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2 Sentidos para a Vida – Reflexões sobre a identidade e visão da Igreja Cristã Vida


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A construção do presente e do futuro Escrevemos este texto porque a melhor forma de entender uma organização é a partir daquilo que ela diz ser. Em geral essa identidade está formulada em sua visão e em seus valores. Estamos falando sobre visão e, portanto, sobre a construção do futuro. Mas este é sempre um tema controverso. Abre o rico mundo das possibilidades. Está em permanente construção e, por isso mesmo, em constante mutação. Hora é e hora deixa de ser. Eis aqui a importância da visão. É a parte que nos cabe na construção do futuro, dos ideais, anelos, e desejos de ser. Mas visão não diz respeito somente ao futuro porque, emerge necessariamente a partir da leitura do mundo em nossa volta, do ser humano e sua complexidade e, especialmente, da pessoa de Deus e seu desejo para este mundo. Então, a visão nasce no presente e responde por ele, até o futuro. É o que nos comprometemos em ser hoje e desejamos continuar a ser no amanhã. Esses elementos juntos (leitura do mundo, do homem e percepção dos desejos de Deus para a história) constroem uma comunidade e sua visão de presente e de futuro. O assunto que abordamos neste texto é sobre nossa percepção do presente e como transformaremos nossa identidade, valores e desejos futuros em história concreta. Para efeito didático podemos resumir tudo em uma só expressão:


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Caminho 4-5-4 Resumimos nossa filosofia de Ministério através da sigla " Caminho 4-5-4", onde temos Quatro compromissos, Cinco ênfases e Quatro valores, a saber: Os 4 compromissos: Estamos comprometidos com quatro alvos na formação da comunidade: Consciência: Temos compromisso de buscar compreender o sentido do cristianismo para nossa geração a fim de formar a consciência cristã em nossas ovelhas,. Formação: Temos o compromisso de formar espiritualmente os membros de nossa comunidade, na busca da identificação com Cristo.. Cultura: Temos o compromisso de associar a Bíblia com a cultura contemporânea a fim de melhor compreender ambas. Fluidez: Temos o compromisso de desenvolver uma comunicação fácil e leve com as pessoas que estão fora da igreja. As 5 ênfases: Todas as ações, estudos e ministrações da Palavra entre nós visa Buscar o sentido da relação entre o humano e o divino. Ter sensibilidade para com o mundo. Ser um sinal de Deus. Ter compromisso com os valores do Reino. Guiar-nos pelo sentido da cruz de Cristo. Os 4 valores: Faremos tudo o que foi descrito acima, baseados em quatro valores Alcançar o ser humano em sua solidão. Acolher a todos. Formar Cristo na vida de todos Servir. Oferecer oportunidade a todos para seu desenvolvimento pessoal.


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É sobre esse caminho 4-5-4 que meditaremos nas próximas páginas. Espero que aprecie a leitura e junte-se a nós. Domingos Rodrigues Alves


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Capítulo 1 Em Busca de identidade. Quando pensamos em um nome que representasse o sentido de nossa igreja, percebemos a necessidade de um que expressasse o bem maior e a relação mais profunda entre nós e Deus. Foi assim que surgiu o nome “Igreja Cristã Vida”. Essas três palavras não estão juntas ao acaso. Por “igreja” expressamos o que somos: uma comunidade de fé. Dizemos que existimos na relação de uns para com os outros. Isso é importantíssimo, mas não suficiente para formar toda a nossa identidade. Por isso, a segunda palavra explica que temos, cremos e defendemos fé cristã. A palavra “Cristã” enfatiza que buscamos a essência do cristianismo, isto é, nos identificamos com o Cristo em seu caráter e sua forma de servir a Deus e ao próximo. Isso significa afirmar que não defendemos qualquer caixa teológica.


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Por fim, o nome “Igreja Cristã Vida” indica o que desejamos alcançar: “A Vida” como um todo, a partir da perspectiva Cristã. Nenhuma parte da existência deve ser considerada maior ou mais excelente. A vida é um todo. É amada por Deus. Ele nos deu vida (existência) e foi ela que Jesus veio salvar. Palavras são construtoras de sentidos. Por isso, as três palavras somadas formam a identidade institucional que nos caracteriza, como mostra a próxima figura:


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Uma igreja mais cristã é aquela que promove mais vida. Isso resulta em comunidade, identidade e vida, sendo esta a razão e objetivo de tudo. Jesus não veio salvar apenas a alma, mas a vida como um todo, a existência. Assim, para fortalecer a identidade, escolhemos alguns compromissos através dos quais esperamos continuar sendo uma igreja mais cristã e com mais vida.

