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Introdução Empírico é uma Revista que surgiu de uma idéia em conjunto dos Alunos do Curso técnioc Integrado em Multimídia do IFRN Campus Natal - Cidade Alta sob a orientação do professor Alfredo Marques. Sua Primeira Edição consiste em uma análise do contexto atual do Presídio de Alcaçuz - RN, com os conceitos de lei moral de Immanuel Kant. São Ilustrações, Charges, Textos dissertativos, e tirinhas envolvendo o conteúdo. Inicialmente a Empírico possuiu apenas circulação digital, podendo depois ter sua versão impressa.


Ficha técnica ORIENTAÇÃO DE KANT: Alfredo Marques PROJETO GRÁFICO: Daniel de Sena REVISÃO: Joyce Barreto DIAGRAMAÇÃO: Thiago Souto ILUSTRAÇÃO DA CAPA: Beatriz Moreira AGRADECIMENTOS: Sílvia Matos Beto Leite


Editorial Há um filósofo alemão chamado Immanuel Kant onde seus conceitos baseiam-se nas armas de conhecimento que utilizam a razão e a sensibilidade como meios de agir com ética, onde a sensibilidade é guiada pela intuição, em nossas experiências, e a razão é guiada pelo princípio a priori, ou seja, que não é dependente das experiências humanas, é imutável, universal e infinita. Os princípios de uma lei universal devem seguir a razão, ser postos em prática, sem se deixar levar pela sensibilidade, pois em tese o Estado deve ser sempre racional. A situação carcerária no Brasil é preocupante, a maioria de nossos presídios não possui condições estruturais e humanas, como no caso do presídio de Alcaçuz em Nísia Floresta/RN. A concepção da dignidade da pessoa humana, passou por um processo de laicização e racionalização, mantendo-se, contudo, a noção fundamental da igualdade de todos os homens em dignidade e liberdade. De modo particular, Kant, concebia a dignidade como parte da autonomia ética do ser humano, afirmava que ele não poderia ser tratado nem por ele próprio como objeto. Quando comete crimes, uma pessoa é presa e é julgada pela lei, entretanto, as prisões parecem não melhorar a condição do indivíduo que é preso, ela presume ser como um meio de darexemplo para a sociedade, mostrando o que acontece com quem não segue as leis. Isso não é correto de acordo com a ética do princípio da dignidade da pessoa humana proposta por Kant, pois estamos usando de um meio (prender) para um fim. Para Kant, a dignidade é o valor que se reveste tudo o que não tem preço, um valor próprio e único, sendo uma qualidade da essência do


ser humano enquanto um ser pensante. Cada ser humano é capaz de construir sua própria personalidade, cada uma delas individual, única e insubstituível. Sendo assim o principal legado de Kant para a filosofia dos direitos humanos é a igualdade na atribuição da dignidade. Diante disso, as prisões não deveriam usar os presos como instrumento para um fim, ou seja, dar exemplo à sociedade, pois esses possuem dignidade e um conjunto de valores que os diferenciam de meros instrumentos. Elas deviam ser o instrumento para obter proveitos para ela mesma, sendo assim, um meio para um fim em si próprio. O centro de detenção provisória localizado em São Paulo do Potengi, 72 Km de Natal, é um exemplo a ser seguido, não existem relatos de fugas há dois anos. Lá os presos produzem hortaliças, artesanato e pintura, parte da produção é comercializada. O dinheiro da venda é dividido entre os presidiários e a unidade prisional. Um verdadeiro modelo que funciona e contribui para que os detentos não sejam meio e sim a prisão, os detentos encontrarão o fim em si mesmo.

Ilustração de: Vínicius Carlota


Que lei irá vencer? Texto de Elizabeth Mariana

Quando olhamos para a situação do crime no Brasil, vemos que ele tem sua organização, sua lei e sua forma de conduta, que, se não forem seguidas a risca, tem-se o perigo de perder a sua vida e a de seus entes queridos. Para Kant, nosso conhecimento tem que ser a respeito de uma realidade. E, se a realidade daqueles que estão encarcerados é viver para sobreviver, eles vão aprender a lei do mais forte, em que se não estiver no comando, não há chance de vida. Por isso, acontecem tantas disputas de poder, tanto dentro dos presídios quanto nas ruas, seja para dominar o tráfico de drogas ou ter o controle de uma cadeia. Kant também dizia que há a necessidade da ação só para cumprir a lei moral Portanto, se em determinada facção houver a ordem para queimar X ônibus ou invadir Y pavilhões, será feito, pelo puro respeito à lei e à hierarquia. Sim, posso afirmar com clareza que muitas vezes os bandidos têm mais organização e planejamento do que o governo. Isso que estamos vendo em Alcaçuz e em outros presídios do Brasil, é apenas uma lei moral( que para a maioria da sociedade é errada, porém não para os criminosos) sendo imposta sobre outra lei moral( aquela que é correta perante a sociedade, as leis governamentais) ineficaz, que não corrige o preso, não o ensina sair do mundo obscuro e perigoso do crime. E, ainda dentro da questão de que a lei dos criminosos está se fazendo valer, dentro disso ainda há uma disputa para saber quem será o grupo dominante, ou o PCC ou o Sindicato do Crime. Por isso, estamos vendo acontecer essa guerra franca, algo medieval, puramente uma disputa de qual lei moral se sairá vencedora. Quem acaba sofrendo com tudo isso é a população. Esperamos que haja o controle disso e o bem de todos.


