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CAPA conseguir realizar um bom desfecho, mas pode ser que o resultado não seja o esperado”, esclarece. Além de ter uma relação de transparência, o médico não deve dar falsas expectativas. “Devemos alimentar as esperanças, mas com toda a verdade, dizendo sempre qual é a realidade de cada caso”, pontua o ginecologista. Para Mantelli, quando as expectativas são depositadas em resultados irreais ou as coisas não saem como o planejado, é importante deixar a paciente informada, em todos os momentos, sobre um “plano B”. Ele cita, como exemplo, a paciente que deseja a todo custo fazer um parto normal e rejeita a cesárea como alternativa. Porém, nem sempre é possível atender essa expectativa. “Quando a mulher quer um parto normal mas ele vira uma cesárea, ela deve entender que o momento mais importante da vida é o nascimento do filho, e que o tipo de nascimento não pode estar acima da expectativa da chegada”, defende. Outro ponto de muita relevância abordado pelo obstetra é a melhor maneira de lidar com as expectativas do pai do bebê. “Acho que a participação do pai é fundamental

para que tenhamos uma integração melhor, principalmente no momento do nascimento", opina. Além dos aspectos do atendimento, ao analisar o cenário geral, Mantelli destaca que contratempos podem acontecer. “Isso serve para que possamos aprender a nos aprimorar, já que buscamos a excelência no atendimento ao cliente”, enfatiza.

Família envolvida Na Pediatria, assim como na Obstetrícia, os médicos precisam lidar com mais pessoas além do paciente, e, como há crianças envolvidas, a preocupação pode se manifestar de maneira ainda mais intensa. De acordo com a pediatra Martina Cattaccini, atuante nas áreas de Pediatria Integrativa, Alergia e Imunologia, o médico nunca terá pleno controle da expectativa dos pais. “A única forma do paciente não depositar toda a confiança em tratamentos infalíveis é compreendendo o que acontece. Quando todos os processos são bem explicados, ele cria menos expectativas inatingíveis”, defende. Além disso, a especialista afirma ser fundamental manter um canal de comunicação aberto, por telefone ou por e-mail, para eventuais dúvidas que apareçam após a

“É comum que pacientes venham até nós como a última opção de tratamento. Nesses casos, temos que deixar claro que sempre faremos o possível para conseguir realizar um bom desfecho, mas pode ser que o resultado não seja o esperado” Divulgação

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Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra

consulta. “Isso porque nem sempre o paciente tem a capacidade de compreender toda a explicação quando está sentado em frente ao médico. Se não há a possibilidade de esclarecer possíveis dúvidas após o atendimento, temos um espaço aberto para insatisfação. Sendo assim, o profissional não controla os anseios da família, mas pode trabalhar para que sejam amenizados”, acredita. O fato de crianças não conseguirem expressar corretamente seus sentimentos, sua dor e suas queixas faz com que o bom relacionamento entre o pediatra e a família seja essencial. “Vivemos em um mundo de interpretação, com especulações a todo tempo. Não é justo cobrar dos pais que eles compreendam seus filhos como um todo”, explica Martina. Para a médica, com bom senso e tato, é possível construir ótimas relações com as famílias. “Assim, podemos compreender melhor o contexto em que a criança está inserida e como devemos lidar com cada caso”, garante. Nessa busca por melhoria nas formas de lidar com a expectativa e as relações dentro do consultório, Martina cita a Pediatria Integrativa, que é embasada em evidências. Esse conceito é a união dos modelos terapêuticos tradicionais antigos, das Medicinas alternativas e complementares contemporâneas, com a Medicina convencional. “Na Medicina Integrativa, o cuidado centrado no paciente contempla a empatia clínica, a promoção da saúde individualizada, a humanização das relações interprofissionais, a construção de evidências científicas, as mudanças na educação em Saúde e a busca por uma boa relação custo-efetividade. Integram-se corpo, emoções e ambiente”, explica a pediatra.


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