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ARTHUR MENDONÇA FORMIGHIERI

LEVANTAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO E AMBIENTAL DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO IGARAPÉ SANTA ROSA PARA IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE RECUPERAÇÃO DE MATA CILIAR

RIO BRANCO 2013


ARTHUR MENDONÇA FORMIGHIERI

LEVANTAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO E AMBIENTAL DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO IGARAPÉ SANTA ROSA PARA IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE RECUPERAÇÃO DE MATA CILIAR Monografia apresentada ao Curso de Engenharia Florestal, Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, Universidade Federal do Acre, como parte das exigências para a obtenção do título de Engenheiro Florestal. Orientador: Me. Hudson Veras Co-orientador: Dr. Ecio Rodrigues

RIO BRANCO 2013


À minha família: Saul, Edna e Thaísa Pela função de alicerce que os mesmos exercem na minha vida. Dedico


AGRADECIMENTOS

A Deus, por me proporcionar a saúde, a sabedoria e a dedicação necessária para que fosse possível a elaboração desta pesquisa. Aos meus pais, Edna Teixeira de Mendonça Formighieri e Saul Túlio Formighieri, pelo eterno apoio, respeito e compreensão. A minha namorada Thaísa de Oliveira Costa pelo grande apoio e imensurável incentivo. Ao meu orientador, Me. Hudson Veras pela amizade, compreensão, paciência, conhecimentos e oportunidades concedidas. Ao meu co-orientador Dr. Ecio Rodrigues, por sua excelente orientação e pela grande motivação passada durante todo esse período. Aos meus grandes amigos Antônio Siqueira e Silva Neto, Isaura, Jaércio e Nelson Leite Lunier Júnior pela amizade construída ao longo do curso, pela lealdade e companheirismo, com a dedicação de sempre ajudarmos um ao outro. Aos meus colegas de curso de Engenharia Florestal por compartilharem o conhecimento durante toda essa trajetória. A todos os professores do Curso de Engenharia Florestal da UFAC. Enfim, a todos aqueles, que mesmo não citados, contribuíram de forma positiva durante esta etapa de minha vida.


“Troque suas folhas, mas não perca suas raízes... “Mude suas opiniões, mas não perca seus princípios.” (Autor Desconhecido)


RESUMO

Localizada no sudeste do Estado do Acre, o Município de Xapuri tem importância relevante para o entendimento da história do Estado Acreano e também no estudo da rede hidrográfica que compõem o mesmo. Como aumento preocupante na supressão da mata ciliar, a Administração Pública está cada vez mais atenta à necessidade de preservação dos recursos naturais. Nesse contexto, a fim de garantir qualidade de vida das populações atuais e futuras, elaborou-se um levantamento sócio-econômico ambiental na área de influência do Igarapé Santa Rosa, cujo percurso, da nascente até a foz, se limita ao município de Xapuri. Esse levantamento leva em consideração as características atuais do processo de ocupação e tem a finalidade de fornecer subsídios á elaboração de projetos de recuperação florestal, para a implantação e manutenção em 15 hectares de mata ciliar, do Igarapé Santa Rosa. O estudo envolveu trabalho de campo em toda a extensão do corpo d’água, determinação do curso assumido pelo manancial e também para localização das residências foram utilizadas imagens do Google Earth e imagens do satélite LANDSAT 5. Durante as observações de campo, foram tomadas fotografias digitais das residências dos moradores, assim como de alguns trechos críticos do igarapé e alguns impactos visíveis resultantes da ocupação antrópica. A primeira etapa compreendeu a realização de entrevista direta, com todos os moradores residentes na mata ciliar do igarapé Santa Rosa, para orientar a entrevista foi utilizado um formulário. Os dados coletados nos formulários foram transformados em planilha do EXCEL a qual se confeccionou um gráfico do tipo pizza Interpretação e análise dos dados. Finalmente, a partir das informações geradas no levantamento socioeconômico e ambiental do Igarapé Santa Rosa foi considerado crucial a definição dos trechos críticos no manancial e elaboração de projetos de recuperação florestal imediato para cada um dos trechos críticos selecionados, além da manutenção nos três primeiros anos. Palavras-chaves: hídricos.

Mata

Ciliar,

Levantamento

sócio-econômico,

recursos


ABSTRACT

Located in the southeast of Acre, the Municipality of Xapuri has importance for understanding the history of the State Acriano and also in the study of the hydrographic network comprising the same. With the alarming increase in removal of riparian vegetation, public administration is increasingly aware of the need to preserve natural resources. In this context, in order to ensure quality of life for current and future populations, elaborated a socio-economic survey in the area of environmental influence Stream Santa Rosa, whose path from the source to the mouth, is limited to the city of Xapuri. This survey takes into account the characteristics of the current occupation process and aims to provide subsidies will draw up forest restoration projects for the implementation and maintenance of 30 acres of riparian forest, Stream Santa Rosa. The study involved fieldwork across the length of the water body, determining the course taken by the wealth and also for location of residences, images from Google Earth and satellite images LANDSAT 5. During field observations, digital photos were taken of residents ' homes, as well as some critical stretches of the creek and some visible impacts resulting from human occupation. The first stage of conducting direct interviews with all residents living in the riparian zone of the Santa Rosa creek, to guide the interview was used a form. With data collected on the forms were transformed into EXCEL spreadsheet which is concocted one pie chart interpretation and analysis of data. Finally, from the information generated in the socioeconomic survey and environmental Stream Santa Rosa was considered crucial to the definition of critical sections in the source and preparation of forest restoration projects immediately for each of the selected critical sections, in addition to maintaining the first three years.

Keywords: Riparian Forest, Survey socio-economic resources.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Mapa de Localização do Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre. ........... 23 Figura 2 - Georeferenciamento do curso do igarapé Santa Rosa da nascente à foz pelo sistema Google Earth, 2012 ............................................................... 27 Figura 3 - Crachá usado pelo entrevistador no levantamento socioeconômico do igarapé Santa Rosa, Xapuri, Cheia de 2012 ............................................... 33 Figura 4 - Tipo de localidade das pessoas residentes no Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012. ...................................................................................... 39 Figura 5 - O que acham do lugar em que residem. Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012. .................................................................................................. 40 Figura 6 - Mudariam para outro local. Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012 ................................................................................................................. 42 Figura 7 - Qual o tipo de imóvel. Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012 . 43 Figura 8 - Como o imóvel foi adquirido ............................................................. 44 Figura 9 - Há quanto tempo residem no local................................................... 45 Figura 10 - Quantas pessoas residem no imóvel ............................................. 46 Figura 11 - De onde vieram .............................................................................. 47 Figura 12 - Qual a fonte de renda .................................................................... 48 Figura 13 - Qual a renda mensal ...................................................................... 48 Figura 14 - Se recebem algum auxílio do governo ........................................... 49 Figura 15 - Qual o tipo de benefício que recebem do governo ........................ 50 Figura 16 - Qual o tipo de iluminação nas residencias ..................................... 50 Figura 17 - Qual o tipo de construção .............................................................. 51 Figura 18 - Qual o tipo de cobertura do imóvel ................................................ 52 Figura 19 - Como é o acesso a propriedade .................................................... 53 Figura 20 - Qual o estado de conservação da via de acesso a propriedade .... 53 Figura 21 - Qual o meio de transporte mais utilizado ....................................... 54 Figura 22 - Quais seus meios de comunicação................................................ 55 Figura 23 - O que planta .................................................................................. 56 Figura 24 - Qual o tipo de produção ................................................................. 56 Figura 25 - Se realizam queima ...................................................................... 57 Figura 26 - Qual o destino da produção ........................................................... 58


Figura 27 - Se realiza alguma atividade extrativista ......................................... 58 Figura 28 - Qual o destino da sua produção extrativista .................................. 59 Figura 29 - Se cria animais............................................................................... 59 Figura 30 - Quais animais criam....................................................................... 60 Figura 31 - Qual o destino da criação .............................................................. 60 Figura 32 - Como é feito o abastecimento de água.......................................... 61 Figura 33 - Qual o destino do esgoto ............................................................... 62 Figura 34 - Qual o destino do lixo..................................................................... 63 Figura 35 - Quais as fontes de água existentes na propriedade ...................... 63 Figura 36 - Se existe fonte de água próximo ao imóvel ................................... 64 Figura 37 - Se utiliza água do igarapé.............................................................. 64 Figura 38 - Se existe problema de escassez de água...................................... 65 Figura 39 - Se existe problema de alagação .................................................... 65 Figura 40 - Se há problemas ambientais na comunidade ................................ 66 Figura 41 - Se existe erosão ou solo exposto na área ..................................... 67 Figura 42 - Se existe área de vegetação na propriedade ................................. 68 Figura 43 - Se acha importante a presença da mata ciliar ............................... 68 Figura 44 - Se concorda com o reflorestamento da mata ciliar ........................ 69 Figura 45 - Se colaborariam com a recuperação da mata ciliar ....................... 70 Figura 46 - De que forma poderiam colaborar.................................................. 70 Figura 47 - Se aceitariam participar de uma associação.................................. 71 Figura 48 - Que tipo de incentivo governamental deveria ser oferecido aos residentes ......................................................................................................... 72

LISTA DE ABREVIATURAS

Conama

– Conselho Nacional do Meio Ambiente

Embrapa

– Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

UFAC

– Universidade Federal do Acre

UNESP

– Universidade Estadual Paulista Julho de Mesquita Filho


LISTA DE SIGLAS

APP

– Área de Preservação Permanente

ETEP

– Espaço Territorial Especialmente Protegido

IBGE

– Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INSS

– Instituto Nacional de Seguro Social


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 11 2 OBJETIVOS .................................................................................................. 14 2.1 OBJETIVO GERAL ................................................................................. 14 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................... 14 3 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................ 15 3.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO ........................... 15 3.2 LEVANTAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO E AMBIENTAL ...................... 16 3.3 MATA CILIAR.......................................................................................... 17 3.4 ÁREAS PERTUBADAS OU DEGRADADAS .......................................... 18 3.5 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS – RAD ............................ 18 3.5.1 Métodos de recuperação de áreas degradadas ............................... 20 3.5.1.1 Regeneração natural......................................................................... 20 3.5.1.2Plantio direto ...................................................................................... 21 3.5.1.3 Implantação de espécies arbóreas ................................................... 21 4 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................. 22 4.1 DESCRIÇÃO DA ÁREA .......................................................................... 22 4.2 MATERIAL E EQUIPAMENTO USADO NO TRABALHO DE CAMPO ... 23 4.3 DESCRIÇÃO DO MÉTODO .................................................................... 24 4.3.1 Georreferenciamento do Igarapé Santa Rosa .................................. 25 4.3.2 Formulário para entrevista dos moradores ....................................... 28 4.3.2.1 Teste dos formulários ........................................................................ 30 4.3.3 Censo e amostragem da população ................................................. 31 4.3.3.1 Intensidade amostral nos trechos ..................................................... 32 4.3.4 Diário de campo para realização das entrevistas................................. 32 4.3.5 Processamento dos dados obtidos por meio das entrevistas .............. 35 5 RESULTADOS .............................................................................................. 38 5.1 PERFIL SOCIAL E ECONÔMICO DA POPULAÇÃO RESIDENTE NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO IGARAPÉ SANTA ROSA ................................. 38 6 CONCLUSÃO ............................................................................................... 73 7 RECOMENDAÇÕES ..................................................................................... 75 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 77 ANEXOS .......................................................................................................... 84


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1 INTRODUÇÃO

A proteção do meio ambiente é assunto em constante discussão no momento. Os recursos hídricos têm sido gradativamente reconhecidos como recursos escassos em escala mundial (PEREIRA 2009). É fato que o desmatamento e a urbanização desordenada têm degradado severamente os cursos d’água, principalmente a partir das alterações das matas ciliares, ocasionando consequências que interferem diretamente sobre o volume e qualidade da água disponível no Brasil. Merecendo destaque a destruição da vegetação existente nas margens e entorno das nascentes e dos cursos de água promovida por razões e objetivos diversos. Entende-se por vegetação ciliar ou ripária, aquela que margeia as nascentes e os cursos de água. Além destas, Martins (2007) cita entre as denominações comumente usadas em diferentes regiões do Brasil, floresta ripária, florestas ribeirinhas, matas de galeria, floresta ripícola, e floresta beiradeira. Definindo mais tecnicamente esta vegetação, o autor denomina como mata ciliar aquela vegetação remanescente nas margens dos cursos de água em uma região originalmente ocupada por mata e, como mata de galeria aquela vegetação mesofílica que margeia os cursos de água onde a vegetação natural original não era mata contínua. De acordo com o novo código florestal LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012 Art. 3º entende-se por Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. Com o uso e ocupação do solo em áreas próximas aos igarapés, a extração mineral, a exploração florestal, o acelerado crescimento da zona urbana, a falta de saneamento básico e a destinação final dos resíduos, estes são os principais fatores degradativos e geradores de ambientes insalubres e com baixa qualidade de vida, que acarretam uma série de consequências ao meio natural como a supressão e degradação das áreas verdes e de


