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Tesouros

Os 13 Tesouros As 13 Maldições Os 13 Segredos

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segreD os Tradução Carolina selvatici

rio de Janeiro | 2014

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owan Fox estava parada perto do portão da escola, observando o jardim enquanto os alunos saíam correndo, trombando uns nos outros, ansiosos por começar as férias de verão. Sem ver sinal algum do cabelo claro de Fabian na multidão, a menina, impaciente, foi até a loja de doces do outro lado da rua. Chacoalhando algumas moedas que haviam sobrado do dinheiro do almoço, ela entrou e comprou duas barras de chocolate. Quando saiu, a maior parte da multidão já havia se dispersado, a não ser pelos alunos que a haviam acompanhado até a loja. A melodia de um violão começara a tocar perto dali. Fabian ainda não havia aparecido. Talvez o menino tivesse ido para o ponto de ônibus sem ela, imaginou Rowan. Depois de enfiar um dos chocolates na mochila, ela pegou o outro e começou a andar. Então viu a garota — a que tocava o violão. A jovem estava sentada de pernas cruzadas em frente a uma loja vazia, a duas entradas da loja de doces, apoiada contra a porta. Sua mão dedilhava as cordas do violão. O cabelo louro desgrenhado precisava ser lavado. Ao lado dela, uma mochila velha estava apoiada em um saco de dormir sujo. Quando chegou àquela altura da rua, Rowan parou perto da caixa do violão da jovem, que jazia aberta no chão. Dava pena ver 9

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a pouca quantidade de moedas que havia dentro dela. A menina enfiou a mão no bolso, tirou os últimos centavos que tinha e os acrescentou à pilha escassa. Depois, olhou para a barra de chocolate que segurava, jogou-a na caixa também e continuou andando. — Obrigada — gritou a garota. Rowan se virou. A jovem havia parado de tocar e a encarava. — Estava começando a achar que eu era invisível. Você foi a primeira pessoa a me dar alguma coisa hoje. Os olhos de Rowan pararam nas moedas que já estavam na caixa. — São minhas — explicou a jovem. — Pus tudo aí para... Bom, deixe para lá. Rowan andou até ela e pôs a mochila no chão. — Você colocou as moedas aí para parecer que não estava sendo ignorada — completou. — Sim. A jovem deu uma risadinha e apoiou o violão contra a porta da loja. Pegando a barra de chocolate, ela rasgou a embalagem e deu uma bela mordida, fechando os olhos de prazer. — Essa cidade não é das mais simpáticas — disse, mastigando. — Acho que não vou ficar. — Você não deveria ficar mesmo — respondeu Rowan, olhando para a jovem com pena. Era difícil saber que idade tinha, mas não parecia muito mais velha do que ela. Devia ter uns dezesseis anos. — Vai se sair melhor em algum lugar maior. Mais agitado, com mais gente. — Você fala como se já tivesse passado por isso — afirmou a jovem. Ela lambeu o chocolate do polegar e observou Rowan. — Porque eu já passei — murmurou Rowan. — Foi por isso que eu parei... — Fez uma pausa e olhou nos olhos da jovem. — Fiquei um ano na rua. Sei como é. 10

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— É mesmo? O que aconteceu com você? — Meus pais morreram num acidente de carro, e eu e meu irmão mais novo fomos levados para um orfanato. Mas meu irmão... desapareceu. Por isso fugi para procurar por ele. — E você encontrou? — perguntou a jovem. Rowan hesitou antes de responder. — Não, nunca consegui recuperar meu irmão. — E o que você fez? Rowan deu de ombros. — Tive sorte. Conheci umas pessoas que... se preocuparam comigo. Moro com elas agora. — Teve sorte — repetiu a jovem, olhando para o belo uniforme escolar de Rowan com inveja. — Parece mesmo que você está bem agora. — Mas o que você está fazendo aqui? — perguntou Rowan. — Tickey End não é um bom lugar para quem não quer ser notado. Quero dizer, as pessoas daqui agem como se não vissem você, mas prestam atenção em tudo que acontece. — Vou embora antes do fim do dia — respondeu a jovem, tímida. — Não estava planejando ficar aqui muito tempo. — Ela se inclinou para a frente e baixou a voz. — Só o suficiente para passar um recado, depois de encontrar a pessoa certa. — Recado? Para quem? — Para você, Red. Rowan perdeu o fôlego. — O que você disse? — Red. Esse era o seu apelido, não era? Rowan puxou a mochila para si. — Quem é você? O que quer dizer com um recado? De quem? 11

