Mesmo perdendo o ritmo e tendo sido ultrapassado por dois competidores, Vanderlei reuniu forças para chegar em terceiro. Ele revela que sua concentração era tamanha que quando cruzou a linha de chegada não se lembrava mais do incidente. Pela atitude desse atleta brasileiro, quando Vanderlei entrou no Panathinaiko, o estádio irrompeu num estrondoso aplauso de dezenas de milhares de pessoas que haviam acompanhado toda a confusão pelo telão. Foi o momento mais marcante da vida de Vanderlei. “Quando pisei no Panathinaiko, o estádio inteiro ovacionou, de pé, e me arrepiei por completo. Olhei para o alto e falei, ‘Obrigado, Deus, porque eu consegui!’” Esse é o retrato de nossa trajetória em direção ao Céu. “Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial”, escreveu Paulo em Filipenses 3:13, 14 (NVI). Portanto, siga em frente, faça seu melhor até receber a recompensa das mãos do Criador. “Na corrida rumo ao Céu, o objetivo não é chegar à frente dos outros, mas trilhar o caminho certo. Por isso, a intimidade diária com Jesus, por meio da oração e da Palavra, são tão importantes. Essa vivência cotidiana profunda é a chave para nos manter concentrados no que realmente importa”, reflete Cecília Eller, autora do livro De Olho no Prêmio, obra motivacional inspirada nos Jogos Olímpicos e que tem sido lida no culto nas salas de aula da rede educacional adventista. Além da medalha de bronze, a primeira brasileira em maratona olímpica, Vanderlei foi condecorado com a homenagem Pierre de Coubertin, considerada “a mais nobre honra que pode ser conferida a um atleta olímpico”. No fim daquela corrida, Vanderlei compreendeu que tudo valeu a pena, mesmo os altos e baixos do percurso. “Tudo na vida da gente tem sempre um propósito. E Deus oferece diversas oportunidades para nós. Por meio da sua atitude e exemplo, você pode ser a diferença para muitas pessoas.” JUL-SET

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no campo espiritual. “Precisamos acreditar que o Senhor já nos perdoou pelo sacrifício de Jesus em nosso lugar, e essa atitude de Deus deve nos motivar. Porém será necessário refletir em nossos fracassos para não repetirmos o erro”, ressalta. Miguel concorda em declarar que errar é humano, mas permanecer nele não é inteligente. “Tem uma frase que amo: Errar ontem, aprender hoje e superar amanhã. Ficava pendurada na parede do vestuário das minhas equipes. Aprender com os próprios erros é uma forma de crescer e evoluir espiritualmente”, comenta o ex-técnico da Seleção Brasileira. “É uma valiosa forma de aprendizado. Esse aprendizado tem que ocorrer de maneira honesta e justa. Em cada tombo que levar, você deve estar preparado para se levantar e reerguer”.

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Reportagem

Texto Thiago Basílio Ilustração Thiago Lobo

A política dos sonhos

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Idealizada para dar voz aos interesses de todos, a política-partidária no Brasil anda desacreditada. Mas alguns jovens estão experimentando novas formas de exercer sua cidadania

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É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL olhar o passado do país e não constatar que várias das nossas conquistas sociais existem graças a lutas populares. O engajamento da nação para garantia de demandas cotidianas foi determinante para alcançarmos diversos direitos que hoje fazem parte da nossa jovem democracia. Poderíamos fazer um longo e detalhado panorama histórico sistematizando os principais eventos políticos do Brasil em paralelo com a participação social nessas mudanças. Passaríamos pela abolição da escravatura, independência, proclamação da república, eleições diretas, impedimento de presidente devido à corrupção e tantos outros marcos que só se concretizaram em função do apelo popular. Apesar das nossas mazelas e complexos problemas estruturais e administrativos, somos uma das maiores democracias do planeta, em que as grandes decisões da nação começam por meio do voto popular. Se elegemos bem ou mal, essa já é uma outra discussão. Uma coisa é indiscutível: quem nos representa no poder precisa chegar lá com o aval direto do povo. Apesar dessa importante conquista alcançada e preservada ao longo dos anos, vivemos tempos de descrédito. Os problemas estão evidentes e são persistentes no cotidiano do cidadão. Todos os dias os veículos de comunicação falam, repetem e mostram o caos social, mas, em vez de resoluções para essas questões, a editoria de política se limita a pautar escândalos, abusos e negociações duvidosas. No mínimo é revoltante observar essa situação em contraste ao sofrimento do povo. Normalmente, uma conjuntura como essa pode gerar duas reações indesejadas da população: omissão, dada à descrença de que algo possa realmente mudar, e o extremismo,

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ao se adotar posturas radicais que prometam reverter facilmente esse quadro. Nas últimas duas décadas (1992-2013), predominou no Brasil a primeira postura. E, agora, a segunda dá sinais de que ganha espaço. Isso se deve à “sensação de impotência, devido ao fato de sua voz não ser ouvida”, sugere Elder Hosokawa, mestre em História Social pela USP e coordenador do curso de licenciatura em História do Unasp. Para ele, o comportamento omisso foi consequência da influência conquistada por “uma geração ‘sacrificada’ pelo regime militar por conta da opção de luta armada de alguns e de uns poucos ‘heróis’ sobreviventes de esquerda que ‘colocaram’ suas verdades como absolutas e únicas na política. Diante disso, os jovens dos anos 1980 a 2000 preferiram curtir experiências hedonistas via TV, shoppings, jogos eletrônicos e internet”.