Quatro compromissos de uma igreja que valoriza a vida. Consciência: desejamos ser uma igreja consciente do significado do cristianismo. Desejamos questionar, rever, reconstruir sempre que necessário o significado de ser cristão no mundo contemporâneo para, de alguma forma estarmos mais próximos dos ideais de Jesus. Formação: desejamos ser uma igreja capaz de comprometer-se com a formação espiritual de seus membros. Cultura: desejamos ser uma igreja culturalmente relevante e capaz de associar a Bíblia com a realidade e os desafios de nossos dias. Fluidez: desejamos uma igreja capaz de comunicar-se em linha direta com o mundo que a cerca. Por meio dessas posturas esperamos permanecer no caminho de servir a Deus e ao mundo.


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Capítulo 2 Uma visão com cinco ênfases A frase de visão da Igreja Cristã Vida é: “Ser uma comunidade que vive, se move e existe como sinal do Reino de Deus”. Sinopse do Capítulo: Destacaremos as cinco expressões mais fortes da frase de visão, com o propósito de explicar o que validamos, para onde vamos e, como vamos.


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As cinco ênfases de nossa visão

Precisamos de uma visão que nos permita entender a condição humana. Em Atos 17: 28 Paulo faz uma brilhante definição dessa condição, que é concorde com todo o testemunho das Escrituras: Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’. Isso é o mesmo que dizer: Sem Deus o homem é ausência e solidão. Falta-lhe o essencial. Essa frase citada por Paulo é definidora. Vale degustar devagarzinho: Porque Nele vivemos: Não se refere à vida cotidiana, mas à condição humana. Nele vivemos, ou seja, fomos criados por Ele. É por causa dele que temos vida. Nossa existência é o sopro de Deus. (nele) Nos movemos: Deus é a razão, o motor, a força... Refere-se a nossa capacidade de agir, interagir, realizar, que nos foi dada por Deus. É por causa d’Ele, ou seja, por causa das capacidades que Ele nos deu, que tocamos a vida no sentido prático.


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E (nele) Existimos: Essa última sentença traz a ideia de uma consciência existencial. Mostra que anelamos pelo que há de vir, pensamos na vida e em seu sentido a partir do que somos hoje e do que desejamos ser amanhã. Isso é parte do desejo de Deus ao nos criar humanos. Por isso, é nEle que existimos. Ou, dito em outras palavras, porque fomos criados à sua imagem é que temos uma consciência existencial. Baseados nesses pressupostos existenciais de Paulo criamos a frase que nos ajuda a compreender nosso caminho como igreja: Ser uma comunidade que: VIVE, SE MOVE E EXISTE como sinal do Reino de Deus Dito em outras palavras, desejamos simplesmente ajudar as pessoas a compreenderem a si mesmas em Deus, a terem noção de ser, existir e viver a partir de sua relação com Deus, que é o centro de toda a existência.

Pretendemos uma visão que contemple além da espiritualidade, as outras dinâmicas do sentido de ser humano, tais como o aspecto existencial, social, relacional, emocional, etc. Precisamos de uma visão que contemple o máximo que estiver em nossa capacidade. Em razão dessa ênfase enfocamos nossa visão em Deus e no ser humano da pós-modernidade. Eles são os dois elementos de nossa visão.


