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REVISTA DE DESIGN, CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

Notícia

Light Phone 2: a simplicidade materializada num telemóvel

Entrevista Conheça a designer moçambicana Júlia Sarmento

Inspiração Na Hora de Criar, a Criatividade marca

Tendências de design para 2018 Ano 1 I Dezaine Trimestral I Edição 1 1 I Março


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Um a Revi sta: D ESIGN Tal k

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Sumário NOTÍCIAS Light Phone 2: a simplici-

dade materializada num telemóvel

NOTÍCIAS Lacoste substitui crocodilo

a favor de animais em extinção

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NOTÍCIAS Tendências de design para 2018

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FEITO Cadeira Tulipa (1955)

ENTREVISTA "O Design transformou-me completamente"

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BIOGRAFIAS Van Der Rohe, Tschichold e Hatfield

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STARTUP TIME Mhize, da terra com amor

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REFLEXÃO O caminho entre as ideias

INSPIRAÇÃO Na Hora de Criar,

a Criatividade marca

29 DICAS Duotone

33 PRODUTIVIDADE Dicas para aumentar a produtividade

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Nossa Equipa Somos uma equipa jovem, motivada e empenhada. Trabalhamos para que cada edição da DEZAINE seja melhor. Aprendemos constantemente e queremos estar a crescer com nossos leitores.

Mélio Tinga Editor

Licenciado em Educação Visual, é designer, professor e co-fundador do DESIGN Talk.

Adelium Castelo Editor Adjunto

Estudante finalista de licenciatura em design, é designer e co-fundador do DESIGN Talk.

Daniel Tinga

Arlindo Manga

Redator & Social Media Estudante finalista de licenciatura em Jornalismo. Presidente do NEECA. É colaborador do DESIGN Talk.

Estudante finalista de licenciatura em design, é designer e ilustrador . Colaborador do DESIGN Talk.

Ilustrador

Ficha Técnica REVISTA DEZAINE I Propriedade e Edição: DESIGN Talk I Editor: Mélio Tinga meliotinga@gmail.com Editor Adjunto: Adelium Castelo I casteloadelium@gmail.com I Redação: Daniel Tinga I Ilustração da capa: Arlindo Manga I Revisão linguística, projecto gráfico, paginação e fotografia: Direcção Técnica Colaboradores desta edição: Islard Rocha, Ferrão Chico e João Roxo ©2018 - Maputo - Moçambique

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CRIE UMA ASSINATURA designtalk.dt@gmail.com

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DEZAINE UMA REVISTA DE MOÇAMBIQUE PARA O MUNDO

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assa sensivelmente um ano que perpetuamos conversas, debates, reflexões sobre o design em Moçambique. O papel do DESIGN Talk, como plataforma é dar continuidade a essas discussões, estabelecer relações fortes no campo do design e encontrar meios para cruzar caminhos desses profissionais que a muito deveriam ter se encontrado. Moçambique é terreno fértil para se falar de design, a história e os factos revelam, as compreensões erróneas confirmam. Aliás (cá entre nós) já ouvimos tantas variáveis para se pronunciar correctamente o termo (que não é do nosso idioma). Somos “expoentes” em inventar nomes para as coisas, quando não entendemos ou não sabemos pronunciar correctamente, procuramos nossa forma de dizer. Por isso mesmo inventamos nossa forma de dizer “design”, sem risco de sermos condenados por erros de língua: DEZAINE Revista de Design, Criatividade e Inovação. Pretendemos ser continuamente um espaço de reflexão, incentivar a criação, inspirar profissionais, levar o país ao mundo, inovar, interligar uma rede gigante de profissionais de diferentes áreas da indústria cultural e criativa. Pretendemos ser o veículo, a voz da cultura local e como ela estabelece ligações com projectos criativos de diferentes profissionais do sector criativo. Somos a primeira Revista de Design no país, uma Revista de Moçambique para o mundo, atenta às tendências mundiais e focada para acções locais que influenciam formas de fazer o design. Bem-vindos, que DEZAINE seja a música que nos inspira! Boa leitura. DESIGN Talk I Fundadores

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Notícias

Light Phone 2: a simplicidade materializada num telemóvel

tek.sapo.pt

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The Light Phone (TLP) é um dos telefones mais minimalistas do mercado. Ao contrário dos smartphones, cujo conceito gira em torno da conectividade, este aparelho prima pela simplicidade, que não se alonga às capacidades modernas de um aparelho móvel como aqueles que todos nós carregamos no bolso. Com este equipamento não há espaço para internet ou câmaras fotográficas.

O objectivo é manter os utilizadores longe do vício das redes sociais e dos scrolls infinitos com uma máquina que faz apenas o essencial: chamadas.

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O Light Phone 2 é o sucessor da versão original deste aparelho. O modelo mantém a mesma lógica, mas adiciona algumas funcionalidades que não marcavam presença na primeira versão, como é o caso das mensagens e da conexão 4G. Apesar de parecer romper com o conceito inicial, a verdade é que o equipamento continua fiel aos seus princípios. Mesmo com suporte para ligações à rede, a interface do Light Phone não permite que o utilizador se perca a navegar entre aplicações e jogos. Neste caso, esta é apenas uma das formas que a empresa responsável encontrou para manter o equipamento interessante e actual, sem comprometer os seus valores. É


que na prática, o suporte para conexões com a internet serve apenas para articular uma mão cheia de serviços, como mapas, música e aplicações de transporte privado, como a Uber. Ao contrário do The Light Phone, este segundo modelo tenta afastar-se ligeiramente da ideia do telemóvel secundário, que servia para complementar o smartphone. Com este novo set de ferramentas, a empresa tem mais argumentos para vender o aparelho enquanto telefone principal. O The Light Phone 2 está ainda em processo de desenvolvimento e a folha de especificações técnicas não está terminada, mas sabe-se que o equipamento vai integrar um display E-ink e uma autonomia para cinco dias de utilização, tal como uma entrada USB-C. As primeiras unidades deverão começar a sair do armazém em abril do próximo ano.

