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MANANCIAL VIVO: água com sustentabilidade

“ESTABILIDADE” é a previsão para a pecuária em 2018 Estação de monta: é hora de planejar Eucalipto e os benefícios para o solo Famasul, 40 anos de história

Perspectivas para pecuária em 2018


conteúdo

03 téc. em agronegócio 05 programa agro + MS 06 famasul 40 anos 08 gtps 09 agrinho 11 milho 12 sucessão familiar 13 dados ibge 14 leite 16 artigo 17 pró-genética 18 caso de sucesso 20 estação de monta

Editorial – Mensagem do Presidente

22 pecuária 24 car 26 eucalipto 28 prog. manancial vivo 30 restauração 32 aftosa

Esta é uma edição especial, por vários motivos. Juntamos, neste informativo, as principais notícias e eventos de setembro e outubro. As páginas estão repletas de informações importantes. Com exclusividade, trazemos os dados de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que mostra os resultados positivos conquistados pela participação ativa dos produtores, na bacia do Guariroba, importante córrego da nossa Capital. A fonte de metade da água consumida em Campo Grande está na zona rural, e com o apoio de instituições parceiras está, a cada dia, mais protegida. O Programa Manancial Vivo, em parceria com o Água Brasil, tem ajudado o produtor a cuidar deste bem tão precioso. Esta edição sustentável traz, ainda, uma reportagem sobre os avanços da floresta plantada no Estado e os benefícios de uma produção sustentável, que gera resultados sociais, financeiros e ambientais. E tem muito mais! O Lançamento dos indicadores de sustentabilidade do GTPS – Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, sucessão familiar, premiação do Programa Agrinho, perspectivas da pecuária para 2018 e um assunto que é prioridade, para nós: capacitação!

Sindicato Rural de Campo Grande- MS Rua Raul Pires Barbosa, nº116 Miguel Couto - Cep 7904-150 Campo Grande - MS (67) 3341-2151 / 3341-2696 srcg@srcg.com.br Diretoria-gestão 2016/2018 Presidente - Ruy Fachini Filho Vice Presidente - Thiago Arantes Segundo Vice Presidente - Tereza Cristina C. Da Costa Dias Secretário - Wilson Igi Segundo Secretário - Rafael Nunes Gratão Tesoureiro - Alessandro Oliva Coelho Segundo Tesoureiro - Pedro De S. Junqueira Netto Conselho Fiscal Fiscal - Abílio Leite De Barros Fiscal - Antônio De Moraes Ribeiro Neto Fiscal - Laucídio Coelho Neto

Projeto Gráfico

Amigos produtores,

Jornalistas responsáveis: Diego Silva Tarcisio Silveira Designer gráfico: Alexandre Butkenicius

O mercado de Campo Grande tem nas mãos uma alternativa: o curso Técnico em Agronegócio, realizado pelo Senar/MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e pelo Sindicato Rural de Campo Grande. Em setembro, formaram, nesta capacitação 18 novos profissionais deste segmento. Agora, preparados, eles vão desbravar o mercado, com qualidade e dedicação. Este Informativo traz uma reportagem especial sobre este tema e relatos de quem viu uma oportunidade de mudança de vida em fazer este curso. Leia, inspire-se e, se quiser fazer parte desta trajetória de sucesso, procure-nos no sindicato. É isso, meu amigo leitor, que você verá neste exemplar: informação, inspiração, emoção e orientação. Aproveito e antes de me despedir faço um convite: se tiver um tema no qual você queira conhecer mais e/ou tenha dúvidas, envie um e-mail: srcg@srcg.com.br, quem sabe não será a pauta da nossa próxima edição. Nos vemos em dezembro!

ruy fachini filho Presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho


Téc. em agronegócio

Sindicato Rural de Campo realiza cerimônia de colação de grau da primeira turma do curso Técnico em Agronegócio, do Senar/MS

A noite de 30 de setembro, na sede do Sindicato Rural de Campo Grande, foi marcada por emoção, alegria e muito otimismo, com a realização da cerimônia de colação de grau dos alunos do curso ‘Técnico em Agronegócio’, do Senar/MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).

primeira turma do nosso município. Vocês são importantes para o agro, para a evolução do setor e mostrar que seguramos a economia do país, através de muito trabalho e pesquisa. Não foi à toa que chegamos até aqui. Os parabenizo por buscar conhecimento”.

No evento, 18 formandos receberam das mãos do presidente do sindicato, Ruy Fachini Filho e do presidente do Sistema Famasul – Federação da Agricultura e Pecuária de MS, Mauricio Saito, o certificado que os transformam em Técnicos em Agronegócio de nível médio.

O presidente da Famasul, Mauricio Saito, também salientou o orgulho pela formação dos técnicos. “Quando eu vejo pessoas como os senhores, recém formandos, agora, eu tenho tranquilidade que a nossa necessidade de mão de obra será suplantada. Se não tivermos profissionais capacitados para atender a demanda tecnológica não conseguiremos avançar. Em Campo Grande, 61% da mão de obra está empregada na pecuária de corte”.

Na cerimônia, Fachini destacou o esforço dos alunos durante os dois anos de duração do curso. “É uma grande honra saber que esta é a

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Téc. em agronegócio

“Sem dúvida, o curso Técnico em Agronegócio foi uma excelente iniciativa do SENAR para todos nós. Em 2 anos aprendi muito com os conteúdos didáticos, mas aprendi mais ainda com as visitas técnicas, que eram para mim, um incentivo a mais. Isso me mostrou os diversos campos, e as variedades que tenho possibilidades de atuação. Encerro este curso muito satisfeita com o que aprendi e com as amizades que fiz e levarei para toda a vida,” diz a formanda Daniele Ramos. O aposentado de 70 anos, Algacir Jesus Martins, provou que nunca é tarde para adquirir conhecimentos. “Apesar da idade me senti muito animado, e buscava inspiração nos mais novos para se empenhar nas aulas. A metodologia é de muita qualidade. É um curso de nível médio mas se aproxima muito de uma

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graduação, tamanho é o aprofundamento. Mesmo nunca tendo contato com o Agro, agreguei conhecimento e agora é aplicar o conhecimento. Mesmo não sendo produtor rural, quem sabe não viabilizo uma pequena propriedade?! O negócio é ir em busca de oportunidades”, almeja. O diretor do SRCG, Wilson Igi foi homenageado na cerimônia. “Foi uma surpresa e uma grande honra. Eu sempre acreditei no potencial do curso e nos benefícios que ele poderia trazer pro setor e para a sociedade. Me sinto emocionado de fazer parte deste curso”, diz Igi. Após a cerimônia de colação de grau, foi servido um jantar para formandos e convidados. A noite terminou com música e muita festa.


programa agro +

Programa Agro + MS pretende desburocratizar o setor e gerar competitividade “Em cinco anos, queremos passar de 5% para 10% a participação do Brasil no mercado internacional. Este é um plano de modernização e desburocratização”. A meta foi anunciada pelo secretário executivo do Mapa, Eumar Novacki, no lançamento do Programa Agro+ MS, no dia 21 de setembro, na Capital. O Programa foi lançado pelo Ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA - Blairo Maggi, para aumentar a eficiência do agronegócio brasileiro. O plano consiste em simplificar processos e melhorar o fluxo de informações, refletindo no aumento da participação do Brasil no mercado internacional. “É de extrema importância que as instituições se preparem para atender o que vem pela frente, tanto em questões de produção, quanto de normativas e burocracia”, afirmou o Maggi. Participaram do lançamento, além do ministro e do secretário executivo do MAPA, o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, o presidente do Sistema FAMASUL, Maurício Saito, o ChefeGeral da Embrapa Gado de Corte, Roney Mamed e o superintendente da SFA/MS, Celso Martins. O diretor do SRCG, Rafael Gratão, prestigiou o evento. “Hoje, para conseguir montar um confinamento, abrir uma nova inscrição, leva tempo, é muito complexo e difícil. Essa desburocratização vai ajudar o setor a se desenvolver com mais agilidade,” afirmou Gratão. Maurício Saito falou sobre as vantagens da simplificação dos processos. Segundo ele, “a partir do momento em que os agentes públicos, Governo Federal e Governo Estadual, promovem a agilidade nos processos, estão possibilitando que o que produzimos da porteira para dentro seja mais competitivo.”

Entre as ações entregues ou em andamento do programa Agro+ MS estão: a facilidade na abertura de empresas, ampliação do acesso aos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), Nota Fiscal de Produtor, Série Especial (NFP/SE), licenciamento piscicultura 2 a 5 hectares, monitoramento em suinocultura, concessão de outorga de uso dos recursos hídricos, simplificação da publicação de solicitação e recebimento das licenças ambientais, Precoce MS. Além disso: modernização do Sistema Integrado Saniagro, facilidades no âmbito do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal – PNCEBT e lançamento do novo sistema de informações gerenciais do Serviço de Inspeção Estadual – SIE e Desburocratização do processo de habilitação das plantas das indústrias estaduais que trabalham com produtos de origem animal – previsão para a conclusão e entrega do sistema de virtualização do SIE – dezembro de 2017. “Há dois anos, o governo do Estado deu início a uma série de medidas de desburocratização. A criação da Semagro, que integrou os órgãos ligados ao agronegócio e ao processo de desenvolvimento sustentável do Estado, nos deu condições mais favoráveis para efetiva implantação do programa. No âmbito da secretaria e seus órgãos vinculados, como o Imasul, Iagro e Agraer, Jucems já foram adotados uma série de procedimentos para aumentar a eficiência institucional e tornar mais ágil o tempo de resposta às necessidades do agronegócio sul-mato-grossense, bem como da agricultura familiar”, lembra o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck. INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL 05