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preservação permanente, além de ocasionarem a escassez de água, que resulta em crises de abastecimentos das áreas urbanas. É incontestável a importância desses fatores e suas devidas consequências, que se configura, diante do comportamento recente na bacia hidrográfica do Acre. Pensando nisso o governo estadual, em prioridade de política pública, busca investir na recuperação florestal da mata ciliar dos afluentes do Rio Acre, resgatando assim o equilíbrio hidrológico do rio e minimizando as constantes deturbações de secas e alagações anuais (RODRIGUES et al. 2013). O levantamento socioeconômico é uma importante ferramenta de análise para a elaboração de planos e projetos em diversas áreas. Consiste na captação de dados relativos à dinâmica social, envolvendo os laços de relacionamentos entre os integrantes da área de estudo. A principal função de um diagnóstico é identificar os pontos de conflitos e as potencialidades na área em estudo. Essas informações servirão de base para a formulação de ações correspondentes e adequadas a cada local e situação. Estes dados de origem empírica ou científica demonstram a importância da adoção de medidas urgentes que visem à contenção do processo de degradação, a recuperação das áreas degradadas e a preservação das áreas ainda não degradadas com o objetivo de preservar as fontes naturais de água e a biodiversidade. Segundo Santos et al. (2008), muitas propriedades estão localizadas em áreas de solos pobres e com alto risco de degradação, e os proprietários não tem condições financeiras para implementar um processo de recuperação da mata ciliar. A capacidade de recuperação de uma mata perturbada por ação antrópica ou por fenômenos naturais é chamada de resiliência. A área que perdeu sua resiliência é chamada de degradada. De acordo com o nível de dano verificado, podem ser adotadas diferentes ações para a recuperação das matas ciliares. Em áreas com baixos níveis de perturbação podem ser adotadas medidas simples, utilizando espécies nativas de ocorrência comum na área. Quando o nível de perturbação é elevado, este processo torna-se de difícil execução, devendo então ser adotadas práticas de recuperação, que muitas vezes exigem a recuperação da fertilidade do solo e uso de espécies diferentes das originais existentes na área.


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O sucesso na implantação de projetos de recuperação de matas ciliares, entretanto depende acima de tudo de atividades de conscientização da comunidade, onde cada cidadão tome consciência de seu papel no processo e da importância de ações integradas pelos diferentes setores da sociedade. De acordo com o exposto, o objetivo do presente estudo foi fornecer subsídios através do levantamento sócio-econômico e ambiental para a elaboração de projetos de recuperação florestal, para a implantação e manutenção em 15 hectares de mata ciliar, do Igarapé Santa Rosa, cujo percurso, da nascente até a foz, se limita ao município de Xapuri.


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2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

O objetivo do presente estudo foi fornecer subsídios através do levantamento sócio-econômico e ambiental para a elaboração de projetos de recuperação florestal, para a implantação e manutenção em 15 hectares de mata ciliar, do Igarapé Santa Rosa, cujo percurso, da nascente até a foz, se limita ao município de Xapuri.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Identificar o uso comunitário atual proeminente na área de influencia do Igarapé Santa Rosa;  Diagnosticar a destinação de resíduos sólidos e líquidos, oriundos de residências e de instalações comerciais, que usam o Igarapé Santa Rosa como via de escoamento;  Identificar as implicações das instalações residenciais e comerciais sobre a mata ciliar;  Determinar o perfil socioeconômico da população residente na mata ciliar e área de influencia do Igarapé Santa Rosa;  Identificar a demanda populacional por saneamento básico na área de influência do Igarapé Santa Rosa;  Investigar as causas da dinâmica socioeconômica que interferem no equilíbrio hidrológico do Igarapé Santa Rosa; e


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 Propor modelagem de projetos de recuperação florestal da mata ciliar, condizente com a realidade socioeconômica ali existente.

3 REVISÃO DE LITERATURA

3.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO

O município de Xapuri possui uma população de 14.314 habitantes, dos quais 7.366 encontram-se na zona urbana (51,5%) e 6.948 na zona rural do município (48,5%). De 1996 com 12.716 habitantes para 2007, Xapuri apresentou a menor taxa de crescimento na região (12,5%). Apresenta uma área total de 5.347 Km², densidade demográfica de 2,7 hab./Km² e um IDH de 0,669 (IBGE, 2007; ACRE, 2006a; PNUD, 2000). Segundo a FUNASA (ACRE, 2006) a população ribeirinha de Xapuri soma 6.008 pessoas vivendo em 52 localidades dispersas ao longo dos rios Acre e Xapuri, sendo 3.020 habitantes nas margens no rio Acre e 2.988 no rio Xapuri. O município também possui uma ligação com a capital por via fluvial, através do rio Acre que faz a ligação com os demais municípios do território do Alto Acre, utilizando pequenas embarcações. A sede do município também está situada às margens do rio Acre e em sua confluência com o rio Xapuri, o primeiro constitui historicamente a principal via de acesso e escoamento de produtos extraídos da floresta nesta região (ACRE, 2000). Este rio representa uma importante via de transporte de mercadorias para populações ribeirinhas, apesar de a região contar com vias de acesso em boas condições ao longo de todo o ano. O principal afluente do rio Acre na parte alta da bacia é o rio Xapuri, com uma área física estimada em 5.948 Km², que representa a principal via de acesso da cidade para os seringais nativos, vilas, fazendas, colônias, colocações e povoados (ACRE, 2006a). O regime hídrico desta bacia se alterna em períodos de cheias e de vazantes, originando, assim, o ciclo que regula e mantém a vida vegetal e


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animal, mantendo conseqüentemente as oportunidades de subsistência, tanto através da caça como da pesca. Após a vazante dos rios, o solo fica mais fértil e a bacia se torna mais abundante em alimentos silvestres e também agrícolas, enquanto que, nas cheias, há uma relativa escassez de alimentos e uma dispersão da fauna aquática (ACRE, 2000).

3.2 LEVANTAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO E AMBIENTAL

Os levantamentos socioeconômicos e ambientais são uma importante ferramenta de análise para a elaboração de planos e projetos em diversas áreas. O primeiro consiste na captação de dados relativos à dinâmica social, envolvendo os laços de relacionamentos entre os integrantes da área de estudo. A principal função de um levantamento é identificar os pontos de conflitos e as potencialidades na área em estudo. Essas informações servirão de base para a formulação de ações correspondentes e adequadas a cada local e situação. A elaboração de uma proposta de levantamento sócioeconômico de uma região deve levar em conta as características atuais do processo de ocupação e as tendências de expansão internas e externas que irão consolidá-lo ou alterá-lo ao longo de um determinado tempo (MENDONÇA, 1998). Segunda a mesma autora, o levantamento ambiental deve ter por objetivo identificar os problemas do meio ambiente provocados pelo processo de ocupação antrópico, os principais agentes responsáveis e seus planos de expansão e as instâncias do setor público que deverão ou já estão exercendo alguma forma de controle e correção desses problemas, com programas específicos ou ações de caráter legal (programas de saneamento básico, legislação

municipal,

processos

judiciais,

levantamentos

principalmente os elaborados para Planos Diretores Municipais).

e

estudos


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3.3 MATA CILIAR

As matas ciliares, ripárias ou de galeria, normalmente com flora influenciada pela formação vegetal circundante (CATHARINO, 1989), são as que têm recebido maior atenção dos pesquisadores, quer pela sua importância ecológica na manutenção da biodiversidade ou de corredores biológicos, quer pela sua importância na manutenção da qualidade hidrológica dos mananciais (BARBOSA, 1999), sendo necessário, no entanto, considerar a região ecológica em que elas se localizam (cerrado ou floresta) (DURIGAN & NOGUEIRA, 1990; DURIGAN et al., 2001), o que pode facilitar a forma de recuperação. A vegetação ciliar é considerada parte integrante da rede de drenagem de uma bacia hidrográfica, e segundo Lima (1989) desempenha uma função hidrológica:

estabilizando

as

ribanceiras

pelo

emaranhado

radicular;

controlando o ciclo de nutrientes, como tampão e filtro, tanto no nível de escoamento superficial como na absorção do escoamento subsuperficial impedindo o carreamento de sedimentos, mantendo a qualidade das águas; proporcionando cobertura e alimentação para peixes e outros seres aquáticos; e interceptando a radiação solar, contribuindo para a estabilização térmica de pequenos cursos. Apesar da existência de legislação preservacionista específica, esta, sofre ações antrópicas intensas, como a retirada indiscriminada de madeira, implantação de pequenos e grandes empreendimentos ou culturas agrícolas desordenadas. Apesar de sua abrangente área de distribuição, a mata ciliar reveste uma superfície proporcionalmente pequena, evidenciando sua fragilidade diante do avanço da fronteira agrícola. Derrubadas, incêndios, represamento e assoreamento dos cursos d’água, vêm contribuindo para a destruição dessas áreas, a despeito de todos os dispositivos legais que as protegem (PEREIRA e LEITE, 1996). As florestas ciliares desempenham um grande papel como agente protetor de margens, diminuindo na erosão e no assoreamento dos cursos d’água (MANTOVANI et al. 1989), regulando o fluxo de água superficial, subsuperficial e os sedimentos (REICHARDT 1989).


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3.4 ÁREAS PERTUBADAS OU DEGRADADAS

As ações antrópicas podem levar um ecossistema a um estado de perturbação. A área pode sofrer certo distúrbio e manter, ainda, a possibilidade de regenerar-se naturalmente ou estabilizar-se em outra condição, também dinamicamente estável. Neste caso fala-se em área perturbada. Quando o distúrbio é pequeno, a intervenção para recuperação pode consistir apenas em iniciar o processo de sucessão. Todos os ecossistemas estão sujeitos a distúrbios naturais ou antrópicos que promovem mudanças em maior ou menor grau. O processo de sucessão é ao mesmo tempo contínuo e mundialmente distribuído e ocorre em taxa variável em todas as áreas que são temporariamente perturbadas. Pode iniciarse em habitats recém formados (sucessão primária) ou em habitats já formados e perturbados (sucessão secundária). O tempo necessário para uma sucessão ocorrer de um habitat perturbado até uma comunidade clímax varia com a natureza do clima e a qualidade inicial do solo (TOWNSEND et al., 2006; ODUM, 1997; MARGALEF, 1974). Áreas degradadas são aquelas que não mais possuem a capacidade de repor as perdas de matéria orgânica do solo, nutrientes, biomassa, estoque de propágulos etc. (BROWN; LUGO, 1994). Os ecossistemas terrestres degradados são aqueles que tiveram a cobertura vegetal e a fauna destruídas, perda da camada fértil do solo, alteração na qualidade e vazão do sistema hídrico (MINTER/IBAMA, 1990) por ações como intervenções de mineração, efeitos de processos erosivos acentuados, movimentação de máquinas pesadas, terraplanagem, construção civil e deposição de lixo, entre outras.

