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capa em P e B


Diaconia Projeto: Aids – Igreja Solidária e Transformadora KOINONIA Projeto: Aids e Igrejas

Recife, maio de 2008


AIDS: IGREJA SOLIDÁRIA E TRANSFORMADORA Esta publicação é o resultado de diversas oficinas realizadas junto às igrejas pela Diaconia, através do Programa de Apoio à Ação Diaconal das Igrejas – PAADI e pela KOINONIA, através do Programa de Saúde e Direitos. É fruto da necessidade de sistematizar e registrar as práticas, as metodologias e os conteúdos resultantes de construções coletivas nas igrejas populares dos grandes centros. O conteúdo original desta cartilha foi elaborado por técnicos da Diaconia. Diaconia Programa de Apoio à Ação Diaconal das Igrejas Projeto: Aids: Igreja Solidária e Transformadora KOINONIA Programa Saúde e Direitos Projeto: Aids e Igrejas Coordenadores de Programa Rev. Sérgio Fernando Lomeu de Andrade - Diaconia Ester Lisboa de Almeida - KOINONIA Equipe do Programa Airton Schoereder Gleizy Irene Gueiros Holdair José Drefs Organização e Redação Airton Schoereder Gleizy Irene Gueiros Sabrina Nunes Bolla Revisão Ester Lisboa de Almeida Sérgio Fernando Lomeu de Andrade Projeto Gráfico e Editoração Cleto Campos Ilustrações Posters do cd-rom Sign of Hope Steps for Change © Ecumenical Advocacy Alliance. HANNA-CHERIYAN VARGHESE - Malásia (capa) / BABATUNDE MORGAN - Serra Leoa (ilustração interna) / DENNIS ALPAYO LASU - Sudão (ilustração interna) Tiragem: 2.000 exemplares


SUMÁRIO 1. Apresentação

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2. Referenciais teóricos Aids hoje: condenação ou encontro com a vida? Relações de gênero e direitos sexuais e reprodutivos em contextos religiosos

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3. Oficinas de Sensibilização Aids, realidade entre nós! Conhecendo as pessoas que vivem com HIV e Aids Respondendo ao desafio

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4. Oficinas de capacitação Planejando nossas ações Compromisso com a vida O agente multiplicador Gênero e sexualidade DST e prevenção HIV e Aids Diversidade sexual Espaço solidário A resposta da Igreja 5. As metas de desenvolvimento do milênio 6. Informações sobre a Diaconia e a KOINONIA

37 43 49 55 65 71 77 87 91 97 101


APRESENTAÇÃO Para muitas pessoas, as distintas aborda-

são fundamental dos direitos do ser humano

gens sobre a Aids encontram-se relaciona-

em suas distinções intrínsecas; entre elas, a

das, prioritariamente, à área da saúde. Aná-

orientação sexual e o direito à vida.

lises primárias apontam para percepções sociais ligadas a assistência médica perma-

Ainda que a sociedade, através dos per-

nente, a distribuição de medicamentos, ao

manentes esforços do poder público, de pro-

melhoramento da rede hospitalar, ao atendi-

fissionais de saúde e pesquisa, de organiza-

mento profissional com qualidade, a quebra

ções não-governamentais e, principalmente,

de patentes e a inclusão das pessoas que

de pessoas que vivem com HIV, tenha avan-

vivem com HIV, na abrangência do Sistema

çado numa importante compreensão técnico-

Único de Saúde (SUS). Tais referenciais pa-

científica e mobilização pela implementação

recem indicar que devemos olhar para a Aids

de políticas públicas, é perceptível, ainda, a

como um desafio à saúde mundial.

forte resistência à garantia de direitos.

Entretanto, um olhar mais criterioso favo-

Nestes cenários, as Igrejas surgem como

recerá a compreensão de que a luta contra

personagens importantes na luta contra esta

a doença extrapola o âmbito da saúde físi-

pandemia.

ca. Pela natureza excludente imposta pela sociedade, alicerçada em alguns conceitos

Somos chamados à reflexão e à prática

de “moralidade”, pelo interesse econômico

que sejam caracterizadas pela solidariedade

das indústrias da saúde e pela conivência

e pela promoção da vida.

dos governos, a Aids debilita outras áreas da condição humana, pois revela o preconcei-

Por estas razões, a Diaconia e a KOI-

to, a discriminação, o desconhecimento e a

NONIA disponibilizam às Igrejas e demais

exploração social, promotores da transgres-

instituições e organizações cristãs esta car-

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tilha, um roteiro de oficinas que poderá ser importante instrumento metodológico para a sensibilização e capacitação de homens e mulheres comprometidos em suas comunidades locais com os desafios da realidade em que vivem. Esperamos que este material seja útil para o desenvolvimento das ações daquelas pessoas que estão a serviço do Reino de Deus. Fraternalmente em Cristo, Rev. Arnulfo Barbosa Diretor Executivo da Diaconia

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Aids Hoje: condenação ou encontro com a vida? Atravessamos um período de signifi-

tanto, a contradição entre a noção de risco

cativas reflexões acerca da sobrevivência

individual e uma nova compreensão de vul-

humana. Uma delas, a questão da Aids, se

nerabilidade social ainda é um desafio que

apresenta como desafio que não pode ser

antecede as estratégias capazes de conter o

escamoteado. Como afirma Mann (1985:8):

avanço da epidemia.

“Nosso desafio hoje – pessoal e coletivo – não deve ser subestimado. Temos nós confiança

Historicamente, o conceito de “grupo de

em nosso conhecimento, em nossa experi-

risco” difundiu-se amplamente através da

ência, em nossas descobertas? Temos nós

mídia. No início da década de 80, com o

necessária coragem, força e imaginação? A

surgimento da epidemia, as estratégias de

epidemia – nossa especial responsabilidade

prevenção produziriam preconceito e indivi-

– não vai esperar. Encontramo-nos, de modo

dualismo, estigmatização e segregação, en-

inesperado e aterrador, em uma grande en-

tre outros “pecados sociais”. Naquela época,

cruzilhada da história mundial”. Em 25 anos

para as Igrejas, Aids era (e ainda é, em al-

de epidemia já são 42 milhões de casos de

guns contextos) vista como o preço do peca-

Aids no mundo. Estima-se que, anualmente,

do ou até a peste do Apocalipse.

5 milhões de pessoas contraem o HIV . No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, cerca

Em meados da década de 80, o quadro

de 115 mil crianças foram infectadas. Na fai-

pandêmico da Aids já não podia ser negado.

xa etária entre 15 e 49 anos, já são 620 mil

A epidemia já não respeitava limites geográfi-

brasileiros infectados pelo HIV. A Aids tem

cos, etnia, orientação sexual, religião, cultura

sido a segunda causa de óbito entre homens

etc. Surgem, nesse período, as estratégias

jovens, e a quarta causa entre mulheres. No

de redução de risco com base no conceito

Brasil, ocorrem 8 mil óbitos por ano, matan-

de “comportamento de risco”. O novo con-

do, em média, 30 pessoas por dia. No en-

ceito, de certa forma, minimizou o estigma

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dos grupos nos quais primeiro foi detectada

que torna a terapia inacessível para os mais

a epidemia. No entanto, essa nova concep-

vulneráveis à infecção e ao adoecimento, es-

ção também mostrou limites nas estratégias

pecialmente nos países do Terceiro Mundo.

de intervenção na doença. Com ela, emerge

Ao contrário do que se pensava, não há freio

a culpa individual, atribuída à displicência e

em relação à expansão da epidemia.

falha na prevenção. Evidenciam-se, no entanto, tendências As Igrejas começam a lidar com os primei-

que caracterizam a face da Aids, hoje, como

ros casos de portadores do vírus de diversas

a heterossexualização, a feminização, a in-

formas; às vezes culpando, condenando e

teriorização, a jovialização e, ainda, a pau-

disciplinando o portador; às vezes apoiando,

perização, que denunciam a “convivência

orando com ele e tentando aprender, diante

complacente” com o problema por parte do

desta nova realidade, os caminhos para ser

poder público. Nesse momento, ganham

solidária.

espaço as proposições que defendem estratégias de controle de alcance social e/ou

A partir do final da década de 80, a epi-

estrutural. Dentre essas, as ações comuni-

demia assume sua face atual. Torna-se uma

tárias, dos movimentos sociais organizados,

questão mundial. Rompe as fronteiras geo-

das organizações não-governamentais, das

gráficas, se pauperiza e se heterossexualiza,

Igrejas etc.

propagando-se rapidamente nas periferias e comunidades pobres e nos grandes centros

Atualmente, o processo de apropriação do

urbanos. Percebe-se que “o HIV é um agen-

conceito de vulnerabilidade, como alternati-

te infeccioso universal e, portanto, todas as

va de avanço na compreensão e intervenção

pessoas são vulneráveis a ele” (Parker et alii,

em Aids, vem estabelecendo parâmetros que

1994).

mensuram maior ou menor grau da mesma em relação à infecção pelo HIV. O conceito

Em 1996, dá-se início à terapia com a

de vulnerabilidade aplicado à saúde tem sido

combinação de anti-retrovirais (conhecido

compreendido como o resultado da militância

como coquetel) que não só contribui para a

frente à epidemia da Aids e o movimento dos

diminuição de internações, óbitos e ocorrên-

direitos humanos (Aids in the World, Mann &

cias de infecções oportunistas, mas também

Cols, 1993). De certa forma simplista, pode

para o aumento da sobrevida das pessoas

ser entendido como o potencial de resposta,

vivendo com o vírus. Isso contribui para o

referencial ou instrumental que considera os

avanço da percepção da Aids que, entre os

fatores biopsicossociais de indivíduos e da

profissionais de saúde, deixa de ser encara-

coletividade.

da como uma condenação à morte e passa a ser vista como uma patologia de caráter evolutivo e crônico, mas controlável. No entanto, o custo financeiro ainda é altíssimo, o

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ENFRENTAMENTO

mesmo tempo em que tem, em sua essên-

É neste cenário que algumas organi-

missão terapêuticos, também se torna, com

zações cristãs começam a se dar conta de

essa omissão, um dos agentes repressores

que nas estatísticas em relação à Aids, há

da sexualidade, ou, pelo menos, não cumpre

um percentual de pessoas infectadas ainda

o seu papel de promover o desenvolvimen-

não mensurado oficialmente, mas identifi-

to integral do ser humano, na sua missão de

cado nos serviços públicos. A comunidade

defender a vida.

cia como comunidade de fé, um papel e uma

evangélica tem se infectado e engrossado as fileiras da feminização, da jovialização e da

Em nossas comunidades de fé, convive-

pauperização, uma vez que estão nessas co-

mos com uma crescente demanda de irmãos

munidades mulheres com um único parceiro,

e irmãs, jovens e idosos, que são portadores

sem que ambos façam uso de preservati-

do HIV, sem contar as gestantes precoces.

vo, jovens com vida sexual ativa “secreta”, e uma grande população pobre que enche

A realidade da epidemia está bem perto

os templos. A prevenção tem sido difícil na

de nós. Falar e pensar acerca da questão da

medida em que não se cria o espaço para a

sexualidade não é libertinagem. A Igreja tem

discussão deste tema, acrescido ao fato de

um papel importante para a reflexão de va-

que muitos continuam acreditando que Aids

lores e princípios. Torna-se, portanto, neces-

é “doença do pecado” e, portanto, não os

sário e urgente incluir a temática em nossas

atinge.

agendas.

A Aids está intimamente relacionada

Se nós, como Igreja, assumirmos o desa-

com a sexualidade. Assim sendo, tem sido,

fio de tratar esta questão de forma equilibra-

muitas vezes um assunto omitido, descon-

da, considerando os dados epidemiológicos

siderado, ou abordado de forma superficial

que evidenciam a pandemia e seu caráter

ou preconceituosa. A sexualidade tem sido

de vulnerabilidade (tendo em mente que a

abordada, em algumas situações, de forma

sexualidade é parte da pessoa inteira, e não

reduzida à esfera biológica, acompanhada,

um apêndice, e que está diretamente ligada

ainda, do conceito dualista e medieval que

à afetividade e à responsabilidade), podere-

separa corpo e espírito e sem incluir os as-

mos dar uma grande contribuição para a so-

pectos de afetividade e responsabilidade,

ciedade na busca de estratégias de enfrenta-

tendo, como conseqüência, se tornado tabu,

mento da expansão da epidemia.

especialmente no universo cristão. A ausência de possibilidades para falar A Igreja cristã, historicamente, tem tido

sobre o assunto, o silêncio e a discriminação

dificuldade para abrir espaço para trabalhar

reafirmam ainda mais a culpa, a quebra da

a questão da sexualidade da mesma forma

relação com Deus e a perda de valores espi-

que trabalha o crescimento espiritual. Ao

rituais, éticos e morais, acarretando doenças

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emocionais sem precedentes nos indivíduos

tas mulheres são, ou foram, portadoras de

vítimas da Aids e/ou gravidez precoce.

câncer de colo do útero, portadoras do HPV, transmitido também nas relações sexuais. No

ALGUNS ASPECTOS PRECISAM SER APROFUNDADOS:

entanto, ter câncer de colo do útero não tem sido tratado como fruto do “pecado” e, assim, a Igreja tem conseguido uma ação mais soli-

u O modo como as relações de gênero

dária e eficaz nessas situações, apoiando as

são vivenciadas historicamente nas comuni-

famílias e ajudando as pessoas a se motiva-

dades evangélicas evidenciam a vulnerabili-

rem para a cura ou para o enfrentamento da

dade feminina;

doença. O HIV traz, na sua história, o marco

u Algumas práticas não analisam de

do “grupo de risco” (homossexuais masculi-

forma consciente os valores que estão implí-

nos), dificultando, assim, a abordagem desta

citos, estimulando o individualismo, a com-

questão.

petição e a desinformação, afetando diretamente as relações familiares;

O que estamos fazendo, como Igreja, com

u Alguns modelos de disciplina ex-

relação aos nossos irmãos e às nossas irmãs

põem a pessoa publicamente, provocando,

infectados? Sabemos que a discriminação, a

às vezes, afastamento ou submissão.

condenação e a segregação têm sido o maior aliado do vírus na morte e que, ao contrário, a fé, a confiança em Deus, o sentimento de

A RELAÇÃO COM O SENHOR POSSIBILITA VIDA, E VIDA EM ABUNDÂNCIA

pertencimento à comunidade de fé, a solidariedade das pessoas, o carinho e a inclusão têm tido grande significação na vida das pessoas vivendo com HIV. É no fortalecimento

No universo de pessoas vivendo com o

das pessoas, da sua fé, da sua auto-estima,

HIV, há muitos cristãos com saúde, cheios de

da sua capacidade crítica e da sua esperan-

fé e vida plena e que, na experiência do con-

ça que a Igreja tem um papel decisivo.

fronto com a realidade de se tornarem portadores do vírus, se aproximaram de Deus e

É nesta conjuntura, que acirra o processo

encontraram o sentido de suas vidas e uma

de morte e expansão da epidemia, que se

paz interior que não haviam experimentado

torna fundamental refletirmos sobre sexuali-

anteriormente.

dade e Aids com um referencial de cristianismo integral, a fim de encararmos os deter-

Portar o vírus não significa estar doente.

minantes de vulnerabilidade e contribuir na

Estar com Aids em terapia anti-retroviral não

luta contra a Aids, a favor de uma sexualida-

significa estar doente. Estar doente não sig-

de plena e sadia e de uma vida abundante,

nifica estar separado de Deus.

como nos promete o Senhor.

