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dicas E D I Ç Ã O 6 0 | R $ 1 4 ,9 5

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EMPREGOS EM TECNOLOGIA

COMO CONSTRUIR UMA GRANDE CARREIRA NAS ÁREAS DE TI E INTERNET

ESCRITÓRIO DO GOOGLE, EM SP: as mordomias de quem chegou lá

CURRÍCULOS

iPHONE

REDES SOCIAIS

SALÁRIOS

Mande bem em português ou em inglês

Quem sabe programar está disputadíssimo

Use o orkut & cia. a favor da sua carreira

Você ganha o que merece?

MELHORES CURSOS | EMPREENDEDORES | VAGAS capa_Dicas60.indd 3

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conteúdo

EMPREGOS EM TECNOLOGIA REDES SOCIAIS

06 16 18 21

O jeito web de procurar emprego O papo aqui é profissional O orkut dá trabalho 10 comunidades que pegam bem

CURRÍCULO

26 29

7 pecados de um currículo Sua carreira no exterior

CAMPUS DA UFRGS: clima de descontração combina com espírito de inovação laboratórios

EMPRESAS

36

Sobram vagas no Google

54

REMUNERAÇÃO E VAGAS

33

Como estão seus ganhos?

47 50

De carona no iPhone Há vagas no data center Empregos no governo

ÁREAS QUENTES

42 45

Na internet com o Air O pingüim assina a carteira

NOVOS NEGÓCIOS

56 58

Software para os pequenos Vídeo no lugar do holerite?

FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

62 72 76 79 FERNANDA, DO GOOGLE: emprego em Zurique graças ao Linux

82

A elite da educação A força do Cobit Com a grife do Google O MIT está ao alcance do seu mouse Da teoria à prática

D I C AS I NFO I

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recado da redação

EMPREGO GARANTIDO! A área de TI pode não ser um mar de rosas, mas nem de longe seus profissionais sentem os abalos que castigam outros setores. Quem escolheu uma carreira ligada à tecnologia da informação e investiu dinheiro e esforços no aprimoramento de seus conhecimentos tem emprego garantido. E, melhor, ganhando muito bem em relação à media do mercado. Os salários da área registraram em torno de 10% de aumento em 2008, enquanto os rendimentos de outros trabalhadores cresceram 5% em média, segundo estimativas da empresa de recrutamento e seleção Ricardo Xavier. Crise? Ainda é cedo para dizer, mas alguns especialistas em RH não acreditam que os revezes na economia possam afetar muito os empregos em TI. Em poucas áreas, no entanto, os profissionais têm de atualizar-se tanto e tão rapidamente. Em outras palavras, ficar atento aos movimentos tecnológicos, acompanhar as tendências e farejar oportunidades é uma condição básica para construir uma carreira de êxito. A Dicas INFO Empregos em Tecnologia tem a missão de apontar alguns desses caminhos. Ela serve tanto para quem ainda não escolheu a profissão e quer saber que universidade priorizar na hora do vestibular como para aqueles que já tomaram a decisão e querem ficar antenados com o que está acontecendo aqui e lá fora para garantir novas colocações. Portanto, leia, avalie as oportunidades e sucesso!

MARIA ISABEL MOREIRA EDITORA DA DICAS INFO DICAS INFO Uma publicação mensal da Editora Abril Para contatar a redação: atleitorinfo@abril.com.br Para assinar a Dicas INFO: (11) 3347-2121 — Grande São Paulo 0800-701-2828 — Demais localidades abril.assinaturas@abril.com.br

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I DI C AS IN FO

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EQUIPE EDIÇÃO: MARIA ISABEL MOREIRA EDITOR DE ARTE: Vinicius Ferreira CAPA: Jefferson Barbato COLABORADORES: Bruno Ferrari, Cibele Gandolpho, Déborah Trevizan, Eric Costa, Françoise Terzian, Juliano Barreto, Kátia Arima, Maurício Moraes, Max Alberto Gonzales, Pamela Forti, Roberta Queiroz, Silvia Balieiro (textos), Rafael Cintra Chiang (checagem), Ulysses Borges de Lima (revisão)

NOTAS 10,0

IMPECÁVEL

9,0 a 9,9

ÓTIMO

8,0 a 8,9

MUITO BOM

7,0 a 7,9

BOM

6,0 a 6,9

MÉDIO

5,0 a 5,9

REGULAR

4,0 a 4,9

FRACO

3,0 a 3,9

MUITO FRACO

2,0 a 2,9

RUIM

1,0 a 1,9

BOMBA

0,0 a 0,9

LIXO

Veja os critérios de avaliação da INFO em detalhes na web em www.info.abril.com.br/ sobre/infolab.shl. A lista das lojas onde os produtos testados podem ser encontrados está em www.info.abril.com.br/ arquivo/onde.shl.

© FOTO MARCELO KURA

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VICTOR CIVITA (1907-1990) Presidente e Editor: Roberto Civita Vice-Presidente Executivo: Jairo Mendes Leal Conselho Editorial: Roberto Civita (Presidente), Thomaz Souto Corrêa (Vice-Presidente) e Jose Roberto Guzzo Diretor de Assinaturas: Fernando Costa Diretora de Mídia Digital: Fabiana Zanni Diretor de Planejamento e Controle: Auro Luís de Iasi Diretora-Geral de Publicidade: Thais Chede Soares Diretor-Geral de Publicidade Adjunto: Rogerio Gabriel Comprido Diretor de RH e Administração: Dimas Mietto Diretor de Serviços Editorias: Alfredo Ogawa Fundador:

Diretor Superintendente: Alexandre Caldini Diretora de Núcleo: Sandra Carvalho

Diretora de Redação: Débora Fortes Redator-chefe: Maurício Grego Editor Sênior: Carlos Machado Editores: Airton Lopes, Juliano Barreto, Kátia Arima, Maria Isabel Moreira, Maurício Moraes, Max Alberto Gonzales e Silvia Balieiro Estagiários: Bruno Ferrari e Marco Aurélio Zanni Editor de Arte: Jefferson Barbato Designers: Catia Herreiro, Maurício Medeiros e Wagner Rodrigues Colaboradores: Dagomir Marquezi e John C. Dvorak Infolab: Luiz Cruz (consultor de sistemas), Alberto Pereira, Max Neto e Vinícius Davanzo (estagiários) Gestor de Comunidades: Virgilio Sousa Info Online: Daniela Moreira e Felipe Zmoginski (editores-assistentes), Renata Verdasca e Renato Del Rio (webmasters), Rodrigo Fonseca (estagiário) www.info.abril.com.br

SERVIÇOS EDITORIAIS Apoio Editorial: Carlos Grassetti (Arte), Luiz Iria (Infografia) Apoio Técnico e Difusão: Bia Mendes Dedoc e Abril Press: Grace de Souza Treinamento Editorial: Edward Pimenta PUBLICIDADE CENTRALIZADA Diretores: Marcos Peregrina Gomez, Mariane Ortiz, Robson Monte, Sandra Sampaio Executivos de Negócios: Ana Paula Teixeira, Daniela Serafim, Eliane Pinho, Emiliano Hansenn, Karine Thomaz, Luciano Almeida, Marcelo Cavalheiro,

Marcelo Pezzato, Marcio Bezerra, Maria Lucia Strotbek, Pedro Bonaldi, Renata Mioli, Rodrigo Toledo, Selma Costa, Sueli Fender, Susana Vieira PUBLICIDADE RIO DE JANEIRO Diretor de Publicidade Rio de Janeiro: Paulo Renato Simões Gerente: Cristiano Rygaard Executivos de Negócios: Beatriz Ottino, Caroline Platilha, Henri Marques, José Rocha, Rodolfo

Garcia e Samara Sampaio de O. Reijnders Diretor de Publicidade Regional: Jacques Baisi Ricardo

PUBLICIDADE NÚCLEO TECNOLOGIA Gerente: Heraldo Evans Neto Executivas de Negócios: Andrea Balsi, Débora Manzano, Lea Moreira Coordenadora: Christina Pessoa (RJ) PLANEJAMENTO, CONTROLE E OPERAÇÕES Gerente: Victor Zockun Consultora: Adriana Rossi Processos: Clélio Antonio, Valdir Bertholin, Wagner Cardoso MARKETING E CIRCULAÇÃO Gerente de Publicações: Silvana Reid Gerente de Marketing de Projetos Especiais: Antonia Costa Projetos Especiais: Patrícia Steward, Ana Laura Tonin, Edison Diniz Gerente Executiva de Eventos: Regina Bernardi Gerente de Eventos: Shirley Nakasone Coordenadora de Eventos: Bruna Veratti, Carolina Fioresi e Ligia Cano Gerente de Circulação - Avulsas: Simone Carreira Gerente de Circulação - Assinaturas: Viviane Ahrens ASSINATURAS Diretor de Atendimento e Relacionamento com o Cliente: Fabian S. Magalhães Operações de Atendimento ao Consumidor: Malvina Galatovic RH Diretora: Claudia Ribeiro Consultora: Marizete Ambran Em São Paulo: Redação e Correspondência: Av. das Nações Unidas, 7221, 17º andar, Pinheiros, CEP 05425-902, tel. (11) 3037-2000, Publicidade São Paulo www.publiabril.com.br, Classificados 0800-7012066, Grande São Paulo tel. (11) 3037-2700 ESCRITÓRIOS E REPRESENTANTES DE PUBLICIDADE NO BRASIL - Central-SP (11) 3037-6564 Bauru Gnottos Mídia Representações Comerciais, tel. (14) 3227-0378, gnottos@gnottosmidia. com.br Belém Xingu Consultoria tel. (91) 3222-2303, neliopalheta@gmail.com Belo Horizonte Escritório tel. (31) 3282-0630, fax (31) 3282-0632 Representante Triângulo Mineiro F&Campos Consultoria e Assessoria Ltda., telefax: (16) 3620-2702, cel. (16) 8111-8159, fmc.rep@netsite.com.br Blumenau M. Marchi Representações, tel. (47) 3329-3820/6191, mauro@mmarchiabril.com.br Brasília Escritório tels. (61) 3315-7554/55/56/57, fax (61) 3315-7558 Brasília Representante Carvalhaw Marketing Ltda., tels. (61) 3426-7342/ 3223-0736/ 3225-2946/ 3223-7778, fax (61) 3321-1943, starmkt@uol.com.br Campinas CZ Press Com. e Rep., telefax (19) 3251-2007, czpress@czpress.com.br Campo Grande Josimar Promoções Artísticas Ltda., tel. (67) 3382-2139, publicidade@josimarpromocoes.com.br Cuiabá Agronegócios Comunic. Ltda., tel. (65) 8403-0616, lucianooliveir@uol.com. br Curitiba Escritório tel. (41) 3250-8000/8030/8040/8050/8080, fax (41) 3252-7110 Curitiba Representante Via Mídia Projetos Editoriais Mkt. e Repres. Ltda., tel. (41) 3234-1224, viamidia@viamidiapr.com.br Florianópolis Interação Publicidade Ltda., tel. (48) 3232-1617, fax (48) 3232-1782, fgorgonio@interacaoabril.com.br Fortaleza Midiasolution Repres. e Negoc., tel. (85) 3264-3939, simone.midiasolution@veloxmail.com.br Goiânia Middle West Representações Ltda., tel. (62) 3215-5158, fax (62) 3215-9007, publicidade@middlewest.com.br Manaus Paper Comunicações, tel. (92) 3656-7588, paper@internext.com.br Maringá Atitude de Comunicação e Representação, telefax (44) 3028-6969, marlene@atituderep.com.br Porto Alegre Escritório tel. (51) 3327-2850, fax (51) 3327-2855 Porto Alegre Representante Print Sul Veículos de Comunicação Ltda., telefax (51) 3328-1344/3823/4954, ricardo@printsul.com.br Recife MultiRevistas Publicidade, telefax (81) 3327-1597, multirevistas@uol.com.br Ribeirão Preto Gnottos Mídia Representações Comerciais, tel. (16) 3911-3025, gnottos@ gnottosmidia.com.br Rio de Janeiro Escritório tel. (21) 2546-8282, fax (21) 2546-8253 Salvador AGMN Consultoria Public. e Representação, tel. (71) 3311-4999, fax: (71) 3311-4960, abrilagm@uol.com.br Vitória Zambra

Repr. Com., tel. (27) 3315-6952, samuel@zambramkt.com PUBLICAÇÕES DA EDITORA ABRIL: Almanaque Abril, Ana Maria, Arquitetura e Construção, Atividades, Aventuras na História, Boa Forma, Bons Fluidos, Bravo!, Capricho, Casa Claudia, Claudia, Contigo!, Disney, Elle, Estilo, Exame, Exame PME, Frota S/A, Gloss, Guia do Estudante, Guias Quatro Rodas, Info Corporate, Info, Loveteen, Manequim, Manequim Noiva, Men’s Health, Minha Novela, Mundo Estranho, National Geographic, Nova, Placar, Playboy, Quatro Rodas, Recreio, Revista A, Revista da Semana, Runner’s World, Saúde!, Sou Mais Eu!, Superinteressante, Tititi, Veja, Veja Rio, Veja São Paulo, Vejas Regionais, Viagem e Turismo, Vida Simples, Vip, Viva Mais!, Você S/A, Women’s Health FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA: Nova Escola INTERNATIONAL ADVERTISING SALES REPRESENTATIVES Coordinator for International Advertising: Global Advertising, Inc., 218 Olive Hill Lane, Woodside, California 94062. UNITED STATES: CMP Worldwide Media Networks, 2800 Campus Drive, San Mateo, California 94403, tel. (650) 513-4200, fax (650) 513-4482. EUROPE: HZI International, Africa House, 64-78 Kingsway, London WC2B 6AH, tel. (20) 7242-6346, fax (20) 7404-4376. JAPAN: IMI Corporation, Matsuoka Bldg. 303, 18-25, Naka 1- chome, Kunitachi, Tokyo 186-0004, tel. (03) 3225-6866, fax (03) 3225-6877. TAIWAN: Lewis Int’l Media Services Co. Ltd., Floor 11-14 no 46, Sec 2, Tun Hua South Road, Taipei, tel. (02) 707-5519, fax (02) 709-8348 DICAS INFO EMPREGOS EM TECNOLOGIA , edição 56, (ISSN 18079245) é uma publicação da Editora Abril S.A. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A.

Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo IMPRESSA NA DIVISÃO GRÁFICA DA EDITORA ABRIL S.A.

Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, Freguesia do Ó, CEP 02909-900, São Paulo, SP

Vice-Presidentes:

Presidente do Conselho de Administração: Roberto Civita Presidente Executivo: Giancarlo Civita Arnaldo Tibyriçá, Douglas Duran, Márcio Ogliara, Mauro Calliari e Sidnei Basile www.abril.com.br

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redes sociais I tendências

O JEITO WEB DE SE EMPREGAR Orkut, LinkedIn e companhia podem ajudar — ou derrubar — sua carreira. Veja o caminho para se dar bem POR MAX ALBERTO GONZALES

O

especialista em software empresarial Jorge Ribkin Jr., 38 anos, começou 2008 desempregado. Após seis anos na Citrix, ele decidiu procurar trabalho de uma forma diferente. Não mandou um único currículo nem saiu ligando para os amigos. Antes de começar a usar o serviço de recolocação que havia contratado, Ribkin atualizou seu perfil no LinkedIn. E foi direto ao assunto: deixou claro que estava à procura de trabalho. Um amigo passou a dica a um headhunter. Dias depois, o nome dele chegou a Marcelo Ramos, presidente da Sterling Commerce para a América do Sul, que tinha uma vaga aberta de diretor de negócios. Ao receber a indicação, Ramos checou o perfil de Ribkin no LinkedIn para conferir suas habilidades em vender software, a qualidade da sua rede de contatos e o que ele conhecia do mercado. Gostou do que viu e, depois de uma entrevista, contratou-o. “As redes sociais são boas ferramentas para buscar e validar a credibilidade dos dados e o networking do profissional”, diz Ramos. Ele também usa o LinkedIn para conhecer melhor o cliente com quem vai conversar e para procurar oportunidades de negócios. Histórias como esta são cada vez mais comuns, principalmente no mercado de tecnologia, early adopter por excelência de novas formas de comunicação. Fenômeno da web 2.0, as redes sociais deixaram de ser apenas uma maneira para se distrair ou encontrar os amigos do colégio: elas podem mudar o destino de sua carreira profissional, para o bem ou para o mal. Eis um território onde não existe divisão entre horário comercial e de lazer. Se

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I DI C AS IN FO

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© ILUSTRAÇÃO WAGNER RODRIGUES

O PODER DOS FÓRUNS Assim como as redes sociais, os fóruns podem ser uma vitrine para quem trabalha com tecnologia — ou o contrário. Com a circulação intensa de profissionais da área, você pode acabar chamando a atenção de um futuro empregador por seus conhecimentos técnicos. Por isso, participe das salas que realmente importam na sua área e que têm alto nível nas discussões.

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redes sociais I tendências

O JEITO WEB DE SE EMPREGAR Orkut, LinkedIn e companhia podem ajudar — ou derrubar — sua carreira. Veja o caminho para se dar bem POR MAX ALBERTO GONZALES

O

especialista em software empresarial Jorge Ribkin Jr., 38 anos, começou 2008 desempregado. Após seis anos na Citrix, ele decidiu procurar trabalho de uma forma diferente. Não mandou um único currículo nem saiu ligando para os amigos. Antes de começar a usar o serviço de recolocação que havia contratado, Ribkin atualizou seu perfil no LinkedIn. E foi direto ao assunto: deixou claro que estava à procura de trabalho. Um amigo passou a dica a um headhunter. Dias depois, o nome dele chegou a Marcelo Ramos, presidente da Sterling Commerce para a América do Sul, que tinha uma vaga aberta de diretor de negócios. Ao receber a indicação, Ramos checou o perfil de Ribkin no LinkedIn para conferir suas habilidades em vender software, a qualidade da sua rede de contatos e o que ele conhecia do mercado. Gostou do que viu e, depois de uma entrevista, contratou-o. “As redes sociais são boas ferramentas para buscar e validar a credibilidade dos dados e o networking do profissional”, diz Ramos. Ele também usa o LinkedIn para conhecer melhor o cliente com quem vai conversar e para procurar oportunidades de negócios. Histórias como esta são cada vez mais comuns, principalmente no mercado de tecnologia, early adopter por excelência de novas formas de comunicação. Fenômeno da web 2.0, as redes sociais deixaram de ser apenas uma maneira para se distrair ou encontrar os amigos do colégio: elas podem mudar o destino de sua carreira profissional, para o bem ou para o mal. Eis um território onde não existe divisão entre horário comercial e de lazer. Se

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© ILUSTRAÇÃO WAGNER RODRIGUES

O PODER DOS FÓRUNS Assim como as redes sociais, os fóruns podem ser uma vitrine para quem trabalha com tecnologia — ou o contrário. Com a circulação intensa de profissionais da área, você pode acabar chamando a atenção de um futuro empregador por seus conhecimentos técnicos. Por isso, participe das salas que realmente importam na sua área e que têm alto nível nas discussões.

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PERFIL ÚNICO Digitar todos os seus dados cada vez que você entra em uma rede social é muito chato. Mas elas começam a compartilhar as informações e farão login automático em sites parceiros. O MySpace anunciou em maio a iniciativa Data Availability, na qual dividirá os dados de seus associados com Twitter, Photobucker, Yahoo! e eBay. O Live Spaces, da Microsoft, que tem 87 milhões de usuários em todo o mundo, aderiu ao Data Portability. “Queremos que o usuário compartilhe seu perfil com controle sobre a experiência”, diz Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor-geral de serviços online da Microsoft Brasil. “O problema é definir a parte técnica para que as redes implementem a portabilidade.” Data availability MySpace Yahoo! eBay Photobucket Twitter

RODRIGO CLEMENTE, DA DECIDINDO: empresa de marketing já contratou mais de 120 jovens pelo orkut

um perfil bem-feito e com informações relevantes rende um convite de entrevista, entrar em uma comunidade polêmica ou ter uma foto indiscreta no orkut pode fechar as portas para o candidato — ou até causar sua demissão. O que você diz, os erros de grafia e o conteúdo que publica nos fóruns pode ser usado contra você, até prova em contrário. Como acontece com todo fenômeno novo, as empresas estão aprendendo a conviver com as redes sociais e descobrindo a melhor maneira de explorá-las. É um tema polêmico: até que ponto elas têm o direito de investigar perfis pessoais? É invasão de privacidade? Não existe um manual de conduta, e as políticas variam de acordo com cada empregador. Mas em tempos de exposição massiva, o velho bom senso deve estar mais em alta do que nunca. Numa produtora de cinema, com horários mais flexíveis, participar de uma comunidade como Odeio Acordar Cedo pode até ser visto como algo criativo, mas jamais num banco.

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PELADO NA FOTO, NÃO! As redes sociais, profissionais e pessoais, vivem hoje uma grande efervescência, tanto do lado dos usuários como dos negócios que geram. Só o orkut, de longe o endereço mais freqüentado entre os brasileiros, reúne 60 milhões de perfis, entre eles possivelmente o de seu chefe ou o de seu futuro empregador (sim, eles podem estar vasculhando o seu perfil agora mesmo). O LinkedIn, uma rede social que crava em seu DNA a palavra carreira, tem mais de 30 milhões de usuários e negocia investimento que pode chegar a 1 bilhão de dólares. O Plaxo, por sua vez, foi comprado recentemente pela operadora americana Comcast por 175 milhões de dólares. Não são apenas os investimentos externos que colocam dinheiro no caixa dessas empresas. A consultoria eMarketer estima que em 2008 serão gastos US$ 2,02 bilhões em anúncios em sites de redes sociais. Depois que o magnata Rupert Murdoch arrebatou o MySpace para o conglo© FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

merado News Corporation por US$ 580 milhões em 2005, as redes começaram também um movimento para padronizar e compartilhar perfis. Escolher a rede social ideal para garimpar empregados depende do que a empresa procura. Para encontrar um universitário bem-relacionado e com centenas de amigos, o orkut é um bom caminho. Foi o que fez em 2005 a agência Decidindo Marketing & Relacionamento, de São Paulo, que trabalha com promoções de produtos para Levi’s, Motorola e Vivo. “Precisávamos de gente no Brasil inteiro, então usamos o orkut. Recebemos 8 mil currículos”, afirma Rodrigo Clemente, sócio-fundador. Na primeira peneira, a Decidindo selecionou 1 200 candidatos e analisou o perfil deles no orkut, com critérios como número de amigos, capacidade de comunicação e comunidades. Algumas características eram fatais: palavras agressivas em scraps, comunidades e imagens comprometedoras. “Pelado

Data portability Microsoft Live Spaces Google Facebook LinkedIn Digg Twitter Flickr Six Apart

140 milhões de pessoas deverão assinar versões móveis de redes sociais em 2013 em todo o mundo FONTE: ABI RESEARCH

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PERFIL ÚNICO Digitar todos os seus dados cada vez que você entra em uma rede social é muito chato. Mas elas começam a compartilhar as informações e farão login automático em sites parceiros. O MySpace anunciou em maio a iniciativa Data Availability, na qual dividirá os dados de seus associados com Twitter, Photobucker, Yahoo! e eBay. O Live Spaces, da Microsoft, que tem 87 milhões de usuários em todo o mundo, aderiu ao Data Portability. “Queremos que o usuário compartilhe seu perfil com controle sobre a experiência”, diz Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor-geral de serviços online da Microsoft Brasil. “O problema é definir a parte técnica para que as redes implementem a portabilidade.” Data availability MySpace Yahoo! eBay Photobucket Twitter

RODRIGO CLEMENTE, DA DECIDINDO: empresa de marketing já contratou mais de 120 jovens pelo orkut

um perfil bem-feito e com informações relevantes rende um convite de entrevista, entrar em uma comunidade polêmica ou ter uma foto indiscreta no orkut pode fechar as portas para o candidato — ou até causar sua demissão. O que você diz, os erros de grafia e o conteúdo que publica nos fóruns pode ser usado contra você, até prova em contrário. Como acontece com todo fenômeno novo, as empresas estão aprendendo a conviver com as redes sociais e descobrindo a melhor maneira de explorá-las. É um tema polêmico: até que ponto elas têm o direito de investigar perfis pessoais? É invasão de privacidade? Não existe um manual de conduta, e as políticas variam de acordo com cada empregador. Mas em tempos de exposição massiva, o velho bom senso deve estar mais em alta do que nunca. Numa produtora de cinema, com horários mais flexíveis, participar de uma comunidade como Odeio Acordar Cedo pode até ser visto como algo criativo, mas jamais num banco.

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PELADO NA FOTO, NÃO! As redes sociais, profissionais e pessoais, vivem hoje uma grande efervescência, tanto do lado dos usuários como dos negócios que geram. Só o orkut, de longe o endereço mais freqüentado entre os brasileiros, reúne 60 milhões de perfis, entre eles possivelmente o de seu chefe ou o de seu futuro empregador (sim, eles podem estar vasculhando o seu perfil agora mesmo). O LinkedIn, uma rede social que crava em seu DNA a palavra carreira, tem mais de 30 milhões de usuários e negocia investimento que pode chegar a 1 bilhão de dólares. O Plaxo, por sua vez, foi comprado recentemente pela operadora americana Comcast por 175 milhões de dólares. Não são apenas os investimentos externos que colocam dinheiro no caixa dessas empresas. A consultoria eMarketer estima que em 2008 serão gastos US$ 2,02 bilhões em anúncios em sites de redes sociais. Depois que o magnata Rupert Murdoch arrebatou o MySpace para o conglo© FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

merado News Corporation por US$ 580 milhões em 2005, as redes começaram também um movimento para padronizar e compartilhar perfis. Escolher a rede social ideal para garimpar empregados depende do que a empresa procura. Para encontrar um universitário bem-relacionado e com centenas de amigos, o orkut é um bom caminho. Foi o que fez em 2005 a agência Decidindo Marketing & Relacionamento, de São Paulo, que trabalha com promoções de produtos para Levi’s, Motorola e Vivo. “Precisávamos de gente no Brasil inteiro, então usamos o orkut. Recebemos 8 mil currículos”, afirma Rodrigo Clemente, sócio-fundador. Na primeira peneira, a Decidindo selecionou 1 200 candidatos e analisou o perfil deles no orkut, com critérios como número de amigos, capacidade de comunicação e comunidades. Algumas características eram fatais: palavras agressivas em scraps, comunidades e imagens comprometedoras. “Pelado

Data portability Microsoft Live Spaces Google Facebook LinkedIn Digg Twitter Flickr Six Apart

140 milhões de pessoas deverão assinar versões móveis de redes sociais em 2013 em todo o mundo FONTE: ABI RESEARCH

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O PERFIL CERTO PARA AS EMPRESAS

6 COISAS QUE VOCÊ DEVE FAZER

Em geral, há três características que as empresas procuram nos perfis de seus candidatos nas redes sociais: a qualidade dos contatos, a experiência profissional e os traços de comportamento. Veja as atitudes que costumam agradar:

1. Destaque-se na multidão Ajude as empresas a encontrá-lo. Na frase de descrição de seu perfil em qualquer rede social, defina bem, com palavras-chave, o que você sabe fazer melhor e escancare as tecnologias que domina. Participar ativamente das comunidades e dos fóruns que são relevantes na sua área de atuação também pega bem.

✔ Qualidade vale mais que quantidade. O presidente de uma empresa de tecnologia ou um profissional de referência na sua área vale mais que um monte de colegas recém-formados. ✔ Participar de comunidades técnicas e fóruns respeitados ajuda a relacionar seu nome à tecnologia em que é especializado. ✔ As empresas querem ver resultados, e não blablablá. Mostre no perfil do que você é capaz, de preferência usando números.

ENCONTRADOS PELO MYSPACE Badalado no mundo todo como o canal em que músicos surgem e oferecem download de canções, o MySpace também arruma empregos para alguns de seus 122 milhões de usuários. Produtores, roadies e até mesmo membros de banda para tocar em um único show são localizados no site. “Muitas bandas ganham viabilidade comercial porque produtores acessam o site e passam a trabalhar com elas”, diz Emerson Calegaretti, diretor-geral do MySpace Brasil. O próprio escritório da empresa em São Paulo conta com funcionários localizados no MySpace. “Via de regra, nós mesmos os recrutamos. Mas já usei o LinkedIn.”

✔ Em redes genéricas, como orkut e Facebook, não há nenhum pecado em mostrar que você tem outros interesses e hobbies. É até saudável.

MARCELO REZENDE, DA ENTERASYS: um estilo para cada comunidade

O AMIGO DO AMIGO Em um mundo movido pela capacidade de relacionar-se, o sucesso das redes está diretamente ligado à quantidade e, principalmente, à qualidade de seus integrantes. As redes sociais que pendem mais para o lado recreativo, como orkut, Flickr, MySpace, Facebook, Live Spaces e Hi5, são mais

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famosas e divertidas que as profissionais, caso do LinkedIn, Plaxo, Namyz, Via6, Xing e Unyk. Mas são justamente as redes especializadas que trazem melhores resultados a quem procura emprego. Saber explorar a diferença entre os dois tipos de sites não é um exercício de dupla personalidade. É parte inexorável da nova era da tecnologia da informação. Marcelo Rezende, vice-presidente para a América Latina da Enterasys Networks, é um exemplo disso. Tem 600 contatos no LinkedIn, com foto de terno e gravata. No orkut, reúne 40 amigos e familiares e aparece na foto de camisa, mas sem gravata. “Uso bastante o LinkedIn porque reduz o trabalho de préseleção de candidatos”, diz. Em abril, Rezende anun-

© FOTO LUIS USHIROBIRA

3. Encare a rede como um currículo Seja claro nos objetivos e nos dados de seu perfil profissional. Detalhe nomes, datas e trabalhos exatamente como você faria num currículo tradicional. 4. A atualidade faz a oportunidade Não deixe seu perfil abandonado na rede, ou vai acabar passando uma imagem de desleixo. O ritmo tem de ser de web 2.0.

✔ Mantenha uma postura ética e profissional. Nenhuma empresa quer alguém que fala mal escancaradamente dos ex-patrões.

na foto, bebendo ou fumando, não dá”, diz Clemente. Duzentos foram chamados para entrevistas pessoais e 120 foram contratados. O orkut não é a única rede de relacionamento adotada pela empresa. “Uso o LinkedIn para procurar gerentes. Os trend setters encontro no Live Spaces e no orkut.”

2. Cultive a sua rede Sua rede de contatos pode valer uma contratação. Puxe da memória o amigo do colégio que virou executivo e o convide. Também é importante manter contato com as pessoas com quem já trabalhou em outras empresas.

ciou no site uma vaga para consultor de pré-vendas sênior de equipamentos de rede. Em 30 dias, recebeu 42 currículos que atendiam aos pré-requisitos e dispensou as consultas ao orkut. “Procuro não olhar porque quero me concentrar nas características profissionais”, diz. Na fase final, sobraram quatro finalistas na disputa — três deles vindos pelo LinkedIn.

EMPREGOS A PERIGO Mesmo que o orkut seja usado como uma ferramenta para buscar profissionais, isso não quer dizer que seu uso esteja liberado no horário de trabalho. Ao contrário. A estudante de administração Daniele T. Rodrigues, de 20 anos, é uma das 13 participantes

5. Endosse só quem merece Os endorsements funcionam como as cartas de recomendação de um profissional. Se você pensa antes de assinar uma delas no papel, faça o mesmo na rede social. Ou pode queimar o próprio filme. 6. Mantenha a classe Mesmo que você esteja desesperado por um emprego, não se coloque em liquidação. Ficar implorando por uma vaga é o melhor jeito de afugentar os recrutadores.

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O PERFIL CERTO PARA AS EMPRESAS

6 COISAS QUE VOCÊ DEVE FAZER

Em geral, há três características que as empresas procuram nos perfis de seus candidatos nas redes sociais: a qualidade dos contatos, a experiência profissional e os traços de comportamento. Veja as atitudes que costumam agradar:

1. Destaque-se na multidão Ajude as empresas a encontrá-lo. Na frase de descrição de seu perfil em qualquer rede social, defina bem, com palavras-chave, o que você sabe fazer melhor e escancare as tecnologias que domina. Participar ativamente das comunidades e dos fóruns que são relevantes na sua área de atuação também pega bem.

✔ Qualidade vale mais que quantidade. O presidente de uma empresa de tecnologia ou um profissional de referência na sua área vale mais que um monte de colegas recém-formados. ✔ Participar de comunidades técnicas e fóruns respeitados ajuda a relacionar seu nome à tecnologia em que é especializado. ✔ As empresas querem ver resultados, e não blablablá. Mostre no perfil do que você é capaz, de preferência usando números.

ENCONTRADOS PELO MYSPACE Badalado no mundo todo como o canal em que músicos surgem e oferecem download de canções, o MySpace também arruma empregos para alguns de seus 122 milhões de usuários. Produtores, roadies e até mesmo membros de banda para tocar em um único show são localizados no site. “Muitas bandas ganham viabilidade comercial porque produtores acessam o site e passam a trabalhar com elas”, diz Emerson Calegaretti, diretor-geral do MySpace Brasil. O próprio escritório da empresa em São Paulo conta com funcionários localizados no MySpace. “Via de regra, nós mesmos os recrutamos. Mas já usei o LinkedIn.”

✔ Em redes genéricas, como orkut e Facebook, não há nenhum pecado em mostrar que você tem outros interesses e hobbies. É até saudável.

MARCELO REZENDE, DA ENTERASYS: um estilo para cada comunidade

O AMIGO DO AMIGO Em um mundo movido pela capacidade de relacionar-se, o sucesso das redes está diretamente ligado à quantidade e, principalmente, à qualidade de seus integrantes. As redes sociais que pendem mais para o lado recreativo, como orkut, Flickr, MySpace, Facebook, Live Spaces e Hi5, são mais

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famosas e divertidas que as profissionais, caso do LinkedIn, Plaxo, Namyz, Via6, Xing e Unyk. Mas são justamente as redes especializadas que trazem melhores resultados a quem procura emprego. Saber explorar a diferença entre os dois tipos de sites não é um exercício de dupla personalidade. É parte inexorável da nova era da tecnologia da informação. Marcelo Rezende, vice-presidente para a América Latina da Enterasys Networks, é um exemplo disso. Tem 600 contatos no LinkedIn, com foto de terno e gravata. No orkut, reúne 40 amigos e familiares e aparece na foto de camisa, mas sem gravata. “Uso bastante o LinkedIn porque reduz o trabalho de préseleção de candidatos”, diz. Em abril, Rezende anun-

© FOTO LUIS USHIROBIRA

3. Encare a rede como um currículo Seja claro nos objetivos e nos dados de seu perfil profissional. Detalhe nomes, datas e trabalhos exatamente como você faria num currículo tradicional. 4. A atualidade faz a oportunidade Não deixe seu perfil abandonado na rede, ou vai acabar passando uma imagem de desleixo. O ritmo tem de ser de web 2.0.

✔ Mantenha uma postura ética e profissional. Nenhuma empresa quer alguém que fala mal escancaradamente dos ex-patrões.

na foto, bebendo ou fumando, não dá”, diz Clemente. Duzentos foram chamados para entrevistas pessoais e 120 foram contratados. O orkut não é a única rede de relacionamento adotada pela empresa. “Uso o LinkedIn para procurar gerentes. Os trend setters encontro no Live Spaces e no orkut.”

2. Cultive a sua rede Sua rede de contatos pode valer uma contratação. Puxe da memória o amigo do colégio que virou executivo e o convide. Também é importante manter contato com as pessoas com quem já trabalhou em outras empresas.

ciou no site uma vaga para consultor de pré-vendas sênior de equipamentos de rede. Em 30 dias, recebeu 42 currículos que atendiam aos pré-requisitos e dispensou as consultas ao orkut. “Procuro não olhar porque quero me concentrar nas características profissionais”, diz. Na fase final, sobraram quatro finalistas na disputa — três deles vindos pelo LinkedIn.

EMPREGOS A PERIGO Mesmo que o orkut seja usado como uma ferramenta para buscar profissionais, isso não quer dizer que seu uso esteja liberado no horário de trabalho. Ao contrário. A estudante de administração Daniele T. Rodrigues, de 20 anos, é uma das 13 participantes

5. Endosse só quem merece Os endorsements funcionam como as cartas de recomendação de um profissional. Se você pensa antes de assinar uma delas no papel, faça o mesmo na rede social. Ou pode queimar o próprio filme. 6. Mantenha a classe Mesmo que você esteja desesperado por um emprego, não se coloque em liquidação. Ficar implorando por uma vaga é o melhor jeito de afugentar os recrutadores.

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7 DICAS PARA NÃO QUEIMAR O FILME 1. Saia bem na foto Se você vai usar a rede para encontrar emprego, esqueça qualquer tipo de foto comprometedora. Poses ridículas, vulgaridades e bebedeiras podem liquidar suas chances de cara. 2. Eu odeio... Você contrataria um membro da comunidade “Odeio meu chefe”? Percebe o vacilo? Deixe as opiniões polêmicas e as manifestações de ódio para a mesa do happy hour. 3. Assaltaram a gramática! Como num currículo, seu perfil deve ter linguagem impecável — sem erros de português ou de outra língua, se for o caso. Na dúvida, peça ajuda para revisar o texto. 4. Fique na sua Não queira ser amigo de quem nem sabe que você existe. Como na vida real, peça para ser apresentado e tenha um bom motivo profissional. 5. Meu defeito é ser perfeito A propaganda é a alma do negócio. Mas não exagere ao descrever suas qualidades nem invente. Na web, a mentira tem pernas bem mais curtas. 6. Vote em mim! Pega mal (e muito) ficar pedindo para os seus contatos escreverem recomendações e depoimentos. Deixe a iniciativa a critério deles. 7. Spammer, eu? Nas redes sociais, mandar mensagens em massa é tentador. Mas só envie algo a quem realmente pode se interessar.