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ESTOPIM Mas o povo sinalizou que se cansou de ver a “banda passar”. Em 2013, dois fatores parecem ter funcionado como estopim para a mudança de postura: os questionamentos sobre a Copa das Confederações da Fifa, com toda a sua estrutura bilionária arquitetada em tão pouco tempo e utilizando dinheiro do contribuinte, e o aumento da tarifa do transporte coletivo nas principais cidades do país, sem que a qualidade desse serviço fosse melhorada. Através das redes sociais digitais, movimentos passaram a dialogar mais fortemente com a sociedade e inúmeros protestos – dos maiores já registrados no Brasil – passaram a ser realizados em todos os estados. Inicialmente articulados para derrubar as tarifas do transporte público, as manifestações ganharam novas pautas, levando milhares às ruas para revindicar a melhora na prestação de serviços essenciais garantidos por lei, mas desrespeitados pelos governos. O movimento, primeiramente articulado na internet, atingiu o jovem, principal usuário da web, que foi impelido a mostrar sua insatisfação, sem vínculo partidário nem organizacional. Essa confluência de fatores talvez tenha sido determinante para a formação, engajamento e elevação do interesse da juventude pelas questões políticas atuais. O SONHO BRASILEIRO DA POLÍTICA Partido, coligação, direita, esquerda, comunismo, liberalismo, república, parlamentarismo, “nós”, “eles”... as simplistas dicotomias apresentadas pela política brasileira são incapazes de abranger os verdadeiros anseios que as últimas gerações buscam sanar. Um detalhado estudo traçou o perfil político do jovem. A pesquisa intitulada “O sonho brasileiro da política” utilizou as manifestações de 2013 como ponto de

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partida na tentativa de esclarecer como está a participação da juventude brasileira na vida pública. Para se chegar aos resultados, foram realizadas pesquisas qualitativas, com 20 grupos de jovens espalhados por sete capitais, e quantitativas, com 1.138 pessoas de 18 a 32 anos, pertencentes às classes A, B e C. Entre as inúmeras constatações, houve uma surpreendente: muitos jovens têm interesse pela política. Na verdade, o que eles rechaçam é o modo pelo qual ela é feita hoje: via partidos que não representam o povo e não dialogam com a juventude. Para se ter ideia, 45% dos participantes do estudo afirmaram que se aproximariam da política se os processos fossem mais transparentes e confiáveis. Outra constatação é que, quando o jovem participa da vida pública, ele costuma fazer isso movido por uma causa, sejam elas de direito à cidade (76%), internet livre (84%), cultura da periferia (74%) ou ainda questões relacionadas ao meio ambiente (88%). Dentro de cada uma dessas áreas, os envolvidos promovem reuniões com intuito de discutir, propor e agir em função de determinadas causas. A FORÇA DA COLETIVIDADE É exatamente essa a proposta do Composta São Paulo. Um projeto ambiental que dá ao cidadão a responsabilidade de tratar os resíduos sólidos produzidos por sua residência, por meio da compostagem, uma forma natural de transformar material orgânico em adubo. No lugar de transferir a responsabilidade pelo destino do lixo apenas para a prefeitura, o morador a toma para si, utilizando materiais e técnicas fornecidos pela organização. A chamada vermecompostagem (compostagem com minhocas) foi implantada na cidade como um projeto-piloto, pois havia diversas dúvidas sobre sua viabilidade no contexto domiciliar e urbano. Mas a prática se revelou muito funcional e promissora. “Além da questão ambiental, um dos grandes atrativos do projeto foram as implicações políticas da iniciativa. A pesquisa mostra que isso foi muito relevante. As pessoas realmente se conectaram não apenas com a compostagem, mas com a oportunidade de fazer parte de uma política pública”, observa Guilherme Turri, coordenador de pesquisa, estratégia, conteúdo e mobilização do Composta São Paulo. É o “fazer parte” que tem movido muita gente a migrar do discurso para a ação. PARTICIPANDO DA VIDA PÚBLICA Outro importante dado fornecido pelo “Sonho brasileiro da política” está relacionado ao interesse dos jovens pela temática: 39% deles afirmam estar alheios à questão, 17% estão à deriva (demonstram

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Fotos: Arquivo pessoal | Cortesia dos entrevistados

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interesse), 28% se posicionam como críticos (têm interesse e, de alguma forma, promovem mobilizações e delas participam), e 16% são agentes (têm interesse em ações práticas, se mobilizam e fazem parte delas). Dos “agentes”, metade está envolvida com ONGs, projetos sociais, sindicatos e igrejas. A outra parte procura formas próprias de atuação, mostrando que o jovem não recorre a partidos, por exemplo, para direcionar sua contribuição políticosocial. Hosokawa atribui esse “fenômeno” a uma série de problemáticas do contexto atual. “Ausência de estadistas, desgaste da política, falta de educação política na escola e professores formados em ambiente universitário majoritariamente de esquerda, que reproduzem um pensamento de confronto com os valores do mundo capitalista e neoliberais”. Esse cenário pode ser responsável por levar 64% dos jovens pesquisados a acreditar que seja possível fazer política “sem ser político”, partindo do pressuposto de uma atuação mais próxima e colaborativa, visando às demandas específicas, com decisões coletivas, descentralizadas e, por vezes, atendendo anseios de certa localidade. Dessa forma, acreditava-se o que a pesquisa cunhou como “células democráticas”, renovando a política e seus processos, além de promover o diálogo entre esses grupos e a política “formal”, possibilitando ao jovem uma aproximação da tomada de decisão, sem perder sua identidade. “Sem dúvida, esses programas que colocam o cidadão como agente ativo são um sinal do futuro no presente. É isso que a política precisa fazer e inevitavelmente fará”, acredita Turri. Para ele, a partir de agora a gestão pública necessita reconhecer e utilizar da lógica de colocar o cidadão não apenas como um beneficiário, mas sim como agente ativo das políticas coletivas. Práticas que podem resgatar o interesse, a representatividade, a confiança e o envolvimento daqueles que simbolizam a construção de um futuro mais justo. Como prova a história, a renovação é fundamental para que o país aumente sua capacidade de ser um retrato mais abrangente, igualitário e honesto do seu povo.

