DOC MARKETING
Alice Selles Mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial; diretora da Selles Comunicação Integrada
VAMOS FALAR (E PENSAR) SOBRE RESILIÊNCIA
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Não são as espécies mais fortes que sobrevivem, nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças” Charles Darwin
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ode parecer uma provocação minha citar Darwin em um momento como o atual, no qual um vírus coloca em questionamento os hábitos da população mundial. Pode parecer... e é. Todos os médicos e serviços de saúde já foram impactados pela pandemia. Sem ignorar o problema e os efeitos imediatos do isolamento social no movimento dos consultórios, clínicas, hospitais e operadoras de planos de saúde, gostaria de me ater aqui à questão da transformação social, à mudança de hábitos e em como isso altera de forma mais perene a dinâmica de relacionamento entre pacientes e serviços. Pensemos no número de pessoas que, antes da pandemia, nunca trabalharam remotamente (home office): a crise veio e, em pouco tempo, empresas e profissionais se organizaram como puderam para não interromper completamente suas atividades. Muitas pessoas nunca haviam participado de uma reunião virtual, mas, certamente, depois que a crise passar, questionarão a necessidade de enfrentar trânsito para reuniões que podem acontecer remotamente. O comércio eletrônico, que já crescia ano após ano, ganha impulso, e pelo menos um pouco do hábito incorporar-se-á às rotinas depois que a crise passar. Porém, a ideia aqui não é fazer divagações sociais: minha questão, como profissional de Marketing que atua na área da Saúde, é pensar sobre os impactos dos novos hábitos sociais no relacionamento entre pacientes e serviços. A Telemedicina, criticada por muitos, transformou-se em uma alternativa para a manutenção do atendimento. Seja de forma amadora ou mais estruturada, está sendo experimentada por muitos pacientes e profissionais. Quando a crise passar, uma parte desse hábito terá sido incorporada. Seus pacientes questionarão a necessidade de atravessar a cidade ou perder muito tempo no trânsito para levar exames que podem ser encaminhados por e-mail e discutidos em um consultório virtual. A palavra de ordem é resiliência. Estamos – todos – tendo que nos adaptar a novos tempos, novas rotinas, novos hábitos. Nossa criatividade e capacidade de se reinventar estão sendo postas à prova. Não faz nenhum sentido agir como uma criança mimada e bater o pé, querendo a volta de nossos hábitos. Após a crise, nós – e nossas empresas e consultórios – não seremos mais os mesmos, pois nossos clientes e pacientes terão se transformado um pouquinho. Esse “pouquinho” certamente traz oportunidades de crescimento, desde que estejamos dispostos a ver isso e a mudar a nossa forma de atuação. É claro que será preciso testar e estar aberto a falhar. Quem persistir na busca de oportunidades sairá da crise mais apto aos novos – e inevitáveis – tempos, nos quais coisas novas acontecem a cada minuto.