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Quem é o homem contemporâneo? Apesar de profundamente decepcionado com as promessas do modernismo, tais como a redenção do mundo e da sociedade, há diversas boas características no homem pós-moderno. Somos mais expressivos, sensíveis e temos um anelo enorme pela justiça. Entretanto, a estrutura social que criamos, provocou lacunas em áreas essenciais à vida e à saúde em todos os níveis. Vivemos no mundo da eficiência. Uma era em que a pessoa tornou-se a empresa. Vivemos nossos empreendimentos vinte e quatro horas por dia. Acessamos as redes de relacionamento para promover nossos negócios, fazemos contatos pessoais com esse foco e temos “tablets e smartphones” nos quais levamos a empresa a todos os lugares. Por isso e por tantas outras razões, junto desse novo homem também encontramos: Individualismo Enfatizamos tanto o valor individual que, acidentalmente, entramos em um casulo pessoal de onde saímos apenas quando nos interessa. Com isso perdemos alguns sentidos essenciais à saúde emocional, espiritual e até mesmo física. É por causa de nosso individualismo exacerbado que as empresas produzem sem importar-se com o impacto sobre a próxima geração. Solidão Em razão da ênfase no individualismo, o ser humano normal de nossa era tornou-se um solitário, sedento por significância e amizades que preencham esse vazio. Longe de ser pessimista, estamos diante da geração mais deprimida e egoísta que já existiu, razão pela qual a depressão tem sido apontada pela OMS como uma de nossas maiores epidemias. É um paradoxo. Vemos uma geração bonita levantando-se para fazer diferença, mas ao mesmo tempo essa geração, capaz de mobilizar-se, vive o resto de seu tempo ensimesmada e sozinha. As redes sociais nos levam a um nível de relacionamento tão frenético e tão largo que, apesar de muitos amigos, não temos quase nenhum. Com quantos dos nossos oitocentos amigos de “facebook” podemos realmente abrir o coração e revelar nossos medos? Somos solitários, ainda que uma multidão nos cerque.


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Desconfiança Um terceiro resultado de nosso estilo de vida focado na eficiência, produtividade e individualismo é termos diante de nós uma geração que se perdeu de Deus e de si mesma. Tem uma sede enorme por Deus, mas não confia em qualquer das propostas religiosas tradicionais, em razão do gigantesco mercado religioso formado nas três últimas décadas. O homem do século 21 é absurdamente confuso quando o assunto é religião. Como consequência das anteriores e na busca por preencher seus vazios, o ser humano tornou-se um consumista contumaz. Criou para si um sistema baseado em sucesso e assim está cada vez mais preso em uma teia da qual não consegue sair. Abertura à espiritualidade Há também excelentes oportunidades para a fé em nossos dias. Ao contrário do que foi previsto pelos futuristas no século XX, os ocidentais de nossa geração têm buscado em outras fontes de espiritualidade saciar sua sede de Deus. Apenas trocaram a palavra “Religião” – leia-se “propostas tradicionais de religiosidade” pela palavra “espiritualidade”. Não querem compromisso com as instituições. Preferem seguir sozinhos. Entretanto, essa é uma época da história que, talvez, como nunca, os seres humanos sentiram necessidade de Deus. Percebem aos poucos que nem a ciência nem o sucesso profissional são suficientes para dar sentido a sua vida. Eis as grandes buscas de nossa geração: significância, relevância e sentido. Equivocadamente buscamos isso para satisfação e busca da felicidade sem perceber que nossa maior busca é por Deus. Ele continua sendo a grande sede do ser humano, porque como bem observou Blaise Pascal: “Há no homem um buraco na forma de Deus”. Anos depois, Fiódor Dostoiévski disse o mesmo com outras palavras: “Há no homem um vazio do tamanho de Deus”. Como nunca, a igreja tem a oportunidade de refazer o caminho. O pósmodernismo é uma reforma social que está em curso. O mundo está mudando e por isso faz-se necessário que a igreja também reveja seus valores. Contudo, precisa de uma proposta consistente, menos parecida com a religião-mercado


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de nossos dias e mais achegada a Cristo na relação leve e significativa com seus discípulos. Este é o sentido da palavra “Igreja” ou “Comunidade”: agregar, juntar, congregar, unir.

Nossa visão também afirma que desejamos ser uma comunidade que vive se move e existe COMO SINAL Sinal é a manifestação visível de algo que não se pode ver. Imagine uma placa de trânsito. É o sinal visível de uma lei que não se pode ver. A lei é um conceito, uma norma. Não pode ser vista. Por isso, a placa lhe dá concretude. Outro exemplo são os milagres. Eles manifestam de forma visível uma realidade que é puramente espiritual. Os milagres de Jesus sinalizaram que tal realidade espiritual é verdadeira. Ser sinal do Reino de Deus significa tornar visível uma realidade imperceptível para a maioria das pessoas: a presença de Deus. As pessoas precisam de sinais históricos, concretos, que mostrem Deus. Ações como Ministérios (amigos que se juntam para servir), Pequenos Grupos (amigos que se juntam para crescer), Ação Social (amigos que se juntam para ajudar), Cultos de Adoração (amigos que se juntam para celebrar), Cultos de Ensino (amigos que se juntam para aprender), Aconselhamento Pastoral (amigos que se juntam para dar suporte), etc, devem ser sinais da presença de Deus entre nós.


