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situação econômica no Brasil segue uma linha de preocupação e de pouco crescimento. No início do ano, a expectativa era que tivéssemos um crescimento de 3%, mas as previsões já caíram para pouco mais de 1,5%. Essa recessão é um aspecto macroambiental que pode interferir bastante na rotina do médico em seu consultório ou clínica. Com o aumento do desemprego e o encarecimento de procedimentos, a população enfrenta cada vez mais dificuldades para custear médicos, serviços de atendimento e planos de saúde. Para piorar o cenário, diversas epidemias têm se agravado no país: dengue, sarampo e o tão temido coronavírus. As bolsas despencaram ao redor do mundo e o dólar chegou, pela primeira vez na história, à cotação superior a R$5. Como, então, os profissionais da Saúde devem se preparar? Para esclarecer essa e outras dúvidas, a Revista DOC conversou com Gustavo Cerbasi, administrador e consultor financeiro, que deu um panorama do impacto da economia na área da Saúde.

DOC – O que um médico precisa entender sobre economia? Até que ponto as questões econômicas fazem parte do dia a dia desses profissionais? Gustavo Cerbasi – Os médicos são, pela natureza de seu trabalho, profissionais liberais em sua grande maioria. São, portanto, responsáveis pela administração de suas clínicas e consultórios, pela negociação com fornecedores e pela preservação de sua ética e reputação. Por mais que sejam estudiosos da saúde humana, devem entender de negócios e da implicação de suas decisões em diferentes cenários. É necessário dominar um escopo básico de planejamento, finanças e economia para, ao menos, manter seus negócios e sua vida em equilíbrio, mesmo durante as crises econômicas. Essa é uma carência conhecida da profissão, que tende a melhorar no futuro com a iniciativa de incluir a educação

financeira no currículo escolar a partir de 2020. É importante entender que esse conhecimento básico faz com que qualquer profissional saiba explorar melhor os serviços de bancos, corretoras e seguradoras, facilita o debate com especialistas e permite que orientações sejam discutidas em um nível mais avançado e com melhores oportunidades. DOC – Com o aumento do dólar, comprar produtos no exterior tornou-se bastante caro. De que maneira o médico pode continuar se atualizando e atualizando seu consultório diante dessa situação? GC – Esse temor não deveria existir se o planejamento estivesse adequado às necessidades do médico. Quem compra equipamentos e insumos do exterior ou tem o hábito de participar de congressos fora do país deveria ter todo o investimento para esse fim alocado em fundos cambiais, que acompanham a

Por mais que sejam estudiosos da saúde humana, os médicos devem entender de negócios e da implicação de suas decisões em diferentes cenários. É necessário dominar um escopo básico de planejamento, finanças e economia para, ao menos, manter seus negócios e sua vida em equilíbrio” Gustavo Cerbasi, consultor financeiro

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