Famasul 40 anos

Famasul comemora 40 anos com festa, lançamento de livro e de bosque A Famasul comemora em 2017 quatro décadas de trabalho desenvolvido pelos produtores rurais. A data não poderia passar em branco. Para comemorar, a instituição realizou, nos dias 26 e 27 de outubro, uma série de eventos comemorativos. No dia 26, à noite, uma noite marcada por muita emoção aconteceu na sede da Casa Rural. No evento, foi lançado o livro ‘Celeiro de Farturas: a história dos 40 anos da Famasul’. Em homenagem aos ex-presidentes da Federação, Saito destacou o legado das lideranças. “Para chegarmos até aqui tivemos a contribuição e doação de todos os presidentes e suas diretorias que passaram pela Famasul nessas quatro décadas. Cada um, do seu modo, enfrentou os desafios da sua época”, finalizou o presidente, perguntando ainda: “Como será daqui para frente?”, afirmou Saito. O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Ruy Fachini, prestigiou o evento e também comemorou a união do setor produtivo. “Eu, que já fui diretor secretário desta instituição e hoje sou um dos conselheiros fiscais, me sinto parte dessa história construída com muita dedicação”. Fachini destacou ainda a importância da presença de ex-presidentes no evento, como José Armando Amado; Leo Brito; Eduardo Riedel e Nilton Pickler. “São grandes líderes do agronegócio de Mato Grosso do Sul, inspiradores e admirados”. No evento, o secretário de Governo de Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, que também foi presidente da Famasul, retratou

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a representatividade rural. “Conheço poucas pessoas tão comprometidas com o coletivo como o Maurício, e a entidade tem muito deste perfil de unir, de integrar. O que vejo é que a história de MS está bastante alinhada a trajetória da Casa Rural, construímos exemplos para o pais inteiro”. O presidente da Famasul, Mauricio Saito, realizou o lançamento da Obra, escrito pela jornalista, Juliana Feliz, entregando um exemplar para os ex-presidentes. Em seu discurso de agradecimento, o expresidente, Leôncio Brito, falou da trajetória dos nove presidentes que passaram pela Federação: Sylvio Amado; Otair Ávila; José Metello; José Armando Amado; Ademar Silva Junior; Eduardo Riedel; Nilton Pickler (atual vice-presidente da Famasul) e Mauricio Saito. “Agradeço a honra e responsabilidade de representar essas diretorias que trabalharam para fazer deste setor ‘o negócio’ brasileiro. Senão fosse a participação dos produtores, através dos valorosos sindicatos, não chegaríamos com a convicção de dias melhores que temos hoje”, destacou. Bosque – As comemorações do aniversário da Famasul continuou no dia seguinte, no lançamento do Bosque 40 anos, localizado no Parque das Nações Indígenas, um dos maiores parques urbanos do País. O presidente do sindicato rural, Ruy Fachini, participou do evento e elogiou a iniciativa. “É a representatividade da sustentabilidade do campo, no local símbolo de Campo Grande. Ficou muito bonito”.


Famasul 40 anos

Otair Hidelbrando de Ávila Mandato: 1982-1988 Sylvio Mendes Amado Mandato: 1977-1982 FUNDADOR

Eduardo Machado Metello Mandato: 1988-1994 José Armando de C. Amado Mandato: 1994-2000

Ademar Silva Junior Mandato: 2006-2012 Leôncio de Souza Brito Filho Mandato: 2000-2006

Eduardo Corrêa Riedel Mandato: 2012-2014

Nilton Pickler Mandato: jan a ago de 2015

Mauricio Koji Saito Atual Presidente

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gtps

GTPS prepara técnicos para difundir a sustentabilidade em propriedades rurais

Até o final de 2017 cerca de 500 técnicos ligados ao agronegócio vão percorrer 2.400 propriedades rurais brasileiras, com a finalidade do preenchimento do Guia de Indicadores da Pecuária Sustentável (GIPS). O objetivo da ação é encorajar todos os elos da cadeia de valor da pecuária bovina a melhorarem suas práticas sustentáveis, iniciando por uma autoavaliação. O projeto iniciou no dia 4 de setembro com o treinamento dos técnicos de Mato Grosso do Sul, durante o pré-lançamento das comemorações de 10 anos do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), na Famasul. Técnicos do Senar/MS, Iagro, Associação Novilho Precoce, Imasul, Agraer e Embrapa receberam as primeiras instruções para saírem a campo, levando o Guia de Indicadores voltado para produtores rurais. “É um documento de auto avaliação que será aplicado a todos os elos da cadeia. É uma ferramenta inclusiva, com o objetivo de fazer com que o produtor execute melhor sua atividade. Não se trata de uma certificação ou um selo”, detalha o presidente do GTPS e do Sindicato Rural de Campo Grande, Ruy Fachini Filho. Fachini esclarece também que para a auto avaliação o pecuarista deverá incluir no GIPS informações baseadas em cinco princípios: gestão, comunidade, meio ambiente, trabalhadores e cadeia de valor. “Inicialmente serão percorridas propriedades rurais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Pará, mas este é um projeto nacional e passará por todos estados”, completa. 08 INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL

Para o presidente da Famasul, Mauricio Saito, a ação contribui com eficiência do setor rural que se baseia na ciência para apresentar resultados. “Nos últimos 20 anos, tivemos um incremento de produção de carne bovina, aqui em Mato Grosso do Sul, superior a 32%. Ao mesmo tempo, um crescimento de rebanho inferior a 2%. Isso é aumento de produtividade, alcançado com introdução de novas tecnologias e com o trabalho da pesquisa, que fazem com que o setor cresça de forma sustentável.” Representando o governador Reinaldo Azambuja, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, participou da cerimônia de abertura do lançamento do GIPS. “É muito bom que Mato Grosso do Sul e o produtor rural estejam à frente desse processo, pois temos condições técnicas e capacidade para fazer uma boa gestão, levando conhecido aos produtores, que precisam se atualizar e fazer uma pecuária sustentável atendendo as demandas da indústria”, disse. Também participaram do evento, a diretorasecretária do Sistema Famasul, Terezinha Cândido; o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan; a 2ª diretora tesoureira da Federação, Thaís Carbonaro Faleiros Zenatti; o presidente do MNP – Movimento Nacional dos Produtores, Rafael Gratão; o presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia; o presidente do Novilho Precoce, Nedson Rodrigues Pereira e o superintendente do Crea, Renato Roscoe.


agrinho

Concurso Agrinho: alunos e professores recebem medalhas e certificados em Rochedo A diretora do Sindicato Rural de Campo Grande, Aurora Real, entregou no dia 14 de setembro, em Rochedo, as medalhas e certificados aos participantes do Concurso Agrinho 2016 do Senar/MS. O programa tem o apoio do sindicato e visa despertar a consciência de cidadania por meio de atividades nas escolas públicas. “Esta é uma iniciativa com grande abrangência social. Estamos investindo em educação e incentivando crianças, adolescentes e professores. É um orgulho para o SRCG fazer parte desta história. É com educação que construímos nossa sociedade, integrando o rural e o urbano”, enfatiza Aurora Real. Participaram desta edição as escolas E.E Jose Alves Ribeiro, E. M Polo do Saber e E. M Doce Saber. Ao todo foram 19 alunos e 5 professores, que concorreram nas modalidades redação e desenho. O prefeito de Rochedo, Francisco de Paula Ribeiro Júnior, prestigiou a entrega dos prêmios. “Quero aqui agradecer a parceria do Sindicato Rural de Campo Grande e do Senar/MS de desenvolver esse projeto com os nossos alunos, porque os valorizam para que no decorrer dos anos eles possam chegar no objetivo que querem para a sua vida”. A professora, Ruth Odenes da Silva, da E. M Polo do Saber, falou sobre o envolvimento dos alunos com o projeto. “É muito importante o programa para nós, o desempenho, a dedicação deles, a curiosidade que vai surgindo e isso ajuda muito no nosso trabalho de professor. A realidade dos meus alunos é que eles vem da zona rural para a cidade e às vezes eles se sentem desvalorizados e o programa veio para incentivá-los cada vez mais e saberem

a importância do meio rural para a cidade”, afirma a professora. Aos 9 anos, Gabriel das Chagas Lopes está no 4º ano do ensino fundamental da E. M Polo do Saber está empolgado com a premiação. “Fiz uma redação com a ajuda das professoras e foi muito legal. Quero participar esse ano de novo”. Leriane Barbosa Marques Machado, de 14 anos, está cursando o 1º ano do ensino médio da E.E Jose Alves Ribeiro. A redação dela foi uma das vencedoras. “O concurso Agrinho 2016 serviu para ter aprendizado e mais incentivo, e também a cuidar cada vez mais do meio ambiente, que é um bem de todos nós”. O Agrinho O Agrinho é o programa de maior responsabilidade social do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR/MS e da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul - FAMASUL, que visa o despertar da consciência de cidadania por meio do desenvolvimento de temas transversais tendo como linha condutora a Ética e a Sustentabilidade com foco na conexão campo-cidade, que orientam e legitimam a busca de transformações da realidade local e de seus sujeitos sociais. Em Mato Grosso do Sul, o Programa Agrinho é desenvolvido no Ensino Fundamental das escolas da rede pública em parceria com as Secretarias Municipais e de Estado de Educação. Este ano, estão participando, no Estado, 198.657 alunos e 8 mil professores de 498 escolas públicas em 57 municípios.

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milho

Agricultores de Campo Grande investem em tecnologia e produtividade do milho safrinha surpreende

Em Campo Grande, a colheita do milho safrinha trouxe números surpreendentes: a produtividade atingiu 88,1 sacas por hectares na safra 2016/17, resultado que é 30% maior que a média registrada na temporada anterior, quando por hectare foram colhidas 68 sacas. Os dados são da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) e apontam, ainda, que a área destinada ao cultivo da oleaginosa na temporada foi de 30,8 mil hectares, enquanto que em 2015/16 atingiu 26,6 mil hectares. Com isso, a produção total da Capital ultrapassou 163 mil toneladas, contra 109

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mil toneladas registradas na temporada anterior, segundo apuração do Siga – Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio, sistema da Aprosoja/MS. Os números da safra ficaram acima também da safra de milho 2014/15, quando a produtividade ficou em 85,7 sacas por hectare, quando área foi de 27 mil hectares, gerando uma produção de 13,8 mil toneladas. Ao todo, Mato Grosso do Sul registrou produção de 9,8 milhões de toneladas de milho na safra de inverno 2016/2017, o maior resultado de sua história. Isso significa que a produção estadual cresceu


61% em relação à safra 2015/2016.