Se estiver interessado em afastar-se da azáfama dos circuitos sociais, das aplicações e do chorrilho de notificações, saiba que o Light Phone 2 pode ser já adquirido através do Indiegogo por 225 dólares. Depois desta fase de financiamento, que vai durar por mais 23 dias, o preço sobe para 400 dólares.

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Notícias

Lacoste substitui crocodilo a favor de animais em extinção Mélio Tinga

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marca francesa Lacoste divulgou recentemente uma nova colecção de camisetas Polo com a designação “Save Our Species” (Salvem as Nossas Espécies). Esta linha de produção é feita em parceria com a União Internacional de Conservação das Espécies (IUNC), numa edição em que o conhecido crocodilo é substituído por dez animais em via de extinção como uma chamada de atenção ao desaparecimento destas espécies da terra. A colecção é constituída por 1.775 peças produzidas com base no número de espécies remanescentes na natureza, divididas entre: rinoceronte-de-Java, o tigre da Sumatra, o condor-da-Califórnia, o papagaio kakapo, a

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iguana de Anegada, o golfinho Vaquita, a tartaruga-de-Myanmar, a saola, o lêmure-esportivo-do-norte e o gibão-negro-cristalizado-oriental, e cada um deles toma o lugar que antes era ocupado pelo icónico crocodilo. Esta colecção já se encontra disponível nos Estados Unidos e em alguns países da Europa e os lucros serão revertidos a favor da IUNC. A nível visual, pode se notar o mesmo impacto visual que o crocodilo, o mesmo aproveitamento a nível de espaço e localização dos icons dos dez animais. Este trabalho é feito sob direcção criativa do designer português Filipe Oliveira Baptista. Nascido em 1975, nos Açores, formou-se em Design


de Moda na Universidade de Kingston, Londres, em 1997. Foi precisamente nesse ano e até 2001 que trabalhou como estilista para marcas como Maxmara, Christophe Lemaire e Cerrutti. No final do ano de 2010 foi convidado para ocupar o lugar de director criativo da Lacoste. A Lacoste é uma marca francesa fundada pelo tenista René Lacoste juntamente com André Gillier em 1933. René Lacoste tinha sido apelidado de "Le Crocodile" pela imprensa americana durante a Davis Cup em

1927, por causa de uma aposta que valia uma mala de pele de crocodilo. O animal acabou virando o símbolo da marca. Em 1963, René Lacoste passou o controle da marca a seu filho, Bernard Lacoste.

Fontes: www.lux.iol.pt pt.wikipedia.org exame.abril.com.br portalrapmais.com

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Notícias

3D - Project: Squarespace stillife Author: MVSM

Tendências do design em 2018 Islard Rocha

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m novo ano começou e a pergunta que fazemos é: quais serão as tendências e inovações no design para 2018? A Mindsparkle Mag – plataforma que busca promover projectos inspiradores de Design que compactuam com seus valores e crenças – buscaram os mais inspiradores projectos em todo o mundo. E, após analis-

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ar vários, separaram as 20 tendências em que eles apostam para 2018.

O 3D continua firme e forte De acordo com a Mindsparkle Mag, nos últimos dois anos houve um aumento no número de projectos gráficos que fazem uso do 3D. E apostam que o uso de 3D será ainda mais popular nesse ano.


Project: Shapes & Forms Author: DIA

Project: 3D Type Collection Author: ILOVEDUST.

Mais Realidade Aumentada O rápido crescimento do uso da Realidade Aumentada não será notada apenas em games, vídeos ou em aplicativos. A Mindsparkle Mag acredita que a Realidade Aumentada possui potencial de tomar a comunidade de Design por inteira.

Tipografia em 3D Nesse ano a tipografia em 3D ficará ainda mais popular, pois, após corporações como a Nike fazer bastante uso, outras grandes companhias também começaram a fazer uso. Peças criadas manualmente e digitalizadas Novas ferramentas tornam mais fácil agregar o uso de técnicas de desenho manuais e torná-las digitais. De acordo com a Mindsparkle Mag, os dias dos “velhos pinceis do Photoshop” estão oficialmente acabados, pois, a nova tendência chamada de “Digital Paintbrush” é muito mais versátil e nos dar

Project: Daily Posters Author: Magdiel Lopez

um olhar mais moderno e esteticamente prazeroso.

O uso de cores vívidas e brilhantes O uso de gradientes com cores vívidas e brilhantes vêm sendo bem aceito e a Mindsparkle Mag, espera e acredita que nesse ano iremos descobrir mais inovações com o uso desse estilo.

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Project: Blobs with Medium Author: Vincent Schwenk

Project: Blobs with Medium Author: Vincent Schwenk

Project: Nike AMD Revolution Author: Happy Finish - Fotografia Artística

Mais 3D animado junto com o 2D Parecido com o estilo de Realidade Aumentada, espera-se que mais designers misturem o 3D com o 2D flat.

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3D flexível (mais 3D) A Mindsparkle Mag, aposta que haverá um crescimento em mais formas orgânicas e naturais que farão com que o 3D e as animações sejam ainda mais chamativas.


Fotografia Artística

ações de iluminação colorida interessantes para o objeto fotografado.

