Expansão profissional Um ano depois, Domingues conheceu o empresário José Isaac Peres, fundador e presidente da Multiplan, responsável por uma rede de shoppings espalhados por todo o país. O encontro resultou no convite para o radiologista abrir uma clínica de diagnósticos por imagem em um desses shoppings.
“Eu não tinha dinheiro, mas ele investiu nesse projeto. Entrei com o trabalho e me tornei sócio”, revela. Nascia, então, uma das maiores redes de diagnóstico do Rio de Janeiro, o CDPI – Clínica de Diagnóstico por Imagem. Durante sete anos, a parceria deu mais do que certo e o CDPI se consolidou como referência no diagnóstico por imagem. Quando Peres decidiu vender a sua parte, Domingues revela que estava disposto a comprá-la, mas outro empresário – também médico – entrou na sua vida. “Era Edson Bueno, que queria investir no CDPI, mas queria me manter por ali. Trabalhamos juntos por oito anos e ele chegou a se tornar sócio também da Multi-Imagem, uma clínica que abri, em 1997, junto com meus irmãos”, relembra. Até que, com tantos negócios espalhados e administrando várias marcas – inclusive a do Laboratório Sérgio Franco, maior rede de análises clínicas do Rio de Janeiro –, os sócios decidiram fazer uma fusão, para garantir a continuidade de expansão dos negócios. Assim, as marcas que Domingues, Bueno e seus sócios administravam foram incorporadas à Dasa, considerada líder brasileira em Medicina Diagnóstica. Domingues assumiu como CEO interino da Dasa, mas, hoje, é presidente executivo do Conselho de Administração da entidade. Edson Bueno faleceu em 2017, aos 73 anos. A incorporação das suas clínicas e marcas à Dasa foi um novo desafio profissional para Romeu Domingues. “Era uma empresa que havia crescido muito rápido e que não tinha uma cultura definida. Precisávamos fazer um alinhamento, para deixar bem claros os objetivos. Como médico, sempre pensei em longo prazo, na qualidade, na tecnologia e
Wellington Nemeth
Apesar desse exemplo tão forte, o radiologista foi além, apostando no pioneirismo. Em 1980, passou para o vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Anos depois, fez residência no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, ligado à mesma universidade. Depois de alguns trabalhos publicados, já atuando como radiologista e com um currículo bem construído, Domingues conseguiu uma bolsa para ser fellow na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em 1989. Ele considera que foi essa experiência que mudou para sempre sua trajetória profissional. “Nos anos 80, a Radiologia estava engatinhando. Pensei em fazer Clínica Médica, como meu pai, mas optei pela Radiologia pelo desafio de lidar com novas tecnologias que estavam surgindo. Todos diziam que era uma área que cresceria muito nos anos seguintes. Fui para Harvard aprender sobre ressonância. Quando voltei, fui um dos primeiros no Brasil a trazer esse tipo de exame para cá”, conta o médico. Em 1994, Domingues abriu a primeira clínica, a IRM – Ressonância Magnética. A iniciativa só foi possível com o financiamento de um aparelho de ressonância de uma grande empresa de tecnologia e com a ajuda de amigos e familiares, que emprestaram dinheiro.
Optei pela Radiologia pelo desafio de lidar com novas tecnologias que estavam surgindo. Todos diziam que era uma área que cresceria muito nos anos seguintes” Romeu Domingues
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