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— Do Clã. Rowan se levantou. — Me deixe em paz. — Espere! Ela se virou. — Quem mandou você? — O Pardal — respondeu a jovem em voz baixa. — Por que ele mesmo não veio me dar o recado se sabia onde me encontrar? — O Pardal disse que você não escutaria se ele viesse. Que eu teria uma chance melhor de... chamar a sua atenção e fazer você ouvir... — Ele estava errado. — Me escute. Ele só queria que você ouvisse. — O que você vai ganhar com isso? A garota ruboresceu. — É claro. Você não mora na rua, não é? É um deles. A jovem fez que sim com a cabeça. — Ele tinha certeza de que você pararia para conversar comigo e estava certo. Mas eu tinha que ter certeza... Só quando você falou do seu irmão... — Me dê logo o recado. — Vamos fazer uma reunião no dia 13. — Eu sei — respondeu Rowan. — Sempre tem uma reunião no dia 13. — Dessa vez, eles querem que você vá. Não adianta inventar uma desculpa. Rowan assentiu, olhando para baixo. — Ele disse que o grupo precisa avisar você do local da reunião, mas, para fazer isso, você tem que deixar o mensageiro entrar. Pronto. 12

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Esse é o recado. — A jovem olhou para a embalagem de chocolate em suas mãos. — E se eu não for? A jovem abriu a boca para responder, mas olhou para trás de Rowan, fazendo a menina se virar. Fabian se aproximava, o rosto contorcido numa careta. O garoto parou ao lado de Rowan, afrouxando a gravata e resmungando. — Onde você estava? — perguntou Rowan. — Fiquei de castigo — respondeu ele, irritado. — Por quê? Fabian mexeu numa pedrinha com a ponta do pé. — Por brigar com um colega. — Brigar? Com quem? Antes que Fabian pudesse responder, Rowan percebeu que a jovem arrumava as coisas para ir embora. Ela se levantou, pendurou a caixa do violão em um dos ombros, o saco de dormir e a mochila no outro, e acenou um adeus com a cabeça. — Até mais, Red — disse, baixo, antes de ir embora. — Com um garoto da minha sala — respondeu Fabian, distraído, olhando fixamente para a jovem. A careta se transformou num semblante de interrogação. — Quem era essa garota? — Ninguém — afirmou Rowan. — Só uma pedinte. Dei um trocado a ela. Fabian franziu ainda mais a testa. — Não sabe quem ela é? — Não. — Bom, ela conhecia você — disse Fabian, desconfiado. — Chamou você de Red. Ninguém mais chama você assim. Não desde que veio morar com a gente. 13

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Rowan observou a figura diminuir e desaparecer ao virar a esquina de uma das muitas ruelas tortas de Tickey End. — Falei com ela uma ou duas vezes quando morava na rua — mentiu, lembrando a si mesma que nunca deveria subestimar o poder de observação de Fabian. — Faz muito tempo. Nem me lembro do nome dela. Fiquei surpresa por ela se lembrar do meu. — Entendi — respondeu Fabian, esfregando a bochecha. — Que estranho essa garota ter aparecido justo aqui... — Foi coincidência — afirmou Rowan, ansiosa por mudar de assunto. Os dois começaram a andar. — E aí? Por que você entrou numa briga? — Ela o observou, procurando cortes e hematomas. — Você deve ter se saído bem. Não ficou com nenhum machucado. — Alguém separou a briga assim que começou — explicou Fabian. — E começou pelo mesmo motivo de sempre: estavam falando umas coisas horríveis sobre o Amos. Disseram... disseram que iam até o cemitério sujar o túmulo dele. Um dos garotos ameaçou escrever umas coisas na lápide. Eu me irritei e dei um soco nele. — É natural que tenha ficado irritado — disse Rowan. — Mas eles não vão fazer nada, Fabian. Se estivessem realmente pensando nisso, você seria a última pessoa para quem iriam contar. Só estão falando isso para machucar você. — Pois é, e funcionou. Por que não podem deixar meu avô em paz? Mesmo depois de morto, ninguém deixa ele descansar! Rowan suspirou. — Precisa aprender a ignorar esses caras. Quanto mais cair na pilha, mais eles vão provocar você. — É fácil falar — respondeu Fabian, irritado. — Não é você que precisa que aguentar os sussurros e as pessoas apontando. O que ia achar se os outros pensassem que o seu avô tinha matado alguém? 14