O que mais incomoda você na política atual? A ausência de diálogo e de um profundo questionamento na apresentação das ideias. Isso não ocorre hoje por causa da polarização. Precisamos ser cidadãos mais conscientes e não meros reprodutores de estereótipos do que significa ser de esquerda ou de direita. Eduardo Manoel Lustosa dos Reis, 21, regente A falta de representatividade. A classe política está mais interessada em se fortalecer no poder do que em representar a população. Sinto-me frustrado em não enxergar nenhum partido que me represente. Digo isso pois os partidos não são feitos apenas de ideologia, mas de pessoas que deveriam honrar as bandeiras deles. Rui do Amaral, 23, estudante de Jornalismo A gestão irresponsável e corrupta. Não me sinto representado por nenhum partido. Gosto da posição de “centro”, porque procura equilibrar justiça social e liberdade individual. Se na sala de aula houvesse uma abordagem mais abrangente sobre cidadania, haveria mais interesse pela política. Victor Gregory Henke Rocha, 24, engenheiro civil Compactuo de algumas ideias da esquerda e de outras da direita, porém, não vejo em nossos partidos real interesse em melhorar o país. Nunca me interessei muito pelas questões sociais, apesar de reconhecer a importância da luta pela igualdade. Porém, desde que ingressei na universidade, tenho participado de debates sobre política. Creio que o ambiente do ensino é um dos melhores espaços para esse incentivo. Guilherme Ferreira, 18, estudante de Direito O que mais me incomoda são as manobras irresponsáveis e hipócritas de quase todos os atores do cenário político atual. Sou engajado em projetos sociais e testemunha de que uma abordagem integral, que leve em conta a espiritualidade do indivíduo, transforma vidas. Acredito que o trabalho social, corpo a corpo, seja uma saída para a melhora da nossa sociedade. Vinícius Lopes de Sousa, 22, estudante de História A falta de inteligência dos eleitores de forma geral na hora de votar. Depois ainda querem reclamar, fazer protestos e greves contra um governo que eles mesmos colocaram no poder. Lígia Carla do Nascimento, 24, fisioterapeuta Não ter adquirido antes uma bagagem maior para entender melhor as questões de hoje. Acho que muita coisa está errada, poucas pessoas se salvam nesse meio, mas também acho injusto um político ficar “julgando” o outro, como se ele fosse o único certo na história. Toda essa bagunça que está acontecendo hoje incomoda. Maria Júlia Magalhães e Silva, 19, estudante de Jornalismo JUL-SET

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Básica

Texto Fernando Dias Imagem Fotolia

Deus torce para qual time?

FÉ E ESPORTE Na emoção do lance, o artilheiro recebe a bola do meio de campo, dribla o zagueiro, percebe o goleiro adiantado e chuta a bola mirando o canto superior da trave. É gol! Num gesto espontâneo, ele ergue as mãos ao céu e cai de joelhos, agradecendo a Deus pela jogada, enquanto seu time o abraça. Espere aí! Se o Todo-poderoso interveio na partida, será que faltou fé no time adversário? Essa pergunta pode rolar na cabeça de muita gente que assiste ao jogo, principalmente entre a torcida rival. Afinal, religião e esporte combinam? Quem é cristão procura moldar tudo o que faz de acordo com suas crenças, acredita que Deus intervém no cotidiano e costuma agradecer a Ele pelo bom desempenho em qualquer atividade. Seria diferente no esporte? Praticar esportes é indispensável. Afinal, isso é parte do cuidado com o corpo, o templo do Espírito Santo (1Co 6:19), e requisito básico para se ter saúde (3Jo 2). O treino físico também tem que ver com a espiritualidade, porque colabora para o desenvolvimento da disciplina e determinação (1Co 9:25-27), oxigena a mente e ajuda a blindar a alma contra a tentação. No entanto, a dedicação ao esporte não deve nos levar a negligenciar a fé (1Tm 4:8). Malhar e ficar com um corpo escultural somente para alimentar a vaidade não é a melhor motivação (Ec 6:11). Na hora de competir, cuidado com a rivalidade! A disputa deve ficar na arena. Para prevenir, ore pelo bem dos seus adversários (Mt 5:43-47), e se você se empolga demais, jogos amistosos são mais recomendados do que campeonatos. Aliás, participar de competições exige muito, e ninguém que não tenha um acompanhamento profissional deveria investir seriamente nisso. Use o esporte para relaxar e manter a saúde. Acima de tudo, não perca o espírito esportivo, mantenha a humildade após a vitória e administre as perdas (Fl 2:3; Rm 12:17-19). Na hora de torcer, refresque os ânimos. Lembre-se de que o espírito de briga é destrutivo (Gl 5:20). Um jogo não precisa se tornar uma guerra. Ah, só completando: se você dedica seu corpo para a honra e glória de Deus e cuida da saúde, Ele vai ajudar você a ter bom desempenho nos esportes e na vida. Fontes: Erton C. Köhler, Sem limites (UNeB, 2000); Marcos De Benedicto (org.), Acerte o alvo (CPB, 2010); Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã (CPB, 2007) e Educação (CPB, 2016).

Curiosa 34284 – Conexão 03/2016 ________ Designer ________ Editor ________ Ger. Didáticos ________ C.Qualidade ________ Depto. Arte

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de cima do templo de Jerusalém e depois linchado. Simão, o Zelote, teria sido crucificado, assim como Judas Tadeu, que pode ter sido também cravado de flechas ou lanças. Algumas fontes dizem que Matias, que substituiu Judas Iscariotes, foi crucificado; outros afirmam que foi apedrejado e degolado. Paulo foi decapitado. E João foi o único apóstolo que teve morte natural, mas, antes disso, sobreviveu miraculosamente a um caldeirão de óleo fervente. Para seguir a Cristo, é preciso renunciar à própria vontade (Mt 16:24-27). Ao longo da história, para milhares de pessoas, essa renúncia significou abrir mão da vida (Ap 6:9-11). O que motiva tamanha entrega? O exemplo do Mestre (Jo 13:12-16), o amor a Ele (1Jo 4:19) e a certeza da ressurreição (Jo 11:25).

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Id e ti ju ta p d v

F c A F A

Fontes: John Foxe, O Livro dos Mártires (Mundo Cristão, 2003); Rafael Escandón, Curiosidades e Testes Bíblicos (CPB, 2013) e Thieleman J. van Braght, O Espelho dos Mártires (Publicadora Menonita, 2009).

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COMO OS APÓSTOLOS MORRERAM?

