ENTREVISTA
variação da moeda estrangeira. Da mesma forma, um planejamento bem elaborado traz tranquilidade quando a pessoa tem investimentos em ações e a bolsa cai, pois é previsível que as crises criem oportunidades nos momentos de recuperação. Quedas dessa natureza nada mais são do que um passo para trás para dar três à frente. DOC – Como o profissional deve lidar com taxações e impostos aumentando por conta da recessão? De que maneira ele pode organizar seus gastos?
“O Brasil vinha demonstrando fôlego para um forte crescimento, com uma rara coordenação entre governos e empresariado. A pandemia de Covid-19 veio para postergar esse crescimento. O prazo de recuperação dependerá de como tratarmos essa situação crítica de saúde” Gustavo Cerbasi, consultor financeiro
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GC – O ideal é manter um orçamento resiliente ou flexível para acomodar imprevistos e ajustes. Um orçamento resiliente nada mais é do que um orçamento em que os compromissos fixos ocupam uma parcela do orçamento menos significativa do que seria possível, para acomodar outros gastos de pagamento à vista ou pontual. Por exemplo, se acredito que com meu faturamento eu poderia manter uma clínica que custe R$100 mil mensais, eu deveria optar por uma clínica com custo de R$80 mil mensais e usar os outros R$20 mil para gastos que podem ser cancelados em caso de imprevistos. Menos gastos com a estrutura da clínica e mais gastos com congressos, tecnologia, cuidados com o paciente e com os colaboradores. DOC – Na sua opinião, os médicos devem apostar em investimentos de curto ou longo prazo durante momentos de crise? GC – Todas as pessoas, não só os médicos, devem dividir sua estratégia de investimentos em três partes. Em primeiro lugar, devem formar uma reserva de emergência, equivalente a três a seis meses do consumo familiar (e outra equivalente a três a seis meses do
gasto do consultório), para lidar com imprevistos e oportunidades de curto prazo. Esse dinheiro deve estar investido em bons produtos de renda fixa, como um fundo DI ou títulos públicos. Somente depois de formada a reserva de emergência, a preocupação deve ser a de ter um plano para garantir renda no futuro. O ideal é que esse plano seja arrojado (inclua investimentos em ações). Os mecanismos mais utilizados para isso são planos de previdência privada e os seguros resgatáveis (opção adequada somente a quem não tem tempo de cuidar dos próprios investimentos). Apenas depois de ter a reserva de emergência formada e os planos para renda futura equacionados com pagamentos mensais ou anuais regulares, o foco deve se dirigir para montar carteiras de investimentos. Nessa situação, a carteira deve ser mais concentrada em ações e exposta a oscilações à medida que os planos contem com prazos mais dilatados para ser realizados. Em outras palavras, quem já tiver blindado sua rotina presente e suas escolhas futuras contra riscos maiores investirá mais em ações, aproveitando momentos de preços baixos, como agora. DOC – Clínicas e consultórios também são negócios. Nesse sentido, como um médico deve agir para manter seus negócios durante a recessão econômica? GC – Além de seguir a estratégia que acabei de citar, em situações de grande interrupção nas receitas ou de grande aumento dos custos, é preciso parar e pensar para se organizar melhor, renegociar prazos de pagamentos com fornecedores, cortar radicalmente custos e suspender obras, investimentos e lançamentos. Os recursos disponíveis