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Nossa visão informa: desejamos ser uma comunidade que vive se move e existe como sinal DO REINO DE DEUS. O Reino é a concretização da relação entre Deus e o ser humano. É a relação que um Deus Santo se propõe a ter com o ser humano pecador, contraditório, mas também feito a Sua imagem e por isso, desejoso pelo bem e amante da vida e da beleza. O Reino de Deus são os valores essenciais que essa relação pressupõe: aceitação, perdão, honestidade. É, acima de tudo, o propósito de construir e transformar a terra em um lugar de justiça e paz a partir de nós mesmos.

A obra da salvação aponta para antes da vida no Céu. Objetiva restaurar o caminho que Deus iniciou no Éden, mas que o pecado destruiu nossa humanidade. Por isso, a visão de qualquer igreja cristã precisa objetivar a transformação de indivíduos em pessoas. A isso a teologia ortodoxa chama de “Santificação”. Assim reafirmamos que nosso propósito como igreja não é a massificação. Antes, é a individuação, ou seja, a transformação de um indivíduo impessoal, massificado pela vida na cidade, em alguém capaz de relacionar-se, interagir e deixar sua marca no mundo. Alguém consciente de quem é e do que faz no mundo.


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A palavra “indivíduo” fala sobre a singularidade de cada um. Todavia, nem todo indivíduo é uma pessoa do ponto de vista do equilíbrio entre ele mesmo e o mundo fora de si. Uma pessoa é, no sentido mais precioso da palavra, aquele indivíduo que aprendeu a interagir de forma equilibrada consigo, com Deus e com o mundo. Isso significa que necessitamos de uma visão que exista em resposta às complexas necessidades desta geração. As ações da igreja e seus ministérios objetivam oferecer respostas cristãs a essa realidade do homem.


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Quatro valores que respondem aos nossos desafios Vivemos no mundo do mercado, onde competência é mais importante que grandeza pessoal. Isso faz do ser humano uma “empresa ambulante”, vivendo enclausurado em seu feudo pessoal, como mencionamos antes.

Precisam ser estimuladas a sair de seu casulo pessoal a fim de receber a completa salvação oferecida por Deus. Entenda “salvação” como o desejo completo de Deus para a humanidade. Precisamos ser salvos de nós mesmos e do “leviatã” que criamos em nossa sociedade. Na Bíblia, o termo salvação refere-se não apenas à salvação da alma, mas à salvação de toda a história humana, do projeto humanidade.


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Por “alcançadas” queremos dizer: “percebidas”, “amadas”. Significa ir a onde elas estão existencialmente e tentar enxergar as coisas por seu ponto de vista. Fica esclarecido não haver nessa palavra qualquer enfoque mercadológico.

A palavra “alcance” refere-se tanto a pessoas de fora (não convertidas) quanto a pessoas de dentro da igreja, mas que mantém seu estilo de vida intacto, ao gosto do mercado. Raciocinam com a lógica do mercado em suas relações interpessoais e em sua relação com Deus. Em nossos dias, muitos cristãos necessitam de conversão porque aderiram à religião exposta na mídia, mas não à proposta de Cristo.

Todos clamam por sentirem-se parte de algo relevante e de um lugar em que possam fazer diferença. O sentimento de pertença é essencial para a saúde integral da pessoa. Por isso, entendemos que, como parte de nossa pastoral, necessitamos acolher os que forem alcançados (dentro e fora da igreja), fazendo-os sentir-se parte da comunidade. Todos têm de sentir-se em casa entre nós. Essas duas ações (alcançar e acolher), apesar de essenciais, não fecham o ciclo de nossa visão, que é viver, mover-se e existir como um sinal do Reino de Deus. Em adição a isso compreendemos que