Ilustração de: Aline Nogueira, Carla Aline, Cecília Silva e Thais Rayane


Em suas cabeças...

Poesia escrita por: Alberto Nascimento

Em suas cabeças... Em tarde de sol Brisava em alcaçuz Um jogo de terror Era bala matando quem não tinha envolvimento sem o histórico de malfeitor Preto, branco, rico, pobre o sangue é da mesma cor, tratados por diferença racial, tem um final fatal. Sela de 10 com mais de 100 contando os dias pra sair do armazém, tratados como ratos sujos, as vezes injustiçados Os chamados vagabundos de nossa nação. Choravam pra sair dali, a cada dia o desespero aumentava, e o cativeiro apenas desmoronava em suas cabeças. Em suas cabeças.


Ilustração de: Ana Beatriz Moreira


Sua ética tem nome?

Poesia escrita por: Maria Helena e Regina Azevedo

sua ética tem nome? você grita morte em brado forte como quem pede socorro você grita morte aos rostos manchados de sangue aos sem oportunidade às famílias destruídas aos estudos interrompidos você grita morte aos marginalizados aos corpos baleados aos filhos rejeitados aos que passam fome você grita morte às almas esquecidas aos que vivem o inferno às mentes prostituídas aos que dormem por entre ratos aos doentes você grita morte mas e se fosse seu filho sem perspectiva de vida e se fosse o nome do seu pai denunciado no jornal local e se fosse seu tio atrás das grades e se fosse conhecida aquela cabeça decepada


e se fosse sua esposa agredida por policiais e se fosse sua mãe no fogo como churrasco e se fosse seu avô em pedaços nas caixas do ITEP e se fosse você sujo e fedendo a sangue e se fosse seu chefe matando para viver e se fosse do seu melhor amigo aquele corpo no topo da pilha e se fosse seu primo no comando da facção e se fosse sua filha tendo de reconhecer o seu rosto dilacerado e se fosse seu irmão apanhando até a morte e se fosse sua avó chorando diante do seu corpo e se fosse seu colega de trabalho morto numa mesa com peritos contando as balas e se fosse seu bisavô objeto de investigação e se os tiros e facadas fossem em quem é sangue do seu sangue você finalmente se importaria?


Ilustração de: Ana Clara Ribeiro e Maria Clara Oliveira


O Homem como meio no presídio de Alcaçuz Texto de Pedro Felipe

Um princípio que Immanuel Kant desenvolve em A Fundamentação da Metafisica é o Imperativo Categórico, nele desenvolve-se o conceito de que é dever de todo ser racional tomar decisões que possam ser seguidas por todas as pessoas, pois trariam benefícios para todos, ou seja universaliza suas ações. A base para universalizar nossas ações é admitir que uma coisa tenha valor absoluto em si mesma, tornando-se base para as leis práticas, o homem é aceito então como ser racional existente como fim em si mesmo não podendo ser usado como meio para alcançar vontades onde o fim que não esteja nele mesmo. Em alcaçuz o homem é usado como meio tanto pelas facções criminosas como pelo estado. As facções demonstram sua força assinando membros da facção inimiga na tentativa de adquirir o domínio do presidio, o homem é usado como meio para dominar o presídio, o segundo utiliza o homem como meio para fazer a justiça não para o condenado, mas para servir de exemplo para sociedade. A atitude das facções claramente não pode ser universalizada já que tira o valor absoluto do homem e o coloca apenas como um meio de suas vontades, no caso dominar a unidade prisional. Já o estado tenta ensinar a população as consequências dos seus atos não pela razão e sim pelo lado empírico, mas uma vez o ser racional dentro de alcaçuz é tratado como meio para um fim que não está nele mesmo. Toda essa rebelião teve uma causa que pode ser, baseado na obra de Kant, a falta de racionalidade do estado no tratamento dos detentos usando os como meio, quando que se fosse tratado como fim em si mesmo o fim seria a sua ressocialização na sociedade depois de ter pago a sua pena.


