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UNIVERSIDADE VILA VELHA ARQUITETURA E URBANISMO

DANUBIA GIACOMIN

PET CENTER: UMA VISテグ ARQUITETテ年ICA COMO PADRテグ DE QUALIDADE ESPACIAL

VILA VELHA 2015


DANUBIA GIACOMIN

PET CENTER: UMA VISÃO ARQUITETÔNICA COMO PADRÃO DE QUALIDADE ESPACIAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito para obtenção do Grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Profª Msc. Priscilla Silva Loureiro

VILA VELHA 2015


DANUBIA GIACOMIN

PET CENTER: UMA VISÃO ARQUITETÔNICA COMO PADRÃO DE QUALIDADE ESPACIAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito para obtenção do Grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

COMISSÃO EXAMINADORA

_________________________________ Profª Msc. Priscilla Silva Loureiro Universidade Vila Velha Orientadora

_________________________________ Prof. Augusto Cezar Gomes Braga Universidade Vila Velha Coorientador

_________________________________ Paulo Eduardo Cunha Médico Veterinário - CRMV-ES-0241 3° Membro da Banca - Externo

Parecer da Comissão Examinadora em _______ de ____________________de 2015. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________


AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, que me deu a vida e a força pra continuar esta jornada. Aos meus pais, pelo incentivo e apoio que me dão em tudo que eu faço. A minha irmã, por compreender e apoiar.

A minha orientadora, Priscilla, que teve muita paciência e sabedoria em me guiar nesse trabalho. Ao meu coorientador, Augusto, que mesmo sem tempo aceitou o meu convite. E ao meu terceiro membro, Dr. Paulo Eduardo Cunha, pela ajuda no início desse trabalho e pelo aceite de fazer parte da minha banca.


“ ”


RESUMO A felicidade que traz o animal de companhia ao seu tutor e o sentimento de pertencimento a família são emoções que fazem parte das relações humanas e necessitam também de estudos e propostas de novos espaços que comportem suas demandas. Atualmente, esse tema tem ganhado espaço e cresce enquanto negócio, seguindo em ascendência no mercado mundial. O objetivo desse trabalho é estudar os espaços relacionados aos cuidados dos animais de companhia e criar ambientes diferenciados, acrescentando-os qualidades espaciais, a partir de parâmetros projetuais. Para isso, foram realizadas pesquisas relacionadas ao âmbito legislativo e ao mercado pet e análise de edificações de realce mundial relacionadas a esse assunto, destacando espaços relevantes e referências projetuais, criando assim, embasamentos espaciais qualitativos e aplicando-os em projeto.

Palavras-Chave: Pet Center, Pet Shop, Veterinária., Projeto.


ABSTRACT The happiness it brings the pet to your tutor and the feeling of belonging to the family are emotions that are part of human relationships and also require studies and new proposals spaces which impose their demands. Currently, this topic has gained ground and grows as business, following in the ascendancy in the world market. The aim of this work is to study the spaces related to the care of pets and create different environments, adding to the spatial qualities, from design specification parameters. For this, research has been done related to the legislative framework and the pet market and analysis of global enhancement of buildings related to this subject, emphasizing relevant spaces and projective references, thus creating qualitative space emplacements and applying them in design.

Keywords: Pet Center, Pet Supplies, Veterinary, Project.


LISTA DE FIGURAS Figura 1: Exemplo de Sala de Cirurgia Veterinária ................................................................................ 22 Figura 2: Projeto Pet Shop Harness Dog no Soho ................................................................................. 23 Figura 3: Projeto Pet Shop Canine Style ................................................................................................ 23 Figura 4: Exemplo de área de lazer ....................................................................................................... 25 Figura 5: Localização lote Palm Springs Animal Care Facility ................................................................ 29 Figura 6: Situação - Palm Springs Animal Care Facility.......................................................................... 29 Figura 7: Acesso Principal - Visitantes e Clientes .................................................................................. 30 Figura 8: Acesso Principal - Serviço ....................................................................................................... 30 Figura 9: Volumetria: Modernidade X Aridez........................................................................................ 31 Figura 10: Área Aberta para Entretenimento e Terapia Canina ........................................................... 32 Figura 11: Estadia Canina ...................................................................................................................... 33 Figura 12: Setor Canino ......................................................................................................................... 33 Figura 13: Setor Felino e Animais Menores .......................................................................................... 34 Figura 14: Recepção do Setor Felino e Animais Menores ..................................................................... 35 Figura 15: Entrada para a Setor Canino e Área de Entretenimento Felino ........................................... 35 Figura 16: Setor de Apoio - Palm Springs Animal Care Facility ............................................................. 36 Figura 17: Circulação Geral - Palm Springs Animal Care Facility ........................................................... 37 Figura 18: Localização lote da Memphis Veterinary Specialists............................................................ 40 Figura 19: Implantação da Clínica ......................................................................................................... 40 Figura 20: Entrada Principal - Visitantes e Clientes............................................................................... 41 Figura 21: Entrada Principal - Serviço ................................................................................................... 41 Figura 22: Volumetria e emprego dos materiais................................................................................... 42 Figura 23: Esquema construtivo mostrando o emprego do concreto, vidro e aço .............................. 43 Figura 24: Corte Esquemático - Iluminação por Sheds - Parte 1 ........................................................... 43 Figura 25: Corte Esquemático - Iluminação por Sheds - Parte 2 ........................................................... 44 Figura 26: Iluminação Natural por Sheds .............................................................................................. 44 Figura 27: Circulação Interna ................................................................................................................ 45 Figura 28: Setorização - Planta Baixa Térreo......................................................................................... 46 Figura 29: Setorização - Planta Baixa 2° Pavto ...................................................................................... 46 Figura 30: Circulação - Planta Baixa Térreo........................................................................................... 47 Figura 31: Circulação - Planta Baixa 2 pavto ......................................................................................... 47 Figura 32: Localização do Terreno ........................................................................................................ 51


Figura 33: Localização do Terreno e Entorno ........................................................................................ 52 Figura 34: Panorâmica do Terreno ........................................................................................................ 52 Figura 35: Condicionantes do Terreno Pré-Projeto .............................................................................. 53 Figura 36: Fluxograma Geral ................................................................................................................. 56 Figura 37: Imagem Arquitetura Indiana Rica ........................................................................................ 57 Figura 38: Planta de Localização ........................................................................................................... 58 Figura 39: Croqui Inicial – Fachada Principal......................................................................................... 58 Figura 40: Volumetria ............................................................................................................................ 59 Figura 41: Acessos – Planta Baixa do Térreo ......................................................................................... 60 Figura 42: Planta Baixa do Térreo - Setorização ................................................................................... 61 Figura 43: Recortes do Térreo - Setor Administrativo / Funcionários .................................................. 63 Figura 44: Recortes do Térreo - Saídas (Lixos) ...................................................................................... 64 Figura 45: Recortes do Térreo - Setor Clínica........................................................................................ 65 Figura 46: Recepção Felina.................................................................................................................... 65 Figura 47: Recepção Felina.................................................................................................................... 66 Figura 48: Sala Recreativa Felina ........................................................................................................... 66 Figura 49: Recortes do Térreo - e Adestramento / Fisioterapia ........................................................... 67 Figura 50: Recortes do Térreo – Pet Shop............................................................................................. 68 Figura 51: Planta Baixa do Térreo - Fluxos ............................................................................................ 69 Figura 52: Planta Baixa do Subsolo - Setorização.................................................................................. 71 Figura 53: Recortes do Subsolo - Setor Administrativo, Morgue e Área Técnica ................................. 72 Figura 54: Render da Área de Descanso de Funcionário e Respiro ...................................................... 73 Figura 55 Recortes do Subsolo - Setor Administrativo.......................................................................... 74 Figura 56: Planta Baixa do Subsolo - Fluxos .......................................................................................... 75 Figura 57: Planta Baixa do 1° Andar - Setorização ................................................................................ 76 Figura 58: Recortes do 1° Andar - Setor Cirúrgico ................................................................................ 77 Figura 59: Recortes do 1° Andar - Setor Internação ............................................................................. 78 Figura 60: Render do projeto – Terraço Jardim .................................................................................... 79 Figura 61: Planta Baixa do 1° Andar - Fluxos ......................................................................................... 80 Figura 62: Planta Baixa do Pavimento Técnico e Caixa D’Água - Setorização, respectivamente.......... 82 Figura 63: Imagem Manta Vinílica Fademac ......................................................................................... 85 Figura 64: Composição da Fachada da Edificação................................................................................. 86 Figura 65: Perspectiva da Edificação ..................................................................................................... 86 Figura 66: Perspectiva da Edificação ..................................................................................................... 86 Figura 67: Perspectiva da Edificação ..................................................................................................... 87


Figura 68: Perspectiva da Edificação ..................................................................................................... 87 Figura 69: Pavimento Térreo e Superior, respectivamente .................................................................. 88 Figura 70: Esquema de Parede de Dry Wall com Isolamento Acústico e Impermeabilização .............. 89 Figura 71: Esquema Forro Acústico ....................................................................................................... 89 Figura 72: Esquema de Janelas Antirruído ............................................................................................ 90 Figura 73: Perspectiva Fachada Dupla .................................................................................................. 91 Figura 74: Estudo Solar das Recepções da Clínica – Horários: 8:00, 12:00 e 16:00hs .......................... 91 Figura 75: Esquema Clarabóia – Pet Shop............................................................................................. 92 Figura 76: Perspectiva do Terraço Jardim ............................................................................................. 92 Figura 77: Perspectiva do Terraço Jardim ............................................................................................. 93 Figura 78: Perspectiva do Terraço Jardim ............................................................................................. 93 Figura 79: Perspectiva da Área de Descanso para os Funcionários ...................................................... 94 Figura 80: Perspectiva da Área de Descanso para os Funcionários ...................................................... 94 Figura 81: Sistema Fluxo Total de Captação de Água Pluvial ................................................................ 95 Figura 82: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Pet Shop ........................................................................... 106 Figura 83: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Clínica Veterinária............................................................ 106 Figura 84: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Cirúrgico........................................................................... 107 Figura 85: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Internação........................................................................ 107 Figura 86: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Funcional ......................................................................... 108 Figura 87: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Hotel ................................................................................ 108 Figura 88: APÊNDICE 2: Fluxograma Setor Área Recreativa e/ou Adestramento ............................... 109 Figura 89: APÊNDICE 2: Fluxo para os lixos e cadáveres ..................................................................... 109 Figura 90: APÊNDICE 3: Perspectiva do Terraço Jardim ...................................................................... 110 Figura 91: APÊNDICE 3: Perspectiva do Terraço Jardim ...................................................................... 110 Figura 92: APÊNDICE 3: Perspectiva do Terraço Jardim ...................................................................... 110 Figura 93: APÊNDICE 3: Perspectiva do Terraço Jardim ...................................................................... 111 Figura 94: APÊNDICE 3: Perspectiva do Terraço Jardim ...................................................................... 111 Figura 95: APÊNDICE 3: Perspectiva do Terraço Jardim ...................................................................... 111


LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Faturamento Mercado Mundial 2013 .................................................................................. 16 Gráfico 2: PIB Brasileiro 2013 ................................................................................................................ 17 Gráfico 3: Faturamento 2013 e Comparação com 2012 ....................................................................... 18


LISTA DE TABELAS Tabela 1: Medidas e Áreas dos principais ambientes do Palm Springs Animal Care Facility................ 38 Tabela 2: Medidas e Áreas dos principais ambientes do Memphis Veterinary Specialists .................. 48 Tabela 3: Medidas e Áreas Mínimas como Padrão Espacial ................................................................. 49 Tabela 4: Quadro V: Coeficientes de Aproveitamento do Terreno (CA) e Parâmetros Urbanísticos ... 54 Tabela 5: Quadro VII: Enquadramento das atividades por grau de impacto urbano e ambiental ....... 54 Tabela 6: Quadro IX: Enquadramentos das atividades permitidas para eixo de Dinamização Urbana 54 Tabela 7: Cálculo dos Índices Urbanísticos ........................................................................................... 55 Tabela 8: Cálculo de Reservatórios – Consumo Diário.......................................................................... 83 Tabela 9: APÊNDICE 1: Tabela de Materiais Especificados para o Centro Cirúrgico ........................... 105


SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 11 OBJETIVOS E METODOLOGIA ....................................................................................... 13 ESTRUTURA DO TRABALHO .......................................................................................... 14 1. CENÁRIO DO SEGUIMENTO “PET”................................................................................ 15 2. ESTRUTURA ESPACIAL E ORIENTAÇÕES PROJETUAIS ..................................................... 19 2.1. Hospitais Veterinários ........................................................................................... 21 2.2. Clínica Veterinária ................................................................................................. 22 2.3. Pet Shop ............................................................................................................... 23 2.4. Consultório e Ambulatório Médico Veterinário ..................................................... 24 2.5. Hotel..................................................................................................................... 24 3. ESTUDOS DE CASO ....................................................................................................... 26 3.1. Palm Springs Animal Care Facility .......................................................................... 27 3.1.1. Implantação: Localização, Condicionantes Climáticos e Acessos .......................... 28 3.1.2. Forma Arquitetônica, Materiais e Técnicas Construtivas ...................................... 31 3.1.3. Programa, Setorização e Fluxos ............................................................................. 32 3.1.4. Considerações para Aplicação Projetual ................................................................ 38 3.2. Memphis Veterinary Specialists............................................................................. 39 3.2.1. Implantação: Localização, Condicionantes Climáticos e Acessos .......................... 39 3.2.2. Forma arquitetônica, Materiais e Técnicas Construtivas ....................................... 42 3.2.3. Programa, Setorização e Fluxos ............................................................................. 45 3.2.4. Considerações para Aplicação Projetual ................................................................ 48 3.3. Considerações dos Estudos de Caso ....................................................................... 49 4. PET CENTER ................................................................................................................. 50 4.1. Localização do Terreno e Análise de suas Condicionantes ...................................... 51


4.1.1. Localização e Entorno ............................................................................................. 51 4.1.2. Condicionantes Climáticos e Ambientais ............................................................... 53 4.1.3. Condicionantes Legais ............................................................................................ 54 4.2. O Projeto .............................................................................................................. 55 4.2.1. Programa de Necessidades .................................................................................... 55 4.2.2. Partido, Implantação e Volumetria ........................................................................ 56 4.2.3. Acesso ..................................................................................................................... 59 4.2.4. Setorização e Fluxos ............................................................................................... 60 4.2.5. Dimensionamento dos Reservatórios de Água Fria ............................................... 82 4.2.6. Materiais de Acabamento e Revestimento ............................................................ 84 4.2.7. Conforto Ambiental e Sustentabilidade: Materiais e Técnicas .............................. 87 4.2.8. Técnicas Construtivas ............................................................................................. 96 4.3. Considerações Finais ............................................................................................. 97 REFERÊNCIAS................................................................................................................... 98 APÊNDICES ................................................................................................................. 104


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INTRODUÇÃO


12 O vínculo entre humanos e os seus respectivos animais de companhia, desde a pré-história, traz ao humano a felicidade das mais diversas formas, além de oferecer os benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais a partir de relação, contribuindo cada vez mais na saúde humana (FARACO, 2013).