Safra de milho 2014/2015:

Ainda de acordo com o levantamento, foram plantados 1,8 milhão de hectares nesta safra, o que representa acréscimo de 3,4% de área na comparação com o ciclo passado. Já em relação à produtividade média estadual, foi registrado 51% de evolução no número, que na safra 2015/2016 foi de 58,4 sacas por hectare e, agora, chegou a 88,3 sacas por hectare.

Produção de 138.773 toneladas Área: 27.000 hectares Produtividade: 85,7 sacas por hectare

Últimos 5 anos

Safra de milho 2016/2017:

A circular de produtividade do Siga MS ainda aponta que, nos últimos cinco anos, entre a safra 2011/2012 e a safra 2016/2017, a produção de Mato Grosso do Sul cresceu 47%, a área plantada teve acréscimo de 38% e, a produtividade, teve evolução de 10%.

Produção de 163.007 toneladas Área: 30.832 hectares Produtividade: 88,1 sacas por hectare

Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Ruy Fachini, os resultados mostram que o investimento em tecnologia resulta em dados favoráveis de produção. “Colhemos mais sacas por hectare, transformando nossa produção cada vez mais sustentável e eficiente”, reforça Fachini.

Safra de milho 2015/2016: Produção de 109.035 toneladas Área: 26.561 hectares Produtividade: 68 sacas por hectare

Soja - O plantio de soja ainda é tímido em Campo Grande. O último relatório da Aprosoja/MS, referente à terceira semana de outubro, mostra que até o momento o cultivo atingiu apenas 7% da área estimada para a safra 2017/18. Para a Soja 1ª safra 2017/2018, a estimativa é que o Estado tenha área de 2,580 milhões de hectares e a projeção é que o volume de grãos seja de aproximadamente 8,359 milhões de toneladas e a produtividade deve manterse em média de 54,0 sc/ha.

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sucessão familiar

Beatriz Brito

Administradora de Empresas com Extensão Universitária na Harvard University, MBA em RH pelo Insper e Formação em Consultoria para Empresas Familiares pela Universidad Abat Oliba, Espanha. Consultora Especialista em Desenvolvimento de Líderes e Carreira, Herdeiros e Sucessores. Mãe de 2 filhos e Herdeira da Laudejá Agronegócio.

Sucessão Familiar, como preparar?

- Qual é a principal dificuldade no processo de sucessão familiar? Os membros, em geral, estão preparados? Cada família é única e possui seu próprio jeito de funcionar, chamamos de Código de Funcionamento. Apesar desta unicidade alguns desafios são recorrentes nos processos de sucessão: alinhar objetivos e necessidades de indivíduos em momentos muito distintos do ciclo de vida, conduzir conversas difíceis e importantes, planejar e tomar decisões sobre o futuro da família e dos negócios. Em geral os membros da família não estão preparados, os fundadores ou a geração que está no controle tende a se dar conta que precisa desenvolver a geração seguinte quando atinge uma idade mais avançada, a partir dos 65 anos ou, quando algum evento relevante acontece na vida das pessoas da família, um acidente, a chegada de uma criança especial, um falecimento, etc. Como este assunto está sendo mais discutido e divulgado, verificamos uma maior preocupação das famílias em preparar a “Sucessão Familiar”. - No agronegócio, a características próprias?

sucessão

tem

Sim. Cada segmento de negócio possui características próprias como também as regiões do Brasil diferem em cultura e forma de se organizar, decidir e realizar a sucessão familiar. Por ser um negócio patrimonial as famílias pensam que fazendo a transferência da propriedade, o aspecto societário, realizaram a sucessão, o que é um grande equívoco. Esta é apenas mais uma decisão a ser tomada. Trabalhamos com a interdependência de 3 dimensões: a Propriedade (o patrimônio) é uma delas as outras duas são a Família e a Gestão dos Negócios. É necessário atuar em todas elas. - Como lidar com diferentes gerações, pontos de vista e formações dentro deste ambiente familiar/empresarial? Primeiro, trabalhar as pessoas individualmente e a família e ajudá-los a identificar o que querem e o que não querem para o futuro. Buscar respostas para perguntas como:

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Qual o seu papel e de que forma pretendem contribuir para a Família e para o Negócios. Segundo, muita conversa estruturadas, sequencias e educativas ajudarão a identificar a visão de futuro desta Família. Comunicação e planejamento são chaves de sucesso neste processo. O que percebemos é que a maior parte das famílias ainda não conhecem mecanismos como a Governança Familiar ou pensam que estas ferramentas são apenas para as grandes empresas. Outro grande equívoco, Governança, que promove transparência e define regras é para todas as empresas, independentemente do tamanho destas. - De que maneira um profissional especialista pode ajudar na construção deste processo? Existem várias formas de apoiar, uma delas é criar um espaço seguro para as pessoas refletirem e tomarem decisões, em grupo (família) ou individualmente – chamamos de Orientação para Empresários Familiares. Criamos o Grupo GerAção, um espaço confidencial e seguro para pessoas de diferentes famílias trocarem experiências, aprenderem umas com as outras, sobre Famílias Empresárias, e realizarem ações de desenvolvimento. O Grupo é aberto a todos os membros da família e para todos aqueles que se interessarem em aprender novos jeitos de atuar na família empresária. Estes grupos acontecerão em Campo Grande, São Paulo e Porto Alegre, por enquanto. Qual mensagem você deixaria para as Famílias Empresárias do Estado de MS? Em primeiro lugar, comecem, pois como todo processo requer tempo e amadurecimento. O quanto antes começarem a pensar no assunto, conversarem com pessoas que já iniciaram, procurarem Cursos e Especialistas maiores serão as chances de uma Sucessão Familiar de sucesso– bom para a Família e para os Negócios. Segundo, ser herdeiro não é uma escolha, ser sucessor é. Precisamos desenvolver herdeiros e sucessores, ambos possuem direitos e importante lembrar também deveres. Para herdar tem que se preparar.


Rebanho bovino em MS cresce 2,04%, em 2016, superando média nacional

Os números divulgados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no dia 28 de setembro, mostram que o rebanho em Mato Grosso do Sul chegou a 21,8 milhões de cabeças em 2016, 2,04% a mais do que no ano anterior. Este número mantém o Estado na quarta colocação do ranking nacional. No mesmo período o rebanho, no País, aumentou 1,4%, chegando a 218,23 milhões de cabeças, o maior efetivo de bovinos já registrado. O município de Corumbá tem o maior rebanho bovino do Estado e o 2º maior do País, com 1,8 milhão de cabeças. Em seguida, Ribas do Rio Pardo, com o 3º maior rebanho bovino do Brasil. “Isso mostra que nossa produção não é grande, apenas em quantidade. Estamos falando em qualidade de produto. Nossa carne é sustentável. Investimentos em boas práticas, tecnologia, pesquisa e manejo têm ajudado a aumentar a produtividade ao passo que as áreas destinadas à pecuária vêm caindo. Estamos integrando com lavoura e floresta e colhendo os resultados”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Ruy Fachini Filho. O efetivo de equinos (cavalos, éguas, potros e potrancas), teve alta de 4,41% em 2016, chegando a 354 mil cabeças. O município de Corumbá tem destaque com o maior efetivo do País. Também em alta, a produção de peixes cresceu 1,6% em 2016. A tilápia, principal espécie cultivada no Estado, registrou alta de 10,9%. O efetivo

de bubalino teve queda de 5,5%, com um rebanho de 13 mil cabeças. A produção de leite recuou em 2016 A redução na produção de leite em 2016, se comparada a 2015, foi de 20% em Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, no país, a redução foi de apenas 3%. O efetivo de vacas ordenhadas, em 2016, em MS, foi de 258.919 animais. O município com maior número de vacas ordenhadas foi Itaquiraí, com 16.050 (6,2% do total do Estado). O município é, também, o maior produtor de MS com 26 milhões de litros. No Estado, no ano passado, a produção de leite foi de aproximadamente 346 milhões litros - 18º no ranking nacional. Neste ano houve uma correção dos dados de produção de leite em relação aos anos anteriores. A produção de leite estimada em 2015 era de 520 milhões litros de leite. “Nós já formalizamos o pedido para que o Governo do Estado zere o ICMS do leite. O pedido tem o apoio da FAMASUL – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, e da FIEMS – Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul. Essa é uma das alternativas para que o setor ganhe competitividade junto ao produto dos outros estados, e volte a registrar números positivos em MS,” afirma o vice-presidente do ConseleiteMS, Wilson Igi.

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leite

Entre os motivos apresentados pela empresa, para fechar as portas em Mato Grosso do Sul, estão a baixa oferta de matéria-prima no Estado e a falta de incentivos fiscais. Em reunião no SRCG, representantes da empresa, no Brasil, reclamaram das dificuldades. A Lactalis assumiu a unidade de TerenosMS, que fica a 30 km de Campo Grande, em 2014. A negociação foi feita juntamente com a aquisição de outras 10 unidades no país, quando a empresa comprou os ativos lácteos da BRF. A negociação chegou a R$ 1,8 bilhão. A empresa iniciou as atividades na França em 1933, ainda com o sobrenome de seu fundador, André Besnier. O nome atual, Lactalis passou a ser assinado em 1999. Em poucas décadas a empresa passou a produzir fora da França mantendo unidades espalhadas por dezenas de países. Fechou acordos e comprou grandes marcas até se tornar a maior do mundo do setor lácteo. A empresa é dona, hoje de marcas como: Sorrento, Société, Bridel, Président, Rachel’s Organic, Valmont, Êlege e Batavo. Para o presidente do SRCG, Ruy Fachini Filho, “é uma perda grande para o Estado, afeta toda a cadeia do leite, atingindo diretamente o setor primário. Precisamos discutir saídas e parcerias para alavancar o setor”. Preço em queda fechamento

após

anuncio

de

A presidente da Cooplaf - Cooperativa Agrícola Mista da Pecuária de Corte e Leiteira e da Agricultura Familiar de Terenos, Lucilia Rezende, afirma que a empresa já

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Multinacional francesa, gigante do setor lácteo, encerra as atividades em MS

dava sinais de que fecharia as portas. “Nós já tínhamos sentido que a empresa estava com problemas, baixando os preços pagos para a cooperativa, com muita frequência. Desde fevereiro já estávamos reduzindo a quantidade de leite fornecida a Lactalis. Passamos de 15 mil litros de leite por dia, para apenas mil, nas últimas semanas, dando prioridade para outras empresas”, afirma a presidente. Rezende vê com preocupação o fechamento, já que a cooperativa havia investido na melhoria de qualidade apostando no desenvolvimento do setor no município. “Desde que a Lactalis anunciou o fechamento, empresas que estavam pagando R$1,25 por litro reduziram em 5 centavos o valor. Isso gera instabilidade e faz com que a gente fique refém do mercado. É preciso que o governo tome providências e melhore a política de incentivos para que haja mais estabilidade e competitividade do nosso produto”, afirma.


Produtores e representantes de instituições ligadas ao setor lácteo discutem incentivo para a produção de queijo artesanal em MS “Diante do cenário em que se encontra o leite, produzir o queijo é uma alternativa altamente viável para o produtor”, disse o diretor do Sindicato Rural de Campo Grande e vice-presidente do ConseleiteMS, Wilson Igi, no dia 20 de outubro, na sede do Sindicato Rural de Campo Grande. Participaram da reunião produtores de leite, e representantes da IAGRO - Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal, SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SEMAGROSecretaria de Produção e Agricultura Familiar de MS, AGRAER - Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural, SENAR - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, FAMASUL – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, SEBRAE, A baixa no preço leite, a queda de captação, o fechamento de mercado e as barreiras tributárias para escoar a produção estão entre as principais dificuldades enfrentadas pelo setor em Mato Grosso do Sul. Por conta disso, muitos produtores estão abandonando a atividade. Para evitar que mais produtores migrem para outros setores, a intenção é ampliar o mercado da produção de queijos artesanais em MS. Cada órgão participou com esclarecimentos e

propostas para incentivar a produção e torna-la viável e competitiva. Entre os principais pontos discutidos, estão a legislação, fabricação, classificação e comercialização. Em 2004, foi aprovada a lei 2.820, na Assembleia Legislativa do Estado, que normatiza a fabricação de queijos artesanais em MS. Mas não foi regulamentada, segundo Marcos Camargo, chefe do Núcleo de Leite da IAGRO. “Faltam estudos que possam viabilizar a regulamentação desta lei, o que ainda não foi feito, já que isto demanda verba”. “Com essa reunião, começaremos a traçar rumos para resolver os entraves da atividade. Vamos buscar, além das parcerias já firmadas, uma negociação com o governo do Estado para desburocratizar e incentivar a produção, para que tenhamos qualidade e competitividade”, afirmou Igi. O produtor de queijos, José Gervásio, relatou a experiência na produção e comercialização. “Precisamos de leis, de ações, de negociações que favoreçam a produção e o produtor, que facilitem quem queira trabalhar. Discutir saídas para que isso aconteça é um pequeno passo para melhorar a cadeia.” INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL 15


artigo

Eduardo Coelho Leal Jardim Advogado – OAB/MS 4920 Consultor jurídico - 21.02.2017

TRABALHO RURAL POR MUITOS ANOS – EMPREITADAS SEM VÍNCULO DE EMPREGO

O longínquo tempo de labor de um trabalhador, a um produtor rural, grande parte das vezes tem influenciado e contribuído para se entender pela existência de vínculo de emprego, embora essa condição (tempo) não se encontre prevista no art. 2º da Lei do Trabalho Rural n. 5.889/73, que tem a seguinte redação: “Empregado rural é toda pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário”. Veja-se recente matéria publicada no site do TRT da 24ª Região (Mato Grosso do Sul), em notícias jurídicas de 12.07.2017, na íntegra: Trabalhador rural não consegue vínculo de emprego Um trabalhador rural que atuou por 29 anos - sem carteira assinada e recolhimentos previdenciários - em uma fazenda no município de Bela Vista entrou com um processo na Justiça do Trabalho de Mato Grosso do Sul pedindo o reconhecimento do vínculo de emprego e pagamento de verbas rescisórias pelo período de 1986 a 2015. Ele alegou que prestava serviços gerais na propriedade como roçar, apagar incêndios, operar motosserra e construir e fazer manutenção de cercas. Em 1º Grau, a Vara do Trabalho de Jardim reconheceu o vínculo de emprego. O dono da fazenda recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região e, por maioria, a Primeira Turma do TRT/MS deu provimento ao recurso não reconhecendo a relação de emprego. De acordo com o Desembargador Redator do voto, o reclamante fazia serviços de empreiteiro na fazenda, sobretudo a instalação de cercas, atividade diferente das funções diárias típicas de uma propriedade voltada para a pecuária. O magistrado ainda esclareceu que o tamanho da fazenda (4,5 mil hectares) contribui para a tese do contrato de empreitada. “Com uma área desta monta, a atividade de realização de cercas internas e limítrofes com a vizinhança, em que pese certa e determinada, envolve trabalho constante e por longa data, o que não desnatura o contrato de empreita. Por lógico, uma área deste porte poderia ter atividade de empreita por até 30, 40 anos sem caracterizar qualquer vínculo empregatício, se mantida a determinação do serviço, o quantum remuneratório mais significativo que o de emprego e a avocação para si de certo risco que o emprego não contempla”, afirmou o des. Nery Sá e Silva de Azambuja. Convergência O Desembargador Nicanor de Araújo Lima, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, compondo o quórum da 1ª Turma, apresentou voto convergente ao voto do Desembargador Nery, fundamentando que “assim, apesar de constante, o serviço não deixou de ser obra certa e determinada, haja vista que realizados em diferentes áreas da propriedade ao longo do ano. Além disso, e o mais relevante, são os valores pagos (e não impugnados, repitase), destoantes do salário de um empregado rural, porquanto destinado ao serviço contratado e realizado e não pelo tempo à disposição.” Divergência O Desembargador Relator, André Luís Moraes de Oliveira, ficou vencido. O magistrado negava o recurso do fazendeiro e mantinha a decisão de 1ª Instância que reconhecia o vínculo de emprego. Para ele o preposto da fazenda admitiu, em depoimento, que o reclamante trabalhava em atividades constantes o ano inteiro, não se tratando de empreitada. “Ressalte-se que não é o tipo de atividade exercida que caracteriza o contrato de empreitada, mas sim a realização de serviço certo e determinado”, defendeu o des. André ao concluir que o reclamante trabalhou como empregado rural nos termos do artigo 2º da Lei 5.889/73. PROCESSO nº 0024386-13.2016.5.24.0076

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2ª edição da Feira Pró-Genética oferece 62 reprodutores na Capital A segunda edição da Feira de Touros PróGenética, realizada em parceria entre a ABCZ- Associação Brasileira de Criadores de Zebu e a Acrissul – Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, ofertou 62 animais de 8 expositores. O número de touros ofertados no dia 25 de setembro foi o dobro do ofertado na primeira edição, em julho. “Este crescimento já era esperado. A feira vai ganhando visibilidade e credibilidade pelas condições diferenciadas e facilidades de negociação”, afirma o gerente do Escritório Técnico Regional de Campo Grande, Adriano Garcia. Os animais ficam expostos para o visitante com preço fixo. Segundo os organizadores, os preços são bastante semelhantes aos praticados em leilões. “Uma das vantagens é a questão do frete. Quem compra já pode levar na hora um animal que está aqui, dentro da cidade, o que fica mais barato e mais fácil. Além de outros benefícios como não ter de pagar comissões e poder negociar direto com o vendedor”, explica Garcia. Uma das garantias da Feira é a procedência dos animais. Todos os touros que participam da precisam ter RGD e exames andrológico e sanitário. Esta edição contou com a participação de uma instituição financeira, que tirou dúvidas

sobre financiamentos e linhas de crédito para aquisição de reprodutores. Esta é a segunda vez que Paulo Augusto Machado participa da exposição. “Desta vez eu trouxe mais animais. Acredito muito neste tipo de negociação que tende muito a crescer”, diz Machado. Pró-Genética O Programa Pró-Genética foi criado pela ABCZ com apoio dos governos federal, estaduais e municipais além de instituições de pesquisa e extensão rural. A proposta é promover a melhora genética do rebanho nacional, consequentemente melhorando a qualidade dos produtos produzidos. Entre os objetivos estão: aumentar a produção de carne e leite nas pequenas e médias propriedades com a presença de touros de genética comprovada, melhorar a renda de pequenos e médios produtores, melhorar o acesso a genética e consequentemente melhorar a cadeia produtiva e obter uma produção mais sustentável. Pró-Genética 2018 A próxima feira ainda não tem data definida na capital, mas será realizada no primeiro semestre de 2018. Outros municípios do Estado já demonstraram interesse em participar. No ano que vem, a feira já está confirmada em São Gabriel do Oeste e em Amambai. As datas ainda serão definidas. INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL 17


case de sucesso

No momento de baixa do mercado pecuarista aumentou o faturamento em 40% Criar e abater de forma digna e deixá-lo mais nobre após a morte, este é meu lema” afirma o criador Antônio Ricardo Sechis As delações dos empresários da JBS e a Operação Carne Fraca, que ocorreram no primeiro semestre do ano, pressionando as cotações das arrobas, atingiram de surpresa os pecuaristas de todo o Brasil. Mas teve quem cresceu o faturamento na época, foi o caso do produtor rural Antônio Ricardo Sechis, que aumentou sua receita em 40% no período. Criador em Alcinópolis e Cassilândia, ele encaminha os animais para engorda no interior de São Paulo, onde também terceiriza os abates, embalada com sua própria marca e comercializa em açougues próprios, em Brasília e na capital paulista. “Meu pai dizia que o boi é um animal sagrado, e aquilo que é sagrado precisa ser bem cuidado, uma vez que cuidados nunca é demais para ninguém. Temos de cuidar da maneira correta de se fazer, avaliando qualquer procedimento que julgamos necessário. E foi adotando os melhores métodos possíveis para o bem estar do nosso rebanho, que desenvolvi minha vocação para criar”, descreve Sechis. O próprio produtor rural administrar a fazenda, acompanhar o abate e comercializar, pode trazer uma valorização que vai além do material. “Meu objetivo é que o animal nos ofereça uma carne de qualidade, mas que o ciclo que ele tenha passado, tenha sido virtuoso. Criar com dignidade, abater de forma digna e deixá-lo mais nobre após a morte, este é meu lema. Normalmente, nós (humanos) morremos e não servimos para nada, quero que o animal que crio seja o inverso, que ele seja ovacionado após a morte. Que as pessoas brindem a carne com muita alegria, levando em conta nosso vínculo afetivo com a carne, desde o nosso 18 INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL

batizado, confraternizações, casamentos, e quando temos uma carne construída com energia positiva, esses momentos ficam mais alegres”. Ter escolhido Mato Grosso do Sul foi estratégico para o pecuarista. “Proximidade com São Paulo, fácil acesso, pela distância que os animais devem percorrer quando envio para engorda e a oportunidade de negócio com a terra também, que na década de 80 o valor comercial era bem abaixo que em São Paulo. Desde então passei a investir no Estado e produzir qualidade”, pontua. “Importo genética da Austrália, o ângus, e também cruzo as meio sangue angus com wagyu, que seria nossa coqueluche, animais de mais excelência, em que conseguimos colocar mais conteúdo na fibra”, detalha. Os animais da raça angus saem de Mato Grosso do Sul, com cerca de 14 meses e 300 quilos, com destino ao semi confinamento, em Nhandeara (SP), onde ficam por mais 4 meses, e por fim vão para o regime de confinamento por 180 dias. Já o wagyu é recriado um pouco mais em MS, devido ser um animal mais tardio, saindo de MS com cerca de 25 meses e 400 quilos, passa por preparo e entra no confinamento a partir de 450 quilos, e terminam o lote com idade entre 36 e 44 meses, dependendo das características morfológicas, carcaça de cada um. Na cidade de Nhandeara os animais ficam no Recanto Vó Cidinha, um spa bovino, onde preparam os animais para o frigorífico. “Temos um resultado muito interessante nesta fase de condicionamento, diminuindo o índice de cortisol na carne, devido estarem menos


case de sucesso

estressados. Começamos associar o som ao paladar. Tanto no spa, como no semi confinamento e no confinamento, condicionamos os animais ao som de berrante, sempre que tem este som, é sinal que tem comida, e os animais conseguem fazer essa associação e eles têm horário para as refeições. Lá no frigorífico usamos este mesmo som. Quando chegam, ouvem música clássica, como estão acostumados a ouvir e no primeiro horário da manhã, quando são levados para a linha de abate, coloca-se o som de berrante, então ficam todos aguçados, como se fossem em busca de comida. O melhor momento para o abate desses animais é quando estão com espiritualidade melhor, com uma expectativa legal, e não depreciativo”. Sustentabilidade O processo produtivo, desenvolvido pelo criador Antônio Ricardo Sechis, após ser aprovado em 140 critérios, recebeu o selo da Rainforest Alliance, uma empresa com sede em Nova Iorque, representada no Brasil pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), de Piracicaba (SP). “Como comecei com muito cuidado com o boi, até pela minha origem, apenas substituímos a palavra responsabilidade por sustentabilidade. Elas são quase que sinônimos, estão muito próximas, a única diferença é que na sustentabilidade as regras são mais rígidas. E quando você treina uma equipe dentro dos critérios de sustentabilidade, a eficiência fica muito melhor”, destaca Sechis. Sobre essa evolução na sustentabilidade

das fazendas do Brasil e de Mato Grosso do Sul, o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Ruy Fachini Filho, que também preside o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável – GTPS, afirma que os resultados são positivos e que o país evolui neste aspecto. “Tenho um amigo que fala: o pecuarista no vermelho, não pensa no verde. Então, não adianta se trabalhar só um dos pilares da sustentabilidade, é necessário o ambiental, mas precisamos pensar no econômico e social também. E isso está muito bem trabalhado hoje. Sustentabilidade é uma melhoria contínua, você não se torna sustentável do dia para a noite, mas só de ter a intenção de mudar alguma coisa, já é sinal que estamos em mudança, em busca de inovação”, enfatiza Fachini. Trazendo referências mercadológicas o especialista em marketing no agronegócio, Miguel Cavalcanti, mostra que quem produz de uma forma que sai do tradicional, precisa evidenciar isso. “Se o produtor possui um produto, qualidade e história diferente, ele precisa vender de forma diferente também. Isso vale para os produtos que não são commodity, que não é igual para todos. Ai sim é preciso comercializar de outra forma, criando sua própria marca e contando sua história. Até porque criar um produto com mais alta qualidade, também te custará mais”, finaliza Cavalcanti.


estação de monta

Nutrição e manejo podem definir o sucesso da estação de monta O sucesso da estação de monta de bovinos em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul, que compreende os meses de setembro a março, variando para cada propriedade, de acordo com o volume de chuvas, depende de uma série de variantes. Entre as estratégias que mais influenciam estão o manejo dos animais e nutrição dos lotes, antes, durante e após a fase. A veterinária Ana Cristina Andrade conta que a principal estratégia para ter um bom resultado na estação de monta é estar com os animais, com boas condições corporais neste período. “A nutrição durante a estação de monta deve ser pensada para que o animal não perca condição corporal. Ela deve ser muito bem pensada e planejada, antes mesmo da estação, para que entrem no período com bom escore corporal. As fêmeas bovinas tendem a ciclar quando estão ganhando peso, do contrário, é possível comprometer o índice de prenhez”, destaca. Entre os touros deve-se observar e identificar aqueles que cobrem o maior número de fêmeas. “Esses têm tendência a emagrecer mais durante a estação de monta, e a nutrição não deve comprometer o desempenho deles”, afirma Ana Cristina, que também esclarece a necessidade de substituir os touros com menor desempenho, seja pela nutrição inadequada ou qualquer outro motivo. “Animais que sentem muito no início das coberturas, devem ser substituídos por aqueles que estão como reserva, sem comprometer o desempenho do rebanho”. A veterinária aponta a importância da equipe de campo, que devem avaliar com frequência o desempenho dos animais, bem como a proximidade dos touros com a vacas, seja pela manhã ou final da tarde. “E quanto ao manejo a dica é a formação de lotes com touros de idades aproximadas e não se deve apostar em lotes muito grandes. Um grupo de 200 vacas forma um volume de interessante para avaliação”, esclarece Ana Cristina. 20 INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL

Um das alternativas para maior índice de prenhez em uma propriedade é a desmama precoce. Segundo técnicos a prática pode aliviar o estresse da vaca, retirando o bezerro que está no pé, gerando dois efeitos: o primeiro que é a retenção do leite, criando-se um cio forçado devido a um pico de LH, e assim a vaca volta a ciclar; o segundo efeito ocorre pela retirada do bezerros do mesmo espaço, que contribui para a recuperação corporal da mãe, com mais agilidade. “Para fazer uma desmama precoce é preciso prever um bom piquete com uma boa invernada, para que receba esses animais que serão separados das respectivas mães. Na sequência, esses animais deverão ser trabalhados, provavelmente em um mangueiro, por um dia ou dois, com ração e água, caso tenha pasto o processo fica ainda melhor. Isso deve acontecer caso os piquetes não tenham uma boa cerca, com pelo menos cinco fios, uma vez que os animais são jovens e vão querer voltar às mães”, alerta a veterinária. Segundo ela depois dessa fase, de mangueiro ou piquete, os bezerros devem ser encaminhados para uma boa pastagem, com pastos não muito altos, para que tenham facilidade de consumir o pasto e fazer a suplementação com a ração de creep, diariamente, na quantidade de 500 gramas por dia. Isso será feito por pelo menos 60 dias, e então o animal entra na fase dois, consumindo um quilo de ração por dia. “Os bezerros sendo manejados em uma boa pastagem e sendo tratados certinho com a ração, poderão chegar ao mesmo peso que teriam caso estivesse ao pé da mãe. O segredo da desmama precoce é que esses animais tenham condição de receber a ração de forma adequada, com cocho ideal, fornecimento de água e um pasto com boa oferta de forragem para que comecem a consumir a partir do quarto mês”, finaliza a veterinária, que compõe o time técnico da Servsal.


pecuária

Pecuária fecha 2017 estável e arroba chega a R$ 150 em 2018, prevê Cepea Para maior rentabilidade em 2018, é preciso planejamento, afirmam lideranças do agro Analisando os dados de 2017 e levando em consideração estimativas do mercado futuro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-Esalq/USP), prevê estabilidade na pecuária em 2018, com cotações da arroba do boi gordo que podem chegar a R$ 149,8. Segundo profissionais e entidades do setor, caso confirmadas as probabilidades, será necessário que o pecuarista esteja preparado para comercializar e obter lucros maiores que os atuais. “A expectativa é de que a arroba em São Paulo chegue a R$142,90 no mês de maio de 2018 e com pico em outubro, quando deve atingir R$ 149,80”, analisa o gestor de projetos do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, no dia 25 de outubro de 2017. A última vez que a arroba registrou o valor aproximado, R$ 150, foi na primeira semana do ano de 2017, depois disso, a cotação sofreu quedas contínuas. Mercado Futuro – Cepea/Esalq USP Boi Gordo – SP Nov/2017

140,35

Dez/2017

142,45

Mai/2018

142,90

Out/2018

149,80

Estimativa de 25/10/2017, em valores nominais Segundo o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande (SRCG), Ruy Fachini Filho, o ano de 2017 será lembrado por essas quedas. “Foram vários cenários negativos que no ano, que deixaram o pecuarista pessimista, mas as projeções apontam melhorias, que já começamos a perceber. A estabilidade virá e será preciso que o produtor rural esteja preparado para aproveitar a fase para de altas do boi gordo”, indica Fachini.