Sessões de fotos em campanhas de marcas têm se tornado cada vez mais aceitas e interessantes ao serem mescladas com ilustrações e técnicas de design gráfico. Ilustrações retrô animadas

Os logotipos responsivas serão ainda mais importantes. Afinal, vivemos em mundo cada

Project: Bare Witness Author: Re Agency

Project: Responsive Logos Author: Joe Harrison

Logotipos responsivos

Project: Formula 1 Author: Wieden + Kennedy

vez mais “governado” por dispositivos móveis. Conforme a Mindsparkle Mag, não será mais suficiente criar um logotipo e dimensioná-lo com a mudança de tamanho de tela. Os logos estão se tornando adaptáveis. Project: Bare Witness Author: Re Agency

Segundo com a Mindsparkle Mag, veremos um aumento no uso de animações com ilustrações planas ou com movimentos sutis.

Fotografias com uso de gel Outra tendência futura entre os fotógrafos que certamente aumentará é o uso de géis ou filtros de cores de fotografia. Esta técnica permite infinitas possibilidades, criando situ-

Logotipos semi 3D Uma combinação de formas simplificadas com um aspecto semi 3D, fazendo uso de tons de cores sutis e suaves que irão adicionar profundidade bem equilibrada ao logotipo.

Tipografias customizadas Tipos de letra personalizados e excêntricos estão se tornando um sucesso – espe-

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Project: Vi Novell Author: Atipus | Project & Author: Abschluss HSD

Project & Author: The Artery

Credits & Author: Ben Mingo

cialmente entre designers – seja fragmentado, distorcido ou visualmente quebrado, este estilo certamente se destaca e este é exatamente o objectivo deles. Ao serem utilizadas no Web Design, alguns desses tipos também são interativos e reagem aos cursores do mouse. De acordo com a Mindsparkle Mag, haverá um aumento na experimentação neste campo em 2018. Credits: Awwwards Conference Design & Development: Adoratorio

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3D interativo no Web Design Uma grande tendência no Web Design para 2018 é o surgimento de elementos 3D interativos que reproduzem profundidade, movimento, textura e perspectivas. O uso desses elementos em sites faz com que os sites se tornem ainda mais exclusiva e melhor a experiência estética do usuário.

Cursores interativos Cursores de mouse interativos adicionam outra camada à experiência do usuário de um site, pois, faz com que ele possa controlar um cursor com interações específicas que são personalizadas e exclusivas daquele site.

3D “feito à mão”

Achamos que existe uma tendência ascendente no entrelaçamento de arte digital e manual. O olhar feito à mão é uma técnica

deliberada que adiciona uma camada tátil interessante aos projectos.

Design isométrico e fotografia A projecção isométrica é um método para representar visualmente objectos tridimensionais em duas dimensões. Isso anteriormente era usado principalmente em desenhos técnicos antes de ter sido descoberto como uma técnica que pode se unir à fotografias, ilustrações, modelagens 3d ou até mesmo iconografia. Segundo a Mindsparkle Mag, o design isométrico certamente será muito visto nesse ano.

Barras de carregamento criativas De acordo com a Mindsparkle Mag, acabaram-se os tempos em que os sites usavam barras de carregamento complexas.

Project: Isometric House Author: Angela Chan

Credits: 3D Art Author: Maxim Shkret

Credits: Flyknit Lunar 1 & 3 Author: Callum Notman

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Feito

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adeira Tulipa – Eero Saarinen, 1955. Desenhada para a empresa Knoll, de Nova York, essa linha de cadeiras foi imaginada para complementar a mesa de jantar da mesma coleção. Suas linhas curvas e suaves são uma marca do modernismo e naquela época o formato era considerado experimental para os materiais e tecnologias disponíveis. Enquanto inicialmente essa cadeira era considerada futurista, por suas curvas e material artificial, hoje ela se tornou um clássico do desenho industrial, por se tratar de um móvel feito com uma única peça, inteira de fibra de vidro. www.arkpad.com.br

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Entrevista

“O design transformou-me completamente” Daniel Tinga

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ma designer com larga experiência, versátil e com personalidade própria, Júlia Sarmento, reconheceu em entrevista à Revista DEZAINE, que o design moldou por completo a sua vida: “Nos últimos anos percebi que estou completamente transformada, a criatividade e o design moldaram-me completamente. Foco-me a coisas úteis para o meu trabalho e fico obcecada a alguns processos (…)”.

“Tu não decides ser designer, é algo inato, nasce com vontade de interpretar o mundo a tua volta. Eu sempre andei com papel e caneta na mão para desenhar (…)”. Em resposta à pergunta sobre o que pensava sobre as possibilidades trazidas pelo desenvolvimento tecnológico aos designers, Júlia defendeu que há necessidade de os profissionais do design experimentarem mais desafios e darem passos mais

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(...) é melhor mal feito do que nada feito (...)

(...) um bom designer é aquele que desafia as pessoas a serem pessoas melhores e desafia o ambiente em que elas se encontram para melhorar (…)”

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largos para diferenciarem o seu trabalho dos modelos de templates criados diariamente. “Estamos num mundo em que todos podem ser designer… mas um bom designer é aquele que desafia as pessoas a serem pessoas melhores e desafia o ambiente em que elas se encontram para melhorar…” A designer, uma das poucas que Moçambique tem, revelou-nos que passou por várias intempéries para conquistar o lugar que ocupa no mundo profissional. Para ela, as mulheres são vistas como incapazes de solucionarem alguns problemas sociais ligados ao design, mas não é bem assim que as coisas funcionam, defendeu Sarmento, tanto que ela já conta com 10 anos como designer e a prestar serviços a diversas pessoas. A profissional aconselha as mulheres que pensam em ser designers a continuarem “na sua obceção, se for real”, a acreditarem naquilo que sentem em relação ao design, e lutarem pelos seus sonhos porque é possível serem alcançados. Questionada sobre o futuro da área em Moçambique, Júlia Sarmento afirmou que vê um país engajado e muito animado no design “ no último ano vi um grupo de criativos com vontade de crescer o que é positivo… e