Nas nossas comunidades cristãs, mui-

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Lindalva Correa é assistente social e membro da Igreja Metodista do Brasil e Trabalha com pessoas vivendo com HIV e Aids, em Recife/PE.


Relações de Gênero e Direitos Sexuais e Reprodutivos em Contextos Religiosos Falar de relações de gênero em contex-

terreno fértil de onde brotam cotidianamente

tos religiosos é um grande desafio. Quando

a diversidade, a pluralidade e preocupante-

tomamos a iniciativa de reflexão e diálogo

mente sinais de intolerância ao outro diferen-

sobre direitos sexuais e reprodutivos nestes

te.”¹

contextos, tal posição parece, no mínimo, atrevimento.

Em geral, as comunidades religiosas têm sido vistas como empecilhos para o exercício

Atrevimento, porque é preciso ousar para

e a expansão dos direitos sexuais e repro-

tratarmos de temas tão presentes no cotidia-

dutivos e, também, como perpetuadoras da

no de escolas, locais de trabalho, famílias e

vulnerabilidade das mulheres na sociedade.

igrejas.

“A religião, seja para ser criticada, vivida, afirmada ou simplesmente conhecida, constitui

A premência em trabalhar com estes te-

um âmbito de conhecimento humano a ser

mas surgem pela necessidade de garan-

considerado em virtude de sua capacidade

tirmos a igualdade de direitos sexuais e re-

mobilizadora. A religião tem a força de dar

produtivos, principalmente numa conjuntura

rumos ao cotidiano das pessoas. Não raras

marcada pela epidemia da Aids, na qual se

vezes, suas verdades, ou discursos sobre o

faz necessária a garantia de ações preventi-

sagrado exercem sobre o corpo o poder de

vas, junto aos homens e às mulheres de co-

paralisá-lo, acalmá-lo, confortá-lo, imobilizá-

munidades religiosas.

lo, quando não, levá-lo à morte.” ²

Ao refletirmos sobre as relações de gê-

Falar de relações de gênero, direitos se-

nero e direitos sexuais e reprodutivos em

xuais e reprodutivos em contextos religiosos,

contextos religiosos, não podemos deixar

fará com que reconheçamos que “quaisquer

de considerar que o “campo religioso é um

que sejam as realidades que me atingem,

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nada sei sobre elas, em si mesmas. Só as

diferença biológica é apenas o ponto de parti-

conheço como reverberações do meu cor-

da para a construção social do que vem a ser

po.”

homem ou mulher. Sexo é atributo biológico.

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Gênero é uma construção social e histórica. Portanto, estão na corporeidade e em sua integridade as condições dos seres vivos de

É importante refletir que com as mudan-

construírem suas experiências de relações

ças culturais presentes em nossa época, a

com o mundo. Os temas que, até então,

conceituação de gênero é construída por

eram considerados tabus, tais como: mulher,

uma visão ampliada, na qual estão presen-

corpo e sexualidade, relações de gênero,

tes os aspectos psicológicos, a cultura fami-

religião, DST/Aids, direitos sexuais e repro-

liar e a tradição religiosa. Para Tânia Mara,

dutivos, comportamento e relacionamento

“é preciso se chegar e reconhecer as mas-

pessoal, necessitam ser incorporados em

culinidades e feminilidades plurais vividas

nossas discussões e reflexões.

historicamente e das quais as tradições religiosas podem re-visitar para enfrentar suas

Quando nos desafiamos e propomos

cristalizações.” 4

ações educativas em relação a estes temas, abordando as comunidades religiosas a partir

Tais questões trazem à discussão as re-

de seus próprios valores, é possível que as

lações sociais entre homens e mulheres,

atividades de sensibilização e capacitação

e de que maneira eles se relacionam com

favoreçam que estas se tornem instrumentos

o cotidiano. Nestas condições, em geral, a

de disseminação de valores fundamentais

responsabilidade para com a sobrevivência

às pessoas, tais como: equidade de gênero,

sobrecarrega ainda mais as pessoas, possi-

respeito à diversidade sexual, direitos repro-

bilitando que o desgaste e a dificuldade nas

dutivos e cidadania, entre outros.

relações de gênero se estabeleçam.

As comunidades religiosas, quando bem

Um exemplo de tal realidade acontece

preparadas, se transformam em espaços

quando falamos de gênero no contexto da

acolhedores e solidários às pessoas que vi-

saúde. Em muitas ocasiões deparamos com

vem e convivem com Aids, além de desem-

a desigualdade de poderes entre homens e

penharem papel importante de educação e

mulheres que, dentre outras coisas, faz cres-

prevenção. Podem, ainda, se transformar em

cer vertiginosamente o índice de mulheres

núcleos importantes de produção de valores

infectadas pelo HIV.

que contribuam para a superação do estigma, do preconceito e da discriminação rela-

As instituições de controle social, espe-

cionados aos direitos sexuais e reprodutivos,

cialmente as de caráter religioso, podem

tão presentes na sociedade.

superar preconceitos e tabus por meio da mobilização, da articulação qualificada e da

Neste cenário, é preciso clarificar que a

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participação de seus integrantes em ações


que os colocam frente a frente com a diversidade. As experiências de diálogo evangélico, ecumênico e inter-religioso viabilizam o reconhecimento dos limites e dos avanços de cada grupo e levam à abertura em busca da alteridade. É também por esta razão que se faz necessário criar espaços e condições propícias para esses encontros de intercâmbio e aprendizados mútuos. Assumir que a diversidade existe é um passo importante para o reconhecimento do valor dos homens e das mulheres, sem hierarquia.

Ester Almeida - Assistente Social. Assessora do Programa Saúde e Direitos – Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço

Bibliografia: 1 SAMPAIO, Tânia Mara Vieira. “Aids e Religião: aproximações ao tema”. In: Revista Impulso: [Con]vivendo com HIV/Aids, nº. 32, vol. 13, Piracicaba: Editora UNIMEP, 2002. 2 SAMPAIO, Tania Mara. AIDS E RELIGIÃO: Uma permanente construção de saberes em diálogo. São Paulo. Congresso Aids e religião do PNDST/AIDS e CNAIDS , 2006. 3 ALVES, Rubem. Variações sobre vida e morte. São Paulo: Paulinas, 1982. 4 SAMPAIO, Tania Mara. AIDS E RELIGIÃO: Uma permanente construção de saberes em diálogo. São Paulo. Congresso Aids e religião do PNDST/AIDS e CNAIDS, 2006.

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

Aids, realidade entre nós!

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

Aids, realidade entre nós! 1. Objetivos: Sensibilizar os participantes sobre a realidade da Aids, apresentando o panorama da epidemia no Brasil e no mundo. 2. Tempo previsto: 2 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: O facilitador apresenta as boas-vindas e propõe uma oração inicial. 2º Passo: Facilitar a dinâmica dos bombons. 3º Passo: Formar um círculo com os participantes e entregar a cada pessoa um bombom. Instruir para que os participantes abram e comam os bombons utilizando-se apenas de um braço estendido, enquanto o outro braço permanece escondido atrás do corpo. Os participantes não poderão falar entre si. 4º Passo: Deixar o grupo vivenciar e depois conversar sobre como os participantes se sentiram. Destacar algumas observações sobre a experiência. Devocional 1º Passo: Preparar cartões com antecedência (anexo 1). 2º Passo: Entregar os cartões aos participantes. 3º Passo: Leitura em Isaías 43.1 (anexo 2). 4º Passo: Pedir para cada participante colocar seu nome e depois colocar seu cartão numa cesta, identificando-se e dizendo o que gosta de fazer. 5º Passo: Cada pessoa pega um cartão que não seja o seu e volta para a formação em círculo. 6º Passo: Individualmente, os cartões devem ser entregues às pessoas que têm o nome escrito nele. O texto contido no cartão deverá ser lido em voz alta, seguido de um cumprimento pessoal. 7º Passo: Orar, agradecendo a Deus por nos conhecer pelo nome e nos chamar para testemunhar o seu amor.

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

Desenvolvimento Apresentação do Curso. 1º Passo: Formar dois grupos. 2º Passo: Solicitar que um grupo desenhe uma pessoa de costas e o outro grupo desenhe um círculo de pessoas com as mãos dadas. 3º Passo: Colocar os cartazes no centro do círculo e perguntar aos participantes: • Em relação à Aids, que posturas estão reveladas nestes desenhos? • Quais destas posturas indicam o caminho cristão? • Que pessoas estão representadas nestes desenhos? Homens? Mulheres? Crianças? Jovens? Idosos? Negros? Brancos? Ricos? Pobres? 4º Passo: Apresentar o panorama da Aids no Brasil e no mundo (trabalho de pesquisa do educador). 5º Passo: Apresentar a cartilha e o roteiro de oficinas (sem a entrega dos mesmos aos participantes) como base das aulas futuras. Encerramento 1º Passo: Colocar os cartazes no centro do círculo. 2º Passo: Formar duplas de oração, pedindo a Deus que as pessoas e as Igrejas sejam sal e luz. 3º Passo: Palavras breves de avaliação por parte dos participantes. 4. Material para esta oficina: - Bombons - Cartões com o texto de Isaías - Cesta ou bandeja para colocar os cartões

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

ANEXO 1: Preparar os cartões em papel colorido neste modelo:

Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, e que te formou, (linha para escrever o nome do participante)

______________________________________________________ Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu/minha.

(Baseado em Isaías 43.1)

ANEXO 2

Isaías 43.1 1 Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

Conhecendo as pessoas que vivem com HIV e Aids 19


OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

Conhecendo as pessoas que vivem com HIV e Aids 1. Objetivo: Sensibilizar os participantes, através do conhecimento do cotidiano das pessoas que vivem com HIV e Aids (adesão ao tratamento, família, escola, igreja, trabalho, pesquisas, entre outros). 2. Tempo previsto: 3 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: O facilitador apresenta as boas-vindas e propõe uma oração inicial. 2º Passo: Facilitar a dinâmica da mala . 3º Passo: Entregar a cada participante uma folha de papel A4 com o contorno de uma mala (anexo 1). 4º Passo: Pedir que cada pessoa personalize sua mala, escrevendo ou desenhando seus sentimentos para com o curso. 5º Passo: Pedir que cada pessoa escreva na mala uma pergunta que traz consigo sobre pessoas vivendo com HIV e Aids. 6º Passo: Partilha com todo o grupo. Devocional 1º Passo: Leitura em Lamentações 3.21 (anexo 2). 2º Passo: Fazer a “Oração pela Vida” (anexo 3). 3º Passo: Compartilhar com o grupo o significado das palavras: esperança, solidários, perseverantes, acolhedores, misericordiosos. Desenvolvimento 1º passo: Formar 4 grupos entre os participantes. 2º Passo: Os grupos receberão e lerão textos com relatos reais de pessoas vivendo com HIV e Aids (anexo 4). 3º Passo: Apresentação, para todos, da análise dos textos e sua implicações nas vidas das pessoas vivendo com HIV e Aids e qual o encaminhamento para as Igrejas.

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

Encerramento 1º Passo: Formar um círculo. 2º Passo: Fazer leitura dos textos “Comunidade terapêutica: uma proposta” (pág. 31 do manual, “Aids e Igrejas - Um convite à ação”. 3º Passo: Refletir sobre os desafios apontados no texto. 4º Passo: Elaborar um termo de compromisso a partir dos desafios apresentados. 5º Passo: Compartilhar com o grupo. 6º Passo: Orar pelas pessoas que vivem com HIV e Aids e por todos nós que assumimos o compromisso 4. Material para esta oficina: - Caneta Piloto (hidrocor) - Pincel piloto - Papel A4 - Sullfitão

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2ª ANEXO 1

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO


OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

ANEXO 2

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. Lamentações 3.21

ANEXO 3

ORAÇÃO PELA VIDA Senhor, fonte da vida e da esperança. Estamos diante de Ti como criaturas frágeis E necessitadas. Tu que amas, tudo que existe, Acolhe-nos em teu coração. Suaviza a dor e o sofrimento. Torna-nos defensores da vida, Perseverantes na luta, Solidários no sofrimento. Livra-nos do preconceito. Ajuda-nos a sermos Acolhedores e misericordiosos, Conforme tua vontade. Amém.

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

ANEXO 4 Depoimentos – Extraídos da Revista Saber Viver

SEM MEDICAÇÃO E SEM TRABALHO Cristina Costa e Silva é evangélica da Assembléia de Deus do Recife e seguiu à risca as palavras de um pastor que pregava - e continua pregando - que só Jesus cura. Suspendeu o tratamento com os anti-retrovirais e quase morreu. “Eles (os pastores) têm o cuidado e não falar diretamente para você não tomar a medicação. Isso não é só para o HIV, mas também para outras doenças, como o câncer. Eles dizem que só Jesus cura. E aí, quando a pessoa decide voltar a tomar os remédios, às vezes já é tarde”. Cristina ficou quase dois anos sem tomar o coquetel. Por sorte, quando decidiu retomar o tratamento com os antiretrovirais, conseguiu reverter os problemas de saúde que quase lhe tiraram a vida. Ela percebeu que a fé, somente, não poderia curá-la da infecção pelo HIV. “Não quero deixar de ser evangélica, mas quero uma igreja saudável. Jesus cura sim, mas os remédios ajudam e muito”. Além de abandonar a medicação, Cristina foi afastada de um trabalho social que realizava com mulheres e crianças na igreja que freqüentava. “Eu gostava muito deste trabalho, me sentia útil. Mas quando essa porta se fechou para mim, fiquei muito deprimida, me senti rejeitada, porque onde busquei apoio não encontrei. Hoje vejo que falta aos pastores mais informação.”

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO

ANEXO 4 (continuação)

“LUTO DIARIAMENTE CONTRA O PRECONCEITO” “Em 1990, fiz o teste para detectar o HIV pelo plano de saúde da empresa em que trabalhava e deu positivo. O médico responsável pelo exame revelou o resultado para a empresa e logo fui chamado no departamento pessoal para assinar minha demissão. Eu me recusei a assinar. Mesmo com a pouquíssima informação que eu tinha na época, deduzi que esse não poderia ser um motivo para que eu fosse demitido. A empresa, então, usou de todos os subterfúgios para me manter afastado do trabalho. Primeiro, me deram uns dias de folga, depois férias. Cheguei a ficar três meses em casa, recebendo o auxílio-doença e ainda me propuseram aposentadoria, mas eu me negava a ficar em casa, já que me sentia muito bem de saúde e queria voltar a trabalhar. Enfim, com um parecer médico dizendo que eu estava apto ao trabalho, eu voltei à empresa. Foi quando eles declararam abertamente que eu não poderia trabalhar, pois, devido à minha soropositividade para o HIV, haveria o perigo de eu contaminar os clientes. Resolvi recorrer ao serviço jurídico de uma ONG e foi então negociado um acordo: a empresa pagaria meu salário e todos os benefícios de um funcionário (13º, vale transporte, férias), com a condição de eu não ir mais trabalhar. No ano passado, a direção da empresa mudou e eu recebi uma carta em que o novo diretor reconhecia a atitude preconceituosa que eles estavam tendo comigo e dizia que queria rever esta questão. Eu fiquei super feliz com a perspectiva de voltar a trabalhar. Mas eles me ofereceram um trabalho completamente diferente da minha antiga função. Queriam me readmitir para trabalhar no departamento de xerox da empresa. Foi mais uma atitude de discriminação, porque eu era qualificado para outra função. Antes de ser afastado, eu trabalhava como monitor, eu treinava funcionários e verificava a qualidade dos produtos. Trabalhei durante dois anos nessa função e estava para ser promovido a assistente de gerente. Eu tinha planos de seguir carreira. Esses planos foram interrompidos por causa do preconceito. Dessa vez, queriam me colocar numa sala isolada, afastado do contato com outras pessoas. Não aceitei trabalhar nestas condições. Minha luta é incansável. Este ano, ganhei uma ação contra uma empresa de ônibus porque o motorista, além de não respeitar o fato de eu ter um passe que me dá direito a não pagar a passagem, ainda me agrediu verbalmente, me xingando e expondo minha condição de soropositivo para todos no ônibus. Um dos passageiros, que também era soropositivo, se dispôs a ser minha testemunha. Fomos, então, à delegacia, foi aberto um processo e a empresa foi condenada a pagar uma indenização por discriminação e preconceito. Desde que eu fui afastado do trabalho, tenho usado meu tempo, minha determinação e minha coragem de enfrentar o HIV publicamente, para lutar pela questão do HIV. Presto serviço voluntário para a Instituição Bandeirante do Brasil, onde coordeno um projeto de agentes multiplicadores de informação. Jovens de 15 a 21 anos são treinados para incluir o tema de prevenção à Aids nas atividades que realizam. Quero transmitir para a sociedade a informação correta e mostrar que é necessário evitar o HIV, e não o portador do HIV, e que a discriminação é crime.”

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ANEXO 4 (continuação)

CRIANÇA TAMBÉM MERECE RESPEITO Luiza, 11 anos, já estudou em diversos colégios da cidade onde vive. O motivo de tanta mudança é o preconceito. Sempre que alguém na escola fica sabendo que ela é portadora do HIV, Luiza passa a ser alvo de comentários maldosos. Algumas vezes, ela foi convidada a se retirar do colégio; em outras, pediu para sair por não suportar mais ser discriminada. Apesar de querer e poder viver como qualquer criança da sua idade, Luiza, atualmente, não quer mais ir à escola. Rosa,17 anos, São Paulo – SP. “Na minha escola todos sabem que eu tenho HIV porque eu contei para um amigo, que contou para outro, que contou para outro até que todo mundo ficou sabendo. Por causa disso acharam que eu era drogada e prostituta. A situação ficou insuportável, até que eu, minha médica e minha psicóloga fomos à escola fazer umas palestras. Eu contei que contraí HIV na barriga da minha mãe. Elas explicaram como Aids pega e não pega. Falamos de preconceito etc., mas o boato continuou, com gente falando mal de mim pelos cantos. Mudei do turno da manhã para noite e as coisas melhoraram um pouco. Até que eu comecei a namorar um menino da turma. A professora, que sabia, falou para todos os meninos tomarem cuidado comigo, porque eu tinha HIV e era falsa. Depois disso, não fui mas à escola. Quero ter uma prova do que a professora falou para poder entrar com uma ação na justiça contra ela por danos morais. Pedi aos meus colegas para me ajudarem como testemunhas, mas eles estão com medo.” O acesso ao ensino fundamental é garantido pela Constituição Federal. É responsabilidade do Estado, e dos pais, que todas as crianças freqüentem a escola, independentemente da sorologia para o HIV. Uma portaria dos Ministérios da Educação e da Saúde dispõe que a realização de testes compulsórios para a admissão do aluno na escola ou para a manutenção da sua matrícula nas redes pública e privada de ensino, em todos os níveis, é injustificável e não deve ser exigida. O HIV não é um vírus que pode ser transmitido por contato social e não oferece perigo no ambiente escolar, por isso não há obrigatoriedade em revelar o diagnóstico da criança portadora do HIV para professores e diretores de escolas. Para evitar a curiosidade dos outros alunos e preservar a intimidade da criança soropositiva, o ideal é que os medicamentos anti-retrovirais sejam tomados em casa. Se a mãe, pai ou responsável considerar necessário comunicar a sorologia da criança à professora, ou diretora, da escola, não só para pedir seu auxílio quanto aos medicamentos, mas também para justificar suas eventuais faltas por motivo de doença ou consulta médica, ela poderá pedir sigilo total sobre o fato. Quando a escola não respeita o direito da criança portadora do HIV à educação e/ou o direito ao sigilo de seu diagnóstico, a escola e seus funcionários devem ser punidos. O responsável pela criança deve procurar um advogado, ou a delegacia mais próxima e entrar com uma queixa crime. Posteriormente, a justiça poderá obrigar a escola a receber a criança e/ou condená-la a uma reparação civil. Essa reparação é educadora: ela servirá de exemplo para que casos como esse não se repitam nessa e em outras escolas. De qualquer forma, é importante que as Secretarias Estadual e Municipal de Educação tomem conhecimento das atitudes preconceituosas cometidas pelas escolas para que uma equipe capacitada possa ir ao local levando esclarecimentos sobre o HIV. As Organizações Não-Governamentais que trabalham com Aids também costumam colaborar, levando informação às escolas.

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ANEXO 4 (continuação)

Saúde, Direito de todos e dever do Estado Segundo a Constituição Federal, a saúde é um direito de todos e um dever prioritário do Estado. Em alguns casos, esse direito é negado à pessoa infectada pelo HIV. As considerações abaixo são da advogada Patrícia Rios. “O direito à vida e ao tratamento médico adequado são direitos reconhecidos pela Constituição Federal, artigo 196. Além disso, segundo a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº1.359/92, o atendimento profissional aos portadores do vírus da Aids é um imperativo moral da profissão médica e nenhum médico, instituição pública ou privada pode recusá-lo. O Código de Ética Médica, em seu artigo 1º, também estabelece que a medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e deve ser exercida sem nenhuma discriminação, de qualquer natureza. Logo, se um soropositivo não for atendido em alguma unidade de saúde, ele deve prestar queixa na delegacia mais próxima. Sabemos que muitas pessoas se sentem constrangidas em buscar socorro, ainda mais em uma delegacia de polícia. Porém, é fundamental que a pessoa saiba que, a partir dessa denúncia, os seus direitos poderão ser reafirmados. Conheço alguns casos nos quais pessoas prestaram queixa numa delegacia e foram muito bem recebidas pelo delegado. Em caso de não querer expor a sorologia, diga apenas ao delegado o que aconteceu. Vale ressaltar que existem as normas de biossegurança determinadas pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde que todos os profissionais da área devem seguir, independente da patologia do paciente. Isso vale para os dentistas também. Mesmo no caso das cirurgias, não há necessidade de o paciente revelar que é soropositivo. O médico também é proibido de pedir exame anti-HIV. Lembre-se: a testagem compulsória é proibida por lei e isso vale também nesses casos. Afinal, nenhum médico ou dentista apresenta exame negativo para o HIV antes de nos atender, não é verdade?”

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Respondendo ao Desafio

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Respondendo ao Desafio 1. Objetivo: Sensibilizar os participantes para que possam compreender a dimensão do desafio da Aids às Igrejas locais. 2. Tempo previsto: 3 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Boas-vindas. 2º Passo: Facilitar a dinâmica das faces. 3º Passo: Cada pessoa recebe meia folha de papel A4 e uma caneta hidrocor. 4º Passo: Pedir para cada pessoa desenhar seu rosto no papel de forma que revele como se sente no processo de aprendizagem (não é necessário colocar o nome). 5º Passo: Recolher os desenhos e colocá-los numa cesta. 6º Passo: Cada participante pega da cesta um desenho que não é o seu e procura descrever o que observa (se a face desenhada revela alegria, tristeza, ânimo, apatia, cansaço, entre outras condições.). Deverá, ainda, descobrir o autor do desenho que, por sua vez, poderá ajudar o outro, complementando algumas informações. 7º Passo: Os participantes deverão montar um painel com todas as faces. 8º Passo: O facilitador deverá perguntar aos participantes: “As faces do grupo revelam que tipo de disposição interior?” Devocional 1º Passo: Leitura em Provérbios 31.8 e 9 (anexo 1). 2º Passo: Colocar no chão tarjetas com as seguintes palavras: do lado esquerdo – Abre a boca, julga retamente e faze justiça; ao centro – direito de todos; do lado direito – mudo, desamparados, pobres e necessitados. 3º Passo: Refletir sobre o significado destas palavras a partir das seguintes perguntas: • O que significa ser mudo, desamparado, pobre e necessitado? • Quem são as pessoas ou grupos que não têm a oportunidade de se expressar? • Quem são as pessoas ou grupos que estão privados de seus direitos?

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Refletir sobre os termos: abre a boca, julga retamente e faze justiça. • O que significa: abrir a boca, julgar retamente e fazer justiça? • Observar que estão no imperativo. • Sempre pensamos em justiça punitiva? • O que é justiça diante de Deus? Refletir: • Como essas ações podem garantir o direito de todos? • Qual o nosso papel com relação a estas pessoas ou estes grupos?

Desenvolvimento 1º Passo: : Formar 3 grupos. 2º Passo: Cada grupo receberá um texto com os seguintes temas: Aids e Políticas públicas; Aids e igrejas locais; Aids, heterossexualidade, feminização e pobreza (anexo 2). 3º Passo: Cada grupo deverá produzir três perguntas relacionadas ao seu texto. 4º Passo: As perguntas deverão ser apresentadas e respondidas no círculo com a contribuição de todos os participantes.

Encerramento Oração final. 4. Material para esta oficina: - Cesta - Cópias dos textos - Folha de papel A4 cortada ao meio - Hidrocor - Papel 40 kg ou madeira - Pincél Piloto - Tarjetas - Papel madeira (meia folha para as definições nos grupos e folha inteira para a definição única) - Xerox dos versículos de Gênesis (Anexo 1)

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ANEXO 1

Provérbios 31.8 e 9

8 Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados.

9 Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e necessitados.

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3ª ANEXO 2

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Aids, Sociedade e Mulheres

A derrubada de barreiras promovida pela Aids ao redor do mundo é uma realidade. É inegável que diversos setores da sociedade conheceram, ao longo dos últimos anos, esta doença. Evidencia-se que, ao contrário do que muitos consideravam inicialmente, a Aids não se delimitou aos denominados “grupos de risco”, conceituação que ocasionou a marginalização, a culpabilidade, a discriminação e o preconceito contra usuários de drogas, homossexuais, bissexuais, entre outros. Na verdade, pobres e ricos, homens e mulheres, jovens e idosos, solteiros e casados, religiosos, profissionais liberais, acadêmicos, homossexuais e heterossexuais, entre tantos, integram as estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS). A Aids é uma doença que alcança todas as pessoas. Acreditar na imunidade natural, religiosa, política, afetiva ou econômica é um grande risco por três simples e devastadoras razões: o poder de propagação da doença, a subjetividade das relações humanas e a fragilidade dos serviços públicos de saúde. Tamanha é a diversidade social e a complexidade das relações estabelecidas entre as pessoas, sobretudo quando estão em evidência as expressões de sexualidade, o comportamento pessoal e coletivo, o uso de drogas não legalizadas, o sistema público de saúde, a afetividade e vulnerabilidade relacionais, que ao falar sobre a Aids e os desafios a serem enfrentados mundialmente, corremos o perigo de não obter respostas concretas favoráveis à manutenção da vida, o que, em última instância, se revela como alvo maior de qualquer sociedade. Neste contexto, está claro que a educação preventiva, a política da redução de danos e a garantia de direitos se apresentam, na experiência brasileira, como eixos principais para a mudança de comportamento social através da implementação de práticas seguras e humanizadoras, seja no âmbito pessoal ou coletivo, clínico ou hospitalar. Sabe-se que toda e qualquer prática que pretende ser geradora de saúde deve favorecer, entre outros aspectos, o diálogo aberto, realista e construtivo sobre questões tantas vezes ocultas, ainda que presentes em nosso cotidiano. É evidente que existem fortes tensões na sociedade quando valores e princípios são colocados como referenciais educativos, muitos deles equivocados e opressores. Cada segmento, conforme sua natureza e convicção, procura assegurar seu ponto de vista e estabelecer elos de força e poder que favoreçam seus objetivos. Nem sempre a disposição de educar e aprender está envolvida pela prática da prevenção, do respeito e da dignidade. As estatísticas apontam que o número de mulheres brasileiras contaminadas pelo HIV vem crescendo de modo constante. Ao contrário do que se imagina, em geral, elas participam de relacionamentos monogâmicos, heterossexuais e estáveis, porém caracterizados pela impossibilidade na negociação do uso do preservativo, pela ausência de um diálogo aberto sobre vulnerabilidade, pelo machismo e autoritarismo e, conseqüentemente, pela utilização da mulher como elemento subjugado. Nestes cenários, que insistem na violência e na morte contra as mulheres, cabe às Igrejas importantes posicionamentos: desconstruir leituras e práticas que estabelecem o homem como alguém que está acima da mulher; favorecer a construção de práticas de respeito e cuidado mútuo, fundamentadas na lealdade e na transparência relacionais; lutar contra toda forma de moralismo alienante, historicamente protetor do homem e penalizador da mulher. Rev. Sérgio Andrade – coordenador de Programa – Diaconia

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ANEXO 2 (continuação)

DIREITOS PARA SER

Para muitas pessoa, as distintas abordagens sobre a Aids encontram-se relacionadas, prioritariamente, com a área da saúde. Análises primárias apontam para percepções sociais ligadas a assistência médica permanente, à distribuição de medicamentos, ao melhoramento da rede hospitalar, ao atendimento profissional com qualidade, a quebra de patentes e à inclusão das Pessoas que Vivem com HIV, na abrangência do Sistema Único de Saúde. Tais referenciais parecem indicar que devemos olhar para a Aids como um desafio à saúde mundial. E, de fato, é. Entretanto, um olhar mais criterioso favorecerá a compreensão de que a luta contra a doença extrapola o âmbito da saúde física. Pela natureza excludente imposta pela sociedade, alicerçada em alguns conceitos de “moralidade”, pelo interesse econômico das indústrias da saúde e conivência dos governos, a Aids debilita outros setores da condição humana, pois revela o preconceito, a discriminação, o desconhecimento e a exploração social, promotores da transgressão fundamental dos direitos do ser humano em suas distinções intrínsecas, entre elas, a orientação sexual e o direito à vida. Ainda que a sociedade, através dos permanentes esforços de setores do poder público, de profissionais de saúde e pesquisa, de organizações não-governamentais e, principalmente, de Pessoas que Vivem com HIV, tenha avançado numa importante compreensão técnico-científica e mobilização pela implementação de políticas públicas, é perceptível, ainda, a forte resistência à garantia de direitos. Neste cenário, o atual embate entre o governo brasileiro e o norte-americano (aliado às empresas de medicamentos) sobre políticas de prevenção à Aids e a quebra de patentes de medicamentos, ambos fundamentais ao respeito e atendimento de milhares de pessoas e ao cuidado de milhões de cidadãos e cidadãs brasileiros, requer de todos nós uma postura clara e evangélica. É cada vez mais explícito que os interesses econômicos de empresas transnacionais continuam prevalecendo sobre a vida e a dignidade humanas. Há uma opção intencional pela preservação do ganho e do mercado. Esta é a lógica que visa a preservar, aparentemente, os direitos à pesquisa e ao desenvolvimento, mas destrói as pessoas. Os cristãos optam pela vida e insistem que quando há um conflito ético entre os direitos comerciais e a saúde das pessoas, estamos sempre ao lado das pessoas. Importa, em primeiro lugar, o direito e a justiça a serviço do ser humano. Precisamos abrir os ouvidos para a exortação do profeta Isaías: “Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres....” (cap. 10.1 e 2). Não temos dúvidas: a quebra de patentes não é apenas uma questão de saúde. É uma questão de justiça! Nestes tempos conturbados e caracterizados pelo egoísmo pessoal e coletivo, quando o mercado - entre eles o mercado da saúde - apresenta-se com roupagens “quase humanas”, pois revela-se “nervoso, apreensivo, cuidadoso ou inquieto”, pressionando governos e sociedades para que estes se coloquem sob os interesses econômicos, precisamos reconhecer e dizer que humanos são os homens e as mulheres que lutam não só pelas suas próprias condições pessoais, mas que se abrem para incluir outras nações e gerações futuras. O ganho de milhares promove a perda de milhões. Não estamos falando de dinheiro, mas de pessoas. Gleizy Gueiros e Sérgio Andrade fazem parte da equipe da Diaconia 34


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ANEXO 2 (continuação)

A AIDS E A IGREJA LOCAL

Durante muitos anos Igrejas locais, bem como outros segmentos da sociedade, assumiram posturas relativamente pouco cuidadosas na prevenção contra o HIV e a Aids. Tal posicionamento era decorrente, entre outros fatores, do preconceito, da inadequada informação e de uma ”falsa” sensação de imunidade proveniente da distância que estas comunidades sentiam dos chamados “grupos de risco”, ou por acreditarem que não possuíssem, em suas fileiras, pessoas com o denominado ”comportamento de risco”. Com o passar do tempo, tais convicções foram abaladas, particularmente pelo fato de a Aids se revelar como uma doença que transcende as fronteiras raciais, religiosas, sócio-econômicas, sexuais e culturais. Diferentemente do que muitos aprenderam, a Aids não é uma doença para algumas pessoas em determinados espaços sociais. O HIV pode alcançar a todos. No Brasil, a Aids tem avançado gradativamente. Atualmente, a contaminação tem crescido entre as mulheres, os jovens e os pobres – populações particularmente vulneráveis. É preciso reconhecer que estas pessoas fazem parte de nossas Igrejas ou podem ser alcançadas por elas, pois vivem ao redor de nossas comunidades de fé. São trabalhadoras, donas-de-casa, estudantes, pais e filhos que diariamente cruzam nossos caminhos e destinos.

Neste contexto, cabe perguntar: o que a Igreja local pode fazer?

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a Igreja local deve assumir, muitas vezes, outras maneiras de pensar e agir. O estigma, a exclusão, o medo, o moralismo, o abandono e o desconhecimento, tão presentes, não nos levarão a lugar algum. Como participantes do Reino de Deus e da sociedade nesta geração, somos convidados a abrir as portas do acolhimento, da graça e da aceitação. Mais que isso, somos instados a uma postura solidária e companheira, capaz de sentir a dor e promover a vida e a dignidade. Cabe, ainda, à Igreja local o compromisso da informação e da formação na comunidade ou no bairro onde está inserida. Ao lado de outros atores sociais, sabemos que a Igreja tem forte papel na construção de aprendizados. Através de palestras, oficinas e programações diversas é possível tratar de assuntos relacionados ao HIV e à Aids, tais como: utilização de preservativo, informações básicas, princípios e valores cristãos, acesso aos medicamentos, direitos e cidadania, relações de gênero, entre outros. Finalmente, precisamos dizer que a Igreja local é convocada ao exercício de seu papel profético. É necessário e urgente sair às ruas para colocar-se ao lado de pessoas e organizações que atuam na busca da justiça, da inclusão, da saúde e da vida – direitos de cidadania que serão obtidos através da consiência e da mobilização popular.

Rev. Arnulfo Barbosa – Diretor da Diaconia – Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

Planejando Nossas Ações

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Compromisso com a Paz 1. Objetivo: Destacar a importância do planejamento para as ações relativas à temática e nas diversas atividades das Igrejas locais. 2. Tempo previsto: 2 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Formar três grupos. 2º Passo: Solicitar aos grupos a montagem de três quebra-cabeças que poderão ser feitos com o próprio desenho ampliado da Igrejinha (anexo 2 da 2ª oficina de capacitação). 3º Passo: As peças dos quebra-cabeças deverão ser distribuídas aleatoriamente nos grupos, podendo cada um deles receber um número maior, menor ou duplicado das mesmas. 4º Passo: Os grupos poderão negociar entre si a troca ou complementação das peças para que cumpram a tarefa. No entanto, seus integrantes não poderão fazer comentários. 5º Passo: Depois de formados os quebra-cabeças, perguntar aos participantes: “O que aprendemos sobre planejamento?” Devocional 1º Passo: Leitura em Lucas 14.25-33 (anexo 1). 2º Passo: Refletir sobre os principais destaques no texto. • Dar ênfase a partir do versículo 28, que trata diretamente do planejamento. • Identificar quais são os desafios para quem se compromete com a temática da Aids. • Identificar quais serão as possíveis barreiras em casa, na igreja e na sociedade. • Quais são os objetivos de nossa formação neste curso? • Que ajustes precisamos fazer para atender às demandas de nossos objetivos? Desenvolvimento 1º Passo: Apresentar conceito e etapas do planejamento, utilizando como base a planilha (anexo 2). 2º Passo: Favorecer o conhecimento do curso, verificando a necessidade ou não de inserção de novos temas. Levantar com o grupo o que é necessário para os encontros (listar

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

em papel 40kg exposto na parede para que todos vejam). 3º Passo: Estabelecer com o grupo, se necessário for, um acordo de convivência. Construir uma “agenda de compromisso” (anexo 2). Encerramento Oração 4. Material para esta oficina: - Hidrocor - Papel A4 - Papel 40 Kg - Quebra-cabeças - Texto bíblico

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ANEXO 1

Lucas 14.25-33

25 Grandes multidões o acompanhavam, e Ele, voltando-se, lhes disse: 26 Se alguém vem a mim, e não aborrece ao seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 E qualquer que não tomar a sua cruz, e vir após mim, não pode ser meu discípulo. 28 Pois, qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para concluir? 29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces, não a podendo acabar, todos que a virem zombem dele, 30 Dizendo: este homem começou a construir e não pôde acabar. 31 Ou, qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. 33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

ANEXO 2 AGENDA DE COMPROMISSO

O que?

Para que?

Onde e Quando?

Como e Quem?

O que = atividades a serem realizadas. Para que = objetivos das atividades. Onde = local onde os encontros acontecerão. Quando = data e hora de começar e encerrar os encontros. Como = metodologia e recurso a serem utilizados. Quem = pessoas que participarão dos encontros.

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Compromisso com a Vida

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Compromisso com a Vida 1. Objetivos: Formular, individualmente e com o grupo, o compromisso de convivência durante a capacitação e seus desdobramentos. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Apresentação individual. 2º Passo: Escrever em tarjeta o motivo de sua participação nas oficinas. 3º Passo: : Apresentar “uma palavra” sobre as suas expectativas com relação ao curso.

Devocional 1º Passo: Ler, individualmente, Isaías 61.10 a 62.3 (anexo 1) 2º Passo: Cada participante poderá destacar um aspecto importante do texto lido e compartilhar com todo o grupo. Desenvolvimento 1º passo: Desenhar a igrejinha em papel madeira (anexo 2). Colocar o desenho no chão e distribuir tarjetas de uma cor aos participantes para que escrevam uma, duas ou três palavras sobre o que entendem por “compromisso”. 2º Passo: Distribuir aos participantes novas tarjetas com outra cor, para que os mesmos escrevam em uma, duas ou três palavras “que compromisso querem assumir com a temática” a ser discutida durante o curso. 3º Passo: Ao lado esquerdo do desenho que estará no chão, os participantes deverão colocar as tarjetas com os conceitos sobre “compromisso” e dizer o que entendem sobre estas palavras. Do lado direito, colocarão as tarjetas com o “compromisso que querem assumir com a temática”, também verbalizando suas decisões.

Encerramento 1º Passo: Uma palavra de avaliação. Pedir que as pessoas escrevam, em pequenos pe-

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daços de papel, os principais destaques e as dificuldades da oficina. 2º Passo: Formar um círculo. Orar para que a Igreja possa assumir compromissos com as pessoas que vivem com HIV e Aids. 4. Material para esta oficina: - Folha com a imagem da igrejinha - Hidrocor - Papel A4 - Texto bíblico - Tarjetas

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ANEXO 1

Isaías 61.10-11 e 62.1-3

10 Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me vestiu de vestes de salvação, e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante, como noiva que se enfeita com as suas jóias. 11 Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações. 1 Por amor de Sião não me calarei e por amor de Jerusalém não me aquietarei; até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação como uma tocha acesa. 2 As nações verão a tua justiça, e todos os reis a tua glória; e serás chamado por um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3 Serás uma coroa de adorno na mão do Senhor, e um diadema real na mão do teu Deus.

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ANEXO 2

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O Agente Multiplicador

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O Agente Multiplicador 1. Objetivo: Favorecer a compreensão do papel do multiplicador, desafiando os participantes a refletirem sobre a importância das ações em sua igreja e comunidade local. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Colocar o conceito do termo diaconia em papel madeira ou cartolina, no centro da sala. “Diaconia é estar a serviço dos excluídos da sociedade, participando da construção solidária da cidadania, tendo como base os valores do Reino de Deus. 2º Passo: Conversar com o grupo (sugestões de perguntas para facilitadores): • O que chama a atenção da gente nesta frase? • O que é serviço? • Quem são os excluídos? • O que é cidadania? • Qual a realidade que está contida no conceito de diaconia e a que acontece na nossa igreja e/ou comunidade? 3º Passo: Escrever em tarjetas as falas do grupo sobre a realidade e colocar bem visível para todos os presentes. Devocional 1º passo: Leitura em Mateus 13.1-9 (anexo 1) 2º Passo: Perguntas e respostas do grupo • Que tipo de solos encontramos em nós mesmos? • É possível a circunstância nos modificar? • O mesmo poderá ocorrer com outras pessoas? • Como os solos poderão se apresentar em nosso trabalho? • Que tipo de colheita poderemos prever? • Será possível ver todos os frutos de nossa semeadura? 3º Passo: 1. Listar potencialidades que temos como semeadores;

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2. Listar barreiras que poderemos encontrar em diferentes solos; 3. Listar potencialidades que temos como semeadores; 4. Refletir sobre como agir em cada situação. Anotar numa folha de papel as questões levantadas, pois deverão ser abordadas no planejamento que iniciamos a partir desta oficina. Desenvolvimento 1º passo: Distribuir o livro “Aids e Igrejas: um convite à ação”. 2º passo: Formar grupos com, no mínimo, três pessoas e motivar a leitura do livro, destacando o que chama mais a atenção neste primeiro contato com o material. 3º passo: Após conhecer o livro, cada grupo apresenta seus destaques através da fala. 4º passo: Cada grupo deverá, em cartolina ou papel madeira, apresentar o que entende ser um MULTIPLICADOR. Todo grupo compõe, em cartolina ou papel madeira, o conceito de MULTIPLICADOR. Encerramento

Dinâmica da complementaridade: Objetivos: Levar o grupo a perceber a importância do outro, do trabalho em equipe e quanto o outro pode contribuir para a realização de seus sonhos. 1º Passo: Pedir para o grupo formar um círculo; 2º Passo: Distribuir cartões (anexo 2 - Azul: coluna “A”, Amarelo: coluna “B”). Na coluna “A” os textos expressam uma carência e, na coluna, “B” o complemento para elas; 3º Passo: Cada pessoa recebe um cartão, aleatoriamente; 4º Passo: As pessoas com o cartão Azul leem a carência que deverá ser complementada imediatamente pela pessoa com o cartão amarelo; 5º Passo: Terminar, de mãos dadas, com uma oração. 4. Material para esta oficina: - Cartilhas - Hidrocor - Papel madeira ou cartolina - Papel A4 - Texto bíblico - Tarjetas

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

ANEXO 1

Mateus 13.1-9

1 Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar; 2 E grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. 3 E de muitas cousas lhes falou por parábolas, e dizia: Eis que o semeador saiu a semear. 4 E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves a comeram. 5 Outra parte caiu em solo rochoso onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6 Saindo porém, o sol, a queimou; e porque não tinha raiz, secou-se. 7 Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. 8 Outra, enfim, caiu em boa terra, e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um. 9 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

ANEXO 2

COLUNA 1

COLUNA 2

EU SOU UM CHAPÉU SEM ABA

EU SOU SUA ABA, MEU CHAPÉU

EU SOU UM GUARDA CHUVA SEM CABO

EU SOU SEU CABO, MEU QUARDA-CHUVA

EU SOU UM RIACHO SEM ÁGUA

EU SOU SUA ÁGUA, MEU RIACHO

EU SOU UM PIANO SEM TECLADO

EU SOU SEU TECLADO, MEU PIANO

EU SOU UM LIVRO SEM PÁGINAS

EU SOU SUAS PÁGINAS, MEU LIVRO

EU SOU UMA BAIANA SEM COLARES

EU SOU SEUS COLARES, MINHA BAIANA

EU SOU UMA PRIMAVERA SEM FLORES

EU SOU SUAS FLORES, MINHA PRIMAVERA

EU SOU O MAR SEM SAL

EU SOU SOU SEU SAL, MEU MAR

EU SOU O MAR SEM PEIXES

EU SOU SEUS PEIXES, MEU MAR

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EU SOU UMA PAÇOCA SEM AMENOIM

EU SOU SEU AMENDOIM, MINHA PAÇOCA

EU SOU UMA PAMONHA SEM MILHO

EU SOU SEU MILHO, MINHA PAMONHA

EU SOU UMA FOGUEIRA SEM BRASA

EU SOU SUA BRASA, MINHA FOGUEIRA

EU SOU UM ROSTO SEM SORRISO

EU SOU SEU SORRISO, MEU ROSTO

EU SOU UM ÓCULOS SEM LENTES

EU SOU SUAS LENTES, MEUS ÓCULOS

EU SOU UM PASTEL SEM QUEIJO

EU SOU SEU QUEIJO, MEU PASTEL

EU SOU MACARRÃO SEM MOLHO

EU SOU SEU MOLHO, MEU MACARRÃO

EU SOU UMA VELA SEM PAVIO

EU SOU SEU PAVIO, MINHA VELA

EU SOU UM VIOLÃO SEM CORDAS

EU SOU SUAS CORDAS, MEU VIOLÃO

EU SOU SORRISO SEM DENTES

EU SOU SEUS DENTES, MEU SORRISO


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Gênero e Sexualidade

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Gênero e Sexualidade 1. Objetivo: Construir, com o grupo, conceitos e compreensões sobre gênero e sexualidade. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Uma breve saudação. Colocar uma música instrumental de fundo. 2º Passo: Reunir homens e mulheres e solicitar que possam tomar para si o momento da criação. Os homens deverão “Moldar” um homem de argila e as mulheres deverão “moldar” uma mulher de argila. Devocional 1º Passo: Leitura em Gênesis 1. 1 e 2, 26 e 27 (anexo 1) • Conversar sobre a criação. • Como vocês acham que Deus se “sentiu” realizando esta criação? • Como vocês se sentem sabendo que são fruto desta criação? 2º Passo: Que cada grupo possa falar sobre a sua “criação”, ressaltando dificuldades e descobertas durante a vivência. Desenvolvimento 1º Passo: Escolher um dos participantes para que possa listar as diferenças/características físicas e psíquicas/emocionais dos homens e das mulheres, num processo de construção coletiva. 2º Passo: Formar dois grupos para que possam, a partir da leitura dos textos (anexos 2 e 3), apresentar, de forma criativa, o que é gênero e o que é se-xualidade. 3º Passo: Partilha dos textos a partir da produção dos grupos. 4º Passo: Construção do conceito de gênero e de sexualidade com o facilitador. Encerramento Oração.

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4. Material para esta oficina: - Hidrocor - Papel 40 Kg - Textos bíblicos - 2 tablados para manipulação da argila - 4 pacotes de argila

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ANEXO 1

Gênesis 1. 1 e 2; 26 e 27

1 No princípio criou Deus os céus e a terra. 2 A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 26 Também disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, conforme nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. 27 Criou Deus, pois, o homem a Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

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ANEXO 2

Afinal, o que é sexualidade? “A sexualidade deve ser entendida a partir de um enfoque abrangente, manifestando-se em todas as fases da vida de um ser humano, tendo na genitalidade apenas um de seus aspectos” (Nelson Vitiello, ginecologista e terapeuta sexual). Podemos compreender a sexualidade como um componente fundamental de todo ser humano. É um modo de exprimir-se. É o desejo voltado para as pessoas e objetos. É integração da relação corporal, psíquica e sentimental. É tudo o que envolve prazer na relação consigo e com o outro. É necessário considerá-la num aspecto global, que envolve desde um simples olhar para o outro até um perceber-se na sua diversidade de sensações corpóreas, afetivas, sociais e culturais. Portanto, a sexualidade, entendida aqui no seu contexto mais amplo, tem na genitalidade apenas um de seus aspectos. Às vezes, essa sexualidade pode gerar angústias, ansiedades e conflitos, e isso normalmente acontece quando não sabemos, ou conhecemos pouco sobre ela. Por isso, a busca de informação é importante para que possamos viver a nossa sexualidade de forma prazerosa e tranqüila, sem culpa, medo, receios, angústias. O ser humano herda uma cultura que traz em si alguns ensinamentos que passam de geração em geração. Esses ensinamentos englobam: educação familiar, vivência e prática religiosa, fé, convivência social, educação escolar. Porém, é percebida certa dificuldade em se falar deste tema, mesmo quando entendemos que é algo pertinente e indispensável às espécies. Ao falar em espécie, vale destacar que a nossa é capaz de desenvolver sentimentos que extrapolam o ato sexual e a reprodução. Por exemplo, temos o amor, que se olharmos no dicionário significa: “um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem” (Aurélio Buarque de Holanda). É bem verdade que a sexualidade vem sendo colocada, principalmente pela mídia, como algo “coisificado” ou banalizado. Talvez este seja um dos fatores responsáveis pela desintegração física da nossa sexualidade e do sentir, que acabam gerando uma falta de assertividade consigo mesmo e entre as pessoas. Mas, se a sexualidade envolve o amor, que na sua definição retrata o bem de si e do outro, por que é tão difícil e misteriosa a abordagem desse tema? Poderíamos buscar a resposta a essa pergunta nas nossas famílias, mas elas, quando não se calam, muitas vezes não nos concedem respostas que correspondem às nossas expectativas. Ou, talvez, os jovens poderiam buscar seus educadores, que se esforçam muito, mas ainda se limitam a explicar as questões funcionais do corpo humano ou a bombardear informações sobre anticoncepção e prevenção de doenças (fato que não tem contribuído muito para o comportamento responsável dos jovens, já que pesquisas apontam para o aumento de gestações não planejadas e das doenças sexualmente transmissíveis - DSTs). Mesmo considerando as fontes informativas, ainda é delicada a abordagem do tema. As orientações recebidas nem sempre respondem aos conflitos entre as informações e a vivência da pessoa; e, por vezes, se apresentam desconectadas dos sentimentos – sensações e pensamentos.

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ANEXO 2 (continuação) Nesse sentido, é necessário um conhecimento aprofundado acerca da diversidade apresentada na sexualidade. De acordo com Fabiano Puhlmann Di Girolamo, estudioso da sexualidade humana, podemos defini-la como: “componente fundamental de todo ser humano; é uma modalidade global do ser nos confrontos dos outros e do mundo, vinculando-se à intimidade, à afetividade, à ternura, a um modo de sentir-se e exprimir-se, vivendo o amor humano e as relações emocionais afetivo-sexuais; é contato, relação psíquica e sentimental, sempre vinculadas a intensas sensações corpóreas”. Alguns estudiosos do tema explicam (para uma melhor compreensão didática) a sexualidade como sendo sustentada por três pilares: • Psicológico: diz respeito ao estar adequado consigo mesmo, ou seja, estar satisfeito com sua própria sexualidade e com sua auto–estima valorizada. Lembrando que, para exercer a sexualidade de forma prazerosa com outra pessoa, é importante estabelecer essa relação de prazer consigo mesmo(a). • Social: Diz respeito à adequação do comportamento sexual apresentado em relação aos padrões socialmente exigidos. A nossa sociedade estabelece alguns padrões que são seguidos pela maioria das pessoas que fazem parte dessa sociedade, estando estas enquadradas dentro de um padrão de norma social. • Biológico: Diz respeito ao funcionamento orgânico do nosso corpo, envolvendo mecanismos funcionais do nosso organismo como a ereção, ejaculação, lubrificação da vagina etc. O funcionamento sexual é algo necessário para o desenvolvimento sadio do ser humano. Havendo algum comprometimento em uma dessas bases, podemos falar em disfunção sexual, ou inadequação sexual. Ocorre a disfunção sexual quando o comprometimento se dá na base orgânica. Caso ocorra dificuldade nas bases psicológica ou social, podemos considerar como inadequação sexual. Tanto a disfunção quanto a inadequação sexual podem ser tratadas com eficiência por profissionais especializados em terapia sexual. O nosso grande desafio se dá na compreensão da sexualidade vinculada à afetividade, transcendendo as explicações teóricas e baseadas na vivência pessoal, considerando as bases biopsicossociais que sustentam esse componente fundamental na vida humana. Portanto, falar em sexualidade é falar em algo muito mais abrangente do que ter uma relação sexual, ou em qualquer atividade exclusivamente ligada aos orgãos genitais. É falar, principalmente, em sentimento, em prazer, em VIDA. Diante disso, podemos dizer que durante toda a fase da vida humana, a sexualidade está presente, desde a infância até a terceira idade, tendo, em cada uma dessas fases, manifestações diferentes. Cristiana Gomes – Psicóloga e membro da equipe do Programa de Promoção da Criança e do Adolescente da Diaconia.

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ANEXO 3 Ampliando a conversa sobre Gênero nos ambientes de Aprendizagem Conversar sobre gênero convida a um movimento que nos possibilite um encontro não só com a nossa fala e entendimento sobre esta dimensão da nossa identidade, mas nos situe diante do que somos, do lugar que ocupamos e diante do nosso desenvolvimento enquanto homens e mulheres que buscamos a construção de uma sociedade diferente a partir das mudanças em nós mesmos, nas nossas relações interpessoais e em nossas práticas. Temos, como uma atividade de encontro e troca daquilo que somos, a dança. A dança nos possibilita múltiplas expressões. A dança de roda1 celebra a chegada e as boas-vindas aos pescadores que voltavam sãos e salvos de uma pescaria perigosa; as mulheres e seus filhos iam esperá-los na beira da praia e, no encontro, dançavam. O sentido do movimento é envolvido no significado do conviver em comunidade apresentando-se e expressando-se, e ao mesmo tempo, reconhecendo o/a outro/a e reverenciando-o/a.

Gênero e Cotidiano É necessário entendermos que o conceito de gênero nos faz compreender as diferenças entre gênero e sexo, para, a partir desse entendimento, refletirmos as relações vivenciadas por mulheres e homens. Ao falarmos de sexo, estamos falando dos aspectos físicos e biológicos do macho e fêmea. Ao falarmos de gênero masculino e feminino estamos falando da construção cultural do ser homem e ser mulher, dos papéis, atribuições, jeito de ser feminino e masculino, que vai variar de acordo com o tempo e as diferentes sociedades e culturas. Essas desigualdades são erroneamente justificadas pelo sexo, cor da pele, geração, ou seja, pelo biológico, pela natureza. Para entender um pouco mais sobre as manifestações das desigualdades de gênero no cotidiano é importante preparar-se para aprender com ele. Para Agnes Heller, a cotidianeidade “é a vida do homem inteiro; ou seja, ele participa da vida cotidiana com todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade; a vida cotidiana é em grande medida heterogênea, e isto em vários aspectos, sobretudo no que se refere ao conteúdo e significação ou importância de nossos tipos de atividade. São partes orgânicas da vida cotidiana: a organização do trabalho e da vida privada, os lazeres e o descanso, a atividade social sistematizada, o intercâmbio e a purificação”. 2 Quando falamos em igualdade entre homens e mulheres, sabemos que não se simplifica apenas na inversão de papéis e/ou funções. Apenas experimentar essa inversão pode vir a possibilitar o desenvolvimento das capacidades que fazem parte do potencial do ser humano, independente se é homem e se é mulher, de desenvolver estas experiências, que lhe foram tolhidas desde o seu nascimento. Gesta-se, hoje, no ambiente das Igrejas e da vivência religiosa, uma compreensão compartilhada acerca da importância do conceito de gênero, da compreensão da diferença entre natureza e cultura, da construção do ser homem e ser mulher, da diferença das relações de gênero em cada sociedade, e o papel que esta reflexão desempenha na criação de relações baseadas nos princípios cristãos. O conjunto das questões colocadas pela reflexão em torno da temática de gênero nos remete às relações de poder estabelecidas através da cultura e justificadas pelas diferenças se-

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ANEXO 3 (continuação) xuais. O desafio de ser homem e ser mulher no nosso cotidiano inclui a busca de redesenhar estas relações de forma a possibilitar a vivência da igualdade com reconhecimento das diferenças e da superação das desigualdades entre as pessoas e entre os grupos que fazem à comunidade humana. “Gênero é uma diferença entre uma multiplicidade de diferenças: diferenças entre homens e mulheres, entre homens e homens e entre mulheres e mulheres. E essas diferenças se cruzam com as diferenças de idade, de cultura, de religião. Se constitui em um instrumento importante para compreender a complexidade das relações humanas. É um instrumento de análise, mas também de autoconstrução feminina e de tentativa de construção de relações sociais mais fundadas na justiça e na igualdade, a partir do respeito pela diferença”.3

O que é ser homem e ser mulher na nossa sociedade e na Igreja Sempre que compartilhamos traços das nossas identidades, mulheres e homens compartilham também semelhantes referências de um discurso que situa os papéis, lugares e relações na nossa cultura. Mesmo considerando as mudanças que vêem ocorrendo, ainda se mantêm como “familiares e internalizadas” as falas expressivas sobre as mulheres e homens na sociedade. - Ser do sexo feminino quer dizer ser do sexo frágil /Ser homem na nossa sociedade é ter poder; - O homem pode falar e é ouvido/ O homem aprende que tem que ser forte, não pode chorar nem expressar seus sentimentos; - A mulher é encrenqueira / A mulher é a rainha do lar; - A mulher desempenha vários papéis na família, mas quem decide tudo é o homem / A mulher é sensível; - A mulher, mesmo trabalhando fora, é quem se responsabiliza pelos afazeres domésticos/ O homem é o provedor da família; - A mulher é a responsável pela educação dos filhos/A mulher ganha menos do que o homem; - A mulher tem obrigação de cuidar do seu marido e dos seus filhos/ O homem é naturalmente poderoso e autoridade.

Refletindo o ser homem e ser mulher no interior da igreja: - Na Igreja, a mulher continua desempenhando o papel que lhe é atribuído na sociedade / Na maioria das igrejas, a mulher não pode ministrar um culto; - As mulheres seminaristas recebem um salário menor que os homens seminaristas, mesmo desempenhando as mesmas funções; - Em algumas igrejas, a mulher seminarista desempenha apenas o papel de professora da escola dominical; - A mulher, na igreja, é responsável pela limpeza, secretaria e, às vezes, tesouraria/ O homem pode ser pastor, diácono, tesoureiro; - O homem, também na igreja tem o poder de decisão. Em relação a essa transformação dentro do espaço da igreja, poderíamos nos inspirar na experiência de Jesus Cristo. Sabemos que o princípio cristão nos testemunha e propõe a

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ANEXO 3 (continuação02) igualdade entre os seres humanos. Baseado neste princípio, pode-se buscar a transformação dentro da igreja a partir da nossa própria transformação interior. Compreender as relações de gênero, buscar a igualdade nessas relações; é necessário gestar a mudança de atitude de cada um(a) de nós. É um processo árduo, que necessita de disposição para desaprender e aprender. O ambiente que redesenha essas mudanças são os mais próximos: a casa, a família, a relação com amigos(as), na igreja, no trabalho. Conseguindo isto estaremos permitindo que ocorram as mudanças necessárias na nossa sociedade, onde homens e mulheres, independente da raça, etnia, idade, religião possam viver em harmonia, sendo respeitadas as diferenças, e a igualdade de direitos superando qualquer subordinação e desigualdade nas relações entre homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres. A mediação de gênero nos abre um horizonte no sentido de perceber não só que a humanidade é constituída de homens e de mulheres que têm funções próprias, mas que nossa forma de organizar o mundo, de nos exprimir, de pensar, de crer e de professar nossas crenças mais profundas é transpassada por esta realidade biocultural fundamental que constitui o nosso ser. Introduz algo especial na própria compreensão do ser humano, de Deus e da fé cristã. Nos convida a rever nossos modelos de construção teórica sobre Deus e a examinar as implicações culturais e sociais na vida das mulheres e dos homens a partir de um determinado contexto.

Analba Brazão Teixeira et al. Mestre em Ciências Sociais pela UFRN. Atualmente antropóloga do Coletivo Leila Diniz Associação de cidadania de estudos feministas

Bibliografia: 1 Gebara, Ivone. Dança de Kos, do repertório da danças circulares. 2 Heller, Agnes. O Cotidiano e a História. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1989. 3 Gebara, Ivone. Rompendo o silêncio. Petrópolis: Ed. Vozes 2000.

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DST e Prevenção

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DST e Prevenção 1. Objetivos: Proporcionar conhecimento do corpo humano e a importância da prevenção das DSTs. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Providenciar rótulos, ou etiquetas, com os seguintes dizeres: ajuda-me; ensiname; aconselha-me; ignora-me; respeita-me; ria de mim; zomba de mim; tenha piedade de mim (anexo 1). 2º Passo: O facilitador cola na testa de cada participante um destes rótulos, evitando que a pessoa saiba qual é o seu próprio rótulo. 3º Passo: O facilitador convida os participantes a caminharem pela sala e expressarem, para as outras pessoas do grupo, só com gestos, o que o rótulo do outro comunica. 4º Passo: Com todo o grupo reunido, o facilitador lançará a seguinte pergunta: “A partir da representação do outro, eu consegui identificar meu rótulo? E como me senti?” Devocional 1º Passo: Leitura em Provérbios 13.16 e 17 (anexo 2). 2º Passo: Compartilhar em grupo. • Que relação há entre o conhecimento e a prevenção? • A prevenção é uma forma bíblica de encarar diversas situações da vida? • Para quem, em primeiro lugar, podemos ser mensageiros fiéis? Desenvolvimento 1º Passo: O facilitador apresenta as lâminas com o sistema sexual e reprodutor masculino e feminino e convida participantes para identificar cada componente do sistema. 2º Passo: Formar duplas para que estas possam responder, em tarjetas: • O que entendem por DST? • O que entendem por prevenção? 3º Passo: As duplas apresentam as tarjetas para todos. O facilitador apresenta conceitos de DST e prevenção.

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4º Passo: Exposição de conteúdo por parte do facilitador sobre DST e Prevenção. Encerramento Oração. 4. Material para esta oficina: - Álbum seriado - Etiquetas ou tarjetas - Fita crepe - Hidrocor - Papel A4 - Papel Madeira

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ANEXO 1

ajuda-me ensina-me aconselha-me ignora-me respeita-me ria de mim zomba de mim tenha piedade de mim 68


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ANEXO 2

Provérbios 13.16 e 17

16 Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura. 17 O mau mensageiro se precipita no mal, mas o embaixador fiel é medicina.

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HIV e Aids

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HIV e Aids 1. Objetivo: Aprofundar conhecimento técnico sobre HIV e Aids, suas implicações e aspectos preventivos. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração (Dinâmica do “me contagiei”) 1º Passo: São preparados 15 cartões (anexo 1) e distribuídos com as seguintes instruções: - 2 cartões “Peça apenas uma assinatura”. - 2 cartões “Assine apenas os cartões de seus amigos”. - 2 cartões “Não siga as instruções” (em um deles, assinale um x). - 4 cartões “Siga as instruções apenas se assim o desejar”. - 5 cartões “Siga as instruções” (em um deles, assinale um x). 2º Passo: O facilitador distribui os cartões e dá a seguinte instrução ao grupo: “Peça três assinaturas a três pessoas do grupo e depois volte para o seu lugar.” 3º Passo: Em seguida, o facilitador pedirá às pessoas que têm o seu cartão assinalado com um X que se levantem e diz: “Elas têm Aids”. 4º Passo: O facilitador deverá identificar o único cartão que tem a informação “não siga as instruções” e não tem X. Ele deverá perguntar em voz alta se o participante assinou o cartão de alguém ou se outras pessoas assinaram o seu cartão. Se a resposta for positiva, as pessoas foram contaminadas. 5º Passo: Será pedido que se levantem as pessoas cujos cartões foram assinados ou assinaram cartões de outras pessoas. Pouco a pouco, será solicitado aos participantes que se levantem. Se estes assinaram os cartões de outros ou se seus próprios foram assinados por pessoas que estavam em pé, então eles também foram contaminados ou contaminaram alguém.

Devocional 1º Passo: Leitura em Lucas 17.12-17 (anexo 2) 2º Passo: Refletir sobre os destaques do texto bíblico junto com o grupo.

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Desenvolvimento 1º Passo: Leitura, com todo o grupo, do texto “Ainda vou viver muito” (anexo 3). 2º Passo: Exposição de conteúdo por parte do facilitador sobre HIV e Aids. 3º Passo: Leitura e reforço dos conhecimentos adquiridos a partir do texto “Aids: conceitos e história” (pág. 21-28 do livro Aids e Igrejas: um convite à ação). Encerramento Oração.

4. Material para esta oficina: - Fotocópias - Hidrocor - Papel A4 - Papel 40 Kg - Preservativos masculinos e femininos - Texto bíblico

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ANEXO 1

“Peça apenas uma assinatura”

“Assine apenas os cartões de seus amigos”

“Não siga as instruções”

“Siga as instruções apenas se assim o desejar”

“Siga as instruções”

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ANEXO 2

Lucas 17.12-17

12 Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, 13 Que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós! 14 Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. 15 Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, 16 E prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. 17 Então Jesus lhe perguntou: não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?

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ANEXO 3

“Ainda vou viver muito” “Descobri que era portadora do vírus HIV em 1999. Peguei o resultado do exame sozinha, no dia do meu aniversário. Fui infectada por meu ex-marido, ele era usuário de drogas. No início, achei que seria o fim do mundo. Caí em depressão, fiquei mal mesmo. Só me levantei por causa do meu filho (hoje com 10 anos), que não tinha o vírus e precisava de mim. Mesmo assim, só iniciei o tratamento um ano depois do diagnóstico. Só a minha mãe e os meus irmãos sabem que tenho o vírus. No início, quando minha mãe soube que eu era mesmo portadora, passou a limpar com álcool as coisas que eu tocava, desde talheres e copos, até o lugar onde eu sentava. Um dia, não agüentei mais e disse para ela que ela teria de me aceitar como eu era, senão não iria mais me ver. Ela acabou aceitando, foi a uma reunião sobre Aids comigo, para aprender a lidar com a situação. A menina que estou esperando agora é de um namorado. Estava me preparando para contar que tinha o vírus, mas com a noticia da gravidez ele foi embora e eu decidi criar a criança sozinha. Fiquei sabendo que estava grávida em fevereiro deste ano. Como já freqüentava as reuniões e palestras sobre a doença, sabia que o meu bebê não seria afetado se eu me tratasse desde cedo. Estou fazendo tudo direitinho. Para você ver como são as coisas: a minha mãe agora está doente, morrendo de câncer em um hospital, e eu, que tenho HIV, ainda vou viver muito”.

Patrícia (nome fictício), 25 anos, soropositiva, grávida de seis meses.

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Diversidade Sexual

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Diversidade Sexual 1. Objetivos: Possibilitar o conhecimento da ampla diversidade sexual do ser humano, com vistas à superação do estigma e do preconceito. Favorecer a construção de posturas de respeito e diálogo com pessoas de diferentes orientações sexuais. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração 1º Passo: Solicitar que as pessoas formem duplas de modo que fiquem um de frente para o outro. 2º Passo: Orientar que os participantes de cada dupla observem-se minuciosamente. 3º Passo: Ficar de costas um para o outro. 4º Passo: Orientar que as duplas alterem alguma coisa em si (objeto, cabelo, roupa etc.). 5º Passo: Voltar a ficar de frente um para o outro e perguntar: “O que foi mudado no outro?” 6º Passo: Ouvem-se todas as duplas. 7º Passo: Terminar com a leitura do texto “Ver vendo” (anexo 1), fazendo algumas reflexões acerca das diferenças que nos rodeiam. Devocional 1º Passo: Leitura em João 4.4-19 (anexo 2) 2º Passo: Refletir sobre os destaques do texto bíblico junto com o grupo a partir das seguintes perguntas orientadoras: • Em que cenários nos encontramos nos quais somos levados a interagir com pessoas que pensam e agem diferentemente de nós? • Quais foram as posturas de Jesus diante da mulher samaritana? • O que aprendemos com ele?

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Desenvolvimento 1º Passo: (Dinâmica “Saber cuidar”) - Propor para o grupo que forme um túnel humano, em duplas. Cada dupla deverá passar pelo túnel com os olhos fechados e receber diferentes manifestações de carinho enquanto atravessa o mesmo. Ao final da passagem, a dupla deverá assumir a posição final no túnel para que outras duas pessoas façam o mesmo percurso. Após a passagem de todos, deverá ser formado um círculo para que os participantes compartilhem os seus sentimentos em dar e receber carinho. Pode-se perguntar: qual o significado e a importância de saber cuidar? 2º passo: Formar 2 grupos. Cada um deles receberá um texto para conhecimento e debate no grupo (anexos 3 e 4). 3º passo: Apresentação do conteúdo na presença de todos, com interação do facilitador (tarjetas poderão ser utilizadas). Encerramento Oração final.

4. Material para esta oficina: - Bíblias - Hidrocor - Papel A4 - Papel 40 Kg - Tarjetas

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ANEXO 1

Vista Cansada

“[...] De tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira

vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que

você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê... Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio de seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo. O mesmo dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a discortesia... Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se, um dia, no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver: Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do

mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher [...]

Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o mons-

tro da indiferença.”

Otto Lara Rezende 23/02/92 Folha de São Paulo

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ANEXO 2 João 4.4-19

4 E, era-lhe necessário atravessar a província de Samaria. 5 Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicá, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6 Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta. 7 Nisto, veio uma mulher samaritana tirar a água. Disse-lhe Jesus: dá-me de beber. 8 Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 Então, lhe disse a mulher samaritana: como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)? 10 Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva. 11 Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva. 12 És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos e o seu gado? 13 Afirmou-lhe Jesus: quem beber desta água tornará a ter sede; 14 Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. 15 Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la. 16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; 17 Ao que lhe respondeu a mulher: não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: bem disseste, não tenho marido; 18 Porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. 19 Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.