22 INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL


pecuária

Para o diretor do SRCG e presidente do Movimento Nacional dos Produtores (MNP), Rafael Gratão, o cenário desenhado pelo Cepea em São Paulo, deve se replicar no Centro-Oeste, mais especificamente, em Mato Grosso do Sul. “As turbulências sofridas pela pecuária neste ano foram contornadas. Podemos esperar altas expressivas ainda em 2017”, considera. Concordando com Fachini, o dirigente declara que a fase é de planejamento. “Está por vir uma boa fase para aqueles produtores que organizaram as contas e diminuíram seus custos de produção”, pontua Gratão. Sobre o assunto a veterinária da Servsal, Ana Cristina Andrade, faz um alerta. “O planejamento deve ir além da gestão da propriedade. Levando em conta o mercado futuro e as possibilidades de alta na arroba, é preciso preparar os animais, para que o produtor garanta receita”, afirma. “Genética e nutrição devem estar atrelados, coma finalidade de um bom acabamento dos animais, garantindo maiores lucros e até as bonificações oferecidas pela indústria, quando o animal apresenta qualidade acima da média”, destaca. Para os meses de novembro e dezembro deste ano, o Cepea estima a arroba do boi gordo em R$ 140,35 e R$ 142,45, respectivamente. Carvalho ressalta que todos os valores citados são nominais, ou seja, não consideram a inflação. “Os números deverão oscilar, mas se manterão nesses patamares”, garante o gestor de projetos.


car

Validação do CAR: realidade e desafios A morosidade na análise dos Cadastros Ambientais Rurais (CARs) impacta na implementação do Código Florestal, trazendo insegurança jurídica no campo e comprometendo o esforço de proteção de florestas e o combate às mudanças climáticas *Por Frederico Machado, Yuri Feres e João Adrien A instituição do novo Código Florestal Brasileiro em 2012 foi um marco na gestão ambiental e territorial. A lei é uma das mais completas em termos de proteção de vegetação nativa do mundo. Dentre as inovações propostas pelo novo Código, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) é uma das principais ferramentas a garantir a regularização ambiental das propriedades rurais e gerar informações que podem ajudar a conter as crescentes taxas de desmatamento. O CAR tem também importante papel no alcance das metas brasileiras de biodiversidade, restauração da vegetação nativa e de redução da emissão de gases de efeito estufa. Estas foram assumidas pelo País no Acordo de Paris, no Desafio de Bonn, na Convenção de Diversidade Biológica e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No entanto, a lentidão dos estados na análise e validação dos cadastros submetidos ao longo dos últimos anos põe em risco a segurança jurídica dos proprietários e posseiros rurais e tem implicações na celeridade e efetividade da implementação da lei. Apesar disso, por mais fundamental que seja o processo de validação do CAR, ele não deve vincular o início dos Planos de Regularização Ambiental (PRA), outro instrumento previsto pelo Código Florestal. Grande parte dos especialistas no tema entende que os planos deverão ser iniciados mesmo antes da análise do CAR. E, futuramente, caso constatadas inconsistências, o responsável deverá promover os ajustes e retificações necessários. Isso permite que o processo de regularização ambiental não dependa da capacidade de análise dos estados, podendo avançar e garantir os ganhos previstos na lei. 24 INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL

Regularização avança, mas ainda há desafios Desde 2014, tem ocorrido uma das maiores mobilizações nacionais para a regularização ambiental. O engajamento massivo do setor agrícola surpreendeu por sua velocidade e abrangência. O Serviço Florestal Brasileiro indica que mais de quatro milhões de imóveis rurais estão registrados no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). Isto equivale a uma área de 444 milhões de hectares – mais de 50% do território nacional –, superando a área que inicialmente se supunha cadastrável (com base nos dados do IBGE). Contudo, é importante lembrar que algumas categorias - como os assentamentos rurais, agricultores familiares, comunidades quilombolas, povos tradicionais, comunidades locais que habitam Unidades de Conservação de uso sustentável - ainda enfrentam desafios para garantir a regularização ambiental em suas áreas. Essas categorias necessitam de suporte efetivo para serem integradas ao processo. Demanda-se, portanto, o devido apoio dos governos federal e estaduais no avanço do cadastramento e da agenda “pós-CAR”. O Código depende agora da análise dos mais de quatro milhões de cadastros pelos órgãos estaduais competentes, permitindo que o proprietário e o posseiro rurais possam ter segurança no andamento de seu processo de regularização ambiental – estima-se que cerca de 80% dos imóveis rurais possuam algum tipo de passivo ambiental a regularizar. Funcionalidades vêm progressivamente melhoradas

e

sendo alguns


car

estados têm incrementado ainda mais, customizando atributos e integrando novas camadas de informações. Uma das grandes debilidades do processo é a falta de metas concretas para a validação por parte dos estados. Inexiste uma definição de prazos e, com isso, não há uma perspectiva clara de aumento dos números de CARs validados. Segundo informado pelo Serviço Florestal Brasileiro, o processo de análise do CAR consiste em duas etapas, sendo elas: 1) cruzamento da base de imóveis com os filtros automáticos, identificando sobreposições de propriedades e posses com terras indígenas, unidades de conservação e áreas embargadas, além da sobreposição entre os próprios imóveis rurais (cruzamento que cabe aos estados); e 2) análise técnica do CAR por ação humana, imóvel a imóvel (responsabilidade também dos estados), incluindo análises de áreas consolidadas, APPs, Reservas Legais, Áreas de Uso Restrito etc. Naturalmente, a segunda etapa será aquela que demandará maior esforço, capacidade operacional e tempo por parte dos órgãos estaduais competentes. Como visto, a primeira etapa será conduzida de forma automática, confrontando polígonos e filtrando CARs, o que limpará parte da base de dados e simplificará a ação humana durante a segunda etapa. Mas, porque a morosidade dos estados na análise do CAR pode ser um entrave na implementação do Código Florestal? A submissão e análise do CAR são apenas os primeiros passos para a regularização ambiental. Sem a análise, haverá certa insegurança no próximo passo, que é a definição dos Planos de Regularização Ambiental. Boa parte da responsabilidade pelos atrasos na análise do CAR recai sobre os estados, que são os responsáveis tanto pelas análises do cadastro dentro de suas fronteiras, como pela regulamentação dos mecanismos que viabilizam a implementação dos Planos de Regularização Ambiental. A morosidade compromete os resultados alcançados pelo Brasil A solução está nos estados priorizarem politicamente as agendas de validação do CAR e de

implementação do Planos de Regularização Ambiental, mobilizando equipes e garantindo a infraestrutura necessária para acelerar os trabalhos. É preciso ter em vista o risco de enviar mensagens negativas de descaso e falta de efetividade do Código Florestal ao mercado internacional, especialmente, aos países destino das exportações de commodities – fundamentais à balança comercial e à economia do Brasil. A morosidade pode, ainda, prejudicar a campanha internacional quanto aos aspectos diferenciados da legislação brasileira, com destaque ao Código Florestal. Nesse contexto, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura solicita que o governo federal e, principalmente, os estados não poupem esforços na análise e validação dos CARs e garantam a implementação dos Planos de Regularização Ambiental. Faz-se necessário o estabelecimento imediato de uma força-tarefa nos estados, seja utilizando a estrutura pública, seja por meio de parcerias público-privadas, para dar celeridade ao processo. E espera-se que metas em termos de número de CARs analisados sejam estabelecidas pelos estados. Como forma de colaborar, a Coalizão Brasil e seus membros se colocam à disposição do governo federal e dos estados para discutir e formatar um plano de aceleração da implantação do Código Florestal e de seus mecanismos. O Grupo de Trabalho do Código Florestal, criado no âmbito da Coalizão, está dedicado a um conjunto de prioridades e não poupará esforços para criar o ambiente necessário a possibilitar a completa implementação dos mecanismos previstos na lei. No atual momento do País, torna-se ainda mais relevante comprovar o vanguardismo na proteção e recuperação de nossos ecossistemas e no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas. * Frederico Machado é especialista em Políticas Públicas do WWF Brasil * Yuri Feres é gerente de Sustentabilidade da Cargill * João Adrien é diretor da Sociedade Rural Brasileira Você pode acessar a íntegra deste artigo no srcg.com.br

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eucalipto

Florestas Plantadas: Lucro e Sustentabilidade A consolidação do Eucalipto e as alternativas de mercado em MS

A área plantada com eucalipto, no Estado, passou de 1 milhão de hectares, este ano. O número reflete o crescimento do setor e é comemorado por vários motivos. Economicamente, a floresta tem rendido receitas importantes para o país. De janeiro a agosto, as exportações de celulose cresceram 4,9%, as de painéis de madeira 30,4% e as de papel 0,6%. As produções de celulose e papel seguiram a tendência e aumentaram, respectivamente, 3,6% e 0,4%. De janeiro a agosto de 2017, as receitas provenientes das exportações atingiram US$ 5,5 bilhões (+9,6%); das quais US$ 4,1 bilhões (+12,4%) re fe re m - s e às vendas externas de celulose, US$ 1,2 bilhão (-0,3%) às de papel e as US$ 191 milhões (+23,2%) às de painéis de madeira. Como resultado, a balança comercial do setor registrou um saldo positivo de US$ 4,85 bilhões (+11,4%, em relação a 2016). De janeiro a agosto de 2017, as receitas

