Consultoria especializada – Literatura Infantil e Juvenil

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Desenvolvendo e ampliando competências leitoras

LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA Para vivermos plena cidadania integrando uma sociedade letrada, participamos de um ritual de aprendizagem que passa obrigatoriamente pela alfabetização: o reconhecimento das letras, a formação de sílabas e a junção destas em palavras. Na sequência, conseguimos reconhecer ideias em frases e pequenos textos, algo que nos torna capazes de lidar com funções imediatas da escrita, como ler um documento ou uma placa de identificação, assim como capturar conceitos básicos que auxiliam a absorção de técnicas para essa ou aquela função. No entanto, dar o próximo passo e estabelecer uma relação com o texto escrito, formando uma opinião pessoal acerca do que se leu e podendo expressar em novo texto um pensamento compreensível para outros leitores é uma tarefa mais demorada e meticulosa. Primeiro, porque cada pessoa lê a partir de um universo particular de informações e emoções; segundo, os conhecimentos que compõem uma tradição do pensamento precisam ser absorvidos, catalogados e registrados como referências para o amadurecimento do sujeito que lê e pensa com autonomia. Isso se dá com o passar do tempo, amparado na dedicação à leitura.

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Ao contrário de ler uma bula de remédio para saber como utilizá-la, ou ler o manual de instruções para instalar determinado equipamento ou aplicativo, a leitura literária não oferece uma linha reta para a conclusão funcional do texto. A experiência com a literatura é aberta à compreensão que o leitor pode obter a partir de suas próprias referências, por isso não é incomum, ao se repetir a leitura de um livro anos depois, que a percepção da narrativa seja modificada. O livro é o mesmo, mas a leitura sempre é renovada pela gama de vivências acumuladas. Portanto, a prática de leitura literária na escola é o descortinar da imaginação, um sucessivo abrir de portas e janelas para que cada pessoa possa se apoderar da autonomia do pensamento crítico e criar elementos a partir de suas interpretações, valorizando em si as relações estabelecidas com os conhecimentos já adquiridos, os sentimentos apreendidos e as impressões que impulsionam reflexões durante esse processo.

OS LIVROS E A AÇÃO DE MEDIADORES A primeira pergunta que devemos nos fazer é: Somos pessoas leitoras e estamos influenciando nossas crianças e jovens no hábito de ler? Investir recursos, tempo e dedicação para a construção de leitores parece ser um desafio incomensurável quando nos deparamos com as estatísticas. De acordo com a pesquisa

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Retratos da Leitura no Brasil (Instituto Pró Livro, 2019), somente 31% da população declara gostar muito de ler. Garantir que cada criança e jovem tenha acesso aos livros com uma mediação instigante e apaixonada pode significar uma sociedade mais envolvida e justa, regida por indivíduos que não só são capazes de compreender melhor a complexidade do mundo em que vivem, mas continuam a se desenvolver como leitores críticos ao longo de suas vidas, evocando, inclusive, a responsabilidade no desenvolvimento de relações interpessoais. Isso não acontece como mágica. É preciso perseverança, persistência e leitores intimamente comprometidos em mediar conversas sobre as experiências vivenciadas com a leitura literária. Parte dessa dificuldade está em transpor a barreira entre a obrigatoriedade de ler e adquirir conhecimento e a leitura por prazer, considerando a escolha e autonomia leitora de cada indivíduo e sua gestão nesse processo de autoeducação. Soma-se a este panorama a necessidade de trazer a família para essa roda de conversa e leitura. Ampliar essa visão sobre o livro para além de sua capacidade inequívoca de ferramenta escolar, amplifica as competências de nossas crianças e jovens na criticidade e na autonomia interpretativa, além de servir como impulso para que cada pessoa, cada núcleo familiar, cada grupo ou instituição possa reconhecer o direito de ler e de escrever como essencial para a cidadania. 4


COMPREENDENDO A LEITURA E SEU PROTAGONISMO O leitor não é um sujeito passivo da leitura. Cada leitor é protagonista, infundindo no livro sua visão de mundo e suas próprias experiências. Chamamos isso de protagonismo criativo. Ou seja, a narrativa só é embutida de sentido quando as palavras passam pelo filtro do pensamento do leitor. Por isso, o desenvolvimento da leitura na escola deve considerar que cada leitor é único. Em vez de tratar crianças e jovens como agentes passivos da leitura, podemos incentivá-los a assumir seu papel ativo e oferecer a eles novos instrumentos para que possam ampliar seus repertórios de acordo com as capacidades e os interesses de cada um. Isso ajudará a compor um debate múltiplo e rico em interpretações dentro e fora da escola. O objetivo do intermediador de leitura na escola é semelhante ao de um maestro junto a sua orquestra, que une cada instrumento individual para criar uma bela sinfonia. O intermediador estabelece um diálogo de impressões individuais que, unidas, podem promover transformações profundas nos sentimentos e comportamentos de cada um. Sem dúvida, trata-se de trabalho árduo, mas gratificante. Essa jornada de autoconhecimento e de reconhecimento do coletivo é apenas uma das possibilidades concretas oferecidas pela leitura. 5