é melhor mal feito do que nada feito, mil vezes fazer um trabalho mal feito do que não fazer nada, porque com o feito ao longo do tempo se alcança a perfeição. O design em Moçambique está a avançar e aconselho aos colegas a trabalharem com mais vivacidade” que as coisas chegarão a onde se pretende. São 10 anos como designer, mas enquanto estudante, Júlia trabalhou como freelancer como forma de apreender e aprimorar os conhecimentos apreendidos ao longo das aulas, “ algo que aconselho a todos a fazerem durante o período de estudos, sempre trabalhar para cometer erros…” Com uma sensibilidade estética assertiva, estratégica e consciente, Júlia Sarmento conhece o mundo criativo aos 14 anos de idade, nasceu em Moçambique e estudou na Itália, onde colaborou com grandes empresas de comunicação internacionais, tais como Leo Bumett, McCann Erikson e Crossmedia Branded. É uma profissional versátil e detentora de uma visão comunicacional integrada, o que lhe permite contribuir e assistir as diferentes fases do processo de comunicação, desde à concepção estratégica a criação visual.

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Dezaine I Autor: Adam Wilson 22unsplash.com

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Biografias

Ludwig Van Der Rohe

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rojectista da Poltrona Barcelona, nasceu a 27.03.1886 em Aachen – Alemanha e faleceu a 17.08.1969 em Chicago – EUA. Iniciou-se ajudando o pai como pedreiro, o que lhe deu noções básicas sobre material e estrutura. Arquitecto e Designer sob influência de Bruno Paul, foi professor da Bauhaus donde em 1930 assumiu a direcção. Foi um dos percursores do uso do aço e do vidro nos edifícios. Frases famosas: Menos é mais! | Deus está nos detalhes!

Jan Tschichold

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utor do cartaz Konstruktvisten no declíneo do construtivismo -1929, nasceu em 1902 em Leipzig onde apronfundou seus conhecimentos em tipografia clássica, é pai do movimento que marcou o início da mentalidade moderna na tipografia e no design gráfico. Em 1928 lança o seu primeiro livro die nue typographie (A Nova Tipografia), objectivando suprir os excessos decorativos da tipografia do Art Nouveau, transformando-a numa tipografia funcional e clara.

Tinker Hatfield

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e atleta a aquitecto e deste a lendário designer da Nike onde ingressou após vencer uma competição de projectos de calçados. Nasceu em Hillsboro em Abril de 1952 e estudou na Universidade de Oregon. Em seu portfólio encontram-se projectos das icônicas sapatilhas de Michael Jordan, Nike Air Huarache, Air Mowab, Air Trainer 1, Air Max 90 e Air Max 1. Sua história é contada no episódio 2 do seriado Abstract, do Netflix - 2017. Ele dissocia arte e design.

Envie biografias de designers designtalk.dt@gmail.com

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Startuptime

Mhize,

da terra com amor Dezaine Uma marca que se inventa no mundo criativo, especializada em produtos 100% naturais para tratar de pele, cabelo e barba. Os óleos e manteigas para a pele produzidos artesanalmente conferem aos seus consumidores um ar totalmente diferente e original. “O amor e identidade são os principais ingredientes dos óleos e manteigas para pele, cabelo e barba 100% naturais da Mhize. Esses produtos sem efeitos colaterais são resultado de ideias brilhantes, do auge da boa disposição, resultado de uma necessidade criativa, para gerar rendimento, satisfação pessoal.”

“O amor e identidade são os principais ingredientes dos óleos e manteigas para pele, cabelo e barba 100% naturais da Mhize. Esses produtos sem efeitos colaterais são resultado de ideias brilhantes, do auge da boa disposição, resultado de uma necessidade criativa, para gerar rendimento, satisfação pessoal.” A Mhize que significa Raizes em Nhungwe (uma das línguas tradicionais da província de Tete), surge da vontade da proprietária desta iniciativa de se reconectar com suas raizes e como uma "fénix" ressurgir e se renovar da desilusão amorosa que vivera na altura, 2016. Vânia Nhambirre, começa a descobrir e testar técnicas e produtos para o seu cabelo. Com a ajuda e suporte da sua amiga e parceira Rosy Magaia, vai testando diferentes receitas naturais e caseiras, que surpreendentemente, resultam.

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A Mhize que significa raízes em Nhungwe (uma das línguas tradicionais da província de Tete), surge da vontade da proprietária desta iniciativa de se reconectar com suas raízes e como uma ``fénix´´ ressurgir e se renovar da desilusão amorosa que vivera na altura, 2016. No meio da desilusão amorosa, mágoas, solidão surge a primeira descoberta: a revitalização de parte das raízes e “é dela e para ela que vivemos”. Portanto novas fórmulas para cuidar de si, Vânia Nhambirre, proprietária da Mhize, com suporte da sua amiga e parceira Rosy Magaia começa a descobrir e testar técnicas e produtos para o seu cabelo, que surpreendentemente vão surtindo resultados positivos. O nascimento da Mhize como marca, teve também muitos questionamentos, sobre seres humanos, sujeito de direito e sobretudo, enquanto negras! Por outras palavras,

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nasce uma marca, ao mesmo tempo que uma mulher se descobre como tal: mulher feminista. Mhize é reconstrução de identidade, é amor da terra, é uma porção natural, de auto-conhecimento e auto-descoberta. Os produtos da Mhize são concebidos de forma personalizada, ou seja, os elementos que compõem cada fórmula, tem como objectivo eliminar ou minimizar problemas na pele e no cabelo, tem também consultorias com o objectivo de facilitar os cuidados naturais de pele, cabelo e barba tornando o processo cada vez mais prático, acessível e numa rotina em que o próprio cliente crie um espaço para se conhecer e pessoalmente cuidar de si. Mhize é, desde 2017 parceira do DESIGN Talk e juntos projectam passos que poderão mudar o futuro.


Orange Corners Maputo OCM Imagine um Moçambique, onde jovens empreendedores são capazes de desenvolver soluções locais com um impacto global. Onde estes empreendedores são capazes de transformar desafios da sociedade em negócios sustentáveis. Desenvolvidos por, para e com moçambicanos. Tornar-se empreendedor permite que os jovens tomem as rédeas do seu próprio destino, criem soluções disruptivas que transformem o futuro e criem empregos, assumindo assim o seu papel de força motris da economia nacional.

Orange Corners Maputo é o spot onde jovens universitários (finalistas e recém-licenciados) têm acesso a tudo o que precisam para tirarem as suas ideias do papel e tornarem os seus sonhos em realidade. Após a implementação bem-sucedida na África do Sul, o Orange Corners chega a Moçambique com o objectivo de fortalecer o ecossistema empreendedor, contribuindo assim para a empregabilidade de jovens, para o estabelecimento de um ambiente de negócios competitivo e inovador em Moçambique, bem

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como, para o fortalecimento das relações comerciais com os Países Baixos. No Orange Corners Maputo, jovens empreendedores terão a oportunidade de criar uma startup inovadora e sustentável, através do programa de incubação #BIZ. Este programa proporcionará formação, orientação e acompanhamento através de um programa intensivo, destinado a jovens dos 18 aos 35 anos, finalistas e recém graduados (licenciatura ou mestrado) com uma ideia, ou um projecto de negócios, ou com um negócio na

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sua fase nascente (menos de 2 anos de existência, pode ser formalizado ou não). O processo de candidaturas a este programa decorreu de 14 de Dezembro de 2017 a 28 de Janeiro de 2018. O #BIZ irá arrancar em Março e terá a duração de quatro meses. Esta iniciativa ganha vida graças ao esforço da Embaixada do Reino dos Países Baixos, em parceria com: BancABC, Heineken, Shell, ideiaLab, Vodacom e Brithol Michcoma.


Inspiração

NA HORA DE CRIAR, A CRIATIVIDADE MARCA. A campanha “A Criatividade Marca” foi criada no âmbito do desafio lançado em 2015 pela Restart, um instituto de criatividade e os Lusos, um festival que pretende homenagear e debater a criatividade nos mercados publicitários e de comunicação nos paises de língua portuguesa. A campanha tinha como objectivo divulgar a importância e relevância da criatividade no mundo. Uma campanha minimalista, simples e iconográfica centrada exclusivamente na mensagem, focado em mostrar como é que a criatividade constitui um factor preponderante. Esperamos que esta campanha o inspire! Título: A Criatividade Marca Briefing Aberto – Lusos 2015 Autor: Ferrão Chico – Art Director – f&f GROW Maputo - Moçambique

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Reflexão

O Caminho entre as Ideias João Roxo ANIMA Estúdio Criativo

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enso frequentemente acerca da relevância da dialética para o processo criativo; em como, na realidade, não existem ideias certas ou erradas; que é no “caminho entre as ideias” que se encontra o verdadeiro universo criativo, e no domínio do inesperado que reside a verdadeira epifania.

origem no latim Designare, a base da palavra remete aos signos e a marcas identificativas. Nós, designers, retemos o poder da designação, da definição, da construção.

Referenciando o título desta publicação e procurando acentuar a questão que aborda, convém-nos analisar a palavra Design. Esta não tem expressão em português, usamo-la na sua versão mais conhecida. Os espanhóis utilizam a palavra Diseño, a qual se assemelha a “desenho” (dibujo, em espanhol). Com

Partindo de uma noção geral pré-universitária do que é design, diria que é simplesmente concepção. Para existir, tudo á nossa volta teve de passar por esse processo e portanto, consequentemente podemos dizer provocativamente que o design está em tudo

O QUE É DESIGN? Texto escrito no âmbito académico. Aveiro, 2003

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que nos rodeia. Porém, o conceito é relativamente recente e gera por vezes grande polémica por não estar completamente definido. O que é design? Design parte da criação, e a nós futuros designers, então criadores, cabe-nos assumir a preocupação com a possível interacção entre as nossas criações e o olho, posteriormente o corpo físico daqueles para quem foram concebidas. Falam de função? A principal função do designer não será então a de proporcionar tal perfeição, a união entre a sua criação e os seus utilizadores? Penso que sim. Poderíamos dizer que o designer se propõe a procurar uma harmonia entre elementos.

O designer tem como maior desafio o impossível, ou ainda melhor, possibilitar o impossível. Design não vive somente da criação de algo esteticamente agradável – dentro das definições estereotípicas – como muitos pensam, mas antes de uma preocupação em projectar algo funcional, pois sendo assim não existiria distinção. Que seria de todos nós sem tais dualidades? Poderíamos também afirmar que melhor design é um design invisível, aquele que não assume protagonismos e dilui-se no quotidiano dos beneficiários. O design está associado a estudo e planificação, mas acima de tudo a concepção. Processos de reprodução caracterizam esta disciplina cuja definição se consolida em inícios do século passado, após existência desde os primórdios dos tempos. Transformada pelas evoluções tecnológicas, como tudo, por vezes questionada ou diminuída a sua legitimidade, a abrangência do design, como prática, intimida muitos. Este facto levou ao surgimento de várias sub-categorias que se destinam a criar níveis de especialização distintos, rótulos que apoiam a percepção generalizada do significado da palavra. Por Design Social ou Design Estratégico compreendemos, por exemplo o estudo e a im-