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JORGE RIBKIN E MARCELO RAMOS, DA STERLING: chefe pesquisou perfil do candidato antes da entrevista

da comunidade Fui Demitido por Causa do orkut. “Ficava muito no site e achei q ue meu chefe não percebia”, diz. Enganou-se. Em abril, foi dispensada e só descobriu durante o exame médico que o motivo era o orkut. “Não me arrependo, mas eu podia ter diminuído o tempo que ficava conectada”, diz. O webdesigner Elmo Mello, 30 anos, do Clube de Regatas Guanabara (Rio de Janeiro), criou essa comunidade depois de ouvir de amigos casos de pessoas demitidas pelo uso exagerado do MSN e do orkut. Hoje ele faz parte do grupo que avalia a instalação de ferramentas para bloquear sites do gênero. “Um funcionário aqui esquecia suas tarefas, chaves e até a documentação da empresa porque parava para ver seus recados.” A supervisora administrativa Michéle Hardt, 30 anos, de Timbó (SC), usa o orkut para se comunicar com os colegas da MTR Transportes em outros estados — e também para aliviar o estresse. “Entro duas vezes por dia, três minutos no máximo. Mais

do que isso, atrapalha”, diz. Ela já usou o site para ajudar na decisão de contratar dois funcionários. “Olhei o perfil por curiosidade. Faria perguntas apenas se visse algo estranho.” Já a administradora Rose Carla Severo, de 29 anos, apelou para a comunidade “Quero ser demitida da Renner” porque estava insatisfeita com o trabalho na empresa, em Canoas (RS), mas logo se arrependeu. “Acredito que possa prejudicar minha imagem”, afirma. Formada em magistério e terminando curso técnico em química, atualmente ela administra sua própria revendedora de informática. Marcelo Marzola, 31 anos, fundador da consultoria de marketing digital Predicta, de São Paulo, não teria dúvidas em demitir um funcionário presente em uma comunidade polêmica. “Se for algo contra os valores da empresa, que depende muito do relacionamento do funcionário com os clientes, demito mesmo”, diz. “A questão é que nada garante que a pessoa seja o que ela pensa que é e coloca em seu perfil.”

© FOTOS LUIS USHIROBIRA

TELEFONE SEM FIO E o que pensam das redes sociais os headhunters, os profissionais contratados justamente para caçar candidatos? “As pessoas têm que tomar cuidado com sua imagem. Nunca se sabe quem vai ler o seu perfil, e achar que você está se expondo demais”, diz Patrícia Epperlein, sócia e diretora-geral da empresa de headhunting Mariaca. “Qualquer assunto pode ser polêmico para quem vai empregar e depor contra o candidato. É delicado porque as pessoas fazem prejulgamentos.” Nesse caso, a regra é: quanto mais alto o nível do cargo do profissional, maior é a expectativa sobre sua conduta por parte da empresa. “Muitos jovens se expõem no orkut. Até certa idade, isso não afeta muito. Eu não fico vasculhando, mas há headhunters que olham.” Marco Antonio Garcez, sócio-diretor da Garcez Recursos Humanos, diz não consultar as comunidades dos candidatos. “Pela minha experiência, é melhor fazer um contato direto.” Ele consulta o orkut

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7 DICAS PARA NÃO QUEIMAR O FILME 1. Saia bem na foto Se você vai usar a rede para encontrar emprego, esqueça qualquer tipo de foto comprometedora. Poses ridículas, vulgaridades e bebedeiras podem liquidar suas chances de cara. 2. Eu odeio... Você contrataria um membro da comunidade “Odeio meu chefe”? Percebe o vacilo? Deixe as opiniões polêmicas e as manifestações de ódio para a mesa do happy hour. 3. Assaltaram a gramática! Como num currículo, seu perfil deve ter linguagem impecável — sem erros de português ou de outra língua, se for o caso. Na dúvida, peça ajuda para revisar o texto. 4. Fique na sua Não queira ser amigo de quem nem sabe que você existe. Como na vida real, peça para ser apresentado e tenha um bom motivo profissional. 5. Meu defeito é ser perfeito A propaganda é a alma do negócio. Mas não exagere ao descrever suas qualidades nem invente. Na web, a mentira tem pernas bem mais curtas. 6. Vote em mim! Pega mal (e muito) ficar pedindo para os seus contatos escreverem recomendações e depoimentos. Deixe a iniciativa a critério deles. 7. Spammer, eu? Nas redes sociais, mandar mensagens em massa é tentador. Mas só envie algo a quem realmente pode se interessar.

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JORGE RIBKIN E MARCELO RAMOS, DA STERLING: chefe pesquisou perfil do candidato antes da entrevista

da comunidade Fui Demitido por Causa do orkut. “Ficava muito no site e achei q ue meu chefe não percebia”, diz. Enganou-se. Em abril, foi dispensada e só descobriu durante o exame médico que o motivo era o orkut. “Não me arrependo, mas eu podia ter diminuído o tempo que ficava conectada”, diz. O webdesigner Elmo Mello, 30 anos, do Clube de Regatas Guanabara (Rio de Janeiro), criou essa comunidade depois de ouvir de amigos casos de pessoas demitidas pelo uso exagerado do MSN e do orkut. Hoje ele faz parte do grupo que avalia a instalação de ferramentas para bloquear sites do gênero. “Um funcionário aqui esquecia suas tarefas, chaves e até a documentação da empresa porque parava para ver seus recados.” A supervisora administrativa Michéle Hardt, 30 anos, de Timbó (SC), usa o orkut para se comunicar com os colegas da MTR Transportes em outros estados — e também para aliviar o estresse. “Entro duas vezes por dia, três minutos no máximo. Mais

do que isso, atrapalha”, diz. Ela já usou o site para ajudar na decisão de contratar dois funcionários. “Olhei o perfil por curiosidade. Faria perguntas apenas se visse algo estranho.” Já a administradora Rose Carla Severo, de 29 anos, apelou para a comunidade “Quero ser demitida da Renner” porque estava insatisfeita com o trabalho na empresa, em Canoas (RS), mas logo se arrependeu. “Acredito que possa prejudicar minha imagem”, afirma. Formada em magistério e terminando curso técnico em química, atualmente ela administra sua própria revendedora de informática. Marcelo Marzola, 31 anos, fundador da consultoria de marketing digital Predicta, de São Paulo, não teria dúvidas em demitir um funcionário presente em uma comunidade polêmica. “Se for algo contra os valores da empresa, que depende muito do relacionamento do funcionário com os clientes, demito mesmo”, diz. “A questão é que nada garante que a pessoa seja o que ela pensa que é e coloca em seu perfil.”

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TELEFONE SEM FIO E o que pensam das redes sociais os headhunters, os profissionais contratados justamente para caçar candidatos? “As pessoas têm que tomar cuidado com sua imagem. Nunca se sabe quem vai ler o seu perfil, e achar que você está se expondo demais”, diz Patrícia Epperlein, sócia e diretora-geral da empresa de headhunting Mariaca. “Qualquer assunto pode ser polêmico para quem vai empregar e depor contra o candidato. É delicado porque as pessoas fazem prejulgamentos.” Nesse caso, a regra é: quanto mais alto o nível do cargo do profissional, maior é a expectativa sobre sua conduta por parte da empresa. “Muitos jovens se expõem no orkut. Até certa idade, isso não afeta muito. Eu não fico vasculhando, mas há headhunters que olham.” Marco Antonio Garcez, sócio-diretor da Garcez Recursos Humanos, diz não consultar as comunidades dos candidatos. “Pela minha experiência, é melhor fazer um contato direto.” Ele consulta o orkut

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apenas quando o cliente pede um perfil específico de profissional que precisa ter uma boa capacidade de relacionamento. Às vezes, ele contata moderadores de comunidades profissionais para se apresentar e anunciar uma vaga. “Para divulgar oportunidades, o orkut é uma beleza. O único perigo é a informação se deturpar, como num telefone-sem-fio.” As redes sociais facilitaram o trabalho de pesquisa dos headhunters, que sempre construíram valiosas redes de relacionamento para garimpar talentos e checar informações, usando o contato pessoal e o telefone. “Encontramos muitos engenheiros e executivos da área de TI. Como há bom nível profissional, o LinkedIn virou uma fonte. Seria burrice não entrar nele”, diz Patrícia, da Mariaca. Ela não confia muito nos endorsements, depoimentos que colegas de trabalho fazem para recomendar alguém. “Acho que a maioria é feita por amigos. Fico na dúvida sobre a legitimidade e não coloco a mão no fogo”, diz. “O headhunter sério faz a própria checagem e não baseia seu julgamento nos endossos.” Mais do que colecionar contatos e depoimentos, Helio Rangel Terra, presidente da Manager Assessoria em RH, aconselha a divulgar informações que atraiam os recrutadores. “Mencione os projetos importantes que você participou.” Dados numéricos, como a taxa de sucesso de uma campanha de vendas ou a descrição do papel exercido no projeto e as metas atingidas, aumentam as chances de receber uma oferta de trabalho. Para os profissionais mais acostumados às redes sociais, ser pinçado por meio delas já virou rotina. Fábio Pereira Santos Filho, 32 anos, foi contratado como gerente de negócios para a América Latina no escritório paulistano da britânica Canonical, empresa que distribui o software livre Ubuntu, após o contato de um headhunter que o achou no LinkedIn. “Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Antes, fui contratado por outra companhia londrina, especializada em sistemas para call center.” Atualmente, ele é diretor de vendas da empresa. Formado em ciências da computação pela Universidade Mackenzie, em administração pela FGV e com diversas especializações internacionais, Santos Filho acredita que sua rede pessoal de contatos o ajudou na carreira. “A extensão de sua rede mostra até onde você pode ir.” Confira, a seguir, os endereços para ir mais longe.

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O SR. LINKEDIN Formado em computação na californiana Stanford e em filosofia na britânica Oxford, o americano Reid Hoffman já podia fazer parte da história da internet por ter ajudado a vender o Paypal para o eBay. Mas ganhou um lugar de honra no hall da fama da web 2.0 como fundador do LinkedIn, a maior rede social com foco profissional da rede, com mais de 30 milhões de membros. Ele é hoje um dos mais ativos investidores de risco de empresas tech do Vale do Silício, como Facebook, Digg, Flickr, Technorati e Tagged. Veja o que Hoffman, 41 anos, contou a INFO: A idéia - “Depois do PayPal eu estava bem relaxado, mas acreditava que ainda havia muitas oportunidades de usar a internet para melhorar e mudar a vida das pessoas. Decidi focar o lado profissional porque a carreira tem um impacto direto na qualidade de vida. Não há nada de novo no networking. As pessoas apresentam os amigos a outros amigos, mas é difícil saber quem são os amigos dos amigos. No LinkedIn você pode ter acesso a isso e se apresentar a eles.” A melhor imagem - Se você está procurando emprego, tem de estar certo de que está mostrando a melhor imagem possível de si mesmo. Então é preciso ter bom senso. No LinkedIn, só permitimos participações com intenções claras de negócios. Você pode carregar uma foto 3x4, mas não uma foto sua com os amigos em uma festa. Nós escaneamos as fotos dos perfis para ter certeza de que são apropriadas.

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redes sociais I especializadas

O PAPO AQUI É PROFISSIONAL Como aproveitar melhor os recursos das redes sociais focadas no trabalho POR ERIC COSTA

A VIDA ACONTECE NO PLAXO

O

k, você pode até dizer que não tem paciência para o orkut, que acha o MySpace coisa de adolescente ou que jamais levaria seu mouse para o Facebook. Mas aderir a uma rede especializada, como o LinkedIn ou o Plaxo Pulse, não é questão de escolha ou gosto pessoal. É de oportunidade mesmo. Com ferramentas bem sacadas, essas redes permitem montar uma versão incrementada do seu currículo, com referências e depoimentos de colegas de trabalho, além de um histórico profissional, de cursos e interesses. Elas funcionam como uma vitrine online para você. Tem alguém querendo caçar um emprego por aí? As redes sociais especializadas também são úteis para quem vai oferecer trabalho. Dão maior confiabilidade às informações prestadas pelo profissional e permitem fazer buscas por pessoas com conhecimentos específicos. Para ambos os lados, as redes sociais voltadas para o trabalho trazem recursos úteis para tornar mais rápida a entrada e a manutenção de dados. Quase todas permitem, por exemplo, importar contatos de webmails ou aplicativos populares. Vários serviços também contam com sincronia com agendas no PC, o que facilita o networking e a atualização dos dados dos contatos. O INFOLAB testou três redes profissionais: LinkedIn, Plaxo e Naymz. Todas têm opções gratuitas de assinatura, permitindo testar o serviço antes de investir, se preciso, em recursos mais avançados. A Escolha INFO fica com o LinkedIn, que reúne ferramentas eficazes, uma ampla base de usuários e boa aceitação no mundo dos negócios.

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O Plaxo mudou completamente de reputação, passando de um serviço mala, que enviava toneladas de mensagens pedindo atualização de dados, para uma rede social com bons recursos e interface bem bolada. O estilo do Plaxo é mais despojado que o do LinkedIn. Ele se foca nas atividades na web dos contatos, permitindo o cadastro de blogs, sites de hospedagem de fotos e qualquer outro tipo de serviço que possa gerar informações em RSS. Com isso, é possível ficar de olho nas últimas produções de todos os contatos, como fotografias, vídeos, textos ou outro tipo de conteúdo, por meio da ferramenta Pulse. Outro diferencial do Plaxo está nas comunidades, bem mais ativas e personalizáveis que as do LinkedIn, podendo receber vídeos, imagens e enquetes, além de contar com uma URL fácil de lembrar. Mas, em termos profissionais, fica faltando no Plaxo o recurso de recomendação do LinkedIn. Seria bom também se contasse com opções mais avançadas para busca, que permitam delimitar o perfil profissional desejado.

REPUTAÇÃO É TUDO NO NAYMZ Notou que ultimamente aumentaram os convites vindos pelo Naymz na sua caixa de entrada? Pois esse serviço começa a ganhar fama como concorrente do LinkedIn, embora ainda tenha um bom caminho a percorrer, principalmente no número de brasileiros na rede. Além de incorporar recursos como recomendações e histórico profissional, o Naymz aceita canais RSS com fotos, textos e vídeos. O serviço também adiciona o perfil do usuário ao Google, facilitando as buscas pelo seu nome. Uma idéia interessante do Naymz é seu sistema de pontuação, que considera a quantidade de informações no perfil, a aceitação de conexões pelos contatos e as recomendações. Quanto mais pontos, melhor será sua reputação na rede e, provavelmente, mais confiáveis serão suas informações. Como ponto fraco, o Naymz ainda precisa ajustar o visual das páginas, basicão demais e um tanto poluído. Na versão paga, com preço de 10 dólares ao mês, o Naymz mostra o local de origem dos visitantes, elimina propagandas e usa ferramentas mais poderosas de promoção no Google.

O LINKEDIN CONECTA MAIS GENTE Um dos precursores das redes sociais com perfil de trabalho, o LinkedIn continua sendo o carro-chefe da categoria. Traz os melhores recursos e o principal atrativo nesse tipo de serviço: uma grande massa de usuários, que passou de 30 milhões em novembro. Há contas pagas e gratuitas no LinkedIn. Para os profissionais, não há vantagens em passar para uma modalidade paga, já que os recursos extras fazem mais sentido para empresas em busca de candidatos. As contas LinkedIn Business e Business Plus, com preços desde 20 dólares ao mês, permitem enviar e-mail a profissionais com determinado perfil (com conhecimentos de programação numa linguagem, por exemplo), mesmo que não estejam na rede de contatos do usuário. Para quem quer procurar emprego ou fazer networking, o LinkedIn é o endereço certo para não perder tempo e ir direto ao ponto. A começar por sua interface, simples e intuitiva. Basta se logar para conferir de cara na home page as atualizações da sua rede. A ferramenta de busca funciona bem e é o atalho mais rápido para levar você à turma com quem já trabalhou em outras empresas, com pesquisa pelo nome da companhia. Quer chegar até alguém que você não conhece pessoalmente? Clique na ferramenta Introductions para ver quem de sua lista pode apresentá-lo. O LinkedIn também é famoso pelos endorsements, as recomendações, que indicam as qualidades de uma pessoa e ajudam a verificar sua competência, especialmente se o texto veio de uma fonte idônea e experiente. Outro ponto forte do LinkedIn é oferecer uma URL curta, que pode ser enviada como um adicional ao currículo, trazendo informações extras, contatos e as recomendações recebidas. O serviço pode, ainda, divulgar o perfil de seus usuários nas buscas do Yahoo! e do Google, apesar de isso ter uma eficácia duvidosa. O ponto fraco do LinkedIn está no sistema de comunidades, que fica atrás dos concorrentes em recursos e em participação.

ESCOLHA 6/08

CENTRAIS DE NETWORKING Naymz

Plaxo Pulse

LinkedIn

FABRICANTE

Viable Ventures

Plaxo

LinkedIn

PARTICIPANTES B MILHÕES DE INSCRITOS B BRASILEIROS(3)

5,5 3 (1)

8,5 17 (2)

8,7 30

CADASTRO DE INFORMAÇÕES

8,5 Importação de contatos de webmail, histórico profissional, canais RSS

8,0 Importação de contatos de webmail, canais RSS

8,5 Importação de contatos de webmail, histórico profissional

GERENCIAMENTO DE CONTATOS B INTEGRAÇÃO COM APLICATIVOS

7,3

8,5

7,5

Outlook

Outlook e Windows Mobile

Outlook

RECOMENDAÇÕES

8,0 Recomendações sobre colegas de trabalho e mensagens

7,5 Permite mensagens sobre contatos, mas não recomendações

8,5 Recomendações sobre colegas de trabalho e mensagens

FACILIDADE DE USO B INTERFACE COM O USUÁRIO

6,0 Estilo básico, com alguma poluição visual

8,0 Tem visual elegante

8,5 Acesso rápido aos principais recursos

PREÇO (R$)

Grátis

Grátis

Grátis

ONDE ENCONTRAR

www.naymz.com

www.plaxo.com

www.linkedin.com

AVALIAÇÃO TÉCNICA(4) CUSTO/BENEFÍCIO

7,0

8,0

8,2

(1) DADOS DE MAIO DE 2008 (2) DADOS DE AGOSTO DE 2008 (3) PARTICIPAÇÃO DE BRASILEIROS: - ESCASSA, - REGULAR, – ABUNDANTE (4) MÉDIA PONDERADA CONSIDERANDO OS SEGUINTES ITENS E RESPECTIVOS PESOS: PARTICIPANTES (30%), CADASTRO DE INFORMAÇÕES (20%), GERENCIAMENTO DE CONTATOS (20%), RECOMENDAÇÕES (20%) E FACILIDADE DE USO (10%). OS SERVIÇOS LINKEDIN E PLAXO PULSE RECEBERAM DECRÉSCIMO DE 0,2 PONTO NA AVALIAÇÃO TÉCNICA PELO MAU DESEMPENHO DAS RESPECTIVAS EMPRESAS NA PESQUISA INFO DE MARCAS 2008

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redes sociais I especializadas

O PAPO AQUI É PROFISSIONAL Como aproveitar melhor os recursos das redes sociais focadas no trabalho POR ERIC COSTA

A VIDA ACONTECE NO PLAXO

O

k, você pode até dizer que não tem paciência para o orkut, que acha o MySpace coisa de adolescente ou que jamais levaria seu mouse para o Facebook. Mas aderir a uma rede especializada, como o LinkedIn ou o Plaxo Pulse, não é questão de escolha ou gosto pessoal. É de oportunidade mesmo. Com ferramentas bem sacadas, essas redes permitem montar uma versão incrementada do seu currículo, com referências e depoimentos de colegas de trabalho, além de um histórico profissional, de cursos e interesses. Elas funcionam como uma vitrine online para você. Tem alguém querendo caçar um emprego por aí? As redes sociais especializadas também são úteis para quem vai oferecer trabalho. Dão maior confiabilidade às informações prestadas pelo profissional e permitem fazer buscas por pessoas com conhecimentos específicos. Para ambos os lados, as redes sociais voltadas para o trabalho trazem recursos úteis para tornar mais rápida a entrada e a manutenção de dados. Quase todas permitem, por exemplo, importar contatos de webmails ou aplicativos populares. Vários serviços também contam com sincronia com agendas no PC, o que facilita o networking e a atualização dos dados dos contatos. O INFOLAB testou três redes profissionais: LinkedIn, Plaxo e Naymz. Todas têm opções gratuitas de assinatura, permitindo testar o serviço antes de investir, se preciso, em recursos mais avançados. A Escolha INFO fica com o LinkedIn, que reúne ferramentas eficazes, uma ampla base de usuários e boa aceitação no mundo dos negócios.

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O Plaxo mudou completamente de reputação, passando de um serviço mala, que enviava toneladas de mensagens pedindo atualização de dados, para uma rede social com bons recursos e interface bem bolada. O estilo do Plaxo é mais despojado que o do LinkedIn. Ele se foca nas atividades na web dos contatos, permitindo o cadastro de blogs, sites de hospedagem de fotos e qualquer outro tipo de serviço que possa gerar informações em RSS. Com isso, é possível ficar de olho nas últimas produções de todos os contatos, como fotografias, vídeos, textos ou outro tipo de conteúdo, por meio da ferramenta Pulse. Outro diferencial do Plaxo está nas comunidades, bem mais ativas e personalizáveis que as do LinkedIn, podendo receber vídeos, imagens e enquetes, além de contar com uma URL fácil de lembrar. Mas, em termos profissionais, fica faltando no Plaxo o recurso de recomendação do LinkedIn. Seria bom também se contasse com opções mais avançadas para busca, que permitam delimitar o perfil profissional desejado.

REPUTAÇÃO É TUDO NO NAYMZ Notou que ultimamente aumentaram os convites vindos pelo Naymz na sua caixa de entrada? Pois esse serviço começa a ganhar fama como concorrente do LinkedIn, embora ainda tenha um bom caminho a percorrer, principalmente no número de brasileiros na rede. Além de incorporar recursos como recomendações e histórico profissional, o Naymz aceita canais RSS com fotos, textos e vídeos. O serviço também adiciona o perfil do usuário ao Google, facilitando as buscas pelo seu nome. Uma idéia interessante do Naymz é seu sistema de pontuação, que considera a quantidade de informações no perfil, a aceitação de conexões pelos contatos e as recomendações. Quanto mais pontos, melhor será sua reputação na rede e, provavelmente, mais confiáveis serão suas informações. Como ponto fraco, o Naymz ainda precisa ajustar o visual das páginas, basicão demais e um tanto poluído. Na versão paga, com preço de 10 dólares ao mês, o Naymz mostra o local de origem dos visitantes, elimina propagandas e usa ferramentas mais poderosas de promoção no Google.

O LINKEDIN CONECTA MAIS GENTE Um dos precursores das redes sociais com perfil de trabalho, o LinkedIn continua sendo o carro-chefe da categoria. Traz os melhores recursos e o principal atrativo nesse tipo de serviço: uma grande massa de usuários, que passou de 30 milhões em novembro. Há contas pagas e gratuitas no LinkedIn. Para os profissionais, não há vantagens em passar para uma modalidade paga, já que os recursos extras fazem mais sentido para empresas em busca de candidatos. As contas LinkedIn Business e Business Plus, com preços desde 20 dólares ao mês, permitem enviar e-mail a profissionais com determinado perfil (com conhecimentos de programação numa linguagem, por exemplo), mesmo que não estejam na rede de contatos do usuário. Para quem quer procurar emprego ou fazer networking, o LinkedIn é o endereço certo para não perder tempo e ir direto ao ponto. A começar por sua interface, simples e intuitiva. Basta se logar para conferir de cara na home page as atualizações da sua rede. A ferramenta de busca funciona bem e é o atalho mais rápido para levar você à turma com quem já trabalhou em outras empresas, com pesquisa pelo nome da companhia. Quer chegar até alguém que você não conhece pessoalmente? Clique na ferramenta Introductions para ver quem de sua lista pode apresentá-lo. O LinkedIn também é famoso pelos endorsements, as recomendações, que indicam as qualidades de uma pessoa e ajudam a verificar sua competência, especialmente se o texto veio de uma fonte idônea e experiente. Outro ponto forte do LinkedIn é oferecer uma URL curta, que pode ser enviada como um adicional ao currículo, trazendo informações extras, contatos e as recomendações recebidas. O serviço pode, ainda, divulgar o perfil de seus usuários nas buscas do Yahoo! e do Google, apesar de isso ter uma eficácia duvidosa. O ponto fraco do LinkedIn está no sistema de comunidades, que fica atrás dos concorrentes em recursos e em participação.

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CENTRAIS DE NETWORKING Naymz

Plaxo Pulse

LinkedIn

FABRICANTE

Viable Ventures

Plaxo

LinkedIn

PARTICIPANTES B MILHÕES DE INSCRITOS B BRASILEIROS(3)

5,5 3 (1)

8,5 17 (2)

8,7 30

CADASTRO DE INFORMAÇÕES

8,5 Importação de contatos de webmail, histórico profissional, canais RSS

8,0 Importação de contatos de webmail, canais RSS

8,5 Importação de contatos de webmail, histórico profissional

GERENCIAMENTO DE CONTATOS B INTEGRAÇÃO COM APLICATIVOS

7,3

8,5

7,5

Outlook

Outlook e Windows Mobile

Outlook

RECOMENDAÇÕES

8,0 Recomendações sobre colegas de trabalho e mensagens

7,5 Permite mensagens sobre contatos, mas não recomendações

8,5 Recomendações sobre colegas de trabalho e mensagens

FACILIDADE DE USO B INTERFACE COM O USUÁRIO

6,0 Estilo básico, com alguma poluição visual

8,0 Tem visual elegante

8,5 Acesso rápido aos principais recursos

PREÇO (R$)

Grátis

Grátis

Grátis

ONDE ENCONTRAR

www.naymz.com

www.plaxo.com

www.linkedin.com

AVALIAÇÃO TÉCNICA(4) CUSTO/BENEFÍCIO

7,0

8,0

8,2

(1) DADOS DE MAIO DE 2008 (2) DADOS DE AGOSTO DE 2008 (3) PARTICIPAÇÃO DE BRASILEIROS: - ESCASSA, - REGULAR, – ABUNDANTE (4) MÉDIA PONDERADA CONSIDERANDO OS SEGUINTES ITENS E RESPECTIVOS PESOS: PARTICIPANTES (30%), CADASTRO DE INFORMAÇÕES (20%), GERENCIAMENTO DE CONTATOS (20%), RECOMENDAÇÕES (20%) E FACILIDADE DE USO (10%). OS SERVIÇOS LINKEDIN E PLAXO PULSE RECEBERAM DECRÉSCIMO DE 0,2 PONTO NA AVALIAÇÃO TÉCNICA PELO MAU DESEMPENHO DAS RESPECTIVAS EMPRESAS NA PESQUISA INFO DE MARCAS 2008

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redes sociais I genéricas

O ORKUT DÁ TRABALHO Veja como aproveitar as redes sociais genéricas para melhorar seu networking profissional POR ERIC COSTA

V

ocê ainda encara redes sociais como o orkut, o Facebook, o MySpace e o Flickr como mera diversão? Então, pare um minuto para dar uma olhadinha em sua rede de contatos. É bem provável que você encontre colegas com quem trabalhou e amigos da faculdade bem colocados no mercado. Entendeu o recado? Embora não tenham vocação 100% profissional, a eficácia dessas redes não fica só nos contatos. Algumas empresas usam a rede para monitorar candidatos e encontrar novos

talentos. Um bom perfil nesses sites, aliado à participação em comunidades com temas profissionais, pode atrair boas oportunidades. Quem trabalha em áreas mais artísticas da TI ainda pode usar os sites sociais para divulgar trabalhos visuais ou musicais. Veja, a seguir, como aumentar suas chances de conseguir um trampo nos mais populares sites sociais — orkut, Facebook, MySpace e Flickr. A Escolha INFO fica com o orkut pela popularidade no Brasil e a abundância de comunidades ligadas à tecnologia.

SIM, O ORKUT É BRASILEIRO Bastam alguns cliques no orkut para acreditar que ele é uma criação brasileira. Sobraram raríssimos traços de seu DNA americano depois que o site foi invadido por nós. Segundo as estatísticas do orkut, os brasileiros são 51% dos usuários. Mas a porcentagem real é maior. Quantos amigos da sua lista se dizem moradores de lugares como Estônia, Índia ou Groenlândia? No lado das ferramentas, não há muita coisa específica para uso na carreira. Dá para preencher um perfil profissional, mas faltam recursos melhores para localizar colegas do trabalho e da faculdade. Para isso, o jeito é se cadastrar nas comunidades e fuçar de página em página, ou pesquisar por nome. É nas comunidades que está a maior força do orkut. Com um público forte e presente nessas salas, é possível mostrar o talento nas discussões sobre temas relativos ao trabalho ou selecionar um possível candidato com base em suas contribuições. Nas comunidades de tecnologia também aparecem ofertas ocasionais de estágio e de trabalho.

SORRIA PARA O FLICKR Como usar o Flickr, o popular serviço de hospedagem de fotos, para trabalho? Para quem é fotógrafo, ilustrador ou designer, por exemplo, criar um portfólio no Flickr pode ser uma ótima idéia. O Flickr traz as principais vantagens das redes sociais, como comunidades e criação de perfil de usuário, além de incluir recursos que facilitam a divulgação de novidades, como o uso de RSS para avisar quando há novas fotos e imagens. O Flickr também tem ferramentas para publicar widgets que mostram as fotos num blog ou página. As comunidades do Flickr são básicas, mas podem receber mensagens dos usuários além de, claro, fotos. Mandar uma imagem para o grupo é fácil e isso pode ser feito automaticamente durante o upload. A marcação geográfica da imagem também pode ser útil para o trabalho — quando uma empresa precisa de um fotógrafo naquela região, por exemplo. Recentemente, a rede passou a aceitar vídeos, mas existe um boicote dos usuários para que não vire uma espécie de YouTube.

O FACEBOOK TEM DUAS FACES Apesar de ser uma rede social geral, não voltada especificamente para o uso profissional, o Facebook fica em algum lugar entre o orkut e o LinkedIn. Tem foco tanto na vida acadêmica e de trabalho quanto na diversão. As buscas no Facebook são mais detalhadas que no orkut, indicando o campo onde houve a correspondência, o que ajuda a limitar os resultados. Mas o recurso mais bacana, de procurar diretamente pessoas pela empresa onde trabalharam ou o local onde estudaram, não funciona bem para os brasileiros, já que há poucas organizações do Brasil cadastradas no Facebook. Um ponto forte do site está nos seus aplicativos. Eles contam com opções interessantes para fazer pesquisas entre os contatos cadastrados e mantê-los atualizados sobre suas atividades. Há aplicativos inclusive para a criação de testemunhos de colegas de trabalho, que podem ser uma ferramenta forte para dar mais segurança a uma empresa que visite seu perfil no Facebook antes de contratá-lo.

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redes sociais I genéricas

O ORKUT DÁ TRABALHO Veja como aproveitar as redes sociais genéricas para melhorar seu networking profissional POR ERIC COSTA

V

ocê ainda encara redes sociais como o orkut, o Facebook, o MySpace e o Flickr como mera diversão? Então, pare um minuto para dar uma olhadinha em sua rede de contatos. É bem provável que você encontre colegas com quem trabalhou e amigos da faculdade bem colocados no mercado. Entendeu o recado? Embora não tenham vocação 100% profissional, a eficácia dessas redes não fica só nos contatos. Algumas empresas usam a rede para monitorar candidatos e encontrar novos

talentos. Um bom perfil nesses sites, aliado à participação em comunidades com temas profissionais, pode atrair boas oportunidades. Quem trabalha em áreas mais artísticas da TI ainda pode usar os sites sociais para divulgar trabalhos visuais ou musicais. Veja, a seguir, como aumentar suas chances de conseguir um trampo nos mais populares sites sociais — orkut, Facebook, MySpace e Flickr. A Escolha INFO fica com o orkut pela popularidade no Brasil e a abundância de comunidades ligadas à tecnologia.

SIM, O ORKUT É BRASILEIRO Bastam alguns cliques no orkut para acreditar que ele é uma criação brasileira. Sobraram raríssimos traços de seu DNA americano depois que o site foi invadido por nós. Segundo as estatísticas do orkut, os brasileiros são 51% dos usuários. Mas a porcentagem real é maior. Quantos amigos da sua lista se dizem moradores de lugares como Estônia, Índia ou Groenlândia? No lado das ferramentas, não há muita coisa específica para uso na carreira. Dá para preencher um perfil profissional, mas faltam recursos melhores para localizar colegas do trabalho e da faculdade. Para isso, o jeito é se cadastrar nas comunidades e fuçar de página em página, ou pesquisar por nome. É nas comunidades que está a maior força do orkut. Com um público forte e presente nessas salas, é possível mostrar o talento nas discussões sobre temas relativos ao trabalho ou selecionar um possível candidato com base em suas contribuições. Nas comunidades de tecnologia também aparecem ofertas ocasionais de estágio e de trabalho.

SORRIA PARA O FLICKR Como usar o Flickr, o popular serviço de hospedagem de fotos, para trabalho? Para quem é fotógrafo, ilustrador ou designer, por exemplo, criar um portfólio no Flickr pode ser uma ótima idéia. O Flickr traz as principais vantagens das redes sociais, como comunidades e criação de perfil de usuário, além de incluir recursos que facilitam a divulgação de novidades, como o uso de RSS para avisar quando há novas fotos e imagens. O Flickr também tem ferramentas para publicar widgets que mostram as fotos num blog ou página. As comunidades do Flickr são básicas, mas podem receber mensagens dos usuários além de, claro, fotos. Mandar uma imagem para o grupo é fácil e isso pode ser feito automaticamente durante o upload. A marcação geográfica da imagem também pode ser útil para o trabalho — quando uma empresa precisa de um fotógrafo naquela região, por exemplo. Recentemente, a rede passou a aceitar vídeos, mas existe um boicote dos usuários para que não vire uma espécie de YouTube.

O FACEBOOK TEM DUAS FACES Apesar de ser uma rede social geral, não voltada especificamente para o uso profissional, o Facebook fica em algum lugar entre o orkut e o LinkedIn. Tem foco tanto na vida acadêmica e de trabalho quanto na diversão. As buscas no Facebook são mais detalhadas que no orkut, indicando o campo onde houve a correspondência, o que ajuda a limitar os resultados. Mas o recurso mais bacana, de procurar diretamente pessoas pela empresa onde trabalharam ou o local onde estudaram, não funciona bem para os brasileiros, já que há poucas organizações do Brasil cadastradas no Facebook. Um ponto forte do site está nos seus aplicativos. Eles contam com opções interessantes para fazer pesquisas entre os contatos cadastrados e mantê-los atualizados sobre suas atividades. Há aplicativos inclusive para a criação de testemunhos de colegas de trabalho, que podem ser uma ferramenta forte para dar mais segurança a uma empresa que visite seu perfil no Facebook antes de contratá-lo.

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SOM E VÍDEO É COM O MYSPACE O MySpace vem ganhando espaço como uma boa ferramenta de promoção para quem trabalha no mundo artístico, devido a sua facilidade para receber músicas e vídeos. No mundo de TI, pode ser uma boa para profissionais que unem arte e tecnologia, como webdesigners, criadores de conteúdo em 3D e de edição de som. Uma vantagem do MySpace em relação aos concorrentes está na possibilidade de personalização da página de usuário, com imagens de fundo, padrões em CSS e outros recursos que tornam o visual ainda mais individualizado. Indicar o perfil no MySpace acaba sendo uma opção interessante, já que não passa a idéia de uma página genérica, sem criatividade e igual a de todos os outros usuários. Uma deficiência está nas comunidades — básicas e com opções simples de busca.

ESCOLHA 6/08

PONTOS DE ENCONTRO ONLINE Facebook

MySpace

Flickr

FABRICANTE

Facebook

MySpace

Yahoo!

Google

PARTICIPANTES B MILHÕES DE INSCRITOS B BRASILEIROS(2)

7,0 70 (1)

7,5 122

7,5 30 (1)

8,5 60 (1)

CADASTRO DE INFORMAÇÕES

8,5 Dados acadêmicos e profissionais, busca de pessoas por organização

8,0 6,6 Informações profissionais Apenas informações básicas e acadêmicas

7,8 Dados profissionais e acadêmicos, informações por RSS

COMUNIDADES

8,5 Possibilita enviar vídeos, fotos e anúncios

6,5 As comunidades são básicas

8,0 Os recursos são básicos, mas a participação é maciça

FACILIDADE DE USO B INTERFACE COM O USUÁRIO

8,0 Pode ficar poluída se forem usados muitos aplicativos

7,8 8,0 Requer cuidado com as Limpa e objetiva, apesar de personalizações para um pouco espartana não ficar poluída demais

8,5 Visual colorido e controles fáceis de ser descobertos

PREÇO (R$)

Grátis

Grátis

Grátis

Grátis

ONDE ENCONTRAR

www.facebook.com

www.myspace.com

www.flickr.com

www.orkut.com

(3)

AVALIAÇÃO TÉCNICA CUSTO/BENEFÍCIO

8,0

7,4

orkut

7,8 Tem opções sólidas para compartilhar imagens

7,4

8,3

(1) DADOS DE MAIO DE 2008 (2) PARTICIPAÇÃO DE BRASILEIROS: – ESCASSA, – REGULAR, – ABUNDANTE (3) MÉDIA PONDERADA CONSIDERANDO OS SEGUINTES ITENS E RESPECTIVOS PESOS: PARTICIPANTES (30%), CADASTRO DE INFORMAÇÕES (30%), COMUNIDADES (30%) E FACILIDADE DE USO (10%). O ORKUT RECEBEU ACRÉSCIMO DE 0,2 PONTO NA AVALIAÇÃO TÉCNICA PELO BOM DESEMPENHO DO GOOGLE NA PESQUISA INFO DE MARCAS 2008

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redes sociais I comunidades

10 COMUNIDADES QUE PEGAM BEM Como usar as salas de discussão do orkut para dar um upgrade na carreira POR JULIANO BARRETO

M

ilhões de comunidades habitam as páginas do orkut. Não dá a mínima para nenhuma delas? Deveria. A INFO selecionou dez endereços onde o papo é pura tecnologia, sem espaço para discutir banalidades. São comunidades que podem ajudar você a se manter atualizado na carreira, impressionar quem visita seu perfil e até descolar uma vaga. Confira:

JAVA-BR 1

(36 mil membros)

www.orkut.com/community.aspx?cmm=197066

O Java é como o jeans básico, nunca sai de moda. Essa movimentadaa comunidade serve como ponto de encontro para quem quer aprender maiss a respeito da linguagem de programação, das frameworks, buscar tutoriaiss de J2EE e JDK, além de anunciar e conferir vagas de emprego. Dentro do o mundo Java, também vale visitar a comunidade Certificação Java, em m www.orkut.com/community.aspx?cmm=1882511.

