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PERFIL

no pioneirismo. Os outros sócios, mais focados na Gestão, tinham uma visão mais de curto prazo. Nada contra, mas dessa forma era difícil ter um alinhamento. Só quando passamos a investir mais em tecnologia e qualidade, mudando os métodos e o sistema e investindo em inovação, conseguimos organizar tudo. O retorno financeiro veio como consequência”, avalia o radiologista.

Como médico, sempre pensei em longo prazo, na qualidade, na tecnologia e no pioneirismo. Os outros sócios tinham uma visão mais de curto prazo. Nada contra, mas dessa forma era difícil ter um alinhamento”

Do jaleco ao escritório

Romeu Domingues

Wellington Nemeth

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Depois de contar a sua história, Domingues faz uma análise do seu processo de transformação, de médico para gestor em Saúde. Segundo ele, foi algo natural, enquanto as coisas aconteciam. “A gente tem que pagar contas, então acaba aprendendo. Sempre valorizei as pessoas. Minhas primeiras equipes eram compostas por médicos, todos começando conosco. Isso foi importante, porque nos permitiu incutir neles a nossa cultura, fazendo-nos crescer. As pessoas são os nossos maiores ativos”, defende. O radiologista conta que esse processo de mudança também incluiu outras ações, como frequentar cursos e simpósios. Porém, seu maior aprendizado como gestor veio a partir das parcerias que fez com seus sócios. “Lembro que, quando eu participava de negociações para comprar aparelhos, lá na época da Multiplan, nos anos 90, sentia como se aquilo fosse um MBA. Ter sócios, principalmente os com grande conhecimento financeiro e de negócios, foi algo que me ensinou muito. Sou médico e sei das minhas deficiências. Com a vivência dos sócios, tive a humildade de ouvir e aprender”, revela Domingues. Como gestor, o radiologista precisou lidar com conceitos até

então estranhos para ele, como governança, conselho administrativo e auditoria. “Não imaginava chegar onde cheguei. Meu pai sempre disse que o importante era ser um bom médico. Era isso que eu queria ser. Dei muitas aulas, fui para o exterior, me tornei um pioneiro e me realizei profissionalmente. As oportunidades foram surgindo no meio do caminho. Mas o que quero e sempre quis é fazer uma boa Medicina: oferecer o melhor para o paciente e me preocupar com a sustentabilidade do setor, tudo com muita honestidade”, resume.

Futuro de desafios Com uma trajetória tão bem-sucedida, Romeu Domingues revela que continua motivado pelos desafios da profissão. “O grande desafio é acordar todo dia motivado. Trabalho de 12 a 14 horas por dia e gosto de acordar todo dia animado para isso. Sei, no entanto, que há grandes desafios no setor de saúde hoje, tanto público quanto privado, para garantir a sustentabilidade do mercado. Represento a maior empresa de diagnósticos da América Latina. Temos a responsabilidade de ajudar o sistema a se sustentar”, acredita. A principal forma de alcançar esse objetivo é tendo o foco no paciente, que precisa ser visto de maneira integral. Ao ser questionado sobre como um radiologista pode fazer isso, já que muitos têm pouco contato com os pacientes, Domingues é enfático: “Ele tem que ser cada vez mais médico”. O profissional conta que, como médico, sempre quis saber mais do paciente do que apenas emitir um laudo, questionando quem o indicou para fazer o exame, o porquê de o paciente estar ali e qual é o seu quadro clínico. “Ou seja, é preciso ser um médico completo. O radiologista não


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