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plementação de soluções práticas no âmbito do desenvolvimento das sociedades. Neste sentido, muito peso tem sido dado à relevância do design na definição de estratégias de criação e implementação de projectos, de grande e pequena escala. Design torna-se, portanto, uma disciplina transversal no sentido em que o conhecimento adquirido pelo seu exercício dota-nos da capacidade de inventar. Somos hoje, de certa forma, os inventores de outrora. O impacto do design (e da comunicação visual) é intangível a curto-prazo, no entanto a influência destas práticas na sociedade é essencial, tal como a arquitectura é considerada essencial para o nosso bem-estar e dos habitantes de qualquer ambiente urbano. É nosso papel estimular uma mudança, criar um movimento inspirado pela identidade e pela inovação.

De tempos a tempos ocorre-me a relevância da associação desta prática à (recorrente e incontornável) pirâmide das necessidades criada (ou “design-ada”?) por Abraham Maslow, esta representação gráfica de uma segmentação das necessidades humanas está estritamente associada ao design como disciplina, que na sua essência se destina ao encontro de soluções para as nossas necessidades como pessoas, como humanos. Podemos deduzir que no contexto em que vivemos, as preocupações são maioritariamente de ordem primária, em contraste com sociedades nas quais as comodidades e a auto-satisfação são palavras de ordem. Existe algo de mágico no conceito de sobrevivência, condição humana indubitável que inconscientemente lutamos por esconder ou camu-


flar; algo que me desperta curiosidade, pois é nesse limbo entre a necessidade e o risco que se encontra o potencial criativo.

A UNIFORMIZAÇÃO DOS DESEJOS Texto adaptado de outros escritos no âmbito académico. Aveiro, 2006

Com a era do modernismo veio um corte definitivo com as barreiras entre a estética, a tecnologia e a sociedade, de modo a permitir que um design de alta qualidade visual e funcional pudesse ser produzido para grande parte da população. Surge o conceito de standard e a produção em massa, marcando ainda mais o poder colectivo, em oposição ao individual e ao custom made. O filme 2001: A Space Odissey (de Stanley Kubrick, 1968) e muitas outras obras de ficção científica marcam esta noção de standardização, um conceito utópico de futuro que põe de parte a espontaneidade do indivíduo, tendo este que adaptar-se à sistematização definida pelo espaço envolvente. O pós-modernismo perfila a aceitação de elementos de diferentes estilos e épocas, e a rejeição de absolutos e identidades. O indivíduo é então constituído por uma série de signos, símbolos e imagens. Por um lado, surge a oportunidade de se reinventar, por outro, a metamorfose da sociedade numa condição esquizofrénica manipulada pelos mass media: o aumento da importância do superficial em relação ao substancial. Hoje em dia, com a crescente democratização dos vários canais de informação, com especial destaque para a Internet, o mundo é-nos revelado ao segundo. A informação nunca viajou tão rapidamente, ou, com um fluxo tão denso. Tudo é exposto aos olhos de quem quiser ver; versões do mundo de milhões de pessoas dos quatro cantos da Terra. Estamos no terreno do fenómeno da globalização. Ao mesmo estilo, não é só a informação que circula a uma escala global, as pessoas também se movimentam, e com estes uma

bagagem cultural que questiona conceitos de raça e nação: a uniformidade reina e as fronteiras apagam-se lentamente. Nos grandes centros urbanos, um pouco por todo o mundo, é admirável o nível de multi-racialidade e multi-etnicidade, que, consequentemente, resulta num cenário de multi-culturalidade e inter-culturalidade. São imensos os estilos, as tendências, os gostos, as definições de bem, certo e belo. A densidade da informação questiona tudo, constantemente, moldando-nos ao nível da nossa identidade, do nosso sentido crítico, da nossa tolerância e capacidade de adaptação. Nunca foi tão forte o chamamento da individualidade, o culto do indivíduo e o culto da beleza; estas tendências sociais, juntamente com o fluxo de informação e com os fenómenos de multi-culturalidade e inter-culturalidade expandem a nossa visão do mundo. As nossas fontes de significado são imensas e das mais variadas em toda a história humana. Adquirimos e adaptamos códigos de significado, de várias culturas que consideramos coerentes com aquilo que somos num determinado momento, ou, que funcionam como motivadores de mudança. O sentido de beleza ao nível do indivíduo é fruto de uma conjugação de elementos de significado, após uma "filtragem" rotineira do fluxo global de informação.

Cada indivíduo tem o seu sentido de belo, uma atitude personalizada, regularmente actualizada, derivada da contemplação do mundo. Cada vez mais assistimos a uma “globalização social”, onde o ser humano deixa a sua essência, seus valores e crenças morrer pela informação massiva, num mundo onde a publicidade e o marketing conseguem modelar a sociedade. Pertencemos a uma sociedade onde o «comum» domina o nosso quotidiano, existem quase cópias de indivíduos. Isto surge de uma divulgação/informação massiva, onde a relação entre essa informação e a vivência manifesta-se no in-

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divíduo, como ser desejante. O desejo de não deixar um sujeito isolar-se no crescimento do seu «eu», é uma experiência de limitações próprias. Um sujeito forma a sua essência na medida em que o desejo o movimenta e o torna singular, num certo sentido original. A sociedade dos nossos dias analisa o indivíduo, dirigindo-se a ele como um ser único, que se diferencia de todos os outros. Coloca também cada vez mais à disposição dos indivíduos o maior número de suportes informativos possível, que parecem permitir que cada um possa traçar o percurso que mais lhe convém. Um sujeito consegue chamar à atenção pelo que o distingue. Quando se fala de um indivíduo único, fala-se de um indivíduo com capacidade de saber o que quer e que se reconhece a si mesmo. Um individuo com inteligência emocional, criatividade e afectividade. O homem racional tem a capacidade de re-