O antropomorfismo, segundo CARVALHO (2003, apud Serpell, 2012), é definido como atribuição de estado mental humano a seres não humanos. Essa característica se aplica aos proprietários de animais de companhia, quando verifica-se que os mesmos vêem seus animais como membros da família, recebendo carinho e proteção, sendo tratados como "filhos" (CARVALHO, 2002, apud COHRN, 2012). Neste contexto, o animal tem um papel importante na vida de seus donos: o de satisfazer às necessidades humanas de companhia, amizade, afeto e amor incondicional (CARVALHO, 2008, apud DOTSON, 2012).

E esse fenômeno do antropomorfismo, ou seja, a manifestação de afeto aos animais de companhia, cresce cada vez mais e essa relação é percebida pelo crescimento do consumo de serviços e produtos relacionados a esse assunto (DINIZ, 2004). E para atender essas necessidades surgem as empresas especializadas nesse setor de consumo e de atendimento médico veterinário.

Cabe a estes estabelecimentos e ao profissional Médico Veterinário o papel de contribuir para a expressão de todo o potencial benéfico desta interação, promovendo assim a continuidade e o bem estar de ambos (FARACO, 2013).

Segundo CUNHA (2014), a arquitetura como local físico de contato entre o médico veterinário e os tutores - e também dos animais - pode influenciar nas reações de ambos, podendo prejudicar ou melhorar assim o diagnóstico do animal de companhia.

A partir desta constatação, é verificada a importância de locais seguros e confortáveis, para o melhoramento dos cuidados ao animal de companhia, dando ao humano tutor plena confiança no estabelecimento (AFONSO et al, 2008).


13 Neste trabalho, as problemáticas que se destacam são: Como se pode promover através da arquitetura a qualidade espacial para todos os usuários em um Pet Center, inclusive os animais? Qual seria a proposta programática e projetual adequada à realidade da região Metropolitana da Grande Vitória para um complexo de atendimento para animais de companhia?

OBJETIVOS E METODOLOGIA

A fim de acrescentar qualidades diferenciadas aos espaços relacionados ao atendimento médico veterinário e tratamento dos animais de companhia, foi elaborada uma pesquisa com o intuito de levantar parâmetros projetuais de espaços para Pet Center com objetivo principal de aplicá-los em projeto.

O objetivo geral é de desenvolver estudos e projeto de um Pet Center para aplicação de ambientes diferenciados, de maneira mais calma e atrativa para os animais e seus tutores, a cerca de parâmetros de projeto com foco em qualidade espacial, no intuito de criar um estabelecimento de referência local, com moldes internacionais.

Para que isso ocorra, o desenvolvimento do estudo/projeto apontado propõe alcançar os seguintes objetivos específicos: 

Analisar edificações relacionadas às atividades que se destacam em relação a espaços diversificados e referências projetuais;

Compilar informações que auxilie aos projetistas no desenvolvimento de um Pet Center;

A metodologia empregada baseou-se em pesquisas bibliográficas de textos científicos e em livros de mesmo teor, entrevistas com médicos veterinários, materiais disponibilizados pela internet sobre assuntos relacionados à medicina veterinária e estatísticas no mesmo tema, pesquisas junto aos órgãos (municipais, estaduais e federais), legislações , além de estudos de casos de projetos referenciais, que resultaram em uma aplicação prática projetual.


14 ESTRUTURA DO TRABALHO

Para o alcance dos objetivos propostos fez-se necessário a abordagem dos principais temas, dividido em capítulos, nesta sequência: O Primeiro Capítulo traz informações e pesquisas relacionadas ao mercado, no âmbito internacional, nacional e municipal. O Segundo Capítulo é focado na parte de estruturação de um empreendimento veterinário, caracterizando cada estabelecimento com base nas normas e leis vigentes. O Terceiro Capítulo traz dois estudos de caso, com referência em qualidade espacial. Os projetos são abordados de maneira a focar o diferencial desses tipos de empreendimentos e por fim extrair as suas qualidades espaciais, expondo essas qualidades extraídas de cada estudo de caso e transformadas em parâmetros ambientais para auxiliar no projeto. O Quarto Capítulo expõe, a princípio as condicionantes climáticas e legislativas do terreno escolhido, a relação dos limitantes construtivos e em seguida é apresentado o projeto desenvolvido para o Pet Center.


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1.

CENÁRIO DO

SEGUIMENTO “PET”


16 Atualmente, animais de pequeno porte, como cães e gatos, ocupam cada vez mais espaços na família moderna através do relacionamento afetivo (FARACO, 2013).

Segundo TRAVAGIN (2011), nessa interligação entre humanos e seus animais se faz necessário os cuidados (alimentação, limpeza, saúde). Esse pensamento é que alimenta as estratégias de marketing no setor comercial de produtos e serviços para pet1.

Foi verificado que houve um crescimento considerável nesse segmento nas últimas décadas, criando vários outros tipos de produtos especializados, como por exemplo, alimentos light para cães e gatos obesos, alimentação e serviços diferenciados para animais idosos. Seguindo esse pensamento comercial, os pets alcançaram destaque no cenário mundial (TRAVAGIN, 2011, apud BERNASCONI, 2011).

Em termos globais, esse setor fechou o ano de 2013 com investimento de 102 bilhões de dólares, 7 bilhões a mais do que em 2012 (Gráfico 1). Neste setor o Brasil é o segundo maior mercado do mundo, com 8% do faturamento, apenas atrás dos Estados Unidos (ABINPET, 2013).

Gráfico 1: Faturamento Mercado Mundial 2013 Fonte: Alterada - ABINPET, 2013

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Cães, gatos, aves e peixes, são comumente chamados de “pet”, palavra de origem inglesa, denominando animais de companhia de pequeno porte (MOURA, 2009).


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No Brasil, os primeiros canais de distribuição pet foram os supermercados e lojas agropecuárias. Hoje, os canais estão mais especializados e passam a agregar serviços de limpeza e cuidados. Pet shops, clínicas veterinárias e pet stores, fazem parte desses canais de distribuição. Estima-se no Brasil um total de mais de sessenta mil pontos de venda de pet food, dos quais trinta mil em lojas de auto-serviço e outro tanto em lojas especializadas (TRAVAGIN, 2011, apud BERNASCONI, 2011).

Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET, 2013), o setor brasileiro faturou 15,2 bilhões de reais em 2013. Comparando com outros seguimentos, o setor pet representa cerca de 0,31% do PIB nacional; ficando à frente de setores como Automação Industrial, Geladeiras e Freezers, e Componentes Elétricos e Eletrônicos, conforme pode-se verificar no Gráfico 2.

Gráfico 2: PIB Brasileiro 2013 Fonte: Alterada - ABINPET, 2013

Atualmente, existem no Brasil cerca de 106,17 milhões de animais de companhia, dentre estes 37,1 milhões de cães e 21,3 milhões de gatos. Além deles, há 26,5 milhões de peixes e 19,1 milhões de aves. Outros animais somam 2,17 milhões. O Brasil é considerado a quarta maior nação do mundo em população total de animais de estimação e a segunda em cães e gatos (ABINPET, 2013).


18 A venda de alimentos domina o setor brasileiro e é responsável por quase 66% (Gráfico 3) de todo o faturamento. Em segundo lugar, estão justamente os serviços, como os de banho e tosa, passeios e treinamentos, oferecidos também em pet shops. Essa atividade representa 19% do faturamento nesse negócio de pets (ABINPET, 2013).

Gráfico 3: Faturamento 2013 e Comparação com 2012 Fonte: Alterada - ABINPET, 2013

Segundo a gerente de marketing de uma rede de lojas neste setor em São Paulo (BOCHI, 2011), o consumidor busca comprar primeiramente alimentos (ração) e depois, medicamentos. Mas em relação aos acessórios (roupas, coleiras, brinquedos, etc.), o consumidor faz a compra por impulso, não por necessidade. Essa demanda, conforme estudos pela ABINPET (2013) cresce cada vez mais, justificável pelo sentimento que o humano tem pelo seu animal de companhia, que considera este como parte da família (FARACO, 2013), e “precisa” mima-lo.

Em termos mercadológicos regionais, Vila Velha possui cerca de oitocentos a mil estabelecimentos (TEIXEIRA, 2013), dentre eles casas de ração (venda somente de ração), hospitais veterinários, clínicas veterinárias e pet shops.


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2. ESTRUTURA ESPACIAL E ORIENTAÇÕES PROJETUAIS


20 Este capítulo trata de referências normativas e legais para projeto que regem estabelecimentos relacionados à medicina veterinária e/ou comércio do mesmo gênero, e como eles são estruturados.

Atualmente, conforme pesquisas e entrevistas feitas com profissionais da área de medicina veterinária e consulta ao Conselho de Medicina Veterinária do Espírito Santo (CRMV-ES), existe uma resolução em vigor, a Resolução n. 670 (do dia 10 de agosto de 2000) que apenas conceitua e estabelece condições para o funcionamento de estabelecimentos médicosveterinários.

Porém, em agosto de 2014, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), uma nova resolução que substituirá a de número 670 a partir de Janeiro de 2015. Esta é a Resolução Federal n. 1.015, que regulamentará o funcionamento de estabelecimentos médicoveterinários de atendimento a pequenos animais. Ou seja, rege o funcionamento de estabelecimentos médico-veterinários, suas instalações e os equipamentos necessários aos atendimentos realizados (CFMV, 2014). É nesta resolução que este trabalho se baseia.

Na análise da resolução citada, o que se percebeu foi a falta de mecanismos (parâmetros) que regem os estabelecimentos, sendo de poucas informações, apenas definindo que ambientes/equipamentos devem conter em cada estabelecimento, porém sem estabelecer parâmetros de qualidade espaciais.

A falta de informações por parte das entidades públicas também é um fator que compromete qualquer pesquisa acadêmica ou mesmo profissional. Isso foi constatado através de iniciativas de pesquisas a Prefeitura Municipal, Secretaria de Saúde e Secretaria Ambiental, todos do município de Vila Velha.

A seguir, são mostrados os diferentes estabelecimentos relacionados a atendimento a pequenos animais, seus enfoques e o que cada um deve conter.


21 2.1. Hospitais Veterinários

Conforme artigo 2° da Resolução Federal número 1.015, Hospitais Veterinários são definidos como "[...] estabelecimentos capazes de assegurar assistência médico-veterinária curativa e preventiva aos animais, com atendimento ao público em período integral (24 horas), com presença permanente e sob a responsabilidade técnica de médicos veterinários" (CFMV, 2014, p. 128).

Neste caso, os hospitais devem conter estruturas que possam atender adequadamente os usuários (humanos ou animais) como: o setor de atendimento, setor de diagnóstico, setor cirúrgico, setor de internação e setor de sustentação (CFMV, 2014).

Em seu texto, a resolução (CFMV, 2014) descreve seus parâmetros normativos referente a quais ambientes e equipamentos cada setor deve conter em um hospital veterinário, que são: 

O Setor de Atendimento equivale a área de recepção, com área de acomodações para os animais e seus acompanhantes, salas para consultórios, geladeiras para a acomodação dos medicamentos como vacinas e outros medicamentos e sala de arquivo médico.

O Setor de Diagnósticos são salas com equipamentos laboratoriais e de exames, como de radiologia e ultrassonografia.

O Setor Cirúrgico compreende a todas as salas com equipamentos e mobiliários de um centro cirúrgico, dotado de: sala de preparo de pacientes, sala de antissepsia e paramentação, sala de lavagem e esterilização de materiais (podendo ser suprimida por empresas terceirizadas deste serviço), unidade de recuperação anestésica, a sala e cirurgia com todos os equipamentos de utilização deste serviço, setor de internação e setor de sustentação com área de limpeza e cozinha.