3.5 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS – RAD

O processo de restauração de áreas degradadas implica em um conjunto de ações idealizadas e executadas por especialistas das diferentes áreas do conhecimento, visando proporcionar o restabelecimento de condições


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de equilíbrio e sustentabilidade, existentes nos sistemas naturais (DIAS; GRIFFITH, 1998 e BARBOSA 2003). Existem hoje diversos modelos possíveis de serem utilizados no repovoamento vegetal, pelo plantio de espécies arbóreas de ocorrência em ecossistemas naturais, procurando recuperar algumas funções ecológicas das florestas, bem como a recuperação dos solos (PINAY et al., 1990; JOLY et al., 1995; RODRIGUES e GANDOLFI, 1996; BARBOSA, 2000; coord., 2002). Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, os modelos de recuperação gerados ainda estão limitados ao âmbito da ciência e da situação a ser recuperada, com aplicabilidade restringida, muitas vezes, pelos altos custos de implantação e manutenção, sendo necessário maior envolvimento da pesquisa científica no desenvolvimento de tecnologias cada vez mais baratas e acessíveis (KAGEYAMA & GANDARA, 1994; KAGEYAMA, 2003; BARBOSA et al., 2003) A redução da cobertura vegetal, a fragmentação e o isolamento de paisagens, além de promover a perda da biodiversidade e de suas funções, são resultados, principalmente, da degradação ambiental ocasionada por intervenções antrópicas. Assim, a necessidade de reverter o quadro atual da degradação ambiental gera o desafio de se “recuperar” áreas desmatadas ou degradadas, tendo-se como preocupação ações para o restabelecimento das funções e da estrutura dos ecossistemas respeitando a diversidade de espécies, a sucessão ecológica e a representatividade genética entre populações (RODRIGUES & GANDOLFI, 1996; BARBOSA, 2000a). A recuperação da área visa a “restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada, que pode ser diferente de sua condição original” como é definida pela Lei Federal 9985/2000, que criou o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação). Trata-se de retornar às condições de funcionamento, pois objetiva recuperar a estrutura (composição em espécies e complexidade) e as funções ecológicas (ciclagem de nutrientes e biomassa) do ecossistema.


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O conhecimento sobre as formações florestais nativas em todos os seus aspectos, a reconstituição de interações e da dinâmica dos ecossistemas, a fim de garantir a perpetuação e evolução de reflorestamentos no espaço e no tempo, torna-se fundamental na tentativa de recuperar áreas degradadas (PALMER et al., 1997; RODRIGUES & GANDOLFI, 2000; BARBOSA & MARTINS, 2003).

3.5.1Métodos de recuperação de áreas degradadas

Genericamente pode-se indicar as seguintes intervenções: condução da regeneração natural, plantio direto e a implantação de espécies arbustivoarbóreas nativas regionais. RODRIGUES e GANDOLFI (2001) sugerem em alguns casos, quando possível, a transferência de propágulos alóctones (serrapilheira e banco de sementes) e implantação de consórcios de espécies com uso de mudas e sementes.

3.5.1.1 Regeneração natural

Quando a área apresenta pequeno grau de perturbação, onde se observa a presença dos processos ecológicos (banco de sementes, de plântulas, rebrota, chuva de sementes), a regeneração natural é a estratégia indicada, uma vez que há possibilidade de auto-recuperação. As ações de intervenção consistem em isolar a área dos fatores perturbadores com a construção de cercas e aceiros (RODRIGUES, 2002).


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3.5.1.2Plantio direto

O plantio direto ou semeadura direta pode ser empregado para áreas de difícil acesso ou áreas montanhosas, embora, não se restrinja a estes casos. ENGEL et al. (2002) observaram que, embora o desempenho não seja satisfatório, o baixo custo justifica esta alternativa econômica para a recuperação florestal.

3.5.1.3 Implantação de espécies arbóreas

A implantação de espécies arbóreas é um procedimento que permite pular as etapas iniciais da sucessão natural, onde surgem primeiramente espécies herbáceas e gramíneas que enriquecem o solo com matéria orgânica e alterando suas características e assim permitindo o aparecimento de indivíduos arbustivo-arbóreos. Na implantação florestal esta etapa inicial é eliminada, plantando-se mudas de espécies arbóreas e arbustivas, num solo previamente corrigido e preparado. No plantio heterogêneo com espécies nativas regionais a implantação dos espécimes arbustivo-arbóreos pode ocorrer de forma simultânea, possibilitando a acomodação tanto de espécies pioneiras, quanto de não-pioneiras.


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4 MATERIAL E MÉTODOS

4.1 DESCRIÇÃO DA ÁREA

A área de estudo está localizada às margens do Igarapé Santa Rosa situado na cidade de Xapuri que possui as seguintes coordenadas geográficas: 10º39’06 de latitude sul e 68º30’16 de longitude oeste de Greenwich. A altitude média da cidade é de 163 m e o bioma dominante é a floresta tropical aberta, com sub-grupos diferenciados: floresta tropical aberta com bambu, floresta tropical aberta com palmeiras e floresta tropical aberta com cipó. Em menor proporção ocorrem formações de floresta tropical densa. Segundo a classificação de Köppen o Estado do Acre apresenta clima do tipo equatorial quente e úmido, com duas estações bem definidas: seca e chuvosa. As médias anuais pluviométricas variam de 1.773,2 mm a 1.877 mm. Segundo dados do ZEE-AC (ACRE, 2000) a temperatura média anual apresenta-se em torno de 24,5 °C e a temperatura máxima fica em torno de 32 °C.


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Figura 1 - Mapa de Localização do Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre. Fonte: Associação Andiroba

4.2 MATERIAL E EQUIPAMENTO USADO NO TRABALHO DE CAMPO  Veículo para transporte da equipe de pesquisadores  Combustível  GPS’S, para georreferenciamento das residências  Dois computadores do tipo laptop  Kit primeiros socorros  Oito pranchetas de papelão  Lápis  Caneta  Capa de chuva  Câmera fotográfica  Dois mapas de localização e de ação antrópica


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Para melhor detalhamento da metodologia abaixo são discutidas, pormenorizadamente, cada passo adotado pela equipe de pesquisadores.

4.3 DESCRIÇÃO DO MÉTODO

O estudo envolveu trabalho de campo em toda a extensão do Igarapé Santa Rosa, no que se convencionou chamar de área de influência do igarapé. Para auxiliar na definição dessa área de influencia e determinação do curso assumido pelo igarapé e também para localização das residências foram utilizadas imagens do Google Earth e imagens do satélite LANDSAT 5. Durante as observações de campo, foram tomadas fotografias digitais das residências dos moradores, assim como de alguns trechos críticos do igarapé e alguns impactos visíveis resultantes da ocupação antrópica. Posteriormente, todos os pontos de observação, de medição e das entrevistas, foram georreferenciados para melhor identificação e caracterização. Constatouse uma expressiva maior concentração de moradores, no trecho do igarapé compreendido pelo perímetro urbano da cidade, locais onde se fez a maioria das entrevistas. Em síntese, o procedimento metodológico incluiu a realização de três etapas distintas, a saber: •

Realização de entrevista direta e censitária:

A primeira etapa compreendeu a realização de entrevista direta, com todos os moradores residentes na mata ciliar do igarapé Santa Rosa. Para orientar a entrevista foi utilizado um formulário, que se encontra no anexo I, que possibilitou a identificação do perfil socioeconômico da comunidade. Os locais onde foram realizadas as entrevistas foram previamente definidos em reunião de planejamento, que contou com a participação de toda equipe de pesquisadores, de forma a obter um diagnóstico da realidade vivenciada em todo percurso assumido pelo Igarapé Santa Rosa na margem esquerda e direita. E para melhor representatividade dos dados coletados dividiu-se o


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curso do igarapé em três trechos distintos: área sob influencia da nascente, percurso entre a nascente e foz e área sob influencia da foz do igarapé. •

Processamento dos dados:

Os dados coletados nos formulários foram transformados em planilha do EXCEL de acordo com cada pergunta realizada, para a qual se confeccionou um gráfico do tipo pizza, afim de facilitar futura interpretação. •

Interpretação e análise dos dados:

Finalmente, a terceira etapa, envolveu um minucioso procedimento de analise das respostas dos entrevistados, procurando estabelecer um vínculo entre essas respostas e a recuperação florestal da mata ciliar.

4.3.1 Georreferenciamento do Igarapé Santa Rosa

Com apoio da unidade de geoprocessamento, UCEGEO, vinculada a fundação de tecnologia do estado do Acre, FUNTAC, que gentilmente participou do trabalho com a disponibilização de seu banco de dados, foi possível a elaboração dos mapas de localização e de ação antrópica na área de influencia do Igarapé Santa Rosa. Com base em imagem de satélite LANDSAT, de 2010, os técnicos da UCEGEO preparam um mosaico com 05 imagens que cobriam todo percurso do igarapé as imagens cobriram um total de aproximadamente 06 quilômetros. No primeiro mapa, abaixo delimitando em vermelho, estabeleceu-se uma área de influencia do igarapé, com 02 quilômetros de largura de cada uma das margens, além de apresentar a mancha urbana em amarelo. Já a figura 2, apresenta a hidrografia e área antrópica sobreposta à imagem de satélite de 2010, contendo a dimensão do desmatamento e da antropização presente em toda área de influencia do Igarapé Santa Rosa. Esse mapa assume importância particular, pois permite observar a tendência de expansão da área antrópica em direção ao leito do igarapé, bem


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com a amplitude dessa tendência. É fácil observar o comprometimento expressivo da mata ciliar que se resumiu a algumas pequeníssimas porções distribuídas de forma desproporcional durante o curso do igarapé. Nota-se ainda, que tanto a região antropizada quanto as poucas moitas de mata ciliar remanescentes, se apresentam no decorrer do curso do igarapé, sem que haja qualquer tipo de planejamento ou intervenção pública, isto é, existência ou ausência de mata ciliar depende unicamente da intervenção de atores privados, que, por incrível que pareça, possuem baixa capacidade financeira de investimentos. De posse desses dois mapas, obteve-se informação crucial acerca da ação antrópica e sobre o remanescente de área verde ainda existente no perímetro delimitado pela área de influencia do Igarapé Santa Rosa, o que possibilitou realizar todo planejamento da intensidade amostral e dos pontos residenciais onde seriam realizadas as entrevistas, fatores de fundamental importância para a realização do levantamento socioeconômico. Foi com base nas informações oriundas do mapeamento que se identificou as áreas em adiantado estágio de degradação, onde seriam realizadas de maneira mais concentrada as entrevistas com foco em uma possível demanda pela recuperação dessas áreas. Outro recurso empregado para identificação dos trechos do igarapé a serem pesquisados e definição de sua intensidade amostral, foram as imagens retiradas do sistema conhecido como Google Earth, que também usa o satélite LANDSAT 5, com data de imagiamento de 30 de junho de 2010. Para acessar o sistema foi preciso fazer uma varredura de campo ao longo do igarapé, a fim de coletar e georreferenciar pontos amostrais considerados de relevância para o estudo. Foram coletando uma série de pontos, cujas marcações no sistema produziram a imagem abaixo. Essa imagem foi utilizada na identificação das áreas onde o questionário foi aplicado, pois este recurso nos permitiu uma maior precisão dos acessos destes locais.


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Figura 2 - Georreferenciamento do curso do igarapé Santa Rosa da nascente à foz pelo sistema Google Earth, 2012.

A

partir

do

mosaico

elaborado

com

base

nos

pontos

de

georreferenciamento coletados pela equipe ao longo do trajeto percorrido pelo Igarapé Santa Rosa, foi possível apresentar uma visão condensada do caminho do igarapé de sua nascente até a foz, no encontro com o rio Acre.


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4.3.2 Formulário para entrevista dos moradores

Para a obtenção de informações acerca da realidade social e econômica vivenciada pela população residente na área de influência do Igarapé Santa Rosa, foi elaborado um formulário específico, adaptado a partir do formulário usado no levantamento sócio-econômico para elaboração de projetos de restauração, fruto de contrato celebrado entre a Andiroba e a Sema em 2008. O formulário foi elaborado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores envolvida no projeto, composta por Engenheiro Florestal, Agrônomo, Extensionista, Engenheiro Civil e Sociólogo. Uma série de reuniões da equipe foi realizada na sede da associação Andiroba onde foram discutidas as melhores formas de abordar a população para melhoria da confiança na informação a ser coletada. Assim foram necessárias algumas alterações para que este formulário se adequasse com o trabalho proposto. Um total de 50 perguntas está inserido no formulário, de forma a permitir uma análise criteriosa em cinco temas considerados prioritários pela equipe, quais sejam: •

Localização e característica da moradia

Nesse bloco de perguntas a equipe esperava analisar as características principais das moradias, bem como a condição de urbanização na qual estava inserida. Essas informações são importantes na medida em que podem subsidiar futuras negociações para transferência das comunidades para outras localidades. •

Uso do solo

Tendo em vista que uma porção do igarapé ainda corre em zona rural e que mesmo em zona urbana existem atividades praticadas ao longo da margem com características de produção agropecuária, a equipe de pesquisadores considerou importante determinar a intensidade de uso


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agropecuário presente na mata ciliar do igarapé, bem como a dependência da comunidade para com esse tipo de atividade. •

Renda e condições de vida

No intuito de analisar a dinâmica econômica na qual a população residente está inserida, a entrevista incluiu um conjunto de questões relacionadas à renda obtida em cada residência, bem como em que as condições econômicas e sociais as pessoas estão submetidas. A ocupação laboral de cada morador também contribuiu para se estabelecer parâmetros que subsidiem o envolvimento de trabalhadores locais em projetos de recuperação florestal da mata ciliar, da mesma forma que serviu de orientação para outro tipo de intervenção pública. •

Implicações ambientais relacionadas ao Igarapé

Dimensionar a intensidade da relação existente entre a comunidade e o igarapé também foi priorizado no levantamento socioeconômico. A idéia é que a partir das informações acerca dos impactos ambientais causados no igarapé devido a essa relação, será possível planejar um variado conjunto de intervenções de caráter emergencial, de médio e longo prazo. O que a comunidade recebe do igarapé, na forma de atendimento de sua demanda, sobretudo por água, mas também como lazer e via de transporte, e o que a comunidade devolve ao igarapé, foi o que se pretendeu revelar com esse grupo de perguntas. •

Perspectivas para restauração da mata ciliar

Finalmente, o último grupo de questões levadas aos entrevistados, fazia uma síntese de toda a entrevista e buscou atender a demanda por informação diretamente relacionada com os projetos de recuperação florestal da mata ciliar. Com essas perguntas se pode aferir a disposição da comunidade em se envolver na execução de atividades relacionadas com a implantação de projetos de recuperação florestal.


