UNIDADE 1 VARIEDADES LINGUÍSTICAS
Vale observar que o preconceito ao homem e à mulher do campo, até agora em vigência, traz também embutido o desprezo, tão inculcado nas classes médias e altas, ao trabalho braçal. Observa-se em nosso país que o de mais valor é o fazer saber e não o saber fazer, a cultura do ócio, o dolce far niente, de uma moral aristocrática antiga [...]. Não se misturando “às coisas do povo” [...], as elites de classe média, corroborando o que acontece nas classes altas, ficam de bem com os padrões dominantes os quais eventualmente lhes poderiam acenar com uma promoção social, no granjeamento, na excitação e desfrute de suas benesses. Célia Tolentino. In: Álvaro Catelan; Ladislau Couto. Mundo caipira: histórias e lendas da música caipira no Brasil. Goiânia: Kelps, UCG, 2005. p. 34.
Como você pôde notar, a socióloga, em seu discurso, optou pelo emprego de frases mais longas, por ordenaDiscurso e contexto ções pouco comuns das palavras e por um vocabulário mais • Discurso é todo ato linguístico de fala ou de escrita que estabelece comunicação entre elaborado e específico, adequando assim o seu “modo de dois ou mais interlocutores (quem fala/esfalar” à situação de comunicação: uma entrevista tratando creve e quem ouve/lê). • Contexto é a situação particular em que se de um tema relacionado à profissão dela. desenvolve o ato de comunicação. O conQuando usamos a variedade padrão, não significa, texto é formado por elementos linguísticos (o discurso) combinados a elementos não no entanto, que precisamos empregar um vocabulário mais linguísticos (o local, o assunto, o número de interlocutores, o tipo de relação pessoal, “difícil” e frases “complicadas”. Isso porque, dentro da própria social e/ou profissional entre eles etc.). variedade padrão, existe a possibilidade de adequarmos nosso nível de linguagem, isto é, podemos falar/escrever de maneira mais formal ou menos formal, dependendo do contexto em que se realiza o ato de comunicação. O texto a seguir, por exemplo, está redigido na variedade padrão, mas é bem menos formal que o anterior.
Qual a origem do Dia da Consciência Negra?
Na década de 1970, um grupo de quilombolas no Rio Grande do Sul cunhou o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra: uma data para lembrar e homenagear o líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, assassinado nesse dia pelas tropas coloniais brasileiras, em 1695. [...]. Segundo a historiadora da Fundação Cultural Palmares, Martha Rosa Queiroz, a data é uma forma encontrada pela população negra para homenagear o líder na época dos quilombos, fortalecendo assim mitos e referências históricas da cultura e trajetória negra no Brasil e também reforçando as lideranças atuais. “É o dia de lembrar o triste assassinato de Zumbi, que é considerado herói nacional por lei, e de combate ao racismo”, afirma. A lei federal de 2011 (12.519) instituiu o 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. [...] Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/educacao>. Acesso em: 3 fev. 2014.
19
Antônio Parreiras. 1927. Óleo sobre tela. Museu Antônio Parreiras, Rio de Janeiro
Data é celebrada em 20 de novembro para lembrar Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, assassinado por tropas coloniais em 1695