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Em uma era de tanto esvaziamento de conteúdo e de tantas propostas diversas de espiritualidade, faz-se necessária - como nunca - a formação Cristã, a fim de que os alcançados (de dentro e de fora da igreja) descubram a si mesmos e aos outros e sejam imersos no amor de Deus. Formação Espiritual é a matéria-prima para a transformação. Com essa ação desejamos aproximar cada um da espiritualidade clássica e da reflexão existencial, filosófica, ajudando-os a resolver-se como indivíduos. É o processo de aprendizado onde aprendemos a deixar de lado o individualismo em busca de uma individualidade equilibrada. É a formação de Cristo em cada um, na medida em que cada um se permita a isso. Em síntese, como resultado prático desse valor (a formação) desejamos ser uma igreja capaz de formar pessoas: a. Que tenham um profundo afeto e também compromisso com Deus e com a Palavra. b. Que tenham um profundo compromisso de cuidar da pequena comunidade (os membros da igreja). c. Que tenham um profundo compromisso de cuidar do mundo. d. Que tenham compromisso de aprofundar a si mesmas por meio da reflexão teológica e, assim, compreender o que fazemos nesta terra.


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Todos nós percebemos a necessidade da significância. Temos uma chama interior que arde por deixar nossa marca no mundo. Por isso, encontramos no serviço uma forma de responder a nossos anseios por fazer parte de algo e de dar um sentido mais profundo a nossa vida, a partir da vida do outro. No servir, a relação Eu-Tu é elevada em razão de ser uma ação de amor e zelo para com o outro. Servir é uma forma de expressar nosso amor, potenciais e capacidades.

A relevante mensagem da cruz nos fascina ao mesmo tempo em que nos compromete. Esses quatro valores não foram agrupados à toa. Observe que eles nos aproximam de Jesus porque foi basicamente isso que Ele viveu. Formam o sentido da cruz. Ela representa um estilo de ser. Por essa razão Jesus chamou seus discípulos a ela (Mt 16:24). O ministério terreno de Jesus consistiu primeiramente em alcançar pessoas. Não importava quem eram: prostitutas, bêbados, oficiais do exército, fariseus... Ele alcançou a muitos com o propósito de ligar essas pessoas ao Pai, trazendo a elas sentido, relevância e dignidade. Paulo seguiu a mesma trilha de Jesus, conforme está escrito em 1ª Cor 9:19-23


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“Ainda que eu esteja livre das exigências e expectativas de todos, tornei- me um servo voluntário de todos para alcançar todo tipo de gente: religiosos, não religiosos, moralistas, libertinos, fracassados, desmoralizados — não importa. Não adoto o estilo de vida deles. Mantenho meu comportamento baseado em Cristo, mas entrei no mundo deles e compartilhei da realidade deles. Tornei- me servo em minha tentativa de levar alguns dos que eu encontrei pelo caminho para uma vida salva por Deus. Fiz tudo por causa da Mensagem. Eu não queria apenas falar dela: eu queria estar nela!” Desejamos realmente tocar a vida de alguém para ligá-lo ao Pai e transformá-lo. Ao alcançar as pessoas Jesus as acolhia, ouvia suas dores, tratava seu egoísmo e dava a elas uma nova razão para viver. Aqueles que se juntaram ao seu ministério - e foram mais de quinhentos - Jesus lhes trazia uma formação espiritual mais intensa, capaz de mudar suas vidas, aproximando-os de Deus. Cada uma daquelas pessoas aprendia a expressar sua devoção das mais diversas formas. Algumas pessoas juntaram-se, formando o grupo de 12 apóstolos por Ele escolhidos. Outras sustentavam financeiramente seu ministério. Outras ainda apoiavam de diversas formas e supriam as necessidades uns dos outros. Essa é a obra que, mediante o Espírito Santo, na instrumentalidade da igreja, Jesus continua fazendo: alcançar, acolher, formar e, como resultado, as pessoas aprendem a servir umas às outras em suas expressões individuais. A Cruz é o maior sinal do reino de Deus. Nela o maior de todos os seres veio para tornar-se como o menor, indicando assim valores essenciais para o ser humano e o mundo. Na cruz o sinal opressor do reino de César foi transformado em sinal de esperança e compromisso. Por isso, o sinal da cruz é tão essencial a nós e por


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essa razão é que nossos valores como igreja formam uma só figura, onde demonstra nosso compromisso com a mensagem da Cruz e o anseio de: “Viver, nos mover e existir como um sinal do Reino de Deus” para este mundo, alcançando, acolhendo, formando e servindo.”


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Capítulo 3 Transformando a visão em História de vidas Sinopse do Capítulo: Uma vez que explicamos nossos compromissos, ênfases e valores, descreveremos agora como esses ideais influenciarão a organização da igreja e as equipes de voluntários.