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4.3.2.1 Teste dos formulários

Para averiguar se o formulário elaborado era satisfatório para ser usado em

comunidades

ribeirinhas

do

Igarapé

Santa

Rosa,

a

equipe

de

pesquisadores realizou uma pré-entrevista por meio de uma visita preliminar em alguns locais estratégicos, onde foram realizadas um total de 10 entrevistas testes. Vários itens do formulário tiveram que ser adaptados para aquela realidade. O nível de exigência para com a comunidade, em especial com relação às questões consideradas sensíveis como as que tratam de emprego e renda, tiveram que ser revistas para não causar constrangimentos e comprometer a qualidade da informação obtida. Dessa forma o resultado final foi à elaboração de um formulário considerado enxuto, com um total de seis páginas, com 50 perguntas divididas em cinco grupos de acordo com a demanda por informação, conforme descrito no item anterior. As partes finais do formulário continham perguntas que visavam identificar os membros da comunidade que se mostravam favoráveis as atividades de manutenção das áreas próximas ao Igarapé Santa Rosa, para uma possível parceria do sema com estes moradores. Também se optou por incluir questões relacionadas à possibilidade e disposição comunitária para criação de uma associação de amigos do igarapé Santa Rosa, atividade que vem sendo realizada com sucesso na região sudeste do país e que poderia ser testada no igarapé.


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4.3.3 Censo e amostragem da população

O estudo é censitário, ou seja, toda população residente foi entrevistada muito embora um ou outro morador não participasse da entrevista, pois não se encontrava no momento. Todavia, para que os pesos da densidade populacional pudessem ser distribuídos de igual forma, ou seja, para que a opinião dos que vivem no trecho do igarapé que corta a zona urbana, altamente povoada, e a opinião dos moradores que vivem no trecho presente em zona rural, com menor densidade demográfica, pudessem ter o mesmo valor estatístico, foi preciso estabelecer um sistema de amostragem que levasse em consideração cada realidade. A amostragem populacional dos residentes da área de influência Igarapé Santa Rosa foi realizada atendendo a princípios básicos de distribuição estatística para que não houvesse um resultado tendencioso, devido uma concentração de opiniões provenientes de apenas um local ou de regiões muito próximas entre si, ou das que tivessem elevada densidade demográfica. Dessa forma, a equipe de pesquisadores optou por dividir os seis quilômetros (6 km) de extensão do Igarapé Santa Rosa, em trechos de 02 km cada da seguinte maneira:

TRECHO 1 – da nascente até os primeiros 02 quilômetros de igarapé em linha reta, com predominância da zona rural;

TRECHO 2 – a partir dos 02 quilômetros iniciais até os 02 quilômetros seguintes, com predominância de uma zona de transição rural/urbana, onde a densidade populacional começa a se elevar de maneira abrupta;

TRECHO 3 – últimos 2 quilômetros do percurso até a foz no rio acre, com elevadíssima densidade demográfica.

Os resultados obtidos demonstraram que a distribuição amostral nesses 3 trechos foi mais que oportuna uma vez que existe uma distância considerável


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entre a realidade vivenciada pelos moradores no trecho que corta a zona rural e o da zona urbana. Realidades diversas que devem orientar a concepção de intervenção pública igualmente diversa para que tenha sucesso. Não considerar essas três realidades distintas poderá significar o fracasso da intervenção e, o pior, o fracasso dos projetos de recuperação florestal da mata ciliar.

4.3.3.1Intensidade amostral nos trechos

A quantidade de entrevistas realizadas nos três trechos foi diferente, pois a quantidade de moradores dessas regiões também eram distintas. O numero de entrevistas realizadas na região da nascente, trecho 1, foi menor se comparado com as regiões do curso médio, trecho 2, e foz, trecho 3, isso se deve principalmente porque a nascente do Igarapé Santa Rosa localizase, como dito, na zona rural do município de Xapuri, já o restante do igarapé esta localizado totalmente na zona urbana. Importante esclarecer que o procedimento metodológico exigiu que as entrevistas fossem realizadas sempre em ambas as margens do igarapé, quando haviam residências dos dois lados.

4.3.4 Diário de campo para realização das entrevistas

O trabalho de campo teve início no dia 19 de fevereiro de 2012, com uma visita preliminar, realizada pela equipe de pesquisadores, com a presença do coordenador da pesquisa, Dr. Jairo Salin da UNESP, e o responsável técnico Domingos Ramos, nos bairros localizados na extensão de todo o Igarapé Santa Rosa, para reconhecimento dos locais onde seriam realizadas as entrevistas. Assim no dia 18 de março teve inicio as realizações das entrevistas nos bairro Braga Sobrinho e Centro. Cada residência, onde ocorreram as


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entrevistas, foi georreferenciada rreferenciada para um melhor or mapeamento do curso do igarapé. Contudo, diante do estudo censitário, foram realizadas um total de 43 entrevistas, ou seja, 43 famílias abordadas na área de influência do Igarapé Santa Rosa. Importante esclarecer que o procedimento metodológico exigiu que as entrevistas fossem realizadas sempre em ambas as margens do igarapé, quando haviam residências dos dois lados.Isso lados sso se deve principalmente princ porque a nascente do Igarapé Santa Rosa localiza-se, se, como dito, na zona rural do município de Xapuri, Xapuri, já o restante do igarapé esta localizado quase totalmente na zona urbana. O entrevistador responsável pela abordagem dos moradores para a entrevista, era identificado com o crachá, comprovando que ele fazia parte da equipe de pesquisadores e que se tratava de um estudo oficial realizado sob a responsabilidade da SEMA EMA,, como pode ser observado na figura abaixo.

Figura 3 - Crachá usado pelo entrevistador no levantamento socioeconômico do igarapé Santa Rosa, Xapuri, Cheia de 2012


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As famílias eram abordadas sempre em suas residências e nunca nas imediações ou em outros locais. Os entrevistadores foram orientados pelos coordenadores do estudo a evitar o “suba” para que as condições internas das habitações não contaminassem a entrevista. O “suba” é tradicional, sobretudo em áreas rurais. Ao receber um visitante o morador, tendo em vista que sua casa é construída sobre uma palafita de em média 1,5 metros, o morador costuma, com a tradicional hospitalidade, dizer “suba”, como se dissesse entre. Permanecer do lado de fora da residência, enquanto o morador senta na escada ou se posiciona na janela, faz com que o morador não se intimide para responder, fique seguro em sua casa enquanto que o entrevistador, por sua vez, guarda certa distância para fazer a entrevista com impessoalidade e não mantém contato com a realidade interior da residência, o que pode sensibilizar o entrevistador e, o mais grave, contaminar a entrevista com percepções do entrevistador e não as respostas do entrevistado. No primeiro contato com o morador o entrevistador se apresentava e esclarecia do que se tratava o projeto, bem como quais os objetivos da secretaria estadual de meio ambiente, para realização desse tipo de trabalho, deixando claro que o resultado final seria um igarapé menos poluído e com equilíbrio hidrológico recuperado. Com uma linguagem bastante simples o entrevistador realizava as apresentações e o esclarecimento sobre o intuito do estudo, para que ficasse claro para o morador que o objetivo da pesquisa era o igarapé. Cada entrevista teve uma duração média de 25 minutos entre as apresentações e as despedidas. No geral todas as questões eram respondidas com certa facilidade e rapidez pelo morador, que por sua vez, se sentia segura nas respostas. Houve uma pequena dificuldade por parte dos entrevistados em opinar sobre o tópico relacionado à manutenção contínua da mata ciliar e o significado da sua restauração, uma vez que o tema exige certo grau de informação adicional, que era realizado pelo entrevistador. No mais, o restante do formulário foi de simples compreensão, facilitando assim as respostas, o que forneceu uma segurança ideal na informação obtida.


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A equipe de pesquisadores responsável pela realização das entrevistas junto aos moradores não tem dúvida de que as informações obtidas possuem elevada credibilidade e, o melhor, refletem a realidade vivenciada pelos moradores.

4.3.5 Processamento dos dados obtidos por meio das entrevistas

Para facilitar a análise das respostas que os moradores deram nas entrevistas, aos moradores da área de influencia do Igarapé Santa Rosa, os dados obtidos em campo foram processados em sistema computacional concebido especificamente para esse estudo. Para o processamento dos dados referentes ao levantamento sócioeconômico, todas as informações obtidas tiveram que ser digitadas e organizadas em uma planilha do software “Microsoft Excel 2007”. Cada formulário foi digitado, de preferência, pelo próprio entrevistador que coletou as informações, para que se evitassem dúvidas com relação à escrita e com relação a algum indicador presente no formulário. Após a digitação do formulário na planilha, outro membro da equipe, diferente daquele que digitou os dados presentes no formulário, se responsabilizava pela checagem de cada resposta para aferição da digitação. Um terceiro e último passo ainda era dado para formatação da planilha envolvendo a checagem específica dos números digitados. A denominada checagem numérica é de fundamental importância tendo em vista a existência de um conjunto elevado de questões que envolvem formação das classes de tamanho, do tipo, nível de renda, área plantada, quantidade produzida e assim por diante. Uma aprovação final da planilha foi realizada pelo coordenador da pesquisa que realizou o que os pesquisadores chamam de teste de coerência, na qual perguntas que se negam ou se afirmam entre si são analisadas no somatório da planilha para que os dados, por si só, não se invalidem. Por exemplo, se 90% dos entrevistados afiram não produzirem nada esse percentual precisa ser confirmado em todas as respostas relacionadas à


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produção. Dessa maneira os 90% que não produzem, também não venderam nada e não ganharam renda alguma com a produção agropecuária. O teste de coerência é uma metodologia importante para medir a consistência das informações fornecidas pelas entrevistas para que a segurança na informação seja cada vez maior, afinal, os pesquisadores precisam se cercar de toda cautela possível, uma vez que a referência principal do estudo encontra-se na palavra do morador. Uma palavra que pode e é influenciada por um conjunto de reações e valores que cada um possui. Concluído o processo de digitação e de formatação da planilha, com aprovação do coordenador da pesquisa, procedeu-se ao planejamento do processamento dos dados. A equipe se debruçou sobre o conjunto de variáveis que poderiam ser cruzadas e de que forma esse cruzamento deveria ser apresentado no relatório final do estudo. A equipe assumiu dois procedimentos metodológicos padrão para processar os cruzamentos e apresentar os gráficos no relatório final. Primeiro que cada cruzamento seria realizado na forma de participação relativa, sempre totalizando 100% e com as participações presentes no interior do próprio quesito. Isto é, não haveria confecção de cruzamentos entre questões presentes ou distribuídas nos 5 grupos de questões presentes no formulário. Embora esse cruzamento que pudesse envolver nível de renda com disposição para entrar na associação de amigos do Igarapé Santa Rosa, por exemplo, apesar de muito estimulante, levaria o estudo para uma esfera acadêmica que se pretendia evitar. Com relação à apresentação dos resultados os pesquisadores consideraram que os gráficos do tipo pizza, mesmo sendo desconsiderados pela academia, eram os que mais facilitariam a compreensão das análises considerando que o público que manusearia o estudo se constitui de agentes públicos que precisam tomar decisões e não de acadêmicos que costumam ter mais tempo para pensar. Esses gráficos forneceram informações quantitativas e qualitativas, acerca da realidade dos residentes da área de influência Igarapé Santa Rosa com as informações descritas nos respectivos rodapés de cada gráfico.