BRASIL 2 PHP (25 mil membros) www.orkut.com/community.aspx?cmm=19610

Muito se fala de Ajax e Ruby on Rails, mas profissionais com conhecimento em PHP continuam sendo procurados com freqüência. Nessa comunidade, o ponto alto são as discussões sobre SQL, segurança e hospedagem. Também vale ficar de olho no bate-papo off-topic, que traz notícias a respeito das novidades da área de programação e debate as tendências de outras linguagens para web, como o JavaScript.

MIT 3

(3 500 membros, em inglês)

www.orkut.com/community.aspx?cmm=9330

Tudo o que rola de mais moderno no mundo da tecnologia sempre começa ou passa pelo Massachusetts Institute of Technology. Por isso, acompanhar essa comunidade de perto pega bem. Para os brasileiros que sonham em ingressar no MIT há um grupo específico, o “MIT — Brasil”, no endereço www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7772114.

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COMUNIDADES PARA IMPRESSIONAR (MESMO)

BRASIL 6 FLASH (24 mil membros)

Endereços que todo chefe gostaria de ver no orkut dos funcionários

www.orkut.com/community.aspx?cmm=24844

A Adobe usa cada vez mais o Flash como base para programação de serviços web no desktop e para publicação de vídeo via streaming. Para ficar antenado nessas tendências, freqüentar a comunidade Flash Brasil é uma boa idéia. O espaço também serve como vitrine de sites interessantes feitos em Flash e traz links para tutoriais, ensinando a usar melhor as ferramentas multimídia das mais recentes versões da linguagen ActionScript.

Robótica & I.A Programação de máquinas inteligentes é sua praia? Então você encontrou sua turma. www.orkut.com/community. aspx?cmm=453055

4 REDES DE

COMPUTADORES

(21 mil membros) www.orkut.com/communit.aspx?cmm=238222

Redes Neurais Manja RNA? Então essa é sua comunidade. www.orkut.com/community. aspx?cmm=31700

A própria descrição da comunidade já resume bem o clima das discussões, convocando os foristas que “vivem, dormem e sonham com redes”. Nos tópicos, os usuários trocam dicas de artigos técnicos e solucionam problemas com configuração de equipamentos, instalação de Wi-Fi, appliances e políticas de segurança.

COMPUTAÇÃO E EMPREGO 7 (10 mil membros) www.orkut.com/community.aspx?cmm=49709

Quem está empregado, ou não, pode usar essa comunidade como termômetro do mercado de trabalho em TI. Baseada em uma lista de e-mails que começou em 2002, o grupo reúne ofertas de emprego para vários setores e perfis profissionais. É útil também para se manter atualizado com a média de salários. Pena que para chegar às vagas é preciso enfrentar uma certa dose de spam.

Algoritmos Soluções para problemas clássicos (e não clássicos).

BRASIL 8 LINUX (48 mil membros)

www.orkut.com/community. aspx?cmm=402026

www.orkut.com/community.aspx?cmm=19968

Grande central dos linuxistas do orkut, a comunidade, com seus oito administradores, traz uma organização rara de se ver em fóruns de discussão sobre software livre. Há tópicos que cobrem desde a compilação do kernel até a configuração de conexões Wi-Fi, passando por respostas para as dúvidas mais comuns dos usuários iniciantes e intermediários.

Nanotecnologia Brasil Nanocompósitos, chips e outras pequenas maravilhas modernas. www.orkut.com/community. aspx?cmm=64761

Lógica Fuzzy Valores lógicos intermediários entre a falsidade e a verdade.

BRASIL 5 MCP (5 100 membros) www.orkut.com/community.aspx?cmm=65057

Quem ralou para conseguir ser um profissional certificado da Microsoft deve mostrar isso no seu orkut. E quem ainda não chegou lá pode usar essa comunidade para obter orientações e material didático, como simulados de provas. Empresas que estão procurando profissionais com MCP (Microsoft Certified Professional) freqüentemente criam tópicos avisando das vagas.

www.orkut.com/community. aspx?cmm=3780553

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COMUNIDADES PARA IMPRESSIONAR (MESMO)

BRASIL 6 FLASH (24 mil membros)

Endereços que todo chefe gostaria de ver no orkut dos funcionários

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A Adobe usa cada vez mais o Flash como base para programação de serviços web no desktop e para publicação de vídeo via streaming. Para ficar antenado nessas tendências, freqüentar a comunidade Flash Brasil é uma boa idéia. O espaço também serve como vitrine de sites interessantes feitos em Flash e traz links para tutoriais, ensinando a usar melhor as ferramentas multimídia das mais recentes versões da linguagen ActionScript.

Robótica & I.A Programação de máquinas inteligentes é sua praia? Então você encontrou sua turma. www.orkut.com/community. aspx?cmm=453055

4 REDES DE

COMPUTADORES

(21 mil membros) www.orkut.com/communit.aspx?cmm=238222

Redes Neurais Manja RNA? Então essa é sua comunidade. www.orkut.com/community. aspx?cmm=31700

A própria descrição da comunidade já resume bem o clima das discussões, convocando os foristas que “vivem, dormem e sonham com redes”. Nos tópicos, os usuários trocam dicas de artigos técnicos e solucionam problemas com configuração de equipamentos, instalação de Wi-Fi, appliances e políticas de segurança.

COMPUTAÇÃO E EMPREGO 7 (10 mil membros) www.orkut.com/community.aspx?cmm=49709

Quem está empregado, ou não, pode usar essa comunidade como termômetro do mercado de trabalho em TI. Baseada em uma lista de e-mails que começou em 2002, o grupo reúne ofertas de emprego para vários setores e perfis profissionais. É útil também para se manter atualizado com a média de salários. Pena que para chegar às vagas é preciso enfrentar uma certa dose de spam.

Algoritmos Soluções para problemas clássicos (e não clássicos).

BRASIL 8 LINUX (48 mil membros)

www.orkut.com/community. aspx?cmm=402026

www.orkut.com/community.aspx?cmm=19968

Grande central dos linuxistas do orkut, a comunidade, com seus oito administradores, traz uma organização rara de se ver em fóruns de discussão sobre software livre. Há tópicos que cobrem desde a compilação do kernel até a configuração de conexões Wi-Fi, passando por respostas para as dúvidas mais comuns dos usuários iniciantes e intermediários.

Nanotecnologia Brasil Nanocompósitos, chips e outras pequenas maravilhas modernas. www.orkut.com/community. aspx?cmm=64761

Lógica Fuzzy Valores lógicos intermediários entre a falsidade e a verdade.

BRASIL 5 MCP (5 100 membros) www.orkut.com/community.aspx?cmm=65057

Quem ralou para conseguir ser um profissional certificado da Microsoft deve mostrar isso no seu orkut. E quem ainda não chegou lá pode usar essa comunidade para obter orientações e material didático, como simulados de provas. Empresas que estão procurando profissionais com MCP (Microsoft Certified Professional) freqüentemente criam tópicos avisando das vagas.

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FIQUE LONGE DESSES GRUPOS Uma seleção de comunidades que queimam seu filme em tecnologia

Eu odeio Linux A turma do Eu Odeio é sempre perigosa nas comunidades. Ainda mais se o alvo da ira for o sistema operacional Linux. www.orkut.com/community. aspx?cmm=362696

Eu jogo CS no Trampo

BRASIL 9 WEB (7 700 membros) www.orkut.com/community.aspx?cmm=19106

É o lugar para pedir ajuda quando pintarem dúvidas a respeito de CSS, HTML, JavaScript, Ajax, hospedagem, MySQL e, de quebra, conferir vagas para programadores web. Quem cria sites também deve acompanhar com atenção as comunidades “Usabilidade” (www.orkut.com/community. aspx?cmm=38741) e “Tableless WebStandards Brasil” (www.orkut.com/community.aspx?cmm=40383).

WORLD 10 SAP (18 mil membros, em inglês) www.orkut.com/community.aspx?cmm=16151428

Dominar o sistema ERP da SAP continua sendo um tremendo diferencial de emprego. Nessa comunidade é possível conversar com especialistas sobre o mundo dos consultores SAP, encontrar e-books com material preparatório para as provas das certificações e também conferir o vaivém do mercado internacional. Há ainda uma movimentada comunidade em português, a SAP Brasil (www.orkut.com/community.aspx?cmm=76454 ).

Ainda são raras as que incentivam os funcionários a jogar durante o expediente. A menos que você trabalhe numa empresa de games ou tenha a sorte de atuar numa companhia muito moderninha (ou, ainda, queira irritar seu chefe), esqueça essa comunidade. www.orkut.com/community. aspx?cmm=362696

Eu odeio matemática OK, muita gente realmente odeia números, mas programação é uma ciência exata que exige pensamento lógico. Não convém, portanto, entregar-se tão facilmente. www.orkut.com/community. aspx?cmm=82320

Eu já bati no meu computador Nem sempre o senso de humor do outro lado da tela é igual ao seu. Na dúvida, não arrisque pela piada. www.orkut.com/community. aspx?cmm=878079

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currículo I português

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PECADOS DE UM CURRÍCULO

Que tipos de erro costumam fechar as portas nas empresas de tecnologia? POR DEBORAH TREVIZAN

a o garante -feito nã m e a b in lo ícu ão elim Um curr menos n lo e ip e s a ,m na prim sua vaga didatos n a c o e d d a lista , cuid você da Por isso . o ã ç le e e da s eno d sra etapa um pequ ta s a B r. erra sar para para não s de pas e c n a h c suas m. Você lize e as evapora ta is v e a entr ara capa fase d gundos p e s s o im quíss as o que tem pou tenção. M a a r) e perd am em logia lev turar (ou o n c te e sas d as empre ? currículo m u conta n

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Para entrar no Google, a ordem é especificar e detalhar as ferramentas utilizadas, pontuar os projetos de atuação e o nível de envolvimento. “As pessoas costumam colocar de maneira geral o que é específico”, diz Deli Matsuo, diretor de recursos humanos para a América Latina do Google. Como a empresa utiliza banco de dados para buscar possíveis candidatos, as tecnologias se tornam decisivas. Se o Google procurar um profissional com conhecimento em Java, por exemplo, somente os candidatos que usaram essa palavra no currículo serão listados no resultado da busca. Mas não confunda informações específicas com desnecessárias. O curso básico de Office ou a visita a uma empresa de tecnologia devem ser deletados. Informações como RG e CPF também podem sair de cena, a menos que sejam pedidos durante a seleção. Com o objetivo de evitar descuidos como esse, há quem pense em currículos personalizados. “O ideal é ter dois currículos, um sucinto e específico para vagas mais definidas e outro mais genérico e maior para enviar às empresas em geral”, diz Marcelo Braga, da consultoria em Recursos Humanos Search. Ele cita também a informação sobre a fluência em língua estrangeira como uma zona de perigo. Mentir no currículo é muito ruim para o profissional, mas nesse caso é ainda pior, pois numa primeira entrevista a mentira será descoberta. “O melhor é ser sincero e poupar o tempo do candidato e do selecionador”, diz.

Assim como as mentiras, a pretensão salarial também está vetada. Nem pense em incluir no currículo o quanto quer ganhar. “Essa área requer profissionais com a capacidade de visão de negócio, cuja remuneração está alinhada à demanda do projeto”, afirma Fátima Domingues, consultora de recrutamento e seleção da Manager. Além disso, cuidado com o e-mail que vai deixar para contato. Procure deixar um endereço que você acesse com freqüência e que não mudará no longo prazo. Pense que seu currículo pode ser selecionado depois de meses (ou até anos) e se a empresa não conseguir contatá-lo você perderá a chance de concorrer à vaga. E, acredite, isso acontece até no Google.

OBJETIVOS CLAROS Antes de começar a produzir seu currículo, esteja certo do seu objetivo profissional. “Faça uma avaliação do papel que pretende desempenhar na empresa”, diz Irene Azevedo, sócia associada da Kienbaum — Keseberg & Partner. E quando souber, seja muito claro ao descrevê-lo no currículo. A clareza das informações também é importante ao detalhar o que fez em empregos anteriores. Tente ser objetivo sem usar um vocabulário muito técnico. Lembre-se de que o primeiro contato, na sua maioria, é com alguém do RH e não da área técnica. “O profissional deve chamar a atenção do avaliador e despertar interesse para uma entrevista técnica”, diz Fátima Domingues, da Manager.

O QUE ESCREVER NO CURRÍCULO? Numa seleção, os gestores querem saber o quanto o candidato se envolveu, as decisões que tomou e os projetos que executou em trabalhos anteriores. Mas como colocar isso num currículo? Marcos Haniu, consultor da Authent, empresa de recrutamento executivo, dá as dicas:

✔ Escreva sobre os projetos que implementou em empregos anteriores. Se não começou do zero, detalhe as atualizações e as manutenções que foram feitas, citando também a tecnologia utilizada, como banco de dados e linguagem de programação.

✔ Quando mencionar os projetos dos quais participou, informe quem foram os parceiros envolvidos, qual foi o orçamento e em quanto tempo ocorreu a implementação.

✔ Cite o quanto a empresa ganhou financeiramente e quantas pessoas estavam sob sua liderança (se houver). ✔ Informações sobre as dificuldades encontradas e as respectivas soluções também são bem-vindas. DIC A S INFO I 27

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currículo I português

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PECADOS DE UM CURRÍCULO

Que tipos de erro costumam fechar as portas nas empresas de tecnologia? POR DEBORAH TREVIZAN

a o garante -feito nã m e a b in lo ícu ão elim Um curr menos n lo e ip e s a ,m na prim sua vaga didatos n a c o e d d a lista , cuid você da Por isso . o ã ç le e e da s eno d sra etapa um pequ ta s a B r. erra sar para para não s de pas e c n a h c suas m. Você lize e as evapora ta is v e a entr ara capa fase d gundos p e s s o im quíss as o que tem pou tenção. M a a r) e perd am em logia lev turar (ou o n c te e sas d as empre ? currículo m u conta n

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Para entrar no Google, a ordem é especificar e detalhar as ferramentas utilizadas, pontuar os projetos de atuação e o nível de envolvimento. “As pessoas costumam colocar de maneira geral o que é específico”, diz Deli Matsuo, diretor de recursos humanos para a América Latina do Google. Como a empresa utiliza banco de dados para buscar possíveis candidatos, as tecnologias se tornam decisivas. Se o Google procurar um profissional com conhecimento em Java, por exemplo, somente os candidatos que usaram essa palavra no currículo serão listados no resultado da busca. Mas não confunda informações específicas com desnecessárias. O curso básico de Office ou a visita a uma empresa de tecnologia devem ser deletados. Informações como RG e CPF também podem sair de cena, a menos que sejam pedidos durante a seleção. Com o objetivo de evitar descuidos como esse, há quem pense em currículos personalizados. “O ideal é ter dois currículos, um sucinto e específico para vagas mais definidas e outro mais genérico e maior para enviar às empresas em geral”, diz Marcelo Braga, da consultoria em Recursos Humanos Search. Ele cita também a informação sobre a fluência em língua estrangeira como uma zona de perigo. Mentir no currículo é muito ruim para o profissional, mas nesse caso é ainda pior, pois numa primeira entrevista a mentira será descoberta. “O melhor é ser sincero e poupar o tempo do candidato e do selecionador”, diz.

Assim como as mentiras, a pretensão salarial também está vetada. Nem pense em incluir no currículo o quanto quer ganhar. “Essa área requer profissionais com a capacidade de visão de negócio, cuja remuneração está alinhada à demanda do projeto”, afirma Fátima Domingues, consultora de recrutamento e seleção da Manager. Além disso, cuidado com o e-mail que vai deixar para contato. Procure deixar um endereço que você acesse com freqüência e que não mudará no longo prazo. Pense que seu currículo pode ser selecionado depois de meses (ou até anos) e se a empresa não conseguir contatá-lo você perderá a chance de concorrer à vaga. E, acredite, isso acontece até no Google.

OBJETIVOS CLAROS Antes de começar a produzir seu currículo, esteja certo do seu objetivo profissional. “Faça uma avaliação do papel que pretende desempenhar na empresa”, diz Irene Azevedo, sócia associada da Kienbaum — Keseberg & Partner. E quando souber, seja muito claro ao descrevê-lo no currículo. A clareza das informações também é importante ao detalhar o que fez em empregos anteriores. Tente ser objetivo sem usar um vocabulário muito técnico. Lembre-se de que o primeiro contato, na sua maioria, é com alguém do RH e não da área técnica. “O profissional deve chamar a atenção do avaliador e despertar interesse para uma entrevista técnica”, diz Fátima Domingues, da Manager.

O QUE ESCREVER NO CURRÍCULO? Numa seleção, os gestores querem saber o quanto o candidato se envolveu, as decisões que tomou e os projetos que executou em trabalhos anteriores. Mas como colocar isso num currículo? Marcos Haniu, consultor da Authent, empresa de recrutamento executivo, dá as dicas:

✔ Escreva sobre os projetos que implementou em empregos anteriores. Se não começou do zero, detalhe as atualizações e as manutenções que foram feitas, citando também a tecnologia utilizada, como banco de dados e linguagem de programação.

✔ Quando mencionar os projetos dos quais participou, informe quem foram os parceiros envolvidos, qual foi o orçamento e em quanto tempo ocorreu a implementação.

✔ Cite o quanto a empresa ganhou financeiramente e quantas pessoas estavam sob sua liderança (se houver). ✔ Informações sobre as dificuldades encontradas e as respectivas soluções também são bem-vindas. DIC A S INFO I 27

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O QUE ER NÃO FAZ ete

Paulo Silva Av. Ordem e Prog re Vila Gorete — São sso, 999 Fone (11) 8888-888Paulo SP — 05289-003 E-mail: paulosilva@8 jmail.com RG: 9.9000.990-9 CPF: 19.992.999-0 0

es Extermin s un m o c s erro ículo rr u c u e s do

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EVITE E-MAILS OU TELEFONES QUE MUDAM COM FREQÜÊNCIA Já pensou perder um emprego no Google porque seu e-mail e seu número de celular mudaram? Saiba que isso já aconteceu, segundo Deli Matsuo, diretor de recursos humanos para a América Latina do Google.

Objetivo: Buscar uma posiç ão adquiridos durant para poder aplicar os conhecim entos de desenvolv de aprender nova e os vários anos de experiência e imento te s tecnologias e ap rimorar as habilid r a oportunidade ad es gerenciais. Pretensão Salaria l: R$ 5.000,00 Área de Conhecim WEB: PHP, Flash ento: , Ja BANCO DE DADO vaScript, HTML, ASP, VBScript S: SQL Server, Or acle, Firebird, Acce LINGUAGENS: Ja va, ss REDES: Windows Visual Basic, Delphi, Cobol NT/2000/2003, No FERRAMENTAS: SA ve P, Microsiga, Ente ll NetWare rprise Architect, Vi sio Experiência Profi ssional

4

6

INFODEVELOPER

IN Responsável pela FORMÁTICA — Supervisor de Proje de materiais para documentação e implantação de sistos — 01/2007 a 01/2008 para as gerências treinamento interno e externo e su temas, produção de desenvolvimen porte metodológic to. o BANC

O PRESENÇA D E D O ER M NÚ S DOCUMENTO o RG e CPF nã ões são informaç am ss re te in e qu tes à empresa an ção. ta ra nt co da sua po Poupe o tem de da empresa e to en am ut recr dados. delete esses

O SANTA CRUZ Coordenação de pe — Líder de Projetos — 06/2005 a 6 meses de duraçã quenas equipes durante implanta 12/2006 ção de projetos, Desenvolvimento o em cada projeto. de sistema de Ba lanced Scorecard em Delphi 7. Escolaridade MBA em Gestão de Fundação Carlos Projetos Prado – SP 2006 a 2008

Bacharelado em An PUC-DF — 2001 a álise de sistemas 2005 Idiomas Possuo um sólido intermediário em inglês em nível técnico e nível conversação.

FALTA DE CLAREZA AO DESCREVER OS OBJETIVOS Seja direto ao descrever seus objetivos. Diga, por exemplo, que de pretende uma vaga como gerente de projetos de TI ou como consultor sistemas de gestão e aplicativos SAP.

PRETENSÃO SALARIAL Nunca inclua a sua pretensão salarial. Isso pode atrapalhar uma pos sível negociação para a vaga.

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INFOR MAÇ

ÕES FA Nunca LSAS sabe in minta. Se n ão g lê s , n dizer q ão ad técnic ue tem níve ianta o ou in l em co terme n diário Lembr versação. e terá d -se de que e v conhe comprovar ocê cimen os to se con seguir s que diz t er a vaga .

CUIDADO COM O TECNIQUÊS Tenha sempre em mente que antes de chegar a uma pessoa mais técnica, seu currículo pode passar por um profissional de RH que não entende a língua dos bits e bytes. Não deixe de mencionar as linguagens e tecnologias que domina, mas, além disso, procure fazer um breve perfil, dizendo quanto tempo tem de carreira e que tipo de projetos participou.

VENDA-SE BEM

ize nas Não econom e qu s õe aç rm info o para contam pont ipou ic rt pa você. Se ojeto de algum pr ém , al importante ga o de citá-lo, di esa pr quanto a em e el ganhou com s ta an qu e nt co e vam ta es s oa pess ando. m co u sob se

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currículo I inglês

SUA CARREIRA NO EXTERIOR Um currículo bem escrito em inglês pode ser o passaporte para um emprego numa empresa global POR FRANÇOISE TERZIAN

© FOTO DIVULGAÇÃO

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V

ocê sonha em trabalhar no quartelgeneral de um grande fabricante de produtos de tecnologia ou numa empresa de software do Vale do Silício? Se seu primeiro passo para realizar esse sonho foi visitar o site de RH dessas empresas ou de recrutadores internacionais e anexar seu currículo-padrão — aquele que vive armazenado há meses em seu PC —, cuidado! Você pode ter sido precipitado. Quem pretende ser convidado para uma entrevista de emprego numa empresa americana deve ter como maior preocupação acertar a mão no inglês. O currículo é a primeira apresentação do profissional à companhia contratante. Daí a importância de o documento ser adequado. Então, para passar pelo primeiro crivo — o recrutador — é preciso fazer um currículo para americano ver. Para começar, nada de escrever um livro. Como no caso do currículo em português, o tamanho máximo recomendado é de duas páginas, com texto direto e sem firulas. “Um recrutador recebe, em média, 500 currículos por dia. Se ele não consegue encontrar as informações de que precisa num currículo mal-elaborado, feio e confuso, as chances de descartá-lo são grandes”, diz Ricardo Basaglia, gerente da divisão de tecnologia da agência de recrutamento de executivos Michael Page International. Traduzir o currículo do português para o inglês, sem adaptá-lo aos padrões internacionais, pode ser o primeiro erro. Um currículo com inglês recheado de erros gramaticais, de concordância ou ortografia, causa má impressão. É preciso ser sincero na proficiência da língua. Só existe inglês básico, intermediário, avançado ou fluente. Inglês técnico é uma categoria inexistente, que deve ficar fora do currículo. Deal? Estamos entendidos? Então, estruture seu currículo seguindo as dicas de especialistas em recursos humanos ouvidos pela INFO, que apresentamos nas páginas seguintes, e faça o download do modelo em www.info.abril.com.br/download/5505.shtml.

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RÉSUMÉ PASSO A PASSO

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As informações pessoais do candidato devem ser breves. Nada de colocar idade, estado civil, religião ou foto

2

É fundamental descrever o conhecimento técnico em detalhes. Isso destacará seu currículo dos demais concorrentes

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É importante mostrar as responsabilidades do profissional na empresa em que trabalhou e os objetivos alcançados

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O recrutador americano provavelmente não conhece as empresas brasileiras, então mostre a ele a importância da companhia

uza rico de So 999-8888 Rafael En obile: + 55 (11) 9 r. m .b , m n a co li r. Brazi vedo fael@pro E-mail: ra 006); LI-USP (2 und ering / PO (2000). ro e g k in c g a n E B Academic cience in Software Science / PUC-SP S r Master of egree in Compute g, d consultin Bachelor erience in cer p x e l a n ns f professioorked as a freelan n years o alificatio Main Qu developer with te ies, also having w n tions Web solu ache Tomcat • Software nd internet compa ss owner; e works for a p software and being a busin tforms and frame bSphere, JServ, A lets, and p t e la p n W p a A , e lt L ls k o li su M n X to rs , co of tion serve like HTML owledge • Solid kn nt, such as applica ace development rf e ems developm chnologies for inte and Hibernate; d skills on web syst P and Perl. g H o e JBoss, te s like Struts, Sprin d C++ languages. Go OM, TCL, Vignette, P Mac OS X; d n rk n /C a a o P ) L S w O e A IX B A t, m ux, fra f CO crip olaris, Lin ML, JavaS owledge o res; • Great kn nt using HTML/DHT T/2000/XP), UNIX (S s and data structu rent servers e N developm with Windows (9x/ complexity analysi systems, with diffe truts, s, ce n m e th ri e ri ls (EJB, S o EE (Java) xp E ent of alg architecture of J2 works/support too m p lo e v e on •D me perience t) and fra • Large ex gic, JBoss, Tomca lo b n (BEA We Ant, Eclipse). municatio , n telecom o Hibernate d se cu y fo n compan 00 employees. ground nal Back — Canadia 55 Professio l/2006 to present) US$ 4,5 billion and ARCHITECT u N Asterion (j h revenues around R / INFORMATIO E it E w s IN e G ic N E rv S se tions with : SYSTEM nd its rela on using a s POSITION PONSIBILITIES: m e st eb sy le plicati MAIN RES ble for modeling W ponents of the ap g. Also responsib in m si m n co o m g sp ra in e g p R ro lo • e p oriented jects, dev other pro types and object ecture. o it h re on e rc a st ase UML y focused ees. ping the b n compan and 4100 employ ca ri e for develo m A n h o rt li o il b N – 12 un/2006) nues around US$ ct/2003-j Espyte (o nication with reve u logies; telecomm IT CONSULTANT methodo : adopting d n a s st POSITION PONSIBILITIES: jects; ing analy MAIN RES ent structuring, hir plementation pro urses. im m co ct t rt u n a d e p erm • De n pro er empow artners o • Assist p structor in partn in g ices and • Trainin der in serv US$ 1 million a le l a n o ti nd Na nues arou 8-2003) – Pólux (199 velopment with reve e systems d ployees. AMMER. r; m T/PROGR e S 0 LY 0 A 5 N d A ng Clippe n r). a SYSTEMS IES: ment, usi ce systems (Clippe : p N lo e IO v e IT d S n s IT PO ra m IL e su IB st in S sy N d an PO tive MAIN RES g and administra on of administrative n ti • Accounti ce and documenta an • Mainten es age Languag se – Native Langu e • Portugu Fluent – • English Intermediate – • Spanish

Não existe inglês técnico. A classificação estabelecida nos EUA vai do básico ao fluente

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ocê sonha em trabalhar no quartelgeneral de um grande fabricante de produtos de tecnologia ou numa empresa de software do Vale do Silício? Se seu primeiro passo para realizar esse sonho foi visitar o site de RH dessas empresas ou de recrutadores internacionais e anexar seu currículo-padrão — aquele que vive armazenado há meses em seu PC —, cuidado! Você pode ter sido precipitado. Quem pretende ser convidado para uma entrevista de emprego numa empresa americana deve ter como maior preocupação acertar a mão no inglês. O currículo é a primeira apresentação do profissional à companhia contratante. Daí a importância de o documento ser adequado. Então, para passar pelo primeiro crivo — o recrutador — é preciso fazer um currículo para americano ver. Para começar, nada de escrever um livro. Como no caso do currículo em português, o tamanho máximo recomendado é de duas páginas, com texto direto e sem firulas. “Um recrutador recebe, em média, 500 currículos por dia. Se ele não consegue encontrar as informações de que precisa num currículo mal-elaborado, feio e confuso, as chances de descartá-lo são grandes”, diz Ricardo Basaglia, gerente da divisão de tecnologia da agência de recrutamento de executivos Michael Page International. Traduzir o currículo do português para o inglês, sem adaptá-lo aos padrões internacionais, pode ser o primeiro erro. Um currículo com inglês recheado de erros gramaticais, de concordância ou ortografia, causa má impressão. É preciso ser sincero na proficiência da língua. Só existe inglês básico, intermediário, avançado ou fluente. Inglês técnico é uma categoria inexistente, que deve ficar fora do currículo. Deal? Estamos entendidos? Então, estruture seu currículo seguindo as dicas de especialistas em recursos humanos ouvidos pela INFO, que apresentamos nas páginas seguintes, e faça o download do modelo em www.info.abril.com.br/download/5505.shtml.

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RÉSUMÉ PASSO A PASSO

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As informações pessoais do candidato devem ser breves. Nada de colocar idade, estado civil, religião ou foto

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É fundamental descrever o conhecimento técnico em detalhes. Isso destacará seu currículo dos demais concorrentes

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É importante mostrar as responsabilidades do profissional na empresa em que trabalhou e os objetivos alcançados

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O recrutador americano provavelmente não conhece as empresas brasileiras, então mostre a ele a importância da companhia

uza rico de So 999-8888 Rafael En obile: + 55 (11) 9 r. m .b , m n a co li r. Brazi vedo fael@pro E-mail: ra 006); LI-USP (2 und ering / PO (2000). ro e g k in c g a n E B Academic cience in Software Science / PUC-SP S r Master of egree in Compute g, d consultin Bachelor erience in cer p x e l a n ns f professioorked as a freelan n years o alificatio Main Qu developer with te ies, also having w n tions Web solu ache Tomcat • Software nd internet compa ss owner; e works for a p software and being a busin tforms and frame bSphere, JServ, A lets, and p t e la p n W p a A , e lt L ls k o li su M n X to rs , co of tion serve like HTML owledge • Solid kn nt, such as applica ace development rf e ems developm chnologies for inte and Hibernate; d skills on web syst P and Perl. g H o e JBoss, te s like Struts, Sprin d C++ languages. Go OM, TCL, Vignette, P Mac OS X; d n rk n /C a a o P ) L S w O e A IX B A t, m ux, fra f CO crip olaris, Lin ML, JavaS owledge o res; • Great kn nt using HTML/DHT T/2000/XP), UNIX (S s and data structu rent servers e N developm with Windows (9x/ complexity analysi systems, with diffe truts, s, ce n m e th ri e ri ls (EJB, S o EE (Java) xp E ent of alg architecture of J2 works/support too m p lo e v e on •D me perience t) and fra • Large ex gic, JBoss, Tomca lo b n (BEA We Ant, Eclipse). municatio , n telecom o Hibernate d se cu y fo n compan 00 employees. ground nal Back — Canadia 55 Professio l/2006 to present) US$ 4,5 billion and ARCHITECT u N Asterion (j h revenues around R / INFORMATIO E it E w s IN e G ic N E rv S se tions with : SYSTEM nd its rela on using a s POSITION PONSIBILITIES: m e st eb sy le plicati MAIN RES ble for modeling W ponents of the ap g. Also responsib in m si m n co o m g sp ra in e g p R ro lo • e p oriented jects, dev other pro types and object ecture. o it h re on e rc a st ase UML y focused ees. ping the b n compan and 4100 employ ca ri e for develo m A n h o rt li o il b N – 12 un/2006) nues around US$ ct/2003-j Espyte (o nication with reve u logies; telecomm IT CONSULTANT methodo : adopting d n a s st POSITION PONSIBILITIES: jects; ing analy MAIN RES ent structuring, hir plementation pro urses. im m co ct t rt u n a d e p erm • De n pro er empow artners o • Assist p structor in partn in g ices and • Trainin der in serv US$ 1 million a le l a n o ti nd Na nues arou 8-2003) – Pólux (199 velopment with reve e systems d ployees. AMMER. r; m T/PROGR e S 0 LY 0 A 5 N d A ng Clippe n r). a SYSTEMS IES: ment, usi ce systems (Clippe : p N lo e IO v e IT d S n s IT PO ra m IL e su IB st in S sy N d an PO tive MAIN RES g and administra on of administrative n ti • Accounti ce and documenta an • Mainten es age Languag se – Native Langu e • Portugu Fluent – • English Intermediate – • Spanish

Não existe inglês técnico. A classificação estabelecida nos EUA vai do básico ao fluente

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VOCÊ É VERY GOOD? Vale dar atenção ao tópico de formação acadêmica, que é muito valorizada pelos americanos. Comece pelos cursos mais recentes, como MBA ou pós-graduação. Por fim, informe a faculdade de graduação. Em todos, escreva o nome da instituição, o nome do curso, o período e a cidade. “Se você ficou entre os dez melhores da turma, recebeu um diploma com mérito ou ganhou uma bolsa de estudos, destaque isso. Os americanos valorizam as classificações acadêmicas”, afirma Giselle Bettanio Zaha, sócia da A2Z, empresa de recrutamento e seleção de executivos. No trecho sobre experiência profissional, descreva as empresas onde trabalhou (da última à primeira), começando pelo nome, posição ocupada, período em que trabalhou, principais responsabilidades e projetos conduzidos. Robert Andrade sugere usar sempre verbos de ação no texto. Por exemplo, criar, realizar, desenvolver, ampliar, aumentar (as vendas, o desempenho da equipe) e diminuir (os custos, o turnover). Por fim, as empresas americanas valorizam atividades extracurriculares, como o trabalho voluntário em projetos sociais ou a participação do candidato em organizações profissionais. Também gostam de saber se ele pratica esportes, mostra preocupação com a qualidade de vida ou tem um hobby. “Mesmo se for algo exótico, como um colecionador de fliperamas antigos. Isso sugere ao recrutador algo sobre o estilo pessoal do candidato e até pode fazê-lo simpatizar com o currículo”, diz Giselle. Good luck!

NÃO ASSUSTE O RECRUTADOR No topo do texto, ponha seu nome completo, endereço, telefone e e-mail. E só. Os recrutadores americanos saltam da cadeira quando deparam com currículos contendo informações que consideram muito pessoais. Por exemplo, idade, estado civil, filhos, religião ou uma foto 3 x 4. Nos EUA, a lei protege os candidatos a emprego contra qualquer tipo de discriminação, e pega mal incluir esses dados. Dá para fazer pior? Dá. Imagine descrever longamente sua experiência profissional em várias empresas brasileiras. O problema é que essas companhias são desconhecidas do público americano, incluindo os recrutadores que lêem os currículos. Outro vacilo é privilegiar a descrição das funções em vez de destacar as principais conquistas que o candidato obteve em cada emprego.

DO THE RIGHT THING

SIGA O MODELO A Microsoft também pode dar uma ajuda e tanto na hora de elaborar um bom currículo. No site americano da empresa, é possível encontrar uma variedade respeitável de modelos de currículo para o Word. Dificilmente você não encontrará uma que atenda a suas exigências. Há na lista desde currículos basicões até opções para situações e empregos específicos, incluindo posições na área de TI, como programador, analista de programação, técnico em computador e especialista em segurança. Para chegar aos modelos, vá ao endereço http://office.

microsoft.com/en-us/templates/ CT101043371033.aspx.

Como dizia Spike Lee no filme homônimo, faça a coisa certa. Após se apresentar, descreva suas intenções. Depois, mostre quais são as qualificações acadêmicas e profissionais que comprovam que você merece uma chance. Seja sucinto e direto. Por exemplo, diga que seu objetivo é trabalhar numa empresa de internet, com foco em determinado setor e com uma vaga de certo nível profissional. “Em seguida, faça um resumo das suas qualificações. Em um ou dois parágrafos, defina sua carreira dizendo, por exemplo, que é um profissional de TI com foco no ramo farmacêutico, experiente na gestão de pessoas e em técnicas de treinamento”, diz Robert Andrade, especialista no recrutamento de profissionais de TI da consultoria americana Robert Half. O profissional com perfil técnico deve detalhar suas habilidades, como o conhecimento de diferentes linguagens de programação, tecnologias que domina, habilidades em integração e histórico de desenvolvimento de sistemas e projetos. Você tem um blog? "Divulgue-o no currículo, desde que seja uma página de cunho corporativo ou profissional", afirma Basaglia. O blog deve ser atualizado com freqüência para não passar a idéia de um profissional preguiçoso, sem conteúdo ou com falta de planejamento.

