Skip to main content

revista_doc_69_2020

Page 13

Erica Mantelli Ginecologista e obstetra

Arquivo pessoal

“Para a maternidade, me preparei tanto do ponto de vista de saúde quanto estruturalmente, pensando nos aspectos financeiros e profissionais. Ser mãe é um divisor de águas e mudou totalmente a minha visão como médica, principalmente por também trabalhar com a saúde da mulher. Por um lado, ser médica me ajudou a encarar algumas coisas de maneira mais fácil, como a privação de sono, que afeta demais as mulheres no pós-parto. Para mim foi mais fácil, porque já estava acostumada a dormir pouco. Apesar de ser obstetra e ginecologista e, muitas vezes, não ter horário e lidar com emergências, consigo ter meus períodos livres para ficar com as minhas filhas, acompanhar o crescimento delas e, ainda, estar bastante presente como profissional. Foi uma questão de me adaptar e contar com uma rede de apoio que me ajuda. O suporte do companheiro é fundamental, não só para a criação dos filhos, mas para a carreira. Acredito que a gente tem que pensar em ser um time e querer o maior desempenho do outro. Antes de me formar, ouvi que estava louca de escolher ser obstetra, porque não seria possível conciliar minha carreira com a maternidade. Mas acho importante que ninguém desista do seu sonho ou da sua profissão, achando que não será possível. Existem momentos em que você precisa priorizar uma coisa em detrimento de outra, mas com sabedoria, maturidade e rede de apoio, é possível, sim, vivenciar suas paixões e ter o maior desempenho possível, com bastante equilíbrio e amor.”

“Antes de me formar, ouvi que estava louca de escolher ser obstetra, porque não seria possível conciliar minha carreira com a maternidade. Acho importante que ninguém desista do seu sonho ou da sua profissão” Erica Mantelli, ginecologista e obstetra

Flávia Addor Dermatologista

Arquivo pessoal

“Só decidi ter filhos quando tinha uma condição econômica que me permitiu ter uma casa confortável para as crianças e pessoas que me ajudassem. Não fiz nada de especial para mim durante a gravidez, só para os bebês, mas depois que fui mãe me tornei mais amorosa, mais tolerante, mais desapegada de mim mesma. Comecei a ver a vida com mais amor e cuidado. É claro que é infinitamente mais fácil passar por isso quando se é médica, tanto durante a gravidez quanto depois que os filhos nascem. É mais fácil entender as transformações do corpo, interpretar sintomas e comportamentos da criança. Entretanto, o fator emocional "embaça" sua avaliação muitas vezes e, se você não é um pediatra, problemas mais sérios certamente devem ficar a cargo do especialista. Quando tive meus filhos, tirei licença-maternidade e férias; depois voltei correndo, porque estava doida para trabalhar. Como fazia os meus horários no consultório, isso me ajudou bastante a fazer visitas ao pediatra, ir às reuniões de pais, fazer festas de aniversário e estar presente em momentos difíceis. Atualmente vejo os homens muito mais comprometidos nesse tipo de tarefa, mas acredito que isso ainda varia muito, principalmente se o pai não for médico, porque pode ser duro entender a nossa jornada. De qualquer modo, ser mãe é uma tarefa hercúlea. Hoje é ainda mais complexo, com o mundo oculto que há nos tablets e celulares. Mesmo assim, é quando conhecemos o que é amar de verdade.”

“Ser mãe é uma tarefa hercúlea. Hoje é ainda mais complexo, com o mundo oculto que há nos tablets e celulares. Mesmo assim, é quando conhecemos o que é amar de verdade” Flávia Addor, dermatologista

| 13 | DOC


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook