Issuu on Google+


EXPEDITO CARLOS STEPHANI BASTOS

MOTORIZAÇÃO NO EXÉRCITO BRASILEIRO 1906 a 1941


Editoração e Tratamento de Imagens:

Newber Wesley de Carvalho e Silva

Capa:

Autor e Newber Wesley

Fotos da Capa e Contra Capa:

Seção de Periódicos UFJF/Defesa e M.M.C.M.S.

Ilustração:

Gilson Marôco

______________________________________________________ Expedito Carlos Stephani Bastos Motorização no Exército Brasileiro 1906 - 1941 Expedito Carlos Stephani Bastos. – Juiz de Fora: O Autor e UFJF/Defesa 2012. 126 p.: il. ISBN 978-85-915398-0-2 1. Veículos militares. 2. Motorização. 3. Exército – Brasil. I.Título. ______________________________________________________


Dedico o presente livro a todos os integrantes da Turma de Outubro de 1940 do “Centro de Instrução de Motorização e Mecanização – C.I.M.M.” Essa dedicatória baseia-se no fato de essa turma ser considerada de transição: pois foi nesse período que o Exército começa a abandonar o modelo francês para adotar o americano, já em plena Segunda Guerra Mundial. O abandono progressivo da tração animal, somado às vantagens do motor à explosão e sua adequação aos veículos motorizados, em diversas configurações, abriu uma nova era no Exército e no país. Este livro, então, resgata um pouco dessa incrível trajetória da motorização em seus momentos iniciais, nos mostrando como foi consolidada e bem aproveitada, através das mudanças que estavam ocorrendo desde o início do século XX.


Sumário Introdução ........................................................................................ 7 Um Exército hipomóvel ................................................................... 9 Uma grande evolução .................................................................... 19 Uma experiência curiosa ................................................................ 39 A década de ouro no emprego dos veículos automotores .............. 46 Veículos curiosos no Exército: A.D.M.K. Mulus........................... 54 Vidal & Sohn Tempo G-1200 ........................................................ 60 Citroën-Kegresse............................................................................ 65 Krauss-Maffei SdKfz-7 .................................................................. 70 Uma experiência real - Ilha de Fernando de Noronha - 1941 ........ 74 Outros veículos .............................................................................. 83 Reboques Matra ............................................................................. 87 A primeira tentativa de padronização ............................................ 91 Grande contrato com a Alemanha ................................................ 100 Manobras e desfiles militares: Saicã 1940 ................................... 105 Vale do Paraíba 1940 ................................................................... 108 Desfiles militares.......................................................................... 112 Esquadrão de Trem ...................................................................... 118 Considerações finais..................................................................... 122 Bibliografia .................................................................................. 124 Sobre o autor ................................................................................ 126


Introdução Os primeiros veículos motorizados incorporados ao Exército Brasileiro, datam de 1906, quando foram adquiridos na França, veículos Panhard & Lavassor, dos tipos ambulância e carga para equiparem o Serviço de Saúde do Exército, na Capital Federal, no Rio de Janeiro, o que se tornou uma grande novidade e teve vários desdobramentos nos anos seguintes com outras aquisições. Sem dúvida fora uma tentativa isolada, onde médicos do Exército Brasileiro mantinham uma boa relação com seus pares franceses, e naquele momento ocorria uma grande evolução em relação aos veículos automotores na França, onde diversos fabricantes de carroceria estavam adaptando diversos chassis para uso militar, principalmente como veículos automotores para transmissões, os quais podiam com muito mais rapidez e facilidade expandirem as linhas de comunicação, utilizando o seu compartimento traseiro para levarem grande quantidade de fios a serem estendidos entre diversas localidades. Posteriormente, passaram a adaptá-los como veículos radiológicos, que podiam atender os pacientes, no caso militares, que se encontravam servindo em diversos cantos do país e em suas colônias, dando uma mobilidade e conforto àquelas tropas até então inexistente. Daí surgiram as ambulâncias automóveis que iriam ser um fator importantíssimo nos anos vindouros. Tratava-se de um momento importante onde nas nações mais desenvolvidas os veículos automotores estavam ocupando importante papel no emprego militar, o que ficou demonstrado com a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) onde mostrou sua importância. Com o fim deste conflito e a consolidação do uso de veículos para fins militares, nos principais exércitos do mundo, o Exército Brasileiro não fugiu à regra, pois essa novidade passou a exercer um certo fascínio junto à jovem oficialidade, o mesmo ocorrendo com as Forças Públicas Estaduais. Os primeiros veículos a serem incorporados ao Exército, em quantidade, foram, inicialmente, os versáteis e pequenos caminhões modelos FORD T, isso no início dos anos de 1920, não só devido ao fato da Ford ter sido a primeira montadora de veículos a se instalar no Brasil em 1919, mas também pelo fato de serem produzidos em grande quantidade. Esses veícuMotorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

|7


Fotos: Autor

Reconstituição elaborada pelo autor na escala 1:35, sendo a carroça toda em scratch, de um Carro Transporte de Água Potável, de 250 litros, construído na Fábrica de Curitiba - FC - no Paraná, usado no Exército brasileiro

