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ENTREVISTA

O DESPONTAR DO E-COMMERCE NA COLÔMBIA Por Mariana Anselmo, para Revista E-Commerce Brasil

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Na última edição do Fórum E-Commerce Brasil, tivemos o prazer de receber a colombiana Juliana Sánchez. Ela é responsável pelo e-commerce e pelo marketing da Cueros Velez, uma marca colombiana muito tradicional no varejo físico e que há dois anos decidiu abraçar o e-commerce. Juliana, que pela primeira vez trouxe para o palco do Fórum as experiências de uma loja latino-americana e falou dos desafios de montar uma loja virtual dentro de uma marca já consolidada - o que seria preciso reformular, quem seria preciso contratar, como desenvolver e implementar as estratégias escolhidas para lançar o e-commerce, fortalecer o físico e criar uma experiência omnichannel de verdade para seus clientes. Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre o mercado colombiano, o que ele tem a ensinar e a aprender com os demais, além de opinar sobre o futuro do e-commerce na Colômbia e nos contar o que funciona e não funciona com o seu público. E-Commerce Brasil: No Brasil, o e-commerce já é um mercado muito forte. As pessoas usam para comprar tudo - desde móveis até peixes, por exemplo. E, aqui, muito se fala sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa, quando queremos agregar e trocar informações. Pouco se fala sobre os mercados dos países latino-americanos. Então, conta para a gente: em que pé está o comércio eletrônico na Colômbia? As pessoas já são bem adeptas, o conceito está difundido? Juliana Sánchez: Para a Colômbia, o Brasil e a Argentina são exemplos a ser seguidos no nosso continente, uma vez que o e-commerce já está consolidado nesses mercados. No meu País, as pessoas estão começando a perder o medo de comprar online, assim como aconte-

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ECBR

ceu com o Brasil há alguns anos. Elas têm receio de passar seus dados bancários, ou de que o produto não chegue, ou que não consigam trocar, caso não gostem ou não sirva. O número de pessoas que recorrem ao e-commerce ainda é pequeno. Mas, por lá, estima-se que apenas metade da população tenha acesso à Internet. Dessa parcela, cerca de 20% compram online - na maioria, os jovens. Então, para a nossa realidade, estamos caminhando bem e a perspectiva de crescimento é alta. Hoje, crescemos 40% ao ano, o que vai na contramão do varejo físico na Colômbia. Dito isso, acredito que estamos em uma fase de educação da população. Para isso, deixamos bem claras as nossas políticas de segurança de dados e de devoluções/trocas de mercadoria e mostramos as diversas formas de pagamento. ECBR: Em uma busca rápida sobre a Cueros Velez na Internet, vemos que é uma empresa bem consolidada no mercado físico. No Brasil, há alguns anos, existia um receio por parte das lojas físicas em criarem uma versão online, pois existia a ideia de que o e-commerce engoliria o varejo tradicional. Como vocês trabalharam isso dentro da Cueros Velez? JS: Esse receio também aconteceu por lá. Inclusive, foi a primeira coisa que escutei quando cheguei. Mas é uma ideia falsa. A verdade é que o e-commerce potencializa essas vendas. Primeiro que trazemos para a marca um mercado completamente diferente. A faixa etária de público da Cueros Velez era de 45 anos para cima. No online, essa faixa etária cai para entre 25 e 35 anos. O online está rejuvenescendo a marca. E a minha função lá é trabalhar o omnichannel. Eu não vou pensar só no online. Eu quero integrar tudo. Como eu posso digitalizar as lojas físicas? Como aumentar o portfólio delas,

O e-commerce conquistou a indústria!  
O e-commerce conquistou a indústria!  
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