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Texto Eduardo Rueda

Muito já se pesquisou acerca da biografia dos apóstolos, mas pouco se sabe sobre como eles morreram. As informações são escassas, com base em tradições cristãs, o que nos leva a várias versões. Mas o que parece certo é que quase todos eles tiveram um fim semelhante ao de Jesus: o martírio. De acordo com a Bíblia, Tiago, filho de Zebedeu, o primeiro apóstolo martirizado, foi morto à espada por Herodes (At 12:2). Conta-se que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, pois não se considerava digno de ser executado na mesma posição em que seu Mestre havia morrido. André teria sido crucificado em uma cruz em forma de X. Filipe pode ter sido apedrejado ou crucificado. Bartolomeu, também conhecido como Natanael, teria sido chicoteado até a morte; outros afirmam que ele foi esfolado vivo. Fala-se que Tomé teria sido assassinado com lanças, e Mateus, apunhalado. Acredita-se que Tiago, filho de Alfeu, tenha sido empurrado

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Ponto de vista

Texto Fernando Dias Imagem Fotolia

Texto Eduardo Rueda

DO GARIMPO AO OLIMPO Garimpo

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ESQUERDA OU DIREITA? Tem eleitor que não sabe disso, mas ao optar por um candidato nas urnas, vota­-se também num partido. E espera-se que os eleitos sigam a ideologia defendida por suas legendas. Os 35 partidos políticos na ativa no Brasil assumem posturas que vão da direita à extrema esquerda. A direita tende a defender a economia de mercado, a mínima intervenção do Estado, os valores tradicionais da família e da religião, além da propriedade e da iniciativa privada; enquanto a esquerda defende a intervenção do Estado na economia e na promoção da justiça social e inclusão. Diante desse espectro ideológico, os cristãos têm assumido diferentes posturas.

Direita

Para muitos, a direita merece apoio do cristão por defender a vida, a família e a liberdade. O direitismo reconhece que o indivíduo é responsável por suas escolhas e arca com as consequências de suas atitudes. Esses conceitos são bíblicos (Dt 30:19; Gl 6:7). Também a relação entre trabalho e riqueza está presente nas Escrituras (Pv 13:11; 22:29). Geralmente, as igrejas com ênfase moral conservadora, sejam as que adotam a teologia da prosperidade ou as pentecostais, alinham-se com a direita.

Esquerda

Outros já se inclinam para a busca por justiça social, uma bandeira da esquerda. Na Bíblia, Cristo parece preferir os pobres (Lc 6:20) e rejeitar os ricos (Lc 6:24). A cobiça, força motriz do capitalismo, é considerada pecado (Êx 20:17; Tg 1:15). Os que se enriquecem às custas da exploração do trabalho dos outros são duramente condenados na Bíblia (Tg 5:1-6). Aparentemente, uma forma de socialismo voluntário foi praticada pelos primeiros cristãos (At 2:44, 45). Setores das igrejas luterana, metodista, anglicana, batista e católica mais influenciados pela teologia de missão integral e da libertação se simpatizam com a esquerda.

Depende

Ideologias humanas são imperfeitas. A direita pode facilmente sucumbir ao moralismo e dar abertura para que determinadas interpretações cristãs imponham seus valores e tirem a liberdade de outros setores cristãos. Já a esquerda cristã, na sua ânsia por justiça social, se esquece de que a pobreza é uma situação irreversível do ponto de vista humano (Dt 15:11; Jo 12:8). Ambas as posturas releem tendenciosamente a Bíblia. O ponto é que o reino de Deus não é deste mundo (Jo 18:36). Por isso, a Igreja Adventista do Sétimo Dia instrui seus membros a não se orientar por partidos políticos, mas a votar em pessoas honestas, de valores elevados e livres de vícios. Fontes: Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã (CPB, 2015) p. 475-486; Ellen G. White, Obreiros Evangélicos (CPB, 1993) p. 392-396; Eduardo Ayres Soares, no artigo “Esquerda – Centro – Direita” (http://bit.ly/1RJsG7w); Andreia Martins, no artigo “Política: O que é ser esquerda, direita, liberal e conservador?” (http://bit.ly/1XcbErl); Felipe Moura Brasil, no artigo “Esquerda × Direita: entenda de uma vez” (http://abr.ai/1WuYjK6); documento “Os Adventistas e a Política”, disponibilizado pela sede sul-americana da Igreja Adventista (http://bit.ly/1RJuxJp).

A prática da exploração e extração de minérios valiosos e/ou úteis remonta a vários séculos antes de Cristo. Inicialmente, o propósito principal era encontrar matéria­ prima para a confecção de armas e ferramentas, mas, com o tempo, a mineração passou a atender também a interesses financeiros. Essa atividade pode trazer sérios riscos à natureza e à saúde humana. A Serra Pelada, no sudeste do Pará, chegou a ser o maior garimpo a céu aberto do mundo, que ficou conhecido na década de 1980 pela corrida em busca de...

Ouro Do latim aurum, o metal com átomos de 79 prótons e elétrons é um dos materiais mais cobiçados. Ao longo da história, foi motivo de disputas de todos os tipos. Serve não apenas para adornar objetos de luxo e representar valores monetários: sua utilidade é demonstrada também na indústria em geral e no campo da eletrônica (é bom condutor de energia). Sua cor dourada simboliza glória e riqueza, e quem tem cabelos com tonalidade semelhante é chamado de loiro ou...

Louro É também o nome que se dá à folha de uma árvore da família das lauráceas, originária do Mediterrâneo. Amplamente usada como condimento e para extração de óleo essencial, a folha de louro ganhou fama por servir como prêmio aos vencedores de jogos e batalhas na antiguidade. Esse costume pode ter sido inspirado no mito da ninfa Dafne, que teria sido transformada num loureiro para escapar do assédio apaixonado de Apolo, um dos deuses do...

Olimpo Na mitologia grega, era a montanha em que os seres divinos moravam. Em homenagem a essas divindades, mais especificamente a Zeus, foi construída a cidade-santuário de Olímpia. Foi lá que surgiram as Olimpíadas. Nelas, os ganhadores recebiam coroas de louro; hoje, recebem medalhas de ouro. Mas aqueles que vencerem a batalha contra o pecado, receberão prêmio mais valioso que as pedras preciosas do garimpo: a coroa da vida eterna (Ap 2:10). jul-set

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Tudo ligado

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Imagine

Texto Jessica Manfrim Imagens Fotolia e wikipedia

... se não tivesse ocorrido o golpe militar

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31 DE MARÇO DE 1964. CHEGAVA ao fim o governo populista de João Goulart (Jango). Os militares, sob o comando do general Humberto Castelo Branco, chegaram ao poder depois que o Congresso Nacional declarou vago o cargo de presidente. O objetivo inicial dos militares era proteger o Brasil contra um suposto golpe de Jango com o apoio de grupos de esquerda, impedir a entrada do comunismo no Brasil, evitar uma guerra civil, controlar a inflação, contornar uma crise econômica e devolver o país para a democracia. No entanto, as propostas mudaram com o decorrer do tempo: os militares resolveram legitimar seu governo por meio dos chamados Atos Institucionais (AI) e da manutenção virtual do Congresso. O AI-5 retirou direitos civis como o habeas corpus, estabeleceu a censura à mídia e intensificou o emprego da violência contra os “suspeitos”, ou seja, pessoas ligadas aos sindicatos e organizações de esquerda. Mas, e se Jango tivesse terminado seu mandato como presidente e o golpe militar não tivesse ocorrido, como seria o Brasil?