Viatura hipomóvel transporte de água de 250 litros, preservada no Museu Militar do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, RS, e fabricada pela Fábrica de Curitiba. Notar a placa do fabricante, com o ano de fabricação, mas sem número de série

14 | Expedito Carlos Stephani Bastos


Uma grande evolução No final dos anos de 1910, o Exército enviou à França, uma Comissão militar brasileira para visitar a fábrica Renault, em Paris, com o intuito de adquirir alguns veículos ambulâncias, o que de fato ocorreu em 1921. Em 1923 foi criado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, o Serviço Central de Transportes do Exército (S.C.T.), equipado com diversos modelos de caminhões e veículos para uso militar. A estrutura montada era impressionante para os padrões da época, pois em relação aos veículos, estes eram adquiridos somente o chassi, o motor e a parte dianteira, sendo posteriormente encarroçados na própria unidade que possuía um parque para montagem e manutenção, com serviços de carpintaria para cabines e carrocerias, borracharia, funilaria, serviços para baterias e mecânica em geral, além de postos de combustível e até elevadores hidráulicos para efetuarem manutenção e lavagem. Isto dificulta um pouco a identificação destes veículos, pois eles sempre apresentam grandes diferenças com os modelos comercializados e produzidos em série por seus fabricantes em seus países de origem Havia uma pequena quantidade de veículos motorizados no Exército, mas boa parte das unidades ainda estava equipada com viaturas hipomóveis, tracionadas por cavalos, e no caso da artilharia os canhões muitas vezes o eram por junta de bois, coisa comum até próximo do final dos anos de 1930. A primeira grande utilização de veículos automotores para fins militares ocorreu durante a Revolução de 1924, principalmente na frente do Paraná, onde o General Rondon, comandante daquele setor empregou diversos veículos civis e militares nesta campanha, em diversas funções, desde ambulâncias para transporte de feridos a pequenos caminhões para transporte de tropas, muito embora o suporte logístico de víveres, combustível e outros itens fosse todo feito por enormes carroças puxadas por seis cavalos, denominadas de carroção tipo colonial, muito empregado naquela região. Foi especialmente montada um oficina para adaptar veículos civis e caminhões em ambulâncias, e para carga em geral. Também é comum vermos tropas na capital de São Paulo sendo transportadas em caminhões civis Ford, requisitados de empresas privadas como a Serraria União, por exemplo, durante o ciclo revolucionário que assolou Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

| 19


Coleção autor

Os primeiros manuais regulamentando o uso de veículos automotores, no Exército Brasileiro, publicados em 1925 e 1926 onde descreviam com detalhes esta inovação

Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

| 25


Fotos: Coleção autor

Setor de borracharia do S.C.T.

Setor de manutenção do S.C.T.

28 | Expedito Carlos Stephani Bastos


Fotos: Coleção autor

Oficina de construção de ambulâncias e caminhões para o Exército em Ponta Grossa - PR. Na realidade um adaptadora de veículos

Ambulâncias Ford TT do Exército, no Paraná, junto a um hospital de campanha

32 | Expedito Carlos Stephani Bastos


Foto: S.P.UFJF/Defesa Coleção autor

Caminhões Chevrolet do 1º Grupo de Artilharia Pesada

Manual do Ford T

38 | Expedito Carlos Stephani Bastos


Infelizmente nenhum sobreviveu para fazer parte do acervo do Museu do Exército, muito embora vários exemplares estão preservados pelo mundo afora em diversos Museus Militares, principalmente na Europa. Já por aqui existem alguns em mãos de particulares. FICHA TÉCNICA:

Foto: S.P. UFJF/Defesa

País: Alemanha Tipo: Carro Comando 4x4 Modelo: Tempo G-1200 Fabricante: Vidal & Sohn Tempo-Werk GmbH Comprimento: 4,0m - Largura: 1,68m - Altura: 1,50m Motor: Dois ILO WEGR 2/300T, dois tempos, dois cilindros, 594cc, 19hp, refrigerado a água, alimentado por gasolina com mistura de óleo. Caixa de marchas: Duas, uma dianteira e outra traseira, 4 à frente e uma a ré, modelo Hermes G6. Sistema elétrico: Bosch, 6 volts, alternador 75W Peso: 1160kg Velocidade máxima 70km/h com os dois motores a 3.500rpm Capacidade de combustível: 59 litros, 32 no tanque dianteiro e 27 no traseiro. Raio de ação: 500km aproximadamente Inclinação máxima: 30º Pneus: 5.00-17, todo terreno. Diâmetro de giro: 7,5m

62 | Expedito Carlos Stephani Bastos


AHEx

Parecer conjunto, datado de 25 de setembro de 1939, assinado pelo chefe da Comissão Militar Brasileira e o representante da Matra-Werke, alertando para futuros problemas que em virtude da guerra com a Polônia e as posições tomadas pela Inglaterra e França. O contrato para a compra de equipamentos militares poderia sofrer atrasos independentemente da vontade da empresa, conforme previsto em sua cláusula X, evitando-se as multas contratuais previstas. Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

| 89


Foto: S.P. UFJF/Defesa Foto: AHEx

Caminhões Ford transportando canhões de montanha Schneider de 75mm, da Escola Militar do Realengo, RJ, em desfile militar de 7 de setembro de 1940