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flectir sobre si próprio e de valorizar essa capacidade através da importância atribuída às suas representações construídas ao longo do tempo. A esfera mercantil, comercial, procura dar resposta a esta tendência, partindo da exploração da ideia de que "cada indivíduo é único", orientando as escolhas do consumidor para produtos que satisfazem as suas necessidades específicas; mas na realidade, existem obstáculos a uma personalização da oferta, nomeadamente: a multiplicação das referências e dos custos industriais e a necessidade de uma atenção redobrada no que diz respeito à gestão de stocks e à apresentação dos produtos. A solução tem passado, em grande parte, pela hiper-segmentação nas linhas e gamas de produtos a ponto de criar a ilusão de personalização, ou seja, a oferta não vai verdadeiramente ao encontro das especificidades de cada pessoa, mas afirma-se no mercado como se o fizesse.


MECÂNICA DO ERRO Partindo desta noção de um diálogo entre singularidade e reprodutividade, surge uma associação à análise do processo criativo. Neste sentido, pretendo aqui introduzir a noção de uma hipótese (à falta de validação científica ou factual) Cultura de Matriz. Ora imaginem: Jovito é formado em design gráfico. Com o curso terminado, decide procurar trabalho. Por necessidades temporais-financeiras, decide candidatar-se a uma vaga na área da publicidade. Na escola, aprendeu a utilizar ferramentas digitais de Desktop Publishing das quais se destaca o incontornável Adobe Creative Suite, considerado universal para o meio. Actualmente, a internet proporciona-lhe moodboards de inspiração, plug-ins e matrizes (ou templates, como também pelo inglês as conhecemos): fórmulas pré-estabelecidas, destinadas à optimização de processos e fluxos de trabalho – resumindo, à sistematização e à standardização de processos criativos – tendo como objectivo um acompanhamento do ritmo do exponencial crescimento das demandas do mercado.

Arriscamos assim a perpetuação de uma sabedoria técnica desprovida de pensamento crítico, mundialmente, no âmbito da educação e não só, denota-se uma tendência à “profissionalização da criatividade”. Artistas, Designers, entre outros (retenha-se que os contornos, semelhanças e disparidades entre ambos se revelam muito dinâmicos – conversa a desenvolver em outros fóruns) são ensinados a levar a cabo pensamentos formulados e a utilizar ferramentas tecnológicas (digitais) abdicando por consequência de mecanismos criativos que revelam processos e por sua vez resultados inesperados. O maior potencial criativo está nas nossas próprias mãos, no assumir da nossa capacidade de errar – de seguir por desvios resultantes do processo, de escapar às regras impostas pelo passeio da estrada. Provocan-

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do aqui o potencial da experimentação, falamos aqui de um equilíbrio entre uma busca pela proporção e o equilíbrio formal, por um lado, e por outro de abertura à magia do acaso, entre o exercício da proporcionalidade geométrica e um certo prezo pela genuinidade de um traço manual. Para nós designers, é importante o exercício da visualização. Visualiza então uma “grelha”, uma trama quadrangular, regular, de linhas verticais e horizontais. Pensar as estruturas das “coisas”, os seus esqueletos, ajuda-nos a criar a espinha dorsal que nos apoia no encontro de um equilíbrio formal. A

grelha representa para nós uma base, uma tela segmentada que define limites (sempre questionáveis) pelos quais regemos a nossa execução criativa. A real questão encontra-se em procurar um modelo híbrido entre ambos universos, ou tendências, procurando estabelecer um jogo de forças, um equilíbrio que nos permita estar conscientes da estrutura (a proporção, o equilíbrio formal) e nos dote também de uma certa flexibilidade, de uma abertura ao inesperado, ao não-formal, ao limiar do impossível, do especulativo, do imaginário, que no fundo, no fundo, é o que mais toca a essência do ser.

Sobre DESIGN Talk

O DESIGN Talk é uma plataforma física e digital de promoção de debates, serviços, pesquisa, inovação e criatividade voltados para o Design em Moçambique e no mundo, cujo objectivo é contribuir com soluções inovadoras e funcionais para o crescimento das instituições e pessoas. O DESIGN Talk está virada para comunidade, comunicação, educação e empreendedorismo. Compreende a área como imprescindível em qualquer acção humana, com objectivos voltados para a resolução de prob-

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lemas virados para a funcionalidade, estética e bem-estar. DESIGN Talk é a primeira plataforma do género em Moçambique. DEZAINE a primeira Revista da especialidade. Estamos centrados na transformação social. Abrimos espaço para criativos, incentivamos novas soluções e interligamos pessoas e instituições. Um espaço de interacção, troca de experiência e parcerias inteligentes. O DESIGN Talk é representado pelos seus fundadores, Mélio Tinga e Adelium Castelo, ambos designers.