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Rowan ficou em silêncio, pensando na história sombria do solar Elvesden, a velha casa em que morava com Fabian e a família dele. Na época em que o avô do menino era caseiro da mansão, uma moça chamada Morwenna Bloom havia desaparecido no bosque próximo à casa. Por azar, o avô de Fabian fora a última pessoa a ser vista com a moça, o que fizera com que ele fosse acusado de estar envolvido no desaparecimento. Os boatos o haviam acompanhado a vida inteira e, pelo que parecia, continuariam após a sua morte, que acontecera dois meses antes. — É claro que eu não iria gostar — afirmou Rowan, por fim. — Mas aguentaria se soubesse que não era verdade. E você sabe que não é, Fabian. Todo mundo que importa sabe que o Amos era inocente. Lembre-se disso. — Ela pôs a mão dentro da mochila. — Tome. Comprei um chocolate para você. Já está meio mole. — Obrigado. — Fabian se animou um pouco quando pegou o doce e começou a comê-lo, lambuzando o rosto, enquanto atravessavam a praça da cidade até o ponto de ônibus. — De qualquer forma... — continuou Rowan. — Eu sei como é ouvir os sussurros e ver as pessoas apontando. Sou a garota nova, lembra? E todo mundo sabe que agora eu também moro no solar Elvesden. Então, para eles, sou tão culpada quanto você. — Imagino que sim — disse Fabian, os dentes cobertos de chocolate. — E como você reage a tudo isso? — Não digo nada — respondeu Rowan. — Eu imagino a cara das pessoas se elas soubessem a verdade. Se a gente contasse tudo: que a Morwenna desapareceu por vontade própria no reino das fadas. Imagine só o que elas diriam. — Iam achar que nós somos mais doidos do que já acham — afirmou Fabian, enfiando o último pedaço de chocolate derretido na boca. 15

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Sua expressão já estava mais tranquila quando os dois entraram no ônibus. Rowan guiou o caminho até os fundos do veículo e se sentou, enquanto o ônibus voltava a andar com um tranco, sacudindo-se pelas ruas de Tickey End para chegar às estradas do interior de Essex. Quinze minutos depois, eles saltaram e começaram a andar, passando por áreas que ainda tinham a terra molhada e rachada por causas das terríveis enchentes do inverno e da primavera. Logo os dois passaram por um grande portão de ferro, sob o olhar atento de duas ferozes gárgulas de pedra, cada uma parada em seu pilar. Diante delas, após um pátio de cascalho, ficava a imponente mansão coberta de hera chamada solar Elvesden. Enquanto andavam até a porta da frente, fazendo barulho ao pisar no cascalho, Rowan olhou para a casa. — Ainda não consigo acreditar que eu realmente moro aqui. — Você diz isso toda vez que a gente entra em casa — afirmou Fabian. — É porque eu sempre penso isso. Rowan respirou fundo quando passaram pela porta da frente. O saguão era escuro e cheirava a mofo — o tipo de cheiro que não sai de um cômodo, não importa o quanto ele esteja limpo. Andando até os fundos da casa, eles passaram pela grande escadaria. No primeiro patamar dela, um relógio de pêndulo jazia mudo, os ponteiros congelados. De dentro dele, Rowan ouviu os barulhos característicos de seus moradores. Do primeiro andar, descia o som monótono e abafado de um aspirador de pó. Na cozinha, um grito agudo os recebeu. — Seu safadinho! Cortem-lhe a cabeça! 16