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VIGILÂNCIA NORTEAMERICANA

Os Estados Unidos temiam que revoluções comunistas, como a cubana de 1959, se espalhassem pelo continente. Os norte-americanos preferiam qualquer tipo de governo, mesmo uma ditadura, desde que fosse contra a ameaça vermelha. O plano “Aliança para o Progresso” era uma forma de garantir os interesses ianques na América Latina por meio de ajuda financeira para seus parceiros. Continuaríamos a ser vigiados pela CIA e pelos diplomatas americanos, como fez Lincoln Gordon durante o governo Jango. Seria mais difícil também pedir empréstimos e fechar acordos comerciais com os aliados dos Estados Unidos. Porém, com as eleições presidenciais marcadas para 1965, a suspeita diminuiria, pois Jango não poderia ser reeleito.

CRESCIMENTO MAIS CONSISTENTE

Os militares aproveitaram um momento global favorável para conseguir crédito a fim de financiar grandes obras de infraestrutura, como a rodovia Transamazônica, a ponte RioNiterói, as usinas de Itaipu e Angra, e incentivar a indústria de bens de consumo, como as de automóveis. Esse chamado “milagre econômico”, conseguido às custas de grandes empréstimos estrangeiros com juros flutuantes, resultou no salto da nossa dívida externa de 3,7 bilhões de dólares (1968) para 12,5 bilhões (1973) e bateu 91 bilhões no fim da ditadura. Com a crise do petróleo em 1974, o “milagre” se desfez. A inflação voltou a crescer, e em 1984 chegou a 223,8% ao ano. A visão de crescimento econômico de Jango era mais consistente. Se tivesse dado certo, o Brasil poderia ter crescido menos em curto prazo, mas se desenvolveria mais em longo prazo. No fim de 1962, João Goulart lançou o Plano Trienal, com o objetivo de combater a inflação, realizar reformas sociais e retomar o crescimento. Entre as medidas estavam a reforma agrária com indenização para aumentar a produção agrícola; redução dos gastos públicos; investimento estatal na economia, obtido por cortes de subsídios de importação; aumento de imposto para os mais ricos e negociação da dívida externa. As obras de infraestrutura demorariam mais para sair, mas os juros seriam mais bem negociados. Haveria aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e melhor distribuição de renda.

PLURALIDADE POLÍTICA

Polarizações costumam se acentuar durante graves crises políticas e econômicas. Nesses contextos, dois pontos de vistas marcadamente contrários ganham força como resposta para certa conjuntura. Em circunstâncias assim não há meio-termo. Na década de 1960, por sua vez, o mundo estava polarizado entre comunistas e capitalistas. No Brasil, tudo que o governo propunha era visto como indício de comunismo. Os opositores do governo não viam outra solução para “salvar” o país, exceto a intervenção militar. Com isso, nossa curta história de democracia sofreu uma ruptura. Um dos resquícios de 21 anos de uma ditadura de direita foi o fortalecimento do estereótipo de que apenas a esquerda está preocupada com as desigualdades sociais, enquanto a direita está associada às elites. Com a continuidade da democracia, talvez tivéssemos fortalecido as instituições democráticas, amadurecido o debate político, minimizado as polarizações e diversificado as soluções para as crises.

A democracia é uma construção coletiva e um exercício de longa duração. E crises existem em todos os tipos de governo. Os Estados Unidos, país considerado um modelo de democracia, estão nesse caminho há 240 anos. Já passaram por crises também que obrigaram suas autoridades e cidadãos a estabelecer mecanismos de controle e solução de problemas. No Brasil, existe ainda a ideia de que o país precisa ser tutelado por mãos fortes, por um “salvador da pátria”, já que não temos condições de nos guiar com dignidade. Na ditadura, esse papel foi atribuído às forças armadas, que como instituição sofre dos mesmos problemas que é chamada a combater. Por mais difícil e demorada que possa parecer, a via democrática traz consigo a possibilidade da crítica e da mudança de rumo. No entanto, elas dependem da liberdade de expressão e de consciência. Um bom começo é lembrar do significado mais elementar da palavra política: como definiu a filósofa alemã Hannah Arendt, a arte de administrar uma nação e seu povo e de conviver com os diferentes. Afinal, já dizia o autor de Provérbios, “quando o governo é justo, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça” (Pv 29:4, NTLH). Fontes: História do Brasil, de Boris Fausto (Edusp, 2008); O que é Golpe de Estado, de Mário Ferreira e Roberto Numeriano (Brasiliense, 1998); “Obras de infraestrutura da ditadura militar do Brasil estão entre as maiores do século 20”, de Robson Rodrigues (disponível em http://adv. st/1T1PDKu); “E se os militares não tivessem dado o golpe?”, de Ricardo Mendonça (disponível em http://adv. st/23pJrvb); “E se... o golpe de 1964 não tivesse acontecido?”, de Mariana Iwakura (disponível em http://adv. st/24yfZpa); “Como seria o Brasil se o golpe militar de 64 não tivesse acontecido, entrevista por Marcelo Duarte (disponível em http://adv. st/1TmPcUV).

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POPULISMO NA VEIA

Jango não era comunista, apesar de ter visitado a China, em 1961, ainda como vice-presidente da república. Era simpatizante da esquerda. Sua carreira política esteve ligada ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e às classes trabalhadoras. Aproximou operários, sindicatos, estudantes e o baixo escalão das forças armadas sob a proteção do Estado. Se continuasse no poder, seu governo teria sido populista, mas democrático. Resultado: talvez o populismo estaria ainda mais arraigado à nossa política.