A razão universal

Poesia escrita por: Giovanna Arend, Isabele Dantas, Mateus Ferreira.

Sobre tudo o que vivemos, Sobre tudo o que pensamos, Sobre tudo o que temos, Sobre tudo o que de aprendizado levamos. Fazem parte da sensibilidade, De nossas experiências, Onde procuramos agir com prudência, Mas Kant nos diz sobre a racionalidade. Onde defende a universalidade, A lei moral, Um ser racional, Uma positiva liberdade. O respeito ao dever, O chamado imperativo categórico, No qual o Estado já deveria saber, E agir com pensamento lógico. Mas como nos presídios de Alcaçuz, Tal pensamento não se reproduz, Possuindo rivalidade, Entre duas facções lutando pelo poder e liberdade. Causando medo na sociedade, E cada um tendo a sua verdade, Mas o que se passa nos presídios? Por que há tantos fugitivos?


A lei é realmente seguida, Como está puramente escrita? Kant provavelmente diria que não, Pois não estão seguindo a razão. Se a lei realmente fosse seguida, Esses presos teriam outra vida, Pois estão misturados, Em um cela que cabem dez pessoas há cem presidiários. Atitude desumana, Do Estado que comanda, Pois um ladrão de galinha, Para sobreviver lá dentro teve que sair da linha. Escolher entre uma das facções, Assim desconhecendo quaisquer razões, E a morte sendo universalizada E a razão não sendo empregada. E assim Kant com a faculdade da razão, Nos mostra que deveríamos agir sem mediação Defendendo que a lei deveria ser universal, E o ser Racional.


Frases retiradas da internet.


Ilustrações de; Anelly Gomes, Alice Souto, Carmen Felix e Gustavo Henrique.


Como diria Kant: Deu Merda

Texto escrito por: Jerusa Vieira, Gabriely Letícia, Fernanda Rocha, Wallace Vitor e Guilherme Macedo.

A falta de organização e monitoramento no sistema penitenciário brasileiro não é algo novo para todos porém, os últimos acontecimentos no estado do Rio Grande do Norte, teve um impacto muito grande. Os presos do presídio de Alcaçuz se rebelaram, queimaram e mataram. A rivalidade entre duas facções foi o principal motivo. Isso acabou gerando uma fuga em massa, amedrontando a população. Uma maior fuga teria sido possível se o pedido dos presidiários tivesse sido atendido. Eles requisitaram ao STTU que sinalizassem os tuneis de fuga mas, são tantos que eles acabaram se perdendo na hora de fugir. Essa rebelião não se limitou, somente, ao presídio pois, houveram vários casos de incêndio em transportes públicos e órgãos do estado. Isso porque faz mais frio aqui fora do que na prisão. Tem muita gente aproveitando o ocorrido para sensacionalizar a situação. Houveram boatos que os detentos praticaram atos canibalistas, até porque prenderam Hannibal Lecter em Alcaçuz. Talvez o canibalismo tenha tido outro motivo, será que a comida é tão ruim assim? A má comida, péssima infraestrutura, falta de higiene e super lotação são companheiros de todos os presos de Alcaçuz. O tratamento chega a ser desumano motivando-os a serem mais agressivos e revoltados. O excesso de detentos também é algo alarmante pois, a penitenciária contém, atualmente, o dobro da sua capacidade gerando, assim, fatores que auxiliam na proliferação de epidemias e ao contágio de doenças, dentre elas o HIV, uma vez que estima-se que cerca de 20% dos presos sejam portadores da doença. Sendo assim, os métodos prisionais do sistema brasileiro tem muitas falhas. Não contribuindo para a reintegração do preso na vida social.


Outras formas eficazes de ressocialização seria a isolação total dos detentos da sociedade, levando-se em consideração ter consciência dos seus atos e, responsáveis por eles. Esse método, apoiado por Immanuel Kant, já foi implantado em sistemas prisionais da Filadélfia e Auburn. Nesse sistema determina-se o isolamento absoluto, sugerindo a leitura da Bíblia. Isolamento e livros sagrados. Não são presidiários, são monges budistas. Esse modelo também sugere não ter atividades ou visitas. Muitas críticas foram tecidas a respeito, pois nesse modo não se cumpria o papel de readaptação social. Há quem diga que os detentos são tratados como lixo. Porém, a diferença entre o lixo e o preso, é que lixo pode ser reaproveitado. Entretanto, diferente desse método, o sistema progressivo tem como aspecto reincorporar o recluso na sociedade, visando a reforma moral e a preparação para a vida futura. Para Kant, a justificação da pena é de ordem ética. A sua teoria consagra o princípio de que nenhum homem pode ser usado como meio, o que nos faz concluir que aplicar a pena a alguém objetivando fins sociais seria eticamente errado. Portanto, a confusão em alcaçuz tem tudo a ver com a teoria de Kant que é interessante e inspiradora, nos faz refletir sobre como o sistema prisional do brasil é uma porcaria.