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O trabalho voluntário irriga e movimenta igreja. Cada ministério e equipe de serviço é essencial na formação do que chamamos de comunidade. Cada um deles deve estar alinhado a esses quatro valores que nos caracterizam como igreja. Assim, a ação de cada equipe tem por objetivo tornar a visão uma realidade. Por isso dividimos esses quatro valores em 4 áreas de ação da igreja.

Primeira área de organização: O alcance. É formada por ministérios ou ações cujo objetivo é alcançar o ser humano em seu casulo pessoal a fim de contribuir com sua experiência de vida e salvação: - Cursilho de cristandade - Ação Social - Retiros - Eventos ( natal, páscoa, etc) - Pequenos Grupos Segunda área de organização: O acolhimento. Essa área diz respeito aos ministérios ou ações cujo objetivo é acolher pessoas, ajudando-as a fazer parte da comunidade. - Integração. - Pequenos Grupos. - Recepção.


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Terceira área de organização: A formação Cristã. É formada por ministérios ou ações cujo objetivo é formar Cristo no indivíduo. - Vida Nova (base Cristã). - Mentoria. - Instituto Bíblico Para a Vida Cristã. - Retiros de Formação - Cultos de Ensino - Pequenos Grupos Quarta área de organização: O serviço e a expressão pessoal. Os ministérios desta área tem o objetivo de dar suporte aos ministérios e aos voluntários, facilitando o envolvimento de cada um em áreas onde possam contribuir de acordo com suas competências e dons. - Equipe de gestão.

As ações de Unificação Há também na organização da comunidade três grupos cujo objetivo é facilitar a integração de todos, dar unidade e harmonia a todas as ações e atividades da igreja. São Equipes de suporte. Equipe de comunicação. Oxigena a comunidade de informações, ajudando os ministérios a alcançar os membros da igreja. Movida (equipe de estrutura de eventos). Ajuda na orientação e estruturação de eventos dos ministérios e da igreja como um todo. Equipe de gestão


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Novamente citamos essa equipe porque forma um bloco que unifica. Tem o objetivo de dar suporte os ministérios no sentido de sua organização e compreensão dos valores da igreja.

Conclusão: Chegamos ao final de nossa jornada, cujo objetivo foi esclarecer um pouco da identidade e visão de nossa comunidade. Podemos resumir tudo em uma só expressão:

Caminho 4-5-4 O Caminho 4-5-4

Resumimos nossa filosofia de Ministério através da sigla " Caminho 4-5-4", onde temos Quatro compromissos, Cinco ênfases e Quatro valores, a saber:

Os 4 compromissos: Estamos comprometidos com quatro alvos na formação da comunidade: Consciência: Temos compromisso de buscar compreender o sentido do cristianismo para nossa geração a fim de formar a consciência cristã em nossas ovelhas,. Formação: Temos o compromisso de formar espiritualmente os membros de nossa comunidade, na busca da identificação com Cristo.. Cultura: Temos o compromisso de associar a Bíblia com a cultura contemporânea a fim de melhor compreender ambas. Fluidez: Temos o compromisso de desenvolver uma comunicação fácil e leve com as pessoas que estão fora da igreja. As 5 ênfases: Todas as ações, estudos e ministrações da Palavra entre nós visa


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Buscar o sentido da relação entre o humano e o divino. Ter sensibilidade para com o mundo. Ser um sinal de Deus. Ter compromisso com os valores do Reino. Guiar-nos pelo sentido da cruz de Cristo. Os 4 valores: Faremos tudo o que foi descrito acima, baseados em quatro valores Alcançar o ser humano em sua solidão. Acolher a todos. Formar Cristo na vida de todos Servir. Oferecer oportunidade a todos para seu desenvolvimento pessoal. Esperamos que tenha entendido e apreciado nossos ideais e a forma como estamos nos organizando para servir com excelência a Deus, exercendo o ministério mais belo que Jesus instruiu: Amar a Deus servindo a igreja e ao mundo. Junte-se a nós. Igreja Cristã Vida Rua Jornalista César Magalhães, 380 – Guararapes – Fortaleza – CE - CEP 60.810-140 - Fone+55 (85) 3044 4077 Email: secretaria@igrejacristavida.com.br Site: www.igrejacristavida.com.br

1 sentidos para a vida pdf  

Sentidos para a vida descreve a visão da Igreja Cristã Vida.