Dicas

Adelium Castelo

O uso de ferramentas de edição e desenho vectorial não representa o que realmente é o design em si. O design enquanto disciplina é uma vasta área que representa muitas vezes como resolvemos os nossos problemas, inclusive na comunicação. As ferramentas aceleram o processo de concepção e criação, poupam tempo, e não podemos negar a importância que elas têm hoje. Na certa já terá se deparado com uma fotografia com um efeito a cores para lá de diferente. Imaginamos que já tenha ouvido falar do Duotone. Se leu (nesta revista) sobre as tendências do Design para 2018, provavelmente viu sobre este efeito que em si não é tão novo como pode parecer, entretanto, continua marcando a sua presença e aplicado de formas muito criativas e inovadoras. A Revista Isto É, define o efeito como “uma reprodução de meios tons de uma imagem

usando a sobreposição de uma cor contrastante em relacção a uma outra cor.” Em Moçambique temos o exemplo da campanha concebida pela Grow, aquando da chegada da Baía Mall e também a campanha de lançamento desta revista, editada pelo DESIGN Talk. O objectivo fulcral deste artigo é dar algumas dicas do modo como se pode obter o resultado desse efeito usando o Adobe Illustrator (Ai). Como é natural, precisará do Ai e uma fotografia a seu gosto. Um dos princípios, nada novos, que chegou a caracterizar a arte no Renascimento com a valorização do claro e escuro e até hoje usado pelos designers de todo o mundo para a concepção e boa apresentação dos seus trabalhos é o princípio do contraste e é dele que se baseia este efeito, o contraste com base nas cores. Sem mais delongas, vamos colocar a mão na massa.

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1º Passo Criado o documento no tamanho que achar ideal, crie dois pequenos rectângulos (para referência de cores) fora da página e preencha-os com a mesma ou outras cores em diferentes tonalidades, desde que tenham entre si um bom contraste, do mais escuro ao mais claro. Para isso pode também usar o circulo cromático, escolhendo cores opostas. Ex.: Rect.1 #351b51 e Rect.2 #cc317f 2º Passo Seleccione a ferramenta rectângulo e crie um rectângulo (ou qualquer outra forma geométrica conforme a sua necessidade) sobre a área reservada para a imagem e ajuste a sua imagem exactamente como gostaria que estivesse enquadrada dentro da forma, faça duas cópias (Ctrl + C e Ctrl + V/F) e guarde de lado.

3º Passo Seleccione a forma e a imagem e clicka em Ctrl + 7 ou vá ao menú object + Clipping Mask + Clip Mask + Enter e terá a sua imagem envolvida pela forma segundo os seus limites. 4º Passo Arraste uma das cópias (que fez no 2º passo) da forma, posicione exactamente sobre a imagem e preencha com a tonalidade mais escura (irá funcionar para definir as sombras da imagem) da cor com a qual escolheu trabalhar. 5º Passo Faça Cut da imagem (Ctrl X), selecciona a forma que acabou de preencher com a cor escura e vá o menú Opacity, clicla em Make Mask e Invert Mask. Terá assim a sua primeira cor aplicada e já com um efeito agradável. 6º Passo Seleccione e outra cópia da forma original (Conforme o 2º passo) e preencha com a tonalidade mais clara da cor com a qual escolheu trabalhar, posicione-a sobre a imagem recém escurecida e mande-a para trás (Right Click + Arrange + Send to Back) e agora rebente os

fogos de artifício, porque chegou ao fim ;-) Grato pela sua atenção, não se prenda a apenas esta maneira de fazer este efeito, de certo que existem várias outras. Esta foi apenas uma dica! Deixe a sua imaginação comandar e verá muita coisa maravilhosa que poderá criar baseado neste efeito. Continue lendo sobre design e inclusive sobre história da arte e verá como as técnicas foram se desevolvendo, rompidas e adoptadas novas ou de outras formas com o curso do tempo até chegarmos aos dias de hoje.

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Produtividade

Dicas para aumentar a produtividade

A

improdutividade e a desorganização são alguns factores críticos no mundo profissional e que comprometem o sucesso de uma empresa ou a progressão de qualquer profissional. São inúmeros motivos por detrás dessa improdutividade e desorganização tais como: não saber delegar tarefas, não saber definir prioridades, não definir de forma clara as metas entre outros. A seguir apresentamos cinco dicas que o ajudarão a ser mais produtivo.

1. Defina prioridades

Agenda tudo o que precisa ser feito em um bloco de notas, celular ou mesmo em seu computador, deste modo sua cabeça fica livre para se concentrar em coisas mais importantes. Defina na sua lista tarefas prioritárias, coloque-as em ordem de prioridade, assim evita ter trabalhos acumulados.

2. Trace a meta do dia, da semana ou do mês

Defina as metas diárias, semanais e as mensais, e trabalhe arduamente para cumprir cada uma delas de forma rigorosa. No caso das tarefas maiores, a dica é dividi-la em partes menores, definindo os prazos de cada uma delas. Assim, tornar-se-á fácil realizar e você não ficará paralisado diante de

um problema que parece ser grande.

3. Delegue tarefas

Nem sempre conseguimos realizar todas tarefas pretendidas, delegar é uma saída quando se trata de trabalho colectivo e caso esteja indisponível ou ausente. Delegue tarefas a sua equipe ou a pessoas de confiança e competentes.

4. Experimente aplicativos de gestão de tarefas

Hoje em dia é muito comum trabalhar on-line, vários aplicativos podem ser experimentados para gestão de tarefas e do tempo, de modo a melhorar a produtividade. Alguns deles são: Evernote, Rescue Time, Asana, Productivity Owl, Todoist, Remember the Millk.

5. Trabalhe só na hora do trabalho

Mantenha -se saudável, com uma vida social activa, leia, escreva, assista, saia com sua família, namorada e amigos. É importante garantir que todos os dias você esteja revigorado para dar novas opiniões e solucionar os problemas de forma diferente, para isso precisa ter momentos livres e evitar estar sempre cansado.

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“ENTRE Nós”

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Revista dezaine ed 1  

DEZAINE, é uma Revista de Design, Criatividade e Inovação, propriedade do DESIGN Talk, que pretende ser um espaço de encontros entre designe...

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