Ilustração de: Devidson Rommel e Luccas Marinho


Aspecto dos lados

texto escrito por: Thiago Luís e José Serafim Nesses últimos tempos, o que dá pra se notar na internet, sobre Alcaçuz, é algo assustador: violência explícita, esfaqueamentos, decapitações, pessoas morrendo e pessoas matando, brigas entre facções rivais dentro da penitenciaria e fora também, brigas por drogas, mas a violência também está aqui fora, porém maquiada, como uma forma ‘’muito humana’’ de dizer que não está nem aí , que menos um ,menos dois, menos três, quanto mais melhor, enquanto o problema continua aqui fora . A morte dessas pessoas no presidio é apenas resultado que do que, se nós observarmos, começa aqui fora, todas elas já foram condenadas a pena de morte. Você que diz que não existe pena de morte aqui no Brasil, existe sim, simplesmente nós não acreditamos que essas pessoas presas possam se recuperar, algumas delas realmente não merecem e de certa forma não podem, então, que nós consigamos recuperar os que estão aqui fora, mas não será expondo essas opiniões pesadas, agressivas e desumanas, de dizer que ‘’as mortes foram boas’’ ou que ‘’ foi bom que tenham morrido’’, repetir esse discurso bruto ou até mesmo falar que ‘’ bandido bom é bandido morto’’; Realmente, bandido bom é bandido morto, vejamos: sabe quando um bandido é morto? Quando ele está na escola e precisa pegar o lápis do coleguinha porque não tem condições de possuir um daqueles, leva pra casa e o responsável não pergunta de onde veio o objeto e com isso, ele faz uma ,duas ,três vezes, aí sim está deixando um bandido crescer, se o responsável perguntasse a primeira vez ,a segunda, a terceira, conseguiria matar o bandido, não deixaria ele crescer, ensinando-o a não pegar objetos de outras pessoas e fazendo ele devolver desde a primeira vez. Com isso, mataria o bandido e deixaria a criança crescer. São essas crianças que não estão crescendo mais, são essas crianças que ‘’morreram ‘.Tem pessoas que tem tudo de luxo, dinheiro acumulado, mas também tem pessoas que não tem. Vivemos no Brasil, país que possui a 4° maior população carcerária do mundo e não bastasse, possuí alto nível de desigualdade social, outros países tem lei pra tudo (dê exemplo de um país), aqui no Brasil quem vai preso é pobre, são eles quem vão presos, justamente as pessoas que vivem em situações precárias e que têm pouquíssimo dinheiro, são essas pessoas que são presas. De acordo com (fonte confiável do dado), 53 % da atual população carcerária no país, são de negros, traço este da desigualdade histórica. Enquanto nós não tivermos educação em tempo integral PARA TODAS AS CRIANÇAS, iremos sempre viver em um caos.


A base da moralidade Poesia escrita por: Rayane Adrieli

Vivemos uma crise no Brasil. Passamos por um período hostil. A rivalidade entre os presos de Alcaçuz, pensamentos impulsivos na sociedade produz. Muitos querem eliminar os presos, mas a qual preço? Devemos nos perguntar: usamos a razão para o fim alcançar? Muitas pessoas agem por inclinação quando deveriam usar a razão. Pense: os presos são uma porção do estado. O estado é a parte de um corpo, doente, Se não cuidarmos dessa parte ficaremos impotentes. Atos cruéis produzem os delinquentes, mas desejar a morte deles seria pensar moralmente? Digo que não, pois, não haveria razão nesta ação. Para tomar qualquer decisão moral, lembre-se sempre: seja racional. Procure agir de acordo com um principio queserá fundamental para atingir qualquer objetivo. Mesmo que estejamos revoltados com tanta violência, devemos agir por dever e sem imprudências. Agir com boa vontade é a condição chave. Condição indispensável face à adversidade.