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Finalmente concluiu o procedimento metodológico a elaboração do relatório final que procurou analisar isoladamente cada gráfico apresentado. A rigor, cada pergunta e resposta dada pelo entrevistado geraram uma linha na planilha de processamento, que por sua vez, permitiu a confecção de um gráfico de pizza, cuja informação foi analisada no texto apresentado depois de cada gráfico.


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5 RESULTADOS

5.1 PERFIL SOCIAL E ECONÔMICO DA POPULAÇÃO RESIDENTE NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO IGARAPÉ SANTA ROSA

Com intuito de facilitar a compreensão, e também a leitura, estão apresentados a seguir, o resultado do levantamento socioeconômico realizado junto a população que habita a área de influencia do Igarapé Santa Rosa. Como descrito na metodologia, para cada pergunta inserida no formulário de entrevista, a equipe analisou em separado, por meio da formulação de uma planilha de Excel e produziu um gráfico denominado de gráfico de pizza, para cada uma das questões. Ao final, o conjunto de gráficos fornece uma idéia clara das interações sociais e econômicas que a comunidade ali residente mantém com o Igarapé Santa Rosa, com destaque para o seguinte:

Identificação do perfil socioeconômico das comunidades que estão localizadas nas áreas de mata ciliar e seu entorno do Igarapé Santa Rosa;

Compreensão da utilização dos igarapés por parte das comunidades;

Identificação de políticas públicas para as comunidades que estão inseridas no contexto do levantamento; e

Identificação da real situação em que se encontram ás áreas de mata ciliar do Igarapé Santa Rosa.

Os gráficos, independente da ordem em foram elaborados e na forma em que surgem as perguntas no formulário, estão distribuídos em 4 grandes grupos relacionados a:


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1. Localização e característica da moradia;

2. Uso do solo;

3. Renda e condições de vida;

4. Implicações ambientais relacionadas ao igarapé; e

5. Perspectivas para restauração da mata ciliar.

1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DA MORADIA

TIPO DE LOCALIDADE 2%

RURAL URBANA

98%

Figura 4 - Tipo de localidade das pessoas residentes no Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012.

A maioria dos residentes ao longo da mata ciliar e área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 98%,se localizam em área definida pelo plano diretor de Xapuri como perímetro urbano, sendo que o restante, 02% do total, residem área classificada como zona rural. Há uma diferença fiscal importante com relação a essa classificação. Ocorre que residências localizadas em áreas consideradas rural, pagam


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anualmente o Imposto Territorial Rural, ITR, tributo recolhido pelo governo federal, que, no geral, é cobrado com certa parcimônia anual em relação à inadimplência. Ou seja, pagar ou não pagar o ITR não se configura em uma obrigação cidadã que traz transtornos claros ao município, uma vez que sua relação fiscal se dá com o governo federal, muito embora sua cidadania concretiza-se no município. Como o próprio gráfico comprova a ocupação nas margens do Igarapé Santa Rosa se concentra na zona urbana, sendo que essa ocupação, em que pese estar em zona considerada urbana encontra-se em área dita “não edificante” o que significa dizer que a autoridade municipal não permite a construção de casas ali, apesar de cobrar IPTU. Aparentemente as residências são instaladas sem qualquer tipo de ordem. De maneira desordenada e na maioria das vezes ocupadas por uma população de baixa renda, não há urbanização nem serviços planejados de infraestrutura. Não é difícil supor que atividades que deveriam ser realizadas de acordo com uma política pública pré-definida, quando concretizadas de forma não planejadas, geram impactos sociais, econômicos e ambientais, o que se observa em quase toda a extensão da área de influencia, considerada urbana, da mata ciliar no Igarapé Santa Rosa.

O QUE ACHA DO LUGAR?

21% BOM 49%

REGULAR RUIM

30%

Figura 5 - O que acham do lugar em que residem. Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012.


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A maioria dos residentes no entorno, ou área de influencia, do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 49%, afirmam que o local em que vivem é bom, sendo que o restante, 30%, alegam que o local é regular, e 21% que o local é ruim. Um fato que se deve levar em consideração é que a porcentagem dos moradores que afirmam que o local é ruim coincide com as moradias localizadas em áreas sem infraestrutura. São áreas muito próximas ao leito do igarapé, e que por isso, são diretamente afetadas pelas consequências da poluição do mesmo. Essa informação é importante, pois abre um amplo espaço para intervenção da política pública. Uma vez que os moradores consideram, na maioria, os locais onde residem muito ruins, chegando até a concluir pela impossibilidade de viver no local, sua transferência para locais urbanizados parece ser facilitada pelo entendimento mútuo. Identificar essas famílias e instituir um programa de remoção pode ser um passo importante para redução da antropização intensa na mata ciliar do Igarapé Santa Rosa. No entanto existem ainda os que mesmo por falta de estrutura se incomodam mais com problemas diversos do bairro do que com os problemas gerados pelo igarapé. E ainda há os que mesmo em condições precárias gostam do local em que moram. Mas, a boa notícia, é que essas famílias não são a maioria.


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MUDARIA PARA OUTRO LUGAR?

30% NÃO SIM 70%

Figura 6 - Mudariam para outro local. Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012 A maioria dos residentes na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 70%, afirmam um contundente sim. Desde que houvesse oportunidade, se mudariam para outro local, sendo que o restante, aproximadamente 30%, afirmaram que não, que permaneceriam no lugar em vivem, mesmo sob condições de infraestrutura precária e sujeitos às cheias anuais e alagações periódicas. Percebe-se que os habitantes que consideram positivo se mudarem para outros lugares são os que possuem habitações precárias, que, por sua vez, estão localizadas em condições de ausência de urbanização e de saneamento. A combinação de casas se desmanchando com ausência total de urbanização acontece nas proximidades do leito do igarapé e muitas vezes dentro do próprio leito. Entender essa circunstância é essencial para encontrar uma solução para o problema da ocupação irregular que se arrasta no tempo e parece para muitos insolúvel. Ocorre que a maioria das pessoas concorda em se mudar e são exatamente essas pessoas que se encontram em situação mais precária e nas áreas mais próximas ao igarapé, às vezes dentro dele. Ou seja, são essas famílias, as que concordam em sair, que deveriam, em uma intervenção pública voltada para restauração da mata ciliar do igarapé, serem as primeiras a mudar para casas populares em áreas já urbanizadas como as do programa “minha casa, minha vida”.


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Essa conjugação de interesses, onde de um lado as famílias querem se mudar e de outro são as que deveriam ser retiradas em uma primeira intervenção, facilita, sem dúvida, a intervenção pública.

TIPO DE IMOVÉL? 7%

ALUGADO PRÓPRIO

93%

Figura 7 - Qual o tipo de imóvel. Igarapé Santa Rosa, Xapuri, Acre em 2012

A maioria dos imóveis dos residentes na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 93%, pertencem aos seus atuais moradores. Sendo que o restante, aproximadamente 07%, são alugados. Nota-se que muito embora seja ainda pequeno, na faixa dos 7%, há um mercado imobiliário se consolidando em áreas de risco. Essa taxa de aluguéis sugere que os proprietários, também residentes na mesma área de risco, conseguiram acumular capital para adquirir outras moradias na mesma área de risco. Algo preocupante e que na medida em que se consolida funciona como um freio para intervenção pública.


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COMO ADQUIRIU O IMOVÉL? 2% 3% ALUGADO

9%

COMPRADO

7%

DOADO HERANÇA 79%

OUTROS

Figura 8 - Como o imóvel foi adquirido

A maioria dos residentes na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 79%, afirmam que o imóvel foi comprado. Sendo o restante 07% que o local foi doado, 09% conseguiram o imóvel por herança e 02% afirmam reconhecem que a área é onde vivem é invasão. Provavelmente não deve haver nenhum tipo de escritura imobiliária que confirme a compra do imóvel ou mesmo sua propriedade. Quando os entrevistados afirmam terem comprado o imóvel, isso quer dizer que possuem algum tipo de contrato de compra e venda dito “de gaveta”, que embora não tenham validade fiscal, podem ser reconhecido para fins de indenização. Além disso, nota-se que muitos dos locais onde os residentes afirmam que compraram, tudo indica tratar-se de área invadida, uma vez que as condições de urbanização são precárias, e há falta de infraestrutura. E possível que se trate de uma segunda ou terceira geração de moradores pós- invasão. Ou seja, embora a área tenha sido invadida há alguns anos, o mercado de compra e venda se consolidou mesmo não acontecendo à urbanização.


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De qualquer maneira o elevado índice de propriedades irregulares pode servir como motivador para uma ação pública mais eficiente no sentido de desabitar a área.

HÁ QUANTO TEMPO RESIDE NO LOCAL? DE 05 A 10 ANOS MAIS DE 10 A 20 ANOS

19%

MAIS DE 10 ANOS 16%

51%

MAIS DE 20 ANOS A MENOS DE 40 ANOS MAIS DE 40 ANOS

7% 5%

2% MENOS DE 05 ANOS

Figura 9 - Há quanto tempo residem no local

Na sua maioria 51% das moradias, ou das pessoas que vivem ali, estão lá há menos de 05 anos, o que fornece, por um lado, uma oportunidade para a intervenção pública no que se refere à retirada das habitações, mas por outro lado, gera preocupação no sentido de que a procura pela área é intensa. Ou seja, não adiantará um esforço para transferência das famílias para outros bairros sem que haja um esforço igualmente intenso no sentido de proteger a área de novas invasões. O que, seguramente, irá acontecer. Os dados afirmam que a maioria dos residentes na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 19%, se encontram no local a menos de 05 a 10 anos, o que pode ser considerado muito recente e, o mais grave, após a última alagação de que se tem notícia.


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Cabe ressaltar que uma boa parcela dos residentes a menos de 05 anos, afirmaram que residem no local apenas somente há alguns meses, e alegam estar à procura de um lugar melhor para viver, o que facilitaria uma intervenção pública mais eficiente.

QUANTAS PESSOAS RESIDEM NO IMÓVEL? 7% 28%

16%

DE 01 A 02 DE 03 A 04 DE 05 A 06 DE 07 A 08

49%

Figura 10 - Quantas pessoas residem no imóvel

A maioria das residências na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 49%, possuem menos de 03 a 04 moradores. Sendo que nos demais domicílios, 28% moram menos de 01 a 02 pessoas, e 16% das residências menos de 05 a 06 pessoas, em 07% das famílias residem de 07 a 08 pessoas. A idéia inicial de que a maioria das habitações funcionam como cortiços, com um número excessivo de pessoas vivendo em condições de salubridade ruim e com pouca privacidade e muita libertinagem, não se confirma com os dados obtidos. Na grande maioria das vezes, a quantidade de moradores está dentro dos padrões observados na área urbana.


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DE ONDE VEIO? 7% DE FORA DO MUNICÍPIO DO PRÓPRIO MUNICÍPIO

93%

Figura 11 - De onde vieram

Embora os residentes, em sua totalidade, sejam de origem acreana, aproximadamente 93%, são do próprio município de Xapuri. Sendo o restante, 07% vieram de outros municípios do estado do Acre.

2 RENDA E CONDIÇÕES DE VIDA


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FONTE DE RENDA DA FAMÍLIA? 12%

APOSENTADORIA 30%

AUTONOMO DESEMPREGADO

26% EMPREGO INFORMAL(SEM CARTEIRA ASSINADA) 9%

EMPREGO(COM CARTEIRA ASSINADA) OUTROS

14%

9%

Figura 12 - Qual a fonte de renda

Quase a metade dos residentes na área de influência do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 56%, possuem segurança financeira ou porque são assalariados com carteira de trabalho assinada ou são aposentados beneficiários do INSS. Por outro lado um total de 14% vivem na informalidade. O restante, 09%, alegam ser autônomos, e 09% estão desempregados atualmente. Os 12% que correspondem a outros, não se encaixaram em nenhuma das alternativas acima, são donas de casas ou fazem os chamados “bicos” para ajudar na despesa doméstica.

