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Revista Petro & Química n°403

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artigo

A Margem Equatorial Brasileira no cenário do intervencionismo dos Estados Unidos na Venezuela por: Francismar Ferreira – doutor em Geografia pela UFES e pesquisador da área de Exploração e Produção do Ineep - Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra

A afronta à soberania da Venezuela promovida pela ofensiva estadunidense expressa um movimento geopolítico com implicações para o segmento de petróleo e gás. No curto prazo, os impactos tendem a se limitar a oscilações nos preços do petróleo no mercado global. Já no médio e no longo prazo, a eventual retomada dos investimentos no país pode gerar efeitos mais amplos, que vão além da dinâmica de preços, envolvendo a expansão da oferta e a reconfiguração dos fluxos da commodity nos mercados regional e internacional. As reverberações da ofensiva estadunidense na Venezuela não tendem a gerar impactos estruturais no segmento de exploração e produção no Brasil, especialmente na Margem Equatorial.

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Ainda assim, a iniciativa evidencia a disposição dos Estados Unidos de intervir na América Latina, reforçando a percepção de que a soberania brasileira também se encontra sob ameaça. Em grande medida, a ofensiva estadunidense sobre a Venezuela representa uma retomada dos fundamentos da Doutrina Monroe, que tinha como objetivo reafirmar a influência estadunidense sobre a América Latina e o Caribe, ao mesmo tempo em que busca limitar a presença e o avanço de outras potências da geopolítica global, especialmente China e Rússia, na região. Nesse arranjo mais amplo, as riquezas minerais, com destaque para o petróleo, assumem centralidade como ativos estratégicos. Nesse contexto, a

indústria petrolífera da Venezuela assume papel de destaque. O país detém a maior reserva de petróleo do mundo, estimada em cerca de 302,8 bilhões de barris, o que corresponde a 16,9% das reservas globais em 2024. Ainda assim, a produção venezuelana registrou forte retração ao longo da última década, passando de 2,5 milhões de barris por dia, em 2015, para 960,1 mil barris por dia, em 2024, uma redução de aproximadamente 66,5%, segundo dados do Energy Institute. Esse recuo produtivo está fortemente associado à queda dos investimentos no setor, decorrente, sobretudo, das sanções impostas ao país e à estatal PDVSA. Cabe ressaltar que a maior parte da produção de petróleo venezuelano tem como principal destino a China, país que realizou


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Revista Petro & Química n°403 by Editora Valete - Issuu