Recriminalizar

Poesia escrita por: Thawan Tarcio

Bandido bom, é bandido morto. Ta com peninha? Leva para casa! Vitima da sociedade o que? Merece ser queimado! não estudou porque não quis, não trabalha porque não quer, hoje poderia ter filho, casa e mulher. A falta de racionalidade surpreende, querem dar o troco, dente por dente, se matou, vai morrer, se morrer não faz falta, como os detentos dizem, “Perder, nós não perde nada” O estado é muito falho, o crime é até mais organizado, tem mestrado, doutorado, em cada canto, em cada lado, um protege o outro, alguns vieram de baixo, nasceram, foram criados no mato. Desprezo, desamparo, ninguém sabe do passado, cada um tem sua história, sua versão, o seu lado, não cabe à nós julgar, muito menos se vingar, militar por uma causa e neles se transformar. São muitos, a bomba ainda ta para explodir, se atacam eles lá, eles atacam nós aqui, eles querem respeito, coisas que antes não tiveram, agora eles têm grana e também tem seu exercito. Arma, gasolina, fogo, quadrilha, você acha mesmo que a polícia não ta envolvida? Juntam assassinos com ladrão de galinha, a prisão é cruel, já não tem o que fazer, depois que entram lá, um lado vão ter que escolher, sai de lá pior, formado em homicídio, ao invés de roubar galinha, virou assassino. É assim que funciona o sistema, eles punem, envenenam. Ao invés de ressocializar, eles vão traumatizar, maltratar e por fim, lhes matar.


Pequena declaração ficcional Texto e Ilustração por : Anônimo.

O fim não era eu Quando eu tinha dezenove anos de idade fui flagrado com muita droga, tentei fugir, mas os caras me pegaram. Pensei: “OK, vou passar um tempo para pagar o que devo como minha mãe tanto me avisou que poderia acontecer, talvez até aprenda mesmo.”. Porém lá foi bem diferente, pois onde deveriam ter 3 presos tinham 17 e onde tinham 17 cabiam 17 (segundo eles) a situação era precária, em todos os sentido, principalmente higiene. Apanhei muito tanto que comecei a sentir um ódio cada vez maior, mas tentava sempre pensar que merecia e com o tempo eu certamente aprenderia o que deveria como os policiais assim diziam “é para você aprender!” Lá tinha de tudo e com o passar do tempo percebi que não importava se eu queria ser melhor ou não, eles não acreditavam, mas na real, o ruim é que tratavam todos com o maior pessimismo quando se tratava de mudança. manoo, então eu acordei, acordei e já tinha vinte anos de idade, e já não era tão moleque bandido assim, acordei percebendo que ali não era um ambiente onde eu e os outros parceiros deveríamos ficar para nos reabilitarmos como pessoas e logo em seguida nos reintegrarmos a sociedade, mas sim um ambiente que fazia a nossa presença igual “A paz da sociedade” (ou a tentativa dela). Foi quando eu definitivamente cheguei a maior e mais decepcionante conclusão: eu não era o fim, mas sim o meio, eu tinha que ficar naquele lugar não para ser melhor e tudo mais que eu pensava, mas eu deveria estar lá para que ser um marginal de tal forma que o resto estivesse “protegido”, chegando mais ao fim da minha jornada que definiu quem sou hoje, percebi ainda que não era ser humano ou pelo menos não podia usar o direito de um, nunca entendi de onde tiraram isso só sei que um dos advogados que tive falou que dos direitos humanos não foi (meio confuso, eu achei).


Bom, foi depois disso que entendi que estava onde deveria me especializar e aprender com os parceiros maiores de lá para a minha atual e mais forte profissão. Hoje depois de 10 anos dentro, algumas fugas e tentativas de fugas, resolvi ficar porque consigo controlar bem daqui (cá entre nós, posso fazer o que eu quiser, eles são muito contraditórios). Atualmente resido no alcaçuz, como vocês sabem, Eu sou o chefão, o chefão do crime, Tô comandando todas as paradas atuais aqui, defendendo o meu povo através do sindicato do crime, porque o pcc está achando que pode tomar todos assim, as regras do governo podem não funcionar bem e se contradizer entre elas, mas nós aqui não somos segundo o governo faz tempo, temos reais regras. Essa foi parte da minha história nessa vida. Agradeço a todos que não me deram um segunda chance, sem dúvidas agradeço ao acompanhamento psicológico e psiquiátrico que nunca existiu e um abraço especial a ausência dos direitos humanos. -O pai