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remuneração e vagas I mercado

COMO ESTÃO SEUS GANHOS? Confira se sua remuneração está na média do mercado ou se chegou a hora de negociar um aumento POR MARIA ISABEL MOREIRA

V

ocê está ganhando bem? A maioria das pessoas responderia não a essa pergunta, mas as chances de que a resposta não corresponda à realidade são maiores se ela parte de um profissional de TI. De acordo com estimativas da empresa de recrutamento e seleção Ricardo Xavier, os salários do setor vão muito bem, obrigado. “Os salários de TI tiveram aumento médio superior a 10% em 2008, enquanto a remuneração de profissionais de outras áreas subiu em torno de 5%”, afirma Fátima Domingues, consultora da empresa. A explicação, segundo Fátima, está na demanda maior do que a oferta. Como a área evolui muito rapidamente, as empresas são compelidas a procurar profissionais mais atualizados. Mas não há mão-deobra qualificada suficiente no mercado. A CPM Braxis, por exemplo, vive esse

drama. Mensalmente, a empresa abre 340 vagas em média e só preenche 280, segundo Alexandre Ullmann, gerente de recursos humanos. A solução que as empresas encontram é tirar profissionais da concorrência, mas como um trabalhador empregado não sai de onde está sem uma boa compensação financeira, os salários acabam inflacionados. “No meio de 2007, um analista programador era contratado por 3 500 a 4 500 reais, com inglês intermediário. No final de 2007, com o aquecimento da economia, o salário do mesmo profissional, mas com inglês fluente, variava entre 5 500 e 7 mil. Desde agosto, os investimentos deram um salto, a ponto de trabalharmos posições de analista programador até na faixa de 9 mil reais”, afirma Fátima Domingues.

MUITAS OPORTUNIDADES Entre os profissionais mais requisitados hoje estão os analistas de negócios e aqueles que atuam em projetos de sistemas. “Os coordenadores e gerentes de projetos de sistemas são profissionais na faixa de 12 mil reais, com inglês fluente e perfil técnico diversificado”, afirma a consultora da Ricardo Xavier. Por perfil diversificado, leia-se alguém que entenda de diferentes linguagens e ambientes e tenha certificação Oracle, SAP ou Microsoft. “O mercado para os profissionais com conhecimento em SAP está sempre aquecido”, comenta Ullmann, da CPM Braxis. Outro profissional cada vez mais valorizado, segundo ele, é aquele que domina Java. Quem investir em desenvolvimento, codificação e teste de software também não vai se arrepender, segundo Regina Curi, diretora de recursos humanos da Unisys. “Há muitas oportunidades na área de application services. Só é preciso se capacitar”, diz ela. A Cast Infomática preferiu formar os próprios quadros de sua fábrica de software em Araraquara (SP). Em no-

© ILUSTRAÇÃO SRBICHARA

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vembro, contratou 100 profissionais selecionados nas escolas e universidades da região e treinados durante seis meses para dar suporte a clientes corporativos.

INGLÊS PERFEITO Profissionais com inglês mais ou menos devem ficar espertos. O domínio do idioma, que antes podia até ser exigido, mas era pouco usado, virou requisito básico na área, já que muitas empresas no Brasil trabalham atualmente em projetos para clientes de várias partes do mundo. Líderes também estão em falta. “Liderança é uma competência muito valorizada. Profissionais que já provaram que são bons tecnicamente precisam agora mostrar também que sabem comandar equipes”, afirma Elaine Saad, gerente geral da Right Management.

CRISE ONDE? O mercado de TI está tão aquecido que os especialistas em RH não acreditam que as turbulências na economia afetem muito o mercado de trabalho, embora afirmem que é cedo para avaliar. “Ainda não sentimos nenhum movimento de demissão, mas acredito que TI não sofrerá porque é um investimento básico para qualquer empresa”, afirma Elaine Saad, gerente geral da Right Management no Brasil e coordenadora para a América Latina. Fátima, da Ricardo Xavier, concorda, mas crê na retração nos segmentos bancário e automotivo. “Percebemos retorno maior para nossos anúncios de emprego porque alguns profissionais desses segmentos começam a ficar preocupados com os lugares onde estão.” Mas um cenário mais claro, segundo ela, só mesmo no primeiro trimestre de 2009.

QUANTO MAIOR O TEMPO, MAIORES OS GANHOS CARGO

PORTE DA EMPRESA

0 –2 A NOS 3 –5 A NOS 6–9 A NOS 10–15 A NOS >1 5 A NOS

DIRETOR DE TI

P/M G

9 000 – 13 000 16 000 – 20 000

11 000 – 15 000 18 000 – 24 000

13 000 – 17 000 21 000 – 30 000

15 000 – 19 000 24 000 – 32 000

17 000 – 21 000 28 000 – 36 000

GERENTE DE TI

P/M G

9 000 – 13 000 11 000 – 16 000

11 000 – 15 000 14 000 – 18 000

13 000 – 17 000 16 000 – 20 000

15 000 – 19 000 18 000 – 21 000

17 000 – 21 000 20 000 – 24 000

GERENTE DE INFRA–ESTRUTURA / TELECOMUNICAÇÕES

P/M G

– 11 000 – 16 000

– 14 000 – 18 000

– 16 000 – 20 000

– 18 000 – 21 000

– 20 000 – 24 000

GERENTE DE DESENVOLVIMENTO

P/M G

– 9 000 – 12 000

– 10 500 – 14 000

– 12 500 – 15 000

– 14 500 – 17 500

– 16 000 – 19 000

GERENTE DE SUPORTE TÉCNICO/ SERVICE DESK

P/M G

– 8 500 – 11 500

– 10 000 – 13 000

– 11 500 – 14 500

– 13 000 – 16 000

– 14 500 – 17 500

GERENTE DE PROJETO

P/M G

5 000 – 6 500 6 000 – 8 500

6 000 – 8 000 7 500 – 10 000

7 000 – 9 000 9 000 – 12 000

8 500 – 10 500 10 500 – 14 000

9 000 – 12 000 12 500 – 16 000

ARQUITETO DE SOLUÇÃO

P/M G

– 7 000 – 8 500

– 8 000 – 10 500

– 10 000 – 12 500

– 12 000– 14 500

– 14 000 – 16 500

AUDITOR DE TI

P/M G

3 000 – 4 000 3 000 – 4 000

3 500 – 6 000 3 500 – 6 000

5 500 – 8 000 5 500 – 9 000

7 500 – 9 000 8 000 – 9 500

8 500 – 12 000 9 000 – 14 000

ESPECIALISTA DE ERP / PROCESSOS / BI

P/M G

3 000 – 4 500 3 000 – 4 500

4 000 – 7 000 4 000 – 7 000

6 000 – 10 000 6 000 – 10 000

9 000 – 11 000 9 000 – 11 000

10 000 – 14 000 10 000 – 14 000

ESPECIALISTA EM DESENVOLVIMENTO

P/M G

3 000 – 4 500 3 500 – 5 000

3 500 – 4 500 4 000 – 6 000

4 000 – 6 500 5 500 – 7 500

6 000 – 7 500 7 000 – 9 500

7 000 – 9 000 9 000 – 12 000

P/M G

3 500 – 5 500 4 000 – 6 000

5 000 – 7 000 5 000 – 6 000

6 500 – 8 000 7 000 – 9 000

7 000 – 9 500 8 500 – 11 000

9 000 – 12 000 10 500 – 14 000

P/M G

3 000 – 3 500 3 000 – 4 000

3 500 – 4 500 4 000 – 5 000

4 000 – 6 500 5 000 – 7 500

6 000 – 7 500 7 000 – 8 500

7 000 – 8 000 8 000 – 10 500

ESPECIALISTA DE SEGURANÇA ESPECIALISTA DE INFRA–ESTRUTURA

*É CONSIDERADA PEQUENA E MÉDIA EMPRESA AQUELAS QUE TÊM FATURAMENTO ANUAL DE ATÉ R$ 500 MILHÕES AO ANO E GRANDES EMPRESAS AS QUE TÊM FATURAMENTO ACIMA DESSE VALOR FONTE: ROBERT HALF TECHNOLOGY (2008)

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COMPARE SEUS RENDIMENTOS COM O MERCADO CARGO

MÍNIMO

MÉDIO

MÁXIMO

ADMINISTRADOR DE BANCO DE DADOS JR.

3 630

3 865

4 272

ADMINISTRADOR DE BANCO DE DADOS PLENO

5 139

5 256

5 372

ADMINISTRADOR DE BANCO DE DADOS SÊNIOR

6 759

8 600

9 770

ANALISTA DE NEGÓCIOS

5 096

5 675

6 033

ANALISTA DE PRODUÇÃO PL.

3 973

4 125

4 222

ANALISTA DE PRODUÇÃO SR.

4 747

4 817

5 443

ANALISTA DE PROJETOS DE SISTEMAS JR.

3 165

3 735

4 241

ANALISTA DE PROJETOS DE SISTEMAS PL.

4 795

5 228

5 623

ANALISTA DE PROJETOS DE SISTEMAS SR.

6 033

7 004

9 209

ANALISTA DE SISTEMAS DE INTERNET

6 875

8 988

9 123

ANALISTA DE SISTEMAS JÚNIOR

4 143

4 423

5 718

ANALISTA DE SISTEMAS PLENO

4 852

5 683

8 318

ANALISTA DE SISTEMAS SÊNIOR

6 299

7 897

8 665

ANALISTA DE SUPORTE TÉCNICO

3 875

4 556

5 623

ANALISTA DE SUPORTE TÉCNICO JR.

2 243

3 447

4 991

ANALISTA DE SUPORTE TÉCNICO PL.

5 173

5 538

6 217

ANALISTA DE SUPORTE TÉCNICO SR.

6 650

7 232

9 123

ANALISTA DE TELECOMUNICAÇÕES JR.

3 224

3 409

4 191

ANALISTA DE TELECOMUNICAÇÕES PL.

5 571

5 777

5 828

ANALISTA DE TELECOMUNICAÇÕES SR.

7 282

7 993

8 702

ANALISTA PROGR. SISTEMAS JÚNIOR

3 262

3 799

6 585

ANALISTA PROGR. SISTEMAS PLENO

5 466

6 067

8 145

ANALISTA PROGR. SISTEMAS SÊNIOR

6 822

7 946

9 878

ANALISTA PROGRAMADOR JR. - CLIENTE/SERV

4 112

4 184

4 428

ANALISTA PROGRAMADOR JR. - MICRO

2 759

3 432

3 824

ANALISTA PROGRAMADOR PL. - CLIENTE/SERV

4 607

4 906

5 403

ANALISTA PROGRAMADOR PL. - MICRO

4 506

4 690

4 877

ANALISTA PROGRAMADOR SR. - CLIENTE/SERV

4 980

6 092

7 415

ANALISTA PROGRAMADOR SR. - MICRO

5 025

5 080

5 098

ANALISTA SEGURANÇA DE SISTEMAS JR.

3 821

4 406

4 991

ANALISTA SEGURANÇA DE SISTEMAS PL.

3 737

4 611

5 416

ANALISTA SEGURANÇA DE SISTEMAS SR.

6 378

6 488

6 599

CHEFE DE SISTEMAS

7 282

8 583

11 325

CHEFE DE SUPORTE TÉCNICO

6 640

8 664

12 055

CHEFE DE TELECOMUNICAÇÕES

6 875

11 253

12 833

CHEFE PROGRAMAÇÃO DE SISTEMAS

7 979

8 367

10 550

CONSULTOR TI ESPECIALIZADO

6 057

7 725

11 034

CONSULTOR TI FUNCIONAL

5 708

6 174

8 561

COORDENADOR DE PROJETOS DE SISTEMAS

7 450

10 248

12 477 5 562

ENGENHEIRO DE SISTEMAS - SOFTWARE

5 541

5 550

ENGENHEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES JR.

4 072

4 278

5 107

ENGENHEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES PL.

4 746

5 925

8 594

ENGENHEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES SR.

6 202

7 554

10 046

GERENTE DE E-COMMERCE

13 333

15 155

20 622

GERENTE DE PROJETOS DE SISTEMAS

12 995

13 873

15 596

GERENTE DE SISTEMAS

15 596

18 088

22 529

GERENTE DE SUPORTE TÉCNICO

11 857

11 993

14 423

GERENTE DE TELECOMUNICAÇÕES

16 678

19 552

24 260

GERENTE PRODUÇÃO DE OPERAÇÕES GERENTE SEGURANÇA DE SISTEMAS SR.

6 303

8 372

12 193

11 060

12 192

14 333

OPERADOR DE COMPUTADOR JR.

1 765

1 909

2 190

OPERADOR DE COMPUTADOR PL.

2 054

2 297

2 794

OPERADOR DE COMPUTADOR SR.

2 554

2 815

3 434

WEBDESIGNER

3 814

4 613

5 457

WEBMASTER

6 139

6 798

8 121

FONTE: RICARDO XAVIER RECURSOS HUMANOS (NOVEMBRO 2008)

D I C AS I NFO I 35

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empresas I Google

SOBRAM VAGAS NO GOOGLE Os brasileiros conquistam seu lugar no Google, num ambiente movido por altas doses de criatividade e atitude POR KÁTIA ARIMA

D

eitado em uma rede, o publicitário Felipe Ozório, de 27 anos, tira seu cochilo diário de 20 minutos após o almoço. Para descansar a mente, outras atividades que estão em seu cotidiano são sessões de massagem, disputas no videogame e aulas de natação. Tudo isso — morram de inveja — ele faz no meio do expediente. Ozório compõe o time de 200 funcionários do Google Brasil, a subsidiária que apresenta hoje o maior crescimento de faturamento e de usuários de serviços da empresa no mundo. “Não acho que todo esse lazer nos tire do foco, pelo contrário. Fico estimulado para trabalhar, pois me sinto recompensado”, diz. Ozório faz parte da equipe de planejamento de vendas e tem uma carga horária de oito horas diárias, mas eventualmente leva trabalho para casa nos fins de semana e feriados. O Brasil é hoje um dos países estratégicos para o Google: está no topo da lista de seus principais produtos, como a ferramenta de busca, o YouTube e os links patrocinados — sem contar o dominadíssimo território do orkut. O bom desempenho da subsidiária brasileira levou o Google a promovê-la a central da América Latina, responsável pela administração de toda a região. “A produtividade é conseqüência do ambiente de trabalho, em que as pessoas são questionadoras e falam o que pensam”, afirma Alexandre Hohagen, que até agosto conduziu a operação brasileira e virou diretor-executivo do Google para a América Latina. Além disso, o Brasil agora é responsável pelo orkut, dividindo as tarefas de engenharia do produto com os indianos. Todo esse cenário traz boas notícias à incontável legião de aspirantes a uma vaga no Google. O upgrade da operação brasileira levará a mais contratações, tanto na área administrativa como na de engenharia, segundo Deli Matsuo, diretor de RH para a América Latina. “Preenchemos apenas 60% das vagas previstas para 2008”, afirma (confira as oportunidades em www.google.com.br/intl/pt-BR/jobs). Dentro do escritório, as vagas estão estampadas até na porta do banheiro. É o Recruitment in the Toilet, um meio tanto exótico de estimular as movimentações internas como de conseguir indicações de novos talentos usando o networking da casa.

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CRISTINA ONCKEN: a gerente de vendas não precisa ir ao boteco para jogar sinuca

© FOTO LUIS USHIROBIRA

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empresas I Google

SOBRAM VAGAS NO GOOGLE Os brasileiros conquistam seu lugar no Google, num ambiente movido por altas doses de criatividade e atitude POR KÁTIA ARIMA

D

eitado em uma rede, o publicitário Felipe Ozório, de 27 anos, tira seu cochilo diário de 20 minutos após o almoço. Para descansar a mente, outras atividades que estão em seu cotidiano são sessões de massagem, disputas no videogame e aulas de natação. Tudo isso — morram de inveja — ele faz no meio do expediente. Ozório compõe o time de 200 funcionários do Google Brasil, a subsidiária que apresenta hoje o maior crescimento de faturamento e de usuários de serviços da empresa no mundo. “Não acho que todo esse lazer nos tire do foco, pelo contrário. Fico estimulado para trabalhar, pois me sinto recompensado”, diz. Ozório faz parte da equipe de planejamento de vendas e tem uma carga horária de oito horas diárias, mas eventualmente leva trabalho para casa nos fins de semana e feriados. O Brasil é hoje um dos países estratégicos para o Google: está no topo da lista de seus principais produtos, como a ferramenta de busca, o YouTube e os links patrocinados — sem contar o dominadíssimo território do orkut. O bom desempenho da subsidiária brasileira levou o Google a promovê-la a central da América Latina, responsável pela administração de toda a região. “A produtividade é conseqüência do ambiente de trabalho, em que as pessoas são questionadoras e falam o que pensam”, afirma Alexandre Hohagen, que até agosto conduziu a operação brasileira e virou diretor-executivo do Google para a América Latina. Além disso, o Brasil agora é responsável pelo orkut, dividindo as tarefas de engenharia do produto com os indianos. Todo esse cenário traz boas notícias à incontável legião de aspirantes a uma vaga no Google. O upgrade da operação brasileira levará a mais contratações, tanto na área administrativa como na de engenharia, segundo Deli Matsuo, diretor de RH para a América Latina. “Preenchemos apenas 60% das vagas previstas para 2008”, afirma (confira as oportunidades em www.google.com.br/intl/pt-BR/jobs). Dentro do escritório, as vagas estão estampadas até na porta do banheiro. É o Recruitment in the Toilet, um meio tanto exótico de estimular as movimentações internas como de conseguir indicações de novos talentos usando o networking da casa.

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CRISTINA ONCKEN: a gerente de vendas não precisa ir ao boteco para jogar sinuca

© FOTO LUIS USHIROBIRA

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O GOOGLE NOS DEIXA BOBOS? Ao mesmo tempo, o Google desperta admiração e temor ao escritor americano Nicholas Carr, famoso por suas opiniões polêmicas na área de TI. Ele acaba de lançar no Brasil seu novo livro, A grande mudança: reconectando o mundo, de Thomas Edison ao Google, e conversou com a INFO:

FELIPE OZÓRIO: depois do almoço, o publicitário garante sua soneca diária na rede

RASTEIRA NA COCA-COLA

O DONO DA BUSCA Participação no mercado brasileiro de ferramentas de busca 88,9% Google

0,7% Outras 3,1% Nacionais

3,6% Yahoo!

3,7% Microsoft

* FONTE: PREDICTA (JUNHO/2008)

38 I DI C AS IN FO

Sobram_vagas_Google_r1.indd 38-39

Quem quiser trabalhar no Google Brasil, que conta com dois escritórios, em São Paulo e em Belo Horizonte, terá de encarar um processo seletivo pesado — que finaliza, invariavelmente, com a aprovação de Larry Page, um dos criadores de todo esse império. Funcionários chegaram a enfrentar até 30 entrevistas para conseguir uma vaga, mas atualmente a tentativa é de reduzir o número de etapas. “Estamos mantendo a média de três a cinco entrevistas”, afirma Matsuo. A publicitária Isabel Furtado, de 25 anos, passou por sete entrevistas para conseguir uma vaga de representante comercial no Google. Chegou a viajar de Belo Horizonte a São Paulo para ser sabatinada por seus futuros colegas. “Foi cansativo, mas realizei um sonho”, diz. Contratada há pouco mais de seis meses pela empresa, Isabel conta que nunca trabalhou tão duro, mas não faz hora extra e não se estressa. Como assim? A estratégia é dar uma relaxada de vez em quando disputando partidas do game Guitar Hero, do Xbox. “Meus amigos acham isso o máximo”, diz.

© FOTO LUIS USHIROBIRA

Isabel faz parte de uma família que conta com mais de 19 mil funcionários, espalhados por 36 países. Eles impulsionam a empresa que detém a marca mais valiosa do mundo, segundo pesquisa da Millward Brown, divulgada em abril. A consultoria estima o valor do Google em 86 bilhões de dólares. Pelo segundo ano consecutivo a companhia encabeça a lista. A seguir, estão a Microsoft (70,89 bilhões) e a Coca-Cola (58,2 bilhões). Hoje em dia, fica difícil para qualquer internauta viver sem usar pelo menos um produto ou serviço do Google. Além da ferramenta de busca, Gmail, GTalk, Google Reader, orkut, Knol, YouTube, Google Docs, Google Calendar, Google Analytics, Google Translator e Google Gears fazem parte do dia-a-dia do designer Celso Bessa, de 31 anos. “Google, logo existo”, escreveu ele em seu blog. Mas nem tudo funciona perfeitamente, claro. Como todos os mortais, Bessa, às vezes, depara com mensagens de erro no orkut e sofre quando o Gmail está indisponível — em

INFO: Você afirma que o Google está nos deixando bobos. Por quê? CARR: Eu respeito o Google por suas inovações tecnológicas. Mas as mudanças proporcionadas pelo Google têm impacto negativo na vida pessoal e cultural. O modelo de negócios da empresa é baseado em juntar o máximo de informações sobre o que você faz, sobre o que lhe interessa. Por isso, para eles é bom que naveguemos de site em site, clicando nos links com rapidez. Nosso cérebro está sendo remodelado para ficar eficiente em buscar informações, mas perde a capacidade de contemplação, reflexão, concentração. Perder essa habilidade é algo ruim para as pessoas e para a sociedade. INFO: As pessoas correm riscos ao confiar tantas informações de caráter pessoal ao Google? CARR: Os bancos de dados do Google estão interconectados. A empresa terá um sistema data mining cada vez mais sofisticado e eficiente, capaz de obter um resultado muito claro sobre as pessoas. O que me amedronta é que elas serão manipuladas sem nem perceber. As empresas terão tantas informações sobre seus gostos e desejos, que vão poder analisá-las de forma cada vez mais veloz, sem que estas nem se dêem conta disso.

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O GOOGLE NOS DEIXA BOBOS? Ao mesmo tempo, o Google desperta admiração e temor ao escritor americano Nicholas Carr, famoso por suas opiniões polêmicas na área de TI. Ele acaba de lançar no Brasil seu novo livro, A grande mudança: reconectando o mundo, de Thomas Edison ao Google, e conversou com a INFO:

FELIPE OZÓRIO: depois do almoço, o publicitário garante sua soneca diária na rede

RASTEIRA NA COCA-COLA

O DONO DA BUSCA Participação no mercado brasileiro de ferramentas de busca 88,9% Google

0,7% Outras 3,1% Nacionais

3,6% Yahoo!

3,7% Microsoft

* FONTE: PREDICTA (JUNHO/2008)

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Quem quiser trabalhar no Google Brasil, que conta com dois escritórios, em São Paulo e em Belo Horizonte, terá de encarar um processo seletivo pesado — que finaliza, invariavelmente, com a aprovação de Larry Page, um dos criadores de todo esse império. Funcionários chegaram a enfrentar até 30 entrevistas para conseguir uma vaga, mas atualmente a tentativa é de reduzir o número de etapas. “Estamos mantendo a média de três a cinco entrevistas”, afirma Matsuo. A publicitária Isabel Furtado, de 25 anos, passou por sete entrevistas para conseguir uma vaga de representante comercial no Google. Chegou a viajar de Belo Horizonte a São Paulo para ser sabatinada por seus futuros colegas. “Foi cansativo, mas realizei um sonho”, diz. Contratada há pouco mais de seis meses pela empresa, Isabel conta que nunca trabalhou tão duro, mas não faz hora extra e não se estressa. Como assim? A estratégia é dar uma relaxada de vez em quando disputando partidas do game Guitar Hero, do Xbox. “Meus amigos acham isso o máximo”, diz.

© FOTO LUIS USHIROBIRA

Isabel faz parte de uma família que conta com mais de 19 mil funcionários, espalhados por 36 países. Eles impulsionam a empresa que detém a marca mais valiosa do mundo, segundo pesquisa da Millward Brown, divulgada em abril. A consultoria estima o valor do Google em 86 bilhões de dólares. Pelo segundo ano consecutivo a companhia encabeça a lista. A seguir, estão a Microsoft (70,89 bilhões) e a Coca-Cola (58,2 bilhões). Hoje em dia, fica difícil para qualquer internauta viver sem usar pelo menos um produto ou serviço do Google. Além da ferramenta de busca, Gmail, GTalk, Google Reader, orkut, Knol, YouTube, Google Docs, Google Calendar, Google Analytics, Google Translator e Google Gears fazem parte do dia-a-dia do designer Celso Bessa, de 31 anos. “Google, logo existo”, escreveu ele em seu blog. Mas nem tudo funciona perfeitamente, claro. Como todos os mortais, Bessa, às vezes, depara com mensagens de erro no orkut e sofre quando o Gmail está indisponível — em

INFO: Você afirma que o Google está nos deixando bobos. Por quê? CARR: Eu respeito o Google por suas inovações tecnológicas. Mas as mudanças proporcionadas pelo Google têm impacto negativo na vida pessoal e cultural. O modelo de negócios da empresa é baseado em juntar o máximo de informações sobre o que você faz, sobre o que lhe interessa. Por isso, para eles é bom que naveguemos de site em site, clicando nos links com rapidez. Nosso cérebro está sendo remodelado para ficar eficiente em buscar informações, mas perde a capacidade de contemplação, reflexão, concentração. Perder essa habilidade é algo ruim para as pessoas e para a sociedade. INFO: As pessoas correm riscos ao confiar tantas informações de caráter pessoal ao Google? CARR: Os bancos de dados do Google estão interconectados. A empresa terá um sistema data mining cada vez mais sofisticado e eficiente, capaz de obter um resultado muito claro sobre as pessoas. O que me amedronta é que elas serão manipuladas sem nem perceber. As empresas terão tantas informações sobre seus gostos e desejos, que vão poder analisá-las de forma cada vez mais veloz, sem que estas nem se dêem conta disso.

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O IMPÉRIO EM NÚMEROS* Faturamento mundial de

US$ 16,6 bilhões em 2007

19 604 funcionários no mundo

200 funcionários no Brasil, com faixa etária média de 29 anos

50 escritórios em 20 países 1 milhão de usuários ativos do Google Docs

60 milhões de usuários do orkut

10 mil clientes do Google Enterprise

40 bilhões de páginas indexadas à ferramenta de busca * DADOS DE AGOSTO DE 2008

agosto, o serviço ficou fora do ar por algumas horas em diversos países por causa de uma falha no gerenciamento de contatos.

VAI UM NESPRESSO? Por três anos consecutivos, o Google é apontado pela revista Fortune como a melhor empresa para trabalhar. Não é difícil entender o motivo. De Mountain View, onde está sua sede, a São Paulo, não faltam áreas decoradas com poltronas e pufes coloridos — e, no nosso caso, até redes. Em São Paulo, os consoles Xbox e Wii ficam no lounge, onde também é possível jogar sinuca e fliperama. “Quando montamos o escritório novo, meu voto foi para a mesa de sinuca. Jogo desde criança”, diz Cristina Oncken, 31 anos, gerente de vendas do Google. Três vezes por semana, um massagista passa o dia atendendo na empresa. Praticamente todos os funcionários recebem ações da companhia como parte da remuneração e podem pedir reembolso de cursos educacionais e academia de ginástica. Há verba até para decorar as mesas de trabalho. Nesse ambiente informal, onde as pessoas podem usar skate ou patinete para circular, não há código rígido de vestimenta. O predomínio é do trio jeans-camiseta-tênis. O técnico de suporte Daniel Figueira, 28 anos, levantou suspeita em casa por sair todo dia de bermuda. “Tive que trazer meu pai até o escritório para que ele acreditasse que eu tinha mesmo um emprego”, conta. “Não consigo me imaginar trabalhando em uma empresa tradicional.” Bateu uma fome? Quiosques com balas, salgadinhos, chicletes, chocolates e outras guloseimas estão sempre à disposição em diversos pontos do escritório, assim como a geladeira de bebidas e as finas cafeteiras Nespresso — tudo de graça e à vontade, claro. E nada de bater cartão: a flexibilidade de horário no trabalho é grande. O Google apenas recomenda que o funcionário dedique 70% de seu tempo total à atividade principal, 20% a um projeto correlacionado e 10% a projetos pessoais.

LINKS PATROCINADOS Para sustentar todas essas mordomias, o Google enche o bolso com o negócio dos links patrocinados, que correspondem a 98% dos rendimentos da empresa. “É um exemplo do fenômeno da cauda longa, que aborda desde o Bradesco até uma empresa bem

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© FOTOS LUIS USHIROBIRA

DE MINAS PARA O MUNDO

HORA DO RELAX: para descontrair, vale encarar partidas do game Guitar Hero

GULOSEIMAS: fazer dieta é missão difícil com a fartura de calorias nos quiosques espalhados pelo escritório

pequenininha”, diz Alexandre Hohagen. A construtora Rossi, por exemplo, comprou 21 mil palavraschave do Google e a mesma quantidade também do concorrente Yahoo!. “É uma propaganda direcionada, barata e fácil de mensurar”, diz Rafael Rossi, gerente de marketing da empresa. O Google está se empenhando para conseguir rentabilidade de outras formas — ao todo, são mantidos mais de 40 serviços, a maioria deles ainda não dá dinheiro. O YouTube, por exemplo, começou a gerar caixa. Há três formas de anunciar: comprar uma diária para publicar vídeos da marca na home page, publicar anúncios em uma categoria de vídeos e criar um canal customizado para a marca. Segundo Marco Bebiano, diretor de relacionamento com agências do Google Brasil, a cada minuto, 13 horas de novos vídeos são adicionados ao YouTube por internautas. As empresas também estão no foco do Google. O setor responsável por desbravar o mundo corporativo, o Google Enterprise, já conquistou 10 mil clientes no mundo — no Brasil, a área começou a atuar em julho. As companhias podem assinar versões premium de serviços como o Google Maps e o Apps, além de adotar estruturas prontas de hardware e software para realizar buscas em documentos internos. O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul comprou por 591 mil reais um módulo do Google Search Appliance para realizar as buscas em seus 920 mil documentos. “Os resultados levavam 30 segundos para chegar, agora vêm imediatamente”, diz Florindo Prestes Pedroso, coordenador da divisão de informática do MPE-RS.

Cinqüenta engenheiros dedicam a maior parte do tempo para cuidar da ferramenta de busca que revolucionou a web. Eles compõem a equipe de pesquisa e desenvolvimento do Google no Brasil, com sede em Belo Horizonte (MG), comandada pelo diretor de engenharia Berthier Ribeiro-Neto. “Nosso principal trabalho é refinar o algoritmo de busca”, diz. “A máquina de busca é viva, muda constantemente.” Ribeiro-Neto explica que é importante ter equipes espalhadas pelo mundo. “Existem detalhes que só podem ser percebidos em outros países”, diz. Por exemplo, a equipe brasileira observou que buscas com palavras que têm o mesmo significado em todo o mundo, como “MP3”, traziam resultados em línguas irrelevantes. Os engenheiros trabalham também em versões regionais de produtos, como aconteceu com o Google Maps no Brasil. O diretor afirma que não é fácil encontrar talentos. “Preciso de programadores de gabarito, com espírito de liderança, que saibam criar, desenhar e conduzir software às fases de teste e validação”, diz. Alguém se candidata?

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O IMPÉRIO EM NÚMEROS* Faturamento mundial de

US$ 16,6 bilhões em 2007

19 604 funcionários no mundo

200 funcionários no Brasil, com faixa etária média de 29 anos

50 escritórios em 20 países 1 milhão de usuários ativos do Google Docs

60 milhões de usuários do orkut

10 mil clientes do Google Enterprise

40 bilhões de páginas indexadas à ferramenta de busca * DADOS DE AGOSTO DE 2008

agosto, o serviço ficou fora do ar por algumas horas em diversos países por causa de uma falha no gerenciamento de contatos.

VAI UM NESPRESSO? Por três anos consecutivos, o Google é apontado pela revista Fortune como a melhor empresa para trabalhar. Não é difícil entender o motivo. De Mountain View, onde está sua sede, a São Paulo, não faltam áreas decoradas com poltronas e pufes coloridos — e, no nosso caso, até redes. Em São Paulo, os consoles Xbox e Wii ficam no lounge, onde também é possível jogar sinuca e fliperama. “Quando montamos o escritório novo, meu voto foi para a mesa de sinuca. Jogo desde criança”, diz Cristina Oncken, 31 anos, gerente de vendas do Google. Três vezes por semana, um massagista passa o dia atendendo na empresa. Praticamente todos os funcionários recebem ações da companhia como parte da remuneração e podem pedir reembolso de cursos educacionais e academia de ginástica. Há verba até para decorar as mesas de trabalho. Nesse ambiente informal, onde as pessoas podem usar skate ou patinete para circular, não há código rígido de vestimenta. O predomínio é do trio jeans-camiseta-tênis. O técnico de suporte Daniel Figueira, 28 anos, levantou suspeita em casa por sair todo dia de bermuda. “Tive que trazer meu pai até o escritório para que ele acreditasse que eu tinha mesmo um emprego”, conta. “Não consigo me imaginar trabalhando em uma empresa tradicional.” Bateu uma fome? Quiosques com balas, salgadinhos, chicletes, chocolates e outras guloseimas estão sempre à disposição em diversos pontos do escritório, assim como a geladeira de bebidas e as finas cafeteiras Nespresso — tudo de graça e à vontade, claro. E nada de bater cartão: a flexibilidade de horário no trabalho é grande. O Google apenas recomenda que o funcionário dedique 70% de seu tempo total à atividade principal, 20% a um projeto correlacionado e 10% a projetos pessoais.

LINKS PATROCINADOS Para sustentar todas essas mordomias, o Google enche o bolso com o negócio dos links patrocinados, que correspondem a 98% dos rendimentos da empresa. “É um exemplo do fenômeno da cauda longa, que aborda desde o Bradesco até uma empresa bem

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© FOTOS LUIS USHIROBIRA

DE MINAS PARA O MUNDO

HORA DO RELAX: para descontrair, vale encarar partidas do game Guitar Hero

GULOSEIMAS: fazer dieta é missão difícil com a fartura de calorias nos quiosques espalhados pelo escritório

pequenininha”, diz Alexandre Hohagen. A construtora Rossi, por exemplo, comprou 21 mil palavraschave do Google e a mesma quantidade também do concorrente Yahoo!. “É uma propaganda direcionada, barata e fácil de mensurar”, diz Rafael Rossi, gerente de marketing da empresa. O Google está se empenhando para conseguir rentabilidade de outras formas — ao todo, são mantidos mais de 40 serviços, a maioria deles ainda não dá dinheiro. O YouTube, por exemplo, começou a gerar caixa. Há três formas de anunciar: comprar uma diária para publicar vídeos da marca na home page, publicar anúncios em uma categoria de vídeos e criar um canal customizado para a marca. Segundo Marco Bebiano, diretor de relacionamento com agências do Google Brasil, a cada minuto, 13 horas de novos vídeos são adicionados ao YouTube por internautas. As empresas também estão no foco do Google. O setor responsável por desbravar o mundo corporativo, o Google Enterprise, já conquistou 10 mil clientes no mundo — no Brasil, a área começou a atuar em julho. As companhias podem assinar versões premium de serviços como o Google Maps e o Apps, além de adotar estruturas prontas de hardware e software para realizar buscas em documentos internos. O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul comprou por 591 mil reais um módulo do Google Search Appliance para realizar as buscas em seus 920 mil documentos. “Os resultados levavam 30 segundos para chegar, agora vêm imediatamente”, diz Florindo Prestes Pedroso, coordenador da divisão de informática do MPE-RS.

Cinqüenta engenheiros dedicam a maior parte do tempo para cuidar da ferramenta de busca que revolucionou a web. Eles compõem a equipe de pesquisa e desenvolvimento do Google no Brasil, com sede em Belo Horizonte (MG), comandada pelo diretor de engenharia Berthier Ribeiro-Neto. “Nosso principal trabalho é refinar o algoritmo de busca”, diz. “A máquina de busca é viva, muda constantemente.” Ribeiro-Neto explica que é importante ter equipes espalhadas pelo mundo. “Existem detalhes que só podem ser percebidos em outros países”, diz. Por exemplo, a equipe brasileira observou que buscas com palavras que têm o mesmo significado em todo o mundo, como “MP3”, traziam resultados em línguas irrelevantes. Os engenheiros trabalham também em versões regionais de produtos, como aconteceu com o Google Maps no Brasil. O diretor afirma que não é fácil encontrar talentos. “Preciso de programadores de gabarito, com espírito de liderança, que saibam criar, desenhar e conduzir software às fases de teste e validação”, diz. Alguém se candidata?

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áreas quentes I RIA

NA INTERNET COM O AIR De carona na web 2.0, nova tecnologia da Adobe abre oportunidades para brasileiros POR FRANÇOISE TERZIAN

FABRICIO MANZI, 34 ANOS Diretor da Fmanzi Tecnologia, de Santa Rita do Passa Quatro (SP) CARREIRA Programador ActionScript, autor de dez livros sobre Dreamweaver e Flash, 34 certificações em Adobe, membro do Adobe Captivate Advisory Board e manager do FMUG (User Group Oficial Adobe)

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specialista em tecnologias da Adobe desde 2000 e autor de dez livros sobre Flash e Dreamweaver, Fabricio Manzi, 34 anos, tem uma pequena empresa de consultoria e desenvolvimento em Santa Rita do Passa Quatro, a 253 quilômetros da capital de São Paulo. A distância não foi um obstáculo para Manzi detectar rapidamente uma nova oportunidade de trabalho. Um ano e meio antes de a Adobe colocar no mercado a tecnologia AIR, ele já se inscreveu no programa público de beta. “Percebi a mudança de perfil do usuário de internet e decidi preparar minha empresa. O AIR é uma tecnologia avançada, que começa a ser demandada pelo mercado e tem pouquíssimos profissionais preparados”, afirma. Depois de se habilitar, ele mesmo treinou seus quatro funcionários em AIR. Entrosado com as tendências da web 2.0, o AIR (Adobe Integrated Runtime) cria RIAs, as aplicações ricas para internet, que podem ser instaladas no ambiente de desktop. Entre suas características mais marcantes estão os recursos de interatividade e a possibilidade de rodar em diferentes plataformas, um tremendo atrativo para os desenvolvedores. Manzi, por exemplo, diz que gasta muito tempo criando versões de cada aplicação que desenvolve para os mundos Mac OS, Windows e Linux. Como já era usuário do Flex e programador em ActionScript, a curva de aprendizado de AIR para Manzi foi rápida: ele estudou a documentação, participou de fóruns de desenvolvedores e saiu criando aplicações em AIR — inclusive para a própria Adobe. Com o knowhow acumulado em Adobe e a rápida chegada ao mercado numa tecnologia que poucos dominam, Manzi está surpreendido com a enorme demanda do mercado. “É o caminho certo para quem quer disparar profissionalmente”, diz

© FOTO LUIS USHIROBIRA

entusiasmado o programador, que foi levado para Porto Alegre, Goiânia, Brasília e São Paulo pelo AIR. Até novembro, ele já somava 15 aplicações desenvolvidas na tecnologia, e esse número não pára de crescer.