A sala de cirurgia veterinária (Figura 1) deverá possuir as mesmas exigências (biossegurança, central de esterilização e CME) de uma sala de cirurgia humana. Segundo TEIXEIRA (2014)


22 não existe atualmente nenhuma lei que rege esta preocupação com a saúde, por isso eles adotam a base humana como parâmetro.

Figura 1: Exemplo de Sala de Cirurgia Veterinária Fonte: CPV, 2014

O Hospital Veterinário deverá manter convênio ou contrato com empresas devidamente credenciadas para recolhimento de cadáver e resíduos hospitalares (CFMV, 2014).

2.2. Clínica Veterinária

Quando se fala em clínicas veterinárias, a resolução em seu artigo 4° define estes como “[...] estabelecimentos destinados ao atendimento de animais para consultas e tratamentos clínico-cirúrgicos, podendo ou não ter cirurgias e internações, sob a responsabilidade técnica e presença de médico veterinário” (CFMV, 2014).

A clínica possui um porte menor do que hospital, porém mantém sua complexidade. Este estabelecimento deverá possuir o setor de atendimento com área de recepção e consultórios. Pode conter o setor de sustentação (lavanderia, almoxarifado, descanso para funcionários e sanitários), também a área cirúrgica e o setor de internação (este com as


23 mesmas obrigações de um hospital), e se houver o setor de internação é obrigatório o funcionamento por 24 horas, ainda que não haja atendimento ao público (CFMV, 2014).

Em relação aos resíduos hospitalares e cadáveres, conforme a resolução, a Clínica Veterinária deverá manter contrato ou convênio com empresas credenciadas para a sua retirada e destinação (CFMV, 2014).

2.3. Pet Shop

Pet Shop, ou Pet Shopping são estabelecimentos comerciais especializados em venda de animais de companhia, alimentos, produtos de limpeza, brinquedos, medicamentos e outros itens relacionados aos animais de pequeno porte (Figuras 2 e 3). Mas o grande diferencial em relação a "Casa de Ração", segundo OLIVEIRA (2006), são os serviços ofertados, que geralmente se relacionam à saúde e ao bem estar dos animais. Desses, os mais solicitados são os de banho e tosa dos animais, que são periodicamente solicitados pelos seus proprietários.

Figura 2: Projeto Pet Shop Harness Dog no Soho Fonte:FREITAS, 2010

Figura 3: Projeto Pet Shop Canine Style Fonte:AS LOJAS DE NOVA YORK, 2014

Estes estabelecimentos poderão ofertar os serviços de consultas e cirurgias, e quando estes acontecerem, devem estar de acordo com a Resolução Federal n. 1.015 (CFMV, 2014).


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2.4. Consultório e Ambulatório Médico Veterinário

De acordo com o artigo 6° da Resolução Federal número 1.015, Consultórios Veterinários [...] são estabelecimentos de propriedade de Médico Veterinário destinados ao ato básico de consulta clínica, curativos, aplicação de medicamentos e vacinações de animais, sendo vedada a realização de procedimentos anestésicos e/ou cirúrgicos e a internação (CFMV, 2014).

Estes estabelecimentos, por serem de procedimentos básicos, segundo resolução, deverá possuir o setor de atendimento apenas. Este setor deverá conter sala para recepção com sanitário, mesa impermeável com dispositivo de drenagem e fácil higienização, sala de atendimento contendo a geladeira para o estoque e conservação das vacinas e outros produtos, pias de higienização, arquivo médico e armários para equipamentos referentes aos serviços prestados (CFMV, 2014).

Já quando se trata de ambulatórios, a resolução em seu artigo 8° da Resolução, descreve que: [...] são as dependências de estabelecimentos comerciais, industriais, de recreação ou de ensino onde são atendidos os animais pertencentes exclusivamente ao respectivo estabelecimento, para exame clínico e curativos, com acesso independente, vedada a realização de procedimentos anestésicos e/ou cirúrgicos e a internação (CFMV, 2014).

Segundo a Resolução, estes estabelecimentos devem conter as mesmas áreas e equipamentos de um consultório (CFMV, 2014).

2.5. Hotel

Segundo AFONSO at all (2008), “[...] hotelaria é a hospedagem de animais domésticos em ambientes específicos e próprios, dispondo serviços de estadia com conforto e segurança para o animal.” Nos Estados Unidos estes empreendimentos são chamados de Pet Care


25 Center ou Resorts, que oferecem serviços especiais aos seus hóspedes, como tratamento de redução de pesos até tratamentos terapêuticos.

Aqui no Brasil, esse tipo de serviço é relativamente novo. Um exemplo é o estabelecimento Cãopestre Park & Hotel (Figura 4), implantado na região de Itapecerica da Serra (São Paulo), em 2002. Esse local contempla além da hotelaria canina, os mais variados serviços de recreação, passeios, adestramento, vacinações, ambulatório, banho e tosa. Conforme sita AFONSO (2008, apud BARREIRA, 2008), o estabelecimento é munido de playground, campo poliesportivo e piscina, espaços para atender a todos os gostos. Um diferencial marcante é o Dog Day (Dia de Cão), onde o animal passa um dia inteiro no estabelecimento, tendo o direito de usufruir todos os serviços oferecidos pelo local.

Figura 4: Exemplo de área de lazer Fonte: Alterada – CÃOPESTRE, 2014


26

3. ESTUDOS DE CASO


27 Neste capítulo são propostos estudos de caso que buscam apresentar projetos executados de clínicas veterinárias, com enfoques distintos e qualidades espaciais diferenciadas; contribuindo assim para o estudo proposto.

A escolha dos mesmos teve como base o programa diferenciado e a qualidade espacial apresentados, além de suas arquiteturas de destaque mundial. Critérios que auxiliarão no desenvolvimento dos parâmetros espaciais propostos nesse trabalho.

A metodologia de análise desses casos foi estabelecida considerando as premissas para a elaboração dos projetos; suas implantações, condicionantes e acessos; formas arquitetônicas, materiais e técnicas construtivas; além do programa, setorização e seus fluxos.

3.1. Palm Springs Animal Care Facility

Inaugurada em meados de Outubro de 2011, o projeto foi realizado pela parceria entre Poder Público e Privado. O Centro de Tratamento Animal era um empreendimento necessário na região há décadas. Só foi possível por causa da iniciativa dos Amigos do Abrigo (comunidade), que arrecadaram fundos e após com uma mudança no clima político, o projeto veio a ser prioridade da comunidade (ARCHDAILY 1, 2014).

Palm Springs Animal Care Facility foi projetado pelo escritório americano de arquitetura Swatt Miers Architects. Localizado em um terreno de três hectares, sua edificação possui vinte e um mil metros quadrados de área construída, contendo salas de tratamentos, abrigos, serviço de adoção e recebimentos de animais de rua (ARCHDAILY 1, 2014). Sendo um referencial na região, outras cidades vizinhas solicitaram a contratação do abrigo e dos serviços de origem animal. Por causa disso, o projeto de expansão será necessário para os próximos anos (ARCHDAILY 1, 2014).


28 O projeto obteve a qualidade LEED2, com equivalência Silver. Neste conceito, a atenção especial neste projeto foi dada a conservação de água. A água utilizada é reciclada através de uma estação de tratamento de esgoto ao lado da edificação, e esta após tratamento, é utilizada para a limpeza das áreas internas de origem animal e para a irrigação dos jardins (ARCHDAILY 1, 2014).

A cidade de Palm Spings é reconhecida mundialmente pelo emprego do programa Green Building Design3. Para essa edificação, porém, os recursos foram limitados por questões de restrição de orçamento, levando apenas a executar algumas características energéticas eficientes, como em investir em um sistema de reciclagem de água para garantir a limpeza do local e da extensa quantidade de animais, além da importância da conservação da água adotada no deserto e na criação de um sistema fotovoltaico que auxiliaria na economia de 30% da carga energética do edifício (ARCHDAILY 1, 2014).

3.1.1. Implantação: Localização, Condicionantes Climáticos e Acessos

Localizado na cidade de Palm Springs, no estado da Califórnia, no extremo oeste dos Estados Unidos, o empreendimento fica a cento e sessenta e quatro quilômetros de distância de Los Angeles. Seu lote fica na esquina da Vella Rd com a E. Mesquite Ave.

Sua edificação encontra-se em uma área urbana, possuindo facilidade de acesso, com ruas asfaltadas desde o centro da cidade até a edificação (Figura 5). A cidade possui temperaturas altas e umidade relativamente média no outono (WEATHER WUNDERGROUND, 2014).

Seu lote está exatamente na divisa entre a área verde e a área árida e aberta da cidade, conforme se pode observar na Figura 5.

2

LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é um sistema internacional de certificação e orientação ambiental para edificações, utilizado em 143 países, e possui o intuito de incentivar a transformação dos projetos, obra e operação das edificações, sempre com foco na sustentabilidade de suas atuações. (GREEN BUILDING COUNCIL BRASIL, 2014) 3

Edifício verde ou sustentável, é a prática de criar e usar modelos eficientes com recursos mais saudáveis de construção, reforma, operação, manutenção e demolição. (EPA US, 2014).


29

ÁREA RESIDENCIAL

ÁREA ÁRIDA ÁREA VERDE

Figura 5: Localização lote Palm Springs Animal Care Facility Fonte: Alterada - GOOGLE EARTH, 2014

A implantação da edificação é centralizada em relação ao terreno (Figura 6) e sua fachada principal, voltada para Vella Road, encontra-se na orientação sudoeste (Figuras 7 e 8).

Figura 6: Situação - Palm Springs Animal Care Facility Fonte: Alterada – ARCHDAILY 1, 2014


30

O entorno é predominantemente residencial, porém como o terreno está na divisa de áreas verdes e áridas, tem como vizinho um parque verde com área verde e entretenimentos; uma empresa de reciclagem e uma estação de tratamento de água (ARCHDAILY 1, 2014).

Quanto aos acessos, pode-se verificar que os de Visitantes e Clientes (Figura 7) estão localizados na fachada principal e os de Serviços, aos fundos do estacionamento (Figura 8).

Figura 7: Acesso Principal - Visitantes e Clientes Fonte: ARCHDAILY 1, 2014

Figura 8: Acesso Principal - Serviço Fonte: ARCHDAILY 1, 2014


31

3.1.2. Forma Arquitetônica, Materiais e Técnicas Construtivas

O conceito projetual foi a união da estética moderna com o local árido, criando um destaque na paisagem com a contradição visual (ARCHDAILY 1, 2014), conforme pode-se observar na Figura 9.

Figura 9: Volumetria: Modernidade X Aridez Fonte: ARCHDAILY 1, 2014

Em relação aos materiais de construção empregados, as áreas internas públicas (como o canil e adoção – Figura 10 e 13) são de blocos de concreto, e outras áreas internas são de drywall4 pintado (ARCHDAILY 1, 2014).

4

Gesso acartonado composto basicamente por três elementos: a) as placas de gesso, b) os elementos estruturais e c) os acabamentos e acessórios. Todos os elementos possuem diversos componentes para adaptação a necessidades específicas de cada caso. (LOSSO, 2004)


32

Figura 10: Área Aberta para Entretenimento e Terapia Canina Fonte: ARCHDAILY 1, 2014

Os revestimentos (piso e parede) onde ficam os animais são de epóxi, pois esses ambientes recebem limpeza pelo menos duas vezes diárias. Os forros utilizados são acústicos não absorventes, e elementos de proteção são de aço inoxidável (ARCHDAILY 1, 2014).

3.1.3. Programa, Setorização e Fluxos

O programa do edifício Palm Springs Animal Care Facitity é baseado na necessidade local de atendimento diferenciado a cada espécie. Neste caso, foram criados setores (alas) para os diferentes tipos de animais: Ala Canina e Ala Felina e Animais Menores (ARCHDAILY 1, 2014).

O fluxo operacional é a base do programa de necessidades estabelecido, tendo o pátio central aberto, para a qual as estadias caninas são voltadas, proporcionando iluminação e ventilação natural conforme verifica-se nas imagens de setorização (Figura12) e na Figura 11. Essas áreas de estadia canina são sombreadas com tecido, formando uma película protetora removível (ARCHDAILY 1, 2014).


33

Figura 11: Estadia Canina Fonte: ARCHDAILY 1, 2014

Figura 12: Setor Canino Fonte: Alterada - ARCHDAILY 1, 2014


34 Essa separação traz mais agilidade no atendimento, pois os médicos veterinários especializados ficam responsáveis por determinada ala, além do entendimento que a interação de espécies diferentes possa dificultar o atendimento primário (ARCHDAILY 1, 2014). Sendo assim, a Figura 12 demonstra a ala para adoção e cuidados caninos e a Figura 13 a ala dos felinos e animais menores.

Figura 13: Setor Felino e Animais Menores Fonte: Alterada - ARCHDAILY 1, 2014

Conforme CUNHA (2014) quando os animais de espécies diferentes se encontram, uns dos dois podem sofrer distúrbios por causa de estresse ou medo, podendo afetar em seus resultados clínicos. Então, o recomendado pelo médico veterinário é separar as duas espécies (cães e gatos), tanto na recepção quanto no tratamento (Figuras 14 e 15).