2%

RENDA MENSAL? DE 0 A 01 SALÁRIO MÍNIMO

3% 9%

MAIS DE 01 A 02 SALÁRIOS MÍNIMOS 49%

37%

MAIS DE 02 A 03 SALÁRIOS MÍNIMOS MAIS DE 03 A 04 SALÁRIOS MÍNIMOS MAIS DE 4 SALARIOS MINIMOS

Figura 13 - Qual a renda mensal


49

A maioria dos residentes na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 49%, afirmam que não ter renda alguma ou receber menos de 01 salário mínimo. Já o restante, 37% afirmam que recebem até 02 salários mínimos, 09% recebem de dois a três salários mínimos, outros 03% recebem de 03 a 04 salários mínimos, 02% recebem mais de 04 salários

RECEBE ALGUM AUXÍLIO DO GOVERNO?

26% NÃO SIM

74%

Figura 14 - Se recebem algum auxílio do governo mínimos.

Uma expressiva parcela das famílias não depende de qualquer tipo de auxilio público, quer seja como bolsa família quer seja como algum outro tipo de apoio estatal. A maioria dos residentes, 74%, afirmaram não receber nenhum auxílio do governo, enquanto que, 26%, afirmaram, por ocasião da entrevista, que recebiam um auxílio mensalmente. Essa informação contraria uma série de afirmações comuns a respeito dessa população que está sujeita a alagações e outras vicissitudes. Acreditase, no geral, que se trata de beneficiários das ações do governo que dependem dos programas sociais para sua sobrevivência. Não é bem assim. Promover o acesso aos programas sociais, uma vez que se trata de famílias que precisam do benefício, mas que, provavelmente, encontram entraves para acesso, pode funcionar como motivador para negociar sua transferência para outras áreas habitacionais.


50

QUAL BENEFÍCIO RECEBE? 2% 2% 2% APOSENTADORIA 19%

BOLSA ESCOLA BOLSA FAMÍLIA NÃO RECEBE OUTROS

75%

Figura 15 - Qual o tipo de benefício que recebem do governo

Dos moradores que recebem auxílio de programas sociais públicos, 19% recebem o auxílio do bolsa família e 02% recebem outros tipos de auxílios que não se enquadravam nas alternativas citadas. Segundo o instituto brasileiro de geografia e estatística – IBGE, em Rio Branco, cerca de 21.605 famílias são contempladas. Ainda assim, mais de 14 mil, mesmo se enquadrando no perfil de beneficiários, não recebem o auxílio do governo federal, devido a um conjunto de razões, onde a dificuldade de acesso surge como a principal delas.

QUAL O TIPO DE ILUMINAÇÃO ?

ENERGIA ELÉTRICA

100%

Figura 16 - Qual o tipo de iluminação nas residências


51

A totalidade das habitações localizadas na área de influencia do Igarapé Santa Rosa, 100%, tem acesso à energia elétrica, tantos os residentes na zona urbana quanto os que residem na zona rural. É importante salientar que a área considerada como zona rural, corresponde à região da nascente do Igarapé Santa Rosa, onde não há concentração de moradores.

TIPO DE CONSTRUÇÃO? 12% ALVENARIA 39% MADEIRA MISTO 49%

Figura 17 - Qual o tipo de construção

O emprego da matéria-prima madeira é comum nesse tipo de habitação. Geralmente se trata de madeira usada várias vezes em outras residências e, quando novas, de madeira branca usada em caxotaria de concreto e que são encontradas em depósitos de resíduos da construção civil. A maioria das residências, 49%, são construídas em madeira. Do restante, 39% são construídas em madeira e possuem partes em alvenaria e 12% são construídas em alvenaria. A maioria das casas em madeiras se encontravam nas regiões mais carentes e quase sempre o seu estado de conservação eram precárias.


52

TIPO DE COBERTURA? 5%

ALUMÍNIO FIBRO-CIMENTO 95%

Figura 18 - Qual o tipo de cobertura do imóvel

O emprego de telha à base de amianto, também chamadas de fibrocimento, está em vias de ser proibido pelo conselho nacional de meio ambiente, o CONAMA, devido a evidencia científica de que essa matéria-prima causa um tipo de câncer chamado de ABESTO, no entanto, a grande maioria das residências, 95%, quase que a totalidade são recobertas por telhas de amianto. Outros 05% dos domicílios são cobertos com telhas de alumínios. Apesar da proibição da legislação ambiental, a cobertura com telhas de amianto, estas estão entre as mais utilizadas principalmente na cobertura de construções rurais e moradias populares, isto se deve, principalmente, ao baixo custo justamente por apresentarem como diferencial a possibilidade de vencer grandes vãos sem o uso de apoios intermediários, sendo leves e resistentes e podendo ser apoiadas em estruturas de madeira, metálicas ou de concreto.


53

ACESSO A PROPRIEDADE 2% RAMAL RUA 98%

Figura 19 - Como é o acesso a propriedade

A maioria do acesso aos domicílios que se encontram no entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 98%, são ruas. O restante, aproximadamente 02% o acesso era por ramal. No entanto vale considerar que a maioria das ruas não eram asfaltadas e algumas estavam em condições precárias.

ESTADO DE CONSERVAÇÃO DA VIA BOM 33%

32% REGULAR RUIM 35%

Figura 20 - Qual o estado de conservação da via de acesso a propriedade

A maioria dos residentes entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 35%, afirmam que o estado de conservação da via é regular, sendo que o restante, 33% afirmam que o estado de conservação é ruim, e 32% afirmam que o estado de conservação é bom.


54

Como foi dito anteriormente, a maioria das ruas não eram asfaltadas, ou não tinham pavimentação alguma ou eram pavimentadas de tijolos.

MEIO DE TRANSPORTE 2%

14%

A PÉ 35%

AUTOMÓVEL BICICLETA CARRO COM TRAÇÃO ANIMAL

44%

MOTO 5%

Figura 21 - Qual o meio de transporte mais utilizado

Como a urbanização é precária nessas áreas o transporte de passageiros por ônibus também não acontece. A maioria dos residentes do entorno do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 44%, afirmaram que o seu meio de transporte era a bicicleta, e 35% afirmaram que se deslocavam a pé. Sendo o restante dos 21%, 14% utilizam motos, 05% utilizam automóveis e 02% carro com tração animal. O gráfico mostra as características típicas de cidades do interior, por serem consideravelmente pequenas o principal meio de locomoção dos seus moradores ou é a bicicleta ou a pé.


55

MEIO DE COMUNICAÇÃO TELEFONE

2% 2% 5%

TELEFONE E RÁDIO

12%

TELEFONE E TELEVISÃO 25% TELEFONE, TELEVISÃO E INTERNET

12%

TELEFONE, TELEVISÃO E RÁDIO 7% 35%

TELEFONE, TELEVISÃO, INTERNET E RÁDIO TELEVISÃO TELEVISÃO E RÁDIO

Figura 22 - Quais seus meios de comunicação

A televisão está presente em 42% dos domicílios, um número bem inferior à média estadual de 98%. Um total de 32% possui telefone, telefone rádio, uma minoria dos entrevistados tem acesso à internet em suas residências. A maioria dos residentes entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 35%, possuem telefone, televisão e rádio. 25% afirmaram que possuíam somente telefone e televisão e o restante dos 40%, 12% possuem telefone, televisão, rádio e internet, outros 12% possuem somente televisão, 07% possuem telefone, televisão e internet, 02% possuem apenas telefone, outros 02% possuem telefone e rádio, e 05% afirmam possuir apenas televisão e rádio.


56

3 Uso do solo

O QUE PLANTAR? 2% FRUTÍFERAS 30%

FRUTÍFERAS E HORTALIÇAS NADA

65%

OUTROS

3%

Figura 23 - O que planta

A maioria dos residentes entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 65%, não plantam nenhum tipo de cultura, e 30% afirmam que em suas áreas possuem frutíferas. O restante dos 5%, 3 % plantam frutíferas e hortaliças, e 02% outro tipo de cultura. Por conta das entrevistas em sua maioria terem sido realizadas no perímetro urbano, os entrevistados não possuíam plantações em suas áreas, no máximo algumas frutíferas e hortaliças, mas somente para o próprio consumo e não para fins comerciais.

TIPO DE PRODUÇÃO

35%

MANUAL NÃO PLANTA

65%

Figura 24 - Qual o tipo de produção


57

A maioria dos residentes entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 65%, não plantam nenhum tipo de cultura, e os que possuem plantações de algo, aproximadamente 35%,afirmam que a produção é manual. Como o gráfico anterior mostra, não há a existência de plantações para fins comerciais, portanto não haveria a necessidade de produção mecanizada. São apenas plantações de subsistência, pequenas cultivares.

REALIZA QUEIMA

NÃO QUEIMA

100%

Figura 25 - Se realizam queima

Apesar de a prática de queimada ser corriqueira em áreas rurais, com a pressão exercida pelos órgãos de controle para regularizar ou licenciar a queimada tem feito com que essa prática se reduza a cada ano. Por se tratar, em sua maior parte, de um perímetro urbano e não terem plantações para fins comerciais, logo não necessitam realizar, assim 100% dos moradores responderam que não realizam queimadas em suas áreas.


58

DESTINO DA PRODUÇÃO

30% NÃO PLANTA SUBSISTÊNCIA 70%

Figura 26 - Qual o destino da produção

A maioria dos residentes entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 70%, não plantam nenhuma cultura em suas áreas, e os 30% que afirmaram plantar algo era para consumo próprio e não comercialização.

REALIZA ATIVIDADE EXTRATIVISTA OU FLORESTAL?

NÃO

100%

Figura 27 - Se realiza alguma atividade extrativista


59

QUAL O DESTINO DA SUA PRODUÇÃO EXTRATIVISTA?

NÃO REALIZA

100%

Figura 28 - Qual o destino da sua produção extrativista

Em todas as questões relacionadas à prática de atividades extrativistas, a totalidade dos entrevistados, 100%, afirmaram não realizar nenhuma atividade extrativista, já que a maioria das entrevistas foram realizadas na zona urbana esse resultado já era esperado.

CRIA ANIMAIS? 14% NÃO

SIM 86%

Figura 29 - Se cria animais

A maioria dos residentes do entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 77%, afirmaram que não criavam animais, sendo o


60

restante 23% afirmam que sim, criam algum tipo de animal na sua área. No entanto, criam para fins de subsistência e não para a comercialização.

QUAIS ANIMAIS CRIA? 19% 2%

AVES GADO,AVES,EQUINOS NÃO CRIA

79%

Figura 30 - Quais animais criam

A maioria dos entrevistados 79% não cria nenhum tipo de animal, apenas 19% criam aves e 02% criam gado, aves e eqüinos.

QUAL O DESTINO DA CRIAÇÃO DE ANIMAIS?

21% NÃO CRIA SUBSISTÊNCIA

79%

Figura 31 - Qual o destino da criação


61

No total de 21% dos entrevistados fazem criação de animais para a subsistência, e 79% não possuem nenhuma criação animal.

4 Implicações ambientais relacionadas ao igarapé

ABASTECIMENTO DE ÁGUA? 2% 7% OUTROS POÇO ESCAVADO(CACIMBA) REDE PÚBLICA 91%

Figura 32 - Como é feito o abastecimento de água

A maioria dos residentes na área de influência do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 91%, possuem abastecimento em rede pública de água, enquanto 07% possuem poço escavado para o abastecimento. Os demais 02% corresponde a respostas que não se enquadram nas alternativas citadas.


62

DESTINO DO ESGOTO 3% 2% 16%

FOSSA SÉPTICA IGARAPÉ/RIO OUTROS VALA 79%

Figura 33 - Qual o destino do esgoto

A maioria dos residentes do entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 79%, afirmam que o destino do esgoto é o igarapé ou o rio, sendo o restante dos 21%, 16% afirmam ter fossa séptica, 03% outro tipo de instalação sanitária e 02% afirmam ter vala. Vale ressaltar que quase a totalidade das entrevistas foram realizadas na zona urbana, sendo assim, é preocupante essa falta de saneamento básico. Segundo o Documento Síntese Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre, somente 17,04% dos domicílios de Xapuri tem atendimento aos serviços de esgotamento sanitário. Esse percentual é até regular considerando que em alguns municípios praticamente 100% dos domicílios não estão ligados a rede geral e nem dispõem de fossa séptica.