Sem liberdade sem direito Texto escrito por: Joyce Micaeli

Vivo entre grades, onde a desigualdade rola solto. “Os maiores de um lado e os menores de outro. ” Onde a guerra existe em busca de paz, mas na realidade a morte reina rapaz. Políticos e dentre tantos policiais, mas a marginalidade já entrou em seus cais. Os que se dizem grandes, poderosos chefões, que “protegem a cidade e os seus cidadãos. ” Não falam a verdade, sãos os que comandam facções. A faculdade de crimes que tive que escolher, me formar no sindicato ou no PCC. Queria liberdade, ensino de qualidade. Fui em busca de algo mesmo sendo rejeitado pela sociedade. Desde que cheguei aqui sou tratado como um lixo, um porco em um celeiro apertado. Tive que escolher um lado a seguir, porque liberdade não existe aqui! Os DIREITOS HUMANOS só chegam no final, já que aqui pensam que sou animal.... Então chama o IBAMA pois do jeito que estou não quero sair. “Tá todo mundo sujo, fedendo. Outros ensanguentados, baleados, esfaqueados”. Enquanto vocês aí fora, em suas cadeiras e reuniões que gastam milhões sem darem explicações. Em uma sociedade que a corrupção rola solto e a desigualdade reina! Que tal trocarmos de lado? Me dá uma chance e vem para o meu lugar antes de me julgar. Que algum dia a justiça possa existir sem serem feitas com as próprias mãos, que esses outros ladrões saiam das câmaras e venham para as prisões!


ilustração de: Vanessa Lima ,


A dignidade do ser humano

Texto escrito por: Guilherme Martins, João Vitor, Victor Batista e Jennifer Kelly.

Reprodução: G1 RN. ,


De acordo com Kant, o sujeito deve ter uma moral formada. Quando um homem comete algum crime, ele perde a sua moral perante a sociedade, alguns presos estão ali por conta de que foram “vítimas” de situações ruins que se acarretaram até chegar nisso. (Por exemplo: um homem acaba tendo dívidas com um traficante, seja por qualquer motivo, e acaba sendo obrigado a tomar atitudes bruscas e nem sempre legais para fazer com que tudo “volte” ao normal.) No caso, o criminoso que foi “vítima” de uma situação ruim, desenvolve obrigatoriamente uma vontade de ter o objeto de desejo (nesse caso, pode ser o dinheiro). Segundo Kant, para o indivíduo ter uma moral ideal, ele precisa se encontrar livre dos objetos de desejo. Caso esse indivíduo perca a sua moral, ele continua sendo um ser humano, mas tem de ser reabilitado para que possa ser inserido novamente na sociedade. Nos presídios do nosso país, as coisas não são bem assim. Os presidiários não recebem nenhum tipo de ajuda ou motivação para serem reabilitados. Muitas cadeias não possuem da estrutura para comportar os próprios presos e tem uma má administração. Para reabilitar presidiários, seria preciso haver um verdadeiro processo que busque a reabilitação, nesse processo, podemos citar a necessidade de professores, psicólogos e muitos outros profissionais que auxiliassem o indivíduo. Presídios como os da Áustria, Espanha e Noruega conseguem a reabilitação de seus presos com aulas e acompanhamentos gerais. Muitos presos saem reformulados e prontos para viver em sociedade.


Corpo sensível à moralidade

texto de: Marcelo Rodrigues Tavares e Bruno Rocha

A visão priori dos conflitos que ocorreram recentemente no presídio de Alcaçuz pelas pessoas de fora, foram uma das chocantes. Estava dividido entre as opiniões em prol dos direitos humanos e no oposto, pessoas torcendo para que ocorresse uma chacina lá dentro. Geralmente, as pessoas que levam a ideia de “Bandido bom, é bandido morto” por terem passado por uma experiência traumatizante onde transformou esta opinião em razão, mas na verdade, sendo levado pelo ódio e até medo. No Brasil, a função de presídio é um pouco abstrata. O Estado apenas refletiu a ação dos presidiários da violência provocada por eles. Podemos pensar que foi uma forma de proteger-nos e também de controlar os “vagabundos”. Mas, dessa forma eles apenas continuaram reprimindo-os. Uma prisão é vista pela maioria, como um local para evitar que outras pessoas continuem fazendo problemas dentro da sociedade, então devem ficar presos e serem “esquecidos”. Portanto, os presos são pessoas que infligiram as leis e estão impedidas de voltar a sociedade, e dentro de lá deveriam ser orientados a se reintroduzir no mundo. Além do planejamento em construir um muro entre as duas facções, foi uma forma de contradizer esta afirmação. Pois como você consegue viver em um local sem habituar-se com outros tipos de pessoas? A situação atual dos presídios em todo o Brasil não está sendo de reintegração à sociedade, e sim, à punição.


Alcaçuz e o seu pensamento moral

texto de: Vinicius Hebert, Josenildo Filho, Catarina Albuquerque, Eloisa Moura e Nathalia Oliveira.