26 INFORMATIVO OFICIAL SINDICATO RURAL

provenientes das exportações atingiram US$ 5,5 bilhões (+9,6%). Deste total, US$ 4,1 bilhões (+12,4%) são referentes às vendas externas de celulose, US$ 1,2 bilhão (-0,3%) às de papel e US$ 191 milhões (+23,2%) às de painéis de madeira. Com estes desempenhos, a balança comercial do setor registrou um saldo positivo de US$ 4,85 bilhões, o que representa crescimento de 11,4%, em relação a 2016. Os dados são da IBA – Indústria Brasileira de Árvores. O presidente da Reflore MS – Associação Sul-mato-grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas, Moacir Reis, diz que MS é um exemplo quando o assunto é ampliação de floresta. Segundo ele, “o Estado saiu de 100 mil hectares pra mais de um milhão, em dez anos. O grande desafio, agora, é de industrializar. Nós alcançamos um equilíbrio entre produção e consumo da madeira. “Precisamos ampliar os mercados, incentivar a utilização de madeira. Uma das alternativas seria a criação de cursos de formação voltados pra área. Nós já estamos em negociação para trazer para o Estado um curso de pós-graduação de Engenharia Industrial Madeireira, que vai ajudar a fomentar a área. Existem casos de sucesso no Brasil, como em Santa Catarina e que podem ser implementados aqui”, diz Reis. Diversificação O eucalipto domina o ranking de produção em Mato Grosso do Sul, seguida da Seringueira, com 7 mil hectares e Pinus, com área de 4.276 ha (Fonte: Semagro – Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento


eucalipto

própria seria difícil e cara. O arrendamento surgiu como alternativa, já que a empresa se compromete com a recuperação, além de, daqui 3 anos eu poder colocar o gado, iniciando um sistema de ILPF” diz Lemos.

Econômico, Produção e Agricultura Familiar). Neste cenário, outras espécies começam a aparecer no mercado, ainda que timidamente, dando opções para quem quer apostar na diversificação. Um grupo, formado por empresas que atuam no mercado de madeira nobre, está investindo no plantio de Mogno Africano e Cedro Australiano, além do Eucalipto para serraria. A empresa administra 1.200ha entre áreas próprias e de clientes, na Capital, em Dourados e Bandeirantes. O diretor comercial e sócio do grupo, Everto Regatieri fala do bom momento. “No mercado há 10 anos, temos visto um crescimento muito importante do setor de madeira nobre, nos últimos anos, motivado pela queda do desmatamento na Amazônia e pela grande procura de outros países por nossos recursos florestais, provenientes de plantios comerciais. Devemos lembrar que temos um dos melhores lugares do mundo para a produção de madeira nobre. Enquanto nos EUA um ciclo pode levar até 50 anos, aqui, em média, de 15 a 18 anos, temos a madeira pronta para o corte. Portanto, como visão de mercado, estamos explorando um setor do agronegócio que vai se tornar muito grande e muito forte em alguns anos,” afirma Regatieri. ILPF Indiretamente, a produção também gera benefícios. A proposta de arrendamento apareceu em boa hora para o pecuarista Wardes Conte Lemos. Ele arrendou 151 hectares da propriedade dele, que fica a 40 quilômetros de Campo Grande, para o plantio de mogno. “Eu tinha uma grande dificuldade com esta área, que estava em processo de degradação de pastagem. A recuperação por conta

O consultor de silvicultura do Senar MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural -Clovis Tolentino Jr, explica que para o plantio de floresta é preciso que haja uma correção de solo, tanto de nutrientes, quanto de práticas conservacionistas, como a curva de nível, para evitar erosão. Essas medidas ajudam a recuperar áreas de pastagem degradada, fazendo com que elas fiquem aptas para o cultivo”, diz o consultor. Clovis Tolentino reforça que a diversificação é importante e aparece como boa opção para propriedades pequenas. Mas o consultor lembra, também, que a produção precisa ser bem programada para fazer do negócio algo seguro e rentável. “A madeira nobre, num ciclo mediano, pode gerar uma renda significativa, mas o produtor precisa elaborar um projeto e seguir a orientação de um técnico para evitar prejuízos. Não adianta apenas plantar corretamente, é preciso cuidar do desenvolvimento e pensar na comercialização. É um mercado em que os preços oscilam bastante, e saber pra quem vender, e por quanto, é fundamental”, diz Tolentino.


Produtores e trabalhadores rurais recebem treinamento para restauração ecológica, em nova etapa do Programa Manancial Vivo

A primeira etapa, de aula teórica, foi realizada na sede do Sindicato Rural de Campo Grande, na última segunda-feira (16). Em uma propriedade rural, distante 50 km da Capital, produtores rurais e funcionários fizeram o plantio de mudas nativas utilizadas na restauração ecológica de APP`s – Área de Preservação Permanente, na Bacia do Guariroba. Desde 2010, a Bacia do Guariroba, responsável por 50% do abastecimento de água da Capital, tem recebido ações para recuperação e preservação de APP- Áreas de Preservação permanente. Os trabalhos são desenvolvidos pelo Programa Água Brasil, que é uma parceria entre o Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil, Agência Nacional de Águas e WWF-Brasil em conjunto com o Programa Manancial Vivo, desenvolvido pela Semadur – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, em parceria com o Sindicato Rural de Campo Grande, IBAMA, ARCP Guariroba, OAB-MS, Águas Guariroba, IMASUL, universidades e

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outras instituições. A capacitação foi oferecida aos produtores beneficiados nesta nova fase do programa. A analista de conservação da WWF-Brasil, Flávia Accetturi Szukala Araújo explica que: “a bacia do Guariroba foi dividida em 5 regiões. De 2010 à 2016 foram realizadas ações nas subbacias do Guariroba e Saltinho. De 2017 até 2019 serão feitas ações em outras 3: Tocos, Rondinha e Reservatório. Neste primeiro momento, 6 produtores, estão passando por capacitação, mas a nossa previsão é de atender 34 proprietários”, explica Araújo. “É muito gratificante fazer parte de um projeto tão importante e de tantos resultados positivos. Colocar a Capital como referência na preservação de um bem tão precioso, como a água, é mostrar a preocupação do nosso produtor com a sustentabilidade. Enquanto o país sofre com baixos índices dos reservatórios pelo país, nós, aqui, vemos nossa fonte mais preservada a cada dia, graças a um esforço conjunto e, principalmente, a


programa manancial vivo

tem 10 hectares para restaurar de APP, o programa vai trabalhar em 4 hectares e o produtor em 6. Os recursos são da Agencia Nacional de Águas e da Fundação Banco do Brasil”, esclarece Araújo. Pagamentos Ambientais - PSA

conscientização e o trabalho do produtor rural”, enfatiza Ruy Fachini Filho, presidente do Sindicato Rural de Campo Grande. O trabalho feito neste período de chuvas de 2017/2018 compreende uma área de 27 hectares. As aulas prática e teórica foram ministradas pela bióloga Vivian Ribeiro Baptista Maria. Segundo ela, “a principal intenção é nivelar o conhecimento entre os produtores para que a gente possa adotar as mesmas metodologias em todas as propriedades. A prática é muito importante porque cada detalhe pode fazer a diferença entre o bom resultado ou o fracasso do projeto. Levando-se em consideração a importância de um trabalho como este em uma propriedade, é importante garantir que não haja erro, para não perder tempo, nem dinheiro”, afirmou a instrutora. O diretor da ARCP-Guariroba - Associação de Recuperação, conservação e preservação da bacia do Guariroba, Wardes Lemos, participou da capacitação. Segundo ele, “o apoio técnico é fundamental. Esta sempre foi uma grande luta minha na associação. Já aconteceu comigo de comprar a muda, comprar o adubo e o funcionário errar na dosagem, ou esquecer de regar e perder tudo. Isso é algo que não pode acontecer. Nós estamos muito dispostos a colaborar e preservar essa riqueza, e por isso, tudo tem de ser feito com muito cuidado” disse o Lemos. Com o apoio do programa o produtor consegue subsídios. “Por exemplo, uma propriedade que

por

Serviços

“O produtor recebe o Pagamento por Serviços Ambientais através de editais que são abertos, pela Semadur. Após o produtor demonstra o interesse, uma equipe do programa vai até o local e monta um projeto individual da propriedade. É um documento com as adequações necessárias e metas a serem cumpridas. Um contrato é firmado com a SEMADUR para que o produtor possa receber anualmente de acordo com o que estiver implementado no campo”, esclarece Araújo. Para o PSA, os valores pagos são na ordem de até: R$ 80,00/ha para as ações de conservação de solo, R$ 160,00/ha para as áreas restauradas; R$ 250,00 para as áreas com remanescentes floresta.


restauração

Ações de restauração e conservação na bacia do Guariroba reduzem erosão em 99% Os dados são de uma pesquisa realizada pela UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Os trabalhos de monitoramento começaram em 2010. O objetivo principal é acompanhar os índices de infiltração de água da chuva, mensurar a perda de solo, registrar o comportamento das chuvas e, também, um mapeamento do lençol freático. O monitoramento começou a ser feito no mesmo período em que foram implementados projetos de recuperação e conservação na APA do Guariroba, pelos programas Manancial Vivo e Água Brasil. “Nós percebemos que, onde houve a adesão de práticas de restauração, pelos produtores, a erosão reduziu em até 99%. São sedimentos que deixam de ir para o leito do rio, causando assoreamento e reflexos negativos rio abaixo”, explica Teodorico Alves Sobrinho, professor Titular da UFMS e coordenador do projeto. O controle de sedimentos é feito de várias formas, segundo o pesquisador. Aparelhos ajudam a monitorar a movimentação de partículas tanto na parte superior da água, quanto no fundo do córrego. Amostras são captadas e levadas para o laboratório Heros, da Universidade, onde são feitos os cálculos e o processamento de dados. Com a ajuda de um simulador de chuvas, é mensurada a infiltração da água no solo e a perda de sedimentos. Para entender os resultados é preciso saber que quanto maior a capacidade de infiltração de água, menor é o índice de perda de solo em enxurradas. Os resultados são esclarecedores. Áreas degradadas X Áreas recuperadas “Constatamos que nas pastagens degradadas, com cobertura, a infiltração da chuva estabiliza em 85,8 milímetros por hora. Em pastagens degradadas sem cobertura, o índice é pior, 71,5 mm/h”, explica o pesquisador. A diferença fica bastante evidente nas áreas onde houve ações de recuperação. “Em áreas recuperadas, com cobertura, o índice de infiltração é de 104,2 mm/h, enquanto que, onde não há cobertura, o registro é de 72,9 mm/h.”