63

DESTINO DO LIXO 2% 5% COLETADO NO IGARAPÉ/RIO QUEIMADO

93%

Figura 34 - Qual o destino do lixo

A maioria dos residentes do entorno da extensão do Igarapé Santa Rosa, aproximadamente 93%, afirmam que o lixo é coletado, no entanto o restante dos 7%, 2% afirmou que queimam o lixo e 2% que jogam no igarapé ou rio. Segundo o ZEE, o percentual da população que possui o serviço de coleta de lixo domiciliar no município de Xapuri é de 52,55%, uma taxa de atendimento considerada. No entanto, a maioria dos entrevistados que afirmaram ter o lixo coletado também informaram que deixam o lixo nas ruas principais, já que o acesso a rua das suas casas é precário.

QUAIS AS FONTES DE ÁGUA EXISTENTE NA SUA PROPRIEDADE? 2% AÇUDE 42% 56%

Figura 35 - Quais as fontes de água existentes na propriedade

NÃO POSSUI RIO E/OU IGARAPÉ


64

A maioria dos entrevistados 56% possuem rio ou igarapé em suas propriedades, 42% não possui nenhum fonte de água em sua propriedade.

FONTE DE ÁGUA PRÓXIMO AO IMÓVEL? 9%

RIO A MAIS DE 30 E MENOS DE 50 METROS DE DISTÂNCIA RIO E/OU IGARAPÉ COM OU A MENOS DE 30 M DE DISTÂNCIA

91%

Figura 36 - Se existe fonte de água próximo ao imóvel

No total de 91% dos entrevistados possuem rio e/ou igarapé a menos de 30 m de distância de suas residências.

USA A ÁGUA DO IGARAPÉ PARA ALGUMA COISA?

NADA

100%

Figura 37 - Se utiliza água do igarapé

Nenhuns dos entrevistados utilizam a água do igarapé para alguma atividade. As razões apontadas dizem respeito ao nível de poluição das águas, considerado elevado pelos próprios moradores.


65

EXISTE PROBLEMA DE ESCASSEZ DE ÁGUA? 16% NÃO SIM

84%

Figura 38 - Se existe problema de escassez de água

A maioria dos entrevistados 84% afirmaram que não há problema com escassez de água em alguma época do ano, uma minoria 16% afirmaram que sofrem com a falta de água.

PROBLEMAS COM ALAGAÇÃO?

23% NÃO SIM

77%

Figura 39 - Se existe problema de alagação

A maioria dos entrevistados disseram que a alagação afeta a região onde moram, e apenas 23% não sofrem com este problema. Um dos principais problemas enfrentados pelos moradores das encostas do Igarapé Santa Rosa


66

é o que eles definem como alagação. Na verdade há uma confusão conceitual corriqueira entre cheias e alagação que a população não costuma entender. Assumindo que cheias são as que ocorrem todos os anos quando a vazão do igarapé chega ao seu ponto médio superior e que alagação é quando a vazão ultrapassa a cota de transbordamento, o que a população residente afirma ser problema de alagação na verdade é de cheia. Acontece que como as residências encontram-se próximas demais do leito do igarapé as cheias anuais dificultam o acesso às residências e, em alguns casos, obriga o morador a ir para outra localidade. As cheias que ocorrem principalmente no mês de fevereiro devido aos elevados índices de precipitação comuns na Amazônia.

PROBLEMAS DE MEIO AMBIENTE NA COMUNIDADE? 2%

ALAGAÇÃO DESMATAMENTO

21%

44%

DESTINAÇÃO INADEQUADA DO LIXO FALTA DE ÁGUA TRATADA INCIDENCIAS DE DOENÇAS

9% OUTROS 2%

POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

3% 16%

QUEIMADAS 3%

Figura 40 - Se há problemas ambientais na comunidade

A maioria dos entrevistados 44% afirmaram que o problema que atinge a sua comunidade e a alagação, 21% disseram que a poluição das águas é bastante comum na região. Destinação do lixo no próprio igarapé, poluição do igarapé e ocorrência de cheias/alagação são apontados como os três principais problemas ambientais para a comunidade residente nas margens do Igarapé Santa Rosa.


67

É simples observar que se trata de um círculo vicioso no qual o próprio morador se vê às voltas com problemas ambientais cujas causas parecem ser sua própria atitude. É o lixo jogado no igarapé que polui as águas e contribui para alagar, ou seja, parece sem solução. Pelo fato de os entrevistados residirem a uma distancia pequena das margens do igarapé, quando perguntado a respeito dos problemas ambientais que atingem a comunidade nota-se que não somente um fator é tido como problema ambiental,mas sim um conjunto de fatores que acabam acarretando um dos principais problemas ambientais que é a poluição do igarapé.

EXISTE EROSÃO OU SOLO EXPOSTO? 14%

NÃO SIM

86%

Figura 41 - Se existe erosão ou solo exposto na área

A maioria dos entrevistados 86% não tem problemas com a erosão em sua propriedade.

5 Perspectivas para restauração da Mata Ciliar


68

EXISTE ÁREA DE VEGETAÇÃO NA PROPRIEDADE? 16% 2% ARVORES ISOLADAS MATA NÃO EXISTE 82%

Figura 42 - Se existe área de vegetação na propriedade

Somente em 2% das residências localizadas na mata ciliar do Igarapé Santa Rosa existe presença de uma capoeira em lento processo de regeneração que os moradores denominam de mata. Fazer com que essa pequena porção se alastre e acelere seu processo de regeneração natural deve ser prioridade para os projetos de restauração a serem elaborados. Em relação a vegetação existente na propriedade dos entrevistados, vemos que em 82% destas não existe vegetação, e nas 16% que existe vegetação, esta se apresenta em arvores isoladas, que provavelmente foram plantadas por algum residente para colheita de frutas de várias espécies.

ACHA IMPORTANTE A MATA CILIAR NO IGARAPÉ? 2%

NÃO SIM 98%

Figura 43 - Se acha importante a presença da mata ciliar


69

Mesmo sem entender exatamente o que é mata ciliar, quando esclarecido pelos entrevistadores que se tratava da vegetação que auxilia na manutenção do equilíbrio hidrológico do igarapé, o que pode significar minimizar a ocorrência de cheias/alagação, os residentes, 98%, concordam com a importância da mata ciliar. Todavia para 2% os argumentos a favor da mata ciliar não possuem cabimento e a mata atrapalha mais que ajuda. Esse tipo de postura pode ser modificado

com

campanhas

de

extensão

florestal

voltadas

para

a

conscientização com relação ao papel da mata ciliar para o igarapé.

CONCORDA COM REFLORESTAMENTO DA MATA CILIAR? 5%

NÃO SIM 95%

Figura 44 - Se concorda com o reflorestamento da mata ciliar

Os indicadores mostram prefeita sintonia com o gráfico anterior que tratou da importância da mata ciliar. Para os 05% dos moradores que não acreditam no efeito positivo da mata ciliar sobre a vazão do igarapé, também não há necessidade de seu reflorestamento ou restauração. Por outro lado, 95% defendem a recuperação da mata ciliar.


70

COLABORARIA COM A RECUPERAÇÃO DO IGARAPÉ? 5% NÃO SIM

95%

Figura 45 - Se colaborariam com a recuperação da mata ciliar

Dos que acham importante a recuperação da mata ciliar quase a totalidade, 95%, estão dispostos, inclusive, a trabalhar em projetos de recuperação florestal. Reforçando as informações dos gráficos anteriores, este mostra a disponibilidade dos moradores em relação à recuperação da mata ciliar.

DE QUE FORMA AJUDARIA? AGENTE ORIENTADOR 35%

51%

NÃO AJUDARIA PARTICIPAR EM PROGRAMA DE FORMAÇÃO PLANTANDO ÁRVORES

9%

5%

Figura 46 - De que forma poderiam colaborar

Dos entrevistados, 51% ajudariam plantando árvores, 35% estariam dispostos a serem agentes orientadores em suas comunidades. Uma vez que a


71

maioria dos residentes são pessoas com pouca formação laboral, o plantio de árvores aparece como atividade que mais estariam dispostos a colaborar para restaurar a mata ciliar. Por sorte está no plantio das árvores onde se encontra a maior demanda para a efetivação de projetos de restauração da mata ciliar. Um pequeno e providencial teste desse potencial colaborador dos residentes poderia ser realizado por da distribuição de mudas de espécies de maior IVI- mata ciliar nas residências para que os moradores realizassem seu plantio.

ACEITARIA PARTICIPAR DE UMA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES? 9%

NÃO SIM 91%

Figura 47 - Se aceitariam participar de uma associação

Os moradores também se motivam com a perspectiva de criação de uma associação civil voltada para cuidar do Igarapé Santa Rosa. Algo como uma associação de amigos do Igarapé Santa Rosa seria bem vindo, para 91% dos moradores, que topariam trabalhar para sua viabilidade. A idéia de se criar uma organização da sociedade civil, do tipo associação de amigos dos igarapés, tem sido colocada em prática, com sucesso, em regiões do sudeste do país. Embora nessas regiões a população possua maior nível de renda, de escolaridade e de informação. Experimentar o potencial desse tipo de iniciativa em Rio Branco poderia ser um objetivo imediato para intervenção pública municipal, tendo em vista que os dados corroboram a disposição dos moradores.


72

QUE TIPO DE INCENTIVO DEVERIA SER DADO PELO GOVERNO? CAPACITAÇÃO TÉCNICA 35%

37%

INCENTIVO FINANCEIRO OUTROS PLANTIO DE CULTURAS NATIVAS

2%

26%

Figura 48 - Que tipo de incentivo governamental deveria ser oferecido aos residentes

Apesar de se tratar de comunidades com nível de renda inferior, somente 26% apela para o incentivo público em dinheiro para atuar na restauração da mata ciliar do Igarapé Santa Rosa. A maioria, 37%, acredita que a formação e a informação, definidos na pergunta como capacitação técnica, seria suficiente para que eles entrassem em projetos de recuperação florestal da mata ciliar. Um número ainda expressivo de moradores, por sua vez, aposta na realização do plantio de mudas de árvores de espécies nativas da mata ciliar como único incentivo público para essa restauração.


73

6 CONCLUSÃO

O estudo realizado revela que maioria dos entrevistados utilizam-se das áreas que margeiam o Igarapé Santa Rosa, apenas como moradia, embora ainda que pequeno, há um mercado imobiliário nessas áreas de risco.Uma minoria utiliza o solo para plantação de algum tipo de cultura ou criação de animais, para subsistência, não possuindo qualquer caráter comercial. Nenhum dos entrevistados utiliza a água do igarapé para alguma atividade, por razões apontadas ao nível de poluição das águas. De acordo com os gráficos analisados notou-se que a destinação incorreta do lixo e do esgoto doméstico realizada diretamente no leito do igarapé são os principais poluidores e consequentemente causadores de cheias e alagações, resultando em um dos piores problemas ambientais, que é a poluição do mesmo. Gerando um grave problema relacionado ao saneamento básico na comunidade em questão. Levando em consideração que quase a totalidade das entrevistas foram realizadas na zona urbana, onde se concentra a maioria dos entrevistados, mostra a total ineficiência e o descaso político junto ao saneamento básico dos moradores de Xapuri. Foi constatado, diante da análise dos resultados, que a ocupação das zonas de APP nas margens do Igarapé Santa Rosa ocorreu de maneira desordenada desprovida de urbanização, infraestrutura e saneamento básico. Mesmo consideradas áreas urbanas, estas se classificam como áreas não edificantes. Este processo resultou na retirada da vegetação, que auxilia na manutenção do equilíbrio hidrológico do igarapé, o que pode diretamente influenciar na ocorrência de alagações, pelo aumento da vazão d’água decorrente das precipitações e uma futura escassez de água, tanto pela poluição do recurso, quanto da disponibilidade em função da retirada dessa vegetação. Pode-se afirmar que o conjunto de gráficos fornecem informações sociais, econômicas e ambientais satisfatórias sobre a comunidade residente na área de influência do Igarapé Santa Rosa, definindo a população residente de origem acreana, em geral, como uma comunidade de baixa renda, em alguns casos até mesmo vivendo em condições precárias. Quando realizam