35

Figura 14: Recepção do Setor Felino e Animais Menores Fonte: ARCHDAILY 1, 2014

Figura 15: Entrada para a Setor Canino e Área de Entretenimento Felino Fonte: ARCHDAILY 1, 2014

Na legislação citada no Capítulo 2 deste trabalho foi verificada que não há nenhuma indicação

quanto

a

separação

por

espécies

ou

porte

(em

recepção

ou

atendimento/tratamento). Para ANVISA, a separação de acesso é recomendável quando há concomitância das atividades de comércios e/ou banho e tosa e/ou pet shop com o atendimento veterinário, e este deverá possuir acesso independente e exclusivo (ANVISA, 2014).


36

A edificação foi concebida para atender a necessidade da população, e por isso ela contém o Setor de Apoio (Figura 16) com áreas voltadas a conscientização social e técnicas de tratamento diversificadas. O Setor de Apoio também conta com áreas voltadas ao funcionamento interno da clínica, como administração e serviços. É nesta que há espaços para os funcionários como banheiros e descanso (ARCHDAILY 1, 2014).

Figura 16: Setor de Apoio - Palm Springs Animal Care Facility Fonte: Alterada - ARCHDAILY 1, 2014

Em relação aos fluxos, são respeitadas as circulações operacionais e das públicas, ou seja, de serviço e de clientes. Como existe uma demanda especificamente de adoções de animais, criou-se um corredor no pátio central para que a população chegasse o mais perto dos


37 animais a serem escolhidos, ou até mesmo os que estão ali para tratamento (ARCHDAILY 1, 2014).

Além desta demanda, há um incentivo de palestras e aulas sobre o tema animais para a população em geral. Então foi criada a circulação para as salas de aulas, separadamente das usuais (serviços e clientes), conforme Figura 17 (ARCHDAILY 1, 2014).

Figura 17: Circulação Geral - Palm Springs Animal Care Facility Fonte: Alterada - ARCHDAILY 1, 2014

A área pontilhada aos fundos da edificação é a proposta de expansão que já está em andamento, porém depende da parte política do local a continuação desse empreendimento (ARCHDAILY 1, 2014).


38

3.1.4. Considerações para Aplicação Projetual

Verificando a estrutura deste estudo de caso, conforme a resolução constatada no segundo capítulo deste trabalho, foi apurado que o mesmo se encaixa na classificação Clínica Veterinária, possuindo os setores de: atendimento, diagnósticos, internação, procedimentos cirúrgicos e sustentação.

Neste caso, diferente dos empreendimentos comuns, há distinção das áreas de recepção e tratamento para cada espécie de animais de companhia, o que cria espaços com qualidades diferenciadas, ajudando no tratamento especializado.

Visto que não constam parâmetros especiais em nenhuma das resoluções e leis informadas no segundo capítulo deste trabalho, foi proposto uma tabela com as áreas de cada ambiente de cunho essencial ao desenvolvimento desta clínica. Esse levantamento se encontra compilado na Tabela 1. MEDIDAS E ÁREAS – PRINCIPAIS AMBIENTES MEDIDAS APROXIMADAS AMBIENTES (metros) Clínica Central 4,00 x 4,00 Consulta (Cão) 2,30 x 3,20 Consulta (Gatos e Pequenos Animais) 2,08 x 4,12 Estadia / Visita (Cão) 1,20 x 2,10 Estadia / Visita (Gatos e Pequenos Animais) 2,08 x 4,00 Farmácia Central 3,20 x 3,20 Recepção Geral Irregular Espera Canina 4,40 x 4,40 Espera Felina 3,20 x 6,00 Sala de Aula 7,20 x 7,20 Área Recreação Aberta (Cão) 3,20 x 6,00 Circulação Horizontal Largura 1,40m.

ÁREA APROXIMADA (metros quadrados) 16,00 7,36 8,57 2,52 8,32 10,24 67,20 19,36 19,20 51,84 19,20 -

Tabela 1: Medidas e Áreas dos principais ambientes do Palm Springs Animal Care Facility Fonte: Elaboração Própria


39 Como o enfoque na parte central da edificação era a adoção de cães, a estadia canina é destacada por ser uma área apenas para um animal. Já a estadia felina e com outros animais menores, estes são separados por espécies.

3.2. Memphis Veterinary Specialists

Com uma área de quase dezoito mil metros quadrados de construção, o Memphis Veterianry Specialists foi criado pelo escritório local americano chamado Archimania. Inaugurada em julho de 2011, a clínica é referência hoje em atendimento veterinário, e por causa de gama de especialidades (experiência em cirurgia de emergência, ortopedia, dermatologia, oncologia, odontologia, tratamento de diagnóstico e referencial em cuidados com animais exóticos), o programa de necessidades da clínica se assemelha a um hospital humano: desde o tratamento, cirurgias, pós-cirurgias e cuidados intensivos (ARCHDAILY 2, 2014).

3.2.1. Implantação: Localização, Condicionantes Climáticos e Acessos

A quase vinte e dois quilômetros de distância do centro de Memphis, a clínica fica localizada na cidade de Cordova, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos (ARCHDAILY 2, 2014). Local com facilidade de acesso, com ruas asfaltadas. Seu terreno encontra-se na região urbana da cidade.

Seu entorno é praticamente residencial (Figura 18), porém mesclada com comércios (supermercados e lojas de departamentos) e consultórios médicos, dentários e oftalmológicos; além de academias.

Conforme Figuras 18 e 19, a implantação da edificação em questão está condicionada a parte do interior da quadra, seguindo o desenho do terreno. Há uma pequena área verde aos fundos, criando uma moldura de fundo para edificação e auxiliando no equilíbrio da temperatura do local (ARCHDAILY 2, 2014).


40

ÁREA VERDE ÁREA CONSULTÓRIOS ÁREA COMERCIAL ÁREA VERDE

ÁREA RESIDENCIAL

ÁREA RESIDENCIAL

Figura 18: Localização lote da Memphis Veterinary Specialists Fonte: Alterada - GOOGLE EARTH, 2014

A estrutura em balanço e os rasgos de luz do edifício são orientados para o norte para fornecer iluminação natural ideal e para abordar a principal paisagem do riacho que margeia a porção sudoeste do terreno (ARCHDAILY 2, 2014).

Figura 19: Implantação da Clínica Fonte: Alterada - ARCHDAILY 2, 2014


41 A edificação possui várias entradas em sua fachada. Essas aberturas dão acesso direto ao local de necessidade. No caso do acesso de funcionários, para as áreas administrativas e serviços; no caso dos clientes e visitantes, dão acesso a áreas de visita, consultório e exames, e um que dá acesso ao auditório (entrada autorizada).

Figura 20: Entrada Principal - Visitantes e Clientes Fonte: ARCHDAILY 2, 2014

Figura 21: Entrada Principal - Serviço Fonte: ARCHDAILY 2, 2014


42

Os principais acessos (clientes e visitantes) estão localizados na fachada principal (Figura 20), aquela voltada para a via de acesso a edificação. O acesso de serviço está localizado na fachada lateral (Figura 21), aquela voltada a edificação vizinha.

3.2.2. Forma arquitetônica, Materiais e Técnicas Construtivas

A volumetria do edifício (Figura 22) foi pensada em unir as restrições do terreno triangular com o programa de necessidades da clínica veterinária (ARCHDAILY 2, 2014).

Figura 22: Volumetria e emprego dos materiais. Fonte: ARCHDAILY 2, 2014

A edificação possui dois programas em paralelo: um com atendimento aos fins de semana (plantão emergencial) e o atendimento especializado durante a semana, que aceita pacientes de todas as localidades. O processo de desenvolvimento foi baseado na ligação entre as relações intensas do programa pragmático com as oportunidades encontradas na configuração do terreno, levando em conta que o orçamento deste projeto e o seu cronograma de construção eram curtos (ARCHDAILY 2, 2014).


43

Figura 23: Esquema construtivo mostrando o emprego do concreto, vidro e aço Fonte: ARCHDAILY 2, 2014

A construção da edificação está dividida em três materiais básicos: o concreto, o aço (incluindo o Aço Corten) e o vidro transparente. O concreto como base da construção e o aço com forma triangular, criando adições e subtrações na edificação, criando um jogo de formas e dando a possibilidade a luz natural adentrar a edificação, como se pode observar na Figura 23 (ARCHDAILY 2, 2014).

Figura 24: Corte Esquemático - Iluminação por Sheds - Parte 1 Fonte: Alterado - ARCHDAILY 2, 2014


44

Figura 25: Corte Esquemático - Iluminação por Sheds - Parte 2 Fonte: Alterado - ARCHDAILY 2, 2014

Figura 26: Iluminação Natural por Sheds Fonte: ARCHDAILY 2, 2014

A utilização de sheds5, tanto na recepção quanto na sala de cirurgia, auxiliam a entrada de iluminação natural indireta. Como apresentado nas imagens anteriores (Figuras 24, 25 e 26), verifica-se que a proposta de jogo de volumes criando os sheds auxilia a entrada de iluminação natural, diminuindo a carga energética da edificação (ARCHDAILY 2, 2014).

5

O shed é um artifício utilizado no telhado para obter luz natural e ventilação dentro da edificação. Pede uma estruturação mais elaborada da cobertura. Pois, para proporcionar iluminação e ventilação precisam ser guarnecidos com caixilhos ou com algo que possibilite essas funções, impedindo a penetração de chuvas. (UFSC, 2014)


45

3.2.3. Programa, Setorização e Fluxos

O programa adotado pelos arquitetos foi baseado na experiência do proprietário (Médico Veterinário), que participou intensivamente do desenvolvimento do projeto, contribuindo com desenhos e croquis, dando-lhes critérios projetuais (ARCHDAILY 2, 2014).

O objetivo do projeto era de atender as necessidades do proprietário de proporcionar um espaço de trabalho mais eficiente, aumentando a capacidade de oferecer mais opções de tratamento aos seus pacientes (ARCHDAILY 2, 2014).

Figura 27: Circulação Interna Fonte: ARCHIMANIA, 2014

A área de cirurgia e procedimentos especializados (Figura 27) são envolvidos pela parte administrativa e as áreas abertas ao público, como área de visita aos animais e consultórios, criando um núcleo restrito apenas aos funcionários. A forma do edifício no terreno teve uma atenção voltada também a permitir a visualização do riacho pelos ambientes, através das subtrações das fachadas (ARCHDAILY 2, 2014).


46 Como se pode observar nas Figuras 27 e 28, foi criada uma circulação em volta de um núcleo (Área Cirúrgica) a fim de dinamizar a circulação dos pacientes e dos funcionários.

Figura 28: Setorização - Planta Baixa Térreo Fonte: Alterada - ARCHDAILY 2, 2014

Ainda sobre esta figura, verifica-se que todos os serviços de atendimento e visita do cliente está restrita aos acessos aos mesmos (Figura 30), não os deixando adentrar na parte central da edificação (ARCHDAILY 2, 2014).

Figura 29: Setorização - Planta Baixa 2° Pavto Fonte: Alterada - ARCHDAILY 2, 2014


47 No segundo pavimento da edificação (Figuras 29 e 31), verifica-se que o acesso fica restrito geralmente aos funcionários, porém em alguns momentos há possibilidade de abertura na necessidade de eventos promovidos no local (Auditório). Mas mesmo nestes casos, o acesso é controlado e não é permitida a circulação aleatória dos clientes e visitantes (ARCHDAILY 2, 2014).

Figura 30: Circulação - Planta Baixa Térreo Fonte: Alterada - ARCHDAILY 2, 2014

Figura 31: Circulação - Planta Baixa 2 pavto Fonte: Alterada - ARCHDAILY 2, 2014


48 As imagens acima (Figuras 30 e 31) mostram os fluxos dos agentes dessa clínica (Cliente e Funcionários). Nelas podem-se confirmar as restrições de circulação do cliente no núcleo da clínica.

3.2.4. Considerações para Aplicação Projetual

Conforme a resolução apresentada no segundo capítulo deste trabalho e devido ao destaque dado ao atendimento cirúrgico, o mesmo foi classificado como Hospital Veterinário, contendo os ambientes: atendimento, diagnósticos, internação, sustentação e principalmente as salas cirúrgicas de grande porte.

Neste exemplo, o levantamento de metragens e áreas de cada ambiente também se fez necessário a fim de relacionar qualidades arquitetônicas diversas constatadas. A compilação desse levantamento é demonstrada na Tabela 2, que segue abaixo.

MEDIDAS E ÁREAS – PRINCIPAIS AMBIENTES MEDIDAS APROXIMADAS ÁREA APROXIMADA AMBIENTES (metros) (metros quadrados) Auditório 12,00 x 7,40 88,80 Cirurgia Principal 10,80 x 9,20 99,36 Cirurgia Secundária 8,20 x 8,90 72,98 Consultório 1 2,60 x 3,80 9,88 Consultório 2 - Ambulatório 3,40 x 3,40 11,56 Escritório 7,20 x 4,80 34,56 Farmácia Central 5,20 x 3,20 16,64 Recepção Principal Irregular 100,04 Recepção Secundária 6,60 x 8,40 55,40 Refeitório Funcionários 6,80 x 3,80 25,84 Quarto – 5,20 x 5,20 Suíte Médico 39,64 Banheiro – 3,00 X 4,20 Visita 2,60 x 3,80 9,88 Circulação Horizontal Largura 2m Tabela 2: Medidas e Áreas dos principais ambientes do Memphis Veterinary Specialists Fonte: Elaboração Própria

O que se pode destacar são os amplos espaços de circulação horizontal, adjacentes à sala de cirurgia principal, onde a mesma se evidencia pela sua grande área. Destaca-se ainda a suíte do médico, algo diferenciado, possuindo área de descaso e limpeza pessoal.


