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Bahia Análise & Dados - Biodiversidade

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Biodiversidade e desenvolvimento na Bahia

Costa das Baleias não teve os mesmos resultados. A mudança deste cenário negativo é necessária A infraestrutura deficiente de transportes (especial- e possível, mas, para isso, o reconhecimento de que mente a falta de um aeroporto), a pouca divulgação o capital natural deve estar no centro de uma estrados produtos oferecidos e a falta de segurança para tégia de desenvolvimento para a região é um passo investimentos (devido a indeessencial. Neste contexto, o finições no processo de uso A exploração dos estoques planejamento integrado da público das unidades de conproteção dos ecossistemas, pesqueiros tem sido realizada de servação) fizeram com que forma intensiva e a alta produção é dos usos e da ocupação do a atividade crescesse mais mantida pela exploração constante território nas zonas costeiras timidamente ou até regredise marinhas é o caminho que de novas áreas e recursos se em alguns municípios. O se propõe para colocar a reParque Nacional Marinho dos Abrolhos, que já teve gião no rumo de um desenvolvimento sustentável. cerca de 15 mil visitantes por ano em 1997 (dados Para avançar no planejamento de economias cedidos pelo Parque Nacional Marinho dos Abro- verdes na região, é preciso considerar alguns conlhos), hoje recebe menos de 4 mil turistas anual- textos. Primeiramente que o turismo costeiro e mente. Por sua vez, o Parque Municipal Marinho do marinho tem um grande potencial de crescimento Recife de Fora recebe cerca de 100 mil visitantes na região, devido aos seus atributos únicos – cada por ano, mostrando que há demanda para este tipo vez mais conhecidos nacional e internacionalmende produto. te – e ao crescente interesse da sociedade pelos A pesca é outra atividade que cresceu muito oceanos. Por outro lado, enquanto as populações na região dos Abrolhos na última década. Apesar das espécies alvo da pesca artesanal no Brasil esda alta informalidade da atividade e da escassez tão em sua maioria sobre-explotadas (VASCONde estatísticas oficiais, estima-se que a pesca em- CELLOS; DIEGUES; SALLES, 2007), nos Abrolhos pregue hoje cerca de 20 mil pessoas na região. A estudos e iniciativas demonstram, em pequena esexploração dos recursos, entretanto, tem sido feita cala, a possibilidade de recuperação da produção de forma insustentável, o que coloca em grande ris- através de um ordenamento mais adequado do uso co o futuro da atividade. A exploração dos estoques dos recursos, como vem ocorrendo nas reservas pesqueiros tem sido realizada de forma intensiva e extrativistas marinhas e no entorno das áreas fea alta produção é mantida pela exploração constan- chadas para a pesca (FRANCINI-FILHO; MOURA te de novas áreas e recursos. Exemplo claro é caso 2008a, 2008b). do budião-azul (Scarus trispinosus), um peixe herO turismo no extremo sul da Bahia estruturoubívoro de grande importância para manter o equilí- -se tendo como principal atrativo as belas praias da brio nos recifes de coral. Esta espécie praticamente região (PRODETUR NE II, 2001). Supõe-se que o não era pescada há uma década e hoje é um dos desenvolvimento de outros produtos turísticos pode principais produtos da pesca regional, estando dis- aumentar muito o interesse sobre a região e atrair ponível para comercialização em forma de filé nos novos visitantes. As riquezas marinhas são inúmerestaurantes da região. O esforço intensivo de cap- ras e praticamente desconhecidas. O mergulho em tura e a falta de manejo específico fizeram com que Abrolhos é uma experiência única, já que as estruo budião-azul sofresse um grande declínio em sua turas recifais que existem ali não são encontradas população, entrando na lista vermelha de espécies em nenhuma outra parte do mundo. Também a faciameaçadas da União Internacional para Conserva- lidade de observar peixes recifais, tartarugas e aves ção da Natureza, o que significa que o fim de sua marinhas no Arquipélago dos Abrolhos, assim como captura é uma questão de tempo. o mergulho nas imediações onde ocorreram nau492

Bahia anál. dados, Salvador, v. 22, n. 3, p.485-502, jul./set. 2012


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