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Ação Mude seu mundo Lição de vida Aprenda

Texto Suellen Timm Foto Fotolia

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Brilho nos olhos

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É o que um projeto social tem devolvido para alunas de um colégio estadual do interior de São Paulo

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“O PROJETO FOI maravilhoso para mim. Havia pensado várias vezes em tirar a vida, mas esses encontros devolveram minha vontade de viver. Percebi que posso ajudar o próximo e incentivar outras pessoas a mudar também”. Esse feedback positivo dado por uma garota de 16 anos foi a resposta que as voluntárias do projeto “Garotas brilhantes” desejavam ouvir. O que as organizadoras da iniciativa gostariam de saber é se as adolescentes atendidas pelo programa estão mudando a perspectiva sobre a vida. A.G., a adolescente que escreveu o bilhete acima, tem muitos motivos para não acreditar num futuro melhor. Sob a tutela de pais usuários de drogas e irresponsáveis, durante a infância, ela foi privada de cuidados básicos, como a alimentação. Por isso, quanto mais as voluntárias do projeto se aproximavam da menina, mais viam nos olhos castanhos escuros um clamor por ajuda. Algumas vezes, as duras circunstâncias em que vivia, fizeram com que A.G. precisasse ser amparada pelo conselho tutelar. Porém, a saudade dos familiares fazia com que a menor sempre voltasse para casa. Um dos sonhos da garota era simples: ter um vestido com o fundo em azul escuro, já que a única peça desse tipo que ela possuía foi vendida pela mãe para comprar drogas. Foi em uma das reuniões que a menina ouviu de Cristo e de como Ele se importa com cada um dos seus filhos e que cada pessoa pode fazer a diferença na vida do outro. Enxergar isso pela primeira vez, fez com que A.G. desconsiderasse a ideia do suicídio.

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estava inconformada com o triste quadro de baixa autoestima e elevado número de gravidez precoce entre as estudantes. Certo dia, ao compartilhar sua preocupação numa igreja adventista, conheceu Neusa Ferraz, coordenadora da ADRA que decidiu apoiar o sonho da professora. O projeto consiste de encontros semanais que ocorrem na escola, além de passeios e festividades em datas comemorativas. As meninas se reúnem para realizar atividades manuais, participar de aulas de culinária e artesanato e acompanhar dinâmicas em grupo e palestras sobre violência doméstica, autoestima, sexualidade e direitos da mulher. Vinte profissionais se revezam como voluntários no projeto. No começo, o desafio foi grande. As estudantes estavam acostumadas a assistir palestras sobre drogas e sexualidade, mas precisavam ser surpreendidas por uma nova abordagem. Logo viram que o projeto era diferente. Da inquietação passaram ao interesse pelos encontros e ao lamento quando as reuniões não ocorriam em função de um feriado, por exemplo. “Em virtude da propaganda que as garotas fizeram na escola, os meninos passaram a perguntar quando iria começar o projeto para eles”, comemora a professora Edna Augusto. “Agora, depois de três anos de projeto, as meninas ficam atentas, participam e até mesmo fazem perguntas”, compara a advogada Ellen Pereira, uma das voluntárias. NÚMEROS MAIS POSITIVOS O projeto foi destaque na TV Câmara da cidade com 432 mil habitantes e chamou a atenção das autoridades. Neusa Ferraz,

coordenadora da iniciativa, recebeu o título de “Mulher pela Paz” de São José do Rio Preto. E a estudante Gabriela Castrequine, participante do projeto, foi homenageada em março, numa cerimônia na câmara municipal, como uma das 25 mulheres que fazem a diferença na cidade. Gabriela, de 16 anos, diz que percebeu a mudança que o projeto tem gerado nela e em suas colegas. Determinada, estuda inglês sozinha desde pequena e já leciona o idioma em cursinhos. “Fiquei feliz com a homenagem. Acredito que a realidade da nossa escola mudou depois do projeto. As meninas estão mais estudiosas e disciplinadas”, destaca. Segundo a vereadora Celi Regina da Cruz, a iniciativa é importante para resgatar nas mulheres a autoconfiança. “É muito interessante ver mulheres ajudando outras mulheres”, elogia. As líderes do projeto “Garotas brilhantes” comemoram os resultados do esforço. Segundo elas, as 150 meninas que frequentaram os encontros ao longo dos últimos três anos fortaleceram a autoestima, melhoraram o rendimento acadêmico e mudaram alguns comportamentos inadequados e prejudiciais. Os índices de evasão escolar e gravidez na adolescência também caíram por influência do projeto. “Seria muito bom que outros tivessem a oportunidade que tive. Sinto que sou outra pessoa, mais confiante, alegre e até mesmo mais feminina. Hoje, sei que posso fazer a diferença e é isso que tento fazer diariamente”, resume A.G. Para saber + adra.org.br

ALÉM DA AULA Assim como A.G., outras quase 80 meninas que estudam na escola estadual Oscar de Barros Serra Doria, no bairro mais populoso e carente da cidade, são atendidas anualmente pelo projeto. A iniciativa surgiu a partir da inquietação de Edna Augusto. Prestes a se aposentar, a professora de Língua Portuguesa queria fazer algo mais por suas alunas. Ela

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Foto:Thiago Santos

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AJUDA NA HORA CERTA Aos poucos, as voluntárias perceberam que precisavam fazer algo por ela. A coordenadora da ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) para o oeste paulista, Neusa Ferraz, na primeira oportunidade que teve convidou a menina para uma homenagem que recebeu na câmara municipal de São José do Rio Preto, em dezembro passado. Na confraternização, após a homenagem do governo ao projeto “Garotas brilhantes”, as voluntárias perceberam que a menina estava com muita fome. Comia compulsivamente e com tanto gosto como se fosse a última refeição que teria. Foi então que descobriram que A.G. passava dias e dias se alimentando apenas de macarrão instantâneo, já que na sua casa faltava alimento e quem o preparasse. Neusa se aproximou da menina e entregou um papel com seu telefone. “Se precisar de alguma coisa, me ligue”, disse a coordenadora da ONG. No dia seguinte, às 10 horas da manhã, a garota ligou pedindo uma cesta básica. Visitada em seguida, A.G. ganhou o que pediu e mais alguns presentes de Natal. Dali em diante, o vínculo com as voluntárias foi se estreitando. Hoje, A.G. trabalha três tardes por semana como menor aprendiz para a ADRA e uma vez por semana acompanha cursos oferecidos num centro comunitário da ONG no bairro Parque da Cidadania, também em Rio Preto. Com o pequeno salário que recebe, a menina tem uma renda para se manter. “Não me sentia muito bem comigo mesma, mas o projeto ajudou a melhorar minha autoestima. Todas as voluntárias são muito legais e se interessam verdadeiramente pela gente. Isso faz toda diferença”, garante.