Os acontecimentos ocorridos em Alcaçuz mostram que o atual sistema carcerário brasileiro visa à punição e não a reabilitação dos mesmos para voltar a conviver em sociedade. O pensamento ético de Kant se fundamenta no indivíduo racional, que cria leis cuja obediência se dá pelo respeito e dever, e não através de dor e sofrimento no caso de desobediência dos mesmos, ou seja, é o respeito as leis e não o temor as consequências a base do proceder ético segundo Kant. Para a sociedade, os detentos de Alcaçuz devem ser punidos por tudo que aconteceu durante aqueles dias, e pensam até em punições de exclusão total. Kant diz que não podemos pensar como é o mundo em si, apenas como é o mundo para mim. Questões como se Deus existe ou o porquê daquele ser está fazendo aquilo não podem ser respondidas em definitivo, já que cada ser pensa de forma diferente, ver certa coisa com um olhar diferente, o que faz sentido para um, talvez não faça sentido para outro. As atitudes tomadas pelos detentos não vieram do nada, todos que estavam envolvidos seguiam ordens dos chefes das facções, facções essas que pregam o dever de cada um dos membros entre os mesmos. “Faça para o outro o que gostarias que fizessem para você”, de modo que seja: “Faça para os outros o que gostarias que todos fizessem para todos”. Esse pensamento de Kant resume o que a lei da moral prega. A atitude tomada pelas autoridades responsáveis pelo sistema carcerário refletiu naquela reação dos detentos. Em todo o momento, os envolvidos diziam que a luta deles não era contra a população, e sim contra os poderosos que estavam em uma disputa de e pelo poder. Poeminha: Soa quase como chuva As balas que por todo lado se escuta Pensam tomara que os matem Mas não a gente que luta O muro branco e alto Definiu seu valor Depois daí só vale o não infrator Soa quase como chuva Mas como assim minha vida vale mais que a sua? Claro, Jão Que o seu sangue vale mais do que os pós murão Que mesmo o sangue derramado Eles dizem bate cabeça ladrão Minha mãe está lá fora Pensando tomara que não morra Ela conversa com as vizinhas Toda vida é vida Por que para ele isso não cola? Soa quase como chuva Que cidadão de bem levanta às 6h Ultrapassa o FIAT UNO que dirige lento E faz psiu para as jovens no acostamento Matem o estuprador Não o pai que não pagou pensão


Últimos pensamentos de um bandido bom texto de: Ana Luisa

Então é verdade aquilo que falavam de você vê sua vida intêra antes de ir. Pra mim só veio umas memórias: • Aos 6 anos, meu irmão foi morto, por engano, por uns traficante lá do bairro. Agora eu era filho único. • Aos 8 anos, tive que largar a escola, não dava mais pros meus pais pagar. Eu lembro de gostar de ler, agora nem sei mais. • Aos 10, meu pai foi preso de frente a nossa casa, nunca soube o porquê. Tive que começar a trabalhar pra ser o sustento da casa. • Aos 18, engravidei minha vizinha, a gente se casou, daí o dinheiro começou a ser um problema maior, não era suficiente pra nós quatro. • Aos 22, fiz meu primeiro assalto, robei um celular de uma mulher que tava na parada, ela devia tá voltando do trabalho, mas eu precisava do dinheiro da venda pra comprar leite pro meu filho. Fui pego, mas por não ter antecedentes fui solto na noite seguinte. • Aos 23, um grupo aqui do bairro me chamou pra assaltar uma farmácia no fim de semana. No início eu recusei, mas minha mãe ficou doente e não tínhamos dinheiro pros remédios. Daí eu fui, mas a coisa ficou meio complicada. Um dos caras matou uma atendente, todos fugiram a tempo, menos eu. Foi assim que vim parar aqui. Do lado de fora, as prisão não parecem tão ruim quanto são. A gente não tem comida direito, nem cama nois tem. Fica todo mundo apertado na cela. Mas eu não reclamei, fiquei queto no meu canto. Me estruparam, várias vezes, e os guarda não disseram nada. Mas eu ainda não reclamei. Ai começou uma rebelião aqui dentro, eu fiquei na minha, claro. Mas uma bala mim acertô. Eu não tenho como gritar por ajuda, eu nunca tive como. Agora as TV deve tá falando que aqui dentro nois é tudo gente ruim que deve morrer, por que nois matou. Mas se nois tá errado por que matou, eles tão certo de nos deixa aqui pra morrer? Eu ia tentar me indireitá depois que saísse daqui, mas eu sem que ninguém me aceitaria, então eu ia acabar voltando pra aqui. Eu só queria gritar por ajuda, queria que alguém me ouvisse, não agora que não tem mais jeito, quando eu tinha 8 e tive que largar a escola, eu podia ter outra vida agora, é isso que eu acredito.