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ANEXO 3

Perguntas e Respostas que sempre Buscamos Qual a diferença entre sexo e sexualidade? Atualmente a palavra sexo é usada em dois sentidos diferentes: • Um, refere-se ao gênero e define como a pessoa é ao ser considerada do sexo masculino ou feminino; • O outro, refere-se à parte física da relação sexual. Sexualidade transcende os limites do ato sexual e inclui sentimentos, fantasias, desejos, sensações e interpretações culturais. O que é identidade sexual? É o conjunto de características sexuais que diferenciam cada pessoa das demais e que se expressam pelas preferências sexuais, pelos sentimentos e/ou pelas atitudes em relação ao sexo. A identidade sexual é o sentimento de masculinidade ou feminilidade que acompanha a pessoa ao longo da vida. Nem sempre está de acordo com o sexo biológico ou com a genitália da pessoa. O que é orientação sexual? Orientação sexual é a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. A orientação sexual existe num “continuum” que varia desde a homossexualidade exclusiva até a heterossexualidade exclusiva, passando pelas diversas formas de bissexualidade. Embora tenhamos a possibilidade de escolher se vamos demonstrar, ou não, os nossos sentimentos, os estudiosos não consideram que a orientação sexual seja uma opção consciente que possa ser modificada por um ato da vontade. O que é homossexualidade? A homossexualidade é a atração afetiva e sexual por uma pessoa do mesmo sexo. Da mesma forma que a heterossexualidade (atração por uma pessoa do sexo oposto) não tem explicação, a homossexualidade também não tem. Depende da orientação sexual de cada pessoa. Por esse motivo, a Classificação Internacional de Doenças – CID não inclui a homossexualidade como doença desde 1993.

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ANEXO 3 (coninuação) Classificação de Homossexualidade, segundo padrão de conduta e/ ou identidade sexual HSH

Sigla da expressão “homens que fazem sexo com homens”, utilizada principalmente por profissionais da saúde na área da epidemiologia para referirem-se a homens que mantêm relações sexuais com outros homens, independente de estes terem identidade sexual homossexual.

Homossexuais

São aqueles indivíduos que têm orientação sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo.

Gays

São indivíduos que, além de se relacionarem afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo, têm um estilo de vida de acordo com essa sua preferência, vivendo abertamente sua sexualidade.

Bissexuais

São indivíduos que se relacionam sexual e/ou afetivamente com qualquer dos sexos. Alguns assumem as facetas de sua sexualidade abertamente, enquanto outros vivem sua conduta sexual de forma fechada.

Lésbicas

Terminologia para designar a homossexualidade feminina.

Transgêneros

Terminologia que engloba tanto as travestis quanto as transexuais. É um homem no sentido fisiológico, mas que se relaciona com o mundo como mulher.

Travesti

É uma pessoa que possui sua identidade de gênero oposta ao sexo designado no nascimento, mas que não almeja se submeter à cirurgia de redesignação sexual. Travesti também se refere às pessoas que misturam as qualidades tradicionalmente associadas ao masculino e ao feminino, não se identificando necessariamente como mulheres ou homens, mas como travestis.

Transexuais

São pessoas que não aceitam o sexo que ostentam anatomicamente. Sendo o fato psicológico predominante na transexualidade, o indivíduo identifica-se com o sexo oposto, embora dotado de genitália externa e interna de um único sexo.

Conteúdo elaborado pelo Conselho Nacional de Combate à Discriminação. Brasil sem Homofobia: Programa de combate à violência e à discriminação contra GLTB promoção da cidadania homossexual. Brasília: Ministério da Saúde 2004.

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

ANEXO 4

Composição da sexualidade

Quatro pilares sobre a sexualidade 1. Sexo biológico – características genotípicas e fenotípicas; 2. Identidade Sexual – quem acredita ser; 3. Papéis sexuais – como se comporta; 4. Orientação sexual do desejo – a quem deseja.

Sexo biológico Características genotípicas

Características fenotípicas

• XX feminino

• Mulher – ex: mamas

• XY masculino

• Homem – ex: barba

Identidade Sexual Quem a pessoa acredita ser:

• Não basta a referência biológica para nos sentirmos homem ou mulher; • A forma como somos tratados é importante na construção de nossa identidade.

Papéis sexuais Como me comporto:

• Comportamentos considerados masculinos e femininos; • Variam de época e cultura; • São determinados pela sociedade e estão em constante transformação.

Orientação sexual do desejo A quem deseja.

• Quem nos atrai eroticamente (afetiva e sexualmente); • Não é opção – ela é espontânea e imutável; • Atitude sexual X desejo sexual.

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ANEXO 4 (Continuação)

Composição da sexualidade Heterossexual Sexo biológico

Homem

Mulher

Macho

Fêmea

Masculina

Feminina

Variáveis – masculinos ou femininos

Variáveis – masculinos ou femininos

Sexo oposto, portanto heterossexual

Sexo oposto, portanto heterossexual

Homem

Mulher

Macho

Fêmea

Masculina

Feminina

Papéis sexuais

Variáveis – masculinos ou femininos

Variáveis – masculinos ou femininos

Orientação do desejo

Mesmo sexo, portanto homossexual

Mesmo sexo, portanto homossexual

Homem

Mulher

Identidade sexual Papéis sexuais Orientação do desejo

Homossexual Sexo biológico Identidade sexual

Bissexual Sexo biológico

Macho

Fêmea

Masculina

Feminina

Papéis sexuais

Variáveis – masculinos ou femininos

Variáveis – masculinos ou femininos

Orientação do desejo

Ambos os sexos, portanto bissexual

Ambos os sexos, portanto bissexual

Homem

Mulher

Macho

Fêmea

Masculina e feminina

Feminina e masculina

Papéis sexuais

Variáveis, mas geralmente femininos

Variáveis, mas geralmente masculinos

Orientação do desejo

Predominante homo, mas pode ser bi

Predominante homo, mas pode ser bi

Identidade sexual

Travesti Sexo biológico Identidade sexual

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ANEXO 4 (Continuação)

Transexual Sexo biológico Identidade sexual Papéis sexuais Orientação do desejo

Homem

Mulher

Macho

Fêmea

Feminina

Masculina

Geralmente feminino

Geralmente masculino

A grande maioria hetero, mas podem ser homo ou bissexuais

A grande maioria hetero, mas podem ser homo ou bissexuais

Conteúdo elaborado:Cláudio Picazio – Psicólogo, com especialização em sexualidade e psicoterapia de casal e família.Contribuição teórica: Robert Stoller, Gerald Ramsey, Carlos Egypto, Ronaldo Pamplona, Maria Rita Kehl e Heleieth Saffioti.

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

Espaço Solidário

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

Espaço Solidário 1. Objetivos: Favorecer a identificação da Igreja local como espaço de acolhimento às pessoas que vivem com HIV e Aids. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração (Dinâmica “Espaços Vazios”) 1º Passo: Previamente, o facilitador irá iniciar algum desenho, no quadro, no flip-chart ou numa folha de papel madeira. Ele deverá desenhar alguns rabiscos...rabiscos mesmo, bem pequenos – traços, círculos, curvas, linhas, etc. Esse desenho não poderá ficar explícito, e o grupo não poderá saber o que é. Na verdade, o desenho irá parecer algo sem lógica, apenas rabiscos. 2º Passo: Distribuir duas folhas de papel em branco para cada participante. 3º Passo: Solicitar que seja feito um desenho qualquer, a partir dos rabiscos que foram apresentados. 4º Passo: Todos os rabiscos devem ser utilizados no desenho a ser feito. Os participantes terão 5 minutos para a realização da tarefa. 5º Passo: O facilitador deverá sugerir que os participantes compartilhem o seu desenho com mais uma pessoa. 6º Passo: Solicitar que seja feito outro desenho – desta vez, a criatividade é livre. Serão dados mais 5 minutos. 7º Passo: O facilitador deverá sugerir, mais uma vez, que as pessoas compartilhem os seus desenhos. 8º Passo: O facilitador deverá perguntar ao grupo: qual desenho foi mais fácil de fazer? Qual desenho, para você, ficou mais bonito e foi mais prazeroso de realizar? 9º Passo: Ao final, o facilitador deve incentivar algumas reflexões e alguns questionamentos: • Existem espaços em branco para as pessoas e as Igrejas ocuparem a partir de iniciativas criativas e solidárias? • Quais são as amarras que nos impedem de assumir tais projetos? • O que ainda não foi feito e está esperando para você criar?

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Devocional 1º Passo: Leitura em Atos 3.1-9 (anexo 1) 2º Passo: Refletir sobre os destaques do texto bíblico junto com o grupo a partir das seguintes perguntas orientadoras: • O que podemos oferecer às pessoas que se colocam diante de nós que participamos de uma comunidade de fé? • Que sentimentos tomaram conta daquele homem no encontro com Pedro e João? • Quais foram as marcas do testemunho público da ação dos discípulos na vida daquele homem?

Desenvolvimento 1º Passo: O facilitador deverá formar dois grupos. 2º Passo: Um grupo lerá, no capítulo II do livro “Aids e Igrejas: um convite à ação”, o texto “Povo de Deus: uma família que acolhe” (pág. 18-19). O segundo grupo lerá o texto “Povo de Deus: uma família que acolhe enfermos” (pág.19-20). 3º Passo: Os grupos deverão apresentar suas impressões sobre o texto e uma breve proposta de princípios e ações de acolhimento às pessoas com HIV e Aids em sua igreja local. Encerramento Formar dois círculos (um dentro do outro) para a oração final.

4. Material para esta oficina: - Bíblias - Hidrocor - Papel A4 - Papel 40 Kg ou madeira - Livro “Aids e Igrejas: um convite à Ação”

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ANEXO 1 Atos 3.1-10

1 Pedro e João subiam ao templo para oração da hora nona. 2 Era levado um homem, coxo de nascença, o qual punham diariamente à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam. 3 Vendo ele a Pedro e João, quem iam entrar no templo, implorava que lhe dessem uma esmola. 4 Pedro, fitando-o, juntamente com João, disse: Olha para nós. 5 Ele os olhava atentamente, esperando receber alguma cousa. 6 Pedro, porém lhe disse: não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! 7 E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente, os seus pés e tornozelos se firmaram; 8 De um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a Deus. 9 Viu-o todo o povo a andar e a louvar a Deus, 10 E reconheceram ser ele o mesmo que esmolava, assentado à porta Formosa do templo; e se encheram de admiração e assombro por isso que lhe acontecera.

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

A Resposta da Igreja

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

A Resposta da Igreja 1. Objetivos: Planejar e programar atividades com o grupo para inserir-se em atividades educativas que serão desenvolvidas em igrejas, escolas, associações, centro comunitários, entre outros. 2. Tempo previsto: 4 horas 3. Como fazer? Integração (Dinâmica “Desabrochando”) 1º Passo: O facilitador deverá confeccionar flores (anexo 1) em quantidade suficiente para as pessoas do grupo. 2º Passo: Convidar as pessoas a ficarem em pé e formar um círculo. 3º Passo: Distribuir um copinho para cada participante e colocar água até a metade em todos os copos. 4º Passo: Distribuir uma flor para cada participante e pedir que não abram as pétalas até que todos tenham recebido. 5º Passo: Orientar para que a flor seja colocada dentro do copo, com as pétalas viradas para cima. O facilitador deverá pedir às pessoas que observem o que acontecerá. 6º Passo: As pessoas deverão complementar a frase: “Nosso compromisso é...” e compartilhar com o grupo.

Devocional 1º Passo: Leitura em Mateus 5.1-11 (anexo 2) 2º passo: Refletir sobre os destaques do texto bíblico junto com o grupo a partir das seguintes perguntas orientadoras: • Quais são as atitudes coletivas e práticas que promovem a bem-aventurança às pessoas? • As palavras de Jesus aos seus discípulos provocam que atitudes em nós?

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO

Desenvolvimento O facilitador deverá formar dois grupos. 1º Passo: • Distribuir o desenho da igreja com o laço branco (anexo 3). • Em duplas, fazer uma ligação entre o desenho e os textos de apoio “Cuidar: o principal remédio.” (pág. 35) e “O impacto do HIV e Aids e a resposta das igrejas.” (pág. 43) do capítulo V do livro “Aids e Igrejas: um convite à ação.” • As duplas elaboram uma sugestão de ação, a partir desta capacitação. 2º Passo: • A dupla se junta a uma outra dupla. • A partir das duas sugestões, elaboram uma única. • O quarteto se junta a outro quarteto e elaboram uma nova sugestão a partir das duas. • O grupo se transforma em apenas um para elaborar uma só sugestão. 3º Passo: • A partir desta última sugestão, elaborar uma relação de ações: 1ª - a sugestão do grupo – esta será a prioridade 2ª - as duas sugestões antes da formação do grupão – segunda prioridade 3ª - as sugestões dos quartetos – prioridade terceira 4ª - sugestões das duplas – prioridade quarta 4º Passo: Cronograma de atividades para continuidade do grupo. Encerramento 1º Passo: Escrever uma avaliação sobre as oficinas de sensibilização e capacitação realizadas neste ano. 2º Passo: Oração Final. 4. Material para esta oficina: - Anexos - Papel madeira - Cartolinas - Tarjetas - Hidrocor - Pincel Piloto

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ANEXO 1

Como confeccionar as flores? - Desenhar e recortar uma estrela de cinco pontas, em um papel. - Desenhar e recortar uma circunferência, em cartolina, que caiba dentro da estrela. - Escrever a mensagem na circunferência. - Colar a circunferência sobre a estrela, no centro. - Dobrar as pontas da estrela para dentro. - Sua flor está pronta para abrir.

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ANEXO 2 Mateus 5.1-11

1 Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, 2 E ele se pôs a ensiná-los, dizendo: 3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. 9 Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós.

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9ª ANEXO 3

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OFICINA DE CAPACITAÇÃO


As Metas de Desenvolvimento do Milênio Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

As Metas do Milênio estão sendo discutidas, elaboradas e expandidas globalmente e dentro de muitos países. Entidades gover-

Acabar com a extrema pobreza e a fome,

namentais, empresariais e da sociedade civil

promover a igualdade entre os sexos, erradi-

estão procurando formas de inserir a busca

car doenças que matam milhões e fomentar

por essas Metas em suas próprias estraté-

novas bases para o desenvolvimento sus-

gias. O esforço no sentido de incluir várias

tentável dos povos são algumas das oito

dessas Metas do Milênio em agendas inter-

metas da ONU apresentadas na Declaração

nacionais, nacionais e locais de Direitos Hu-

do Milênio, e que se pretendem alcançar até

manos, por exemplo, é uma forma criativa e

2015.

inovadora de valorizar e levar adiante a iniciativa.

As Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM) surgem da Declaração do Milênio das

Concretas e mensuráveis, as 8 Metas –

Nações Unidas, adotada pelos 189 estados

com seus 18 objetivos e 48 indicadores – po-

membros no dia 8 de setembro de 2000. Cri-

dem ser acompanhadas por todos em cada

ada em um esforço para sintetizar acordos

país; os avanços podem ser comparados e

internacionais alcançados em várias cúpu-

avaliados em escalas nacional, regional e

las mundiais ao longo dos anos 90 (sobre

global; e os resultados podem ser cobrados

meio ambiente e desenvolvimento, direitos

pelos povos de seus representantes, sendo

das mulheres, desenvolvimento social, ra-

que ambos devem colaborar para alcançar

cismo, etc.), a Declaração traz uma série de

os compromissos assumidos em 2000. Tam-

compromissos concretos que, se cumpridos

bém servem de exemplo e alavanca para a

nos prazos fixados, segundo os indicadores

elaboração de formas complementares, mais

quantitativos que os acompanham, deverão

amplas e até sistêmicas, para a busca de

melhorar o destino da humanidade neste sé-

soluções adaptadas às condições e poten-

culo.

cialidades de cada sociedade.

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Meta 1

Meta 4

Erradicar a pobreza extrema e a fome

Reduzir a mortalidade infantil

Um bilhão e duzentos milhões de pes-

Todos os anos onze milhões de bebês

soas sobrevivem com menos do que o equi-

morrem de causas diversas. É um número

valente a US PPP $1,00 por dia – dólares

escandaloso, mas que vem caindo desde

medidos pela paridade do poder de compra

1980, quando as mortes somavam 15 mi-

de cada moeda nacional. Mas tal situação já

lhões. Os indicadores de mortalidade infantil

começou a mudar em pelo menos 43 países,

falam por si, mas o caminho para se atingir

cujos povos somam 60% da população mun-

o objetivo dependerá de muitos e variados

dial. Nesses lugares há avanços rumo à meta

meios, recursos, políticas e programas – di-

de, até 2015, reduzir pela metade o número

rigidos não só às crianças, mas à suas famí-

de pessoas que ganham quase nada e que

lias e comunidades também.

– por falta de oportunidades como emprego e renda – não consomem e passam fome.

Meta 2

Meta 5 Melhorar a saúde materna Nos países pobres e em desenvolvimen-

Atingir o ensino básico universal

to, as carências no campo da saúde reprodu-

Cento e treze milhões de crianças estão

tiva levam a que a cada 48 partos uma mãe

fora da escola no mundo. Mas há exemplos

morra. A redução dramática da mortalidade

viáveis de que é possível diminuir o problema

materna é um objetivo que não será alcan-

– como na Índia, que se comprometeu a ter

çado a não ser no contexto da promoção

95% das crianças freqüentando a escola já

integral da saúde das mulheres em idade re-

em 2005. A partir da matrícula dessas crian-

produtiva. O acesso a meios que garantam

ças ainda poderá levar algum tempo para au-

direitos de saúde reprodutiva e a presença

mentar o número de alunos que completam o

de pessoal qualificado na hora do parto

ciclo básico, mas o resultado serão adultos

serão, portanto o reflexo do desenvolvimento

alfabetizados e capazes de contribuir para a

de sistemas integrados de saúde pública.

sociedade como cidadãos e profissionais.

Meta 3

Meta 6 Combater o HIV e Aids, a malária e outras

Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

doenças Em grandes regiões do mundo, epidemias

Dois terços dos analfabetos do mundo

mortais vêm destruindo gerações e amea-

são mulheres, e 80% dos refugiados são

çando qualquer possibilidade de desenvolvi-

mulheres e crianças. Superar as desigual-

mento. Ao mesmo tempo, a experiência de

dades é uma das metas.

países como o Brasil, Senegal, Tailândia e

98


Uganda vêm mostrando que podemos deter a expansão do HIV. Seja no caso da Aids, seja no caso de outras doenças que ameaçam acima de tudo as populações mais po-

Meta 8 Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

bres e vulneráveis como a malária, a tuber-

Muitos países pobres gastam mais com

culose e outras, parar sua expansão e depois

os juros de suas dívidas do que para su-

reduzir sua incidência dependerá fundamen-

perar seus problemas sociais. Já se abrem

talmente do acesso da população à informa-

perspectivas, no entanto, para a redução

ção, aos meios de prevenção e aos meios

da dívida externa de muitos Países Pobres

de tratamento, sem descuidar da criação de

Muito Endividados (PPME). Os objetivos le-

condições ambientais e nutritivas que estan-

vantados para atingir esta Meta levam em

quem os ciclos de reprodução das doenças.

conta uma série de fatores estruturais que

Meta 7

limitam o potencial para o desenvolvimento em qualquer sentido que seja – da imensa maioria dos países do sul do planeta. Entre

Garantir a sustentabilidade ambiental

os indicadores escolhidos estão a ajuda ofi-

Um bilhão de pessoas ainda não têm

cial para a capacitação dos profissionais que

acesso a água potável. Ao longo dos anos

pensarão e negociarão as novas formas para

90, no entanto, quase um bilhão de pessoas

conquistar acesso a mercados e a tecnolo-

ganhou esse acesso à água bem como ao

gias abrindo o sistema comercial e financeiro

saneamento básico. A água e o saneamento

não apenas para países mais abastados e

são dois fatores ambientais chaves para a

grandes empresas, mas para a concorrência

qualidade da vida humana, e fazem parte de

verdadeiramente livre de todos.

um amplo leque de recursos e serviços naturais que compõem o nosso meio ambiente – clima, fontes energéticas, o ar e a biodiversidade – e de cuja proteção dependemos nós e muitas outras criaturas neste planeta. Os indicadores identificados para esta meta são justamente “indicativos” da adoção de atitudes sérias na esfera pública. Sem a adoção de políticas e programas ambientais, nada se conserva adequadamente, assim como sem a posse segura de suas terras e habitações, poucos se dedicarão à conquista

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Metas_de_

de condições mais limpas e sadias para seu

desenvolvimento_do_mil%C3%AAnio.

próprio entorno.

Consultada em 07 de novembro de 2007.

99


100


Informações sobre a Diaconia A Diaconia é uma instituição formada por

(2) A dimensão integral dos seres hu-

Igrejas Cristãs e, como tal, está fundamenta-

manos, impulsionando-os a serem protago-

da sobre princípios expressos nas Sagradas

nistas e sujeitos da sua própria história;

Escrituras, tais como: o cuidado com a criação, a libertação dos que sofrem e a convo-

(3) A dimensão profético-diaconal, reve-

cação à comunhão e construção de relações

lada através das suas ações, no compromis-

de inclusão e dignidade entre as pessoas.

so do anúncio dos sinais de vida e na denúncia das estruturas que promovem a morte;

A Diaconia pauta sua ação através da solidariedade, do serviço aos mais pobres e da

(4) Uma postura ecumênica-dialogal,

postura político-pedagógica, com o objetivo

entre diversas pessoas e confissões religio-

de possibilitar uma educação mobilizadora

sas, visando o testemunho cristão conforme

dos excluídos e a defesa e promoção da ga-

o Evangelho de João 17.

rantia dos direitos humanos. (5) O trabalho articulado em rede, diante Sendo uma expressão da ação social de

da complexidade e magnitude dos desafios

Igrejas, a Diaconia não se confunde com as

existentes, atuando ao lado de diversos ato-

mesmas, respeitando a diversidade teológica

res da sociedade (movimentos sociais, igre-

e doutrinária de cada uma e, ao mesmo tem-

jas, ongs e ogs), comprometidos com sua

po, sendo testemunha da luta destas pela

transformação.

defesa, implementação e gestão de políticas públicas, pelo respeito ao equilíbrio ambiental e pelo aprofundamento democrático com ampla participação popular.

Para cumprir a sua missão defende e promove: (1) Os valores do Reino de Deus, tais

Missão

“Contribuir para a construção solidária da cidadania e a garantia dos direitos humanos da população excluída na perspectiva da transformação social, preferencialmente na região Nordeste do Brasil”.

como: justiça, misericórdia, paz, respeito à diversidade e igualdade de gênero.

101


A Diaconia desenvolve sua missão atra-

Princípios metodológicos

vés do Programa de Apoio à Agricultura Familiar; Programa de Promoção da Criança e

1. Opção pelo trabalho em grupo - O tra-

do Adolescente e do Programa de Apoio à

balho em grupo visa fortalecer o indivíduo

Ação Diaconal das Igrejas.

para lidar em conjunto com outros indivíduos

O PAADI (Programa de apoio à Ação Dia-

com as situações do cotidiano.

conal das Igrejas) tem por objetivo estimular as igrejas a desempenharem seu testemu-

2. Participação e construção coletiva - A

nho diaconal e seu papel público e transfor-

participação dos indivíduos no grupo inclui

mador.

os aspectos intelectual, emocional e afetivo

Os eixos orientadores da ação do PAADI são:

e resulta na construção de conceitos e valores e na mudança pessoal e coletiva. Esta construção inclui o facilitador e os participan-

Fortalecimento de Articulações e Redes - A atuação do Programa está voltada

tes com papéis diferentes, mas igual valor no processo.

ao fortalecimento de redes integradas por Igrejas, organismos e organizações cristãos

3. Valorização das relações humanas no

que atuam na luta contra a Aids, no enfrenta-

processo de aprendizagem - As relações in-

mento da violência familiar contra as mulhe-

terpessoais são condição pedagógica para o

res e na formação ecumênica. Pretende-se

processo de aprendizagem garantindo a pos-

dar continuidade às ações conjuntas entre

sibilidade de expressão, compreensão de si

estes participantes que possam servir como

mesmo, das outras pessoas e da realidade.

instrumentos estratégicos para políticas públicas que considerem as matrizes religiosas brasileiras.

4. Reflexão e vivência – o Processo dialógico de ver/refletir/julgar, fazer uma análise crítica, agir/experimentar e celebrar, são

Co-responsabilidade das Igrejas par-

parte do processo e possibilitam a autonomia

ceiras – As Igrejas participantes dos projetos

dos participantes e dos grupos e a continui-

são parceiras do Programa no desenvolvi-

dade do processo.

mento das ações, mas também na co-res-

Atuamos com Igrejas evangélicas nas ci-

ponsabilidade de sensibilização e capaci-

dades de Recife/PE, Natal/RN e Fortaleza/

tação de seus participantes, bem como na

CE, através de três projetos: Aids: Igreja So-

multiplicação das informações e formações

lidária e Transformadora; Superando a Vio-

adquiridas.

lência Familiar contra a Mulher; e o Projeto Missão e Unidade.

Perspectiva Ecumênica – Destacamos a perspectiva ecumênica em todas as atividades realizadas.

102


Informações sobre KOINONIA

KOINONIA é uma entidade ecumêni-

Nos últimos três anos, KOINONIA

ca de serviço, composta por pessoas de

tem aperfeiçoado o seu desenvolvimento

diferentes tradições religiosas, reunidas em

institucional estabelecendo novas formas de

associação civil sem fins lucrativos. Sua

planejamento, monitoramento e avaliação

missão é mobilizar a solidariedade ecumêni-

fundamentadas em metas trienais. Suas es-

ca e prestar serviços a grupos histórica e

tratégias principais foram duas e complemen-

culturalmente vulneráveis e àqueles em pro-

tares: no campo social, dedicada ao aumento

cesso de emancipação social e política. Para

dos serviços prestados aos setores popula-

isso, desenvolve programas de produção do

res com os quais já vinha se relacionando e

conhecimento, informação e educação, que

à ampliação das alianças institucionais e com

atuam por meio de redes, em busca de es-

os movimentos sociais, a partir do reconheci-

paços democráticos, que garantem a justiça,

mento de que tais setores constituem redes

os direitos humanos – econômicos, sociais,

sociais; no campo ecumênico, uma maior

culturais e ambientais – e a promoção do

articulação e visibilidade da contribuição

ecumenismo e do movimento ecumênico e

ecumênica (nacional e internacional) ao pro-

de seus valores libertários em nível nacional

cesso social brasileiro.

e internacional.

KOINONIA é membro do Grupo de

KOINONIA Presença Ecumênica e

Trabalho sobre HIV e Aids e Saúde Reprodu-

Serviços foi fundada em 1994 como afirma-

tiva da Ecumenical Advocacy Alliance que

ção da vocação ecumênica da comunidade

reúne 58 Igrejas e mais de 100 organizações

que constitui sua Assembléia de associados,

ecumênicas de todos os continentes, e da

representntes de mais de duas décadas de

LAZOS, rede de Igrejas e de organizações

luta pela democracia e de afirmação dos

ecumênicas da América Latina. KOINO-

valores do movimento ecomênicono Brasil.

NIA também é membro da coordenação da

Suas intenções fundantes foram: a continui-

recém-criada Rede Evangélica de Solidarie-

dade da tradição ecumênica da prestação

dade, que reúne 5 Igrejas e 11 organizações

de serviços a comunidades locais e ao movi-

que trabalham os temas HIV e Aids, saúde e

mento social, bem como às Igrejas.

direitos sexuais e reprodutivos.

103


Parceiros Institucionais da Diaconia

Diaconia

KOINONIA

Sede

Sede

Rua Marques do Amorim, 599, Ilha do Leite

Rua Santo Amaro, 129

CEP: 50070-030

CEP: 22211-230

Recife – PE – Brasil

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Tel/ Fax: (81) 3221.0508

Tel: (21) 2224.6713 | Fax: (21) 2221.3016

E-mail: diaconia@diaconia.org.br

E-mail: koinonia@koinonia.org.br

www.diaconia.org.br

www.koinonia.org.br

104


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Igreja Solidária e Transformadora - Roteiro de Oficinas para Igrejas  

Nos dias atuais, as Igrejas surgem como personagens importantes na luta contra o HIV/ Aids. Somos chamados à reflexão e à prática que sejam...

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