49

3.3. Considerações dos Estudos de Caso

Neste sentido, uma arquitetura com qualidade espacial interfere no atendimento e na confiabilidade dos estabelecimentos. Visto que não existem parâmetros espaciais em nenhuma das resoluções e leis informadas no segundo capítulo deste trabalho, foi necessário o estudo tomando como parâmetro os estudos de caso, onde foram destacadas as qualidades espaciais e suas disposições arquitetônicas. Assim, é proposto uma adaptação (Tabela 3) dos estudos realizados às necessidades regionais, gerando áreas mínimos de qualidade espacial a serem aplicados em projeto.

PADRÃO ESPACIAL AMBIENTES Área Recreação Aberta Cirurgia (Geral) Consulta (Cão) Consulta (Gatos e Pequenos Animais) Descanso Médico Espera Canina Espera Felina Estadia Múltipla (Por Espécies) Farmácia Central Recepção Geral Circulação Horizontal

ÁREA MÍNIMA (metros quadrados) 20 70 7,50 8,50 40 20 20 8,50 10 60 1,50 metros (largura)

Tabela 3: Medidas e Áreas Mínimas como Padrão Espacial Fonte: Elaboração Própria

Além das áreas mínimas acima citadas, as atribuições funcionais baseadas na resolução descrita no Capítulo 2 são de necessária importância para a definição do projeto proposto. Baseando-se nela, o pretendido projeto de Pet Center abrangerá as funções de Clínica Veterinária (com o setor cirúrgico) juntamente com as funções de Pet Shop e Hotelaria.


50

4. PET CENTER


51

Com as informações teóricas e legais apresentados nos capítulos anteriores, segue a compilação projetual do Pet Center, com suas condicionantes e potencialidades.

4.1. Localização do Terreno e Análise de suas Condicionantes

Antes de qualquer pensamento de projeto, é determinante a escolha do local para a implantação do empreendimento, influenciando todos os parâmetros projetuais. Segue abaixo as informações sobre o local escolhido.

4.1.1. Localização e Entorno

O terreno escolhido situa-se na cidade de Vila Velha, município vizinho a capital do estado, onde se concentra uma grande quantidade de residências.

O terreno está localizado no bairro de Itaparica (Figura 32), esquina com a Rua Maria de Oliveira Maresguia com a Rodovia do Sol - principal acesso de deslocamento entre o centro de Vila Velha e a cidade de Guarapari – ficando a aproximadamente 115 metros da orla.

PRAIA DAS GAIVOTAS

CENTRO Vila Velha

GUARAPARI

ITAPARICA

MAR - PRAIA DE ITAPARICA Figura 32: Localização do Terreno Fonte: Alterada - GOOGLE EARTH, 2014


52

Possui uma área de 1.979,35m² e se encontra em uma área predominantemente residencial (Figura 33). Porém o eixo da rodovia possui áreas comerciais e de serviços (PDM, 2007).

RESIDENCIAL

OCUPAÇÃO COMERCIAL RODOVIA DO SOL

OCUPAÇÃO COMERCIAL

OCUPAÇÃO

RUA MARIA DE OLIVEIRA MARESGUIA

OCUPAÇÃO RESIDENCIAL

OCUPAÇÃO COMERCIAL

OCUPAÇÃO RESIDENCIAL Figura 33: Localização do Terreno e Entorno Fonte: Alterada - GOOGLE EARTH, 2014

O local é de fácil acesso (Figura 34), tanto pra quem vem de Vitória ou centro de Vila Velha como de quem vem pela orla. Além de ser adensado, o crescimento residencial do município está direcionado para essa região (PDM, 2007), tornando um terreno atrativamente comercial, podendo atender a uma grande região residencial.

Figura 34: Panorâmica do Terreno Fonte: Acervo Pessoal, 2015


53 4.1.2. Condicionantes Climáticos e Ambientais

O levantamento dessas informações é necessário para definir alguns parâmetros projetuais com referência a conforto ambiental natural.

Partindo do ponto de localização do terreno, pode-se verificar na Figura 35 que a maior fachada se localiza em frente a rodovia, isso suscita a questão de procedimentos de proteção acústica e térmica nesta fachada, descrito neste capítulo (Item 4.2.8.1 deste trabalho). O mesmo pensamento, mas dessa vez no sentido de proteção térmica, pode-se dada a fachada Oeste e Norte, compreendidas pelas fachadas de frente a rodovia e a da direita (vizinho lateral), respectivamente.

Figura 35: Condicionantes do Terreno Pré-Projeto Fonte: Acervo Pessoal, 2015


54

4.1.3. Condicionantes Legais

As condicionantes legais de projeto são aquelas estabelecidas por órgãos fiscalizadores, sobretudo, neste caso, a prefeitura local através de seu Plano Diretor Municipal (PDM). Sem essas diretrizes não se pode aprovar projeto na prefeitura. Em consulta, foi verificado que o terreno encontra-se na Zona de Ocupação Prioritária 3 (ZOP3), que compreende as seguintes exigências, marcados em amarelo, conforme Tabelas 4, 5 e 6.

Tabela 4: Quadro V: Coeficientes de Aproveitamento do Terreno (CA) e Parâmetros Urbanísticos Fonte: Adaptado - PDM Vila Velha, 2007 N. GI-14 GI-32

CLASSIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES IMPACTO Atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios) GRAU I Clínica veterinária e alojamento, higiene e embelezamento de GRAU I animais domésticos GI-48 Comércio de artigos para animais, ração e animais vivos para criação GRAU I doméstica GI-184 Hospital GRAU I Tabela 5: Quadro VII: Enquadramento das atividades por grau de impacto urbano e ambiental Fonte: Adaptado - PDM Vila Velha, 2007

Tabela 6: Quadro IX: Enquadramentos das atividades permitidas para eixo de Dinamização Urbana Fonte: Adaptado - PDM Vila Velha, 2007

Verificando essas tabelas, confirma-se que o terreno escolhido está apto a receber o empreendimento proposto neste trabalho, conforme PDM da cidade de Vila Velha.


55 Com conhecimento dessas informações, montou-se a Tabela 7, que traz uma compilação de acordo com a metragem quadrada do terreno. Essas informações são de extrema importância para a base do projeto.

CÁLCULO DOS ÍNDICES URBANÍSTICOS TERRENO = 1.979,35m² AMBIENTES PDM TERRENO Coeficiente de Aproveitamento Máximo Altura Máxima Gabarito Máximo Taxa de Ocupação Taxa de Permeabilidade Afastamento Frontal Mínimo Afastamento Laterais Mínimo Afastamento Fundos Mínimo

3,5 52,60 metros 15 pav. 70% 15% 3 metros 1,5 metros 3,0

6.927,72m² 1.385,54m² 296,90m² -

PROJETO 0,72 = 1.430,07m² 12,32 metros 3 pav. 53,9% = 1.067,32 m² 27,3% =541,32m² 3 metros > 1,5 metros > 6,40 metros

Tabela 7: Cálculo dos Índices Urbanísticos Fonte: Acervo Pessoal, 2015

No que se trata a quantidade de vagas de veículos providas pela edificação, o Quadro X do PDM de Vila Velha (2007) descreve que para edificações destinadas aos serviços hospitalares (ou clínica) a proporção a ser seguida é de uma vaga de veículo para cada cinquenta metros quadrados de área computável. Neste caso, nossa edificação deverá prover 28 vagas de veículos. O projeto em questão proverá 37 vagas de estacionamento para veículos mais 1 vaga de estacionamento para ambulância (no subsolo), 14 vagas para motos e um bicicletário com 12 vagas de bicicleta.

4.2. O Projeto

4.2.1. Programa de Necessidades

O programa de necessidades do Pet Center foi baseado nas especificações retiradas da Resolução Federal n. 1.015, já visto no Capítulo 2 deste trabalho. O Pet Center objetiva abranger as funções de Clínica Veterinária (com o setor cirúrgico) juntamente com as funções de Pet Shop, Hotel e Área disponível para recreação e adestramento.


56

Com essas informações, segue na Figura 36 o fluxograma do programa de necessidades geral da edificação. Nele é relacionado os principais setores atuantes no empreendimento, estes descriminados no APÊNDICE 2 deste trabalho.

Para uma melhor compreensão, cada setor foi definido uma cor. Essa coloração seguirá ao longo de todo o trabalho.

Figura 36: Fluxograma Geral Fonte: Elaborado pela autora

4.2.2. Partido, Implantação e Volumetria

Devida à complexidade do programa, a arquitetura foi pensada priorizando a funcionalidade, com linhas retas, adições e subtrações, com a intenção de quebra da retilineidade da edificação.


57

A fachada remete à arquitetura da Índia (Indiana), onde os animais são considerados sagrados, sendo tratados e respeitados. Em uma tradução contemporânea, seus elementos vazados proporcionam sombreamento e ventilação na fachada. É com essa filosofia que a edificação confirma sua finalidade: de cuidar dos animais.

A fachada é o ponto auto da edificação, já que ela vem para se destacar das demais. Parte dela é formada com fachada ventilada, construída com cobogós (vazados) com a temática indiana (Figura 37).

Figura 37: Imagem Arquitetura Indiana Rica Fonte: PXLEYES, 2015

A pele de vidro na área do Pet Shop proporciona iluminação natural, onde os cobogós criam uma espécie de brise como proteção solar, já que nessa fachada é maior a incidência solar no final do dia.

Sua implantação se deu principalmente da necessidade de seus acessos distintos e a exploração máxima do lado maior do terreno que é o de frente a Rodovia do Sol (Figura 38), dando visibilidade a edificação.


58 Com as análises climáticas e o programa de necessidades, a setorização foi pensada de maneira a direcionar os serviços destinados ao cliente final na fachada principal (Rodosol) e os serviços internos mais recuados (Ver 4.2.4. em Setorização).

Figura 38: Planta de Localização Fonte: Elaborado pela autora

Além disso, o espaço reservado para a entrada e saída de veículos está localizado exatamente na esquina entre as duas vias (Rodosol e Rua Maria de Oliveira Maresguia), ajudando no deslocamento para quem precisa adentrar ao Pet Center, estratégia esta de não bloquear o acesso à edificação.

Figura 39: Croqui Inicial – Fachada Principal Fonte: Elaborado pela autora


59

Seguindo a previsão de inclusão de vários serviços no Pet Center (Pet Shop, Clínica Veterinária, Hospital, Hotel e Adestramento), a forma do terreno possibilitou que a edificação tivesse seu programa desenvolvido no eixo horizontal, apenas se elevando em parte da edificação, permanecendo com o pensamento da volumetria (Figura 39).

Figura 40: Volumetria Fonte: Elaborado pela autora

A parte mais elevada da edificação se dá por conta das áreas técnicas das salas de cirurgias (Figura 40), área técnica dos elevadores e da caixa d’água, assim permanecendo com a proposta do partido arquitetônico.

4.2.3. Acesso

O projeto foi pensado de maneira a separar as áreas funcionais daquela utilizadas pelos clientes, mas ao mesmo tempo criando conexões entre elas.

Foi idealizada a separação de todas as entradas (Figura 41), para que o acesso ao edifício seja exclusivo daquele serviço/função, assim ajudando a não existência de conflito de fluxos.

A edificação terá duas entradas principais para clientes, onde cada uma corresponde a um setor do empreendimento: Clínica Veterinária e Pet Shop. Há a possibilidade da entrada pelo subsolo, onde está localizada grande parte das vagas de garagem oferecidas aos clientes, e os mesmos poderão acessar o edifício pela circulação vertical social (escada ou elevador).


RUA MARIA DE OLIVEIRA MARESGUIA

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RODOVIA DO SOL

Figura 41: Acessos – Planta Baixa do Térreo Fonte: Elaborado pela autora

A entrada principal de funcionários ocorre também na fachada principal da edificação, porém em um lugar distante das outras. Esse recurso foi criado para que o funcionário se identifique para após adentrar a edificação, criando um acesso seguro para a área funcional. Há uma segunda entrada, na parte dos fundos do Pet Shop, porém essa será mais restrita, apenas para os animais que sairão para passeio junto ao (s) funcionário (s) responsável (is) por essa função. Nenhum outro funcionário terá acesso a este portão. O funcionário possui uma terceira entrada acessando o subsolo.

4.2.4. Setorização e Fluxos

Para um melhor entendimento, foi destacado a setorização por funcionalidade.


61

4.2.4.1. Térreo - Setorização

O pavimento Térreo é o primeiro a ser demostrado, pois é nele que se encontram as entradas principais (Figura 41). Este pavimento (Figura 42) possui os principais serviços diretamente ligados aos clientes como o Pet Shop, a Clínica, o Hotel e o Adestramento.