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restauração

Eucalipto, o melhor desempenho “A pesquisa mostra que, onde foi plantado eucalipto, o índice de infiltração é de 113,4 mm/h em áreas com cobertura e 110,9 mm/h sem cobertura. Quase não há diferença entre áreas cobertas e descobertas em função da massa orgânica gerada pelas árvores”, conclui o pesquisador. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, “esses resultados são um ótimo indicador de que estamos no caminho certo. Nós produtores, com a ajuda dos parceiros estamos cuidando de um bem muito precioso, para toda a sociedade, que é a água, que abastece a nossa capital. É por isso que a pesquisa é fundamental. Enquanto outras regiões amargam com problemas gerados pela pouca disponibilidade de água, nós vemos nosso manancial cada vez mais preservado”. O projeto A pesquisa realizada desde 2010 na bacia, pela UFMS, teve verba garantida pelo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Foram investidos cerca de 300 mil reais na aquisição de equipamentos, bolsas para pesquisadores e materiais de pesquisa. O projeto encerra as atividades neste mês de novembro. Com o fim do financiamento o pesquisador alerta sobre a importância de outras instituições

assumirem o projeto. “Nós precisamos que o projeto tenha continuidade, que seja mantido, tanto financeiramente quanto em trabalho. Os dados são positivos, mas a mostra de tempo ainda é pequena. É preciso que o monitoramento continue a médio e longo prazo para que tenhamos números mais efetivos e que possam guiar as ações futuras”, disse o pesquisador.


car

Febre Aftosa, as datas da segunda etapa A segunda etapa de vacinação começou no dia 1 de novembro e vai até o dia 30, no planalto e nas regiões de fronteira. No Pantanal, a vacinação é mais curta: do dia 1 de novembro ao dia 15 de dezembro. A Iagro – Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal, lembra que tão importante quanto vacinar, é informar a vacinação. Os pecuaristas do planalto e das áreas de fronteira têm até o dia 15 de dezembro para registrar a vacinação. No Pantanal, o registro deve ser feito até o dia 30 de dezembro. As doses da vacina começaram ser vendidas no dia 28 de outubro. Na Capital, a dose está sendo vendida, em média, a R$ 1,30.

Desde 2006, Mato Grosso do Sul não registra focos do vírus da febre aftosa, e, desde 2008, o Estado mantém o status livre da doença.


cotações e informativo

MERCADO AGROPECUÁRIO MERCADO BOVINO – R$ / @ Boi Gordo – Campo Grande à vista - 130,00 Vaca Gorda – Campo Grande à vista - 120,00 Fonte: Scot Consultoria – 28/10 MERCADO FUTURO – BM&F BOVESPA Vencimento – R$ / @ - Variação (%) Out-17 138,65 -0,05 Nov-17 140,05 0.60 Dez -17 143 0,60 BOI GORDO – MERCADO FÍSICO à vista – 130 Prazo / 30 dias – 120 Fonte: Scot Consultoria 28/10 GRÃOS / CAMPO GRANDE Preço pago ao produtor Soja – Saca de 60 quilos – R$ 61,00 Milho – Saca de 60 quilos – R$ 21,00 BOLETIM INFORMATIVO | Novembro 2017 Mão-de-obra e serviços SALÁRIO MÍNIMO RURAL: R$ 1.036,00

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fotos

Coluna Social

Agro + MS

Gestão de Custos e Riscos para o Produtor Rural

Colação de Grau

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Premiação Agrinho


Fotos

Coluna Social

Sucessão Familiar

Visita Embrapa

Famasul 40 Anos

Na Mídia

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Campo Grande

Rochedo

Corguinho

PRODUÇÃO ARTESANAL DE EMBUTIDOS E DEFUMADOS 02 a 04/11 - 24h

ABC CERRADO - RECUPERAÇÃO DE PASTAGENS DEGRADADAS 01 a 30/11 - 30h

OPERADOR DE RETROESCAVADEIRA 02 a 04/11 - 24h

IMPLANTAÇÃO E MANEJO BÁSICO DE PLANTAS MEDICINAIS 09 a 11/11 - 24h

INFORMÁTICA BÁSICA

PRODUÇÃO DE PÃES E SALGADOS 16 a 18/11 - 24h

ADESTRAMENTO DE EQUINOS (REDEAS) 21 a 25/11 - 40h PISCICULTURA: GESTÃO ECONÔMICA E COMERCIALIZAÇÃO 21 a 22/11 - 16h COOPERATIVISMO 23 a 24/11 - 24h

14 a 17/11 - 32h ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA RURAL 15 a 17/11 - 24h CULTIVO ORGÂNICO DE HORTALIÇAS 27 a 29/11 - 24h

DOMA RACIONAL 28/11 a 02/12 - 40h

PRODUÇÃO DE BISCOITOS, BOLOS SIMPLES E CONFEITADOS 30/11 a 02/12 - 24h

Aniversariantes Outubro ADEMIR NEVES DO PRADO ALAIDE PEREIRA DOS SANTOS ANGELO JOSE BORTOLUZZI ANICETO DA COSTA RONDON ANTONIA ALVES FERREIRA ANTONIO JURANDI DE ALENCAR BERNARDO BAIS NETO CARMELIANO ZAMBONI DIONISIA ALTEIRO LEAL EDNA MARIA DE OLIVEIRA CASTELA EDUARDO AUGUSTO BARCELOS ELENA MARIA DE SOUZA ROSA ELIAS NEWTON PEREIRA MARDINI EURIDES B.DELALIBERA E OUTROS FRANCISCO JOSE A. MAIA COSTA GOTARDO AMAURI BARBOSA DA SILVA GUI OLINTHO MACEDO JALBAS SOARES MACEDO JOSE ANTONIO FELICIO

02/10 30/10 05/10 01/10 07/10 30/10 14/10 10/10 09/10 03/10 24/10 22/10 05/10 16/10 07/10 04/10 31/10 21/10 18/10

JOSE PEREIRA DE SOUZA LAURENTINO M.MARTINS FILHO LUIZ ELSON DA SILVA VILLALBA MADALENA MARIA MARTINS MANOEL ALBERTO PEREIRA NETO NELSON CINTRA RIBEIRO NILO FERNANDES DE MENEZES NISA APARECIDA ADAMI ODILON ALBANO DE REZENDE ORIVALDO TADEU MARQUES DE MELLO RAFAEL ARNEZ TAMEZ RUBEN FIGUEIRO DE OLIVEIRA SILVERIO PANIAGO VILELA VALMOR DALLA CORTE VERA LUCIA C. RIBEIRO WADEL MALDONADO WERNER HENRIQUE BUSSE ZELIA CORREA NOGUEIRA

10/10 20/10 11/10 28/10 24/10 31/10 10/10 13/10 23/10 23/10 24/10 03/10 18/10 05/10 30/10 27/10 30/10 09/10

Aniversariantes Novembro ABADIA OLIVEIRA DIAS ALDO VICENTE PEREIRA ALESSANDRO OLIVA COELHO ALFREDO VARELA NETO ANTONIO MARTINS DA FONSECA ATAIR PERTINHES CARLOS ALBERTO TAVARES DA SILVA CLAUDIO PESUSKI CLEIR AVILA FERREIRA DALVA AMORIM DOS SANTOS DARCI FRANCISCO DA SILVA DAYANE NUNES BOVOLIM ERLIENE DE ALBUQUERQUE PALHANO EUGENIO RIBEIRO DE QUEVEDO FABIOLA ANDRADE DIAS GERALDO ORTEGA HERRERO GERARDO ERIBERTO DE MORAIS HELENA MITIKO KONDO IRACI LOURDES FERANTI ISUTOMU TAKAHASHI IVETE BUONAROTT JOAO RAMOS JOSE ALVES VILELA JOSE DECCO LEONEL VELASCO DE OLIVEIRA LUIZ CARLOS DE PADUA PEREIRA

23/11 25/11 12/11 05/11 26/11 26/11 10/11 15/11 06/11 18/11 19/11 06/11 06/11 22/11 27/11 01/11 29/11 12/11 22/11 15/11 03/11 05/11 25/11 25/11 11/11 11/11

MARCO ALFREDO COUTINHO ALMEIDINHA MARCONDES MOREIRA SOUZA MARTA CESPEDES GUIZZO MARTIM AFONSO SANTA LUCCI MASAMI KUDO NELIO DA CUNHA ROSA NILO QUEDER NILSON ROBERTO RIBEIRO CINTRA OTAVIANO MARQUES MASCARENHAS PEDRO LUIZ TERUEL PERSIO AILTON TOSI PRENTES LADISLAU DA SILVA RAIMUNDO BRITES ORUE ROBERTO COSTA BARBOSA RONAN RINALDI DE SOUZA SALGUEIRO RUBENS BELCHIOR DA CUNHA SERGIO SALDANHA SILVIO PEDRO ARANTES VANDA LIMA PARADISO VANILDO MARTINS JUNQUEIRA WALDEMAR LIMA DE MENEZES WALDIR RODRIGUES PEREIRA WARDES ANTONIO CONTE LEMOS YOSHIHIRO TAKEUTI

25/11 12/11 30/11 22/11 18/11 14/11 07/11 27/11 29/11 29/11 26/11 25/11 16/11 14/11 06/11 06/11 25/11 16/11 04/11 23/11 15/11 06/11 13/11 24/11

Revista outubro e novembro  
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