INTERAÇÃO EM ALTA Para as empresas especializadas em desenvolvimento web, o AIR traz a oportunidade de criar soluções desktop que interagem com sistemas online. “Isso vai gerar uma grande procura por especialistas em AIR”, afirma Lauro Santos, diretor da Br Multimídia (ex-Bahia Multimídia), pequena empresa de Salvador que oferece consultoria e desenvolvimento em tecnologias Adobe. Santos, 34 anos, participa do beta do AIR desde o início, quando era um projeto fechado e ainda chamava-se Apollo. “Pude ver a tecnologia crescendo. O que mais me chamou a atenção é a possibilidade de interagir com o sistema operacional”, diz. Ele destaca recursos como arrastar e soltar, transparências, acesso a dados remotos e suporte a PDF. “Eu e outros desenvolvedores ficamos entusiasmados.” A tecnologia também vem chamando a atenção das agências online. É o caso da paulista AgênciaClick. O diretor de tecnologia João Cabral acompanha de perto tanto a evolução do Adobe AIR como a do Windows Presentation Foundation (WPF). Ele dividiu sua equipe e enviou dois programadores à sede da Microsoft, em Redmond (EUA), para serem treinados em WPF, enquanto outro grupo, especializado em Flash, desenvolve em São Paulo provas de conceito, protótipos e pilotos internos em Adobe AIR.

CURSOS AINDA NO AR Para trabalhar com AIR, o profissional deve dominar ActionScript, Flex, XML,

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áreas quentes I RIA

NA INTERNET COM O AIR De carona na web 2.0, nova tecnologia da Adobe abre oportunidades para brasileiros POR FRANÇOISE TERZIAN

FABRICIO MANZI, 34 ANOS Diretor da Fmanzi Tecnologia, de Santa Rita do Passa Quatro (SP) CARREIRA Programador ActionScript, autor de dez livros sobre Dreamweaver e Flash, 34 certificações em Adobe, membro do Adobe Captivate Advisory Board e manager do FMUG (User Group Oficial Adobe)

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specialista em tecnologias da Adobe desde 2000 e autor de dez livros sobre Flash e Dreamweaver, Fabricio Manzi, 34 anos, tem uma pequena empresa de consultoria e desenvolvimento em Santa Rita do Passa Quatro, a 253 quilômetros da capital de São Paulo. A distância não foi um obstáculo para Manzi detectar rapidamente uma nova oportunidade de trabalho. Um ano e meio antes de a Adobe colocar no mercado a tecnologia AIR, ele já se inscreveu no programa público de beta. “Percebi a mudança de perfil do usuário de internet e decidi preparar minha empresa. O AIR é uma tecnologia avançada, que começa a ser demandada pelo mercado e tem pouquíssimos profissionais preparados”, afirma. Depois de se habilitar, ele mesmo treinou seus quatro funcionários em AIR. Entrosado com as tendências da web 2.0, o AIR (Adobe Integrated Runtime) cria RIAs, as aplicações ricas para internet, que podem ser instaladas no ambiente de desktop. Entre suas características mais marcantes estão os recursos de interatividade e a possibilidade de rodar em diferentes plataformas, um tremendo atrativo para os desenvolvedores. Manzi, por exemplo, diz que gasta muito tempo criando versões de cada aplicação que desenvolve para os mundos Mac OS, Windows e Linux. Como já era usuário do Flex e programador em ActionScript, a curva de aprendizado de AIR para Manzi foi rápida: ele estudou a documentação, participou de fóruns de desenvolvedores e saiu criando aplicações em AIR — inclusive para a própria Adobe. Com o knowhow acumulado em Adobe e a rápida chegada ao mercado numa tecnologia que poucos dominam, Manzi está surpreendido com a enorme demanda do mercado. “É o caminho certo para quem quer disparar profissionalmente”, diz

© FOTO LUIS USHIROBIRA

entusiasmado o programador, que foi levado para Porto Alegre, Goiânia, Brasília e São Paulo pelo AIR. Até novembro, ele já somava 15 aplicações desenvolvidas na tecnologia, e esse número não pára de crescer.

INTERAÇÃO EM ALTA Para as empresas especializadas em desenvolvimento web, o AIR traz a oportunidade de criar soluções desktop que interagem com sistemas online. “Isso vai gerar uma grande procura por especialistas em AIR”, afirma Lauro Santos, diretor da Br Multimídia (ex-Bahia Multimídia), pequena empresa de Salvador que oferece consultoria e desenvolvimento em tecnologias Adobe. Santos, 34 anos, participa do beta do AIR desde o início, quando era um projeto fechado e ainda chamava-se Apollo. “Pude ver a tecnologia crescendo. O que mais me chamou a atenção é a possibilidade de interagir com o sistema operacional”, diz. Ele destaca recursos como arrastar e soltar, transparências, acesso a dados remotos e suporte a PDF. “Eu e outros desenvolvedores ficamos entusiasmados.” A tecnologia também vem chamando a atenção das agências online. É o caso da paulista AgênciaClick. O diretor de tecnologia João Cabral acompanha de perto tanto a evolução do Adobe AIR como a do Windows Presentation Foundation (WPF). Ele dividiu sua equipe e enviou dois programadores à sede da Microsoft, em Redmond (EUA), para serem treinados em WPF, enquanto outro grupo, especializado em Flash, desenvolve em São Paulo provas de conceito, protótipos e pilotos internos em Adobe AIR.

CURSOS AINDA NO AR Para trabalhar com AIR, o profissional deve dominar ActionScript, Flex, XML,

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LAURO SANTOS, serviços web e linguagem de servidores de aplicação. O desenvolvimento é feito em JavaScript HTML ou diretamente na plataforma Flash, com ActionScript. As ferramentas disponíveis para isso são Flex Builder, Flash, Dreamweaver ou o open source Aptana. A Adobe criou um centro de referência da tecnologia em seu site (www.adobe.com/devnet/AIR/ flex), com tutoriais e exemplos de aplicações para download. Além disso, montou dois cursos de AIR: Construção de aplicações para desktop com Flex 3 e com Ajax. No Brasil, a Adobe diz que vai oferecer cursos de AIR, mas não informa precisamente quando. Para os interessados em aprender já os fundamentos da tecnologia, uma das opções é seguir o caminho de autodidatas como Manzi e Santos. A primeira ação é começar com o Flex, tecnologia que traz recursos e ações específicas para AIR e que tem um curso lançado pela Adobe no país. “Mas uma pessoa que fez somente o curso de Flex não tem o preparo para desenvolver plenamente em AIR”, afirma Santos, da Br Multimídia. Ele vai oferecer o próprio curso de AIR em Sal-

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34 ANOS vador e Brasília. A UniversiDiretor da Br dade Anhembi Morumbi vai Multimídia (exBahia Multimídia) incluir o AIR no currículo de bacharelado de Design DigiCARREIRA Consultor de tal em 2009. internet e Lá fora existem pelo memultimídia, Adobe Certified nos 40 grandes empresas Expert, Adobe usando AIR — nomes como Certified Instructor e Adobe User Nickelodeon, Yahoo!, eBay, Group Manager Nasdaq e The New York Times. Nas empresas brasileiras, a tecnologia ainda não é disseminada, mas os desenvolvedores estão animados com as possibilidades de crescimento. A Br Multimídia, por exemplo, que trabalha em um sistema de gerenciamento online com Flex e ColdFusion e aplicações de desktop em AIR, fez uma consultoria à Petrobras e recomendou que a empresa adote o AIR em sua intranet multimídia. Santos planeja abrir uma sede da Br Multimídia em Brasília para oferecer treinamento, venda de software e consultoria em Adobe AIR, Flex e ColdFusion. “Estamos semeando para depois colher os frutos”, diz.

© FOTO EDSON RUIZ

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áreas quentes I linux

O PINGÜIM ASSINA A CARTEIRA Descubra o perfil de quem está se dando bem com Linux nas empresas de TI POR ROBERTA QUEIROZ

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paulista Rafael Xavier e a gaúcha Fernanda Weiden não têm apenas em comum a idade de 26 anos. Os dois especializaram-se no sistema operacional Linux e cravaram uma vaga em grandes empresas de TI. Apenas um ano depois de se formar em Computação, Xavier já estava trabalhando no Linux Technology Center (LTC), da IBM. Linuxista autodidata, Fernanda dobrou seu salário e agarrou uma posição cobiçada por muitos profissionais de tecnologia: faz parte da equipe de desenvolvimento do Google, em Zurique, na Suíça. Somente no LTC, várias feras em Linux foram recrutados este ano, engrossando o time de deze-

FERNANDA, DO GOOGLE: Linux carimbou o passaporte para a Suíça

© FOTO TAMIRES KOPP

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nas de profissionais contratados no laboratório da IBM. “Estamos investindo maciçamente nos centros de desenvolvimento de Linux em todo o mundo”, afirma Flavio Buccianti, líder do LTC, que possui dois centros mundiais em São Paulo, um em Hortolândia e outro na Unicamp, em Campinas. É no centro de Hortolândia que o engenheiro de software Rafael Xavier trabalha há mais de seis meses. Não foi por acaso que ele chegou lá. Quando iniciou o curso de Ciência da Computação, na USP de São Carlos, Xavier já tinha a intenção de conhecer a fundo as plataformas de código aberto e seguir carreira nessa área. E foi o que fez. Enquanto esteve na faculdade, conseguiu uma bolsa no grupo de pesquisa de cristalografia. Sua função era administrar o sistema baseado em plataformas Unix e Linux. “Essa experiência foi fundamental para que eu fosse escolhido durante o processo de seleção”, diz Xavier. No caso de Fernanda, a experiência no mundo do software livre não veio com a universidade. Aos 19 anos, a programadora saiu de Porto Alegre para trabalhar em São Paulo. Como não tinha faculdade, resolveu fazer um curso de uma semana para a certificação RHCE, da Red Hat. Foi uma das cinco primeiras pessoas a conseguir o certificado no Brasil. Depois disso, passou por empresas como a Samurai e a IBM. Além do emprego, o domínio do Linux carimbou o passaporte de Fernanda. Com os conhecimentos que tinha, passou a fazer palestras em eventos internacionais da comunidade de Software Livre. Foi numa dessas apresentações que conseguiu o emprego atual. “Estava no

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XAVIER, DA IBM: um dos linuxistas contratados neste ano

aeroporto de Zurique, pronta para voltar para o Brasil, depois de uma conferência, quando recebi uma ligação do Google me convidando para uma seleção”, diz. Depois de algumas entrevistas, em janeiro de 2006, a linuxista tornou-se administradora de sistemas do Google. A Unisys é outro exemplo de empresa de TI com as portas escancaradas para a turma do pingüim. Entre os profissionais que trabalham no segmento de open source, 38% são especialistas em Linux. São gerentes, engenheiros de software e, principalmente, consultores. “Somente este ano três profissionais já foram contratados para trabalhar com Linux e outras cinco vagas estão abertas”, diz Regina Curi, diretora de RH da Unisys. Essa onda de contratações deve aumentar, conforme as empresas vão migrando seus sistemas e buscando novas opções. “É uma questão de tempo para que a procura por profissionais Linux aumente”, afirma Rodolfo Gobbi, diretor-geral da 4Linux, empresa especializada em treinamento e consultoria de Software Livre, que já treinou mais de 15 mil pessoas em seis anos.

COMO CHEGAR LÁ Para estar no lugar de Xavier ou de Fernanda, não basta ter domínio de Linux. “É preciso conhecer também outras plataformas”, diz Aline Freitas, consultora de TI da Michael Page, empresa de recrutamento de São Paulo. Deli Matsuo, diretor de RH do Google para o Brasil e América Latina, reforça essa teoria. “A maioria das pessoas que contratamos entende bem de Linux. Porém, como nossos produtos são multiplataforma, buscamos pessoas que também dominem outros sistemas operacionais”, afirma. De acordo com a Michael Page, inglês fluente é outro item que conta pontos na contratação. Os salários de nível gerencial são animadores: variam entre 9 e 12 mil reais para gerente de infra-estrutura e de 7 a 10 mil reais para administrador de rede. Outra dica para se destacar são os conhecimentos extras. “Boas chances estão surgindo para quem trabalha com Linux em dispositivos móveis”, afirma Aline, da Michael Page.

CANDIDATE-SE Se você preenche todos os pré-requisitos para se tornar um linuxista com carteira assinada, uma boa dica é o banco de currículo para profissionais Linux (http://curriculo.4linux.com.br). Criado pela 4Linux, o espaço é gratuito e pode ser usado por quem procura uma vaga ou por empresas que queiram recrutar.

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SEU CURRÍCULO POR UMA CAMISETA O Google propôs uma troca inusitada durante o 9º Fórum Internacional de Software Livre (FISL), que aconteceu em Porto Alegre, em abril. A empresa estava trocando currículos por camisetas. Havia vagas para engenheiro de software, gerente técnico, gerente de produto, gerente de operações e administrador de sistemas Linux/ Unix, todas para o escritório de Belo Horizonte. Os prérequisitos pedidos? Capacidade para encarar problemas de escalabilidade com uma quantidade enorme de dados e rápido crescimento da base de usuários, recursos de busca, aprendizado de máquina e conhecimento de redes neurais/ bayesianas.

© FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

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áreas quentes I smartphones

PEGUE CARONA NO iPHONE As agências digitais procuram programadores para o smartphone da Apple. Eles são poucos e disputadíssimos POR FRANÇOISE TERZIAN

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paulistano Marcelo Liberato, de 26 anos, é daqueles que adoram sair fuçando quando vêem uma nova tecnologia. Foi justamente o que aconteceu com o iPhone. “Simplesmente adoro pesquisar e desvendar novas tecnologias”, diz. Há um ano, ele resolveu estudar o iPhone — não foi preciso esperar o chefe pedir. Resultado: hoje, Liberato é o único profissional da AgênciaClick que desenvolve aplicações para o smartphone da Apple. Foi promovido três vezes em cinco anos e virou gerente de desenvolvimento para a nova plataforma. Trabalha em dois projetos experimentais para o iPhone e prepara novos especialistas na agência. Profissionais como Liberato, prontos para o iPhone, ainda são raríssimos no Brasil. E não são apenas os que criam aplicativos, até mesmo especialistas em migrar sites para iPhone estão difíceis de encontrar segundo as agências. Isso beneficia aqueles que se anteciparam à movimentação do mercado, como é o caso de Liberato. “Meu reconhecimento dentro da empresa, minha empregabilidade e as chances de promoção aumentam consideravelmente”, diz ele.

MARCELO LIBERATO,

26 anos QUEM É Gerente de desenvolvimento da AgênciaClick FORMAÇÃO Ciência da Computação na Fasp (Faculdades Associadas São Paulo)

© FOTOS ALEXANDRE BATTIBUGLI

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LONGE DA CONCORRÊNCIA Embora o mercado de desenvolvimento de aplicações para o iPhone ainda não tenha explodido no Brasil, a expectativa é que aconteça um boom em 2009. Além disso, o número de sites feitos ou adaptados para o aparelho da Apple também tende a aumentar conforme mais aparelhos saiam das lojas. Nesse cenário de pouca mão-de-obra especializada e uma futura demanda promissora, as empresas que detêm os funcionários mais capacitados procuram protegê-los da concorrência de todas as formas. “Isso acontece porque, atualmente, você não consegue encontrar profissionais prontos para iPhone”, afirma Haroldo Kerry, vice-presidente de engenharia da Spring Wireless, especializada em sistemas de mobilidade para corporações. As empresas precisam formá-los, o que demanda tempo e investimento. Hoje, a Spring tem um profissional se especializando no iPhone e pretende formar mais dois até o final do ano. O Apontador Maplink, que já vem criando aplicações para outros celulares, também prepara seus profissionais para atender a demanda de portais e grandes empresas, cada vez mais interessados em ter aplicações rodando em iPhone. “O mercado está aquecido para esse profissional. Mesmo aqui, onde temos mais de 40 desenvolvedores para plataformas móveis, ficamos de olho nesses talentos, que são escassos”, diz o CTO Rafael Vinicius de Siqueira. Há quase um ano, o carioca Luciano Albuquerque, de 28 anos, analista de desenvolvimento na Hands, empresa especializada em mobile marketing, faz o que muita gente ainda nem planejou fazer: migrar sites WAP para iPhone ou construir páginas do zero para o aparelhinho da Apple. Albuquerque já conhecia o desenvolvimento para dispositivos móveis, agora ele está se tornando especialista em iPhone. “A adaptação de um site para o iPhone exige que todas as informações sejam customizadas para ele”, afirma ele. Só que para customizar sites, é preciso conhecer as especificidades do Safari e a sua navegação. Albuquerque e outros quatro profissionais da Hands investiram nisso e, até o momento, já customizaram 300 sites para o iPhone. Embora seu salário não tenha mudado, Albuquerque diz que a nova tecnologia trouxe mais conhecimento

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e desafios ao seu dia-a-dia. “É o combustível para um trabalho mais atraente”, afirma.

AUTODIDATAS UNIDOS Como mostra a trajetória de Liberato, os desenvolvedores pioneiros de hoje poderão se transformar nos arquitetos e gerentes das áreas móveis de amanhã. Porém, é preciso começar a se preparar já. Não há certificação da Apple para desenvolvedores de aplicações para iPhone. Mas está em curso uma corrida contra o tempo para se capacitar e disputar as vagas que serão criadas. Abel Reis, presidente da AgênciaClick, recomenda bom senso e o uso das melhores práticas em projetos de interface, pois a ergonomia e a usabilidade do iPhone são diferentes. “A tela é menor, é preciso conhecer os padrões envolvidos em celulares — WAP e WML —, ficar atento à interface e ter em mente que não dá para migrar sites criados para um browser convencional para o iPhone. A navegação ficaria comprometida”, diz Reis. Ele destaca ainda que, como sites para iPhone não rodam Java nem Flash, o desenvolvedor precisa de uma nova mentalidade.

Por sua vez, Liberato recomenda um domínio prévio das linguagens C e Java, e investir num computador Mac, da Apple. A razão para isso é o fato de o SDK (Software Development Kit) do iPhone ser baseado na plataforma Mac OS X. Para baixar esse kit de desenvolvimento, é preciso inscrever-se no iPhone Developer Program (http://developer.apple.com/ iphone). O pacote traz toda a documentação técnica — códigos de referência, livros, tutoriais, ferramentas e suporte — para criar aplicativos. Por 99 dólares anuais, é possível distribuir suas criações na loja virtual App Store. A linguagem de programação usada é a Objective-C, linguagem antiga e comum no mundo Mac, mas desconhecida do universo Windows. Baseada em C, ela possui extensões que incluem orientação a objetos. A experiência no desenvolvimento de aplicações móveis e o conhecimento de Java ou .NET facilitam o aprendizado em Objective-C. Em três meses, Liberato conseguiu se capacitar na linguagem. Essa rapidez e a curiosidade com a nova plataforma explicam um pouco de seu sucesso.

ANDROID MADE IN BRAZIL Paralelamente ao iPhone, a plataforma Android, do Google, também abre oportunidades para os desenvolvedores. Os irmãos paranaenses José Augusto e Eduardo Ferrarini se deram bem e levaram 100 mil dólares de prêmio do Google. A façanha? A versão do Teradesk, software de virtualização de arquivos e acesso remoto, para o Android foi uma das 20 finalistas entre 1 788 aplicações que participaram do Android Developer Challenge (ADC). Agora, a empresa dos irmãos, Ferrarini Tecnologia, corre para terminar a versão final do Teradesk e colocá-la no mercado.

LUCIANO ALBUQUERQUE, 28 anos QUEM É Analista de desenvolvimento da Hands FORMAÇÃO Informática na PUC-RJ, Mestrado em Redes na Coppe/UFRJ

© FOTOS ANDRE VALENTIM

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LONGE DA CONCORRÊNCIA Embora o mercado de desenvolvimento de aplicações para o iPhone ainda não tenha explodido no Brasil, a expectativa é que aconteça um boom em 2009. Além disso, o número de sites feitos ou adaptados para o aparelho da Apple também tende a aumentar conforme mais aparelhos saiam das lojas. Nesse cenário de pouca mão-de-obra especializada e uma futura demanda promissora, as empresas que detêm os funcionários mais capacitados procuram protegê-los da concorrência de todas as formas. “Isso acontece porque, atualmente, você não consegue encontrar profissionais prontos para iPhone”, afirma Haroldo Kerry, vice-presidente de engenharia da Spring Wireless, especializada em sistemas de mobilidade para corporações. As empresas precisam formá-los, o que demanda tempo e investimento. Hoje, a Spring tem um profissional se especializando no iPhone e pretende formar mais dois até o final do ano. O Apontador Maplink, que já vem criando aplicações para outros celulares, também prepara seus profissionais para atender a demanda de portais e grandes empresas, cada vez mais interessados em ter aplicações rodando em iPhone. “O mercado está aquecido para esse profissional. Mesmo aqui, onde temos mais de 40 desenvolvedores para plataformas móveis, ficamos de olho nesses talentos, que são escassos”, diz o CTO Rafael Vinicius de Siqueira. Há quase um ano, o carioca Luciano Albuquerque, de 28 anos, analista de desenvolvimento na Hands, empresa especializada em mobile marketing, faz o que muita gente ainda nem planejou fazer: migrar sites WAP para iPhone ou construir páginas do zero para o aparelhinho da Apple. Albuquerque já conhecia o desenvolvimento para dispositivos móveis, agora ele está se tornando especialista em iPhone. “A adaptação de um site para o iPhone exige que todas as informações sejam customizadas para ele”, afirma ele. Só que para customizar sites, é preciso conhecer as especificidades do Safari e a sua navegação. Albuquerque e outros quatro profissionais da Hands investiram nisso e, até o momento, já customizaram 300 sites para o iPhone. Embora seu salário não tenha mudado, Albuquerque diz que a nova tecnologia trouxe mais conhecimento

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e desafios ao seu dia-a-dia. “É o combustível para um trabalho mais atraente”, afirma.

AUTODIDATAS UNIDOS Como mostra a trajetória de Liberato, os desenvolvedores pioneiros de hoje poderão se transformar nos arquitetos e gerentes das áreas móveis de amanhã. Porém, é preciso começar a se preparar já. Não há certificação da Apple para desenvolvedores de aplicações para iPhone. Mas está em curso uma corrida contra o tempo para se capacitar e disputar as vagas que serão criadas. Abel Reis, presidente da AgênciaClick, recomenda bom senso e o uso das melhores práticas em projetos de interface, pois a ergonomia e a usabilidade do iPhone são diferentes. “A tela é menor, é preciso conhecer os padrões envolvidos em celulares — WAP e WML —, ficar atento à interface e ter em mente que não dá para migrar sites criados para um browser convencional para o iPhone. A navegação ficaria comprometida”, diz Reis. Ele destaca ainda que, como sites para iPhone não rodam Java nem Flash, o desenvolvedor precisa de uma nova mentalidade.

Por sua vez, Liberato recomenda um domínio prévio das linguagens C e Java, e investir num computador Mac, da Apple. A razão para isso é o fato de o SDK (Software Development Kit) do iPhone ser baseado na plataforma Mac OS X. Para baixar esse kit de desenvolvimento, é preciso inscrever-se no iPhone Developer Program (http://developer.apple.com/ iphone). O pacote traz toda a documentação técnica — códigos de referência, livros, tutoriais, ferramentas e suporte — para criar aplicativos. Por 99 dólares anuais, é possível distribuir suas criações na loja virtual App Store. A linguagem de programação usada é a Objective-C, linguagem antiga e comum no mundo Mac, mas desconhecida do universo Windows. Baseada em C, ela possui extensões que incluem orientação a objetos. A experiência no desenvolvimento de aplicações móveis e o conhecimento de Java ou .NET facilitam o aprendizado em Objective-C. Em três meses, Liberato conseguiu se capacitar na linguagem. Essa rapidez e a curiosidade com a nova plataforma explicam um pouco de seu sucesso.

ANDROID MADE IN BRAZIL Paralelamente ao iPhone, a plataforma Android, do Google, também abre oportunidades para os desenvolvedores. Os irmãos paranaenses José Augusto e Eduardo Ferrarini se deram bem e levaram 100 mil dólares de prêmio do Google. A façanha? A versão do Teradesk, software de virtualização de arquivos e acesso remoto, para o Android foi uma das 20 finalistas entre 1 788 aplicações que participaram do Android Developer Challenge (ADC). Agora, a empresa dos irmãos, Ferrarini Tecnologia, corre para terminar a versão final do Teradesk e colocá-la no mercado.

LUCIANO ALBUQUERQUE, 28 anos QUEM É Analista de desenvolvimento da Hands FORMAÇÃO Informática na PUC-RJ, Mestrado em Redes na Coppe/UFRJ

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áreas quentes I centro de dados

HÁ VAGAS NO DATA CENTER Quem domina virtualização, banco de dados e redes é mais valorizado

VINÍCIUS PONTES,

34 ANOS, DIRETOR DE OPERAÇÕES OUTSOURCING DA GLOBAL CROSSING FORMAÇÃO: Cisco, Novell, Microsoft e Itil e cursa a segunda graduação CARREIRA: promovido cinco vezes em seis anos de empresa

POR CIBELE GANDOLPHO

A

carreira do administrador de redes de data center Vinícius Pontes, 34 anos, de São Paulo, decolou depois que ele foi contratado pela Global Crossing, em 2002. De lá para cá, Pontes foi promovido cinco vezes e viu seu salário subir

600%. O carioca Cláudio Assis, 27 anos, ingressou na Alog Data Centers como operador de IDC. Agora é analista de operações de TI. Seu salário é o dobro de quando começou em 2005. O paulista Andrey Oliveira Guedes, 31 anos, está há mais de

CLÁUDIO ASSIS

, 27 ANOS, ANALISTA DE OPERAÇÕES DE TI DA ALOG FORMAÇÃO: curso superior em TI com ênfase em análise de sistemas CARREIRA: promovido após um ano como operador na Alog, onde está desde 2005

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© FOTO ANDRE VALENTIM

seis anos na Diveo, onde ocupa o cargo de gerente de operações. Pontes, Assis e Guedes são exemplos de profissionais que agarraram oportunidades no mercado de data center e se deram bem. Para chegar lá, os três investiram na formação em diferentes áreas. Pontes fez especializações técnicas e certificações Cisco, Novell, Microsoft e Itil. Assis correu atrás de um curso superior na área de TI, com ênfase em análise de sistemas. E Guedes fez mestrado em engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações e deu um upgrade no currículo com especializações em gestão empresarial, cadeia de suprimentos, gestão de projetos, além de certificação Microsoft Certified Professional. “A formação contínua e consistente de um profissional é condição essencial para que ele possa ter oportunidades de carreira no data center”, diz Sávio Luiz, diretor de data center da Global Crossing. Para Janete Teixeira Dias, coordenadora do departamento de Gestão de Carreira da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), ter uma certificação faz diferença na carreira e no bolso. “Um profissional com certificações e especializações tem mais chances de atingir salários maiores”, diz. Enquanto o salário de um analista júnior varia de 3 mil a 5 mil reais, um gerente de suporte pode ganhar, em média, 12 mil reais.

© FOTO LUIS USHIROBIRA

NOVAS TECNOLOGIAS A atualização profissional, pré-requisito em qualquer carreira, é ainda mais imprescindível para pilotar os racks de servidores dos data centers. “Sempre atuei com infra-estrutura. Como é uma área sempre cheia de novidades, tenho buscado aperfeiçoamento constante”, diz Guedes, da Diveo. Quando uma nova tecnologia ou conceito surge no mundo da TI, muitas vezes precisa ser adotada imediatamente nas empresas de hosting e colocation. Foi assim com o Linux anos atrás e, mais recentemente, com a virtualização. A tecnologia está revolucionando os data centers, mas há poucos profissionais que dominam essa prática. Os números comprovam. Segundo pesquisa da Symantec com empresas de 14 países, anualmente são gastos 6,6 bilhões de dólares na administração de dados. Entre as principais práticas aparecem a virtualização e a consolidação de servidores. No entanto, não é fácil encontrar profissionais quali-

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áreas quentes I centro de dados

HÁ VAGAS NO DATA CENTER Quem domina virtualização, banco de dados e redes é mais valorizado

VINÍCIUS PONTES,

34 ANOS, DIRETOR DE OPERAÇÕES OUTSOURCING DA GLOBAL CROSSING FORMAÇÃO: Cisco, Novell, Microsoft e Itil e cursa a segunda graduação CARREIRA: promovido cinco vezes em seis anos de empresa

POR CIBELE GANDOLPHO

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carreira do administrador de redes de data center Vinícius Pontes, 34 anos, de São Paulo, decolou depois que ele foi contratado pela Global Crossing, em 2002. De lá para cá, Pontes foi promovido cinco vezes e viu seu salário subir

600%. O carioca Cláudio Assis, 27 anos, ingressou na Alog Data Centers como operador de IDC. Agora é analista de operações de TI. Seu salário é o dobro de quando começou em 2005. O paulista Andrey Oliveira Guedes, 31 anos, está há mais de

CLÁUDIO ASSIS

, 27 ANOS, ANALISTA DE OPERAÇÕES DE TI DA ALOG FORMAÇÃO: curso superior em TI com ênfase em análise de sistemas CARREIRA: promovido após um ano como operador na Alog, onde está desde 2005

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seis anos na Diveo, onde ocupa o cargo de gerente de operações. Pontes, Assis e Guedes são exemplos de profissionais que agarraram oportunidades no mercado de data center e se deram bem. Para chegar lá, os três investiram na formação em diferentes áreas. Pontes fez especializações técnicas e certificações Cisco, Novell, Microsoft e Itil. Assis correu atrás de um curso superior na área de TI, com ênfase em análise de sistemas. E Guedes fez mestrado em engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações e deu um upgrade no currículo com especializações em gestão empresarial, cadeia de suprimentos, gestão de projetos, além de certificação Microsoft Certified Professional. “A formação contínua e consistente de um profissional é condição essencial para que ele possa ter oportunidades de carreira no data center”, diz Sávio Luiz, diretor de data center da Global Crossing. Para Janete Teixeira Dias, coordenadora do departamento de Gestão de Carreira da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), ter uma certificação faz diferença na carreira e no bolso. “Um profissional com certificações e especializações tem mais chances de atingir salários maiores”, diz. Enquanto o salário de um analista júnior varia de 3 mil a 5 mil reais, um gerente de suporte pode ganhar, em média, 12 mil reais.

© FOTO LUIS USHIROBIRA

NOVAS TECNOLOGIAS A atualização profissional, pré-requisito em qualquer carreira, é ainda mais imprescindível para pilotar os racks de servidores dos data centers. “Sempre atuei com infra-estrutura. Como é uma área sempre cheia de novidades, tenho buscado aperfeiçoamento constante”, diz Guedes, da Diveo. Quando uma nova tecnologia ou conceito surge no mundo da TI, muitas vezes precisa ser adotada imediatamente nas empresas de hosting e colocation. Foi assim com o Linux anos atrás e, mais recentemente, com a virtualização. A tecnologia está revolucionando os data centers, mas há poucos profissionais que dominam essa prática. Os números comprovam. Segundo pesquisa da Symantec com empresas de 14 países, anualmente são gastos 6,6 bilhões de dólares na administração de dados. Entre as principais práticas aparecem a virtualização e a consolidação de servidores. No entanto, não é fácil encontrar profissionais quali-

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ANDREY GUEDES,

31 ANOS, GERENTE DE OPERAÇÕES DO DATA CENTER DA DIVEO FORMAÇÃO: especializações em redes e sistemas da informação e certificação Microsoft CARREIRA: está há seis anos na Diveo

ficados. Dos entrevistados, 52% relataram operar com déficit de pessoal, 86% dizem ter dificuldade em encontrar candidatos adequados e 57% afirmaram que a qualificação dos empregados não atende às necessidades. Junto com a atualização profissional, a versatilidade é outra qualidade valorizada pelas empresas na hora da contratação. “Nossa equipe é enxuta, por isso precisamos de profissionais que dominem desde a instalação e administração de servidores Windows e Linux até administração de redes e banco de dados”, afirma Fernanda Reis, gerente de recursos humanos da Alog Data Centers. Enquanto algumas empresas valorizam o profissional mais generalista, outras dão preferência ao especialista. “A nossa maior procura é por pessoas com experiência de no mínimo cinco anos em ambientes especializados, como banco

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de dados Oracle e SQL, e sistemas de alta disponibilidade, como clusters Unix”, diz Claudia Nicoli, gerente de recursos humanos da Diveo.

DE OLHO NOS NEGÓCIOS Além do conhecimento técnico, as empresas também querem funcionários que entendam — e se envolvam com — o negócio. “Os data centers estão interessados em profissionais ligados à busca de novos clientes e preocupados com o relacionamento com os já existentes”, afirma Ana Luiza Loureiro Segall, sócia da consultoria em tecnologia, telecomunicações e serviços Assert. A prática confirma essa tese. “Para crescer nesta carreira, percebi que é preciso estar antenado não só na parte técnica, mas também na visão e na estratégia de negócio da empresa”, diz Assis, da Alog Data Centers.

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áreas quentes I serviço público

SERPRO, EM BRASÍLIA: 616 vagas em disputa, muitas delas em TI

EMPREGOS NO GOVERNO Vale a pena encarar um concurso público na área de TI? POR ROBERTA QUEIROZ

P

elo menos 780 vagas estão abertas no setor público para profissionais de TI no final de 2008. Dataprev, Proninp e Marinha são alguns dos órgãos federais e estaduais que oferecem oportunidades para profissionais da área. O Serpro está em processo de contratação de outros 616 profissionais, entre eles analistas de informática, negócios em TI, desenvolvimento de sistemas e redes. Para ter direito a um lugar em qualquer uma dessas instituições, o único caminho é o serviço público. Mas atravessá-lo não é algo trivial. Só em 2007, 8 milhões de pessoas se inscreveram em algum tipo de concurso no país, segundo números da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos, do Rio de Janeiro. Na área de TI, a concorrência é grande. No concurso reali-

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zado pelo Serpro em 2005 foram 23 333 inscritos para 1 980 vagas, o equivalente a 11,7 candidatos por vaga. Na Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp), o processo de seleção realizado em 2004 teve a concorrência de 30 pessoas para cada cadeira. Tanto interesse pelo governo se justifica, em parte, pela oportunidade de bons salários no início da carreira sem precisar apresentar um currículo recheado de experiências. Os valores são convidativos, principalmente para quem está começando: para profissionais de nível superior, variam de 2 020 reais para analista de suporte técnico na Secretaria do Estado da Administração de Tocantins a 5 573 reais para tecnologista pleno de nível 3 no Instituto Nacional de Pesquisas

© FOTO ANDERSON SCHNEIDER

Espaciais (inpe), em São José dos Campos (SP). “Com o mercado competitivo, o acesso ao primeiro emprego ficou difícil, e o governo passou a ser uma boa opção para os jovens”, afirma Joel Dutra, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo. As chances de realizar cursos, treinamentos e avançar no desenvolvimento profissional também são um ponto a favor das instituições do governo. Somente na Prodesp foram investidos 938 mil reais com treinamentos dos funcionários em 2007. “Precisamos capacitar nossos funcionários com tecnologias de ponta para atender à demanda de um estado como São Paulo”, afirma Leão Carvalho, diretor-presidente da Prodesp. A formação oferecida pelas empresas públicas e a grandiosidade de projetos realizados também podem abrir as portas da iniciativa privada para os profissionais de TI.

CONTRATAÇÃO POR CLT A estabilidade, que ainda funciona como um chamariz para as vagas públicas, não está mais tão presente nas empresas de tecnologia do governo. Hoje são poucos os órgãos que ainda mantêm a estabilidade entre os benefícios. A maioria possui a forma de contratação baseada na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), o que não garante a permanência no emprego.

Imaginar que conquistar uma vaga pública pressupõe uma vida tranqüila, com pouco trabalho e salário fácil, também é um engano, especialmente quando se fala em TI. A área é tão dinâmica e as novidades surgem tão rapidamente que não há espaço para profissionais acomodados. “Quem não se atualiza acaba sendo expelido pelos próprios colegas”, diz Fernando de Abreu Faria, que por cinco anos comandou a TI do Banco Central. A atualização profissional é obrigatória, mas não garante promoções. Em muitos órgãos, a influência política na indicação dos nomes para cargos mais altos é a realidade. Em geral, os presidentes das empresas, diretores e secretários são nomeados por indicação. Naturalmente, alguns funcionários de carreira conseguem chegar a cargos de diretoria, mas não é tarefa fácil. O paulista Marcos Tadeu Yazaki, de 42 anos, é um exemplo. Funcionário da Prodesp há 28 anos, ele já foi analista de sistemas, especialista em informática, gerente, superintendente de área e, hoje, é diretor de atendimento ao cliente. Acima dele, há apenas o presidente. “Sempre procurei participar de grandes projetos e me atualizar. Mesmo com as mudanças de governo briguei por desafios e conquistei posições”, diz.