Figura 42: Planta Baixa do Térreo - Setorização Fonte: Elaborado pela autora

Algumas funções administrativas (Figura 43) se encontram neste pavimento, fazendo com que fornecedores e representantes não adentrem muito a edificação (Fluxos - Figura 46). As


62 atividades da Clínica e do Pet Shop estão localizadas na parte frontal da edificação, sendo de acesso aos clientes e por isso dispostos nesta posição. A parte administrativa e funcional se encontra na parte dos fundos a esquerda, criando uma área apenas de circulação de funcionários. A circulação exclusiva para funcionários está localizada de maneira a ajudar na questão térmica (Fachada Norte), pois ela serve de recuo das salas administrativas, deixando que entre a iluminação e ventilação natural. O setor hoteleiro do empreendimento está localizado na fachada sul, criando a possibilidade de salas com iluminação e ventilação natural, sem a incidência de raios solares. Para que haja banhos solares aos hóspedes e recreação ao ar livre, foi criado nos fundos da edificação um pátio aberto, contendo brinquedos e / ou maquinários para adestramento e fisioterapia. Esta área servirá para todas as espécies, porém para os felinos que são mais difíceis de coordenar (quando em grupos), foi criada uma sala logo ao lado da hospedaria felina, que servirá como área recreativa e até de terapia para os felinos. A circulação vertical está disposta de maneira a atender clientes e funcionários, porém de maneira exclusiva para ambos e interligados aos setores adjacentes.

Em sequência, são destacados recortes da planta do Térreo.

Setor Administrativo:

O pavimento Térreo possui os seguintes recintos funcionais administrativos (Figura 43): Escritório Administrativo, escritório de Compras e Financeiro, Diretoria, Vestiários Feminino e Masculino, Arquivo, Copa e Área de Serviço, Guarita e a Farmácia Central. A Farmácia Central atenderá toda a edificação, pois a distribuição dos medicamentos deverá ter um controle mais rígido, por isso seu local estratégico no coração da edificação, ficando ao lado dos consultórios, ao lado da circulação vertical de serviço e um próximo ao Pet Shop.


63

Figura 43: Recortes do Térreo - Setor Administrativo / Funcionários Fonte: Elaborado pela autora

Setor de Saídas (Lixos):

Podemos destacar ainda o setor de saídas, como os Lixos Úmidos e Secos, juntamente com o descarte de Lixo Hospitalar, instalados de maneira que os funcionários da limpeza descartem os lixos e o pessoal da limpeza pública e especializada tenha acesso sem a entrada total na edificação (Figura 44).


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Figura 44: Recortes do Térreo - Saídas (Lixos) Fonte: Elaborado pela autora

Setor Clínica Veterinária:

O setor da Clínica Veterinária foi pensado de maneira a diferenciar o atendimento de espécies (CUNHA, 2014). Sabendo de suas particularidades e assumindo essa responsabilidade que cada espécie precisa, foi desenvolvida uma sala recreativa anexa a cada recepção (Figura 46, 47 e 48); contendo cores, brinquedos e mobiliários para distração enquanto esperam pelo atendimento na clínica.

Este setor (Figura 45) ainda possui os banheiros acessíveis exclusivos para os clientes. A circulação neste setor é direcionada apenas para os consultórios e salas de exames (Raio X e Ultrassonografia). Todos os consultórios estão equipados com mesa de atendimento animal, armários, cadeiras para clientes e mesa e cadeira para o médico veterinário, e cada consultório possui um banheiro.


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Figura 45: Recortes do Térreo - Setor Clínica Fonte: Elaborado pela autora

Como mencionado, há duas recepções (Figura 46 e 47) diferenciadas com sala recreativa (Figura 48) separa por espécies. Essa comodidade permite ao cliente e o seu respectivo animal de companhia uma espera mais agradável e alegre.

Figura 46: Recepção Felina Fonte: Elaborado pela autora


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Figura 47: Recepção Felina Fonte: Elaborado pela autora

Figura 48: Sala Recreativa Felina Fonte: Elaborado pela autora

Ainda na clínica, são ao todo cinco consultórios (quatro para atendimento geral e um para fisioterapia) e duas salas para exames (um Raio X e um Ultrassonografia).


67 Setor Hotelaria e Adestramento:

Já o setor de hotelaria e adestramento / fisioterapia (Figura 49) é constituído por uma sala de transição, onde possui armários que contém maquinário e elementos para adestramento e fisioterapia que poderão ser transportados para a área aberta destinada também a essa função. Essa área aberta poderá ser aproveitada para recreação canina (e até felina), tendo uma conexão com a saída da edificação, dando a possibilidade de sair a passeio com os animais na orla da cidade, que fica apenas a cento e quinze metros de distância. Essa passagem é restrita apenas aos funcionários responsáveis.

Figura 49: Recortes do Térreo - e Adestramento / Fisioterapia Fonte: Elaborado pela autora


68 O setor de hotelaria contém ambientes distintos por espécies (canina e felina). A estadia canina tem abertura para a área aberta recreativa, dando a possibilidade daqueles que estão hospedados a diversão. A estadia felina possui conexão para fora da edificação apenas pela sala de transição. Anexa à estadia, existe a sala recreativa felina. Esta sala foi criada com o entendimento que mais dificultoso o cuidado felino quando em grupo, mas não impedindo a sua saída supervisionada por um funcionário responsável. Esta sala recreativa se equipara a sala de recreação anexa à recepção felina.

Setor Pet Shop:

O Pet Shop (Figura 50) se localiza na parte frontal da edificação, com acesso exclusivo para clientes e próximo à passagem de pedestres. Fazem parte desse setor os ambientes de banho e tosa (separado por espécies); área de espera de animais que já foram atendidos (Sala Pet) e ambiente de atendimento ao cliente com balcão e a área com móveis (prateleiras com mercadorias relacionadas a esse serviço, como alimentos, materiais de limpezas, brinquedos, roupas, etc.).

Figura 50: Recortes do Térreo – Pet Shop Fonte: Elaborado pela autora


69 Em relação a medicamentos, os mesmos serão solicitados no balcão de atendimento, pois é feito um controle rígido das medicações vendidas e o funcionário terá que se dirigir até a farmácia central para retirar a medicação. Em relação à Sala Pet, também terá a função de local para adoção de animais.

4.2.4.2. Térreo - Fluxos

A setorização foi pensada de maneira a não conflitar os fluxos entre Clientes e Funcionários e restringir a circulação de clientes em alguns setores (Figura 51).

Figura 51: Planta Baixa do Térreo - Fluxos Fonte: Elaborado pela autora


70 O fluxo de Clientes está limitado a Clínica, ao Pet Shop e a circulação vertical que levará ao pavimento superior ou ao subsolo. O mesmo poderá obter todos os serviços do Pet Shop e somente circular dentro do espaço do salão do Pet Shop. Quando a Clínica, ele terá duas entradas distintas (uma para cada espécie de animal de companhia – canina ou felina), onde após sua identificação, o cliente com seu animal poderá se apoderar das salas de espera ou recreação até que chegue o seu atendimento. Após ele será encaminhado as salas de atendimento (consultórios veterinários) ou exames (Raio X ou Ultrassonografia). O Cliente só poderá adentrar para o Setor de Hotelaria ou Fisioterapia / Adestramento acompanhado por funcionários responsável. O mesmo vale para somente o animal, quando o mesmo for ser hospedado.

Já o fluxo de Funcionários começa com a portaria exclusiva, onde se encontra uma guarita de segurança da edificação. O mesmo se identifica, acessa o sistema de Ponto Eletrônico, passa por uma circulação exclusiva de funcionários (onde não possui a circulação de Clientes, não causando conflitos e deixando uma circulação restrita). O funcionário passa por essa circulação e vai aos vestiários para troca de roupas (uniformização geral dos funcionários). Após terá acesso a todos os setores e se movimentará por circulação vertical aos pavimentos superior e subsolo. O funcionário terá a possibilidade de entrada pelo subsolo, mas o mesmo deverá se apresentar antes de entrar na edificação.

Como acontece em clínicas, há a visita de fornecedores e representantes de medicamentos, estes podem adentrar pelo Pet Shop ou pelas recepções da Clínica, porém serão encaminhados a portaria dos funcionários e serão identificados, podendo ter acesso a área administrativa, onde serão atendidos pelos funcionários responsáveis por essa área.

4.2.4.3. Subsolo - Setorização

Em relação ao subsolo, a maior parte dele foi destinada as vagas de estacionamento requeridas pela PDU (Ver 4.1.3. Condicionantes Legais deste trabalho). Além dessa área, grande parte dos recintos foram para atender a parte técnica necessária para a realização de


71 todos os serviços, que inclui: Subestação Elétrica e Gerador, Cisterna e Casa de Bomba da Caixa D’água e a área de respiração do subsolo (Figura 52).

Figura 52: Planta Baixa do Subsolo - Setorização Fonte: Elaborado pela autora

Com os taludes aos fundos e na lateral esquerda/fundos (Figura 53), foi criada uma abertura no terreno possibilitando a entrada de iluminação e ventilação natural em alguns ambientes, possibilitando o seu uso em conjunto. Nesta área está localizada a cozinha central, o refeitório seguido de área aberta de descanso para os funcionários. Anexo a essa área aberta está um ambiente acondicionado para descanso de funcionários. Ainda no subsolo, estão localizados o Almoxarifado, a Rouparia (ligada as áreas de serviços dos outros setores por um duto), Sala de Manutenção, Depósito de Móveis e o Morgue.


72 A cozinha central está conectada com as copas do pavimento Térreo e do 1° Andar, por um elevador monta-pratos, assim transferindo a alimentação.

Figura 53: Recortes do Subsolo - Setor Administrativo, Morgue e Área Técnica Fonte: Elaborado pela autora

O serviço de rouparia é terceirizado, já que precisa de esterilização das roupas dos pacientes, médicos e funcionários. Para isso, foi criado um duto de passagem de roupas do pavimento Térreo e do 1° Andar , localizados na Área de Serviço dos respectivos. Este duto está interligado verticalmente até a Rouparia que se encontra no subsolo. Assim o funcionário responsável apenas fará a separação dos materiais e dá destinação as empresas de prestação de serviço especializada.

A área aberta criada para atender aos funcionários (Figura 54) veio para dar mais qualidade de trabalho, além de criar a possibilidade de ambientes que antes não poderia ter se não existisse esse talude.


73

Figura 54: Render da Área de Descanso de Funcionário e Respiro Fonte: Elaborado pela autora

Um ambiente necessário é o Morgue (Figura 53), onde são acondicionados os cadáveres dos animais de companhia. Este espaço está localizado perto da circulação vertical de serviço a fim de ter menor trânsito de cadáveres na edificação.

Conforme solicitação do PDU está localizada a vaga de ambulância no subsolo, perto da circulação vertical de serviço, onde o mesmo ficará mais próximo de atendimento de urgência (Setor Cirúrgico – 1° Andar).

Como acontece em todos os andares, estão localizadas as circulações verticais, mas nesse pavimento, o elevador e escada social possui uma pequena recepção para os clientes (Figura 55). Ambientes de Manutenção e Depósito de Móveis são necessários para dar suporte ao restante da edificação e estes estão localizados no subsolo da edificação.

A área de estacionamento está a um nível abaixo (dezessete centímetros) dos níveis de circulação dos funcionários, para que se acontecer a entrada de água pluvial no subsolo a bomba de água consiga retirá-la sem chegar ao nível de circulação.


74

Figura 55 Recortes do Subsolo - Setor Administrativo Fonte: Elaborado pela autora

4.2.4.4. Subsolo - Fluxos

Em relação aos fluxos (Figura 56), o pavimento do subsolo terá a circulação de funcionários em uma área mais restrita. O funcionário poderá acessá-lo entrado com um meio de transporte, passando pelo controle eletrônico de passagem e seguindo em direção a circulação vertical de serviço da edificação, ou ele poderá vir pelo Térreo e descer pela circulação vertical.

Como o subsolo possui uma parte considerável de ambientes relacionados aos funcionários (descanso, alimentação) e manutenção da edificação, sua circulação será concentrada na área dos fundos.


75

Figura 56: Planta Baixa do Subsolo - Fluxos Fonte: Elaborado pela autora

Mas como a maior parte da área de subsolo é para estacionamento de clientes, os fluxos do mesmo será da vaga até a entrada do hall da circulação vertical social. Essa circulação levará o cliente para o pavimento Térreo, que corresponderia a Clínica e para o 1° Andar, onde estão localizados os internados e o setor cirúrgico.

4.2.4.5. Primeiro Andar - Setorização

No primeiro pavimento está concentrado o setor cirúrgico e de internação (Figura 57). Ainda continua acontecendo as circulações verticais (social e serviço) e os ambientes de copa e área de serviço, e área de guarda de equipamentos.


76 Em frente à circulação vertical social existe um ambiente de espera de clientes, onde a possibilidade de circulação para fora da sala indo em direção a laje (que fica em cima das recepções da clínica), criando uma laje jardim. Esse espaço vem para amenizar a tensão de uma espera (internação ou cirúrgica). O setor de internação possui os ambientes de salas coletivas, separadas por espécies, infecciosos ou não, e individual.

Figura 57: Planta Baixa do 1° Andar - Setorização Fonte: Elaborado pela autora

Setor Cirúrgico:

O setor cirúrgico é composto por ambientes relacionados a essa área (CFMV, 2012, contendo a mesma configuração de um centro cirúrgico humano (TEIXEIRA, 2014). Este setor é o mais complexo setor de toda edificação, pois todos os ambientes possuem relações


77 específicas que levam sempre em consideração a higiene de utensílio e instrumentos, fluxos e principalmente do pessoal (médico e funcionários) e do paciente (os animais).