Capa do catálogo da empresa Henschel & Sohn apresentando seus caminhões em 1939 Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

| 95


Fotos: S.P. UFJF/Defesa

Caminhões Chevrolet Tigre desfilando no Rio de Janeiro no final dos anos de 1930, em comemoração ao dia da Independência, 7 de Setembro. Notar a ausência de portas

Caminhões Diamond T Model 614, rebocando canhões antiaéreos Krupp C56 de 88 mm e sua respectiva guarnição, no Rio de Janeiro

Caminhões Chevrolet 1935 do 1º Grupo de Artilharia de Dorso, no Rio de Janeiro, no final dos anos 30, transportando canhões de montanha Schneider de 75mm

Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

| 115


Fotos: 20º B.I.B.

Caminhões Ford transportando canhão de montanha Schneider 75mm e sua guarnição, em Curitiba, PR, em 1941

Caminhões Chevrolet de 1 ton, militarizados, desfilando em Curitiba, PR, em 1941

Caminhões Chevrolet Tigre desfilando em Curitiba, PR, 1941

Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941

| 117


Bibliografia: A História da Indústria de Autopeças no Brasil, Tempo & Memória Comercial Ltda, São Paulo, 2000; Álbum A Campanha do Paraná –1924 – 25. Impressos nas Officinas de ESPERIA, Milão, sem data; Anais do Exército Brasileiro, anos 1938, 1939 e 1940. Imprensa Militar, Rio de Janeiro; Gunnell, John. Standart Catalog of American Light Trucks – Pickups, Panels, Vans, all models 1896 – 1986. Krause Publications, USA, 1987; Aragão, Campos de. Guardando Céu nos Trópicos (Ilha de Fernando de Noronha), Biblioteca do Exército, Rio de Janeiro, 1950; A Revolução de 1930 e seus antecedentes. Coletânea de fotografias organizada pelo CPDOC/ FGV. Editora Nova Fronteira S/A, Rio de Janeiro, 1980; A Revolução Nacional – Documentos para a História. Edição de O Cruzeiro, 1930; Bento, Cláudio Moreira. História da 3º Região Militar 1889 - 1953, volume 2, Projeto História do Exército no Rio Grande do Sul, 1995; Bastos, Expedito C.S. Renault FT-17 O Primeiro carro de combate do Exército Brasileiro, UFJF/Defesa e Taller Comunicação, Juiz de Fora e Bauru, 2011; _____, Primórdios da Motorização no Exército Brasileiro, 1919 -1940, in Revista da Cultura, ano III, nº 4, maio de 2003, pag. 24/31, FUNCEB, Rio de Janeiro; _____, Half-Track, O Citroën meia-lagarta, in Revista 4x4 & Cia, nº 116, março de 2003, pag. 38/39, ArtPlus Editora, São Paulo; _____, Mulus, um estranho no ninho, in Revista 4x4&Cia, nº 87, outubro de 2000, pag. 46/47, ArtPulus Editora, São Paulo; _____, Tecnologia alemã no Exército Brasileiro, in Revista 4x4&Cia, nº 88, novembro de 2000, pag. 52/53, Art Plus Editora, São Paulo; _____, O futuro no passado Tempo G 1200, in Revista 4x4&Cia, nº 107, junho de 2002, pag. 32/33, ArtPlus Editora, São Paulo; _____, Brazil’s German Half-Track, in Revista Military Modelling, vol. 31, nº 8, 2001, pag. 26/27, Nexus Special Interests, Swanley, England; _____, A História da Motomecanização no Exército Brasileiro, in Revista Cultural da EsMB, 4ª Edição, ano 2003, pag.15/16, Rio de Janeiro; Bastos, Júlio de Miranda. Depoimento. Edição do autor, Rio de Janeiro, 1948; Boletim do Exército. Diversos números dos anos de 1937 e 1939; Brussolo, Armando. Tudo Pelo Brasil – Diário de um repórter sobre o movimento constitucionalista. Editora Paulista, São Paulo, 1932; Contratos firmados com autorização do Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, entre o Ministério da Guerra e as seguintes firmas: Locomotivfabrik Krauss & Comp. I.A..Maffei AG - 28.07.1939; Daimler-Benz AG 28.07.1939; Bussing-Nag Vereeinigte Nutekraftwagen AG, 28.07.1939; Henschel & Sohn G.M.B.H.,28.07.1939; Fried Krupp AG, 28.09.1939; Arquivo Histórico do Exército, Rio de Janeiro; Crismon, Fred. U.S.Military Wheeled Vehicles, Crestline Publishing Co. Inc., Sarasota, USA, 1983; Del Re, Januário João. A Intendência Militar através dos tempos, Companhia Editôra Ameri-

124 | Expedito Carlos Stephani Bastos


Motorização no EB 1906-1941