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Lição de vida

Texto Fernando Dias Ilustração Kaleb de Carvalho

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A tocha do serviço

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Ela não esperava, mas foi escolhida para conduzir o símbolo das Olimpíadas porque mobiliza jovens para servir

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EM 1o DE JANEIRO DE 1863 NASCEU em Paris, capital da França, um homem que deixou sua marca na História. Pierre de Frédy foi pedagogo e fez pesquisas para melhorar o sistema de educação da época. Mas o que lhe deu notoriedade foi haver idealizado, em 1894, os Jogos Olímpicos modernos, competição que desde 1896 atrai atletas do mundo todo. Pierre de Coubertin, ou barão de Coubertin, como ficou conhecido, dedicou todo o restante da vida a promover e organizar o evento esportivo internacional. Em 2016, pela primeira vez, um país sul-americano, o Brasil, vai sediar a competição. O coração de Pierre de Coubertin está enterrado sob um monumento em Olímpia, na Grécia. Na Antiguidade, o sítio arqueológico foi a sede das Olimpíadas que inspiraram o barão a planejar a grande celebração do esporte internacional. Foi entre as ruínas do estádio de Olímpia que, ao meio-dia de 21 de abril de 2016, numa cerimônia cheia de significado, a luz do sol acendeu a chama, que, passada de tocha em tocha, mantém-se acesa continuamente enquanto é conduzida em revezamento pela Grécia, Suíça e mais de 300 cidades do Brasil até acender a pira olímpica no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em 5 de agosto. Em 1862, poucos meses antes do nascimento do idealizador dos Jogos Olímpicos modernos, nasceu em Hazelton, Michigan (EUA), alguém que também deixou um legado muito importante para a humanidade. Harry Fenner pode não constar como verbete de uma enciclopédia, mas o movimento por ele fundado influencia 28 |

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milhões de pessoas. Em 1879, com apenas 17 anos, ele idealizou, com seu colega de 14, Luther Warren, uma agremiação que hoje é conhecida como Ministério Jovem. Departamento da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o Ministério Jovem (que se desdobra em várias agremiações como os clubes de desbravadores, aventureiros e embaixadores) incentiva adolescentes e jovens a desenvolver suas habilidades para, por meio do serviço, anunciar a salvação em Cristo. Aliás, “salvação e serviço” é o lema do ministério nos 216 países em que está em atividade. O número é maior do que o de 206 nações representadas no Comitê Olímpico Internacional, organização fundada por Coubertin. Enquanto a chama olímpica é conduzida de mão em mão representando o “espírito olímpico”, a chama da salvação em Cristo é conduzida sem se apagar por quem dedica a vida a servir. Esse é o caso de Ana Paula Cieba Franco.

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MISSÃO INCOMUM Ana Cieba, como é conhecida, teria uma rotina comum, não fosse o fato de ter na vida uma missão incomum. Monitora no Colégio Adventista de Indaiatuba, no interior paulista, Ana, 42 anos, é casada com Marcelo Renato Barnabé Franco e tem duas filhas, Aline Fernanda (22) e Emanuela (9). Sua vida poderia se resumir ao trabalho no colégio, ao marido e às filhas. Mas não. Ana é condutora de uma tocha. A grande obra de sua vida é iluminar pessoas ao seu redor com a chama que arde em seu coração pela

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Você foi indicada para conduzir a tocha olímpica Rio 2016, que vai passar pelos quatro cantos do país no próximo ano.” No entanto, percebeu que a notificação era séria. Ana havia sido selecionada pela empresa patrocinadora! Só faltava a aprovação do comitê olímpico. Os dias foram se passando, mas ainda parecia pequena a possibilidade de ela conduzir o símbolo das Olimpíadas. Houve mais alguns contatos, mas nada oficial. Os meses se passaram e Ana ainda não tinha certeza de estar entre os selecionados. Até que, em 15 de março de 2016, ela recebeu a convocação oficial: estaria entre os 12 mil condutores da tocha, e entre os quatro que portariam o símbolo na sua cidade. Em todo o tempo, Ana se dedica a promover o serviço solidário entre os jovens. Durante a semana, ela se empenha para isso na escola em que trabalha. Nos fins de semana, Ana dá sua contribuição ao Espaço Novo Tempo, ponto de ensino da Bíblia para pessoas receptivas a conhecer mais sobre Deus. Lá, ela organiza semanalmente o programa Conexão, uma iniciativa em que os valores bíblicos são apresentados de maneira criativa para os jovens. Também os clubes de desbravadores e aventureiros têm recebido sua atenção. Ela sabe quanto essas entidades são eficientes em engajar pessoas no serviço a Deus e ao próximo. Em janeiro, Ana liderou uma equipe da Missão Calebe, projeto que desafia estudantes a dedicar as férias ao voluntariado numa região longe da própria casa. SÍMBOLO DE UM IDEAL Depois de ter sido escolhida, Ana foi procurada por jornais e emissoras de televisão. Ela conduziria um símbolo internacional! Por que foi selecionada? O que representaria? A resposta de Ana era certeira: foi escolhida por seu ideal de vida expresso no lema “salvação e serviço” e representaria a colégio adventista em que trabalha, o Ministério Jovem, sua igreja e seus valores. Em 26 de abril, por proposta do vereador Massao Kanesaki, ela e outros condutores da tocha olímpica de Indaiatuba foram homenageados na câmara de vereadores local. A tocha olímpica passa por Indaiatuba em 21 de julho de 2016. Pela manhã, Ana Cieba conduz o símbolo e, à noite, participa da abertura de uma campal que reunirá cerca de 5 mil jovens de todo o Estado de São Paulo, no Unasp, campus Engenheiro Coelho. Ana é uma das promotoras do evento na sua região. Certamente, esse dia não será esquecido por ela. Ana entende o que a chama olímpica representa. Mas, para ela, conduzir a tocha que a contém só é significativo pela possibilidade de lançar luz sobre outra chama muito mais brilhante: a da salvação em Cristo, da qual ela deseja sempre ser uma tocha viva para iluminar cada vez mais pessoas por meio do serviço.