ilustração de: Joalison ,


Cordel

escrito por: Amanda Lima COMO É QUE VOCÊS QUEREM UMA SOCIEDADE DIFERENTE SE TRATAM COMO ANIMAIS QUEM É GENTE COMO A GENTE? VIVENDO AMONTOADOS COMO RATOS NO LIXÃO TUDO QUE GANHAM É INDIFERENÇA E PURA DISCRIMINAÇÃO A JUSTIÇA SE UTILIZA DOS PRESOS COMO OBJETOS COMO SE ELES NÃO IMPORTASSEM MAS CLARO, ISSO NÃO É CORRETO QUALQUER SER HUMANO NO MUNDO POSSUI SUA DIGNIDADE QUE ACABA SENDO RETIRADA POR MANIPULADORES VORAZES ELES NUNCA SE PREOCUPAM COM A REINTEGRAÇÃO DO PRESO EM NOSSA SOCIEDADE SEMPRE OS TRATAM COMO MEIOS MEIOS PARA RESOLVER PROBLEMAS QUE ELES SÃO INCAPAZES DE RESOLVER COMO DEVEM NÃO SE IMPORTAM DE VERDADE O QUE IMPORTA PRA ESSA GENTE É QUEM VIVE AO SEU REDOR E O PRETO, DA FAVELA É HUMILHADO SEM DÓ


VIVENDO EM AMBIENTES IMUNDOS NUMA SITUAÇÃO PRECÁRIA ISSO SÓ TRAZ MAIS FUROR CRIAM VIDAS REVOLTADAS ALCAÇUZ TEM QUASE O TRIPLO DA SUA CAPACIDADE OS PRESOS VIVEM ESPREMIDOS NÃO TEM SUA PRIVACIDADE PRIVACIDADE ESTA QUE É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA POIIS ALI REPENSARIAM E REFLETIRIAM MUDANÇAS JÁ QUE O ESTADO NÃO CUIDA AS FACÇÕES LOGO AGEM ARREBANHANDO OS PRESOS LHES PROPOEM SUAS VANTAGENS ISSO NÃO OCORRERIA SE A JUSTIÇA FOSSE RACIONAL E O ESTADO CUMPRISSE SEU PAPEL NÃO FUGINDO DA MORAL PRESÍDIO NÃO É DESPEJO ENTÃO DÊEM CONDIÇÃO PARA A MUDANÇA DE VIDA E A RECUPERAÇÃO SE VOCÊ QUER REALMENTE UMA NAÇÃO DE VERDADE NÃO MUDE OS SEUS PRINCÍPIOS USE A RACIONALIDADE.


Direito de Viver

Poesia escrita por: Gabriela Barros

Condenado a trinta anos de prisão, Não posso mais viver, a sociedade quer me ver dentro de um caixão. Nada justifica tudo que eu fiz, Mas porque só a minha morte serve pra essa gente ficar feliz? Não to aqui dentro pra sofrer, Eu também mereço uma segunda chance de viver. Como que posso ser “re-socializado”, Se no meio de uma rebelião vocês querem ver vários de nós serem assassinados. A policia não serve pra bater, Até a nós ela devia proteger. Mas quando eu era menininho, Aprendi que policial só protege mauricinho. Me tiraram todos os meus direitos, Não mereço ser usado como um meio. Mas se eu ainda estou aqui, É porque o meu direito de viver tem que persistir.


Dor esquecida

Poesia escrita por: Bianca Silva

Passado bagunçado filho encarcerado Dona atribulada sofre e aguenta calada Dona atribulada doente, julgada Abraça sua fé e vive o que der Dona atribulada liga a TV. Pra quê? Mais uma rebelião Mais uma vez, coração na mão Olha pro céu e pede pelo filho Não há muito mais a fazer O noticiário, sem filtro Dona atribulada vai enlouquecer “Bandido bom é bandido morto” “Se jogasse uma bomba num instante resolvia” Dona atribulada ouve e chora o desgosto A angústia e o medo que desde sempre já vivia As horas passam e a dor aumenta O coração de mãe já não aguenta O telefone toca... Ufa! Tá vivo. Dona atribulada chora.


Empirico revista if  

Revista feita pelos alunos do curso de Multimídia do IFRN Cidade Alta-Unidade Rocas, a revista surgiu de uma ideia do professor Alfredo Henr...

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