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revista_doc_69_2020

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CARREIRA MÉDICA

Roberta Anjos de Souza Pediatra plantonista no Hospital Municipal Lourenço Jorge e no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

Arquivo pessoal

“A maternidade sempre foi um sonho. Procurei ler sobre, observar, ouvir as pessoas, mas aquilo que achei que era uma preparação, na prática, não foi bem assim. A vida com filhos é bem diferente do que a gente imagina e a única certeza é que foi uma escolha bem feliz, porque é impossível me imaginar sem meus filhos. A maternidade mudou muita coisa na minha prática médica, porque fiquei mais sensível a questões que eu não tinha vivenciado. Por outro lado, a Medicina influencia na maternidade, pois tenho certos conhecimentos que as mães em geral não têm, e isso, de certa forma, ajuda a tomar decisões. Mudei completamente os meus projetos de antes da maternidade e, junto dela, me reencontrei na Pediatria, fazendo uma nova trajetória profissional. Além disso, sempre tive uma rede de apoio incondicional, que me permite até hoje estar no trabalho tendo a certeza de que meus filhos estão sendo bem cuidados. Isso me tranquiliza muito, mas reconheço que poucas conseguem ter essa tranquilidade. Sinto-me muito feliz por ter realizado o sonho da maternidade e de me formar como médica. Duas tarefas difíceis, fundamentais e lindas. Ainda assim, às vezes me sinto em falta com meus filhos por passar tanto tempo longe, mas, quando vejo como eles têm se tornado crianças fortes, saudáveis e queridas por todos, acho que tenho feito um bom trabalho.”

“Mudei completamente os meus projetos de antes da maternidade e, junto dela, me reencontrei na Pediatria, fazendo uma nova trajetória profissional” Roberta Anjos de Souza, pediatra

Arquivo pessoal

Renata Nogueira Radiologista “A maternidade vem com muitas mudanças imprevisíveis. Quando nasce o primeiro filho, nasce também uma mãe, um amor imenso e muitas dúvidas. Quando a Giovana nasceu, eu tinha terminado a residência médica em Pediatria e finalizava a de Radiologia. Com certeza isso me ajudou em vários momentos de incertezas, mas não sei se realmente estamos cem por cento preparadas, pois são muitos desafios. Recordo que a Giovana, aos 10 meses de vida, teve rotavírus e ficou muito debilitada. Liguei, chorando, para o pai dela, que é pediatra, com medo de ter de interná-la. Nesse momento, o sentimento materno pode tomar conta e temos que voltar a ser racionais, nem que seja com a ajuda de alguém. Cada mulher tem sua forma de encarar a maternidade: não existe uma regra. Terminamos a faculdade e fazemos a residência, então são cerca de dez anos de formação. Com isso, muitas vezes, iniciamos carreira e família ao mesmo tempo. Equilibrar nem sempre é fácil. Hoje, olho para trás e digo às mais jovens que tudo tem seu tempo, sendo possível fazer os dois com dedicação e atenção. Por isso, falo para as mães que estão começando a maternidade que o amor é imenso e vale a pena, mas se permita pedir ajuda e se sentir fragilizada. É normal ter dúvidas e se sentir cansada. A rotina muda de uma hora para outra e muitas incertezas vêm na nossa cabeça. Mantenha a calma e siga o coração. O amor de um(a) filho(a) é um lindo presente da vida.”

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“Muitas vezes, iniciamos carreira e família ao mesmo tempo. Equilibrar nem sempre é fácil. Hoje, olho para trás e digo às mais jovens que tudo tem seu tempo” Renata Nogueira, radiologista


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