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salvação em Cristo. Ana se dedica a mobilizar jovens em atividades solidárias e missionárias. Ela é coordenadora do Ministério Jovem para cinco cidades do interior paulista. O que ela não esperava era que, para que mais pessoas pudessem prestar atenção na luz da chama acesa na cruz e com destino ao Céu, ela teria de conduzir a tocha com a chama vinda das ruínas de Olímpia, com destino ao estádio do Maracanã. Tudo começou com uma sugestão do marido de Ana. Ao saber que a tocha olímpica percorreria todo o Brasil e passaria por Indaiatuba, Marcelo Renato sugeriu: “Querida, por que você não se candidata para participar do revezamento da tocha olímpica?” A princípio, a ideia pareceu absurda. Ela pensou que isso fosse privilégio para atletas. De fato, ao verificar pela internet, dois dos patrocinadores do revezamento admitiam somente a inscrição ou a indicação de gente ligada ao esporte. Mas um terceiro patrocinador permitia que qualquer um se inscrevesse, desde que escrevesse um pequeno texto justificando por que o candidato valia ouro. Para Ana, a chance de estrelar como condutora da tocha olímpica se esgotou ali. Mas Marcelo insistiu com carinho: “Claro que você vale ouro. Você é a marca do Ministério Jovem, e isso é ouro!” Era o que Ana precisava para escrever o argumento que justificaria sua seleção. Inspirada no lema do ministério que participa, ela condensou toda a sua dedicação ao trabalho pela juventude na frase: “Estamos no mundo para salvar e servir”. Ana promovia atividades em vários clubes de aventureiros e desbravadores na região em que mora. As agremiações, destinadas a crianças de 6 a 9 anos e adolescentes de 10 a 15 anos, respectivamente, são extensões bem ativas do Ministério Jovem. Certo sábado, no fim de 2015, ao voltar de uma atividade com os desbravadores e trajada com o uniforme do clube, Ana recebeu um telefonema. Primeiro, imaginou que fosse um trote. A voz na ligação lhe disse: “Parabéns! Você vale ouro!

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Para saber +

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Aprenda

Texto Bianca Oliveira Ilustração Fotolia

Como ser mais produtivo QUEM JÁ NÃO se sentiu frustrado por não conseguir fazer tudo que gostaria ou por chegar ao fim do dia e constatar que produziu bem pouco? O significado de produtividade vai muito além do que se imagina. Enquanto ocupar-se tem que ver com simplesmente gastar energia, com “nadar e nadar e morrer na praia”, ser produtivo é priorizar as coisas que importam para você e que o levam para mais perto de seus objetivos. Essa mudança de atitude lança por terra a antiga desculpa da falta de tempo. Desde o começo do ano mudei alguns hábitos para ser mais produtiva. As lições que aprendi em cursos, leituras e na prática tenho compartilhado no blog (produtivizando.com.br) e compartilho algumas aqui com você.

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ACORDE MAIS CEDO

Meu dia começa às 5h30. Posso acordar mais tarde, uma vez que trabalho das 11h as 21h. Porém, decidi aproveitar melhor minhas manhãs. Assim, “ganho” algumas horas para encaixar na agenda atividades que antes não cabiam na minha rotina. Sugestão: analise em qual período do dia você pode ganhar tempo.

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LEIA MAIS

Com manhãs mais produtivas, pude me dedicar à leitura e ao estudo. Em três meses já conclui 18 livros. Das obras de que mais gosto faço um resumo para fixar melhor o conteúdo. Audiolivros, e-books e aplicativos como Ubook e Audible me ajudaram a otimizar o tempo. Dessa maneira, posso “ler” enquanto dirijo ou faço exercícios.

MEXA-SE

Passei a correr em treinos regulares. Até o momento em que escrevi este texto, já tinha percorrido 140 km em 40 dias. Um salto para quem não corria absolutamente nada! A persistência de praticar uma atividade física me ensinou muito sobre disciplina e domínio próprio.

PRIORIZE SEUS RELACIONAMENTOS

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Sou casada e amo meu marido. Nós nos damos muito bem e sempre valorizamos a qualidade de tempo juntos nos fins de semana. O que mudamos agora foi estabelecer um compromisso: a noite do casal. Num dia, no meio da semana, a gente se desliga das redes sociais e concentra atenção exclusiva um no outro. Isso serve para quem é solteiro também. Dedique tempo de qualidade para seus pais, amigos e namorado(a).

MANTENHA DIARIAMENTE O FOCO

Tenho uma folha de produtividade diária. Nela escrevo a atividade que exigirá minha concentração total e, na sequência, mais cinco prioridades para aquele dia. Logo abaixo escrevo ainda três coisas que podem atrapalhar meus objetivos. Isso me ajuda a concentrar energia no que é importante e a não perder tempo com o que é secundário. Dessa maneira, evito a procrastinação e a frustração.

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CUIDE COM O CELULAR

Redes sociais são o cemitério do seu tempo. WhatsApp, Facebook e Instagram consumiam de duas a três horas do meu dia. Hoje, tenho horários específicos para verificar meus perfis e não sofro mais de ansiedade ao ouvir o som das notificações.

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Fontes: Charles Duhigg, O Poder do Hábito: Por Que Fazemos o Que Fazemos na Vida e Nos Negócios? (Objetiva: 2012); Christian Barbosa, 60 Estratégias Práticas Para Ganhar Mais Tempo (Sextante: 2013); Raiam Santos, Hackeando Tudo: 90 Hábitos Para Mudar o Rumo de Uma Geração (Amazon, 2015); e Robert Pozen, Alta Produtividade (Elsevier: 2013).

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FAAMA – Benevides, PA

FADBA – Cachoeira, BA FADMINAS – Lavras, MG

UNASP – Engenheiro Coelho, SP

UNASP – Hortolândia, SP

UNASP – São Paulo, SP

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IAP – Ivatuba, PR

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Saiba mais sobre as faculdades adventistas no Brasil em:

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educacaoadventista.com.br

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Um manual que vai ajudar você a ampliar seu potencial como estudante!

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Conexão 2.0 - A vitória dos que perderam  

Conheça histórias olímpicas que valem ouro

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