A escolha dos livros que conversam entre si O desenvolvimento amplo das competências leitoras requer um projeto desafiador de leitura capaz de incentivar uma educação questionadora e de oferecer os instrumentos necessários para a formação de um repertório amplo e robusto. O real desafio é: Como escolher? Se os livros são pontes para atravessarmos e penetrarmos diversas áreas do conhecimento humano, no caso da leitura literária a subjetividade poética abarca a possibilidade de criar. E para criar é preciso saber reconhecer em si os próprios talentos engendrados criticamente. É necessário considerar que variados tipos de narrativa compõem os gêneros literários: romance, conto, crônica, poema, parlenda, cantiga, quadrinhos, conto ilustrado, livro de imagem e tantos outros. Não há algo menos ou mais importante entre gêneros, há diversidade nisso, o que combina com a singularidade leitora. Dessa forma, a relevância da leitura se dará na união entre o protagonismo do leitor e o prazer e a compreensão da experiência de ler. Ou seja, quanto mais abastecido de referências, mais o leitor usufruirá de suas leituras. Mas como preparar o leitor? Novamente há necessidade de pensar a presença apaixonada de mediadores capazes de transmitir, com suas referências, a consideração pela autonomia de cada um, o universo de diversidades e possibilidades do qual fazemos parte. 6


Como um mosaico composto por inúmeros cacos de vidro colorido, a conversa entre os leitores e os livros formam uma sublime imagem caleidoscópica que surpreende, se modificando a cada giro. O papel de uma editora na formação de leitores é o de pavimentar os caminhos literários que ajudem a sensibilizar a leitura, fortalecer os vínculos com as narrativas, preservar a liberdade de interpretação diante da experiência pessoal e compartilhar experiências artísticas que promovam momentos de reflexão. A Editora do Brasil leva essa responsabilidade a sério e é por isso que investe em uma consultoria e em projetos de leitura, cujo objetivo principal é a reflexão e a formação de leitores capazes de interagir criticamente com as narrativas, apreendendo conhecimentos e reivindicando para si a atuação plena em seu processo de amadurecimento. A escolha dos livros foi feita de acordo com cada experiência estética distinta que compõe as narrativas, além de serem obras de destaque com temáticas que favorecem a compreensão do processo de autoconhecimento e oferecem maior complexidade interpretativa.

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construindo um projeto de leitura

ESTRATÉGIAS PARA AMPLIAR HORIZONTES LEITORES Considere a capacidade agregadora da leitura. Leia junto, leia em voz alta, converse sobre seus livros favoritos, descreva suas emoções sobre trechos importantes da leitura e convide as pessoas para que façam o mesmo. Transite por diversos tipos de livros e de leitura, por exemplo: instigue a leitura de textos clássicos com sessões de cinema; crie diálogos entre HQ e poesia; leia letras de canções e brinque de criar melodias para textos literários. Use as faixas etárias apenas para ajudar a organização do trabalho com a leitura. Não crie fronteiras para os livros, valorize o aprofundamento nas diversas interpretações sobre texto e imagem. Pense na leitura, na escrita e na expressão oral como habilidades sociais. Inclua a leitura como parte do cotidiano, e utilize os livros também para melhor compreensão de questões do dia a dia. Lembre-se de que o prazer da leitura está no desafio de investigar cada linha e que, para encontrar essa felicidade, os leitores precisam se sentir convidados a protagonizar com liberdade de dizer o que pensam e sentem. 8


Viva a experiência artística do livro usufruindo da estética nas diferentes linguagens – imagem e texto – para, inclusive, dialogar com eventuais transgressões de regras gramaticais ou de transcendências do realismo que existirem durante esse percurso narrativo. Promova rodas de conversa sobre as leituras estimulando os leitores a dizer como se sentiram e o que lembraram a partir dos livros. Construa um sentido coletivo com as trocas de experiências. Ajude as famílias a se inserirem no processo de formação leitora resgatando memórias da infância e da adolescência com a discussão sobre obras literárias dialogadas em sala de aula. Transite com a leitura por diversas disciplinas e conteúdos investigando a obra literária no tempo e no espaço e relacionando as biografias de seus autores, além de referências clássicas com as contemporâneas. Motive a construção de histórias a partir da vivência de cada um. Amplie os horizontes com a indicação das múltiplas referências de narrativas dos leitores e garanta que os leitores se vejam como potenciais autores, incluindo na confecção da expressão artística tanto o texto quanto a imagem.