Figura 58: Recortes do 1° Andar - Setor Cirúrgico Fonte: Elaborado pela autora

Todos os ambientes neste setor são de extrema importância para um bom desenvolvimento os serviços. O centro cirúrgico (Figura 58) dispõe inicialmente de sanitários de barreira masculino e feminino, onde os médicos veterinários e todos os funcionários que trabalham dentro do centro cirúrgico poderão trocar a suas roupas por roupas esterilizadas (macacão, jaleco) e se equiparem (gorros, máscaras e propé). Todos esses materiais são retirados previamente na rouparia, estrategicamente posicionada entre os sanitários.


78 A circulação do centro cirúrgico tem o mesmo propósito da circulação de funcionários do pavimento Térreo, garantindo que entre iluminação natural.

Ainda, o setor é equipado com duas salas de cirurgias, Escovódromo, DML, Expurgo, Esterilização, Depósito de Material Esterilizado, Farmácia, Posto de Enfermagem, RPA, Conforto Médico e duas salas de preparação para cirurgia por espécie (Assepsia e Anestesia).

Setor Internação:

Figura 59: Recortes do 1° Andar - Setor Internação Fonte: Elaborado pela autora


79

Ainda nesse pavimento encontra o setor de internação (Figura 59), atendendo aos pacientes com a possibilidade apartamentos individuais onde o animal de companhia poderá ser acompanhado pelo seu tutor (com dois apartamentos para esse fim); ou em coletividade como nas salas de internação existentes, porém separadas por espécies e infecciosa ou não (também por espécie).

Anexo à recepção da internação há um espaço reservado para os clientes em espera. Esse espaço é o terraço jardim (Figura 60), área aberta destinada a ajudar na redução do stress enquanto o cliente espera a visita ao seu animal de companhia.

Figura 60: Render do projeto – Terraço Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Este local é de acesso e circulação livres (hall e o terraço jardim). Para os outros setores o cliente só poderá ter acesso mediante acompanhamento de um funcionário responsável, conforme visto na Figura 58, ou seja, para a visita o cliente é avisado e acompanhado até o local onde o animal está internado.

4.2.4.6. Primeiro Andar - Fluxos

O fluxo (Figura61) de animais encaminhados a cirurgia também passa pelo hall da circulação vertical social, quando este é trazido pelo seu tutor. Este animal é encaminhado para a sala


80 de assepsia e anestesia, que fica entre o hall social e a circulação do centro cirúrgico. Após os procedimentos, ele é encaminhado à sala de cirurgia reservada para ele. Essa circulação é chamada de circulação limpa, pois toda circulação do centro cirúrgico é fechado e restrito, e somente quem trabalha nele poderá circular. Após a cirurgia, o paciente é encaminhado a área de RPA (Recuperação Pós Cirurgia), onde o animal fica até se reanimar (vigiado por enfermeiros) e após a confirmação de sua recuperação ele é encaminhado aos ambientes de internação reservados para tal, passando pela área de transferência de macas.

Figura 61: Planta Baixa do 1° Andar - Fluxos Fonte: Elaborado pela autora

A entrada de funcionários e médicos veterinários no centro cirúrgico é feita pelo sanitário de barreira, onde é feita a troca de roupas, criando uma barreira de área suja para a área limpa.


81 A transição entre essas duas áreas não é permitida, garantindo a higiênica em um espaço que deve ser estéreo, devendo apenas adentrar pelos sanitários de barreiras.

Após a passagem dos sanitários, os médicos e/ou funcionários são encaminhados a adentrar ao coração do centro cirúrgico passando pelo escovódromo, que fica localizado antes das salas de cirurgias.

Existe também o fluxo de materiais e utensílios sujos, esta circulação acontece apenas dentro do centro cirúrgico. Assim, os utensílios e materiais sujos (e material orgânico) saem das salas de cirurgia e é entregue na sala de Expurgo por um postigo. Nesta sala é feita a separação dos materiais orgânicos, descartáveis e utensílios. O material orgânico e descartável segue para o Lixo Hospitalar, enquanto os utensílios são repassados para a sala de esterilização. Neste é previamente limpo e depois posto no Autoclave6. Após esse procedimento estes utensílios são acondicionados na sala de Depósito de Materiais Esterilizados, para posterior utilização quando solicitado.

4.2.4.7. Pavimento Técnico e Caixa D’Água – Setorização e Fluxos

No pavimento técnico estão localizados a casa de máquinas dos elevadores (social e serviço), barrieletes, área técnica das salas de cirurgias, central de ar condicionado, os chillers, uma área para depósito de móveis e a caixa d’água da edificação (Figura 62).

Estes dois pavimentos são de acesso restrito, ou seja, apenas circulação de funcionários autorizados ou empresas responsáveis pela manutenção nos equipamentos localizados nesses pavimentos, estes acompanhados por funcionários autorizados.

6

Autoclave é um aparelho de esterilização de utensílios através do calor úmido sob pressão (TEIXEIRA, 2014).


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Figura 62: Planta Baixa do Pavimento Técnico e Caixa D’Água - Setorização, respectivamente. Fonte: Elaborado pela autora

A Caixa D’Água, localizada acima da escada de serviço, foi dimensionada juntamente com a Cisterna (que está localizada no subsolo dessa edificação) conforme item a seguir.

4.2.5. Dimensionamento dos Reservatórios de Água Fria

Levando em consideração que a água é um bem de altíssima necessidade e de valor considerável no orçamento mensal de uma clínica, por causa de seu alto consumo para limpeza (CUNHA, 2014), foi necessário o cálculo dos reservatórios conforme exigências (NBR 5626/98).

Com base nas informações adotadas com base em uma clínica de porte humano (TEIXEIRA, 2014), os reservatórios foram desenvolvidos conforme Tabela 8.


83

CONSUMO DE ÁGUA (P) POPULAÇÃO

LOCAIS INTERNAÇÃO - APTOS INTERNAÇÃO - APTOS INTERNAÇÃO - COLETIVA HOTEL REFEITÓRIO FUNCIONÁRIOS RECEPÇÃO E PET SHOP

2 2 40 19 50 50 96

(Q) CONSUMO PER CAPITA 200 100 60 60 25 50 50 1 dia 3 dias RTI 20%

RESERVATÓRIO INFERIOR 60% RESERVATÓRIO SUPERIOR 40% + RTI TOTAL

Cd = P x Q 400 200 2400 1140 1250 2500 4800 12.690 38.070 2.538 22.842 17.766 40.608

Tabela 8: Cálculo de Reservatórios – Consumo Diário Fonte: Elaborado pela autora com base na NBR 5626/98

Esse consumo leva em consideração que um animal consome pelo menos cinquenta por cento da água de um humano, e que cada ambiente (internação, hotel) são lavados uma vez por dia (no mínimo). Apenas considerado por pessoa o acompanhante da internação individual.

Não é levada em consideração a manutenção das áreas abertas contidas no terreno, sendo adotada para esta parte a reciclagem de água pluvial, a ser visto em Soluções Arquitetônicas de Destaque.

Em conclusão, considerando uma previsão para três dias de reserva de água fria, ficou o reservatório inferior (Cisterna) a quantidade de aproximadamente de 23m³ de água e para a Caixa D’Água ficou aproximadamente 18m³, totalizando aproximadamente 41 mil litros de água reservada.


84

4.2.6. Materiais de Acabamento e Revestimento

Os materiais de acabamento de uma edificação são a parte visível da construção. É uma peça importante do empreendimento, pois é praticamente ela que entram em contato direto com o cliente.

Eles podem ser especificados de forma apenas estéticos ou por especificação técnica exigida, como no caso de áreas hospitalares, pela Resolução RDC 50 (BRASIL, 2002), que é o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde humana; mas neste caso, de animais de companhia.

4.2.6.1. Centro Cirúrgico

Os materiais especificados para o projeto em questão estão descritos em Tabela (APÊNDICE 1) para o centro cirúrgico foram retirados da resolução RDC 50 (BRASIL, 2002). Este regulamento indica quais as qualificações dos materiais em cada ambiente, que neste caso refere-se ao centro cirúrgico do Pet Center.

O material empregado no piso deverá suportar a ação de materiais de limpezas pesados, pois o centro cirúrgico (principalmente a sala de cirurgia) precisa ser limpo e esterilizado constantemente (BRASIL, 2002). O mesmo vale para as tintas indicadas, pois elas devem suportar uma limpeza mais pesada se comprarmos as tintas de uso residencial.

É interessante ressaltar a inclusão de cores (não tão vibrantes, mais pastel) dentro da área cirúrgica (Figura 63), pois tem o intuito de quebrar a monotonia de um ambiente de alta pressão psicológica e muitas vezes cansaço físico.


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Figura 63: Imagem Manta Vinílica Fademac Fonte: CARPET EXPRESS, 2014

A Figura 63 vem para exemplificar uma mescla de cores que suaviza e ao mesmo tempo anima o local onde está aplicado. Isso é válido tanto para o centro cirúrgico quanto para o restante das áreas do Pet Center, já que este tipo de empreendimento necessita de limpeza constante e pesada.

O material empregado no centro cirúrgico também é recomendado no restante da edificação, ficando restrito a área de circulação e internação dos pacientes (animais de companhia), pois nessas áreas também se corre o risco de contaminação e o procedimento continua sendo o mesmo do centro cirúrgico.

4.2.6.2. Fachada

A proposta da fachada é quebrar a monotonia retilínea da edificação com materiais diferenciados e personalizados, a fim de diferenciá-la de outras edificações.

Os materiais empregados nela vão de cobogós personalizados (Partido Arquitetônico), madeira, vegetação aparente e cores. Conforme Figura 64 podemos observar os diferentes materiais sugeridos para compor sua fachada principal.


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Figura 64: Composição da Fachada da Edificação Fonte: Elaborado pela autora

A composição desses materiais e cores são demonstradas nas Figuras 65 a 68.

Figura 65: Perspectiva da Edificação Fonte: Elaborado pela autora

Figura 66: Perspectiva da Edificação Fonte: Elaborado pela autora


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Figura 67: Perspectiva da Edificação Fonte: Elaborado pela autora

Figura 68: Perspectiva da Edificação Fonte: Elaborado pela autora

4.2.7. Conforto Ambiental e Sustentabilidade: Materiais e Técnicas

Hoje não se concebe uma edificação sem ser atrelada a consciência e conforto ambiental. E o conceito de conforto ambiental, conforme Sampaio (2005) é o sentimento de bem-estar completo gerado pelo ambiente criado pelo arquiteto. É o resultado de fatores que ajudam a qualidade de vida no espaço, garantindo assim um aumento na eficiência das pessoas (SAMPAIO, 2005).

Há uma grande importância na compreensão dessa relação da produtividade e da qualidade de vida com o conforto, partindo do projeto de arquitetura (KOWALTOWSKI, 1998). E com


88 esse pensamento que segue alguns itens favoráveis a criação de ambientes com conforto ambiental e também com consciência sustentável aplicados em projeto.

4.2.7.1. Conforto Acústico, Térmico e Iluminação

Quando deparamos com a parte acústica de um Pet Center, devemos considerar duas importantes informações: o ruído gerado pelos animais (para fora da edificação) e a qualidade de som nos ambientes.

Considerando o primeiro ponto que é a geração de ruídos, podemos focar nos ambientes de permanência de animais, que são os de internação e de hotelaria (Figura 69). Esses ambientes são geradores de ruídos.

A própria setorização do edifício pode propiciar barreiras a fontes de ruído interno e externo (DE OLIVEIRA; RIBAS, 1995). Sua localização foi previamente voltada para uma área onde está localizada atividades de uso comercial. Entre elas há um muro de altura o suficiente para ajudar, criando uma barreira acústica (Figura 69 - Térreo).

Figura 69: Pavimento Térreo e Superior, respectivamente Fonte: Elaborado pela autora


89 Nesses ambientes são empregados materiais para auxiliar no bloqueio do ruído gerado pelos animais, considerando que são áreas molhadas. Para isso foi adotado na parede a técnica de DryWall (Figura 70) com revestimento cerâmico. A formação dessa parede é constituída por Placas de Gesso Acartonado RU7 e com Lã de Pet8.

Figura 70: Esquema de Parede de Dry Wall com Isolamento Acústico / Esquema de impermeabilização da interface piso-drywall Fonte: PINI, 2004 e TECHNE, 2007, respectivamente.

Ainda temos o forro de gesso componível (Figura 71) com proteção acústica com Lã de Pet. O forro componível traz a agilidade de instalação no local e acima de tudo uma capacidade de modificação do layout da iluminação muito maior em empreendimentos comerciais.

Figura 71: Esquema Forro Acústico Fonte: FORUM DA CASA, 2010 7

De acordo com a norma NBR 14.717, que define as características físicas das chapas de gesso acartonado, as placas RU devem apresentar uma taxa de absorção de água máxima de 5% (TECHNE, 2007). 8 É um isolante térmico e acústico ecologicamente correto, proveniente de matéria-prima reciclada, 100% reciclável e comercializada em forma de mantas ou painéis (NEOTERMICA, 2015).


90

A utilização de Lã de Pet proporciona no auxílio da questão sustentável de uma edificação, pois essa lã é produzida a partir da fibra de Poliéster, retiradas do processo de reciclagem das garrafas PET. Para a produção não se usa resinas e nem a utilização de água durante o processo e sem emissão de carbono na atmosfera (NEOTERMICA, 2015).

