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CAPA

Questão de peso Outra especialidade que lida com expectativas o tempo todo é a Cirurgia Bariátrica, hoje considerada uma das formas mais efetivas para tratar a obesidade em níveis mais graves. De acordo com o cirurgião Felipe Koleski, especialista em Cirurgia Bariátrica e Metabólica pela Associação Médica Brasileira (AMB), muitos pacientes buscam a cirurgia como cura definitiva para essa condição. “Muitos pensam que, ao operar, poderão comer o quanto quiserem,

o que quiserem e como quiserem e continuarão magros. Outras pacientes acreditam que já sairão da sala de cirurgia magras e que se transformarão em modelos de capa de revista, ou seja, terão um corpo que não existe na realidade”, relata. De acordo com Koleski, a melhor forma de controlar esses falsos desejos é por meio de uma equipe multidisciplinar bem preparada, que trabalhará com as expectativas dos pacientes, e deixar bem claro o que a cirurgia pode oferecer. “É um trabalho em equipe, em que

Quando a insatisfação é inevitável As atitudes de um paciente insatisfeito podem ter grande impacto na carreira, na rotina e no bem-estar do profissional da Saúde. De acordo com Felipe Koleski, como a Medicina não é uma ciência exata, é impossível um cirurgião não ter alguma complicação cirúrgica na vida. “Os pacientes satisfeitos com os resultados fazem uma propaganda positiva muito boa, mas aqueles em que nem tudo ocorreu como o esperado acabam fazendo uma propaganda negativa maior ainda”, afirma. Hoje, com o aumento da judicialização na Saúde, ele reforça aspectos que podem minimizar esse dano:

cada um tem seu papel. Uma equipe que realize cirurgias bariátricas, obrigatoriamente, deve ser constituída por cirurgião bariátrico, endocrinologista, nutrólogo, nutricionista e psicólogo. Toda essa equipe levará ao paciente a informação adequada e, assim, reduzirá as falsas expectativas”, assegura. Ao ser questionado sobre alguma história marcante em que teve medo de não alcançar as expectativas do paciente, o cirurgião destacou que realizou mais de 3,5 mil cirurgias bariátricas e sempre

“É um trabalho em equipe, em que cada um tem seu papel. Toda essa equipe levará ao paciente a informação adequada e, assim, reduzirá as falsas expectativas” Felipe Koleski, cirurgião bariátrico

• Informação adequada e bem documentada; • Folhetos informativos; • Consentimento informado adequado; • Melhor relação possível do médico com o paciente e com a família.

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Jefferson Silva dos Santos

Segundo o especialista, muitas vezes, na vigência de uma intercorrência, os pacientes estarão ainda mais fragilizados e vulneráveis, ouvindo diversas opiniões e prontos para um enfrentamento. “Devemos manter a calma, tentar mostrar a real situação clínica, sem acobertar fatos. Um caso de insucesso afetará psicologicamente o cirurgião, mas lembre-se que ainda mais abalados estarão o paciente e seus familiares. Nós, cirurgiões, precisamos agir mesmo em situações desfavoráveis. Fomos treinados para isso”, relembra. Além dos impactos psicológicos, Koleski conta que os danos de imagem serão inevitáveis, mas o tempo e a continuidade de um trabalho sério, aos poucos, recolocam o cirurgião dentro do mercado. Ele destaca que o médico não deve se esquecer que é humano e, nos momentos possíveis, deve buscar algo para relaxar, seja ler um livro, ouvir uma música ou praticar uma atividade física. “Nestes anos de cirurgia, já mudei muitas vezes minhas rotinas e não tenho vergonha nenhuma em dizer isso. Sou quase uma metamorfose ambulante, parafraseando Raul Seixas”, afirma.


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