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Tecendo leituras 1. Não há idade para dar um primeiro passo na leitura

LEITORES INICIANTES Leitores iniciantes nem sempre serão leitores de tenra idade. São os que necessitam de estímulos capazes de aprofundar seu relacionamento afetivo com os livros e as histórias. Eles estão no começo da jornada, por isso, ainda não precisam saber para onde caminhar. Devem ter acesso a narrativas de diversas manifestações artísticas. A seleção de livros inclui desde textos mais leves, que levam o leitor a descobrir as tramas da linguagem falada e escrita e despertam o interesse pela palavra, pela musicalidade e potencial para lidar com sentimentos, até textos mais densos, que poderão servir de inspiração para um ir e vir, sem a preocupação com entendimento imediato e linear, mas como possibilidade de acesso a esse mundo mais complexo e intrigante. Os temas são os mais variados e utilizam o entorno como fonte de inspiração para explorar questões importantes, como identidade, comunidade e comportamento, criando pontes para o saber a partir da cultura de cada pessoa.

ATIVIDADE SUGERIDA Resgate o poder de contar histórias a partir das leituras literárias, inclusive para leitores com idades mais avançadas. A palavra falada é essencial para ampliar a escuta e aprofundar na capacidade de argumentar. 10


RECOMENDAÇÕES PARA OS BEM PEQUENINOS

RECOMENDAÇÕES PARA OS MAIS CRESCIDINHOS

RECOMENDAÇÕES PARA OS QUE ENCARAM DESAFIOS DE PRIMEIRA


2. Já posso escolher meus livros e coleciono os que eu gosto

LEITORES INTERMEDIÁRIOS Depois de familiarizados com a experiência estética e cativados pela relação afetuosa com a leitura, o próximo passo é avançar na exploração de temas mais complexos, narrativas textuais e imagéticas desafiadoras, projetos literários que amplifiquem a capacidade interpretativa e alcancem a fluência crítica na ação de ler. A seleção de livros para essa fase baseia-se em narrativas mais focadas em diversidade e pluralidade cultural, ao mesmo tempo em que se aproximam do cotidiano dos leitores, estabelecendo conexões íntimas com o livro. Além disso, os temas escolhidos desejam ser potentes para comunicar ideias a partir do reconhecimento da criticidade que identifica cada pessoa, assim como sua responsabilidade e respeito decorrentes da empatia despertada com os livros.

ATIVIDADE SUGERIDA Recomende aos leitores que criem outras histórias a partir das leituras e das personagens apresentadas pelos livros. A leitura é antes de tudo uma forma de expressão e os leitores reescrevem com suas interpretações.

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RECOMENDAÇÕES PARA OS MENORZINHOS

RECOMENDAÇÕES PARA OS QUE DESEJAM VOAR LONGE

RECOMENDAÇÕES PARA OS JOVENS QUE QUEREM SE RELACIONAR COM O MUNDO

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3. Avançar os conhecimentos com complexidade

LEITORES EXPERIENTES A capacidade e vontade do leitor de enfrentar cenários intrincados na obra literária nascem da confiança em si mesmo, alimentada durante as leituras anteriores. Temas e narrativas cada vez mais profundos e complexos criam uma prática de leitura que transcende a obra além de seu primeiro significado, de sua semiótica mais básica, criando diálogos interpretativos constantes e amor pela leitura. Para expandir essa competência, é importante selecionar livros que trabalhem com transversalidade de temas contemporâneos, sem esquecer de envolver referências clássicas que emergem como modelo. As conversas entre leitores aqui são ferramentas de fortalecimento para a percepção das camadas da leitura. À medida que avança a aptidão interpretativa baseada no repertório de vasto conhecimento universal, adquirido durante anos de prática de leitura, o leitor é incentivado a reconhecer a si mesmo no outro, intercambiando cultura com criticidade, trocando experiências e promovendo desenvolvimento pessoal individual e coletivo.

ATIVIDADE SUGERIDA Promova diálogos entre obras literárias buscando similaridades e também incongruências entre as vivências abordadas pelas narrativas. Viaje no tempo para incluir conversas entre clássicos e contemporâneos para perceber as nuances de transformação nas relações humanas.


RECOMENDAÇÕES PARA PEQUENOS GRANDES LEITORES

RECOMENDAÇÕES PARA OS MAIS CRESCIDOS

RECOMENDAÇÕES PARA JOVENS CRÍTICOS LEITORES

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RECOMENDAÇÕES PARA OS QUE SABEM COLECIONAR REFERÊNCIAS E VIVÊNCIAS


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Ilustrações das páginas 1, 3, 5, 8, 17 (direita), e 18 (superior): Bárbara Quintino (Frederico, Frederico...) 17| Ilustrações das páginas 2, 6 e 18 (inferior): Gustavo Piqueira (A revolução dos bichos) | Ilustrações das páginas 4, 7, 10, 12, 14, 15, 16, 17 (esquerda): Bruna Barros (A bisa e as botas de dinossauro) | Projeto e diagramação: Camila Teresa


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