As aberturas dos ambientes geradores de ruídos também recebem uma atenção quando a conforto acústico. A utilização de janelas com vedação maior e vidro duplo (Figura 72) ajudam consideravelmente na diminuição da propagação dos ruídos emitidos (DE OLIVEIRA; RIBAS, 1995), neste caso, dos animais.

Todos esses materiais auxiliam também na redução do calor, ajudando também no conforto térmico, auxiliando na diminuição da utilização do ar condicionando, ajudando assim também na redução do consumo da energia elétrica.

Figura 72: Esquema de Janelas Antirruído Fonte: AECWEB, 2015

As circulações projetadas na fachada norte são para auxiliar os espaços anexos a elas, ajudando na entrada de luz e ventilação natural, criando uma espécie de brise pelo afastamento dos ambientes.


91 Na fachada oeste, onde está localizada a fachada principal da edificação, é dupla (Figura 73), criando uma espécie de segunda pele para “quebrar” a incidência do sol, sem deixar de aproveitar a iluminação que isso proporciona. Também se deve levar em conta que as edificações que estão localizadas na frente do Pet Center ajudarão no bloqueio do sol, quando este estiver se pondo.

Figura 73: Perspectiva Fachada Dupla Fonte: Elaborado pela autora

Na Figura 74 mostra o estudo solar referente às recepções diferenciadas do Pet Center, pois esses espaços estão voltados para a fachada Oeste.

Figura 74: Estudo Solar das Recepções da Clínica – Horários: 8:00, 12:00 e 16:00hs respectivamente. Fonte: Elaborado pela autora

Os quartos de internação e os de hotelaria estão voltados para a fachada sul, assim não recebendo incidência de luz solar, porém as áreas de abertura (vidro) permitem que a iluminação natural entre nos ambientes. Há a possibilidade de ventilação natural, porém o funcionário terá que ter o cuidado de não ajudar na propagação de ruídos para a vizinhança.


92

Além disso, foi projetado claraboias (Figura 75) para auxiliar na iluminação natural na área do Pet Shop da edificação. Essa solução foi inspirada em um dos estudos de caso realizados neste trabalho, criando mais uma opção sustentável para redução no consumo de energia elétrica.

Figura 75: Esquema Clarabóia – Pet Shop Fonte: Elaborado pela autora

O uso do terraço jardim (Figura 60, 76, 77 e 78) também representa ganhos ao conforto térmico, uma vez que a vegetação absorve parte da radiação solar, protegendo a laje de cobertura e amenizando o ganho térmico nos ambientes anexos e inferiores (FONSECA, 2009). O terraço jardim (APÊNDICE 3), ainda auxilia na questão de conforto mental pois o ambiente é destinado para os clientes que estão em tensão na espera da visita ou de um procedimento cirúrgico.

Figura 76: Perspectiva do Terraço Jardim Fonte: Elaborado pela autora


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Figura 77: Perspectiva do Terraço Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Figura 78: Perspectiva do Terraço Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Esse pensamento também se encaixa na área de descanso para os funcionários (Figura 79 e 80), instalado no subsolo da edificação, anexo ao refeitório. A criação de espaço descontraído auxilia no conforto mental dos funcionários, auxiliando no ganho de produtividade.


94

Figura 79: Perspectiva da Área de Descanso para os Funcionários Fonte: Elaborado pela autora

Figura 80: Perspectiva da Área de Descanso para os Funcionários Fonte: Elaborado pela autora

4.2.7.2. Sustentabilidade: Reutilização de Águas Pluviais

É de conhecimento que há utilização abundante de água para limpeza em empreendimentos que trabalham diretamente com os animais. Também é de conhecimento de todos que a água é um bem de extrema importância para todos e que precisar ser utilizado de modo racionalizado, para se atender aos propósitos de sustentabilidade.


95 Pensando nisso, foi proposto a reutilização da água de chuva para o Pet Center. Esse sistema capta a água da chuva que cai sobre superfícies, direcionando-as a reservatórios de armazenamento para posterior utilização (ANNECCHINI, 2005).

Neste caso será usado o telhado para a captação da água da chuva, as calhas irão direcionala para os dutos que já possuirão grelhas, e a água será filtrada e direcionada para o reservatório, conforme Figura 81.

Figura 81: Sistema Fluxo Total de Captação de Água Pluvial Fonte: ANNECCHINI, 2005

Esta água não terá tratamento além da filtragem de materiais grosseiros (como folhas), através de grelhas. Essa água será utilizada para a irrigação dos jardins e para limpeza das áreas de hotelaria da edificação. O reservatório recomendado é o Subterrâneo de 10.000 litros da Fibratec, pois utiliza um sistema simples e se adapta a qualquer local.

4.2.7.3. Ergonomia

Ao se falar em ergonomia na arquitetura, pode-se definir como os projetos são avaliados enquanto à geometria dos espaços e onde estão alocados seus equipamentos, sua circulação, questão de tempo de utilização, às posturas corporais e os movimentos repetitivos e a sensibilidade a essas ações (KOWALTOWSKI, 1998).


96

Segundo Kowaltowski (1998), “[...] a sensação de conforto corporal é decorrente de inúmeros fatores orgânicos e ambientais, sendo que os fatores físicos relacionam-se com a conformação dos elementos com os quais o corpo tem contato físico direto”.

Neste contexto, os espaços que possuem esse tipo de necessidade são praticamente todos os ambientes que envolvem a lida com processos administrativos, como por exemplo, as recepções e os que envolvem trabalho que lida com o animal, como por exemplo, o de banho, tosa e cirurgia.

Nestes casos, o layout e alturas das bancadas deverão receber atenção na hora de sua execução; as cadeiras e posição de seus acentos em conformidade com as bancadas; o processo de execução das funções e a formação dos materiais para a execução dessas funções (sequencia de materiais conforme o processo) ajudam a diminuir o tempo do processo e diminuem os movimentos corporais. Tendo vista que também deverão constar nesses procedimentos de projeto e execução as regras das normas técnicas (NBR 9050/2004) de acessibilidade.

4.2.8. Técnicas Construtivas Para a estrutura, foi indicada a laje protendida9 por sua esbelteza e diminuição do tempo de construção em decorrência da racionalização natural dos métodos de execução da laje (MELGES, 2001). A consideração de laje mais livre, denota certa disposição de retirada de pilares (lançamentos prévios no projeto) conforme a necessidade, já que eles estão dispostos em quase de sete em sete metros (considerando duas vagas de veículos entre elas) e laje protendida permite quase quinze metros conforme o peso estrutural.

9

A laje protendida consiste em cabos ou cordoalhas posicionados, onde a protensão é por um conjunto de macacos hidráulicos e acontecerão alguns dias após o lançamento do concreto (MELGES, 2001).


97 4.3. Considerações Finais Cada vez mais os animais de companhia adentram as famílias humanas, criando um vínculo fraterno, marcada por muitos sentimentos bons para ambos. E dessa forma a criação do laço afetivo gera a necessidade dos cuidados direcionados ao animal, fisiológicos e estéticos. Esses cuidados, ou seja, a humanização do animal é a base que movimenta o mercado veterinário de animais de companhia, cujo setor está em ascensão nacional e mundial. Além dos serviços básicos, os empreendimentos que se destacam são aqueles que proporcionam ao animal de companhia um atendimento diferenciado e assim transferem segurança ao seu tutor, além dos “mimos” que são oferecidos desde petiscos até massagens terapêuticas. Para que isso fosse possível, tornou-se necessário um embasamento técnico através de pesquisas e entrevistas, onde cada pequeno detalhe trouxe um ponto forte para esse trabalho. O projeto proposto foi desenvolvido a fim de atender as necessidades básicas de todos os serviços oferecidos em um Pet Center (Clínica, hospital, hotelaria, pet shop, adestramento e fisioterapia), porém trazendo padrões e diferenciais internacionais ainda não vistos em nossa região. Assim trazendo inovações em questão de conforto (cliente animal / funcionários) e atendimento personalizado. A concepção do projeto teve como embasamento os estudos de caso e a tabela proveniente da compilação desses casos. A mesma foi considerada como ponto de partida para criação dos espaços e a diagramação do projeto. Com isso, pôde-se desenvolver o projeto promovendo ambientes com qualidade espacial e interação adequada entre eles, criando uma proposta programática e projetual do complexo de atendimento para animais de companhia.

A elaboração deste trabalho contribuiu para ampliação dos conhecimentos em arquitetura de edificações voltadas à medicina veterinária, comportamento dos animais e às demandas de seus tratamentos e legislações, auxiliando na concepção do produto final, um Pet Center de proporções adequadas à realidade local.


98

REFERÊNCIAS


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104

APÊNDICES


105

APÊNDICE 1 AMBIENTE SANITÁRIO DE BARREIRA MASCULINO SANITÁRIO DE BARREIRA FEMININO CONFORTO MÉDICO

ROUPARIA

EXPURGO

ESTERIZAÇÃO DEP. MATERIAL ESTERIZADO DML

FARMÁCIA

ESCOVÓDROMO

CORREDOR

SALA DE CIRURGIA 1

SALA DE CIRURGIA 2

POSTO ENFERMAGEM

RPA SALA ASSEPSIA E ANESTESIA FELINA SALA ASSEPSIA E ANESTESIA CANINA

PISO

PAREDE

TETO

Manta Vinílica Fademac (soldada Manta Vinílica Fademac (soldada a Tinta Hospitalar Sherwin a quente) - IQ NATURAL na cor quente) -WETROOM AQUARELLE Willians Semi Brilho - SW azul (3009 293 2 3009 294). WALL HFS na cor azul (3942023). 7005 Pure White Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - IQ NATURAL na cor azul (3009 290 2 3009 291). Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - IQ NATURAL na cor branco (3009 271). Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium na cor ICE. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE e EDEN. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE e EDEN. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE e EDEN. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE e CLEAR BLUE. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE e EDEN. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE, HERB e SURF. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE, HERB e SURF. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ATHLANTIC e SURF. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ECO e HERB. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE, HERB e SURF. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE, HERB e SURF. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE, HERB e SURF. Manta Vinílica Fademac (soldada a quente) - Eclipse Premium nas cores ICE, HERB e SURF.

Manta Vinílica Fademac (soldada a Tinta Hospitalar Sherwin quente) -WETROOM AQUARELLE Willians Semi Brilho - SW WALL HFS na cor verde (3942025). 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Tinta Hospitalar Sherwin Willians Willians Semi Brilho - SW Semi Brilho - SW 7004 SnowBound 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Tinta Hospitalar Sherwin Willians Willians Semi Brilho - SW Semi Brilho - SW 7004 SnowBound 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Tinta Hospitalar Sherwin Willians Willians Semi Brilho - SW Semi Brilho - SW 6469 Dewy 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6435 Gratifying Willians Semi Brilho - SW Green 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Tinta Hospitalar Sherwin Semi Brilho - SW 6434 Pinache Willians Semi Brilho - SW White 7005 Pure White Tinta Hospitalar Sherwin Willians Semi Brilho - SW 6434 Pinache White

Tinta Hospitalar Sherwin Willians Semi Brilho - SW 7005 Pure White

Tabela 9: Tabela de Materiais Especificados para o Centro Cirúrgico Fonte: Elaborado pela autora


106

APÊNDICE 2 As imagens a seguir (Imagens 82 a 89), referem-se aos fluxogramas detalhados de cada setor proposto no fluxograma geral (Figura 36).

Figura 82: Fluxograma Setor Pet Shop Fonte: Elaborado pela autora

Figura 83: Fluxograma Setor Clínica Veterinária Fonte: Elaborado pela autora


107

Figura 84: Fluxograma Setor Cirúrgico Fonte: Elaborado pela autora

Figura 85: Fluxograma Setor Internação Fonte: Elaborado pela autora


108

Figura 86: Fluxograma Setor Funcional Fonte: Elaborado pela autora

Figura 87: Fluxograma Setor Hotel Fonte: Elaborado pela autora


109

Figura 88: Fluxograma Setor รrea Recreativa e/ou Adestramento Fonte: Elaborado pela autora

Figura 89: Fluxo para os lixos e cadรกveres Fonte: Elaborado pela autora


110

APรŠNDICE 3

Figura 90: Perspectiva do Terraรงo Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Figura 91: Perspectiva do Terraรงo Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Figura 92: Perspectiva do Terraรงo Jardim Fonte: Elaborado pela autora


111

Figura 93: Perspectiva do Terraรงo Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Figura 94: Perspectiva do Terraรงo Jardim Fonte: Elaborado pela autora

Figura 95: Perspectiva do Terraรงo Jardim Fonte: Elaborado pela autora


112

APÊNDICE 4

APÊNDICE 4.1. PRANCHA 01/07: PLANTA DE SITUAÇÃO

APÊNDICE 4.2. PRANCHA 02/07: PLANTA BAIXA DO SUBSOLO

APÊNDICE 4.3. PRANCHA 03/07: PLANTA BAIXA DO TÉRREO

APÊNDICE 4.4. PRANCHA 04/07: PLANTA BAIXA DO 1° ANDAR

APÊNDICE 4.5. PRANCHA 05/07: PLANTA BAIXA DO PAVIMENTO TÉCNICO E CAIXA D’ÁGUA

APÊNDICE 4.6. PRANCHA 06/07: PLANTA DE COBERTURA E CORTES

APÊNDICE 4.7. PRANCHA 07/07: FACHADA E PERSPECTIVAS

TCC arqurbuvv  

2015-01 - Danubia Giacomin

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