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Rowan se encolheu ao ouvir o som estridente, enquanto Fabian encarava o responsável: um papagaio cinzento, de olhos amarelos e brilhantes, empoleirado numa grande gaiola prateada. — Boa-tarde para você também, General Carver — murmurou o menino, sarcástico. A ave estreitou os olhos. Em seguida, levou um susto quando a porta dos fundos se abriu e o pai de Fabian, Warwick, entrou. — Quer dizer que vocês já estão de férias? — disse, fechando a porta e enchendo a chaleira de água da pia. Depois de ligar o fogo e colocá-la para ferver, tirou o longo sobretudo e o pendurou atrás da porta. A faca de ferro que carregava no cinto do casaco fez um leve barulho ao bater contra a madeira. Fabian sorriu e fez que sim com a cabeça. — Nada de escola por seis semanas inteiras! — Por favor, não comecem a implicar um com o outro quando estiverem sem nada para fazer. Fabian bufou. — Não vamos ficar sem nada para fazer. E, de qualquer forma, se ficarmos, você pode nos levar para patrulhar o bosque. Isso nunca é chato! Warwick levantou a sobrancelha ao ouvir a sugestão. Abriu a boca para responder, mas foi interrompido quando uma mulher magra e de cabelos brancos, com sessenta e poucos anos, entrou na cozinha seguida por outra um pouco mais jovem, mais gordinha e sem fôlego. — É o que estou dizendo, Florence — dizia a gordinha com sua voz aguda. — Essa garota tem problemas aqui em cima. — Bateu levemente na cabeça com o dedo, para indicar o local. — Entendeu? Tenho até medo de imaginar o estado do quarto dela. Adolescentes não deveriam 17

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poder ficar com a chave dos próprios quartos. Não é... — Parou de falar ao ver Rowan e coçou o cabelo castanho despenteado, que mais parecia um esfregão. — Você sabe por que eu tranco a porta do meu quarto — lembrou Rowan, baixinho. — Nós já falamos sobre isso, Nell — respondeu Florence, irritada. No entanto, ao olhar para Rowan, tinha carinho nos olhos cinzentos. — Contanto que o quarto seja mantido arrumado, então a Rowan pode deixar o cômodo trancado, se quiser. — Mesmo assim! — continuou Nell. — Faz semanas que ela não me deixa entrar lá para limpar. Deve estar um nojo! — Quantas vezes eu tenho que dizer isso? — disse Rowan, exasperada. — Meu quarto está limpo! Se você não ficasse tirando as coisas do lugar, eu não precisaria trancar a porta! Será que você não entende? Certas coisas têm que ficar onde estão... do jeito que eu deixo, por uma razão específica! — Bom, já que você insiste — respondeu Nell, grosseira. — É, eu insisto — retrucou Rowan. — E, se a Florence não se importa, por que você deveria se preocupar? A casa é dela. Rowan deu as costas para a cozinha silenciosa e saiu, subindo as escadas correndo. Ninguém a seguiu, nem mesmo Fabian. A menina ficou feliz. Parou diante de uma porta à direita, expirando com raiva, e tirou uma chave velha da mochila. Colocando-a na fechadura, ela abriu a porta, entrou e jogou a mochila num canto. Depois, se sentou diante da penteadeira e encarou o espelho. O reflexo a encarou de volta: olhos verdes amendoados em um rosto fino e pálido, cheio de sardas. Tinha o cabelo na altura da mandíbula quando viera morar no solar. Agora, cinco meses depois, uma massa de mechas vermelhas e macias já roçava seus ombros. Ela pegou uma delas. 18