PREPARE-SE! VEJA ALGUMAS DICAS DE ADALBERTO PINTO, PROFESSOR ESPECIALIZADO EM TÉCNICAS DE ESTUDOS PARA CONCURSOS, DA CENTRAL DE CONCURSOS 1. Estude pelo menos duas horas por dia. 2. Pesquise provas antigas do órgão em que você pretende entrar. 3. Leia bem o edital e compare as provas anteriores. “É importante comparar o que o edital está cobrando com o que já caiu em outras provas. O conteúdo geralmente é muito grande e é preciso dar foco nos temas que sempre aparecem.” 4. Não deixe de lado as matérias que são sua especialidade. “Por achar que já sabe do assunto, algumas pessoas não estudam os temas que consideram mais fáceis. É aí que erram.” 5. Não basta apenas entender e sim fixar. As questões são sempre repetidas.

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áreas quentes I serviço público

SERPRO, EM BRASÍLIA: 616 vagas em disputa, muitas delas em TI

EMPREGOS NO GOVERNO Vale a pena encarar um concurso público na área de TI? POR ROBERTA QUEIROZ

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elo menos 780 vagas estão abertas no setor público para profissionais de TI no final de 2008. Dataprev, Proninp e Marinha são alguns dos órgãos federais e estaduais que oferecem oportunidades para profissionais da área. O Serpro está em processo de contratação de outros 616 profissionais, entre eles analistas de informática, negócios em TI, desenvolvimento de sistemas e redes. Para ter direito a um lugar em qualquer uma dessas instituições, o único caminho é o serviço público. Mas atravessá-lo não é algo trivial. Só em 2007, 8 milhões de pessoas se inscreveram em algum tipo de concurso no país, segundo números da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos, do Rio de Janeiro. Na área de TI, a concorrência é grande. No concurso reali-

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zado pelo Serpro em 2005 foram 23 333 inscritos para 1 980 vagas, o equivalente a 11,7 candidatos por vaga. Na Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp), o processo de seleção realizado em 2004 teve a concorrência de 30 pessoas para cada cadeira. Tanto interesse pelo governo se justifica, em parte, pela oportunidade de bons salários no início da carreira sem precisar apresentar um currículo recheado de experiências. Os valores são convidativos, principalmente para quem está começando: para profissionais de nível superior, variam de 2 020 reais para analista de suporte técnico na Secretaria do Estado da Administração de Tocantins a 5 573 reais para tecnologista pleno de nível 3 no Instituto Nacional de Pesquisas

© FOTO ANDERSON SCHNEIDER

Espaciais (inpe), em São José dos Campos (SP). “Com o mercado competitivo, o acesso ao primeiro emprego ficou difícil, e o governo passou a ser uma boa opção para os jovens”, afirma Joel Dutra, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo. As chances de realizar cursos, treinamentos e avançar no desenvolvimento profissional também são um ponto a favor das instituições do governo. Somente na Prodesp foram investidos 938 mil reais com treinamentos dos funcionários em 2007. “Precisamos capacitar nossos funcionários com tecnologias de ponta para atender à demanda de um estado como São Paulo”, afirma Leão Carvalho, diretor-presidente da Prodesp. A formação oferecida pelas empresas públicas e a grandiosidade de projetos realizados também podem abrir as portas da iniciativa privada para os profissionais de TI.

CONTRATAÇÃO POR CLT A estabilidade, que ainda funciona como um chamariz para as vagas públicas, não está mais tão presente nas empresas de tecnologia do governo. Hoje são poucos os órgãos que ainda mantêm a estabilidade entre os benefícios. A maioria possui a forma de contratação baseada na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), o que não garante a permanência no emprego.

Imaginar que conquistar uma vaga pública pressupõe uma vida tranqüila, com pouco trabalho e salário fácil, também é um engano, especialmente quando se fala em TI. A área é tão dinâmica e as novidades surgem tão rapidamente que não há espaço para profissionais acomodados. “Quem não se atualiza acaba sendo expelido pelos próprios colegas”, diz Fernando de Abreu Faria, que por cinco anos comandou a TI do Banco Central. A atualização profissional é obrigatória, mas não garante promoções. Em muitos órgãos, a influência política na indicação dos nomes para cargos mais altos é a realidade. Em geral, os presidentes das empresas, diretores e secretários são nomeados por indicação. Naturalmente, alguns funcionários de carreira conseguem chegar a cargos de diretoria, mas não é tarefa fácil. O paulista Marcos Tadeu Yazaki, de 42 anos, é um exemplo. Funcionário da Prodesp há 28 anos, ele já foi analista de sistemas, especialista em informática, gerente, superintendente de área e, hoje, é diretor de atendimento ao cliente. Acima dele, há apenas o presidente. “Sempre procurei participar de grandes projetos e me atualizar. Mesmo com as mudanças de governo briguei por desafios e conquistei posições”, diz.

PREPARE-SE! VEJA ALGUMAS DICAS DE ADALBERTO PINTO, PROFESSOR ESPECIALIZADO EM TÉCNICAS DE ESTUDOS PARA CONCURSOS, DA CENTRAL DE CONCURSOS 1. Estude pelo menos duas horas por dia. 2. Pesquise provas antigas do órgão em que você pretende entrar. 3. Leia bem o edital e compare as provas anteriores. “É importante comparar o que o edital está cobrando com o que já caiu em outras provas. O conteúdo geralmente é muito grande e é preciso dar foco nos temas que sempre aparecem.” 4. Não deixe de lado as matérias que são sua especialidade. “Por achar que já sabe do assunto, algumas pessoas não estudam os temas que consideram mais fáceis. É aí que erram.” 5. Não basta apenas entender e sim fixar. As questões são sempre repetidas.

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novos negócios I desenvolvimento

SOFTWARE PARA OS PEQUENOS O desenvolvimento para empresas de menor porte inspira novos negócios POR SILVIA BALIEIRO*

D

epois de oito anos trabalhando em confecções na região de Londrina, no Paraná, Adriano Zanini, 32 anos, decidiu trocar o holerite de 1 200 reais pelo comando do próprio negócio. O mesmo aconteceu com o matemático Marcos Fiori, 39 anos, que largou o cargo de diretor de tecnologia na empresa de internet Master Biz e abriu uma desenvolvedora de sistemas para marketing na internet. Apesar de bem diferentes,

os negócios de Zanini e de Fiori têm características em comum: surgiram como solução voltada para pequenas empresas. A Akna, de Fiori, foi fundada em agosto de 2005 com investimentos do próprio matemático — num total de 300 mil reais, distribuídos em seis meses. O primeiro software, o Akna E-mail Marketing, surgiu em dezembro do mesmo ano. Para divulgar a ferramenta, o empreendedor usou

como recursos o boca-a-boca e os links patrocinados do Google. “Até hoje temos um bom retorno com esse serviço de divulgação”, diz Fiori. Quando montou a Akna, a intenção do empresário era ter um grande portfólio de produtos. Mas a aceitação da ferramenta de envio de emails foi maior que o esperado e adiou a criação de novos programas. “Passei a me dedicar às modificações sugeridas pelos clientes”, diz Fiori. O resultado de toda essa dedicação aparece nos números. A companhia espera faturar 3,5 milhões de reais neste ano. O número de clientes chega a 350. Apesar de a maioria ser micro e pequenas empresas, Fiori trouxe para sua carteira nomões como Blockbuster e Siciliano. A estratégia para continuar crescendo é lançar novos produtos, como o software de análise de audiência Akna Web Reports. Ainda este ano também deve chegar ao mercado um programa de CRM.

DIVULGAÇÃO POR DOWNLOAD Enquanto a Akna desenvolveu um programa para negócios de todos os segmentos, a iSoft Sistemas focou no setor têxtil. Durante o período em que trabalhou nas confecções da região de Londrina, o paranaense Adriano Zanini percebeu que não havia programas específicos para esse tipo de empresa e descobriu aí uma oportunidade de negócio. “Peguei uma fatia de mercado que as outras desenvolvedoras não queriam”, diz. Trabalhando em casa nas horas vagas, Zanini colocou o seu programa iShopping para rodar em 2004. Disposto a iniciar um negócio, demitiu-se e fundou a iSoft Sistemas. O investimento inicial foi de 2 mil reais, gastos em um desktop e móveis de escritório. Além de oferecer serviços para firmas do norte paranaense, Zanini investiu na divulgação via internet. Preparou uma versão básica do iShopping e colocou-a gratuitamente em sites de download. O programa fez sucesso, mas o retorno financeiro não era proporcional. Poucos downloads se convertiam em upgrade para o modelo pago. “O meu erro foi oferecer uma versão sem restrição nenhuma”, diz Zanini. A virada da iSoft começou quando o empresário passou a limitar o uso da ferramenta gratuita para até 50 cadastros. Hoje, o iShopping registra

AKNA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO FUNDAÇÃO: 2005 FUNCIONÁRIOS: 12 INVESTIMENTO INICIAL: 300 mil reais FATURAMENTO ANUAL: 3,5 milhões de reais (previsão para 2008)

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© FOTO LUIS USHIROBIRA

© FOTO MILTON DÓRIA

iSOFT SISTEMAS FUNDAÇÃO: 2004 FUNCIONÁRIOS: 8 INVESTIMENTO INICIAL: 2 mil reais FATURAMENTO ANUAL: 1,8 milhão de reais (previsão para 2008)

mais de mil downloads por semana. E, mensalmente, a empresa vende 2 mil cópias de seus produtos. Com oito funcionários, o negócio faturou 680 mil reais em 2007. Neste ano, a previsão é que a receita chegue a 1,8 milhão de reais, graças ao lançamento do iTex, um ERP para indústrias de confecções e têxtil. O programa foi usado por oito clientes em fase piloto. “Levo vantagem sobre outras empresas de fora do Paraná porque consigo oferecer suporte local”, diz Zanini. A Akna e a iSoft estão longe de ser exceções. As chances de sucesso em TI para pequenos são bem concretas. Muitos estabelecimentos ainda usam a planilha Excel para definir preços, controlar estoques e cadastrar seus clientes. E boa parte deles tem intenção de usar a TI para ter uma melhor visão do negócio. “Falta mais conhecimento do que dinheiro para pagar pela tecnologia”, diz Jorge Pereira, consultor do Sebrae-SP. *COLABOROU PAMELA FORTI

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novos negócios I desenvolvimento

SOFTWARE PARA OS PEQUENOS O desenvolvimento para empresas de menor porte inspira novos negócios POR SILVIA BALIEIRO*

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epois de oito anos trabalhando em confecções na região de Londrina, no Paraná, Adriano Zanini, 32 anos, decidiu trocar o holerite de 1 200 reais pelo comando do próprio negócio. O mesmo aconteceu com o matemático Marcos Fiori, 39 anos, que largou o cargo de diretor de tecnologia na empresa de internet Master Biz e abriu uma desenvolvedora de sistemas para marketing na internet. Apesar de bem diferentes,

os negócios de Zanini e de Fiori têm características em comum: surgiram como solução voltada para pequenas empresas. A Akna, de Fiori, foi fundada em agosto de 2005 com investimentos do próprio matemático — num total de 300 mil reais, distribuídos em seis meses. O primeiro software, o Akna E-mail Marketing, surgiu em dezembro do mesmo ano. Para divulgar a ferramenta, o empreendedor usou

como recursos o boca-a-boca e os links patrocinados do Google. “Até hoje temos um bom retorno com esse serviço de divulgação”, diz Fiori. Quando montou a Akna, a intenção do empresário era ter um grande portfólio de produtos. Mas a aceitação da ferramenta de envio de emails foi maior que o esperado e adiou a criação de novos programas. “Passei a me dedicar às modificações sugeridas pelos clientes”, diz Fiori. O resultado de toda essa dedicação aparece nos números. A companhia espera faturar 3,5 milhões de reais neste ano. O número de clientes chega a 350. Apesar de a maioria ser micro e pequenas empresas, Fiori trouxe para sua carteira nomões como Blockbuster e Siciliano. A estratégia para continuar crescendo é lançar novos produtos, como o software de análise de audiência Akna Web Reports. Ainda este ano também deve chegar ao mercado um programa de CRM.

DIVULGAÇÃO POR DOWNLOAD Enquanto a Akna desenvolveu um programa para negócios de todos os segmentos, a iSoft Sistemas focou no setor têxtil. Durante o período em que trabalhou nas confecções da região de Londrina, o paranaense Adriano Zanini percebeu que não havia programas específicos para esse tipo de empresa e descobriu aí uma oportunidade de negócio. “Peguei uma fatia de mercado que as outras desenvolvedoras não queriam”, diz. Trabalhando em casa nas horas vagas, Zanini colocou o seu programa iShopping para rodar em 2004. Disposto a iniciar um negócio, demitiu-se e fundou a iSoft Sistemas. O investimento inicial foi de 2 mil reais, gastos em um desktop e móveis de escritório. Além de oferecer serviços para firmas do norte paranaense, Zanini investiu na divulgação via internet. Preparou uma versão básica do iShopping e colocou-a gratuitamente em sites de download. O programa fez sucesso, mas o retorno financeiro não era proporcional. Poucos downloads se convertiam em upgrade para o modelo pago. “O meu erro foi oferecer uma versão sem restrição nenhuma”, diz Zanini. A virada da iSoft começou quando o empresário passou a limitar o uso da ferramenta gratuita para até 50 cadastros. Hoje, o iShopping registra

AKNA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO FUNDAÇÃO: 2005 FUNCIONÁRIOS: 12 INVESTIMENTO INICIAL: 300 mil reais FATURAMENTO ANUAL: 3,5 milhões de reais (previsão para 2008)

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iSOFT SISTEMAS FUNDAÇÃO: 2004 FUNCIONÁRIOS: 8 INVESTIMENTO INICIAL: 2 mil reais FATURAMENTO ANUAL: 1,8 milhão de reais (previsão para 2008)

mais de mil downloads por semana. E, mensalmente, a empresa vende 2 mil cópias de seus produtos. Com oito funcionários, o negócio faturou 680 mil reais em 2007. Neste ano, a previsão é que a receita chegue a 1,8 milhão de reais, graças ao lançamento do iTex, um ERP para indústrias de confecções e têxtil. O programa foi usado por oito clientes em fase piloto. “Levo vantagem sobre outras empresas de fora do Paraná porque consigo oferecer suporte local”, diz Zanini. A Akna e a iSoft estão longe de ser exceções. As chances de sucesso em TI para pequenos são bem concretas. Muitos estabelecimentos ainda usam a planilha Excel para definir preços, controlar estoques e cadastrar seus clientes. E boa parte deles tem intenção de usar a TI para ter uma melhor visão do negócio. “Falta mais conhecimento do que dinheiro para pagar pela tecnologia”, diz Jorge Pereira, consultor do Sebrae-SP. *COLABOROU PAMELA FORTI

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novos negócios I vídeos

VÍDEO NO LUGAR DO HOLERITE? Pequenas produtoras embarcam nos vídeos online para empresas POR CIBELE GANDOLPHO

B

anda larga mais veloz, explosão de sites como o YouTube e empresas dispostas a apresentar seus produtos na web. É a combinação desses três fatores que inspirou empreendedores como Alysson Martins, MARTINS, DA 7200 RPM: investimento inicial de 16 mil reais de 32 anos, Joel Dias Maciel, de 39 anos, e Helder José Palermo, de 46 anos. Eles não trabalham juntos, mas tiveram a mes- meses”, diz o Joel Maciel, publicitário com 17 anos de ma idéia: montar pequenas empresas para produzir experiência na criação de comerciais. Hoje, ele retira um salário mensal que varia de 5 mil a 7 mil reais. vídeos para o mercado corporativo. Nenhum deles caiu de pára-quedas na área. “Conheci muita gente e ganhei experiência”, diz Martins, OUTSOURCING DE VÍDEO que durante dez anos foi funcionário de produtoras de O mercado publicitário é um filão para esse tipo de vídeo em São Paulo, cidade onde fundou sua empre- produtora de vídeo e, muitas vezes, o caminho pasa, a 7200 RPM. Inicialmente, o negócio funcionava na ra chegar aos grandes clientes é a terceirização. As casa de Martins. Um ano depois, no começo de 2007, empresas encomendam o vídeo para uma agência o empresário achou que era hora de mudar. Com 16 de comunicação, que contrata uma produtora menor mil reais, economizados nos tempos de holerite, alu- para o trabalho. A iThink é uma dessas agências congou uma sala, montou um computador Pentium 4, tratadoras. Segundo Marcelo Tripoli, presidente da com 1 GB de memória, HD de 300 GB, gravador de empresa, a demanda começou a crescer em 2007. DVD, entrada FireWire e uma placa de vídeo Matrox, Nem sempre as pequenas produtoras sobrevivem e comprou uma filmadora DV, da Sony. “Anos atrás, só com os filmes. “Esse mercado não tem parâmetros uma empresa de vídeo precisava ter várias ilhas de de preço. A concorrência é grande e cada um cobra o edição, câmeras caras e outros equipamentos. Hoje, que quer”, afirma Helder Palermo, que em 1995 funcom uma boa placa de vídeo e uma câmera DV já é dou a TVP Comunicação. Segundo o empresário, há possível produzir um vídeo de ótima qualidade”, afir- meses em que o faturamento é quase zero e outros ma. Segundo Martins, o faturamento é bem variável, em que dá para fazer um trabalho de 20 mil reais. mas gira em torno de 5 mil reais por mês. Para driblar a sazonalidade, a solução encontrada foi A mineira JC Produções optou pelo caminho do o aluguel de equipamentos e a contratação de profinanciamento. “Peguei empréstimo de 12 mil reais fissionais freelancers de acordo com o projeto. Além numa linha de microcrédito que tem taxas exclusivas disso, nas horas de aperto, Palermo faz digitalização para pequenas empresas e paguei a dívida em 24 de vídeos e trabalhos como webdesigner.

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novos negócios I business plan

PLANEJAR PARA LUCRAR Testamos cinco programas para ajudar a iniciar um novo empreendimento POR BRUNO FERRARI

O

s empreendedores brasileiros encontram um cenário repleto de dúvidas quanto a viabilidade de seu negócio. Uma pesquisa divulgada em outubro de 2008 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostrou que 27% das empresas paulistas fecham as portas no primeiro ano de atividade. Entre os principais motivos está a falta de um bom planejamento. No entanto, há boas ferramentas no mercado para elaborar um plano de negócio. Esse documento contém projeções financeiras e análises que avaliam a saúde da futura empresa. Além de servir de referência para o empreendedor, ele é fundamental para apresentar a empresa a investidores. O INFOLAB testou cinco aplicativos que desenham o empreendimento. Para isso, criamos a empresa fictícia Ghost Bloggers, especializada em desenvolver conteúdo para sites. Os dados desse empreendimento virtual foram fornecidos aos aplicativos para gerar o plano de negócio. No processo, analisamos a facilidade de uso, os recursos do aplicativo e o resultado final. Qualquer que seja o programa, é necessário algum conhecimento das práticas do empreendedorismo, principalmente da legislação tributária. Os que não possuem uma formação em administração podem recorrer a um consultor ou procurar um curso sobre o assunto. A Escolha INFO fica com o Empreenda!, da B2ML, que teve a melhor avaliação técnica. Confira, a seguir, os detalhes dos cinco aplicativos.

O EMPREENDA! É VERSÁTIL De uma lanchonete a uma pequena fábrica de PCs, o Empreenda!, da B2ML, permite que o usuário escolha que tipo de empresa pretende abrir antes de iniciar seu plano de negócio. Há módulos diferentes para comércio, indústria e serviços. O destaque do software é a facilidade de operação. As explicações para cada tópico vêm no corpo da tela e a interface é bastante intuitiva. O programa permite que o usuário personalize seu projeto por meio da criação de novos tópicos. Previsões otimistas e pessimistas podem ser incluídas entre os gráficos financeiros. O aplicativo tem versões para Windows e Linux e exporta o plano final ou parcial em múltiplos formatos. Apesar de o Empreenda! ser fácil de usar, sua interface tem algumas falhas. Um exemplo: para salvar em formatos diferentes de HTML, é preciso clicar em Visualizar Impressão, e, depois, em Salvar — um caminho tão tortuoso quanto inusitado.

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O PROFIT ESBANJA FERRAMENTAS Campeão em recursos, o Profit, da Lacruz & ETM, exige conhecimento técnico de gestão mais apurado, mas oferece boas ferramentas para construir um plano de negócios eficaz. Suas funções permitem incluir, nas projeções, aplicação de superávit no mercado de capitais, custo fixo para ampliação de infra-estrutura e amortização de empréstimos com recálculo automático das prestações, por exemplo. Também interessante é a possibilidade de considerar a inadimplência nos recebimentos, com prazos de 30 a 120 dias para o crédito. Um problema do Profit é a navegação por abas. Algumas delas ficam na vertical, o que acaba dificultando a leitura dos tópicos.

CEPN TEM CONSULTOR

MAKEMONEY TRAZ MODELOS

O maior trunfo do software Como Elaborar um Plano de Negócios, do Sebrae MG, é o feedback que o empresário recebe. Ao terminar o plano de negócios, o empreendedor pode enviar seu projeto por e-mail para o Sebrae para ser avaliado. O aplicativo vem com indicadores de análise de investimento, como ponto de equilíbrio e rentabilidade. Seus principais defeitos são fazer o planejamento para apenas um ano e não permitir criar mais de um plano de negócios. Também ficaram faltando gráficos, que dariam mais sustância ao projeto.

O MakeMoney, da Doctor Sys, está completando dez anos desde que sua primeira versão começou a ser vendida. Esse pioneiro entre os aplicativos para planejar empreendimentos é bom nos recursos. Para começar, inclui 12 modelos para diferentes tipos de empresa. Também tem um verificador de consistência dos dados que alerta sobre erros de digitação. Outras características interessantes são a capacidade de inserir imagens e tabelas no projeto e o cálculo de amortização de empréstimos pela tabela Price e pelo sistema de amortização crescente. Bem documentado, o aplicativo traz exemplos, orientações e ajuda. Mas ele tem um aspecto antiquado que pode desestimular os usuários. Sua interface gráfica lembra a do Windows 98.

ESCOLHA 9/08

CINCO OPÇÕES PARA PLANEJAR SUA EMPRESA Make Money 2.0

Profit 1.0

Empreenda! 1.0

FABRICANTE

Doctor Sys

Lacruz & ETM

FACILIDADE DE USO

7,5

7,0

Verifica os dados preenchidos

A navegação em abas é prática

7,0

8,0

8,0

6,0

6,7

5 RTF e XLS

5 PDF e XLS

1 PDF

10 PDF

Não

Sim

RELATÓRIOS

SPPLAN É BOM E GRÁTIS Para quem busca um programa simples e sem custo para planejar um empreendimento, o SPPlan, do Sebrae SP, é uma opção. Ele é multiplataforma, pois instala um servidor HTTP no micro para inserção dos dados. A navegação é feita por meio de caixas de diálogo, que vão sendo preenchidas com os dados da empresa a ser criada. Um bom sistema de ajuda e explicações sobre cada tópico facilitam a tarefa. O SPPlan produz gráficos de fluxo de caixa, projeção de faturamento e ponto de equilíbrio. Os seus pontos fracos estão ligados à sua simplicidade. Faltam alguns recursos de previsões e análises financeiras e tributárias. O SPPlan também não exporta — apenas imprime o plano de negócios.

B PLANEJAMENTO (ANOS) B FORMATOS DE SAÍDA B EXPORTAÇÃO PARCIAL RECURSOS B CENÁRIOS OTIMISTA E PESSIMISTA B OUTROS PREÇO (R$) B VALIDADE DA LICENÇA ONDE ENCONTRAR

AVALIAÇÃO TÉCNICA(1) CUSTO/BENEFÍCIO

B2ML

Como Elaborar um Plano de Negócio 1.0 Sebrae MG

SPPlan Sebrae SP

8,0

7,5

7,0

Interface atraente e funcional

Simples e com visual Instala-se num limpo servidor HTTP

Sim

Não

5 PDF, RTF, ODT,HTML, CSV, XML e JRPrint Sim

7,5

7,8

7,5

7,0

7,5

Não

Sim

Não

Não

Não

12 modelos de planos de negócios

Conversor de taxas de juros

Tutorial em todos os campos

Envia o documento ao Sebrae para análise

Permite anexar arquivos aos campos

150

140

398

grátis

grátis

1 ano

1 ano

Ilimitada

Ilimitada

Ilimitada

www.info.abril. com.br/download/ 1452.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 5392.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 5391.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 5390.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 4141.shtml

7,4 7,4

7,6 7,6

7,8 7,3

6,9

V

7,1

V

(1) MÉDIA PONDERADA CONSIDERANDO OS SEGUINTES QUESITOS E RESPECTIVOS PESOS: FACILIDADE DE USO (30%), RELATÓRIOS (30%) E RECURSOS (40%)

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O PROFIT ESBANJA FERRAMENTAS Campeão em recursos, o Profit, da Lacruz & ETM, exige conhecimento técnico de gestão mais apurado, mas oferece boas ferramentas para construir um plano de negócios eficaz. Suas funções permitem incluir, nas projeções, aplicação de superávit no mercado de capitais, custo fixo para ampliação de infra-estrutura e amortização de empréstimos com recálculo automático das prestações, por exemplo. Também interessante é a possibilidade de considerar a inadimplência nos recebimentos, com prazos de 30 a 120 dias para o crédito. Um problema do Profit é a navegação por abas. Algumas delas ficam na vertical, o que acaba dificultando a leitura dos tópicos.

CEPN TEM CONSULTOR

MAKEMONEY TRAZ MODELOS

O maior trunfo do software Como Elaborar um Plano de Negócios, do Sebrae MG, é o feedback que o empresário recebe. Ao terminar o plano de negócios, o empreendedor pode enviar seu projeto por e-mail para o Sebrae para ser avaliado. O aplicativo vem com indicadores de análise de investimento, como ponto de equilíbrio e rentabilidade. Seus principais defeitos são fazer o planejamento para apenas um ano e não permitir criar mais de um plano de negócios. Também ficaram faltando gráficos, que dariam mais sustância ao projeto.

O MakeMoney, da Doctor Sys, está completando dez anos desde que sua primeira versão começou a ser vendida. Esse pioneiro entre os aplicativos para planejar empreendimentos é bom nos recursos. Para começar, inclui 12 modelos para diferentes tipos de empresa. Também tem um verificador de consistência dos dados que alerta sobre erros de digitação. Outras características interessantes são a capacidade de inserir imagens e tabelas no projeto e o cálculo de amortização de empréstimos pela tabela Price e pelo sistema de amortização crescente. Bem documentado, o aplicativo traz exemplos, orientações e ajuda. Mas ele tem um aspecto antiquado que pode desestimular os usuários. Sua interface gráfica lembra a do Windows 98.

ESCOLHA 9/08

CINCO OPÇÕES PARA PLANEJAR SUA EMPRESA Make Money 2.0

Profit 1.0

Empreenda! 1.0

FABRICANTE

Doctor Sys

Lacruz & ETM

FACILIDADE DE USO

7,5

7,0

Verifica os dados preenchidos

A navegação em abas é prática

7,0

8,0

8,0

6,0

6,7

5 RTF e XLS

5 PDF e XLS

1 PDF

10 PDF

Não

Sim

RELATÓRIOS

SPPLAN É BOM E GRÁTIS Para quem busca um programa simples e sem custo para planejar um empreendimento, o SPPlan, do Sebrae SP, é uma opção. Ele é multiplataforma, pois instala um servidor HTTP no micro para inserção dos dados. A navegação é feita por meio de caixas de diálogo, que vão sendo preenchidas com os dados da empresa a ser criada. Um bom sistema de ajuda e explicações sobre cada tópico facilitam a tarefa. O SPPlan produz gráficos de fluxo de caixa, projeção de faturamento e ponto de equilíbrio. Os seus pontos fracos estão ligados à sua simplicidade. Faltam alguns recursos de previsões e análises financeiras e tributárias. O SPPlan também não exporta — apenas imprime o plano de negócios.

B PLANEJAMENTO (ANOS) B FORMATOS DE SAÍDA B EXPORTAÇÃO PARCIAL RECURSOS B CENÁRIOS OTIMISTA E PESSIMISTA B OUTROS PREÇO (R$) B VALIDADE DA LICENÇA ONDE ENCONTRAR

AVALIAÇÃO TÉCNICA(1) CUSTO/BENEFÍCIO

B2ML

Como Elaborar um Plano de Negócio 1.0 Sebrae MG

SPPlan Sebrae SP

8,0

7,5

7,0

Interface atraente e funcional

Simples e com visual Instala-se num limpo servidor HTTP

Sim

Não

5 PDF, RTF, ODT,HTML, CSV, XML e JRPrint Sim

7,5

7,8

7,5

7,0

7,5

Não

Sim

Não

Não

Não

12 modelos de planos de negócios

Conversor de taxas de juros

Tutorial em todos os campos

Envia o documento ao Sebrae para análise

Permite anexar arquivos aos campos

150

140

398

grátis

grátis

1 ano

1 ano

Ilimitada

Ilimitada

Ilimitada

www.info.abril. com.br/download/ 1452.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 5392.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 5391.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 5390.shtml

www.info.abril. com.br/download/ 4141.shtml

7,4 7,4

7,6 7,6

7,8 7,3

6,9

V

7,1

V

(1) MÉDIA PONDERADA CONSIDERANDO OS SEGUINTES QUESITOS E RESPECTIVOS PESOS: FACILIDADE DE USO (30%), RELATÓRIOS (30%) E RECURSOS (40%)

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formação e desenvolvimento I cursos

A ELITE DA EDUCAÇÃO

UFRGS: laboratórios avançados criam clima de inovação para alunos e pesquisadores

Confira quais são os melhores cursos de computação do Brasil POR MAX ALBERTO GONZALES

Q

uem pára em frente ao Instituto de Informática (II) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) depara com um conjunto de quatro prédios interligados, numa combinação arquitetônica que causa estranheza. Dentro, há uma efervescência acadêmica que alimenta a indústria tecnológica da região. Alunos de graduação e de pós misturam-se entre salas de aula, incubadora de empresas e laboratórios de ponta, como o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada) gaúcho, que nasceu no II em 2000. Em julho, o Ceitec foi encampado pelo governo federal, que investirá R$ 250 milhões para desenvolver e fabricar circuitos integrados. “A arquitetura é meio estranha. Mas ela expõe nossos alunos a um caldeirão bem interessante de inovação”, diz o professor Flavio Rech Rodrigues, diretor do II. O caso da UFRGS é um exemplo da força da integração das universidades brasileiras ao mercado de tecnologia e dá a tônica da décima edição do Ranking INFO das Melhores Faculdades de Computação do Brasil. Nos 40 melhores cursos de graduação, a taxa média de alunos que já trabalha na área de tecnologia é de 65%. Os cursos de computação em todo o país têm ingressado em novas áreas de pesquisas de tecnologia de ponta do mercado. Grid computing é tema de 67% dos cursos, virtualização está em 66% deles, clusters em 65% e computação em nuvem em 27%. As redes neurais são temas de aula em 57% dos cursos de graduação e realidade virtual em 43%. Impulsionada pela ânsia do governo em lançar a TV digital no ano passado, 46% dos cursos trabalham em pesquisas nessa área. As tecnologias de redes móveis, por sua vez, ainda não ganharam força no temário das universidades: o WiMAX está em 28% delas e a telefonia celular 3G em apenas 17%.

A ELITE DE TECNOLOGIA OS NÚMEROS DAS MELHORES FACULDADES DE GRADUAÇÃO E PÓS(1)

15 747 alunos 2professores 346 1alunos835 se graduaram em 2007

362 alunos foram titulados com doutorado em 2007

114 alunos foram titulados com doutorado em 2005

CONECTIVIDADE É PODER Na era da internet, o poder computacional não é mais o único diferencial de infra-estrutura para as faculdades.

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(1) DADOS DAS UNIVERSIDADES QUE INTEGRAM O TOP 40 DE GRADUAÇÃO E O TOP 10 DE PÓSGRADUAÇÃO

© FOTO TAMIRES KOPP

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formação e desenvolvimento I cursos

A ELITE DA EDUCAÇÃO

UFRGS: laboratórios avançados criam clima de inovação para alunos e pesquisadores

Confira quais são os melhores cursos de computação do Brasil POR MAX ALBERTO GONZALES

Q

uem pára em frente ao Instituto de Informática (II) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) depara com um conjunto de quatro prédios interligados, numa combinação arquitetônica que causa estranheza. Dentro, há uma efervescência acadêmica que alimenta a indústria tecnológica da região. Alunos de graduação e de pós misturam-se entre salas de aula, incubadora de empresas e laboratórios de ponta, como o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada) gaúcho, que nasceu no II em 2000. Em julho, o Ceitec foi encampado pelo governo federal, que investirá R$ 250 milhões para desenvolver e fabricar circuitos integrados. “A arquitetura é meio estranha. Mas ela expõe nossos alunos a um caldeirão bem interessante de inovação”, diz o professor Flavio Rech Rodrigues, diretor do II. O caso da UFRGS é um exemplo da força da integração das universidades brasileiras ao mercado de tecnologia e dá a tônica da décima edição do Ranking INFO das Melhores Faculdades de Computação do Brasil. Nos 40 melhores cursos de graduação, a taxa média de alunos que já trabalha na área de tecnologia é de 65%. Os cursos de computação em todo o país têm ingressado em novas áreas de pesquisas de tecnologia de ponta do mercado. Grid computing é tema de 67% dos cursos, virtualização está em 66% deles, clusters em 65% e computação em nuvem em 27%. As redes neurais são temas de aula em 57% dos cursos de graduação e realidade virtual em 43%. Impulsionada pela ânsia do governo em lançar a TV digital no ano passado, 46% dos cursos trabalham em pesquisas nessa área. As tecnologias de redes móveis, por sua vez, ainda não ganharam força no temário das universidades: o WiMAX está em 28% delas e a telefonia celular 3G em apenas 17%.

A ELITE DE TECNOLOGIA OS NÚMEROS DAS MELHORES FACULDADES DE GRADUAÇÃO E PÓS(1)

15 747 alunos 2professores 346 1alunos835 se graduaram em 2007

362 alunos foram titulados com doutorado em 2007

114 alunos foram titulados com doutorado em 2005

CONECTIVIDADE É PODER Na era da internet, o poder computacional não é mais o único diferencial de infra-estrutura para as faculdades.

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(1) DADOS DAS UNIVERSIDADES QUE INTEGRAM O TOP 40 DE GRADUAÇÃO E O TOP 10 DE PÓSGRADUAÇÃO

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formação e desenvolvimento I graduação

“A maioria dos alunos tem seu desktop ou notebook e acessa as máquinas mais possantes pela rede da universidade. Isso diminui a necessidade de suporte computacional”, afirma o professor Jorge Stolfi, diretor do Instituto de Computação da Universidade de Campinas (IC-Unicamp). Seja no atacado (velocidade do link da instituição), seja no varejo (com a explosão das redes Wi-Fi), o patamar da conectividade subiu nesta edição do Ranking INFO. A academia entrou definitivamente na era do Gigabit Ethernet. Em 2007, 60% das faculdades Top 10 de pós-graduação e 40% das Top 40 de graduação possuíam links de 1 Gbps ou mais. E justamente quando floresce o mercado de minilaptops o uso de redes sem fio virou praxe nas faculdades. Das 40 melhores em graduação, 73% têm o campus totalmente coberto por rede Wi-Fi. No Top 10 da pós-graduação a taxa é de 70%. O aumento do poder de conectividade favoreceu a adoção de tecnologias de ensino a distância (84% do total de cursos de graduação e 74% de pós), a criação de intranets para a comunicação entre professores e alunos (90% na graduação e 91% na pós) e a disponibilidade online do conteúdo das aulas presenciais (91% na graduação e 96% na pós-graduação). As redes acadêmicas de alta velocidade — como ANSP, RNP (Rede Nacional de Pesquisas), Faperj/Rede Rio, Fapergs, Rede Catarinense de Tecnologia — ganharam impulso em 2007. Microsoft e Telefônica investiram na modernização da rede KyaTera da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A primeira financia projetos baseados no uso de redes de alta velocidade; a segunda levou links de fibra óptica diretamente aos laboratórios de faculdades paulistas.

A PALAVRA DAS FACULDADES Para identificar os melhores cursos de computação no Brasil, enviamos questionários a 407 coordenadores de cursos de graduação (com 29 perguntas) e 68 de pósgraduação (com 25 perguntas). Responderam 113 cursos de graduação e 23 de pós, num total de 136 questionários. Os dados foram tabulados e as notas foram atribuídas com pesos determinados pela redação da INFO, com a metodologia descrita em detalhes na página 71. A Unicamp foi a vencedora dos cursos de graduação e a Coppe/ UFRJ ganhou na pós-graduação. Conheça mais sobre os cursos campeões e confira a relação completa das melhores faculdades nas páginas seguintes.