74

alguma criação de animais ou plantações são para fins de subsistência e não para a comercialização. Outros possuem segurança financeira ou porque são assalariados com carteira de trabalho assinada ou são aposentados beneficiários do INSS. Segundo o Documento Síntese Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre, somente 17,04% dos domicílios de Xapuri tem atendimento aos serviços de esgotamento sanitário. Os locais aonde foram realizadas as entrevistas, são residências muito próximas ao igarapé e muitas vezes dentro do próprio leito, de acordo com resultado analisado aproximadamente 79%, afirmam que o destino do esgoto é o igarapé ou o rio, sendo o restante dos 21%, 16% afirmam ter fossa séptica, 03% outro tipo de instalação sanitária e 02% afirmam ter vala séptica,sendo assim é preocupante essa falta de saneamento básico. Os dados demonstram que a posição geográfica do Igarapé Santa Rosa, juntamente com o aumento da população urbana, repercutindo diretamente no crescimento da cidade em direção aos cursos d’água. Essa expansão foi promovida, basicamente, por pessoas de baixa renda e para de fins de moradia, em função das atividades econômicas desenvolvidas no município Xapuri, como a fábrica de preservativos e de tacos em madeira para assoalhos. O desmatamento para a instalação de pecuária extensiva também é, sem dúvida,

um

grave

problema

das

bacias

hidrográficas,

pois

provoca

assoreamento, o que torna ainda mais difíceis a navegação e o tratamento de água para abastecimento urbano. Portanto, depois de identificados os pontos de degradação, deve-se levar em consideração os tipos mais viáveis de recuperação dessas áreas. Os modelos mais adequados e indicados a restauração são: condução da regeneração natural, plantio direto e a implantação de espécies arbustivoarbóreas nativas regionais. Onde existe presença de uma capoeira em lento processo de regeneração que os moradores denominam de mata. Fazer com que essa pequena porção se alastre e acelere seu processo de regeneração natural. A implantação de arvores, por algum residente para colheita de frutas de várias espécies, também é uma técnica de reflorestamento ou restauração. Por fim, 95% defendem a recuperação da mata ciliar, o plantio direto de árvores aparece como atividade que mais estariam dispostos a colaborar para restaurar a mata ciliar.


75

7 RECOMENDAÇÕES

A partir das informações geradas no levantamento socioeconômico do Igarapé Santa Rosa a equipe de pesquisadores considera crucial a definição, a partir de discussão entre os técnicos da Andiroba e SEMA, dos seguintes próximos passos: 1

Definição dos trechos críticos no Igarapé Santa Rosa para recuperação florestal imediata;

2

Elaboração de projetos de recuperação florestal para cada um dos trechos críticos selecionados;

3

Implantação dos projetos de recuperação florestal e manutenção nos 2 primeiros anos.

Definição dos trechos críticos

Para definir quais os trechos deverão passar por restauração imediata, uma vez que estão críticos, tendo em vista seu adiantado estágio de degradação, a equipe de pesquisadores considera dois pontos fundamentais. Primeiro e mais importante que os trechos sejam definidos a partir de reunião, de técnicos, conjunta entre a SEMA e a equipe de pesquisadores da Andiroba, para que os trechos selecionados, reflitam a opinião da maioria dos técnicos e não desse ou daquele grupo. Segundo, que a definição dos trechos críticos, sejam realizadas com o maior rigor técnico possível, a fim de resguardar o objetivo principal de todo esse trabalho que é o de fazer com que o Igarapé Santa Rosa inicie um processo seguro de recuperação de suas características naturais em especial no que se refere ao equilíbrio hidrológico. Por rigor técnico a equipe entende que cada trecho crítico selecionado deverá estar amarrado em alguns critérios de seleção que em seu conjunto promovam o sucesso da restauração.


76

Muito embora fuja ao escopo do trabalho contratado pela a Andiroba, mas no intuito de orientar as discussões sobre a seleção dos trechos críticos, a equipe elaborou um conjunto de cinco critérios de seleção de trechos críticos que espera poder discutir melhor no momento da seleção. 1

Quanto mais próximo da nascente o trecho crítico estiver localizado, melhor;

2

Se o trecho incluir os dois lados da margem do igarapé, melhor;

3

Quanto menor a densidade demográfica na região do trecho crítico, melhor;

4

Se a localização do trecho crítico possibilitar a contratação de trabalhadores locais para realização das ações de recuperação florestal, melhor; e

5

Quanto maior as garantias institucionais para manutenção

dos

plantios

de

restauração

a

localização do trecho crítico promover, melhor. No parte do Igarapé instituída na área urbana torna-se difícil, por vários motivos, a utilização da metodologia descrita nesse trabalho. Nessa área a solução pode ser a urbanização, similar ao que foi realizado no Canal da Maternidade.


77

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do

Acre.

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Estadual

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ANEXOS

FORMULÁRIO USADO NO LEVANTAMENTO SOCIOECONOMICO; 1. DADOS DE CONTROLE DA FAMÍLIA 1.01. Data da Pesquisa: 1.02. Localização (Igarapé/Rio): 1.03. Município: 1.04. Nome do Entrevistador: 1.05. Coordenada Geográfica: 1.06. Nome do Entrevistado:

E

IDENTIFICAÇÃO

S W

1.07. Identificação do domicílio.

1.08. Tipo de Localidade:  1. Rural 2. Urbana 1.09. O que você acha do lugar onde mora?  1. Bom  2. regular  3. Ruim 1.10. Se você tivesse oportunidade de mudar para outro lugar você aceitaria?  1.Sim  2. Não. 1.11. O imóvel é : Próprio Alugado 1.12. Como adquiriu o imóvel?  1. Comprado  2. Doado  3. Invasão 1.13. Quanto tempo reside no imóvel?  1. Menos de 05 anos  2. De 05 a 10 anos  3. Mais de 10 a 20 anos

 4. Herança  5.Outros:________________  4. 

1.14. Quantas pessoas residem no imóvel?  1. De 01 a 02  3. De 05 a 06  2. De 03 a 04  4. De 07 a 08 1.15. De Onde veio? Do próprio município Se Fora do Município, de onde ? _____________________________

Mais de 20 a menos de 40 anos 5. Mais de 40 anos

 5. Mais de 08

De fora do município


2

2. FONTE DE RENDA 2.01. Qual a fonte de renda da família?  1. Emprego (com carteira assinada)  2. Desempregado  3. Emprego informal (sem carteira assinada)

 4. Aposentadoria  5. Autônomo  6. Agropecuária  7.Outros________________

2.02. Qual a renda familiar mensal?  1. De 0 a 01 salário  4. Mais de 03 a 04 mínimo salários mínimos  2. Mais 01 a 02  5. Mais de 04 salários salários mínimos mínimos  3. Mais 02 a 03 salários mínimos 2.03. A família recebe algum auxílio do Governo Federal, Estadual ou Municipal?  1. Sim  2. Não 2.04. Se sim, qual?  1.1. Bolsa Moradia.  1.2. Bolsa Família  1.3. Vale Gás  1.5. Outros. _________________  1.4. Bolsa Escola 3. HABITAÇÃO 3.01. Tipo de iluminação: 1. Energia elétrica 3. Vela 2. Lampião 4. Gerador

5. Placa solar 6 . Lamparina

3.02. Tipo de moradia: identificar a habitação a) Tipo de material empregado na construção: Madeira Alvenaria b) Tipo de cobertura: Palha Alumínio

Telha cerâmica

4. SERVIÇOS PÚBLICOS 4.01. O abastecimento de água no imóvel é feito?  1. Rede pública.  4. Águas superficiais (rios,  2. Poço escavado lagos, igarapés, (cacimba). nascente).  3. Açude.  5. Outros. 4.02. Qual o destino do esgoto?

Misto

fibrocimento


3

 1.

 3.





Rede pública 2. Privada

4.03. Qual o destino do lixo?  1. Coletado  2. Queimado  3. Enterrado

Fossa

 5. Igarapé/Rio  6. Outro

 4. Céu aberto  5. No igarapé/

 6. No mato  7. Outros

séptica 4. Vala

Rio

5. ACESSIBILIDADE 5.01.Tipo de acesso à propriedade: Estrada Rodovia Rua Ramal

Igarapé

5.02. Estado de conservação da via: Ótimo Bom 5.03. Carro com animal Bicicleta 5.04. Próprio

Meio tração

Quanto

Ruim

Regular

de Moto Automóvel

ao Público

A

tipo

de transporte: Alugado

5.05. Se público,quanto à qualidade do transporte: Ótimo Bom Regular 5.06. Quanto à freqüência Diariamente Semanalment e 5.07. Telefone Internet

Qual

o

Transporte: pé

Ruim

Mensalmente Anualmente Meio de Televisão Rádio

6. PRODUÇÃO 6.01. O que você planta na sua área? Produto  1. Arroz  5. Banana  2. Feijão  6. Mandioca  3. Milho  7. Frutíferas  4. Café  8. Hortaliças 6.02. A produção é : Manual 6.03. realiza queima na propriedade :

Mecanizada

Comunicação:

 9. Outros  10. Nada


4

 1.  

Área de pastagem para restauração 2. Abrir área de roçado 3. Abrir área de pastagens

 4. Outros  5. Não

queima

6.04. Qual é o principal destino da sua produção agrícola?  1.Subsistênci  2.Comercializa a ção

 3. Troca

6.05. Pratica alguma atividade extrativista ou florestal?  1. Sim  2. Não Se sim, qual  1.1. Não Madeireiro  1.3. Não Madeireiro  1.2. Madeireiro

(quais)? Madeireiro e

6.06. Qual é o principal destino dos produtos extrativistas ou florestais?  1.Subsistênci  2.Comercializa  3. Troca a ção 6.07. Cria animais?  1. Sim Se sim, quais? Criação  1.1. Gado  1.2. Ovinos  1.3. Aves



2. Não

 1.4. Caprino  1.5. Suínos  1.6. Peixes

 1.7.

6.08. Qual é o principal destino da sua produção animal?  1.Subsistênci  2.Comercializa a ção



3.

Equinos

Troca

7.MEIO AMBIENTE 7.01. Quais as fontes e/ou cursos de água que existem na sua área?  1.Rio e/ou Igarapé  4. Cacimba  2. Açude  5. Outros  3. Nascentes ou olho de água 7.02. Existe próximo ao imóvel  1. Rio e/ou igarapé com ou a menos de 30 m de distância.  2. Vertente (nascentes) e/ou olhos d’água a menos de 50 m.

 3.  

Rio a mais de 30 e menos de 50 metros de distância. 4. Não. 5. Não sei.


5

7.03. O (a) Sr (a) usa a água do Igarapé e/ou Rio para:  1. Beber  3. Lavar  6. Outros  2. Tomar  4. Cozinhar  7. Nada banho  5. Pescar 7.04. Existe problema de escassez de água em alguma época do ano?  1. Sim  2. Não 7.05. Existe problema com alagação na propriedade?  1. Sim  2. Não 7.06. Quais os principais problemas do meio ambiente que existe na sua área ou comunidade?  1. Poluição das águas  5. Alagação  2. Desmatamento  6. Falta de água tratada  3. Queimadas  7. Incidências de doenças  4. Destinação inadequada  8. Outras do lixo

7.07. Existe erosão ou solo exposto (aquele sem vegetação) no imóvel?  1. Sim  2. Não 7.08. Existe alguma ÁREA DE VEGETAÇÃO NATURAL na sua propriedade?  1. Árvores isoladas  4. Sistema agroflorestal  2. Mata  5. Outros  3. Campo/capoeira  6. Não existe 7.09. Você acha que é importante a presença de mata ciliar para a preservação dos igarapés?  1. Sim  2. Não 7.10. O (a) Sr (a) concorda que todas as áreas ciliares desprovidas de vegetação devem ser reflorestadas?  Sim  2. Não 8.0. IDENTIFICAÇÃO POSSÍVEIS GESTORES

PARA

8.01. Esta disposto em colaborar na conservação do Igarapé: Sim Não 8.02. Deque forma você poderia ajudar na conservação do Igarapé: Participar em programa de Agente orientador formação Outros Plantando árvores 8.03. Aceitaria Participar de uma associação de moradores em regiões de nascente ? Sim Não


0

8.04.Qual o tipo de incentivo governamental seria mais adequado para a preservação do Igarapé: Incentivo Financeiro Capacitação Técnica Plantio de Culturas Nativas

Igarapé santa rosa  

Localizada no sudeste do Estado do Acre, o Município de Xapuri tem importância relevante para o entendimento da história do Estado Acreano...

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