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360 literatura

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Muitos estudiosos atribuem ao homem de Neandertal, que viveu há cerca de 300 mil anos, as primeiras preocupações de ordem estética, ou seja, da apreciação do belo, do artístico, e de ordem espiritual, na cadeia da evolução humana. Hipoteticamente, teria intuído sua transitoriedade, sua fragilidade diante do mundo infinito, e teve necessidade de transcendência, de ultrapassar os limites da matéria, do mundo físico, de buscar um elo entre a fugacidade aparente da vida e a eternidade. A inevitável e estimulante interação com o mundo físico fez com que ele caminhasse para uma tomada de consciência cada vez mais sofisticada. Teve necessidade de evocar supostas forças invisíveis, de fixar seu dia a dia e deixar seu rastro. O homem primitivo registrou imagens nas paredes das cavernas. Essas cenas, mais do que instantâneos extraídos de seu cotidiano, representavam sua percepção cada vez mais Recriação do homem de Neandertal, tendo como base esqueletos acurada do meio em que vivia, dando-nos um fósseis. vislumbre do passado. Em um sentido mais amplo, o homem observava os ciclos da vida e das coisas que desafiavam sua curiosidade infinita. Ele fez associações, verificou certas constâncias que pareciam apontar para regras e sistemas, e, mais e mais tomado de razão, começou a caminhar no eterno desvendar do mundo da matéria. Com o decorrer do tempo, cada vez mais uma parte da natureza humana que não se alimenta apenas da interação com o mundo concreto foi se sofisticando e manifestando. Há caminhos mais abstratos a percorrer, sentimentos e necessidades que nem sempre são objetivos ou equacionáveis. A arte procura expressar essas necessidades e sentimentos.

Museu Neanderthal, Croácia. Foto: Hemis/Easypix

CAPÍTULO 1 • ARTES

A escrita procura representar o pensamento por meio de caracteres convencionais. Até que esses caracteres fossem estabelecidos, um longo caminho foi percorrido. Os seres humanos começaram por desenhar objetos que podiam ser associados aos fatos que desejavam registrar de modo duradouro. Essa foi a fase da pictografia. Passaram, então, a representar ideias abstratas por meio dos objetos que tinham maior poder de analogia, de comparação, com a ideia que pretendiam expressar. Foi a fase do simbolismo, ou ideografismo, cujos sinais podem ser encontrados nos idiomas japonês, chinês e nos hieróglifos egípcios. 18

Art Media/Heritage Imagestate/Glow Images

A escrita

Detalhe do Livro dos mortos com hieróglifos, c. XIV a.C.


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