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NA ERA DO GIGABIT Índices de conectividade — em % dos cursos

24

LINK DE 1 GBPS OU MAIS

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WI-FI EM 100% DO CAMPUS

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REDE ACADÊMICA

CAMPINAS LIDERA NA GRADUAÇÃO A Unicamp faz a dobradinha dos dois melhores cursos de computação do país POR MAX ALBERTO GONZALES

O CASAMENTO

ACADEMIA-MERCADO O que os 40 melhores cursos de graduação oferecem para ajudar seus alunos a ingressar no mercado de trabalho — em % CONVÊNIO DE PESQUISA COM EMPRESAS CURSO DE EMPREENDEDORISMO EMPRESA JÚNIOR INCUBADORA DE EMPRESAS INTERCÂMBIO COM ESCOLAS ESTRANGEIRAS

90 80 78 65 95

O

Instituto de Computação (IC) e a Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp fervilham com a circulação de mais de 750 alunos dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Computação. Eles estão sob a mira das empresas do pólo industrial tecnológico na região, como Motorola e Samsung. Ericsson, IBM, Itautec, Microsoft e o Ministério da Fazenda firmaram convênios com a universidade paulista e contam com alunos trabalhando em tecnologias como Linux e mobilidade em redes IP. A proximidade com o mercado fez a Unicamp adotar algumas práticas típicas de empresas, como relatórios de avaliação e metas de produtividade de artigos e orientações. “Somos muito exigentes em relação à qualificação dos professores”, diz Jorge Stolfi, diretor do IC, doutor em inteligência artificial pela Universidade de Stanford. Em casos extremos, o desempenho do professor pode rebaixá-lo do regime de dedicação total, de 40 horas, para o parcial, de 12 horas. A Engenharia de Computação da Unicamp é o curso que possui mais professores, 137, sendo 131 doutores e 129 com dedicação exclusiva. É eficiente na aprovação em graduação, formando 96% dos alunos no prazo mínimo do curso. Só é superada, em 0,67 ponto porcentual, pela Ciência da Computação da Universidade Federal de São Carlos. A UFSCar também supera a Unicamp em concorrência no vestibular, com 39,8 candidatos por vaga contra 23. Se algo ainda não vai bem na Unicamp é a conectividade. Um link de 155 Mbps alimenta os prédios do IC e da FEEC. Mas o upgrade para 1 Gbps vem aí.

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formação e desenvolvimento I graduação

“A maioria dos alunos tem seu desktop ou notebook e acessa as máquinas mais possantes pela rede da universidade. Isso diminui a necessidade de suporte computacional”, afirma o professor Jorge Stolfi, diretor do Instituto de Computação da Universidade de Campinas (IC-Unicamp). Seja no atacado (velocidade do link da instituição), seja no varejo (com a explosão das redes Wi-Fi), o patamar da conectividade subiu nesta edição do Ranking INFO. A academia entrou definitivamente na era do Gigabit Ethernet. Em 2007, 60% das faculdades Top 10 de pós-graduação e 40% das Top 40 de graduação possuíam links de 1 Gbps ou mais. E justamente quando floresce o mercado de minilaptops o uso de redes sem fio virou praxe nas faculdades. Das 40 melhores em graduação, 73% têm o campus totalmente coberto por rede Wi-Fi. No Top 10 da pós-graduação a taxa é de 70%. O aumento do poder de conectividade favoreceu a adoção de tecnologias de ensino a distância (84% do total de cursos de graduação e 74% de pós), a criação de intranets para a comunicação entre professores e alunos (90% na graduação e 91% na pós) e a disponibilidade online do conteúdo das aulas presenciais (91% na graduação e 96% na pós-graduação). As redes acadêmicas de alta velocidade — como ANSP, RNP (Rede Nacional de Pesquisas), Faperj/Rede Rio, Fapergs, Rede Catarinense de Tecnologia — ganharam impulso em 2007. Microsoft e Telefônica investiram na modernização da rede KyaTera da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A primeira financia projetos baseados no uso de redes de alta velocidade; a segunda levou links de fibra óptica diretamente aos laboratórios de faculdades paulistas.

A PALAVRA DAS FACULDADES Para identificar os melhores cursos de computação no Brasil, enviamos questionários a 407 coordenadores de cursos de graduação (com 29 perguntas) e 68 de pósgraduação (com 25 perguntas). Responderam 113 cursos de graduação e 23 de pós, num total de 136 questionários. Os dados foram tabulados e as notas foram atribuídas com pesos determinados pela redação da INFO, com a metodologia descrita em detalhes na página 71. A Unicamp foi a vencedora dos cursos de graduação e a Coppe/ UFRJ ganhou na pós-graduação. Conheça mais sobre os cursos campeões e confira a relação completa das melhores faculdades nas páginas seguintes.

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NA ERA DO GIGABIT Índices de conectividade — em % dos cursos

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LINK DE 1 GBPS OU MAIS

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WI-FI EM 100% DO CAMPUS

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REDE ACADÊMICA

CAMPINAS LIDERA NA GRADUAÇÃO A Unicamp faz a dobradinha dos dois melhores cursos de computação do país POR MAX ALBERTO GONZALES

O CASAMENTO

ACADEMIA-MERCADO O que os 40 melhores cursos de graduação oferecem para ajudar seus alunos a ingressar no mercado de trabalho — em % CONVÊNIO DE PESQUISA COM EMPRESAS CURSO DE EMPREENDEDORISMO EMPRESA JÚNIOR INCUBADORA DE EMPRESAS INTERCÂMBIO COM ESCOLAS ESTRANGEIRAS

90 80 78 65 95

O

Instituto de Computação (IC) e a Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp fervilham com a circulação de mais de 750 alunos dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Computação. Eles estão sob a mira das empresas do pólo industrial tecnológico na região, como Motorola e Samsung. Ericsson, IBM, Itautec, Microsoft e o Ministério da Fazenda firmaram convênios com a universidade paulista e contam com alunos trabalhando em tecnologias como Linux e mobilidade em redes IP. A proximidade com o mercado fez a Unicamp adotar algumas práticas típicas de empresas, como relatórios de avaliação e metas de produtividade de artigos e orientações. “Somos muito exigentes em relação à qualificação dos professores”, diz Jorge Stolfi, diretor do IC, doutor em inteligência artificial pela Universidade de Stanford. Em casos extremos, o desempenho do professor pode rebaixá-lo do regime de dedicação total, de 40 horas, para o parcial, de 12 horas. A Engenharia de Computação da Unicamp é o curso que possui mais professores, 137, sendo 131 doutores e 129 com dedicação exclusiva. É eficiente na aprovação em graduação, formando 96% dos alunos no prazo mínimo do curso. Só é superada, em 0,67 ponto porcentual, pela Ciência da Computação da Universidade Federal de São Carlos. A UFSCar também supera a Unicamp em concorrência no vestibular, com 39,8 candidatos por vaga contra 23. Se algo ainda não vai bem na Unicamp é a conectividade. Um link de 155 Mbps alimenta os prédios do IC e da FEEC. Mas o upgrade para 1 Gbps vem aí.

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OS MELHORES NA GRADUAÇÃO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 24 26 27 27 29 30 31 32 33 34 35 35 37 37 39 40

Curso

Universidade

Engenharia de Computação Ciência da Computação Engenharia de Computação Ciência da Computação Engenharia de Computação Tecnologia em Informática Engenharia de Computação Ciência da Computação Engenharia de Computação Ciência da Computação Sistemas de Informação Eng. Elétrica com ênfase em Computação Ciência da Computação Informática Ciência da Computação Ciência da Computação Engenharia de Computação Engenharia de Computação Ciência da Computação Sistemas de Informação Sistemas de Informação Ciência da Computação Ciência da Computação Sistemas de Informação Ciência da Computação Sistemas de Informação Ciência da Computação Sistemas de Informação Ciência da Computação Ciência da Computação Ciência da Computação Ciência da Computação Eng. Elétrica habilitação em Telecom. Ciência da Computação Engenharia da Computação Ciência da Computação Ciência da Computação Ciência da Computação Informática

Unicamp - Universidade Estadual de Campinas

Ciência da Computação

Número de alunos(1) fo

Unicamp - Universidade Estadual de Campinas UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica Unicamp/Limeira - Universidade Estadual de Campinas PUC-RJ - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ICMC-USP/S. Carlos - Inst. Ciências Matemáticas e de Computação Poli-USP - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais PUC-RJ - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Poli-USP - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro ICMC-USP/S. Carlos - Inst. Ciências Matemáticas e de Computação IME-USP - Instituto de Matemática e Estatística da USP UFPE - Universidade Federal de Pernambuco UFSCar - Universidade Federal de São Carlos UFPE - Universidade Federal de Pernambuco UFSCar - Universidade Federal de São Carlos UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais PUC-RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina Unisinos - Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos - Universidade do Vale do Rio dos Sinos PUC-RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Fiap - Faculdade de Informática e Administração Paulista Unesp/Bauru - Univ. Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho Unesp/Bauru - Univ. Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho UFF - Universidade Federal Fluminense Unesp/Rio Claro - Univ. Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho Unesp/S.J. Rio Preto - Univ. Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-Campinas - Pontifícia Universidade Católica de Campinas UCB - Universidade Católica de Brasília PUC-PR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná UFCG - Universidade Federal de Campina Grande UEL - Universidade Estadual de Londrina UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte UEM - Universidade Estadual de Maringá PUC-MG/Poços de Caldas - Pontifícia Univ. Católica de MG

(1) EM 2007. DADOS FORNECIDOS PELOS COORDENADORES DE CURSOS. (2) O PODER COMPUTACIONAL É A SOMA DE DESKTOPS, NOTEBOOKS, ESTAÇÕES DE TRABALHO, SERVIDORES, COORDENADOR DE CURSO QUE LISTASSE, EM ORDEM DECRESCENTE DE IMPORTÂNCIA, AS DEZ UNIVERSIDADES MAIS RESPEITADAS DO MEIO UNIVERSITÁRIO. OS CITADOS EM PRIMEIRO

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Alunos Relação Área do Alunos Professores Número de Velocidade campus Número Alunos formados candidato/ que Número de Professores com do link de coberta trabalham Reputação Avaliação de formados(1) no prazo vaga no professores com máquinas (3) Final (2) internet alunos(1) mínimo vestibular(1) doutorado dedicação por aluno por Wi-Fi na área Acadêmica exclusiva (em Mbps) (em %) (em %) (em %)

198

43

60

1,06

43

13

17

1,14

1 000

20

75

0,08

602

89

53

1,3

29

15

9

1,29

100

10

70

0,20

627

65

50

3,5

35

12

25

0,52

24

100

95

0,19

289

34

51

1,1

47

22

18

3,88

1 000

100

50

0,41

323

38

60

9,11

22

20

22

0,68

155

100

4

0,31

174

25

72

19,71

24

12

19

0,82

110

100

50

0,30

267

23

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7

30

28

30

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8

100

85

0,13

181

24

70

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27

18

27

0,6

10

90

90

0,40

872 811 803 791 769 765 754 746 741 740 739 737 736 735 734 732 721 712 709 681 678 674 673 671 671 669 665 665 653 652 650 649 648 646 645 645 644 644 643

350

70

60

2,1

20

12

15

0,69

2

100

55

0,27

643

522

88

96

23

137

131

247

46

170

21

534

129

2,21

155

100

15

42,2

22,7

43

40

35

50

13,53

95

84

78

52

78

10,77

64

58

59

1,15

7,69

1,47

155

100

50

7,69

3,33

1 000

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70

5,66

1 000

66

75

5,66 2,78

136

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80

60

77

1,86

100

100

60

396

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6,1

23

16

7

0,39

4 000

80

49,5

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40

3,5

36

35

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1 000

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511

54

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9,7

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6,09 1,12

1 000

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218

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17

37

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2,63

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82,3

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43

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2,34

1 000

100

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3,67 4,26

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53

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1 000

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1 000

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75,4

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56

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0,59

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85

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52

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0

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55

30

1,2

63

44

36

2,64

54

100

90

1,00

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61

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6,85

38

29

36

1,1

2 500

100

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0,68 0,18

396

10

18

1,13

56

22

26

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95

454

72

10

0,79

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54

10

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394

42

45

2,5

63

44

36

1,28

54

100

80

1,00

708

121

71,5

9,8

32

21

10

3,28

8

60

90

0,30

147

25

80

23,6

44

43

42

1,54

34

30

40

0,10

185

37

85

17,3

42

41

40

1,34

34

30

50

0,10

409

49

45

11,14

41

35

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0,59

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100

60

0,29

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4 000

37,5

0,10

165

21

78

18,1

34

33

34

0,35

34

10

25

0,21

SMARTPHONES E OUTRAS MÁQUINAS, CUJA SOMA PONDERADA É DIVIDIDA PELO NÚMERO TOTAL DE ALUNOS. (3) PARA INDICAR A REPUTAÇÃO ACADÊMICA FOI PEDIDO A CADA LUGAR RECEBEM 10 PONTOS, O SEGUNDO 9, ATÉ O DÉCIMO, QUE RECEBE 1 PONTO.

D I C AS I NFO I 67

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formação e desenvolvimento I pós-graduação DOBRADINHA GAÚCHA

DO ITA PARA A LOCAWEB Quando ingressou no curso de Engenharia de Eletricidade no ITA em 1989, Gilberto Mautner passou várias madrugadas estudando no alojamento da universidade. “O ITA reflete a vida real, até pela falta de recursos. O aluno é obrigado a fazer as coisas com o que tem à mão, num ambiente imperfeito. Você perde o medo do desconhecido”, diz o atual presidente da LocaWeb. Depois de passar uma temporada na Califórnia, ele e o primo, Claudio Gora, fundaram a LocaWeb em 1998. Lá, Mautner investe no conhecido: prefere empregar iteanos, como seus atuais diretores de produtos e de relações com investidores. Como nem tudo é perfeito, Mautner confessa: “Já demitimos iteanos.”

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Atrás da Unicamp, a UFRGS fez a dobradinho 3-4. O curso de Ciência da Computação caiu um posto, de terceiro lugar em 2006 para quarto em 2008, mesmo melhorando a taxa de alunos formados no prazo mínimo do curso (cinco anos), de 49% para 78%. Em compensação, a Engenharia de Computação pulou do oitavo posto para o terceiro, com a evolução no número de professores com doutorado (de 45 para 84, sendo 78 deles com dedicação exclusiva) e na taxa de alunos que trabalham na área durante o curso, de menos de 50%, em 2005, para 70%, em 2007. Os gaúchos equilibram foco em software (open source e inteligência artificial) e hardware (microeletrônica e arquitetura de computadores). Além disso, a UFRGS incentiva o empreendedorismo dos alunos, com uma incubadora de empresas tecnológicas. Ex-alunos e professores fundaram empresas como Perto e Altos (automação comercial e industrial), Digitel e Parks (redes e telecomunicações). A quantidade média de alunos por professor chega a 8,1 na média dos 40 melhores cursos de graduação. Entre os dez primeiros, a taxa cai a 6,7. Nos Top 5, cai para 4,8 — valor puxado para baixo pelo 1,7 do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Com seus 80 professores, 77 com dedicação exclusiva, essa taxa de docentes por aluno só tem similar nos cursos de Engenharia de Computação da UFRGS e no de Informática do ICMC-USP de São Carlos, ambos com 1,8. O Ministério da Ciência e Tecnologia estima em 213 mil o déficit de profissionais de TI em 2012. Como a demanda pelos 40 melhores cursos de graduação nos vestibulares de 2007 está em 12,4 candidatos por vaga, o problema não é a falta de interessados. Mais do que poder computacional e conectividade, a solução é a maior oferta na academia e a melhoria da qualificação dos alunos que saem do ensino médio para a universidade. “Isso nos preocupa”, diz Stolfi, da Unicamp. “Afinal, o principal processador ainda é aquele que está em nossa cabeça.”

COPPE DOMINA CURSOS DE PÓS De pesquisas em supercomputação à inclusão digital em favelas, a Coppe/ UFRJ continua na frente POR MAX ALBERTO GONZALES

N RAIO X DA CAMPEÃ OS NÚMEROS QUE DEFINEM A ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO NA UNICAMP

247 alunos inscritos em 2007

40 professores

o calçadão em frente ao hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio, um estande do projeto Orla Digital oferece a banhistas e turistas acesso livre à internet. Na zona norte, moradores da favela da Maré (Complexo do Alemão) aprendem a usar o computador na sede do projeto Baixada Digital. O denominador comum entre as duas cenas? O curso campeão do ranking de pós-graduação da INFO: a Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora das duas iniciativas. A vitória do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da Coppe deve-se a uma combinação de fatores: número de titulados (27 doutores e 40 mestres em 2007), nota 7 da Capes, alto poder de conectividade, grande produção de artigos (212) e ótima reputação. A Coppe atua em um amplo leque de linhas de pesquisa, puras — como computação

paralela e algoritmos — e aplicadas — de redes de alta velocidade a sistemas de informação geográfica. Além disso, faz parcerias com empresas de TI (3Com e Módulo) e presta consultoria (Petrobras, StarOne e Marinha do Brasil), o que traz recursos para a pesquisa acadêmica. Por exemplo, para bancar viagens a congressos internacionais. Para atrair cérebros à Coppe, os professores mantêm uma rotina incansável de pesquisa avançada, que gerou 212 artigos em 2007.

PRODUÇÃO EM ALTA Em dois anos, a produção dos dez melhores cursos de pós-graduação subiu na casa dos 20%, começando pelo número de mestres titulados, 447 em 2007 contra 362 em 2005 (alta de 23,4%). Foram titulados 114 doutores (22,8% mais que em 2005), publicados 1 930 artigos (19,8% de alta) e COPPE/UFRJ: candidatos são atraídos por pesquisadores e professores de prestígio internacional

com doutorado

22,7 candidatos/vaga no vestibular de 2007

42,2% dos alunos se formaram no prazo mínimo

50% dos alunos já trabalham na área

© FOTO LIA LUBAMBO

© FOTOS ANDRÉ VALENTIM

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formação e desenvolvimento I pós-graduação DOBRADINHA GAÚCHA

DO ITA PARA A LOCAWEB Quando ingressou no curso de Engenharia de Eletricidade no ITA em 1989, Gilberto Mautner passou várias madrugadas estudando no alojamento da universidade. “O ITA reflete a vida real, até pela falta de recursos. O aluno é obrigado a fazer as coisas com o que tem à mão, num ambiente imperfeito. Você perde o medo do desconhecido”, diz o atual presidente da LocaWeb. Depois de passar uma temporada na Califórnia, ele e o primo, Claudio Gora, fundaram a LocaWeb em 1998. Lá, Mautner investe no conhecido: prefere empregar iteanos, como seus atuais diretores de produtos e de relações com investidores. Como nem tudo é perfeito, Mautner confessa: “Já demitimos iteanos.”

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Atrás da Unicamp, a UFRGS fez a dobradinho 3-4. O curso de Ciência da Computação caiu um posto, de terceiro lugar em 2006 para quarto em 2008, mesmo melhorando a taxa de alunos formados no prazo mínimo do curso (cinco anos), de 49% para 78%. Em compensação, a Engenharia de Computação pulou do oitavo posto para o terceiro, com a evolução no número de professores com doutorado (de 45 para 84, sendo 78 deles com dedicação exclusiva) e na taxa de alunos que trabalham na área durante o curso, de menos de 50%, em 2005, para 70%, em 2007. Os gaúchos equilibram foco em software (open source e inteligência artificial) e hardware (microeletrônica e arquitetura de computadores). Além disso, a UFRGS incentiva o empreendedorismo dos alunos, com uma incubadora de empresas tecnológicas. Ex-alunos e professores fundaram empresas como Perto e Altos (automação comercial e industrial), Digitel e Parks (redes e telecomunicações). A quantidade média de alunos por professor chega a 8,1 na média dos 40 melhores cursos de graduação. Entre os dez primeiros, a taxa cai a 6,7. Nos Top 5, cai para 4,8 — valor puxado para baixo pelo 1,7 do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Com seus 80 professores, 77 com dedicação exclusiva, essa taxa de docentes por aluno só tem similar nos cursos de Engenharia de Computação da UFRGS e no de Informática do ICMC-USP de São Carlos, ambos com 1,8. O Ministério da Ciência e Tecnologia estima em 213 mil o déficit de profissionais de TI em 2012. Como a demanda pelos 40 melhores cursos de graduação nos vestibulares de 2007 está em 12,4 candidatos por vaga, o problema não é a falta de interessados. Mais do que poder computacional e conectividade, a solução é a maior oferta na academia e a melhoria da qualificação dos alunos que saem do ensino médio para a universidade. “Isso nos preocupa”, diz Stolfi, da Unicamp. “Afinal, o principal processador ainda é aquele que está em nossa cabeça.”

COPPE DOMINA CURSOS DE PÓS De pesquisas em supercomputação à inclusão digital em favelas, a Coppe/ UFRJ continua na frente POR MAX ALBERTO GONZALES

N RAIO X DA CAMPEÃ OS NÚMEROS QUE DEFINEM A ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO NA UNICAMP

247 alunos inscritos em 2007

40 professores

o calçadão em frente ao hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio, um estande do projeto Orla Digital oferece a banhistas e turistas acesso livre à internet. Na zona norte, moradores da favela da Maré (Complexo do Alemão) aprendem a usar o computador na sede do projeto Baixada Digital. O denominador comum entre as duas cenas? O curso campeão do ranking de pós-graduação da INFO: a Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora das duas iniciativas. A vitória do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da Coppe deve-se a uma combinação de fatores: número de titulados (27 doutores e 40 mestres em 2007), nota 7 da Capes, alto poder de conectividade, grande produção de artigos (212) e ótima reputação. A Coppe atua em um amplo leque de linhas de pesquisa, puras — como computação

paralela e algoritmos — e aplicadas — de redes de alta velocidade a sistemas de informação geográfica. Além disso, faz parcerias com empresas de TI (3Com e Módulo) e presta consultoria (Petrobras, StarOne e Marinha do Brasil), o que traz recursos para a pesquisa acadêmica. Por exemplo, para bancar viagens a congressos internacionais. Para atrair cérebros à Coppe, os professores mantêm uma rotina incansável de pesquisa avançada, que gerou 212 artigos em 2007.

PRODUÇÃO EM ALTA Em dois anos, a produção dos dez melhores cursos de pós-graduação subiu na casa dos 20%, começando pelo número de mestres titulados, 447 em 2007 contra 362 em 2005 (alta de 23,4%). Foram titulados 114 doutores (22,8% mais que em 2005), publicados 1 930 artigos (19,8% de alta) e COPPE/UFRJ: candidatos são atraídos por pesquisadores e professores de prestígio internacional

com doutorado

22,7 candidatos/vaga no vestibular de 2007

42,2% dos alunos se formaram no prazo mínimo

50% dos alunos já trabalham na área

© FOTO LIA LUBAMBO

© FOTOS ANDRÉ VALENTIM

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RAIO X DA CAMPEÃ

OS CRITÉRIOS DO RANKING

UFPE: Recife retém os talentos de computação graças ao C.E.S.A.R e ao Porto Digital

OS NÚMEROS QUE DEFINEM A PÓS-GRADUAÇÃO DA COPPE/UFRJ

Para chegar ao ranking, a INFO enviou questionários para 407 instituições. As respostas foram tabuladas e pontuadas de acordo com os pesos a seguir. Na graduação, avaliamos reputação acadêmica (25%), integração com o mercado de trabalho (20%), professores com doutorado (15%), professores com dedicação exclusiva (5%), infra-estrutura de pesquisa (20%), porcentual de formados no prazo mínimo (5%) e relação candidato-vaga no vestibular (10%). A nota de infra-estrutura de pesquisa compreende a conectividade (35%), índice computacional (35%) e pesquisa em alta tecnologia (30%). Na pós-graduação, avaliamos reputação acadêmica (25%), avaliação da Capes (20%), artigos publicados (15%), integração com o mercado (15%), professores com doutorado (10%), doutores titulados (10%), mestres titulados (10%) e infra-estrutura de pesquisa (10%). A nota de infra-estrutura compreende a conectividade (30%), índice computacional (30%), pesquisa em alta tecnologia (25%) e integração ao mercado (15%). Ficaram de fora os cursos tecnológicos. Veja em www.info. abril.com.br/pesquisa/faculdades2008.shl as escolas que responderam ao questionário deste ano.

27 doutores formados em 2007

40 mestres formados em 2007

145 artigos publicados no exterior 2 315 alunos estavam inscritos nesses cursos em 2007, 22,4% mais que dois anos antes. Nos calcanhares dos cariocas está uma história de ascensão meteórica: de ausente em 2006, a pós-graduação em Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tornou-se segundo colocado do Ranking INFO. Foi o que titulou mais mestres, 67, e o que tem mais professores, 47, todos com dedicação exclusiva. A universidade pernambu-

cana começou a reter talentos na cidade quando a academia começou a namorar o mercado. O C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) e o Porto Digital, pólo de alta tecnologia em Recife, possuem laboratórios avançados de gigantes da TI como IBM, Microsoft e Samsung. Isso ajudou a instituição a obter verbas de empresas e agências de fomento. “Temos que lutar muito. A universidade financia apenas 15% de nossos custos”,

diz Francisco Tenório de Carvalho, coordenador da pós-graduação em ciência da computação da UFPE. A pós do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC-USP), em São Carlos, é a que mais publicou artigos: 234. O que atrai cérebros à cidade? O parque tecnológico, laboratórios equipados e parcerias (Embraer, Furnas e Petrobras), que ajudam em pesquisas em áreas como redes neurais e computação bio-inspirada em algoritmos genéticos.

OS MELHORES NA PÓS-GRADUAÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Velocidade Alunos Alunos Professores Professores Total de Pontos por Número com Avaliação da de acesso à com titulados com com artigos reputação (2) de alunos(1) titulados dedicação Capes internet (em publicados (1) (1) (3) (4) mestrado doutorado doutorado exclusiva(1) acadêmica Mbps)

Avaliação Final

Curso

Universidade

Engenharia de Sist. e Computação

Coppe-UFRJ - Inst. Luiz Coimbra de Pós-Grad. e Pesquisa em Engenharia

396

40

27

36

36

7

1 000

212

145

856

Ciência da Computação Ciências da Computação e Matemática Computacional Ciência da Computação

UFPE - Universidade Federal de Pernambuco ICMC-USP/São Carlos - Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais

470

67

15

47

47

6

100

232

86

846

234

49

13

45

45

5

1 000

234

66

837

205

31

11

29

29

6

1 000

173

121

815

Informática

PUC-RJ - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

201

40

12

25

25

7

1 000

153

144

814

Ciências da Computação

Unicamp - Universidade Estadual de Campinas

209

30

10

37

37

5

155

185

99

802

210

37

16

38

38

6

100

110

7

772

Engenharia Elétrica — Sist. Digitais Poli-USP - Escola Politécnica da USP Ciência da Computação

IME-USP - Instituto de Matemática e Estatística da USP

156

32

5

40

40

5

1 000

97

78

755

Computação

UFF - Universidade Federal Fluminense

105

21

2

27

27

5

1 000

144

25

752

129

15

3

12

12

5

100

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4

708

Engenharia Eletrônica e Computação ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica

(1) EM 2007. (2) AVALIAÇÃO ATUALIZADA PELA CAPES EM 2008. OS CONCEITOS VARIAM DE 1 A 7. OS DIPLOMAS DOS CURSOS COM NOTAS 1 E 2 NÃO SÃO RECONHECIDOS EM TERRITÓRIO DE ARTIGOS PUBLICADOS EM REVISTAS CIENTÍFICAS, LIVROS E ANAIS DE SEMINÁRIOS BRASILEIROS E INTERNACIONAIS DURANTE O ANO DE 2007. (4) PARA OBTER A REPUTAÇÃO ACADÊMICA, COMPUTAÇÃO. A CADA INDICAÇÃO AO PRIMEIRO LUGAR, A UNIVERSIDADE RECEBE 10 PONTOS, A SEGUNDA RECEBE NOVE, ATÉ A DÉCIMA, QUE RECEBE UM PONTO.

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© FOTOS LÉO CALDAS

NACIONAL; OS CONCEITOS 3, 4 E 5 INDICAM CURSOS QUE VARIAM ENTRE OS NÍVEIS MÉDIO E BOM; OS CURSOS COM NOTAS 6 E 7 SÃO CONSIDERADOS DE EXCELÊNCIA. (3) NÚMERO TOTAL A INFO PEDIU A CADA COORDENADOR DE CURSO QUE LISTASSE, EM ORDEM DECRESCENTE DE IMPORTÂNCIA, AS DEZ UNIVERSIDADES MAIS RESPEITADAS NA ÁREA DE TECNOLOGIA E

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RAIO X DA CAMPEÃ

OS CRITÉRIOS DO RANKING

UFPE: Recife retém os talentos de computação graças ao C.E.S.A.R e ao Porto Digital

OS NÚMEROS QUE DEFINEM A PÓS-GRADUAÇÃO DA COPPE/UFRJ

Para chegar ao ranking, a INFO enviou questionários para 407 instituições. As respostas foram tabuladas e pontuadas de acordo com os pesos a seguir. Na graduação, avaliamos reputação acadêmica (25%), integração com o mercado de trabalho (20%), professores com doutorado (15%), professores com dedicação exclusiva (5%), infra-estrutura de pesquisa (20%), porcentual de formados no prazo mínimo (5%) e relação candidato-vaga no vestibular (10%). A nota de infra-estrutura de pesquisa compreende a conectividade (35%), índice computacional (35%) e pesquisa em alta tecnologia (30%). Na pós-graduação, avaliamos reputação acadêmica (25%), avaliação da Capes (20%), artigos publicados (15%), integração com o mercado (15%), professores com doutorado (10%), doutores titulados (10%), mestres titulados (10%) e infra-estrutura de pesquisa (10%). A nota de infra-estrutura compreende a conectividade (30%), índice computacional (30%), pesquisa em alta tecnologia (25%) e integração ao mercado (15%). Ficaram de fora os cursos tecnológicos. Veja em www.info. abril.com.br/pesquisa/faculdades2008.shl as escolas que responderam ao questionário deste ano.

27 doutores formados em 2007

40 mestres formados em 2007

145 artigos publicados no exterior 2 315 alunos estavam inscritos nesses cursos em 2007, 22,4% mais que dois anos antes. Nos calcanhares dos cariocas está uma história de ascensão meteórica: de ausente em 2006, a pós-graduação em Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tornou-se segundo colocado do Ranking INFO. Foi o que titulou mais mestres, 67, e o que tem mais professores, 47, todos com dedicação exclusiva. A universidade pernambu-

cana começou a reter talentos na cidade quando a academia começou a namorar o mercado. O C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) e o Porto Digital, pólo de alta tecnologia em Recife, possuem laboratórios avançados de gigantes da TI como IBM, Microsoft e Samsung. Isso ajudou a instituição a obter verbas de empresas e agências de fomento. “Temos que lutar muito. A universidade financia apenas 15% de nossos custos”,

diz Francisco Tenório de Carvalho, coordenador da pós-graduação em ciência da computação da UFPE. A pós do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC-USP), em São Carlos, é a que mais publicou artigos: 234. O que atrai cérebros à cidade? O parque tecnológico, laboratórios equipados e parcerias (Embraer, Furnas e Petrobras), que ajudam em pesquisas em áreas como redes neurais e computação bio-inspirada em algoritmos genéticos.

OS MELHORES NA PÓS-GRADUAÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Velocidade Alunos Alunos Professores Professores Total de Pontos por Número com Avaliação da de acesso à com titulados com com artigos reputação (2) de alunos(1) titulados dedicação Capes internet (em publicados (1) (1) (3) (4) mestrado doutorado doutorado exclusiva(1) acadêmica Mbps)

Avaliação Final

Curso

Universidade

Engenharia de Sist. e Computação

Coppe-UFRJ - Inst. Luiz Coimbra de Pós-Grad. e Pesquisa em Engenharia

396

40

27

36

36

7

1 000

212

145

856

Ciência da Computação Ciências da Computação e Matemática Computacional Ciência da Computação

UFPE - Universidade Federal de Pernambuco ICMC-USP/São Carlos - Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais

470

67

15

47

47

6

100

232

86

846

234

49

13

45

45

5

1 000

234

66

837

205

31

11

29

29

6

1 000

173

121

815

Informática

PUC-RJ - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

201

40

12

25

25

7

1 000

153

144

814

Ciências da Computação

Unicamp - Universidade Estadual de Campinas

209

30

10

37

37

5

155

185

99

802

210

37

16

38

38

6

100

110

7

772

Engenharia Elétrica — Sist. Digitais Poli-USP - Escola Politécnica da USP Ciência da Computação

IME-USP - Instituto de Matemática e Estatística da USP

156

32

5

40

40

5

1 000

97

78

755

Computação

UFF - Universidade Federal Fluminense

105

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2

27

27

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144

25

752

129

15

3

12

12

5

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708

Engenharia Eletrônica e Computação ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica

(1) EM 2007. (2) AVALIAÇÃO ATUALIZADA PELA CAPES EM 2008. OS CONCEITOS VARIAM DE 1 A 7. OS DIPLOMAS DOS CURSOS COM NOTAS 1 E 2 NÃO SÃO RECONHECIDOS EM TERRITÓRIO DE ARTIGOS PUBLICADOS EM REVISTAS CIENTÍFICAS, LIVROS E ANAIS DE SEMINÁRIOS BRASILEIROS E INTERNACIONAIS DURANTE O ANO DE 2007. (4) PARA OBTER A REPUTAÇÃO ACADÊMICA, COMPUTAÇÃO. A CADA INDICAÇÃO AO PRIMEIRO LUGAR, A UNIVERSIDADE RECEBE 10 PONTOS, A SEGUNDA RECEBE NOVE, ATÉ A DÉCIMA, QUE RECEBE UM PONTO.

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© FOTOS LÉO CALDAS

NACIONAL; OS CONCEITOS 3, 4 E 5 INDICAM CURSOS QUE VARIAM ENTRE OS NÍVEIS MÉDIO E BOM; OS CURSOS COM NOTAS 6 E 7 SÃO CONSIDERADOS DE EXCELÊNCIA. (3) NÚMERO TOTAL A INFO PEDIU A CADA COORDENADOR DE CURSO QUE LISTASSE, EM ORDEM DECRESCENTE DE IMPORTÂNCIA, AS DEZ UNIVERSIDADES MAIS RESPEITADAS NA ÁREA DE TECNOLOGIA E

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formação e desenvolvimento I certificação cobit

A FORÇA DO COBIT Um caminho para passar do nível técnico à gerência de TI

POR BRUNO FERRARI

FÁBIO BRAZ, 36 ANOS

O FABIO MORIMOTO, 31 ANOS O QUE FAZ: Consultor de TI da Net Serviços FORMAÇÃO: Administrador de empresas CERTIFICAÇÕES: Cobit Foundation e Itil Foundation

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administrador de empresas Fabio Morimoto, 31 anos, vivia uma trajetória de carreira típica de um profissional de TI. Iniciou no help desk, passou pelo suporte e atingiu a maturidade técnica da profissão. Ao ver que não poderia mais crescer como técnico, Morimoto optou pela especialização em governança de TI. “O mercado para a área técnica estava saturado. Foi quando resolvi mudar o foco da minha carreira”, afirma. Desde então, foi analista de processos da operadora Vivo e agora é consultor de TI da Net Serviços.

© FOTOS LUIS USHIROBIRA

O primeiro passo foi conseguir uma certificação em Itil Foundation, o nível básico de certificação em Itil, que é uma biblioteca de regras para o gerenciamento de processos em TI. Essa certificação ampliou sua visão operacional do ambiente de TI. Mas Morimoto conta que apenas o Itil deixava-o com uma experiência limitada na área de gestão, problema que foi resolvido com o Cobit. “Pude aliar meus conhecimentos técnicos com os processos e controles de TI”, diz Morimoto. Ambas as certificações foram pagas por ele, que atuou por três anos como consultor independente antes de ir para a Vivo. O Cobit, sigla para Control Objectives for Information and Related Technology, surgiu em 1996, mas só ganhou uma certificação — a Cobit Foundation — há cerca de quatro anos. Atualmente, esse guia de melhores práticas de auditoria e governança de TI — ou framework — está na versão 4.1. Ele possui 34 processos básicos, dos quais 80% suportam a lei americana Sarbanes-Oxley (Sox) de 2002, que criou mecanismos de auditoria e segurança para as empresas. O Cobit já nasceu como o framework com maior demanda de profissionais em bancos e empresas de meio de pagamentos, onde a TI é crítica por cuidar de informações confidenciais dos clientes. Além disso, companhias com ações na bolsa americana são obrigadas a cumprir o que estabelece a Sox.

O QUE FAZ: Gerente sênior da Contax FORMAÇÃO: Engenheiro eletrônico CERTIFICAÇÕES: Cobit Foundation e Itil Foundation

TRABALHO EM EQUIPE O gerente sênior Fábio Braz comanda um batalhão de funcionários na área de infra-estrutura e operações da empresa de call center Contax. Formado em engenharia eletrônica, Braz fez parte da primeira turma de pós-graduação em governança de TI do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e tem a certificação em Itil. A Cobit Foundation surgiu em 2006, antes de ele conseguir a vaga na Contax. “Ao buscar essas certificações, dá para avaliar se as práticas estão de acordo com o que está sendo feito em empresas do mundo todo”, afirma Braz. Ele lembra que o Cobit é muito eficiente para eliminar vícios de gestão da TI. No entanto, por indicar onde e como a empresa está pisando na bola, a implementação deve ser feita de forma gradual para não assustar a área de negócios. “Mas é impossível implementar 100% do Cobit”, diz.