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Red. Esse era o seu apelido, não era? — Red — sussurrou para si mesma, observando o quarto. A menina não havia mentido ao dizer a Nell que tudo estava limpo. O cômodo estava impecável, não havia nada bagunçado. Depois de tanto tempo dormindo na rua, de não pertencer a lugar algum, ter um quarto quente e seguro para chamar de seu era algo que Rowan não subestimaria tão cedo. Seguro. Os olhos da menina vasculharam o espaço. Era um belo cômodo, decorado logo depois que ela se mudara. As paredes tinham sido pintadas de um vermelho vivo, dando a ele uma impressão acolhedora e confortável. Os móveis gastos faziam com que Rowan sentisse que morava ali há anos. À primeira vista, tirando o fato de estar arrumado, era como o quarto de qualquer garota de quinze anos. No entanto, Rowan não era uma garota de quinze anos qualquer. Ela se levantou e fez o mesmo ritual que repetia toda vez que entrava no cômodo. Começando pela porta, ajoelhou-se e enrolou o tapete gasto, expondo o assoalho. Uma linha fina de uma substância branca e granulosa ia de um lado a outro da porta. Satisfeita, pôs o tapete de volta no lugar e conferiu a janela. Ao longo de todo o parapeito corria outra linha branca. Rowan pressionou o dedo contra ela, ergueu a mão e deixou parte dos grãos caírem na língua. A forte amargura confirmou que era sal. Em seguida, checou a lareira, onde, abaixo da chaminé, havia uma guirlanda de folhas verde-escuras e frutas vermelhas secas, bloqueando outra possível entrada para o quarto. Por fim, andou até a cama e passou os dedos por baixo do travesseiro. O frio do punhal que ali estava a acalmou, e ela finalmente se permitiu relaxar. 19

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A jovem em Tickey End havia abalado Rowan. Depois de andar até a janela, ela olhou para fora, para além dos muros do jardim, na direção do bosque do Carrasco. Mas não viu as árvores nem o pequeno riacho que corria pelo limite da floresta. Também não viu a igreja minúscula que surgia a distância. Em vez disso, sua mente viajou até o porão frio e úmido de um chalé de pedra, onde uma algema de ferro prendia um pulso com a pele queimada. Palavras amargas voltaram à sua cabeça. Vai se arrepender disso, menina... Vou achar você. Vai pagar por isso... Uma batida repentina na janela a assustou. Livrando-se das lembranças, ela olhou pelo vidro, apertando os olhos para conseguir ver através do sol da tarde. Do lado de fora, uma pequena criatura alada arranhava o vidro. Era mais ou menos do tamanho de um pássaro e, à primeira vista, podia ser confundido com um, pois usava uma roupa de folhas e penas. No entanto, era um homem pequenino, de rosto grosseiro, trazendo algo quadrado e branco preso entre os dentes. Ela o observou, o rosto inexpressivo. A janela havia sido deixada levemente aberta para ventilar o quarto. O espaço era grande o bastante para o homem-fada passar, mas, por mais que tentasse, Rowan sabia que ele não conseguiria atravessar a barreira de sal. Era uma proteção contra fadas, como todas as outras que ela havia instalado. Quando o homem-fada parou de arranhar o vidro e pensou em desistir como sempre fazia, Rowan cedeu e retirou parte do sal, criando uma pequena abertura. A criatura piscou, surpresa, depois passou correndo pela janela, soltando a coisa que trazia na boca, que caiu no chão. — Já estava na hora! — resmungou, com uma voz anasalada. Em seguida, voou e foi embora, enquanto Rowan colocou o sal rapidamente de volta no lugar. 20

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Os 13 segredos

A menina se ajoelhou e pegou a coisa que o homem-fada havia deixado cair. Era um envelope simples, com apenas uma palavra impressa na frente: RED. Ela o observou, o nome que usara por tanto tempo. O nome que tinha tentado esquecer. Estava cansada de fingir. Cansada de se esconder. Passando o polegar por baixo da aba do envelope, ela o rasgou, abrindo-o. Era hora de enfrentar o passado.

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Os 13 segredos - Primeiro capítulo  

Com uma história repleta de fantasia e de mistério, Os 13 segredos, de Michelle Harrison, chega como o desfecho da trilogia Os 13 Tesouros....

Os 13 segredos - Primeiro capítulo  

Com uma história repleta de fantasia e de mistério, Os 13 segredos, de Michelle Harrison, chega como o desfecho da trilogia Os 13 Tesouros....

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