OPÇÃO PARA OS NOVATOS Para quem acaba de sair da faculdade, a certificação em Cobit é um bom diferencial no currículo. O primeiro contato de Daniel Pacheco, 25 anos, com o Cobit foi na faculdade de engenharia da computação da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais. O interesse aumentou quando ele fez um intercâmbio

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formação e desenvolvimento I certificação cobit

A FORÇA DO COBIT Um caminho para passar do nível técnico à gerência de TI

POR BRUNO FERRARI

FÁBIO BRAZ, 36 ANOS

O FABIO MORIMOTO, 31 ANOS O QUE FAZ: Consultor de TI da Net Serviços FORMAÇÃO: Administrador de empresas CERTIFICAÇÕES: Cobit Foundation e Itil Foundation

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administrador de empresas Fabio Morimoto, 31 anos, vivia uma trajetória de carreira típica de um profissional de TI. Iniciou no help desk, passou pelo suporte e atingiu a maturidade técnica da profissão. Ao ver que não poderia mais crescer como técnico, Morimoto optou pela especialização em governança de TI. “O mercado para a área técnica estava saturado. Foi quando resolvi mudar o foco da minha carreira”, afirma. Desde então, foi analista de processos da operadora Vivo e agora é consultor de TI da Net Serviços.

© FOTOS LUIS USHIROBIRA

O primeiro passo foi conseguir uma certificação em Itil Foundation, o nível básico de certificação em Itil, que é uma biblioteca de regras para o gerenciamento de processos em TI. Essa certificação ampliou sua visão operacional do ambiente de TI. Mas Morimoto conta que apenas o Itil deixava-o com uma experiência limitada na área de gestão, problema que foi resolvido com o Cobit. “Pude aliar meus conhecimentos técnicos com os processos e controles de TI”, diz Morimoto. Ambas as certificações foram pagas por ele, que atuou por três anos como consultor independente antes de ir para a Vivo. O Cobit, sigla para Control Objectives for Information and Related Technology, surgiu em 1996, mas só ganhou uma certificação — a Cobit Foundation — há cerca de quatro anos. Atualmente, esse guia de melhores práticas de auditoria e governança de TI — ou framework — está na versão 4.1. Ele possui 34 processos básicos, dos quais 80% suportam a lei americana Sarbanes-Oxley (Sox) de 2002, que criou mecanismos de auditoria e segurança para as empresas. O Cobit já nasceu como o framework com maior demanda de profissionais em bancos e empresas de meio de pagamentos, onde a TI é crítica por cuidar de informações confidenciais dos clientes. Além disso, companhias com ações na bolsa americana são obrigadas a cumprir o que estabelece a Sox.

O QUE FAZ: Gerente sênior da Contax FORMAÇÃO: Engenheiro eletrônico CERTIFICAÇÕES: Cobit Foundation e Itil Foundation

TRABALHO EM EQUIPE O gerente sênior Fábio Braz comanda um batalhão de funcionários na área de infra-estrutura e operações da empresa de call center Contax. Formado em engenharia eletrônica, Braz fez parte da primeira turma de pós-graduação em governança de TI do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e tem a certificação em Itil. A Cobit Foundation surgiu em 2006, antes de ele conseguir a vaga na Contax. “Ao buscar essas certificações, dá para avaliar se as práticas estão de acordo com o que está sendo feito em empresas do mundo todo”, afirma Braz. Ele lembra que o Cobit é muito eficiente para eliminar vícios de gestão da TI. No entanto, por indicar onde e como a empresa está pisando na bola, a implementação deve ser feita de forma gradual para não assustar a área de negócios. “Mas é impossível implementar 100% do Cobit”, diz.

OPÇÃO PARA OS NOVATOS Para quem acaba de sair da faculdade, a certificação em Cobit é um bom diferencial no currículo. O primeiro contato de Daniel Pacheco, 25 anos, com o Cobit foi na faculdade de engenharia da computação da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais. O interesse aumentou quando ele fez um intercâmbio

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DANIEL PACHECO

com a Universidade de Dresden, na Alemanha. Na volta, recém-formado, foi contratado como auditor de sistemas da informação da consultoria Ernst & Young. Recentemente, foi contratado como analista de consultoria em security da Accenture. Pacheco tirou a certificação da Cobit Foundation no final do mês de outubro de 2007. Segundo ele, a certificação é um critério conceituado no mercado, que permite aplicar a mesma rigorosidade em diferentes países. “O certificado é um diferencial que o profissional terá em outras oportunidades que surgirem”, diz Pacheco. Depois do Cobit, ele conseguiu a certificação Cisa (Certified Information Systems Auditor), que tem como foco os profissionais da área de auditoria. Segundo Pacheco, tanto a Ernst & Young quanto a Accenture dão incentivos a seus profissionais na forma de cursos no programa de universidade corporativa, além de benefícios como reembolso de treinamentos e certificações.

COMO CHEGAR LÁ O órgão oficial que representa o Cobit é a Isaca (Information Systems Audit and Control Association), responsável por atualizar as versões e emitir os certificados pelo mundo. Apesar de a Isaca não divulgar um número oficial de profissionais com a certificação em Cobit, mais de mil pessoas já passaram nas provas realizadas pelas consultorias certificadas. No Brasil, são as empresas IT Partners, Big Five Consulting e World Pass que oferecem o curso e o teste.

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, 25 ANOS O QUE FAZ: Analista de consultoria em security da Accenture FORMAÇÃO: Engenheiro da computação CERTIFICAÇÕES: Cobit Foundation e Cisa

25% a 50% é quanto pode subir a remuneração de um consultor que obtém a certificação Cobit Foundation

“Tem empresas que ainda estão aprendendo a adotar o Cobit, mas em três anos será requisito básico para a área de auditoria de TI”, afirma Agnaldo Aragon Fernandes, sócio-fundador da Aragon Consultores Associados e autor do livro Implantando a Governança de TI — da Estratégia à Gestão dos Processos e Serviços. Diferentemente do que acontece com outras certificações, não há uma estimativa corrente no mercado de remuneração para profissionais certificados em Cobit. Mas, para um consultor independente, por exemplo, é um retorno garantido. “Um profissional consegue passar de 80 para 100 ou 120 reais por hora de trabalho”, afirma. Apesar de todo o material do Cobit estar disponível na internet, o investimento num curso preparatório (veja tabela) é importante para quem não está em dia com o inglês, já que o material e a prova são nessa língua. Os cursos também apresentam projetos realizados em outras companhias, além de permitir a troca de figurinhas com profissionais de TI de outras empresas. Segundo André Pitkowski, diretor da Isaca, a procura dos cursos também vem aumentando por parte das corporações que realizam treinamentos internos. Pitkowski, que coordenou a adoção de normas de TI no Grupo Pão de Açúcar, afirma que subsidiar cursos é uma boa estratégia para empresas que querem promover profissionais com muito conhecimento técnico, mas que ficam devendo na visão de gerenciamento. “O Brasil é o segundo país do mundo em número de profissionais certificados em Cobit”, afirma Pitkowski. Segundo ele, já existem grandes projetos no Brasil, como o da Visanet, que certificou 80 profissionais da sua equipe de TI. O consultor conta que a Isaca escolheu o país para traduzir a prova do Cobit para o português. Alguns cursos de pós-graduação e MBA com foco em gestão de TI, como os do IPT, FIAP, Mauá e FGV, já incluem o Cobit.

O pai de todos Os profissionais de governança de TI agora contam também com um novo framework: o CGEIT (Certified in the Governance of Enterprise I), um conjunto de regras para gerenciamento de recursos, riscos e desempenho em TI. Ele une o que há de melhor na sopa de letrinhas das certificações da governança, em especial do Itil, do Cisa e o CISM (certificação profissional para especialistas em segurança na área de TI), esta voltada para a área de segurança. A primeira prova acontece no dia 13 de dezembro. A próxima, só será feita no dia 13 de junho de 2009 – e as inscrições abrem neste mês. O CGEIT tem foco em níveis gerenciais e exige cinco anos de experiência do profissional, com pelo menos um ano dedicado a um outro framework de governança de TI.

CURSOS DE COBIT Veja os três cursos que são credenciados pela Isaca no Brasil CARGA HORÁRIA PREÇO (HORAS) (R$)(1)

ONDE ENCONTRAR

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16

www.itpartners.com.br

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16 + 8 de revisão

2 350 1 950

www.worldpass.com.br

(1) INCLUI O TREINAMENTO E A PROVA

FONTE: ARAGON CONSULTORES ASSOCIADOS

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DANIEL PACHECO

com a Universidade de Dresden, na Alemanha. Na volta, recém-formado, foi contratado como auditor de sistemas da informação da consultoria Ernst & Young. Recentemente, foi contratado como analista de consultoria em security da Accenture. Pacheco tirou a certificação da Cobit Foundation no final do mês de outubro de 2007. Segundo ele, a certificação é um critério conceituado no mercado, que permite aplicar a mesma rigorosidade em diferentes países. “O certificado é um diferencial que o profissional terá em outras oportunidades que surgirem”, diz Pacheco. Depois do Cobit, ele conseguiu a certificação Cisa (Certified Information Systems Auditor), que tem como foco os profissionais da área de auditoria. Segundo Pacheco, tanto a Ernst & Young quanto a Accenture dão incentivos a seus profissionais na forma de cursos no programa de universidade corporativa, além de benefícios como reembolso de treinamentos e certificações.

COMO CHEGAR LÁ O órgão oficial que representa o Cobit é a Isaca (Information Systems Audit and Control Association), responsável por atualizar as versões e emitir os certificados pelo mundo. Apesar de a Isaca não divulgar um número oficial de profissionais com a certificação em Cobit, mais de mil pessoas já passaram nas provas realizadas pelas consultorias certificadas. No Brasil, são as empresas IT Partners, Big Five Consulting e World Pass que oferecem o curso e o teste.

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, 25 ANOS O QUE FAZ: Analista de consultoria em security da Accenture FORMAÇÃO: Engenheiro da computação CERTIFICAÇÕES: Cobit Foundation e Cisa

25% a 50% é quanto pode subir a remuneração de um consultor que obtém a certificação Cobit Foundation

“Tem empresas que ainda estão aprendendo a adotar o Cobit, mas em três anos será requisito básico para a área de auditoria de TI”, afirma Agnaldo Aragon Fernandes, sócio-fundador da Aragon Consultores Associados e autor do livro Implantando a Governança de TI — da Estratégia à Gestão dos Processos e Serviços. Diferentemente do que acontece com outras certificações, não há uma estimativa corrente no mercado de remuneração para profissionais certificados em Cobit. Mas, para um consultor independente, por exemplo, é um retorno garantido. “Um profissional consegue passar de 80 para 100 ou 120 reais por hora de trabalho”, afirma. Apesar de todo o material do Cobit estar disponível na internet, o investimento num curso preparatório (veja tabela) é importante para quem não está em dia com o inglês, já que o material e a prova são nessa língua. Os cursos também apresentam projetos realizados em outras companhias, além de permitir a troca de figurinhas com profissionais de TI de outras empresas. Segundo André Pitkowski, diretor da Isaca, a procura dos cursos também vem aumentando por parte das corporações que realizam treinamentos internos. Pitkowski, que coordenou a adoção de normas de TI no Grupo Pão de Açúcar, afirma que subsidiar cursos é uma boa estratégia para empresas que querem promover profissionais com muito conhecimento técnico, mas que ficam devendo na visão de gerenciamento. “O Brasil é o segundo país do mundo em número de profissionais certificados em Cobit”, afirma Pitkowski. Segundo ele, já existem grandes projetos no Brasil, como o da Visanet, que certificou 80 profissionais da sua equipe de TI. O consultor conta que a Isaca escolheu o país para traduzir a prova do Cobit para o português. Alguns cursos de pós-graduação e MBA com foco em gestão de TI, como os do IPT, FIAP, Mauá e FGV, já incluem o Cobit.

O pai de todos Os profissionais de governança de TI agora contam também com um novo framework: o CGEIT (Certified in the Governance of Enterprise I), um conjunto de regras para gerenciamento de recursos, riscos e desempenho em TI. Ele une o que há de melhor na sopa de letrinhas das certificações da governança, em especial do Itil, do Cisa e o CISM (certificação profissional para especialistas em segurança na área de TI), esta voltada para a área de segurança. A primeira prova acontece no dia 13 de dezembro. A próxima, só será feita no dia 13 de junho de 2009 – e as inscrições abrem neste mês. O CGEIT tem foco em níveis gerenciais e exige cinco anos de experiência do profissional, com pelo menos um ano dedicado a um outro framework de governança de TI.

CURSOS DE COBIT Veja os três cursos que são credenciados pela Isaca no Brasil CARGA HORÁRIA PREÇO (HORAS) (R$)(1)

ONDE ENCONTRAR

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16

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16 + 8 de revisão

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www.worldpass.com.br

(1) INCLUI O TREINAMENTO E A PROVA

FONTE: ARAGON CONSULTORES ASSOCIADOS

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formação e desenvolvimento I certificação GAP

COM A GRIFE DO GOOGLE Ainda são poucos (mas disputadíssimos) os profissionais com o certificado GAP POR MAX ALBERTO GONZALES

LOUISE MARTINS

, 22 ANOS QUEM É Analista de planejamento da agência 10 Minutos, de São Paulo FORMAÇÃO Relações Públicas na UERJ CARREIRA Consultora free-lancer de publicidade online e analista de marketing online da Data Intelligence, gerente do portal de vídeos WeShow

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Com_a_grife_do_Google_r1.indd 76-77

© FOTO LUIS USHIROBIRA

J

unho foi um mês corrido para a carioca Louise Martins. Contratada pela agência de publicidade online 10 Minutos, ela se mudou para São Paulo logo após o fim do período de três meses necessário para ganhar um título profissional cobiçado: o GAP (Google Advertising Professional). “Só por já estar apta para obter o certificado, meu preço da hora de consultoria aumentou 60%.” Aos 22 anos, Lou é uma das profissionais mais disputadas do agitado mercado da publicidade online. Os anunciantes investem mais em links patrocinados para aparecer no topo dos sites de busca. O cliente quer que a agência garanta que o profissional encarregado de sua conta administre bem sua verba e que seja fera nas ferramentas Google Adsense e Google Adwords. Nada melhor para comprovar isso do que um certificado emitido pelo próprio Google. “É uma exigência dos clientes. Eles dizem: ‘Como você prova que isso funciona?’, porque querem ter certeza do retorno”, diz Lou. Há um ano, trabalhando na criação do portal de vídeos WeShow, ela começou a usar o Adwords. “Não selecionamos os sites onde colocamos anúncios. O Google Adwords faz isso, com as palavras-chave.” Ela virou referência na área, com seu blog Mbox (www.mbox.blog.br), onde discute publicidade online como veterana.

COMO SE PREPARAR CURSO GOOBEC (Google Business Educational Center)

CONTEÚDO Educação sobre fundamentos de Adwords

DURAÇÃO 24 horas/aula

PREÇO 850 reais (básico)

SÓ SE FOR GAP

MAIS INFORMAÇÕES

Algumas agências brasileiras começam a exigir o GAP de seus funcionários, principalmente aquelas com o mundo online em seu DNA. É o caso da Media Click. O próprio fundador e diretor de novos negócios da agência, Marcelo Sant’Iago, é um profissional certificado GAP — e demanda o mesmo de seus funcionários. “Obter o certificado nos três meses de experiência é pré-requisito para continuar na empresa.” A agência tem hoje oito profissionais GAP e quatro recém-contratados que já buscam o selo. Para obter o GAP, o profissional precisa dominar o Google Adwords, cuja base de conhecimento é aberta a qualquer internauta. Lou disse que passou dois meses internada em casa estudando. “No começo, foi punk. Tenho sérios problemas para dormir, não saía de fim de semana. Fiquei meio alienada do mundo.” A recompensa

www.goobec.com/por

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formação e desenvolvimento I certificação GAP

COM A GRIFE DO GOOGLE Ainda são poucos (mas disputadíssimos) os profissionais com o certificado GAP POR MAX ALBERTO GONZALES

LOUISE MARTINS

, 22 ANOS QUEM É Analista de planejamento da agência 10 Minutos, de São Paulo FORMAÇÃO Relações Públicas na UERJ CARREIRA Consultora free-lancer de publicidade online e analista de marketing online da Data Intelligence, gerente do portal de vídeos WeShow

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unho foi um mês corrido para a carioca Louise Martins. Contratada pela agência de publicidade online 10 Minutos, ela se mudou para São Paulo logo após o fim do período de três meses necessário para ganhar um título profissional cobiçado: o GAP (Google Advertising Professional). “Só por já estar apta para obter o certificado, meu preço da hora de consultoria aumentou 60%.” Aos 22 anos, Lou é uma das profissionais mais disputadas do agitado mercado da publicidade online. Os anunciantes investem mais em links patrocinados para aparecer no topo dos sites de busca. O cliente quer que a agência garanta que o profissional encarregado de sua conta administre bem sua verba e que seja fera nas ferramentas Google Adsense e Google Adwords. Nada melhor para comprovar isso do que um certificado emitido pelo próprio Google. “É uma exigência dos clientes. Eles dizem: ‘Como você prova que isso funciona?’, porque querem ter certeza do retorno”, diz Lou. Há um ano, trabalhando na criação do portal de vídeos WeShow, ela começou a usar o Adwords. “Não selecionamos os sites onde colocamos anúncios. O Google Adwords faz isso, com as palavras-chave.” Ela virou referência na área, com seu blog Mbox (www.mbox.blog.br), onde discute publicidade online como veterana.

COMO SE PREPARAR CURSO GOOBEC (Google Business Educational Center)

CONTEÚDO Educação sobre fundamentos de Adwords

DURAÇÃO 24 horas/aula

PREÇO 850 reais (básico)

SÓ SE FOR GAP

MAIS INFORMAÇÕES

Algumas agências brasileiras começam a exigir o GAP de seus funcionários, principalmente aquelas com o mundo online em seu DNA. É o caso da Media Click. O próprio fundador e diretor de novos negócios da agência, Marcelo Sant’Iago, é um profissional certificado GAP — e demanda o mesmo de seus funcionários. “Obter o certificado nos três meses de experiência é pré-requisito para continuar na empresa.” A agência tem hoje oito profissionais GAP e quatro recém-contratados que já buscam o selo. Para obter o GAP, o profissional precisa dominar o Google Adwords, cuja base de conhecimento é aberta a qualquer internauta. Lou disse que passou dois meses internada em casa estudando. “No começo, foi punk. Tenho sérios problemas para dormir, não saía de fim de semana. Fiquei meio alienada do mundo.” A recompensa

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MARCELO SANT’IAGO

, 42 ANOS QUEM É Fundador da agência Media Click no Brasil FORMAÇÃO Direito pela São Francisco (USP) CARREIRA Diretor do Interactive Advertising Bureau (IAB, 2002-2006) e co-diretor para a América Latina da Search Engine Marketing Professional Organization

veio na forma de uma enxurrada de indicações de trabalho. A prova de certificação do GAP custa 50 dólares e vale por dois anos. São 100 questões online para responder em 90 minutos. A aprovação vem com 75% de acerto. Para ajudar os candidatos, o Google lançou em maio o curso Google Adwords Fundamentals, primeiro no Brasil, na Argentina e no México. A publicitária Ligia Kanegae Ishida, de 24 anos, gerente de relacionamento com agências do Google Brasil, nunca tinha planejado trabalhar com links patrocinados antes de entrar na empresa, em maio. Então, recebeu um treinamento intenso. “Nós temos que acertar 85% das questões. Mas não foi nenhum bicho-de-sete-cabeças.”

NO CARTÃO DE VISITAS A Media Click põe o selo GAP nos cartões de visita de seus profissionais porque eles venceram um caminho duro. Ter dois profissionais certificados dá à agência o direito de pleitear o selo Google Qualified Company. O Google exige de empresas e candidatos provas de que eles sabem fazer dinheiro com suas ferramentas. Uma empresa deve faturar 50 mil dólares em 90 dias com suas contas de publicidade online. O profissional precisa fazer 2 500 reais em três meses. Ricardo Reis, presidente da Media Contacts para a América Latina, não valoriza tanto o GAP. “Nosso foco é beneficiar os clientes com as últimas novidades em tecnologia. Contratar unicamente quem tem o certificado Google não é nosso critério.” Sylvio Lindenberg, diretor da agência que possui GAP e estudou Excel a fundo, diz que o aprendizado téc-

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nico somou-se à sua formação publicitária. “Quem tem esses dois lados se destaca.” Adriano Caramello Hypólito, 26, e João Paulo Martins, 21 anos, ambos da PictureWeb, têm formação técnica e enveredaram pela publicidade online. Até o fim de 2008, ambos planejam fazer a prova do GAP. “Sempre quis juntar a computação ao marketing”, diz Martins, graduando em sistemas de informação pela Universidade Mackenzie. “Hoje é preciso saber falar com as pessoas e os mecanismos de busca ajudam a fazer isso”, diz Caramello, formado pela Unicid. Com todo esse desafio, há poucos GAPs no Brasil — o Google não informa quantos são eles. Resultado: as agências roubam profissionais dos concorrentes. A Media Click perdeu dois deles entre janeiro e junho. “É o preço que pagamos por sermos pioneiros”, diz Sant’Iago. Os profissionais certificados é que estão se dando bem.

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formação e desenvolvimento I cursos online

O MIT AO ALCANCE DO MOUSE O que dá para estudar em universidades internacionais de grife sem gastar um único centavo POR MAURÍCIO MORAES

O

analista de sistemas Luiz Fernando Capitulino, de 28 anos, nunca visitou os Estados Unidos, mas aprendeu a desenvolver um sistema operacional no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Ele não precisou ser aprovado em um difícil processo seletivo, não pagou nada nem mesmo teve de se mudar para o exterior. Bastou se sentar na frente do computador e estudar. O curso funcionou como um complemento à graduação que faz na Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Capitulino também aplica os conhecimentos em seu dia-a-dia de trabalho, que envolve a manutenção do kernel do Mandriva Linux. De alguns anos para cá, várias universidades internacionalmente reconhecidas estão compartilhando com todo o mundo o conteúdo dos seus cursos de graduação na web. Muitos são

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CAPITULINO: curso online do MIT complementa a graduação no Paraná

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todas as provas aplicadas, com as respostas para cada uma das perguntas.

SIMULAÇÕES EM JAVA

KURITA: linguagem Java aprendida de graça em universidade americana

voltados para a área de TI. Encarar o desafio de acompanhá-los é uma bela chance de dar um upgrade na carreira. Dá para aprender até sobre robótica e inteligência artificial. Além do MIT, há material disponível de Stanford, Berkeley e das inglesas Oxford e Cambridge, só para citar alguns exemplos. Formar-se em um desses lugares pode custar mais de R$ 200 mil. No MIT, um dos pioneiros na área, a iniciativa está sob responsabilidade do programa OpenCourseWare (OCW), criado em 2003. Só em TI, há mais de 40 cursos disponíveis para download no site http://ocw.mit.edu. Desse total, seis podem ser assistidos na íntegra em vídeo e contam com material de apoio completo, enquanto os outros trazem desde as anotações e os resumos usados pelo professor até a bibliografia completa, exercícios e provas. Há também o Webcast.Berkeley (http:// webcast.berkeley.edu) e o recém-anunciado Stanford Engineering Everywhere (http://see.stanford.edu). Em qualquer um dos casos, seguir as aulas exige dedicação e disciplina, porque não há interação com outros alunos ou com os professores responsáveis pelas matérias. Se surgir uma dúvida, você terá de

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procurar a resposta sozinho. O acesso ao conteúdo é tão livre que não é necessário nem mesmo se inscrever na home page. Basta acessar o endereço, escolher o que estudar e seguir no seu ritmo. Os vídeos das aulas, por exemplo, podem ser baixados pelo serviço iTunes U, na iTunes Store — são centenas de cursos, seminários e palestras do mundo todo —, ou vistos nos canais das universidades no YouTube. E há um extenso material também nos portais Videolectures.net (http://videolectures.net) e no OCW Consortium (http:// www.ocwconsortium.org). Não há como receber um certificado para comprovar o tempo dedicado aos cursos e colocá-los no currículo, mas o analista da Mandriva nem se importou com isso ao mergulhar no curso de sistemas operacionais do MIT. “Foi extremamente positivo”, diz Capitulino. “O curso é muito bem organizado, mas é hardcore. Eu me matava lendo os manuais.” Embora não haja vídeos das aulas para essa disciplina, ele pôde baixar as anotações do professor, os exercícios de laboratório (com scripts para conferir se o código está funcionando), as listas de tarefas e

© FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

Os cursos de TI têm atraído até mesmo quem não trabalha no setor. Acostumado a acompanhar disciplinas de diferentes áreas, o aluno de Ciências Moleculares da Universidade de São Paulo (USP) William Massami Kurita, de 22 anos, seguiu a disciplina de Estrutura e Interpretação de Programas de Computador (Structure and Interpretation of Computer Programs), também do MIT. Hoje, ele faz estágio na área de finanças e usa a linguagem Java para cálculos e simulações. “As vantagens são a qualidade do ensino e as referências que eles dão para você”, afirma. “Acompanhar as aulas é como saber o que está acontecendo no mundo.” O conteúdo da home page do OCW também costuma ser usado por ele para consultas. Sempre que tem dúvidas de matemática e química, Kurita entra no endereço e busca respostas no material disponível. Por ter sido uma das primeiras universidades a colocar suas disciplinas na internet, o MIT tem um dos serviços mais populares. Desde que o programa teve início, a página do OCW já recebeu mais de 70 milhões de visitas. Uma pequena parte dos cursos já foi inclusive traduzida para o português

pelo portal Universia (http://www.universia.com.br/mit). “O Brasil está entre os dez principais países que acessam o site e é responsável por cerca de 20 mil visitas por mês”, afirma Steve Carson, diretor de relações exteriores do OCW. De acordo com ele, as disciplinas de TI mais acessadas são as de Introdução aos Algoritmos (Introduction to Algorithms) e Circuitos e Eletrônica (Circuits and Electronics). “O material é indicado para aqueles que já tiveram alguma experiência em uma faculdade, e dois terços dos nossos usuários já são formados”, diz Carson. “Mas qualquer pessoa com motivação e interesse deve se sentir à vontade para acessar o nosso conteúdo.” A escola de engenharia da Universidade Stanford colocou no ar em setembro seis cursos de TI, e o Brasil já é o segundo país em número de visitantes do site depois dos Estados Unidos. O campeão disparado de downloads é Metodologia da Programação (Programming Methodology), seguido por Introdução à Robótica (Introduction to Robotics). “Parte da nossa missão está em desenvolver o ensino público”, afirma David Orenstein, gerente de relações públicas da Stanford School of Engineering. “Ao colocar as aulas na rede, acreditamos que contribuímos para isso.” Com tantas opções gratuitas e de fácil acesso, aprender com os maiores especialistas no assunto só depende de você.

OITO CURSOS PARA AMPLIAR SEU CONHECIMENTO UNIVERSIDADE CURSO

DESCRIÇÃO

TOTAL DE HORAS SITE

MIT

INTRODUCTION TO ALGORITHMS

ENSINA A CRIAR E ANALISAR ALGORITMOS E APLICÁ-LOS EM SITUAÇÕES PRÁTICAS

34

HTTP://OCW.MIT.EDU

MIT

COMPUTER SYSTEM ENGINEERING

DISCUTE SISTEMAS INTEGRADOS DE SOFTWARE E HARDWARE

21

HTTP://OCW.MIT.EDU

MIT

PRINCIPLES OF DIGITAL COMMUNICATIONS I

EXPLICA A TEORIA E A PRÁTICA POR TRÁS DOS SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

32

HTTP://OCW.MIT.EDU

Stanford

PROGRAMMING METHODOLOGY

REÚNE AS TÉCNICAS QUE DEVEM SER SEGUIDAS PARA SE CRIAR UM SOFTWARE

23

HTTP://SEE.STANFORD.EDU

Stanford

PROGRAMMING ABSTRACTIONS

DISCUTE PROGRAMAÇÃO AVANÇADA, COMO ANÁLISE DE ALGORITMOS, USANDO C++

23

HTTP://SEE.STANFORD.EDU

Stanford

INTRODUCTION TO ROBOTICS

DÁ INSTRUÇÕES BÁSICAS PARA DESENHAR, PLANEJAR E CONTROLAR ROBÔS

18

HTTP://SEE.STANFORD.EDU

Berkeley

THE STRUCTURE AND INTERPRETATION OF COMPUTER SCIENCE

MOSTRA TÉCNICAS QUE DEVEM SER ADOTADAS PARA DOMINAR AS LINGUAGENS DE PROGRAMAÇÃO

36

HTTP://WEBCAST.BERKELEY.EDU

Berkeley

DATA STRUCTURES

DISCUTE A CRIAÇÃO DE PROGRAMAS COMPLEXOS E SUA MANUTENÇÃO

32

HTTP://WEBCAST.BERKELEY.EDU

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todas as provas aplicadas, com as respostas para cada uma das perguntas.

SIMULAÇÕES EM JAVA

KURITA: linguagem Java aprendida de graça em universidade americana

voltados para a área de TI. Encarar o desafio de acompanhá-los é uma bela chance de dar um upgrade na carreira. Dá para aprender até sobre robótica e inteligência artificial. Além do MIT, há material disponível de Stanford, Berkeley e das inglesas Oxford e Cambridge, só para citar alguns exemplos. Formar-se em um desses lugares pode custar mais de R$ 200 mil. No MIT, um dos pioneiros na área, a iniciativa está sob responsabilidade do programa OpenCourseWare (OCW), criado em 2003. Só em TI, há mais de 40 cursos disponíveis para download no site http://ocw.mit.edu. Desse total, seis podem ser assistidos na íntegra em vídeo e contam com material de apoio completo, enquanto os outros trazem desde as anotações e os resumos usados pelo professor até a bibliografia completa, exercícios e provas. Há também o Webcast.Berkeley (http:// webcast.berkeley.edu) e o recém-anunciado Stanford Engineering Everywhere (http://see.stanford.edu). Em qualquer um dos casos, seguir as aulas exige dedicação e disciplina, porque não há interação com outros alunos ou com os professores responsáveis pelas matérias. Se surgir uma dúvida, você terá de

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procurar a resposta sozinho. O acesso ao conteúdo é tão livre que não é necessário nem mesmo se inscrever na home page. Basta acessar o endereço, escolher o que estudar e seguir no seu ritmo. Os vídeos das aulas, por exemplo, podem ser baixados pelo serviço iTunes U, na iTunes Store — são centenas de cursos, seminários e palestras do mundo todo —, ou vistos nos canais das universidades no YouTube. E há um extenso material também nos portais Videolectures.net (http://videolectures.net) e no OCW Consortium (http:// www.ocwconsortium.org). Não há como receber um certificado para comprovar o tempo dedicado aos cursos e colocá-los no currículo, mas o analista da Mandriva nem se importou com isso ao mergulhar no curso de sistemas operacionais do MIT. “Foi extremamente positivo”, diz Capitulino. “O curso é muito bem organizado, mas é hardcore. Eu me matava lendo os manuais.” Embora não haja vídeos das aulas para essa disciplina, ele pôde baixar as anotações do professor, os exercícios de laboratório (com scripts para conferir se o código está funcionando), as listas de tarefas e

© FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

Os cursos de TI têm atraído até mesmo quem não trabalha no setor. Acostumado a acompanhar disciplinas de diferentes áreas, o aluno de Ciências Moleculares da Universidade de São Paulo (USP) William Massami Kurita, de 22 anos, seguiu a disciplina de Estrutura e Interpretação de Programas de Computador (Structure and Interpretation of Computer Programs), também do MIT. Hoje, ele faz estágio na área de finanças e usa a linguagem Java para cálculos e simulações. “As vantagens são a qualidade do ensino e as referências que eles dão para você”, afirma. “Acompanhar as aulas é como saber o que está acontecendo no mundo.” O conteúdo da home page do OCW também costuma ser usado por ele para consultas. Sempre que tem dúvidas de matemática e química, Kurita entra no endereço e busca respostas no material disponível. Por ter sido uma das primeiras universidades a colocar suas disciplinas na internet, o MIT tem um dos serviços mais populares. Desde que o programa teve início, a página do OCW já recebeu mais de 70 milhões de visitas. Uma pequena parte dos cursos já foi inclusive traduzida para o português

pelo portal Universia (http://www.universia.com.br/mit). “O Brasil está entre os dez principais países que acessam o site e é responsável por cerca de 20 mil visitas por mês”, afirma Steve Carson, diretor de relações exteriores do OCW. De acordo com ele, as disciplinas de TI mais acessadas são as de Introdução aos Algoritmos (Introduction to Algorithms) e Circuitos e Eletrônica (Circuits and Electronics). “O material é indicado para aqueles que já tiveram alguma experiência em uma faculdade, e dois terços dos nossos usuários já são formados”, diz Carson. “Mas qualquer pessoa com motivação e interesse deve se sentir à vontade para acessar o nosso conteúdo.” A escola de engenharia da Universidade Stanford colocou no ar em setembro seis cursos de TI, e o Brasil já é o segundo país em número de visitantes do site depois dos Estados Unidos. O campeão disparado de downloads é Metodologia da Programação (Programming Methodology), seguido por Introdução à Robótica (Introduction to Robotics). “Parte da nossa missão está em desenvolver o ensino público”, afirma David Orenstein, gerente de relações públicas da Stanford School of Engineering. “Ao colocar as aulas na rede, acreditamos que contribuímos para isso.” Com tantas opções gratuitas e de fácil acesso, aprender com os maiores especialistas no assunto só depende de você.

OITO CURSOS PARA AMPLIAR SEU CONHECIMENTO UNIVERSIDADE CURSO

DESCRIÇÃO

TOTAL DE HORAS SITE

MIT

INTRODUCTION TO ALGORITHMS

ENSINA A CRIAR E ANALISAR ALGORITMOS E APLICÁ-LOS EM SITUAÇÕES PRÁTICAS

34

HTTP://OCW.MIT.EDU

MIT

COMPUTER SYSTEM ENGINEERING

DISCUTE SISTEMAS INTEGRADOS DE SOFTWARE E HARDWARE

21

HTTP://OCW.MIT.EDU

MIT

PRINCIPLES OF DIGITAL COMMUNICATIONS I

EXPLICA A TEORIA E A PRÁTICA POR TRÁS DOS SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

32

HTTP://OCW.MIT.EDU

Stanford

PROGRAMMING METHODOLOGY

REÚNE AS TÉCNICAS QUE DEVEM SER SEGUIDAS PARA SE CRIAR UM SOFTWARE

23

HTTP://SEE.STANFORD.EDU

Stanford

PROGRAMMING ABSTRACTIONS

DISCUTE PROGRAMAÇÃO AVANÇADA, COMO ANÁLISE DE ALGORITMOS, USANDO C++

23

HTTP://SEE.STANFORD.EDU

Stanford

INTRODUCTION TO ROBOTICS

DÁ INSTRUÇÕES BÁSICAS PARA DESENHAR, PLANEJAR E CONTROLAR ROBÔS

18

HTTP://SEE.STANFORD.EDU

Berkeley

THE STRUCTURE AND INTERPRETATION OF COMPUTER SCIENCE

MOSTRA TÉCNICAS QUE DEVEM SER ADOTADAS PARA DOMINAR AS LINGUAGENS DE PROGRAMAÇÃO

36

HTTP://WEBCAST.BERKELEY.EDU

Berkeley

DATA STRUCTURES

DISCUTE A CRIAÇÃO DE PROGRAMAS COMPLEXOS E SUA MANUTENÇÃO

32

HTTP://WEBCAST.BERKELEY.EDU

DIC A S INFO I 81

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formação e desenvolvimento I estágio

PASSAGEM DA TEORIA À PRÁTICA Estagiar é a melhor forma de fazer a transição entre a escola e o dia-a-dia do mercado POR MARIA ISABEL MOREIRA

B

oa formação é um ponto importante no currículo, mas não é tudo. Sem experiência, a graduação na universidade topo de linha, a pós-graduação superbadalada e a especialização caríssima não sustentam um profissional num processo de seleção. Por esse motivo, mais e mais estudantes estréiam na carreira pela via do estágio. Para as empresas, os programas de estágio também são fundamentais. Como o mercado de TI está aquecido, existe escassez de mão-de-obra. “Quando tiramos um profissional da concorrência, temos de pagar um salário alto, e os ganhos vão ficando inflacionados. O ideal é recrutar na base e estabelecer um plano de carreira”, afirma Alexandre Ullmann, gerente de recursos humanos da CPM Braxis. Na Unisys, a formação de mão-de-obra também é importante para garantir a continuidade dos projetos. Segundo Regina Curi, diretora de recursos humanos, o mercado de tecnologia tem crescido muito acima da sua capacidade de atualizar e gerar recursos. “Quando precisamos repor um profissional já temos na empresa pessoal capaz de assumir o trabalho sem gerar nenhum impacto nos projetos.”

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CARREIRA POSSÍVEL A CPM Braxis e a Unisys são duas das inúmeras portas de entrada para quem quer seguir carreira em TI. No ano de 2008, a Unisys recrutou 70 estagiários — o mesmo número foi selecionado em 2007. Esses estudantes participam de treinamentos técnicos, de cidadania e de governança corporativa enquanto vivem o dia-a-dia das áreas de consultoria e integração de sistemas, sistemas e tecnologia e outsourcing. No final do estágio, cerca de 70% continuam na empresa, segundo Regina. “Um de nossos diretores, com mais de 20 anos de empresa, começou aqui como estagiário”, afirma. Na CPM Braxis, a taxa de efetivação é ainda maior. “Aproximadamente 90% dos estudantes permanecem na empresa depois do fim do estágio”, diz Ullmann. Em 2008, a empresa recrutou 100 estagiários de TI para projetos em ERP SAP e Oracle, na área de business solutions, e 40 para desenvolvimento e manutenção de sistemas em múltiplas plataformas. No próximo ano, mais 140 vagas estão previstas. Quer se candidatar?

© FOTOS SXC.HU

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Quem sabe programar está disputadíssimo COMO CONSTRUIR UMA GRANDE CARREIRA NAS ÁREAS DE TI E INTERNET Use o orkut & cia. a favor da sua...

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